Ação
mira contratos fraudulentos com a Diretoria de Serviços da estatal. MP
tem indícios de que Dirceu e Duque faziam parte do esquema
PF deflagra 30ª fase da Operação Lava Jato(Gabriel Soares/Brazil Photo Press/Folhapress)
A
Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a 30ª fase da Lava Jato,
intitulada Operação Vício. O alvo da 30ª fase são grandes empresas
fornecedoras de tubos para a estatal, que atuavam com seus executivos,
sócios, advogados e funcionários da Petrobras para sangrar os cofres da
estatal e recolher propina. Os investigadores colheram indícios de que o
ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, já condenado no petrolão a mais
de 23 anos de prisão, e o ex-diretor de Serviços Renato Duque, também já
penalizado em mais de 50 anos de prisão pelo juiz Sergio Moro, faziam
parte do esquema, que movimentou ao todo mais de 40 milhões de reais em
propina. A nova etapa da Lava Jato identificou que uma construtora de fachada
foi utilizada para viabilizar o pagamento de propina em um expediente
utilizado com frequência por criminosos do colarinho branco: a
celebração de contratos fictícios de prestação de serviços. A
transferência de dinheiro sujo também foi viabilizada por meio de uma
offshore. O Ministério Público aponta que os contratos entre a Petrobras e as
empresas fornecedoras de tubos ultrapassam os 5 bilhões de reais.
"Evidências denotam que o pagamento de propinas no interesse desse
esquema criminoso perdurou pelo menos entre os anos de 2009 e 2013,
sendo que os valores espúrios pagos, no Brasil e no exterior, superam a
quantia de R$ 40 milhões", disse o MP. Na etapa batizada de Vício, dois
funcionários da Diretoria de Serviços da Petrobras são alvos de condução
coercitiva. Cinquenta agentes federais cumprem 28 mandados de busca e apreensão, 2
mandados de prisão preventiva e 9 mandados de condução coercitiva nos
Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. A ação de hoje se dá em parceria
com a Receita Federal e apura os crimes de crimes de corrupção,
organização criminosa e lavagem de dinheiro no esquema que sangrou os
cofres da Petrobras.
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De acordo com a PF, a operação desta terça é um desdobramento das que
revelaram o esquema criminoso do petrolão. O alvo agora são três grupos
empresariais que se utilizavam de operadores e contratos fictícios com a
estatal - sobretudo com a Diretoria de Serviços - e repassavam dinheiro
sujo a funcionários da Petrobras, além de agentes públicos e políticos. A escolha pelo nome Vício se deu, segundo a corporação, em
decorrência da sistemática prática de corrupção por determinados
funcionários da estatal e agentes políticos. "O termo ainda remete a
ideia de que alguns setores do Estado precisam passar por um processo de
desintoxicação do modo corrupto de contratar presente não ação de seus
representantes", diz a PF em nota. A PF cumpre ainda mandados com o objetivo de apurar pagamentos a um
executivo da área internacional da Petrobras em contratos firmados para
aquisição de navios-sonda. http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/pf-deflagra-30-fase-da-operacao-lava-jato
Sergio Moro no Fórum VEJA - O Brasil que temos e o Brasil que queremos(Heitor Feitosa/VEJA.com)
O
juiz federal Sergio Moro, que conduz as ações decorrentes da Lava Jato
em Curitiba, preferiu não comentar nesta segunda-feira, ao chegar ao
Fórum VEJA, os áudios em que o ministro do Planejamento Romero Jucá
trata com Sérgio Machado sobre um suposto pacto para deter os avanços
das investigações, revelados pelo jornal Folha de S. Paulo. O
magistrado afirmou apenas que o Brasil tem instituições sólidas que não
dependem do interesse de um governo para prosseguimento ou não dos
trabalhos do Judiciário. O juiz disse ainda que espera que a Lava Jato
acabe até o fim do ano, mas que novos fatos estão vindo à tona e não há
um prazo fixo pra acabar. "O país tem um desafio muito grande." (Luis Lima e Victor Fernandes, de São Paulo) http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/moro-cala-sobre-juca-mas-afirma-instituicoes-nao-dependem-da-vontade-do-governo
Juiz
Sergio Moro participa do Fórum Veja - "O Brasil que temos e o Brasil
que queremos ter", no Teatro Santander em São Paulo - 23/05/2016(Heitor Feitosa/VEJA.com)
Ao
deixar o Fórum VEJA na manhã desta segunda-feira, em São Paulo, o juiz
federal Sergio Moro foi cercado por fãs que pediram fotos e autógrafos.
Antes de entrar no carro, foi aplaudido por funcionários do teatro onde
ocorreu o evento e ouviu de um deles: "Está na hora de prender o Lula,
hein?". O juiz federal deixou o local por volta das 11h30. Durante o
debate, o magistrado chegou a ser questionado sobre uma eventual prisão
do ex-presidente. Afirmou que não poderia falar do assunto e limitou-se a
dizer que não se pauta pela opinião pública. (Victor Fernandes, de São Paulo) http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/moro-aplausos-e-um-pedido-prenda-o-lula
Defesa do atual ministro alega que ele "jamais pensaria em fazer qualquer interferência" na Operação
Entrevista
coletiva com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o ministro do
Planejamento, Romero Jucá, sobre a nova meta fiscal de 2016, em
Brasília (DF) - 20/05/2016(Adriano Machado/Reuters)
Em
conversa com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o ministro
do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu que uma possível mudança
no governo federal resultaria em um pacto para "estancar a sangria"
feita pela Operação Lava Jato, que investiga ambos. O diálogo foi
gravado em março e revelado nesta segunda-feira pelo jornal Folha de S. Paulo. A conversa ocorreu semanas antes da votação do processo de
impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. O áudio tem mais
de uma hora duração e está em posse da Procuradoria Geral da República
(PGR). O advogado do atual ministro, Antonio Carlos de Almeida Castro,
disse ao jornal que Jucá "jamais pensaria em fazer qualquer
interferência" na Lava Jato "porque essa não é a postura dele". "Estancar essa sangria" - Em um dos trechos
revelados pelo jornal, Machado diz: "O Janot [procurador-geral da
República] está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho". Logo
em seguida, Jucá afirma "Se é político, como é a política? Tem que
resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa
sangria". Machado acredita que o envio de seu caso do Supremo Tribunal
Federal para o juiz federal Sergio Moro, em Curitiba, seria uma
estratégia para que ele fizesse delação premiada e, com isso,
incriminasse líderes do PMDB. Outro trecho da conversa revela o receio
de novos acordos com a Justiça. Machado afirma que novas delações não
deixariam "pedra sobre pedra". Jucá completa dizendo que o caso "não
pode ficar na mão desse [Moro]". Adiante, Machado diz: "Então eu estou preocupado com o quê? Comigo e com vocês. A gente tem que encontrar uma saída".
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"Delimitava onde está" - Machado ainda afirma que "a
solução mais fácil era botar o Michel [Temer]". Jucá acrescenta que um
eventual governo de Temer poderia construir um pacto nacional "com o
Supremo, com tudo" e Machado responde "aí parava tudo". "É, delimitava
onde está, pronto", diz Jucá. Quando Machado afirma que "o caminho é
buscar alguém que tenha relação com Teori [Zavascki]", que é o relator
da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Jucá classifica o
ministro como "um cara fechado". Ainda durante a conversa, Machado afirma que a situação é grave.
"Eles querem pegar todos os políticos", diz, logo em seguida,
acrescentando que precisa da inteligência de Jucá, e o ministro se põe à
disposição: "Veja a hora que você quer falar". "Quem que não sabe?" - Em outro trecho, Machado
afirma que o senador Aécio Neves seria o primeiro "a ser comido",
referindo-se às investigações da Lava Jato, ao que Jucá responde:
"Todos, porra. E vão pegando e vão...". Em outro trecho da conversa sobre o senador tucano, Machado diz que
Aécio "não ganha porra nenhuma...", e Jucá responde: "Não, esquece.
Nenhum político desse tradicional ganha eleição, não". "O Aécio não tem
condição, a gente sabe disso. Quem que não sabe? Quem não conhece o
esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB...", continua
Machado. "Poucos caras ali" - O juiz federal Sergio Moro é
mencionado na conversa como "uma 'Torre de Londres'", em uma referência
ao castelo da Inglaterra onde ocorreram torturas e execuções, já que,
segundo Jucá, os suspeitos eram enviados até Moro "para o cara
confessar". O ministro Jucá afirmou também que havia mantido conversas com
"ministros do Supremo", porém não os mencionou nominalmente. Segundo
Jucá, os ministros relacionaram o afastamento de Dilma com o fim de
pressões da imprensa e de outros setores pela continuidade das
investigações da Operação Lava Jato, e em seguida afirmou que tem
"poucos cara ali [no STF]" dos quais não tem acesso. "Boi de piranha" - Na conversa com Jucá, Machado diz
que o presidente do Senado, Renan Calheiros, ainda não entendeu que "a
saída dele é o Michel [Temer] e o Eduardo [Cunha]". "Na hora que cassar o
Eduardo, que ele tem ódio, o próximo alvo, principal, é ele", diz
Machado. "Então quanto mais vida, sobrevida, tiver o Eduardo, melhor pra
ele". Jucá afirma em seguida que é preciso "um boi de piranha" para que
eles possam "chegar do outro lado da margem". O ex-senador, Sérgio Machado é afilhado político de Renan Calheiros.
Em novembro de 2014, citado nas investigações da Operação Lava Jato como
um dos integrantes do esquema de corrupção na Petrobras, pediu licença
do cargo de presidente da Transpetro, que ocupou por mais de dez anos.
No STF, Machado é alvo de inquérito junto com Renan Calheiros. Jucá teve seu nome citado em delação premiada do dono da UTC, Ricardo
Pessoa. Desde então, ele é alvo de inquérito no STF por suspeita de
recebimento de propina, além ser investigado na Operação Zelotes. (Da redação) http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/em-gravacoes-juca-sugere-pacto-para-deter-lava-jato-diz-jornal
O juiz federal Sérgio Moro, da 3ª Vara Criminal de Curitiba, durante sessão em São Paulo (SP), nesta terça-feira (29)(Nelson Almeida/AFP)
O
juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos do petrolão em
Curitiba, considera que existem indícios de que o ex-assessor do Partido
Progressista (PP) João Claudio Genu, preso nesta segunda-feira durante a
29ª fase da Operação Lava Jato, atuava com "profissionalismo e
habitualidade na prática do crime". O motivo, aliado à possibilidade de
Genu destruir provas das investigações, foi utilizado por Moro para
decretar a prisão preventiva do operador do PP. Em despacho datado do último dia 20, Moro critica o fato de Genu, réu
no julgamento do mensalão, ter recebido dinheiro sujo mesmo quando o
Supremo Tribunal Federal (STF) processava políticos e empresários
suspeitos de distribuir propina para a formação da base aliada do
primeiro mandato do governo Lula. Ao final, João Claudio Genu conseguiu
reverter a condenação por lavagem de dinheiro por meio de embargos
infringentes. Também foi beneficiado com a prescrição da pena imposta a
ele pelo crime de corrupção. "A percepção de propinas em esquema criminoso enquanto estava sendo
processado por outro caracteriza, em princípio, acentuada conduta de
desprezo não só à lei e à coisa pública, mas igualmente à Justiça
criminal e à Suprema Corte", disse Moro. "Enquanto os eminentes
ministros discutiam e definiam, com todas as garantias da ampla defesa, a
responsabilidade de João Cláudio de Carvalho Genu pelos crimes, o
próprio acusado persistia recebendo vantagem indevida decorrente de
outros esquemas criminosos, desta feita no âmbito de contratos da
Petrobras", continuou o magistrado. "A prova do recebimento de propina mesmo durante o processamento da
Ação Penal 470 [mensalão] reforça os indícios de profissionalismo e
habitualidade na prática do crime, recomendando a prisão para prevenir
risco à ordem pública", resumiu. Entre as provas colhidas contra João Claudio Genu estão referências
na planilha da propina feita pelo doleiro Alberto Youssef. Na listagem, o
operador do PP é identificado com os codinomes Mercedão, Gordo, João e
Ronaldo tanto quando os repasses têm como destinatário ele próprio
quanto nos casos de o dinheiro ser remetido ao ex-diretor da Petrobras
Paulo Roberto Costa. Além da planilha, os investigadores reuniram contra Genu controles de
pagamento de Carlos Habib Chater, doleiro condenado na Lava Jato,
registros de visitas nos escritórios de lavagem de dinheiro de Youssef,
uma mensagem eletrônica enviada por Genu ao doleiro, a movimentação
financeira expressiva e sem origem identificada de empresas relacionadas
ao suspeito e compras de joias e imóveis em dinheiro vivo. http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/propina-durante-mensalao-revela-que-genu-e-profissional-do-crime-diz-moro