domingo 07 2014
Sérgio Moro: juiz que orgulha a toga
Juiz federal paranaense, titular a 13ª Vara Federal em Curitiba, já encarregado do escândalo Banestado,Sérgio Fernando Moro foi recentemente alçado a protagonista nacional, pela sua atuação na operação Lava-Jato da Polícia Federal.
Esta semana começou com o espanto da opinião pública brasileira, indignada pela inusitada decisão do ministro Teori Zavatsky, do STF, em mandar soltar todos os 12 presos recolhidos à sede da PF em Curitiba: de Paulo Roberto Costa – homem bomba da Petrobrás – ao doleiro londrinense Alberto Yousseff. Incluídos todos os seus cúmplices, inclusive um deles – Rene Luiz Pereira – acusado de traficar 750 kg de cocaína.
Aí é que entraram o destemor, a correção, a pena ágil e a mente lúcida de Sérgio Moro. Perguntar não ofende. O juiz curitibano resolveu perguntar à excelência do STF: – A decisão de soltura atingiria até os doleiros e os traficantes?
Alertou o ministro Zavascki sobre o risco de fuga do doleiro Alberto Youssef e seus cúmplices, todos com fortíssimo poder econômico- inclusive contas bilionárias no exterior – e ainda ligações perigosas, e imponderáveis no meio político brasileiro.
Moro também pediu esclarecimentos sobre o alcance da decisão do ministro Teori Zavatski, baseada na premissa de que só o STF pode tratar da investigação de crimes e malfeitos que envolvam deputados federais – no caso, o paranaense André Vargas (então PT), o paulista Cândido Vacarezza (PT), e ainda o baiano Luiz Argolo (Solidariedade).
Nesta terça, 20 de maio, o ministro do STF, Teori Zavascki, reformou parcialmente a decisão tomada no domingo, que libertou Paulo Roberto Costa.
Manteve a prisão os doleiros Alberto Youssef, Raul Srour, Nelma Kodama e Carlos Chater, além de Renê Luiz Pereira, acusado pelo MP de movimentar recursos do tráfico de drogas. No total, 12 pessoas estão presas – 11 no Brasil e uma na Espanha. Há ainda um foragido, Sleiman Nassim el Kobrossy.
O ministro afirmou que a Justiça Federal do Paraná apresentou informações complementares sobre os processos e decretos de prisão e, por isso, decidiu manter as decisões tomadas pela 13ª Vara Federal cautelarmente. Manteve, porém, a decisão de que todos os processos sejam encaminhados ao STF, apesar de nem todos envolverem autoridades com direito a foro privilegiado.
O juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, provoca síndrome de pânico nos mega empresários e políticos brasileiros, na mesma proporção em que atemorizou os poderosos envolvidos no escândalo do Banestado.
Este ano, Moro já recusou duas vezes sua promoção a desembargador federal, única maneira de retirá-lo do caso.
Técnico, rigoroso, incorruptível e competente, o titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Fernando Moro assusta também empreiteiros, banqueiros e fornecedores da Petrobras.
Raro encontrar político importante que não esteja em pânico com a possível delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa – que ontem deixou a prisão, na colina de Santa Cândida, em Curitiba, sem poder conter o riso maroto, o contentamento saltava-lhe pelos olhos.
"O governo do PT patrocinou um assalto à Petrobras", diz Aécio
Política
Candidato do PSDB à presidência afirma que Dilma Rousseff não poderá alegar que não sabia de megaesquema de corrupção na Petrobras
Bruna Fasano, de Presidente Prudente

Aécio Neves: "O PT perdeu a eleição" (Ivan Pacheco/VEJA.com)
A menos de 30 dias do primeiro turno, as campanhas da petista Dilma Rousseff e da ex-senadora Marina Silva (PSB) tentam estancar a todo custo a sangria provocada pelos depoimentos do ex-dirigente da Petrobras e controlar uma possível fuga de votos das candidatas. Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de votos na corrida presidencial, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) avalia que as revelações do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, sobre a montagem de um balcão de distribuição de propina a deputados, senadores, governadores e até um ministro de Estado aliados ao Palácio do Planalto podem mudar o resultado das eleições de outubro. “O governo do PT patrocinou um assalto à Petrobras. No momento em que esse governo assaltava o país, eu fazia oposição”, disse Aécio em entrevista exclusiva ao site de VEJA.
Os nomes de autoridades citados por Paulo Roberto Costa como participantes do esquema de propina são essencialmente da base de sustentação do governo da presidente Dilma Rousseff. O senhor acha que houve conivência por parte dela? Não dá mais para vir com essa história de que não sabia de nada. Nós estamos falando de algo talvez ainda mais grave do que o mensalão 1, que é o mensalão 2, que coexiste há mais de nove anos no poder. Continua a haver um processo, desde o início, que não foi interrompido: utilização de dinheiro público, empresas públicas, superfaturamento de obras para beneficiar um grupo político que quer se manter a qualquer custo no poder. O PT perdeu, a meu ver, a autoridade sequer para apresentar um projeto de continuidade desse modelo que está aí. É vergonhoso o que aconteceu. As investigações tem que ir a fundo. Espero que o Brasil conheça o que aconteceu e as punições possam vir. A presidente da República tem, sim, que dizer o que aconteceu na empresa que ela comandou com mão de ferro. Ela foi do conselho da Petrobras durante doze anos.
Com as denúncias de Paulo Roberto Costa, cai a tese da presidente Dilma Rousseff de acusar setores oposicionistas de tentar desmoralizar a Petrobras? As denúncias do senhor Paulo Roberto mostram que a Petrobras vem sendo assaltada ao longo dos últimos anos por um grupo político, comando pelo PT, com o objetivo de perpetuar-se no poder. Quando nós apresentamos a proposta da criação da CPMI da Petrobras os líderes do governo diziam que isso era uma jogada eleitoral da oposição apenas para prejudicar o governo nas eleições. A presidente da República chegou a dizer que nós estávamos, com os ataques que fazíamos a Petrobras, depondo contra a imagem da nossa principal empresa. Quem desmoralizou a nossa principal empresa foi esse governo comando pela atual presidente da República. Não é possível, sentada na mesa com esses mesmos réus, em especial com esse diretor que está preso hoje, dizer que não tinha ideia do que está acontecendo. Ainda que pela incapacidade de ver o que acontece no seu entorno, ela não pode querer disputar novamente a Presidência da República.
Segundo a delação premiada feita por Paulo Roberto Costa, o ex-governador de Pernambuco e ex-candidato do PSB, Eduardo Campos, estaria envolvido no esquema. Eu tenho muito cuidado com relação a isso. São acusações que eu não conheço. Li pela manhã e me dei conta do tamanho dessas denúncias. Todos nós vamos ter que estar prontos para dar explicações sobre quaisquer questões. Eu acho que não dá é para pessoas envolvidas dizerem que não sabiam de nada. Vamos dar tempo ao tempo e esperar que, realmente, essas acusações que hoje citam nominalmente algumas pessoas possam ser comprovadas, com indícios mais claros. Eu vejo tudo isso com alguma cautela. Mas eu reafirmo, e não há dúvidas em relação a isso, é que o governo do PT foi conivente com o maior assalto que já se fez aos cofres da maior empresa brasileira, a Petrobras. O governo do PT patrocinou um assalto à maior empresa brasileira. Isso jamais ocorreu na história do Brasil.
A citação de Eduardo Campos entre os que teriam recebido propina desconstrói o discurso da candidata Marina Silva sobre a “nova política”? É possível atender a interesses de aliados sem cair em esquemas de corrupção? Nós estávamos desde lá de trás denunciando esse governo. Eu vejo hoje críticas ao PSDB por uma pseudopolarização com o PT. Nós estávamos desde sempre, lá atrás, desde 2003, combatendo esse governo, denunciando o aparelhamento da máquina pública, as nomeações políticas na Petrobras. Será que quem estava certo era quem estava dentro desse governo durante todo esse período? De alguma forma, até se beneficiando, mesmo que não diretamente. Se beneficiando dessa estrutura que se manteve para sustentar o governo. A minha diferença maior para as duas candidatas é que em nenhum momento eu participei desse governo. No momento em que esse governo assaltava o país, eu fazia oposição. De nenhuma forma eu participava disso. Nem diretamente nem indiretamente. Os cargos que eu ocupei não foram, de alguma forma, sustentados por esse governo corrupto.
O esquema do mensalão movimentou 173 milhões de reais. A Polícia Federal estima que, no caso da operação Lava-Jato, sejam pelo menos 10 bilhões de reais. É mais grave que o escândalo que colocou a cúpula do PT na cadeia? O mensalão 2, esse atual, a meu ver, é mais grave do que o mensalão 1 até pelo tempo que durou esse assalto. Um processo que não pode ser agora atribuído a uma pessoa, a alguém que se utilizou de determinado momento de um cargo que ocupou em benefício próprio. É uma engrenagem institucionalizada para roubar no seio da nossa maior empresa para beneficiar o grupo que está no poder. O atual governo e a própria presidente da República são, no mínimo, beneficiários daquilo que a Polícia Federal chamou de organização criminosa instalada na Petrobras. Dilma foi beneficiária desse esquema. E esse esquema é que vem sustentando o seu governo, dando a ela maioria no Congresso e pagando diretamente sua base de apoio. Estamos diante do mais grave escândalo de corrupção da nossa história contemporânea. Acho que o mensalão 2 tem níveis de sofisticação que fazem dele algo mais grave do que o primeiro. O mensalão 2, pelo que nós estamos vendo, se manteve e se arrastou pelos onze anos desse governo.
As pesquisas de intenção de voto o colocam em terceiro lugar na corrida pelo Palácio do Planalto. As denúncias podem mudar o quadro eleitoral? Eu continuo acreditando muito na possibilidade de vitória. Nós somos a oposição a tudo isso. Eu não sou oposição ao PT agora. Eu sou oposição a esse modelo desde que essa bandalheira, essa forma de agir, começou. Nem todos podem dizer isso, né? A atual candidata à Presidência da República perderá as eleições. Não há condições morais dela apresentar algo novo ao Brasil. Comete a imprudência de destituir, mesmo mantendo no cargo, o ministro da Fazenda. E se ele tivesse hoje uma forma de preservar sua própria história, pediria ele mesmo para sair. Ministro da Fazenda ou você nomeia ou demite. Não pré-anuncia que vai demiti-lo lá adiante. Quem é que vai conversar hoje com o ministro da Fazenda sobre determinada questão relevante para a economia sabendo que daqui a três meses ele não vai estar lá para tocar aquilo que foi eventualmente acertado? O dano só não é maior porque ele já tinha perdido toda a credibilidade. Agora que autoridade a presidente vai ter? Tendo comandado a maior empresa brasileira, a Petrobras, como comandou e fazia questão de mostrar que era ela quem mandava com mão de ferro, vendo nas suas barbas esse processo de corrupção beneficiar seu próprio projeto.
Mas a presidente Dilma ainda se mantém líder nas pesquisas. Eu acho que o PT perdeu a eleição. O PT perdeu a eleição. Agora tem uma nova candidata que eu respeito pessoalmente, mas precisa explicar seus vínculos com esse grupo político. Marina tem uma militância no PT maior do que da própria Dilma. Não acredito que ela possa ter um vínculo direto com isso. Mas eu não vi a indignação dela no momento em que o mensalão foi denunciado. Lá atrás, no momento em que o mensalão foi denunciado, não me lembro dela considerando isso uma prática da velha política, se indignando e pedindo para sair do partido. Ao contrário. É um direito dela.
O senhor acha que Marina Silva deve defender publicamente Eduardo Campos das acusações feitas por Paulo Roberto Costa ou é um problema do PSB? Todos tem que dizer claramente o que pensam. Terceirizar responsabilidades não é um bom exemplo para quem se autointitula representante da nova política. Nada mais velho na política do que a corrupção. Esse modelo do PT de utilizar a estrutura do Estado em benefício do seu projeto de poder é tudo, menos novo. Isso existe desde que o PT assumiu o governo. Já existia nas administrações municipais do PT. Nós sabemos disso em várias denúncias, como no caso de Santo André, talvez o mais marcante deles. O PT sempre buscou nas oportunidades que teve para utilizar empresas e espaços públicos para financiar a sua permanência no poder. Isso não mudou. O que mudou foi a escala, agora infinitamente maior. Eu sempre soube e ataquei isso. A outra candidata conviveu de alguma forma com esse modus operandi do PT. Temos duas alternativas. A minha é clara, de combate a tudo isso e restabelecer a meritocracia. Resgate a nossas empresas públicas, e vamos afundo nas investigações. Queremos as investigações como propusemos na CPMI. E que os responsáveis sejam punidos. Outra candidatura vai ter que mostrar como convive com esse tipo de corrupção. Eu vejo muito esse discurso da nova política. Para mim sempre houve a boa e a má política. E a boa política é que a nós praticamos. A má política é a que o PT pratica. E, na verdade, não é de hoje. Desde quando a candidata Marina era um membro influente no partido.
Denúncias de ex-diretor atingem — e apavoram — pelo menos quatro candidatos a governador
Campanha
Depoimento de Paulo Roberto Costa afeta candidaturas no Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Alagoas e Maranhão
Marcela Mattos, de Brasília

Henrique Alves, um dos citados pelo ex-diretor da Petrobas, concorre ao governo do Rio Grande do Norte (Laycer Tomaz/Agência Câmara/VEJA)
Antes de aceitar o acordo de delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa antecipou o efeito devastador de suas denúncias: "Se eu falar, não vai ter eleição". Temendo sair como o único prejudicado após as revelações de propina e corrupção dentro da estatal, o executivo decidiu relatar à Polícia Federal como e com quem agiu – e, conforme VEJA revelou na edição desta semana, trouxe uma lista de três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais que embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da estatal. As denúncias atingem, direta ou indiretamente, ao menos quatro candidaturas a governos estaduais. No Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Alagoas e Maranhão a corrida eleitoral deve ganhar novos contornos após ter nomes de candidatos ou herdeiros políticos citados por Costa.
O ex-diretor de Abastecimento agia em parceira com o doleiro Alberto Yousseff, considerado pivô do megaesquema de lavagem de dinheiro. Os dois comandaram a ação, descoberta na operação Lava Jato da Polícia Federal, com movimentação superior a 10 bilhões de reais, em que foram desviadas verbas da estatal para o bolso de políticos e partidos. O caso veio à tona em março deste ano e, com detalhes ainda mais contundentes revelados a um mês das eleições, deve incendiar ainda mais a campanha eleitoral.
Um dos envolvidos é o mais antigo deputado da Câmara dos Deputados e atual presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Para a sua primeira disputa ao governo potiguar, ele montou uma ampla base de apoio e conseguiu assumir a liderança nas pesquisas: tem, atualmente, 40% de intenções de voto, de acordo com o Ibope. O candidato se apressa para evitar que as denúncias respinguem sobre seu projeto eleitoral. “Nunca pedi nem recebi quaisquer recursos do Paulo Roberto Costa. As insinuações publicadas, de forma genérica e sem apresentar evidências sobre o meu nome, não podem ser tomadas como denúncia formal nem fundamentada”, disse, em nota, neste sábado. Alves afirmou ainda que não há provas contra ele e apontou para uma possível manipulação do episódio na campanha eleitoral.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também compõe a extensa lista de nomes relatados pelo ex-diretor da Petrobras. Ele ainda está na metade do mandato e não é candidato no pleito deste ano — mas tem como projeto pessoal a eleição de seu herdeiro, o deputado Renan Filho, para o governo de Alagoas. Com o nome de um dos principais caciques alagoanos, Renanzinho, como é conhecido, lidera as pesquisas eleitorais e, se nada mudar, pode ser eleito logo em primeiro turno. Em meio às novas denúncias que envolvem o pai, ele tenta se desvincular do caso de corrupção. “Eu sou parlamentar e não posso falar sobre outros parlamentares. Eu não fui citado. Mudaria algo se eu tivesse sido. O candidato sou eu”, disse ao site de VEJA, fugindo de responder outras perguntas.
Outro herdeiro político que pode sofrer consequências pelo envolvimento do pai é o senador Lobão Filho (PMDB-MA), candidato ao governo do Maranhão. O ministro de Minas e Energia Edison Lobão agora será investigado pela PF com a delação de Costa, assim como a ex-governadora Roseana Sarney, também lembrada em depoimento. Os dois são os principais fiadores da campanha do senador peemedebista, o que dá ainda maior força à oposição em um Estado devastado após décadas da gestão Sarney. “Chega. Basta. Hora de tirar o Maranhão das páginas policiais. Essa gente enrolada com a Polícia Federal não pode continuar no governo”, disse, pelo Twitter, o candidato do PCdoB Flavio Dino. “Basta de escândalos com doleiros, lagostas e propinas”, continuou, evidenciando que o caso será incorporado à sua artilharia contra Lobão Filho.
No Rio de Janeiro, o candidato Luiz Fernando Pezão (PMDB) tem pela frente mais uma herança negativa de seu antecessor. O governo de Sérgio Cabral foi encerrado com altíssima taxa de rejeição e, agora envolvido nas denúncias da Petrobras, deve dar ainda mais margem para os adversários tentarem desqualificar a gestão peemedebista. “O que foi revelado ainda é muito pouco perto do que o Cabral vai ter de explicar nos próximos dias. Não há novidade de ele estar envolvido em casos de corrupção”, disse ao site de VEJA o também candidato Anthony Garotinho (PR), um dos mais duros oposicionistas a Cabral e Pezão. Na tentativa de abafar o caso, Pezão pediu calma para que as denúncias sejam apuradas e afirmou que “nunca viu Cabral pedindo um cargo em ministério”.
sábado 06 2014
Políticos citados em depoimento têm algo em comum: todos negam
Política
Citados classificam depoimento como 'especulação' e tentam se distanciar do ex-diretor da Petrobras
Laryssa Borges, de Brasília

Michel Temer: "A delação premiada tem seus problemas. O PMDB como instituição não tem nada a ver com isso."(Eduardo Biermann/VEJA)
Políticos citados por Paulo Roberto Costa como beneficiados de um esquema bilionário de desvio de dinheiro e pagamento de propina, negaram neste sábado a participação no escândalo. Enquanto a ex-senadora Marina Silva (PSB) e a presidente Dilma Rousseff (PT), candidatas na corrida presidencial, classificaram como “ilações” e “especulações” os dados fornecidos à justiça pelo delator, o vice-presidente da República, Michel Temer, disse que o instituto da delação premiada “tem seus problemas” e afirmou que o PMDB, cujos integrantes são apontados por Costa como beneficiários de propina, “não tem nada a ver com isso”. Até agora os três não estão entre os citados pelo ex-diretor da Petrobras, mas as revelações afetaram diretamente as campanhas do PT e do PSB ao Palácio do Planalto.
Os nomes elencados por Costa incluem o ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, além do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Em nota, Calheiros negou a participação no esquema e afirmou que "suas relações com os diretores da estatal nunca passaram os limites institucionais". Os nomes das autoridades com foro privilegiado foram encaminhados ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, responsável por levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Caberá ao relator no STF, ministro Teori Zavascki, analisar o teor das informações fornecidas pelo ex-diretor da Petrobras e homologar a delação.
“Houve menções vagas a pessoas do partido. O PMDB como instituição não tem nada a ver com isso. A delação premiada tem seus problemas. Isso tem que ser levado com muito cuidado para que não haja acusações infundadas”, disse o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), em Maceió (AL).
Candidato ao governo do Rio Grande do Norte, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), citado pelo delator, disse que não foram apresentadas provas contra ele e que a citação de Paulo Roberto Costa não é uma “denúncia formal nem fundamentada”. “Nunca pedi nem recebi quaisquer recursos por meio do senhor Paulo Roberto Costa. As afirmações foram feitas em um processo de delação premiada sem apresentação de provas. E delação premiada exige provas. Peço a todos que fiquem atentos à manipulação do episódio na campanha eleitoral por candidatos sem respeito pela verdade dos fatos”, disse Alves.
Candidato ao governo do Rio Grande do Norte, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), citado pelo delator, disse que não foram apresentadas provas contra ele e que a citação de Paulo Roberto Costa não é uma “denúncia formal nem fundamentada”. “Nunca pedi nem recebi quaisquer recursos por meio do senhor Paulo Roberto Costa. As afirmações foram feitas em um processo de delação premiada sem apresentação de provas. E delação premiada exige provas. Peço a todos que fiquem atentos à manipulação do episódio na campanha eleitoral por candidatos sem respeito pela verdade dos fatos”, disse Alves.
Ex-líder do governo, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), negou ter recebido dinheiro de Paulo Roberto Costa e informou que conhece o ex-diretor da Petrobras apenas “de maneira institucional”. Outro político que alegou manter apenas "relações institucionais" com o ex-diretor da Petrobras foi o atual governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), que saiu em defesa do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), citado por Paulo Roberto no depoimento.
A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), que também está na lista de autoridades mencionadas por Paulo Roberto Costa, disse repudiar “de forma veemente e com grande indignação” as referências a ela. “Nunca participei de nenhum esquema de corrupção e muito menos solicitei ao ex-diretor da Petrobras recursos de qualquer natureza. Tomarei todas as medidas jurídicas cabíveis para resguardar minha honra e minha dignidade”, afirmou.
O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, apontado por Paulo Roberto como a ponte entre o PT e o esquema de distribuição de propina da Petrobras, disse neste sábado que “nunca tratou de assunto relativo ao partido” com o ex-diretor da estatal. “É absolutamente mentirosa a declaração de que tenha havido qualquer tratativa, seja pessoal, por e-mail ou mesmo telefônica, com o referido senhor a respeito de doações financeiras ou qualquer outro assunto”, completou ele.
Justiça – Na Bahia, o presidente estadual do Democratas, José Carlos Aleluia, anunciou que pretende recorrer à Justiça para pedir o afastamento do deputado Mário Negromonte do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) da Bahia. O parlamentar, que foi ministro das Cidades no governo Dilma Rousseff, também foi citado como beneficiário do esquema de propina delatado por Paulo Roberto Costa. “Vamos pedir à Justiça o afastamento dele imediatamente. É uma afronta ao Estado a permanência dele lá. O governador Jaques Wagner desmoralizou o estado da Bahia ao defender e eleger o ex-deputado Mário Negromonte como conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM)”, disse o presidente do DEM.
Justiça – Na Bahia, o presidente estadual do Democratas, José Carlos Aleluia, anunciou que pretende recorrer à Justiça para pedir o afastamento do deputado Mário Negromonte do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) da Bahia. O parlamentar, que foi ministro das Cidades no governo Dilma Rousseff, também foi citado como beneficiário do esquema de propina delatado por Paulo Roberto Costa. “Vamos pedir à Justiça o afastamento dele imediatamente. É uma afronta ao Estado a permanência dele lá. O governador Jaques Wagner desmoralizou o estado da Bahia ao defender e eleger o ex-deputado Mário Negromonte como conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM)”, disse o presidente do DEM.
Exclusivo: Paulo Roberto Costa começa a revelar nomes dos beneficiários do esquema de corrupção da Petrobras
Em VEJA desta semana
Sergio Cabral, Roseana Sarney, Eduardo Campos, Renan Calheiros e Edison Lobão estão entre os citados nos depoimentos do ex-diretor da Petrobras
Rodrigo Rangel

Atualizado às 4h42.
Preso em março pela Polícia Federal, sob a acusação de participar de um mega esquema de lavagem de dinheiro comandado pelo doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras Paulo Roberto Costa aceitou recentemente os termos de um acordo de delação premiada – e começou a falar.
No prédio da PF em Curitiba, ele vem sendo interrogado por delegados e procuradores. Os depoimentos são registrados em vídeo — na metade da semana passada, já havia pelo menos 42 horas de gravação. Paulo Roberto acusa uma verdadeira constelação de participar do esquema de corrupção.
Entre eles estão os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). Do Senado, Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, e Romero Jucá (PMDB-RR), o eterno líder de qualquer governo. Já no grupo de deputados figuram o petista Cândido Vaccarezza (SP) e João Pizzolatti (SC), um dos mais ativos integrantes da bancada do PP na casa. O ex-ministro das Cidades e ex-deputado Mario Negromonte, também do PP, é outro citado por Paulo Roberto como destinatário da propina. Da lista de três “governadores” citados pelo ex-diretor, todos os políticos são de estados onde a Petrobras tem grandes projetos em curso: Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio, Roseana Sarney (PMDB), atual governadora do Maranhão, e Eduardo Campos (PSB), ex-governador de Pernambuco e ex-candidato à Presidência da República morto no mês passado em um acidente aéreo.
Paulo Roberto também esmiúça a lógica que predominava na assinatura dos contratos bilionários da Petrobras – admitindo, pela primeira vez, que as empreiteiras contratadas pela companhia tinham, obrigatoriamente, que contribuir para um caixa paralelo cujo destino final eram partidos e políticos de diferentes partidos da base aliada do governo.
Sobre o PT, ele afirmou que o operador encarregado de fazer a ponte com o esquema era o tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, cujo nome já havia aparecidao nas investigações como personagem de negócios suspeitos do doleiro Alberto Youssef.
Conheça, nesta edição de VEJA, outros detalhes dos depoimentos que podem jogar o governo no centro de um escândalo de corrupção de proporções semelhantes às do mensalão.
-
Já imaginou um óleo capaz de ajudar desde a hidratação da pele até o alívio de dores musculares? Se para muita gente o óleo de co...
-
Disponível nos mais variados tamanhos, formatos e materiais, o lustre pode incrementar o visual de sua sala Item decorativo que sur...