sexta-feira 06 2013

Em luto, África do Sul presta homenagens a Nelson Mandela

Memória

Sul-africanos fazem vigílias em frente a casas em que viveu o ex-presidente, morto nesta quinta-feira. Cerimônias fúnebres devem durar doze dias

Crianças seguram um cartaz com a imagem de Nelson Mandela  em frente da casa onde ele morava após o anúncio de sua morte, em Johannesburgo

A África do Sul é uma nação de luto: desde a madrugada desta sexta-feira milhares de pessoas prestam suas homenagens a Nelson Mandela, morto na quinta-feira, aos 95 anos. Em Johannesburgo e Soweto, sul-africanos realizam vigílias diante das casas em que o líder que guiou a África do Sul de uma ditadura segregacionista para uma democracia multirracial morou. As pessoas rezam, acendem velas, cantam e dançam. Por toda a capital, Pretória, bandeiras se espalham pelas ruas. Segundo informações do jornal britânico The Guardian, o governo do país planeja cerimônias fúnebres ao longo dos próximos doze dias em memória de Mandela. Figura inspiradora por sua incansável resistência ao regime racista do apartheid,Mandela construiu um dos mais belos capítulos da história do século XX ao se tornar o primeiro presidente eleito democraticamente na África do Sul, depois de passar 27 anos preso por sua oposição à ditadura.
A despedida ao ícone da luta contra o apartheid será o maior evento da história da África do Sul. A TV estatal SABC já avisou que fará a cobertura ao vivo de todos os atos relacionados à morte de Nelson Mandela “nas próximas duas semanas”. O presidente Jacob Zuma, ao anunciar a morte em um pronunciamento transmitido pela televisão, disse que Madiba “terá funerais de Estado” e que as bandeiras do país permanecerão a meio mastro a partir desta sexta-feira até a realização do enterro.
A rede americana CNN informou que haverá cerimônias públicas e privadas em homenagem ao prêmio Nobel da Paz. Segundo a CNN, o corpo será encaminhado a um hospital militar para ser embalsamado. A TV também cita, em sua página na internet, a organização de uma cerimônia fúnebre no estádio Soccer City, em Johannesburgo, onde foi disputada a final da Copa do Mundo de 2010. Citando fontes do governo sul-africano, acrescenta que o corpo será levado para a sede do governo em Pretória e, finalmente, para Qunu. Mandela nunca deu instruções exatas para seu funeral. Apenas indicou o desejo de ter uma cerimônia singela nesta aldeia para a qual se mudou quando ainda era criança.
A estrutura prevista para a despedida ao líder sul-africano, porém, passa longe da simplicidade. O Guardian destaca que o funeral de Mandela deverá rivalizar com o do papa João Paulo II em 2005, ao qual compareceram cinco reis, seis rainhas, setenta presidentes e primeiros-ministros, além de 2 milhões de fiéis. Às cerimônias dedicadas a Mandela, todos os ex-presidentes americanos vivos devem comparecer, além de chefes de estado e muitas celebridades.
“Tudo isso significa um planejamento sem precedentes e um pesadelo de segurança para a África do Sul”, destaca o jornal, citando um documento do governo sul-africano que prevê atividades para um período de doze dias. “Apesar de o documento ter sido elaborado mais de um ano atrás e possa ter sido revisto, é uma amostra de como as autoridades se prepararam para um momento único”. O governo sul-africano criou uma página na internet específica para publicar os avisos relacionados ao funeral de Mandela. Por enquanto, o texto diz apenas que cerimônias serão realizadas em vários locais “para dar a todos a oportunidade de participar”. 
Uma avalanche de tributos se espalhou pelo mundo em homenagem a Mandela, que estava doente há quase um ano. A saúde do líder sul-africano vinha se deteriorando nos últimos dois anos, principalmente por causa da infecção pulmonar – resquício de uma tuberculose contraída na prisão. O ex-presidente esteve internado em um hospital de Pretória por quase três meses, entre junho e setembro, respirando com a ajuda de aparelhos. No início desta semana semana, a filha mais velha de Mandela, Makaziwe, disse que seu pai estava lutando “em seu leito de morte”. "Cada momento, cada minuto com ele me assombra. Às vezes não acredito que sou filha desse homem que é tão forte, tão lutador", afirmou, em entrevista à TV estatal.   
Para a África do Sul, a perda de seu líder mais amado ocorre em um momento em que a nação, depois de ganhar reconhecimento global com o fim do apartheid, vive crescentes conflitos e protestos contra serviços precários, pobreza, criminalidade, desemprego e escândalos de corrupção que atingem o governo de Zuma. Ao acordar nesta sexta para um futuro sem Mandela, alguns sul-africanos reconhecem temer que a morte do herói possa deixar o país vulnerável a tensões raciais e sociais que ele lutou tanto para combater. O dia nasceu e as pessoas saíram de casa para o trabalho na capital, Pretória, em Johanesburgo e Cidade do Cabo, mas muitos ainda estavam em choque pela morte do homem que foi um símbolo mundial da reconciliação e da coexistência pacífica.
(Com agência Reuters) 

Nenhum comentário: