quinta-feira 22 2013

Dilma convoca Tombini e Mantega para 'amarrar' reação à disparada do dólar

Por João Villaverde e Iuri Dantas, de O Estado de S. Paulo, estadao.com.br
Com o objetivo de definir uma nova tática para o câmbio e reduzir o impacto da valorização da moeda americana na economia e na Petrobrás, ficou acertado um novo aumento no preço do diesel e da gasolina e uma reunião extraordinária do CMN 



A disparada do dólar desencadeou uma reação coordenada do governo nesta quarta-feira, 21, obrigando a presidente Dilma Rousseff a convocar ministros de várias Pastas com o objetivo de definir uma nova tática para o câmbio. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, teve de cancelar uma viagem aos Estados Unidos para permanecer em Brasília. Foi convocada para esta quinta-feira uma reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN).
O objetivo do governo é traçar uma nova tática para a alta do dólar. Não há como impedir totalmente a disparada da divisa, pois se trata de um realinhamento global de investidores. Desde o início da crise, o Federal Reserve, o banco central americano, recompra títulos da dívida dos EUA e outros papéis. Esse programa está terminando e vai levar bilhões de dólares de volta aos Estados Unidos.
A presidente debateu o assunto pela manhã com os ministros da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e com a presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster. Ficou acertado que a petroleira deve receber mais um reajuste nos preços do óleo diesel e da gasolina. A estatal compra combustíveis lá fora a preços internacionais e vende no País a um valor menor. A situação, que prejudica a empresa há anos, ficou mais delicada com a escalada da moeda americana, que nesta quarta fechou a R$ 2,436, a maior cotação desde março de 2009.
Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, discutia parâmetros do Orçamento. Ao longo do dia, o BC ofereceu ao mercado US$ 1,774 bilhão em contratos de swap cambial, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro.
No fim da tarde, a assessoria de Tombini informou que ele não participaria mais do tradicional encontro de Jackson Hole (Wyoming, EUA) promovido pelo Fed. Foi depois de participar desse mesmo encontro em 2011 que Tombini passou a cortar os juros. Minutos depois, o chefe do Comitê de Política Monetária (Copom) encontrou-se com Dilma e Mantega.
Nova tática. No início da noite, o governo convocou para esta quinta uma reunião extraordinária do CMN, composto por Mantega, Tombini e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. São eles que definem medidas como travas ao mercado de câmbio, e não costumam se reunir sem tomar decisões.
Há grande expectativa no mercado sobre se e quando o BC vai usar as reservas internacionais para segurar a cotação do dólar, vendendo dólares à vista. Mantega avalia que não é hora. Tombini não descarta.
O grande receio do Palácio do Planalto hoje é que o crescente pessimismo do mercado internacional e de empresas nacionais em busca de proteção cambial continue até setembro. Na visão de Dilma, o mês que traz a primavera será "crucial" para a retomada econômica, e, portanto, para preparar o terreno para as eleições de 2013. As concessões de infraestrutura vão engatar em setembro, crê o governo.
Sem espaço fiscal para novos incentivos, e com a arrecadação em ritmo lento, o governo tem pouca margem no curto prazo para reativar a criação de empregos. Em julho, o País gerou o menor número de novos postos com carteira assinada dos últimos dez anos.

Nenhum comentário: