quinta-feira 28 2016

'Estarrecida', Dilma critica FMI e se compara a Vargas


Em reunião na sede do PDT, em Brasília, Dilma trocou afagos com o ex-ministro Ciro Gomes e se emocionou ao lembrar da militância no partido no Rio Grande do Sul


Presidente Dilma Rousseff é ovacionada durante reunião do Diretório Nacional do PDT, na sede do partido em Brasília - 22/01/2016
Presidente Dilma Rousseff é ovacionada durante reunião do Diretório Nacional do PDT, na sede do partido, em Brasília(Pedro Ladeira/Folhapress)
Em um ato de reaproximação com o PDT, partido de sua base aliada, a presidente da República, Dilma Rousseff, comparou nesta sexta-feira o processo constitucional de impeachment a que pode ser submetida no Congresso Nacional às pressões pela renúncia do ex-presidente Getúlio Vargas, que terminou por se suicidar em 1954, em meio a uma crise política. Dilma participou de uma reunião na sede do PDT em Brasília (DF), na qual fez críticas ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e afirmou que o país terá de volta estabilidade política para retomar o crescimento. O partido decidiu unificar posição contra o impeachment da presidente e favorável ao afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB).
"O impeachment que tentaram impor ao Getúlio é um prenúncio do que está acontecendo hoje no Brasil", afirmou Dilma. "Um governo pode e deve ser julgado e criticado, mas um governo não poder ser objeto de golpe por razões que eles chamam de políticas, nem relativas à moral, nem ao uso indevido de dinheiro público, nem a qualquer outra interrupção da atividade de governamental. Não há nenhuma base para o impeachment, mas eles não ligam para isso. Não gostam de ser chamados de golpistas, mas são."

A presidente criticou um relatório do FMI que cita, segundo ela, como entraves para o crescimento econômico do país a crise política e a profundidade das investigações sobre o escândalo do petrolão na Operação Lava Jato. A presidente afirmou que o FMI elenca três fatores para explicar a crise econômica mundial: a diminuição do crescimento da China, a instabilidade com conflitos no Oriente Médio e a continuidade da situação crítica no Brasil, com a duração da instabilidade política e o prazo mais longo das investigações sobre a Petrobras.
"Fiquei recentemente estarrecida com a frase que li no relatório na última previsão do Fundo Monetário Internacional. Eles dizem que esses seriam os dois fatores responsáveis por eles terem que rever a posição do FMI em relação ao crescimento da economia no Brasil. Tenho certeza que nós vamos estabilizar politicamente o país, vamos assegurar a tranquilidade para voltar a crescer. É esse o agradecimento que venho fazer a vocês."
A presidente disse que o país retomará o crescimento, mesmo diante da alta do dólar e da queda no preço do petróleo, e do baixa crescimento da China. "Nós vamos voltar a gerar emprego e renda e a desenvolver esse país. Vamos voltar a investir mesmo diante dessa crise internacional que se vê agora de forma mais clara. O Brasil vai voltar a crescer porque nós temos as bases bem assentadas, fundamentos sólidos."
Dilma comparou o impeachment ao processo de perda de confiança do parlamentarismo e disse que no Brasil é preciso mais do que não gostar do governo para decretar o afastamento do presidente. "No presidencialismo é necessário que tenha culpa formada. Eu não tenho, na minha vida, ao longo do tempo que passei no PDT ou no PT, nenhuma acusação de uso indevido de dinheiro público, não tenho dinheiro no exterior. Tenho uma vida absolutamente ilibada e honro os meus companheiros do PDT, que sempre combateram o mau uso do dinheiro público e a corrupção e sempre defendemos a democracia", disse Dilma. "Esse jogo vai ser jogado agora, até março, até junho. É aqui e agora que nós vamos decidir o caminho do Brasil nos próximos anos. Conto com cada um de vocês e agradeço o apoio. Aceito e preciso de sugestões e críticas, que são no sentido de melhorar e fazer o Brasil andar para frente."
A presidente buscou reforçar laços com o PDT e se emocionou ao lembrar da militância no partido, ainda no Rio Grande do Sul, e do tempo em que ficou presa em São Paulo na ditadura militar. Dilma disse que o PDT, que já teve o ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi, demitido em meio a um escândalo de corrupção, sempre prezou pelo bom uso do dinheiro público.
"Um homem que teve muita importância na minha vida de política foi Leonel Brizola. A vida me permitiu duas coisas em relação aos heróis trabalhistas", disse com a voz embargada. "Primeiro trazer o corpo do Jango de volta. A segunda foi colocar Leonel Brizola entre os heróis da pátria. Na ditadura, herói é aquele que morre sob tortura, sob perseguição no exílio. Para ter heróis, o povo tem que ter um imenso sofrimento. Mas quero dizer que na democracia, feliz do povo que tem heróis. Tenho certeza que o Brizola defenderia a soberania desse país e a democracia, a legalidade. Se tinha uma pessoa que tinha um faro imenso de tentativa de golpe, esse era o Brizola."
Ao se dirigir a Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, Dilma cobrou a promessa de amor que ele fez ao deixar o ministério em 2011. "Você já declarou que me ama várias vezes, espero que você mantenha a sua palavra", disse Dilma.
"Está claro para a sociedade que somos o primeiro partido mais uma vez a botar a cara, a mostrar o que pensa, ao dizer que não estamos aqui por cargos nem por interesses. Estamos por causa. Não tem opinião publicada, pesquisa, nem mão de fora que comande a autonomia desse partido. Quando a gente decide fechar questão contra o impeachment, não é só pela boa companheira de história que é a presidente Dilma, é pelo povo brasileiro. Falta autoridade moral e política ao senhor Eduardo Cunha a pedir impeachment de quem quer que seja. O máximo que ele poderia fazer é o auto-impeachment, impeachment de si, pelos processos a que reponde, pelos indiciamentos e crimes cometidos", disse Lupi.
Dilma trocou afagos com Ciro Gomes, ex-ministro e ex-governador do Ceará, lançado pelo PDT como pré-candidato a presidente em 2018. Ao fim do encontro, Dilma e Ciro conversaram reservadamente por alguns minutos, antes de Dilma entrar no carro e seguir com a comitiva presidencial. "O Ciro é uma pessoa que eu considero de forma especial. Ele pode fazer o que quiser que não brigo com ele, porque a gente não briga com uma pessoa que demonstrou uma imensa lealdade, capacidade de luta e dignidade", disse Dilma.
Giro Gomes fez críticas à política econômica do governo Dilma, mas afirmou que defende a presidente assim como defendeu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) quando o PT decidiu pedir o impeachment do tucano, na década de 1990. Ele defendeu que Dilma mantenha diálogo com a oposição.
"Remédio para governo que não gosta, para governo ruim, não é interromper a democracia, porque nessa hora quem ganha normalmente é quem perdeu a eleição para o povo. A nossa primeira tarefa é proteger a democracia, e a segunda é cobrar que a presidente se reconcilie com os valores que trouxeram quase 30 milhões de brasileiros da miséria para uma vida digna. Tenho queixas graves em relação aos rumos do governo. Não gosto do governo da Dilma, mas compreendo as causas pelas quais o governo tem tido dificuldades. Nenhuma delas consulta a escalada golpista que grupos derrotados estão perseguindo", afirmou Ciro. "Há um constrangimento internacional grave [queda do preço de commodities e do barril de petróleo] que tirou o pé de sustentação do modelo brasileiro, que de forma imprudente, nos permitiu alimentar a ilusão de que indefinidamente pagaríamos um modelo de consumo industrial, manufaturado de alta linhagem, com valor de commodities. Isso acabou. O maior problema da presidente Dilma foi, de boa-fé, imaginar que isso poderia se conciliar com a plutocracia, com o rentismo no Brasil, entregando a eles a gestão da economia. Foi o mais grosseiro equívoco que ela cometeu, mas felizmente já foi corrigido."
Ciro trava uma guerra particular de acusações com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), a quem chama de "capitão do golpe". Temer anunciou que vai processar o ex-ministro na Justiça. "Só um idiota acredita em qualquer boa-fé do senhor Michel Temer. Ele foi derrotado", disse Ciro.

quarta-feira 27 2016

PF diz ter “alto grau de suspeita” sobre tríplex de Lula no Guarujá


Imóvel está registrado em nome da OAS, umas das empreiteiras do clube do bilhão. Investigadores têm dúvidas sobre a real titularidade do apartamento


Solaris Praia das Astúrias
Solaris Praia das Astúrias(VEJA.com/VEJA)
Documento assinado pela delegada da Polícia Federal Erika Marena elenca o tríplex do ex-presidente Lula no condomínio Solaris, no Guarujá (SP), como um dos imóveis que indicam "alto grau de suspeita" quanto à real titularidade. No organograma dos policiais, a unidade residencial é registrada como de propriedade da OAS, investigada por integrar o clube do bilhão de empreiteiras e que já teve seus executivos, incluindo o ex-presidente Leo Pinheiro, condenados na Lava Jato pelo juiz Sergio Moro.
Nesta quarta-feira a PF deflagrou a 22ª fase da Lava Jato, batizada de Triplo X, que investiga a atuação casada entre a offshore Murray, criada pela empresa Mossack Fonseca no Panamá, e a empreiteira OAS. As suspeitas são de que imóveis no condomínio Solaris, construídos pela OAS, possam estar sendo utilizados para camuflar o pagamento de propina do escândalo do petrolão. Segundo o delegado Igor Romário de Paula e o procurador Carlos Fernando Lima, o apartamento de luxo do ex-presidente petista é alvo de investigação.
Em abril do ano passado, VEJA revelou que, depois de um pedido feito por Lula ao então presidente da OAS, Léo Pinheiro, a empreiteira assumiu a construção de prédios da cooperativa. O favor garantiu a conclusão das obras nos apartamentos do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, enquanto outros cooperativados ainda aguardam - e brigam na justiça - para conseguir receber seus imóveis.
As atividades da OAS e o estreito relacionamento da empreiteira com próceres do PT, em especial o ex-presidente, estão há tempos na mira da Promotoria de Justiça de São Paulo. Conforme revelou VEJA, no processo que tramita em São Paulo e não tem relação direta com o escândalo de corrupção da Lava Jato, Lula será denunciado por ocultação de propriedade. A cooperativa habitacional de bancários deu calote em seus associados enquanto desviava recursos para os cofres do PT. A Bancoop quebrou em 2006 e deixou quase 3 000 famílias sem seus imóveis, enquanto petistas graúdos, como Lula, receberam seus apartamentos.
Ao listar diversos apartamentos que seriam objeto de possíveis irregularidades, a PF destaca que "manobras financeiras e comerciais complexas envolvendo a empreiteira OAS, a cooperativa Bancoop e pessoas vinculadas a esta última e ao Partido dos Trabalhadores apontam que unidades do condomínio Solaris, localizado na Av. Gal. Monteiro de Barros, 638, em Guarujá-SP, podem ter sido repassadas a título de propina pela OAS em troca de benesses junto aos contratos da Petrobras". Depois da observação da delegada Erika Marena, a PF lista o tríplex de Lula, identificado como a unidade 164 da torre A do Solaris, como um dos alvos suspeitos.
"Além das inconsistências já detectadas quanto ao imóvel que pertencera a Marice Correa de Lima, igualmente chamaram a atenção outros imóveis do mesmo condomínio que indicaram alto grau de suspeita quanto à sua real titularidade", diz a polícia. O nome de Marice já havia aparecido em depoimentos do doleiro Alberto Youssef, que apontou o PT como beneficiário direto do dinheiro sujo do petrolão. Ele disse, por exemplo, que a sigla recebeu propina em uma obra da empresa Toshiba, a licitação da casa de força do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e, segundo seu depoimento, foram entregues 400.000 reais à cunhada do tesoureiro petista, Marice. As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público já haviam mostrado "inconsistências fiscais" nas declarações de Imposto de Renda de Marice e indicativos de que parte de seu patrimônio pode ter sido construído a partir do pagamento de propina envolvendo a construtora OAS.

terça-feira 26 2016

http://www.bolsademulher.com/familia/10-dicas-simples-para-limpar-a-casa

http://www.bolsademulher.com/familia/10-dicas-simples-para-limpar-a-casa

Dieta rápida: inclua a tapioca com chia no cardápio e perca até 1 kg por semana


Quando o assunto é emagrecimento, a dupla tapioca e chia é potente. Esses alimentos são levinhos e ajudam a driblar a fome - basta substituir o pãozinho do café da manhã pela receita turbinada. Dá para perder 1 kg por semana.
Dieta rápida: inclua a tapioca com chia no cardápio e perca até 1 kg por semana

span> A recomendação é de uma tapioca por dia, geralmente no café da manhã.
Foto: Leo Feltran // Shutterstock

Quem vive ligada nas novidades de dieta sabe que tapioca e semente de chiaestão em alta. Agora, já pensou em combinar as duas na mesma refeição? Acrescentar as sementes à massa de tapioca evita que haja um pico de açúcar no sangue e você queira comer mais. "A receita poderá melhorar o índice glicêmico, favorecendo a saciedade e o emagrecimento", diz a nutricionista Regina Longano, de São Paulo.
Combinação poderosa
Tapioca
Bem comum no Norte e no Nordeste do país, a queridinha da dieta é feita à base de mandioca. Leve e fonte de carboidratos, é uma ótima substituta do velho pãozinho do café da manhã. Afinal, a tapioca não contém sódio, gordura nem glúten.
Chia
As sementes de chia são ricas em fibras e têm uma boa quantidade de proteínas. "No processo digestivo, as fibras incham e formam um gel, prolongando a sensação de saciedade", explica Regina.
Receita turbinada
Juntas, tapioca e chia podem ser ainda melhores para quem quer perder peso. Basta adicionar a semente à massa. "A fibra de chia ajuda a reduzir o índice glicêmico da tapioca, isto é, evita que o carboidrato da massa caia rapidamente no sangue, o que leva a um menor pico glicêmico e diminui a compulsão alimentar", diz a especialista.
Prepare sua tapioca

Para quem quer emagrecer, Regina recomenda comer uma tapioca por dia do tamanho de um pires de chá, de preferência no café da manhã. "Por ser um alimento rico em carboidratos, é uma excelente fonte de energia para começar o dia", explica a especialista.

Ingredientes
2 col. (sopa) de goma de mandioca hidratada
1 col. (sopa) de sementes de chia
Modo de preparo
Coloque a goma de mandioca junto com a chia em uma frigideira, misture os ingredientes e depois espalhe a mistura pela frigideira aquecida. Se preferir a massa mais fina, peneire a goma de mandioca antes de colocá-la na frigideira. Com uma espátula, vire a massa até que os dois lados fiquem sequinhos. Prepare o recheio e coloque-o sobre a tapioca. Dobre a massa como se fosse um pastel. Está pronta!
De olho no recheio
O recheio pode ajudar ou mandar para longe seu plano de emagrecer. Por isso, segundo Regina, o melhor é optar por alimentos proteicos ou de baixas calorias, como escarola com milho verde, espinafre com aliche, cenoura ralada com tomate, frango desfiado, atum ralado e carne moída.

Bateu a vontade de doce? Uma vez por semana dá para fazer uma tapioca para matar a vontade. "Frutas da época levemente adocicadas, como morangos picados com uma pitadinha de açúcar e canela, e maçã salpicada de açúcar e flocos de quinua, são opções bacanas", afirma.

No Instagram, um maluco transforma cigarros de maconha em verdadeiras obras de arte

No sábado, a Marcha da Maconha arrastou uma nuvem de fumaça por São Paulo, desde a Avenida Paulista até o Largo do São Francisco, no Centro. O evento reuniu entre 4 mil, segundo a Polícia Militar, e 15 mil pessoas, de acordo com os organizadores, que protestavam pela legalização da cannabis.
Foi tudo tranquilo e, pelo menos ali, a maconha estava bem legalizada. Para a festa ter ficado completa, só faltou alguém chamar um cara chamado. Sob essa alcunha, o maluco posta baseados incríveis no Instagram. Olha só:
... e o depois dessa lula perigosa
baseadinhos cotidianos em esculturas incríveis. Para começar, uma âncora para não afundar na onda
E que tal explorar o fundo dos mares numa viagem com esse tubarão martelo?
Fumar uma bomba nunca teve um sentido tão literal
Esse beck vai te estilingar para longe
O único avião que leva para cima quando pega fogo
Um elefantinho fofo
Imagina só os ecos do sonar desse submarino
E para, terminar, o antes...

Quem bebe café sem açúcar pode ser psicopata

 
Um estudo efetuado por dois investigadores austríacos da Universidade de Innsbruck e divulgado pela revista Appetite, indica que o gosto pelo amargo, pode revelar algo menos bom.
beber-café-sem-açucar-psicopata
Durante as investigações, foram analisados os hábitos alimentares a aproximadamente mil pessoas.
Cada participante efectuou uma Avaliação Compreensiva de Tendência Sádica, e,  numa escala de 0 a 6, avaliou o quanto gostava de cada iguaria, respondendo posteriormente a alguns testes psicológicos e a várias perguntas relacionadas com personalidade.
Na lista dos alimentos usados na investigação, constava numa mesa o mesmo número de doces, amargos, salgados e azedos, tal como torta de chocolate, vinagre, café sem açúcar e limão.
 Diz-me do que gostas e dir-te-ei quem és, foi o lema usado neste estudo.
 Os resultados, indicaram, que as pessoas que gostam de sabores amargos, possuem características de uma personalidade maléfica, com tendências para o sadismo.
 “Para as pessoas com traços sádicos, ingerir alimentos amargos pode ser comparado com uma montanha russa, por provocar emoções que induzem ao medo”, afirma um dos responsáveis pelo estudo.
 A maioria dos seres humanos, evitam alimentos amargos. Na natureza, geralmente, as plantas com sabor amargo, são venenosas.
 Quem tem tendência para gostar de alimentos doces e não suporta gostos amargos, apresenta traços de uma personalidade simpática e benévola.

segunda-feira 25 2016

Governador do Amazonas tem mandato cassado por compra de votos


TRE-AM decidiu pela cassação de José Melo (Pros) e o vice Henrique Oliveira (SD), que permanecem nos cargos até o fim dos recursos no TSE


O governador do Amazonas, José Melo de Oliveira (PROS)
O governador do Amazonas, José Melo, foi cassado pelo TRE-AM por compra de votos na eleição de 2014(Alan Marques/Folhapress)
O governador do Amazonas, José Melo (Pros), e o vice-governador do estado, Henrique Oliveira (SD), tiveram os mandatos cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) amazonense nesta segunda-feira por compra de votos na eleição de 2014. Apenas um dos seis juízes que formam o colegiado, Márcio Rys Meirelles, foi contra a cassação da chapa de Melo. Cabe recurso à decisão.
A ação que levou à cassação de Melo foi impetrada pela coligação Renovação e Experiência, cujo candidato ao governo foi o senador licenciado e atual ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB-AM). Apesar da decisão do TRE-AM, José Melo e Henrique Oliveira continuam nos cargos até que se esgotem os recursos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Reeleito em 2014, José Melo teve seu nome ligado a um esquema de compra de votos em reportagem exibida em março de 2015 pelo Fantástico, da TV Globo. O esquema desviou dinheiro público para bancar favores como a confecção de óculos (730 reais), festa de formatura (5.300 reais) e até a reforma de um túmulo (450 reais), todos negócios que contam com recibo. Em troca dos favores, eleitores dariam seus votos para Melo. De acordo com a reportagem, as transações foram realizadas por intermédio do irmão de José Melo, Evandro, um dos responsáveis pelo projeto da Copa do Mundo em Manaus, e de Nair Blair, fundadora de duas associações sem fins lucrativos.
Ainda em 2014, o site de VEJA revelou que o subsecretário de Justiça do Amazonas, major Carliomar Barros Brandão, foi à cadeia, se reuniu com bandidos e, em troca de regalias, recebeu do líder da facção criminosa Família do Norte, que domina o tráfico em território amazonense, a promessa de apoio à reeleição de José Melo no segundo turno. "A mensagem que ele mandou para vocês, agradeceu o apoio e que ninguém vai mexer com vocês, não", prometeu Brandão, que foi exonerado pelo governador um dia depois da revelação do caso.
Liderada pelo advogado Yuri Dantas, a defesa do governador antecipou que vai decidir pelo tipo de recurso a ser empregado depois da publicação do acórdão pelo tribunal. "Para poder decidir, é preciso conhecer a íntegra do acórdão e dependendo do que encontrarmos lá. São possíveis embargos de declaração no TRE e um recurso extraordinário no TSE", disse Dantas. Após a publicação do acórdão, que contém as decisões dos juízes e a do relator, o prazo para recurso é de três dias.
Apesar da minirreforma eleitoral sancionada por Dilma Rousseff em 2015, que prevê a realização de novas eleições em casos como este, a defesa da coligação encabeçada por Eduardo Braga entende que, caso o TSE confirme a cassação do mandato de Melo, o ministro das Minas e Energia poderá sem empossado governador. "Uma manifestação recente do TSE diz, em relação à realização de novas eleições, que essa regra só vale para eleições posteriores à publicação da lei, ou seja, só a partir das eleições de 2016", diz Daniel Duarte, o advogado da coligação Renovação e Experiência.