quinta-feira 18 2012

Lua pode ter se originado a partir de material do manto terrestre(VEJA)


Astronomia

Simulações de computador mostram que a Lua poderia ter se formado a partir de pedaços da Terra, após a colisão com corpo gigantesco

Lua
Análises químicas feitas em rochas da Lua mostraram que ela tem uma composição similar à encontrada no manto terrestre (Thinkstock)
Dois novos estudos que serão publicados nesta próxima quinta-feira na revista Sciencepropõem uma nova explicação para a origem da Lua. Por meio de simulações de computador, eles mostram que o satélite poderia ter se formado a partir de pedaços da própria Terra, após o planeta ter sido atingido por um impacto gigantesco. Os novos modelos desafiam uma teoria antiga, chamada de Hipótese do Grande Impacto, que diz que a Lua teria sido produzida pelo material de um planeta pequeno – do tamanho de Marte – depois de uma colisão com a Terra há 4,5 bilhões de anos. Os restos desse planeta teriam sido incorporados pelo núcleo da Terra. 
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Making the Moon from a Fast-Spinning Earth: A Giant Impact Followed by Resonant Despinning

Onde foi divulgada: revista Science

Quem fez: Matija Ćuk e Sarah T. Stewart

Instituição: Departamento de Ciências da Terra e Planetárias da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos

Resultado: Por meio de simulações de computador, os pesquisadores conseguiram mostrar que a Lua poderia ter se formado a partir de pedaços que se soltaram da própria Terra, depois de o planeta ter sido atingido por um corpo gigantesco. Nesse caso, as velocidades de rotação e translação da Lua seriam maiores que a que as atuais, e desacelerariam com o tempo.
Esta teoria surgiu nos anos 1970, e ganhou força nos 1980, quando simulações de computador mostraram que a Lua poderia ter sido criada com material de fora da Terra. Estas simulações previam que a colisão desse planeta com a Terra daria origem à Lua, e o impacto do choque daria início aos movimentos de rotação e translação do astro, que teriam se mantido intactos até hoje. A teoria se mostrou imperfeita quando, anos mais tarde, análises de amostras retiradas do satélite mostraram que ele tinha uma composição química similar à do manto terrestre, uma camada que fica abaixo da crosta de nosso planeta. 

Agora, uma pesquisa liderada pela astrônoma Matija Ćuk, da Universidade de Harvard, mostrou que a Lua também poderia ter se formado a partir de pedaços da própria Terra. Eles usaram uma série de simulações de computador para mostrar que um impacto gigantesco poderia fazer com que um disco se soltasse do manto do planeta e passasse a girar em sua volta.




 Nesse sistema, a velocidade de rotação e translação da Lua logo após o impacto seriam maiores que as atuais.  No entanto, as simulações mostraram que o sistema poderia perder velocidade por conta de fatores externos, como a gravidade do Sol, até atingir o estado de hoje.

Em um estudo separado, publicado na mesma edição da Science, o astrônomo Robin Canup, do Southwest Research Institute, nos Estados Unidos, mostrou que a Lua também poderia ter sido formada após a colisão de dois planetas de massa semelhante à da Terra. O impacto iria produzir um satélite com o mesmo tamanho da Lua, e a mesma composição química da Terra. 

Eike compra Terra Encantada(VEJA)



A Terra Encantada agora é do Eike
A REX, de Eike Batista, acaba de comprar uma área de 700 000 metros quadrados na Barra da Tijuca para erguer um bairro planejado. No local, funcionou por doze anos o Terra Encantada,um fracassado parque de diversões carioca.
Por Lauro Jardim
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/economia/eike-compra-terra-encantada/

Morre Sylvia Kristel, famosa atriz de 'Emmanuelle'(VEJA)


Cinema

Atriz holandesa se tornou ícone da liberação sexual nos anos 1970, por ter participado de vários longas pornôs durante a carreira

Sylvia Kristel em foto de 1976: a atriz faleceu durante a noite
(Archive/AFP)
A atriz holandesa Sylvia Kristel, que ficou famosa como protagonista do filme eróticoEmmanuelle, de 1974, morreu na madrugada desta quinta-feira, vítima de câncer de esôfago. Ela tinha 60 anos. Kristel havia sido internada em julho em um hospital de Amsterdã, após sofrer um acidente vascular cerebral. O AVC fez a atriz interromper o tratamento contra o câncer, diagnosticado há dez anos, que já havia se espalhado para o pulmão.
A atriz se tornou um ícone da liberação sexual nos anos 70, por sua participação em longas pornôs. No já clássico Emmanuelle, a atriz vivia a personagem-título, uma jovem que desafiava os limites da sexualidade. Baseado no romance autobiográfico da francesa Marayat Bibidh Andriane, o filme, do diretor francês Just Jaeckin, causou alvoroço quando lançado e arrecadou 100 milhões de dólares ao redor do mundo. 
Sequências - O filme fez tanto sucesso que ganhou duas sequências, ambas com Sylvia: em 1975, ela estrelou Emmanuelle - a Antivirgem, de Francis Giacobetti, e, em 1977, Adeus, Emmanuelle, de François Leterrier. A atriz não fez apenas filmes eróticos, porém. Ela também trabalhou em longas de Claude Chabrol (Alice ou la Dernière Fugue, de 1977), Roger Vadim (Une Femme Fidèle, de 1976) e Alain Robbe-Grillet (Le Jeu avec le Feu, de 1975).
A fama conquistada cedo levou Sylvia a uma vida agitada, marcada por excessos com álcool, drogas e amores. Todos esses temas, assim como o câncer de que sofre há uma década, estão na autobiografia Nua, lançada em 2006 na Europa.
Ela foi casada com o escritor Hugo Claus, com quem teve um filho, Arthur.
(Com agências France-Presse e EFE)

As raízes do mensalão

Dilma reafirma promessa de reduzir a conta de luz(VEJA)


Elétricas

Em inauguração de usina no Maranhão, presidente rebateu críticas à renovação das concessões

Dilma rousseff na inauguração da usina hidroelétrica (UHE) Estreito, no Maranhão
Dilma Rousseff na inauguração da usina de Estreito, no Maranhão (Roberto Stuckert Filho/PR)
Em meio à polêmica da falta de interesse de 14 concessionárias de energia em renovar a concessão nos moldes do governo, a presidente Dilma Rousseff voltou a prometer nesta quarta-feira a redução da conta de luz dos brasileiros a partir de janeiro do ano que vem. "Pagamos toda a universalização, então uma parte do que a gente recolhia para fazer isso estamos devolvendo para o povo. É por isso que vamos reduzir a conta de luz em janeiro", afirmou Dilma, durante a inauguração da usina hidrelétrica de Estreito, na divisa do Tocantins com o Maranhão.
Dilma ocupou cadeia de rádio e televisão na véspera do feriado de 7 de setembro para anunciar que renovaria as concessões do setor elétrico que venceriam nos próximos anos, obtendo ao mesmo tempo uma redução de 16,2% na conta de luz do consumidor e de até 28% para a indústria, que consome mais. Parte da estratégia visava a aceitação dos termos pelas atuais concessionárias, mas na terça-feira a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou que 14 empresas não se interessaram pela renovação.
A presidente fez um discurso na inauguração da usina de Estreito, que pode injetar até 1.087 megawatts (MW) de energia no sistema interligado nacional. A concessão ocorreu antes da alteração do marco regulatório do setor, mas foi construída sob as novas regras. "Inaugurar essa usina de Estreito é para mim um momento especial, porque estamos comemorando anos a fio de dedicação, trabalho, empenho e teimosia", afirmou. "Porque tem muito de teimosia para fazer essa usina, considerando todos os problemas de ordem institucional, regulatório e de equacionamento econômico e financeiro."
Modelo - No discurso, marcado pela celebração do novo marco regulatório do setor elétrico, desenvolvido por ela quando ministra de Minas e Energia no governo Lula, a presidente defendeu a opção pela hidreletricidade como uma fonte renovável e o retorno à sociedade dos investimentos feitos na construção de usinas.
"Fizemos um grande esforço para estabilizar o setor elétrico no Brasil, para que não haja racionamento, para que as melhores práticas de segurança sejam implantadas", declarou. "Tinha uma coisa que me incomodava muito e me deixava até envergonhada, era o fato de que vivíamos num país muito grande e muita gente vivia sem energia elétrica."
Ao descrever ações sociais para pescadores na região, organizados em sete cooperativas que passarão a explorar a pesca na área do reservatório de Estreito, Dilma ressaltou o fato de o Brasil continuar crescendo, apesar da desaceleração observada neste ano. Também voltou a defender seu modelo econômico.
"Estamos na encruzilhada que mostra que isso é possível, é possível crescer e distribuir renda. É possível manter a austeridade e ao mesmo tempo investir, é possível manter empregos mesmo quando a crise bate forte no mundo e nos atinge de alguma forma. Vamos continuar crescendo e, para continuar crescendo, temos que ser competitivos, energia elétrica é um fator de competitividade", disse.
No último ano do governo Lula, o Produto Interno Bruto (PIB) do País avançou 7,5%, reduzindo a marcha para 2,7% no ano passado. Para 2012, o Banco Central prevê crescimento de 1,6% e o Ministério do Planejamento, de 2%.
(Com Agência Estado)

Kátia Abreu: ‘Só xiitas são contra mudar o Código Florestal’(VEJA)


Congresso

Senadora crê em aprovação do projeto de Aldo Rebelo no Senado até outubro

Carolina Freitas
A senadora Kátia Abreu
Kátia Abreu: maioria 'graças a Deus' (Eduardo Anizelli/Folhapress)
Líder da bancada ruralista, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) tem um bom motivo para apostar na aprovação do novo Código Florestal pelo Congresso. “Só os ambientalistas xiitas são contra”, afirmou nesta segunda-feira ao site de VEJA. “E eles são completamente minoria no Congresso, graças a Deus.” A expectativa de Kátia é que o Senado vote a proposta até outubro. O projeto volta então à Câmara e segue para sanção da presidente Dilma Rousseff.
 
O Código Florestal foi criado em 1965 para disciplinar os limites de preservação ambiental nas margens de rios, o tamanho das reservas em cada propriedade rural e as punições para quem desmatar. A proposta de mudança na lei, de autoria do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), tramita no Congresso, mas não há consenso sobre ela nem dentro do governo.
 
“A questão do meio ambiente não vai ser resolvida nessa votação”, disse Kátia Abreu. “Estamos tentando apenas legalizar as áreas de produção, os 27% do Brasil onde se produz o que comemos e exportamos.” A senadora comprometeu-se a fazer todo o esforço para construir um consenso no Senado. “Não queremos passar a imagem de que derrotamos o governo. Não é bom para a imagem do Brasil.”
 
Na proposta de Aldo Rebelo, o limite de preservação nas margens de rios diminui e os topos de morros deixam de ser áreas de preservação permanente; a obrigatoriedade de reserva dentro da propriedade passa a valer apenas para médios e grandes produtores; e a multa pro desmatamento só vale para quem retirou vegetação nativa a partir de 2008, quando entrou em vigor a Lei de Crimes Ambientais. 
 
Os ruralistas – Kátia Abreu entre eles – apoiam a proposta de Aldo Rebelo. Os ambientalistas, no entanto, acreditam que as mudanças no código aumentam o risco de assoreamento de rios e as ocupações irregulares de morros; diminuem as áreas preservadas dentro das propriedades rurais; e concedem anistia irrestrita aos proprietários de terra que desmataram.
 
Dilma orientou a base para uma votação sem sobressaltos, mas a crise política causada pelos sucessivos escândalos no governo dificultam os planos da presidente. O projeto de Aldo é resultado do trabalho de uma comissão especial que durou mais de um ano e fez 67 audiências públicas. Ainda assim, o almejado consenso parece longe de ser alcançado.

Dilma veta nove itens do Código Florestal


Meio Ambiente

Decreto presidencial amplia proteção de mata nas margem dos rios, recuperando texto original alterado pelos parlamentares, e proíbe recuperação das áreas com árvores frutíferas não nativas

A presidente Dilma Rousseff se deixa fotografar com bilhete endereçado às ministras Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, e Izabella Teixeira, do Meio Ambiente: 'Por que os jornais estão dizendo que houve um acordo ontem no Congresso sobre o Código Florestal e eu não sei de nada?'. Dilma detestou o texto aprovado na comissão mista do Congresso. Ideli garantiu que não houve acordo
A presidente Dilma Rousseff e bilhete sobre Código Florestal endereçado a Izabella em agosto (Agência Estado)
Foram publicados nesta quinta-feira os nove vetos da presidente Dilma Roussef ao Código Florestal aprovado pelo Congresso Nacional em setembro. O principal deles diz respeito ao ponto que alterava a chamada escadinha e diminuía a área de recuperação de florestas nas margens dos rios. Um decreto presidencial, usado para regulamentar o Cadastro Ambiental Rural e o Programa de Recuperação Ambiental, vai recuperar o texto original da Medida Provisória alterada pelos parlamentares. 
"Todos os  vetos foram fundamentados na recuperação dos princípios da Medida Provisória de não anistiar, não estimular o desmatamento ilegal e estimular a justiça social no campo", afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. "Foi vetado tudo aquilo que leva ao desequilíbrio social e ambiental". Os vetos incluem, ainda, a proibição de usar árvores frutíferas para recuperação de áreas degradadas dentro das Áreas de Preservação Permanente (APP) e um artigo que definia uma área de cinco metros na recuperação nas margens de rios intermitentes de até dois metros de largura em propriedades de qualquer tamanho.
A maior questão para os ruralistas é mesmo o tamanho das áreas de preservação em margens de rios. A versão final que saiu do Congresso, em uma enorme derrota para o governo, diminuiu a obrigação da recomposição para médias e grandes propriedades.
Nas médias propriedades, de 4 a 10 módulos fiscais, o governo quer a recuperação de 20 metros em cada margem em rios com até 10 metros de largura. Em propriedades com até 10 módulos fiscais, se o rio for maior que 10 metros, e em áreas maiores do que essas, com rios de qualquer tamanho, a recuperação terá que ser equivalente à metade da largura do rio, com um mínimo de 30 metros e máximo de 100 metros. A mesma regra vale para as grandes propriedades. Essa é a versão que será recuperada com o decreto presidencial publicado nesta quinta-feira.
Na versão do Congresso, a área a ser recuperada nas médias propriedades seria de 15 metros em qualquer caso e, nas grandes propriedades, a faixa mínima passaria a ser de 20 metros e o tamanho máximo passaria a ser regulado pelos estados. Na avaliação do governo federal, as alterações tinham potencial de reduzir significativamente o tamanho das matas ciliares.
A bancada ruralista fala em questionar na Justiça a constitucionalidade do decreto presidencial apresentado por Dilma. O Advogado Geral da União, Luiz Inácio Adams, alega que as mudanças feitas pelos parlamentares permitiram a edição do decreto quando passaram a regulamentação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Programa de Recuperação Ambiental (PRA) para as disposições transitórias da lei. "Essa previsão não existia na versão anterior, por isso não foi feita", explicou. O chamado CAR é um cadastro em que todos os produtores precisarão se inscrever para regularizarem sua situação ambiental. Depois de inscritos, o governo federal avaliará as propriedades para ver quais precisarão estar no PRA e definir o que precisa ser feito de recuperação. É nesse ponto que a AGU viu a brecha para tratar a escadinha como parte da regulamentação do CAR e do PRA.
O outro ponto vetado foi a inclusão, na Câmara, da possibilidade da recuperação das áreas ser feita com árvores frutíferas não nativas. De acordo com a ministra do Meio Ambiente, a possibilidade do uso de frutíferas nativas intermitentes com outras árvores das regiões está prevista. O que o governo não quer é ver as APPs transformadas em pomares.
No total, a presidente vetou nove de 84 itens da MP aprovada em setembro pelo Congresso. Tanto o texto quando o novo decreto estão publicados no Diário Oficial da União desta quinta-feira.
(Com Agência Estado)