quinta-feira 02 2014

Aconteceu: Eddie Vedder faz show intimista e arrisca português em SP

Música

Em sua primeira apresentação solo no Brasil, o cantor valorizou sucessos de sua carreira própria, além de covers de Neil Young, Ramones e, claro, Pearl Jam

Rafael Costa, de São Paulo
Show Eddie Vedder em SP
Nada de superprodução, luzes coloridas, trocas de roupa ou performances extravagantes. Em sua primeira apresentação no Brasil, Eddie Vedder proporcionou um show intimista, ao melhor estilo banquinho e violão, e agradou o público que marcou presença no Citibank Hall, Zona sul de São Paulo, nesta terça-feira, com sucessos de sua carreira solo, além de covers que iam de Ramones a Neil Young e, claro, Pearl Jam.

Durante as quase três horas de apresentação, Vedder parecia se sentir em sua própria casa e, ao mesmo tempo, conseguia a proeza fazer o público sentir o mesmo. Seguro com sua voz marcante, grave e ligeiramente rouca, o vocalista do Pearl Jam não precisou do acompanhamento de uma banda ou de playback. O que se viu no palco foi apenas ele e seu violão, ou então um ukulele e uma guitarra. Além de um cenário simples, composto por painéis ao fundo que oscilavam entre imagens que imitavam, ora um tipo de cortiço, ora um camping, ou um céu estrelado.

O único momento em que o roteiro fugiu desse panorama foi durante a participação especial do cantor folk irlandês Glen Hansard – que fez o show de abertura. Em um competente e afinado dueto, os dois cantaram Sleepless Nights, cover do The Everly Brothers, Society, Hard Sun eFalling Slowly – essa de autoria de Hansard e trilha sonora do filme Apenas Uma Vez, vencedora do Oscar de melhor canção original em 2008.

Durante o restante da apresentação, Eddie Vedder valorizou os grandes sucessos, tanto de sua carreira solo, como do Pearl Jam, nos momentos mais bem recebidos pela plateia. Destaque para as canções do álbum Into The Wild, trilha sonora do longa Na Natureza Selvagem, como No Celling, Rise, Guaranteed e Far Behind, todas executadas de maneira impecável, como se estivessem sendo ouvidas diretamente do CD.

Entre as 32 músicas do setlist também marcaram presença covers de The Needle and the Damage Done, de Neil Young, Good Woman, de Cat Power, Crazy Mary, de Victoria Williams, e I Believe In Miracles, do Ramones. Além dos hits Just Breathe, Porch, Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town, Better Man, entre outras doze do Pearl Jam.

Bom humor, boa interação e português (quase) fluente – A simplicidade do show e o clima intimista deram brecha para o público se sentir à vontade, assim como o próprio músico. Praticamente a cada intervalo entre as canções era possível ouvir pedidos de música vindo da plateia, alguns atendidos, outros não, além de frases aleatórias, como “i love you” e propostas de casamento de fãs. Bem humorado, Vedder sempre respondia às intervenções do público com tiradas engraçadas, sempre em inglês. Em dado momento, o cantor pensou ter ouvido alguma fã pedir para levá-la para a cama e brincou: "Às vezes nós ouvimos o que queremos ouvir… Mas esse não foi o caso", disse, arrancando risos da plateia

Para tentar uma aproximação ainda maior com o público brasileiro, Vedder levou alguns papeis com frases escritas em português e acabou se saindo bem. "Meu português é uma m***, por isso vou falar pouco. Na próxima vez, eu vou para a escola para aprender o seu bonito idioma", disse o cantor pausadamente e com forte sotaque na primeira de suas três tentativas de interação bilíngues.

O vocalista do Pearl Jam ainda se apresenta nesta quarta e quinta-feira em São Paulo, antes de seguir para o Rio de Janeiro, onde toca nos dias 11 e 12.

Eddie Vedder faz versão banquinho e violão de 'Imagine'

Música

Regravação da música de John Lennon está disponível por US$ 0,99 no iTunes

Meire Kusumoto e Rafael Costa
Eddie Vedder, do Pearl Jam (620)
Lançamento de single de Eddie Vedder logo repercutiu no Twitter: cantor se tornou um dos temas mais comentados do site (Gareth Cattermole/Getty Images/VEJA)
O líder da banda americana Pearl Jam, Eddie Vedder, disponibilizou sua própria versão "banquinho e violão" do hit Imagine, de John Lennon, no iTunes, a loja virtual da Apple. A canção foi gravada durante um show do músico em Portugal, em julho. Econômico, Vedder não sai do script, mas, nos momentos finais, adota um tom bem mais sofrido e estridente, bem a seu estilo à frente Pearl Jam. O hit pacifista de Lennon, escrito em 1971, entrou para a lista das canções mais tocadas e gravadas do século XX, na 96ª posição, segundo a empresa especializada em direitos autorais BMI.
A regravação de Vedder está disponível por 0,99 dólares e o lucro com a venda será revertido para a instituição Heartbeat.fm, que reúne jovens músicos de Israel e Palestina em favor da paz no Oriente Médio. O cantor se mostrou preocupado com os conflitos na Faixa de Gaza, em julho, e publicou um texto no site do Pearl Jam falando sobre o assunto. “Com uma dúzia de conflitos que aparecem nos noticiários diariamente, e com as histórias cada vez mais horríveis, o nível de tristeza se tornou insuportável”, escreveu. 

PSDB reúne provas para pedir cassação da candidatura de Dilma

Política

Tucanos vão recorrer ao TSE e ao MP por investigação para que se apure se os Correios boicotaram deliberadamente envio de malotes de campanha de Aécio

Laryssa Borges, de Governador Valadares (MG)
O presidenciável Aécio Neves (PSDB) faz campanha em Minas ao lado de Pimenta da Veiga e Anastasia, candidatos ao governo e senado pelo Estado
O presidenciável Aécio Neves (PSDB) faz campanha em Minas ao lado de Pimenta da Veiga e Anastasia, candidatos ao governo e senado pelo Estado (Divulgação)
Depois de anunciar que acionarão a Justiça por uma investigação rigorosa sobre indícios da utilização dos Correios em benefício da campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, e o candidato tucano ao governo de Minas Gerais, Pimenta da Veiga, começaram a reunir provas para pedir a cassação dos registros de candidatura da petista e do candidato do PT ao governo de Minas, Fernando Pimentel.
Os tucanos vão recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido de investigação judicial eleitoral e ao Ministério Público Federal para que as duas instituições apurem se os Correios boicotaram deliberadamente o envio de malotes de campanha de Aécio como forma de favorecer a presidente-candidata na corrida presidencial.
As denúncias levantadas pelos tucanos levam em conta depoimentos de eleitores que não receberam material de campanha de Aécio mesmo após o candidato ter contratado o serviço, no dia 25 de agosto. Neste contrato, estava prevista a distribuição de 5.634.000 santinhos de Aécio no interior de Minas, base de apoio do candidato e colégio eleitoral considerado prioritário para a candidatura tucana. Pelo documento, os kits de campanha deveriam ser entregues até o dia 10 de setembro e, em alguns casos, a 100% da população de cidades pequenas e médias em Minas, como o município de Esmeraldas, com cerca de 60.000 habitantes.
O corpo jurídico da campanha de Aécio já conseguiu mapear pelo menos 1.000 endereços, contratados como destino dos malotes pelo tucano, em que eleitores confirmam que não receberam qualquer material de campanha do PSDB. A campanha reúne depoimentos e dados pessoais dos eleitores supostamente lesados pelos Correios, para embasar os pedidos de cassação dos registros de candidatura. De acordo com o candidato Aécio Neves, que cumpriu agenda nesta quarta-feira nas cidades de Mogi das Cruzes (SP), Juiz de Fora (MG) e Governador Valadares (MG), uma das provas seria a afirmação dos Correios de que poderiam “reenviar” o material. Para ele, isso seria a admissão de que a empresa pública reteve os kits de campanha e não os distribuiu aos eleitores, conforme contratado. Com base nesses indícios, a campanha do PSDB aponta que já existem evidências de abuso de poder político e econômicos, desvio da autoridade dos Correios e utilização de empresa pública em benefício de partidos e candidatos.
Antes de carreata na cidade de Governador Valadares, Aécio insinuou que as suspeitas de uso político dos Correios são como um novo capítulo de um grande esquema de desvirtuamento de instituições públicas, a exemplo do que já aconteceu com a descoberta de um esquema milionário de corrupção na Petrobras. “As denúncias em relação à utilização da empresa dos Correios são extremamente graves. Estamos recebendo centenas de denúncias. Se se comprovar isso, é um crime sem precedentes na história política de Minas”, disse.
“É um escândalo. Agora são os Correios. Antes era a Petrobras”, criticou o candidato do PSDB ao governo de Minas. O tucano, que foi ministro das Comunicações no governo FHC e, portanto, hierarquicamente superior aos Correios, disse que há evidências de “uso despudorado” da empresa pública para fins eleitorais.
O tom das acusações do PSDB sobre a estatal subiu após divulgação de vídeo, pelo jornal O Estado de S. Paulo, em que o deputado estadual Durval Ângelo (MG) diz que a presidente-candidata Dilma Rousseff só chegou à liderança nas intenções de voto porque “tem dedo forte dos petistas nos Correios”.  “Não basta fazerem o que fizeram na Petrobras. Essa forma de governar do PT, se apropriando do Estado como se fosse seu patrimônio, tem que ser encerrada e os responsáveis exemplarmente punidos”, afirmou Aécio em agenda na cidade de Juiz de Fora.

quarta-feira 01 2014

NEIL FERREIRA: “Voto útil” na Marina é voto inútil

Veja.Com

Marina Silva, que só rouba votos de Aécio, mas nada faz para impedir a reeleição de Dilma, espera chegar à Presidência usando a emoção, diz Neil Ferreira (Foto: Joel Silva/Folhapress)
Marina Silva, que só rouba votos de Aécio, mas nada faz para impedir a reeleição de Dilma, espera chegar à Presidência usando a emoção, diz Neil Ferreira (Foto: Joel Silva/Folhapress)
Artigo de Neil jamais entrego a rapadura Ferreira publicado no jornal Diário do Comércio, de São Paulo
Antes Scriptum: Youssef quer jogar petróleo no ventilador, vai voar petróleo pra tudo quanto é lado.
Faltam 10 dias pra gente votar no Aécio, no Alckmin e no Serra. Puseram na cabeça dos eleitores que o voto na Marina é “voto útil” pra derrubar a Dilma e limpar o Brasil do PT.  Não é.
Voto na Marina é “voto útil” contra o Aécio,  é voto inútil para derrubar o PT. Com Marina, o reinado do PT continua; é trocar seis por meia dúzia. Dizem que estou ajudando a reeleger a Dilma escrevendo isso;  não estou.
Não quero nem Dilma nem Marina, uma é PT, a outra é PT do B. Perdemos com qualquer das duas. Por mais que as pesquisas coloquem Aécio em 3º lugar, mais acredito que devemos votar nele.
O Ibope de 4ª feira deu Dilma 9 ponto na frente da Marina. Dilma mete o pau na Marina e sobe, Marina mete o pau na Dilma e desce. As duas que se lixem, quem me interessa é o Aécio.
Acredito mais no Carlinhos Sensitivo, que anteviu a vitória apertada do Aécio, do que no Ibope e DataFalha. E na Maricy, astróloga que há 20 anos fez um mapa astral perfeito da minha filha.
A opinião dela:  “—(…) Teremos Lua Nova no dia 24 de Setembro, no grau 1 de Libra, que acionará o Júpiter Natal de Aécio, no grau 1 de Capricórnio. A partir dessa data ele deve decolar. Júpiter faz expandir, crescer”.
E mais: “—O mapa da Dilma apresenta Vênus sendo bombardeada por Plutão – Oposição e Urano fazendo quadratura (…). Se eu errar e ela for eleita, preparem-se, o Brasil vai quebrar, não haverá ministro da Fazenda que faça milagres.
Acredito nos dois; também acredito em OVNIs e Aliens.
Se o “país dos mais de 80%” pago pela bolsa esmola derrotar o nosso candidato, vamos pra oposição de verdade, não essa oposicinha chinfrim que tivemos até agora.
Marina foi petista de carteirinha por mais de 30 anos e fez uma carreira de profissional da política (não fez outra coisa na vida), de vereadora a duas vezes Senadora, dentro do PT. Nunca fez nada na vida a não ser politicagem a favor do PT.
Foi ministra do Lula por 5 anos, Lula disse que ela era “o Pelé do Ministério” (sic). Como o seu mentor, ela não viu nada, não ouviu nada e nem falou nada do Mensalão, cuja lama beijava a barra da sua saia.
Também não viu nada, não ouviu nada e nem falou nada quando seu aliado, Tião Viana, despachou haitianos para o Sul, como lixo humano.
Marina não serve para quem quer limpar o Brasil da praga que é o PT – uma vez petista, sempre petista.
Ao “deixar” o PT, escreveu uma carta ao Lula, distribuída à imprensa para que o mundo ficasse sabendo que “deixava a mesma casa mas continuava no mesmo bairro” (sic). Chora cada vez que resmunga sua luta pelo Lula e sua participação na propagação do “Lulinha Paz e Amor”, o maior embuste eleitoral a que o Brasil já  foi submetido,  e outro, o estelionato da “Esperança venceu o medo”. Chora a cada proximidade de uma câmera ou de uma repórter.
Na tv, sem ter nada pra explicar sua candidatura, vende a imagem marqueteira da pobrinha, coitadinha, magrelinha e a turma vota nela de dó de quem já “passou fome”; “Imagery is all, Reality is nothing”. Cada povo tem o governo que merece.
Tudo é marketing na figura dela, como eram falsas as caspas do Jânio. E a Dilma com aquele paletózinho vermelho, vou te contar hem. Se fosse pra melhorar a imagem da nossa eleição, a gente ia logo votar na Flávia Furacão, de Brasília, aquela sim é que é candidata.
Sozinho como a Marina, Jânio ganhou; não durou 7 meses. O Collor também era sozinho como a Marina, durou o quê? Dois, três anos. Foi guloso: se tivesse rachunchado com o PMDB, era presidente até hoje, assim como o Lula foi Presidente 8 anos, mais 4 mandando na Dilma. Rachunchou.
Quem ouviu Marina falar de limpeza nos “cargos de confiança”, ocupados pela cumpanherada? Fernando Rodrigues, da Falha de S. Paulo, escreveu na sua coluna que são 20 mil só em Brasília.
Já ouvi (ou li) que são mais de 200 mil no Brasil inteiro. Também nada falou  sobre o que faria com os 39 Ministérios, imunda moeda de barganha com a base comprada.
Sozinha, vai ter que manter essa estrutura lulopetista que queremos derrubar. Ela disse que governará “com os melhores” e assim também falou Collor. Então, repito: nem Dilma nem Marina — Aécio.
Voto “útil” na Marina é voto inútil; só é útil para derrubar o Aécio. Voto útil neste 1º turno é no Aécio, vamos levá-lo para o  2º turno.
Se cada um de nós levar meio voto a mais para o Aécio, essa dupla infernal estará quebrada pela metade; e aí sim, a esperança vai vencer o medo que temos dessa corja não ser expulsa do poder.
Tremam os ladravazes da Petrobras, que deram um rombo de uns 10 bilhões. Põe aí uma nota ao lado da outra, dá volta ao mundo.
Eleito, Aécio terá que enfrentar as guerrilhas urbanas da CUT e as do MST, cujos pelegos sindicais e das invasões já ameaçam fazer. Ele e nós estaremos preparados,  lembre dos Idos de Junho.
Aécio quer lidar com os nosso problemas com a razão; Dilma mentindo; Marina chorando e rezando, espera que Deus seja o seu ministro da Fazenda. Você escolhe.
Nosso voto nossa arma. Vamos atirar para matar.

Guinada à esquerda de Dilma assusta investidores. Bolsa desaba e dólar dispara

Veja.Com

(Foto: Felipe Cotrim/VEJA.com)
Quanto maior a ascensão de Dilma nas pesquisas, maior a queda da economia (Foto: Felipe Cotrim/VEJA.com)
Para analistas ouvidos pelo site de VEJA, discurso eleitoral da presidente evidencia guinada à esquerda e guerra declarada ao setor privado
Por Ana Clara Costa, para VEJA.com
Enquanto o eleitor parece cada vez mais inclinado a oferecer à presidente Dilma Rousseff a oportunidade de um novo mandato, investidores sinalizam exatamente o oposto.
Um forte movimento de venda de ações fez com que o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, recuasse 4,52% nesta segunda-feira, a maior queda em três anos.
O dólar também disparou, chegando a ser cotado a 2,47 reais — seu maior valor desde 2008, período agudo da crise financeira internacional. A moeda americana perdeu força no final do pregão e fechou a 2,45 reais. As ações das empresas estatais lideraram as baixas: Petrobras caiu 11,4%, enquanto o Banco do Brasil recuou 9%. As ações da própria BM&FBovespa recuavam 8,3% no mesmo período.
Não é de hoje que o mercado financeiro tem reagido de forma pessimista à possibilidade de reeleição da candidata petista. Desde março deste ano, as ações (em especial as da Petrobras) têm oscilado ao sabor das pesquisas eleitorais. Depois da trágica morte do peessebista Eduardo Campos, em agosto, e da ascensão de Marina Silva ao posto de presidenciável, as chances de reeleição de Dilma haviam diminuído — o que trouxe certo alívio para a bolsa e o dólar.
Contudo, a melhora da atual presidente nas pesquisas, que apontam sua vitória no segundo turno ante ambos os concorrentes, Aécio Neves e Marina, fez com que um movimento de venda de ações se aprofundasse na bolsa. O Ibovespa chegou a cair quase 6% na abertura, com os papéis da Petrobras recuando 10%.
Em ambos os casos, a queda é muito mais profunda do que o que foi assistido no início de 2014, quando as primeiras pesquisas começaram a ser divulgadas criando alta volatilidade na bolsa.
O que mudou de lá pra cá, segundo analistas ouvidos pelo site de VEJA, é que aumentou (e muito) a aversão que o mercado nutria em relação à candidata. “Muitos têm opinião pior do que antes sobre a provável política econômica num segundo governo Dilma. Eles perceberam uma inflexão à esquerda em seu discurso, especialmente na questão envolvendo a independência do Banco Central”, afirma o economista Tony Volpon, do Nomura.
A presidente Dilma encampou o discurso de que ter um BC autônomo significaria “entregar o país a banqueiros”. Ela também questionou a necessidade de se cumprir o superávit primário, que é a economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida, e reafirmou seu compromisso com subsídios à indústria num momento em que o próprio setor industrial pede maior abertura econômica.
Segundo o analista Felipe Miranda, da Empiricus, antes da morte de Campos, os investidores tinham dúvida se um novo governo Dilma atravessaria uma curva de aprendizado, admitindo erros e retomando um caminho mais ortodoxo.
“Hoje, resta pouca dúvida de que um segundo mandato representaria mais do mesmo, com algum recrudescimento, pois a guerra contra o setor privado, num momento em que precisamos retomar os investimentos, está declarada em caráter explícito”, afirma Miranda, autor do livro O Fim do Brasil, lançado na semana passada pela editora Escrituras.
Um movimento de queda foi percebido nesta segunda-feira em todos os mercados emergentes, porém, nenhum na mesma intensidade que o Brasil. Nos Estados Unidos, o S&P recuou 0,2% e o Dow Jones, 0,25%.
“É um movimento global que pode ser visto na Coreia do Sul, Taiwan, índia, Turquia, África do Sul e Israel. Isso porque acredita-se que a economia americana não está se recuperando no ritmo acelerado que antes se achava”, avalia o economista-chefe da Gradual, André Perfeito.

Mulheres exibem na pele os relatos da violência sofrida na hora do parto em hospitais brasileiros

Isto Aconteceu comigo. Hoje, depois de 19 anos, ainda lembro da enfermeira dizer: levanta daí, " não se faça de coitadinha". Ao sair da cama onde fui colocada logo após o parto, caiu no chão uma bolha de sangue que dava para encher duas mãos. Ela me faz agachar e limpar/ pegar o bolha no chão, mesmo eu estando totalmente debilitada!! Foram muitos outros acontecidos que me custa muita dor ao lembrar. Ainda me faz chorar!!

O assunto é sério, o projeto é impactante e as imagens são sensíveis, tocantes e profundas. Um momento que deveria ser repleto de felicidade, plenitude, respeito e renascimento junto ao filho, é permeado por marcas, não só no corpo, mas com feridas desrespeitosas que traumatizam mulheres pela vida toda.
Pode não ter acontecido com você nem com alguém próximo, mas a triste realidade é que a violência obstétrica é um fato no Brasil. Uma pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo mostra que 1 em cada 4 mulheres brasileiras sofre algum tipo de violência no atendimento ao parto.
Falta respeito desde o início, quando nem um direito garantido em lei, como a presença de um acompanhante, é respeitado. Falta liberdade para escolher onde e como dar à luz, na privação de água e alimentação, na falta de um carinho no momento de dor.
Muitas mulheres sofrem caladas essas e outras violências e, com o objetivo de materializar a violência obstétrica e provocar a reflexão sobre a condição de nascimento no país, a fotógrafa Carla Raiter, junto com a produtora cultural Caroline Ferreira, criou o projeto 1:4: Retratos da Violência Obstétrica.
“O projeto fotográfico rompe o silêncio das mulheres que têm suas histórias retratadas em partes de seus corpos – através de uma tatuagem temporária -, em uma linguagem que as trata de forma serializada, anônima e sem considerar a individualidade, assim como fazem os protocolos médicos nas maternidades públicas e privadas brasileiras”.
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Carla Raiter diz que o projeto surgiu de forma despretensiosa: “Eu já trabalhava com fotografia de partos humanizados, já levantava a bandeira da humanização. Um dia, a Caroline me mandou um e-mail – que por pouco não se perdeu e nunca foi lido – me perguntando se eu nunca tinha pensado em fazer algum trabalho sobre violência obstétrica. Realmente caiu minha ficha de olhar para o outro lado, justamente para o oposto: essas histórias horríveis de partos traumáticos, de abuso, de violência verbal e física, de procedimentos desnecessários que tiram a autonomia da mulher no momento que deveria ser o mais empoderador de sua maternidade. Quando li o e-mail, foi uma epifania, passou um filme na minha cabeça com as imagens que eu queria fazer e que hoje produzimos”, lembra a fotógrafa.
Depois de lançado o projeto, Carla e Caroline contam que não estavam preparadas para a avalanche de e-mails com relatos de mulheres que queriam ser ouvidas, fotografadas, ou, simplesmente, superar o que aconteceu em seus partos. “Muitas histórias tristes, de dar nó na garganta, mesmo, de nos fazerem chorar ao ler. E então a gente entendeu que aquilo era um caminho sem volta, e que o projeto tinha um tamanho muito maior do que podíamos ter imaginado”, afirma Carla.
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Sobre o futuro do projeto, Carla diz não elas não têm verba nenhuma. Pelo contrário, arcam com vários gastos, como por exemplo o alto custo do papel importado para fazer as tatuagens temporárias. “Nossa intenção é expandir o ‘Projeto 1:4’, fotografar no Brasil todo, fazer uma exposição, talvez transformá-lo em livro porque a verdade é que temos muito mais que as fotos para mostrar”, planeja a fotógrafa.
Todas as fotos © Carla Raiter

Com a rejeição ao PT em São Paulo, o partido teme perder lugares na bancada da Câmara dos Deputados. Se for assim, a situação se complica para alguns que querem a Presidência da Casa, como Arlindo Chinaglia

Veja.Com

(Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
A dificuldade do PT em eleger deputados federais por São Paulo diminui as chances de Arlindo Chinaglia conquistar a presidência da Câmara no ano que vem (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
FUTURO INCERTO
Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA
O péssimo desempenho de Alexandre Padilha na disputa pelo governo de São Paulo não preocupa apenas a presidente Dilma Rousseff, que está atrás de Marina Silva no maior colégio eleitoral do país. O PT paulista aposta que o número de deputados federais petistas eleitos por SP cairá de dezesseis para dez.
Além de enfraquecer o grupo político que comanda o partido e já testemunhou a cassação e a renúncia dos mensaleiros José Dirceu, João Paulo Cunha e José Genoino, essa redução na bancada dificultará o plano do PT de retomar a presidência da Câmara em 2015, posto que é cobiçado, entre outros, por Arlindo Chinaglia.