quinta-feira 03 2013

A seita que jurava combater a roubalheira agora luta para conseguir que os sacerdotes corruptos passem só as noites na cadeia

veja.com

ATUALIZADO ÀS 15H48
Leiam sem pressa os quatro parágrafos, transcritos em negrito, extraídos de um artigo publicado pelo Estadão sob o título “A corrupção e morte da cidadania”. Volto em seguida com o nome do autor e a data da publicação.
A corrupção representa uma violação das relações de convivência civil, social, econômica e política, fundadas na equidade, na justiça, na transparência e na legalidade. A corrupção fere de morte a cidadania. Num país tomado pela corrupção, como o Brasil, o cidadão se sente desmoralizado porque se sabe roubado e impotente. Sabe-se impotente porque não tem a quem recorrer. Descobre que os representantes traem a confiabilidade do seu voto, que as autoridades ou são corruptas ou omissas e indiferentes à corrupção, que os próprios políticos honestos são impotentes e que a estrutura do poder é inerentemente corruptora.
Dessa impotência se firmam as noções de que “nada adianta” e de que no fundo “são todos iguais”. A fixação desses sentimentos representa o fim da cidadania, pois ela se baseia na participação ativa do indivíduo na luta por direitos e na cobrança e fiscalização do poder. Quanto mais agonizante a cidadania, mais ativa se torna a corrupção. O corrupto sente-se à vontade para se justificar e até para solicitar o aval eleitoral para continuar na vida política.
O poder no Brasil protege os corruptos. A estrutura do poder público é corruptora. Em paralelo, a estrutura fiscalizadora favorece a impunidade. Mas se a corrupção, sua proteção e a impunidade se tornaram estruturais, há uma vontade explícita de manter intacta a estrutura corruptora. Essa vontade se manifesta de várias formas. A principal é a falta de iniciativa das autoridades constituídas. Outra ocorre pelo bloqueio das mudanças institucionais e legais que visam a ampliar e aperfeiçoar os instrumentos de combate à corrupção. No Congresso, medidas de combate à corrupção e mudanças moralizadoras da Lei Eleitoral foram sistematicamente derrotadas pela maioria governista, com o apoio de chefes dos poderes superiores.
A sociedade já percebeu que a corrupção estrutural está albergada na falta de vontade de mudar e de punir e na vontade explícita de proteger. A racionalidade do cidadão não consegue compreender o porquê e o como de tantos casos de corrupção não resultarem em nenhuma prisão dos principais envolvidos. E porque a razão não consegue compreender essa medonha impunidade, o cidadão sente-se desmoralizado. A corrupção assume a condição de normalidade da vida política do país. A degradação e a ineficiência do poder público atingiram tão elevado grau que não se pode mais acreditar que, apesar de lentas, as mudanças virão.
O autor só pode ser algum falso moralista enfurecido com a transformação do embargo infringente em primo do habeas corpus, certo? E o texto só pode ser coisa da elite golpista ainda inconformada com a derrota decidida pelo voto do ministro Celso de Mello, certo? Errou duplamente quem embarcou nessas deduções. O artigo saiu na edição de 29 de abril de 2000. E foi escrito por José Genoino, então ─ como agora ─ deputado federal do PT paulista. Parece mentira, mas é isso mesmo.
Também parece mentira que há menos de 14 anos, quando já ia longe o ataque aos cofres estaduais e municipais controlados pelo partido, as vestais de araque ainda reivindicassem aos berros o monopólio da ética. Na virada do século, embora Delúbio Soares já ocupasse o posto de tesoureiro da quadrilha em formação, José Dirceu seguia recitando de meia em meia hora, com sotaque de Passa Quatro, o mantra hoje reduzido a refrão do hino do grande clube dos cafajestes: “O PT não róba nem dêxa robá”.
É compreensível que o deputado federal José Genoino, sem ficar ruborizado, ousasse exigir cadeia para quem fazia o que ele faria na presidência do partido que, ao alcançar o poder federal, acabou transformando o assalto ao dinheiro público em programa de governo. O artigo publicado pelo Estadão sugere que são até brandas as penas aplicadas pelo STF aos companheiros condenados por corrupção ativa: 7 anos e 11 meses para José Dirceu, 6 anos e 8 meses para Delúbio Soares e 4 anos e 8 meses para Genoino.
Não há embargo infringente que dê jeito nisso. Para recorrer à esperteza que justificou um novo julgamento e provavelmente os livrará  da punição por formação de quadrilha, os três mensaleiros precisariam de quatro ministros dispostos a não enxergar o que eles são: corruptos ativos.  Dirceu, condenado por 8 a 2, teve o apoio de Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli. Genoino (9 a 1) só foi socorrido por Lewandowski. Delúbio (10 a 0) não comoveu sequer o ministro da defesa dos pecadores.
A seita que prometia acabar com a ladroagem, quem diria, agora luta para conseguir que três sacerdotes corruptos se safem da pena adicional por formação de quadrilha, que submeteria a trinca à prisão em regime fechado. Eufóricos com o adiamento do embarque no camburão, os devotos já preparam um carnaval temporão para festejar a conquista do regime semiaberto. O desfile da Unidos do Mensalão, de qualquer forma, não poderá ultrapassar o fim da tarde.
No começo da noite, os três destaques terão de recolher-se à cadeia. É lá que os companheiros presidiários vão dormir por centenas de noites.

Mais um documentário sobre Ayrton Senna


Senna: novo filme vem aí
A Ancine acaba de aprovar projeto para um documentário sobre Ayrton Senna a ser exibido na TV aberta segundo a Urge, responsável pela produção.
20 Anos Sem Ayrton – A História, o Legado e a Saudade de um Grande Brasileiro custará 891 000 reais.
O piloto foi tema de outro documentário lançado em 2010, produzido pela Working Title em parceria com a ESPN.
Por Lauro Jardim
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/televisao/mais-um-documentario-sobre-ayrton-senna/

Renan prepara sucessor


O preferido de Renan
Embora resista a admitir publicamente – rito comum a nove entre dez pré-candidatos ao que que que seja – Renan Calheiros é candidatíssimo ao governo de Alagoas. Não por acaso, vem se empenhando arduamente para emplacar Vital do Rêgo no ministério de Dilma Rousseff.
Renan quer garantir o processo de sucessão de sua cadeira e deixar o posto para alguém de sua turma. Com José Sarney ameaçando pendurar a gravata e Eunício de Oliveira disposto a deixar Brasília para disputar o governo do Ceará, Vital é o favorito de Renan para assumir a presidência do Senado. A ideia é cacifá-lo para o posto.
Um interlocutor de Renan explica:
- Vital já fez dois vestibulares para ficar do tamanho da cadeira: as presidências da CCJ e da CPI de Carlinhos Cachoeira. O ministério seria o último degrau até estar preparado para chegar lá.
Por Lauro Jardim
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/congresso/preparando-o-pupilo/

Os melhores países para se envelhecer

Suécia


A pesquisa analisou dados em quatro domínios:
- Garantia de renda, que inclui a taxa de pobreza entre os idosos, cobertura oferecida pela previdência, PIB per capita.
- Saúde, que considerou questões como expectativa de vida e bem-estar psicológico.
- Emprego e educação, com dados sobre idosos empregados e grau de estudo.
- Ambiente favorável, que analisou aspectos como relações sociais, segurança física, liberdade cívica, acesso a transporte público.
A Suécia conseguiu seus melhores resultados na parte de garantia de renda, com 87% do cenário ideal, correspondente a 100%. O percentual geral do país foi de 89,9%. Em saúde, 74,8%; em emprego e educação, 74,3%, em ambiente favorável: 83,3%.

Noruega

Geral: 89,8%
Garantia de renda: 91,4%
Saúde: 73,5%
Emprego e educação: 85,4%
Ambiente favorável: 76,2%

Alemanha

Geral: 89,3%
Garantia de renda: 86,1%
Saúde: 75,2%
Emprego e educação: 73,7%
Ambiente favorável: 82,8%

Holanda

Geral: 88,2%
Garantia de renda: 90,9%
Saúde: 71,3%
Emprego e educação: 66,2%
Ambiente favorável: 85,6%

Canadá

Geral: 88%
Garantia de renda: 81,1%
Saúde: 80,3%
Emprego e educação: 69,6%
Ambiente favorável: 82,3%

Suíça

Geral: 87,9%
Garantia de renda: 80,6%
Saúde: 81,3%
Emprego e educação: 66,1%
Ambiente favorável: 84%

Nova Zelândia

Geral: 84,5%
Garantia de renda: 72,7%
Saúde: 78,7%
Emprego e educação: 71,1%
Ambiente favorável: 80,2%

Estados Unidos

Geral: 83,8%
Garantia de renda: 77,9%
Saúde: 70,1%
Emprego e educação: 76,6%
Ambiente favorável: 78,2%

Islândia

Geral: 83,4%
Garantia de renda: 84,7%
Saúde: 74,2%
Emprego e educação: 58,5%
Ambiente favorável: 82,5%

Japão

Geral: 83,1%
Garantia de renda: 80,7%
Saúde: 76,9%
Emprego e educação: 66,2%
Ambiente favorável: 77,2%

Chile

O Chile foi o país latino-americano mais bem colocado no ranking, ocupando o 19º lugar. 
Geral: 70,6%
Garantia de renda: 74,2%
Saúde: 74,2%
Emprego e educação: 53,9%
Ambiente favorável: 67,1%

Brasil

O Brasil ficou em 31º na lista.
Geral: 58,9%
Garantia de renda: 85,7%
Saúde: 56,8%
Emprego e educação: 31,5%
Ambiente favorável: 66,7%

Suécia é o melhor país para se envelhecer; Brasil ocupa 31ª posição

Europa

Estudo respaldado pelas Nações Unidas indicou que suecos, noruegueses e alemães são os mais bem preparados para lidar com os desafios da velhice

Mulher passeia por rua coberta de neve, na Suécia
Mulher passeia por rua coberta de neve, na Suécia (Jessica Gow/Scanpix/AFP)
Um estudo idealizado pelo Índice Global de Vigilância Etária, e respaldado pela ONU, indicou que a Suécia é o melhor país para se envelhecer. Os resultados divulgados nesta semana apontam que os suecos, seguidos de noruegueses e alemães, são os mais amparados para lidar com os desafios de uma população em processo de envelhecimento. O Brasil ficou com a 31ª posição, atrás dos vizinhos Chile (19º) e Uruguai (23º). O Afeganistão ficou na última colocação.
O estudo classificou o bem-estar social e econômico dos idosos em 91 países, comparando dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras agências globais especializadas em renda, educação, emprego e qualidade de vida dos mais velhos. Aspectos como a cobertura proporcionada pela aposentadoria, número de idosos considerados pobres, expectativa de vida e saúde até os 60 anos, idosos empregados, segurança e liberdade cívica foram analisados. 
As primeiras posições foram dominadas por nações da Europa, além de Estados Unidos e Japão. O Brasil foi o mais bem colocado entre os países emergentes do bloco Brics, composto também por Rússia, Índia, China e África do Sul. 
Para marcar o Dia Internacional do Idoso, comemorado nesta terça, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou que há um amplo reconhecimento de que a população mais velha apresenta uma oportunidade significativa e também um desafio. “A oportunidade é se beneficiar das muitas contribuições que as pessoas mais velhas dão à sociedade. O desafio é agir com base nesse entendimento por meio da adoção de políticas que promovam a inclusão social e a solidariedade entre gerações”. 
O estudo, inédito, aponta que muitos países estão despreparados para lidar com uma população cada vez mais idosa. Silvia Stefanoni, diretora-executiva do grupo que idealizou o informe, disse que a lentidão no debate sobre o bem-estar dos mais velhos "é um dos maiores obstáculos para responder às necessidades da população mundial em envelhecimento". "Ao nos dar uma compreensão melhor da qualidade de vida de homens e mulheres à medida que envelhecem, este novo índice pode nos ajudar a focar nossa atenção nas áreas em que precisamos fazer melhorias", afirmou.
A forma como os países cuidam dos idosos se tornará um tema cada vez mais importante, uma vez que o número de pessoas com mais de 60 anos deve aumentar dos atuais 809 milhões para mais de 2 bilhões em 2050 - quando elas serão mais de uma em cada cinco pessoas do planeta, destacou o informe.
(Com agência France-Presse)

quarta-feira 02 2013

Pearl Jam - Jeremy




Distúrbios do sono podem elevar em até cinco vezes risco de morte por câncer

Sono

Estudo é o primeiro a associar problemas respiratórios graves, como apneia obstrutiva, à morte por câncer

Falta de sono
Apneia do sono acontece quando há paradas na respiração enquanto uma pessoa dorme (Stockbyte/Thinkstock)
Pessoas que apresentam algum distúrbio respiratório grave durante o sono, como ronco ou apneia obstrutiva, podem ter até cinco vezes mais chances de morrer por câncer do que aquelas que não sofrem do problema. Essa é a conclusão de um estudo feito na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, e apresentado neste domingo na Conferência Internacional da Sociedade Americana Torácica, em San Franciso.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Sleep disordered breathing and cancer mortality: results from the Wisconsin Sleep Cohort Study

Onde foi divulgada: Conferência Internacional da Sociedade Americana Torácica, San Franciso

Quem fez: Javier Nieto, Paul Peppard, Terry Young, Laurel Finn, Khin Mae Hla e Ramon Farré

Instituição: Universidade de Wisconsin, Estados Unidos

Dados de amostragem: 1.522 pessoas inscritas em um estudo sobre distúrbios do sono

Resultado: Ter algum distúrbio respiratório grave do sono, como apneia obstrutiva, aumenta em 4,8 vezes as chances de mortalidade por câncer
A forma mais comum dos distúrbios respiratórios é a apneia obstrutiva do sono, na qual a respiração é bloqueada deixando a pessoa sem ar. Isso provoca ronco e a interrupção do sono e esse problema é geralmente associado a obesidade, diabetes, pressão alta, ataques cardíacos e derrames. Pesquisas anteriores já haviam associado esse tipo de desordem também a doenças cardiovasculares e depressão, mas essa é a primeira vez em que uma pesquisa indica que distúrbios do sono podem ter relação com o câncer.
Nesse trabalho, a equipe analisou dados recolhidos ao longo de 22 anos de 1.522 pessoas inscritas em um levantamento sobre problemas respiratórios durante o sono feito no estado americano de Wisconsin. Esses indivíduos passaram por testes de sono e de respiração a cada quatro anos. Com base nessas informações, os pesquisadores verificaram que essas pessoas tinham um risco 4,8 maior de morrerem por câncer do que os indivíduos que não tinham nenhum problema respiratório relacionado ao sono.








Segundo o coordenador do estudo, Javier Neto, trabalhos adicionais devem ser feitos para que os resultados passem a ser relevantes na prática clínica. “Se a relação entre distúrbios respiratórios do sono e mortalidade por câncer for validada em pesquisas futuras, os médicos poderão indicar diagnóstico e tratamento para prolongar a vida de pacientes com câncer”, afirma o pesquisador.