quarta-feira 09 2014

'Ninguém falou aos jogadores que eles poderiam perder'

Entrevista: Katia Rubio

Psicóloga do esporte diz que sensação de descontrole tomou conta dos atletas do Brasil quando eles perceberam que a derrota para a Alemanha era inevitável

Marcella Centofanti
Thomas Müller chuta bola e marca o primeiro gol da Alemanha contra o Brasil no Mineirão, em Belo Horizonte
Thomas Müller chuta bola e marca o primeiro gol da Alemanha contra o Brasil no Mineirão, em Belo Horizonte - Ricardo Corrêa
A comissão técnica e a CBF são as responsáveis pelo vexame histórico da seleção brasileira diante da Alemanha. Foram eles que montaram um time jovem, sem experiência em copas, e jogaram sobre esses atletas a obrigação de ganhar. Essa é a opinião da psicóloga do esporte Katia Rubio, professora da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP) e autora de 19 livros sobre psicologia do esporte e estudos olímpicos. Ao site de VEJA, a psicóloga disse que as vitórias brasileiras, desde a Copa das Confederações, camuflaram problemas estruturais do time. Diante de uma equipe bem estruturada como a alemã, os problemas apareceram. "Não é vergonha perder para um bom time. A vergonha é perder para a própria incompetência", afirma.

O que aconteceu em campo?
Brasil não tinha pegado uma seleção tão forte e estruturada quanto a Alemanha. As vitórias brasileiras não foram consistentes. Elas camuflaram problemas estruturais que o time tinha desde sempre. E em vez de usar os jogos, mesmo as vitórias, para fazer uma avaliação das falhas, o que a gente viu foi a persistência dos erros ao longo do caminho, que sucumbiram diante de um time bem estruturado como o da Alemanha. 
A senhora está falando de falhas técnicas ou do abalo emocional?
Eu não consigo separar uma coisa da outra. A questão emocional está vinculada à compreensão cognitiva daquilo que a realidade do jogo mostra para o jogador. Não há atleta fleumático o suficiente para passar por cima de tantos gols em pouco tempo como se fosse uma coisa comum. Todas as dificuldades emocionais vividas até aqui emergiram com uma potência vulcânica. Quando a derrota se tornou inexorável, os recursos se foram, porque não havia um entendimento de que dava para superar. Ninguém falou para esses meninos sobre a possibilidade da derrota. Era vencer ou vencer, e isso não existe no esporte. Diante da iminência do fracasso, tudo vem à tona: o desespero, o desamparo, a incerteza e a sensação de descontrole que a gente viu em campo.
O pânico se instalou a partir do primeiro gol?
Acredito que depois do terceiro gol. O primeiro e o segundo foram acidentais. Do terceiro em diante, o time apagou. 
Um bom trabalho psicológico poderia ter ajudado a evitar o vexame?
Poderia, se tivesse sido feito com a mesma intensidade do trabalho técnico, tático e físico. Mas a psicologia sozinha não ganha jogo.

Faltaram jogadores experientes na seleção brasileira?
Foi uma irresponsabilidade escalar um time tão jovem para encarar uma Copa do Mundo dentro do Brasil. É fundamental numa equipe proporcionar a troca de experiências de atletas mais maduros com mais jovens. Essa convivência prepara uma geração, porque ela pode perder num momento e ganhar em outro. Eu vi uma cena dentro do campo, não sei a partir de que gol, em que todos se olhavam, em busca não só de uma explicação, mas de alguém que os tirasse daquela situação. 
O Maracanazo pesou sobre os ombros dos jogadores?
Não acredito nisso. A Copa de 1950 está muito longe deles. O problema é 2014, uma expectativa imensa sobre uma equipe muito jovem. Não dá para esperar de um adolescente a maturidade que ele não tem. Essa é uma geração talentosa, aguerrida. Eu vi meninos com muito medo, mas eles não fugiram do combate. 
Quem criou essa expectativa?
A CBF e a comissão técnica. Não vejo outros responsáveis pelo resultado do jogo. 
Os jogadores e a comissão técnica disseram que a ausência do Neymar serviria para motivar a equipe ainda mais. Aconteceu o contrário?
Dizer que a ausência do Neymar causou a derrota do Brasil é colocá-lo numa condição acima do que ele representa e desmerecer todo o resto do grupo, que trabalhou arduamente. Talvez com o Neymar em campo o time não tomasse tantos gols, mas a equipe estava patética, perdida. Era um time colegial jogando contra profissionais. Não é vergonha perder para um bom time. A vergonha é perder para a própria incompetência. 
De que maneira se supera um trauma desses? 
A única maneira de superar um trauma é enfrentá-lo. É preciso jogar, mais, mais e mais. Não existe outra forma.

Como um jogador absorve o fato de ser protagonista da pior derrota da história da seleção, em casa?
Essa experiência não vai ser comum a todos os jogadores, mas variar de acordo com o histórico de vida de cada um. Eles vão elaborar a derrota em função do momento em que estão vivendo a própria carreira. Os que jogam em grandes times seguirão sua vida. Os mais velhos vão se preparar para o fim da carreira. Fico feliz de ver que não há um responsável por essa derrota, como aconteceu no Maracanazo, quando o infeliz do Barbosa carregou a culpa sozinho pelo resto da vida. Em 2014, a responsabilidade será partilhada, cada um vai carregar o seu quinhão.
Nem o Fred, tão criticado a Copa inteira e vaiado no Mineirão, ficará marcado?
Ao longo de todos os jogos, não houve quem não dissesse que ele não era um jogador deslocado do grupo, porque ele não cumpria seu papel, mas a comissão técnica insistiu em manter o sujeito. Isso é ruim principalmente para o atleta, porque ele acaba tendo de responder por uma decisão que não é dele, mas do técnico.
Levar a camisa do Neymar no hino pode ter sido negativo?
Não, eles fizeram um carinho para o jogador, como a seleção de vôlei levou a camiseta do atleta que foi cortado. É uma cena clássica de grupos que estão bem fechados, uma reverência a quem ficou de fora. Não é um lamento, mas um agradecimento ao cara que está quebrado em casa.
Quais são as lições dessa derrota?
O legal do esporte é que ele é uma metáfora para muitas coisas da vida. Que com essa derrota se aprenda a ser menos orgulhoso, a acreditar menos que o passado pode valer mais do que o trabalho presente, que não existe jogo ganho nunca, que o jogo só acaba quando termina — como dizia Chacrinha — e que é preciso encarar isso com muito mais seriedade do que se encarou até agora. 
O que podemos esperar para a partida de sábado?
Eu quero ver o que a comissão técnica vai fazer. Se ela for amorfa como no jogo contra a Alemanha, é melhor pegar a malinha e perder por W.O. Não dá para ter duas vergonhas sucessivas. Os jogadores precisam de acompanhamento psicológico agora. Faz parte do programa lutar pelo terceiro lugar. Seria muito honroso que eles jogassem para ganhar a próxima partida. A torcida brasileira merece por tudo que ela fez pelo time.

The Doors and Eddie Vedder -- "Light My Fire"


















Antes da despedida, Brasil terá 3 dias para juntar os cacos

Futebol

Felipão valorizou a disputa de terceiro lugar, no sábado, em Brasília, e prometeu reerguer seus atletas a tempo de encerrar sua campanha com alguma dignidade

Giancarlo Lepiani, de Belo Horizonte
David Luiz lamenta derrota do Brasil para a Alemanha
"Agora é trabalhar em cima do que ocorreu para estarmos recuperados para sábado. Precisamos fazer nosso time assimilar essa derrota. Vamos continuar tentando honrar a nossa camisa”, disse o técnico
“A vida não acaba com essa derrota”, disse Luiz Felipe Scolari menos de uma hora depois da goleada mais acachapante já sofrida pela seleção brasileira de futebol. E o técnico não falava sobre a reconstrução da equipe depois da trágica semifinal contra a Alemanha, na terça-feira, no Mineirão: Felipão já saiu da semifinal pensando em como reerguer a equipe a tempo de deixar uma impressão menos desastrosa em sua despedida da Copa do Mundo. A disputa de terceiro lugar, na tarde de sábado, em Brasília, é vista pelo treinador como uma forma de amenizar o fiasco e fechar a campanha de forma honrosa. O Brasil espera a semi de quarta, no Itaquerão, entre Argentina e Holanda, para descobrir quem será seu adversário. “Não dá pra esquecer que tem jogo já no sábado”, avisou ele. “Tem mais uma partida para a gente jogar, e ela vale a terceira colocação.” O Brasil já foi medalha de bronze em dois Mundiais (1938, na França, e 1978, na Argentina). Há quarenta anos, na Copa da Alemanha-1974, a equipe caiu na semi e perdeu a decisão de terceiro lugar para a Polônia, por 1 a 0, gol de Lato.
Felipão reconheceu que seu principal desafio não será estudar seu adversário e encontrar uma formação ideal para vencer, mas sim achar uma forma de fazer sua equipe erguer a cabeça para se despedir de forma digna. “O clima no vestiário é horrível, mas não tem o que fazer agora”, reconheceu o técnico. “Vamos começar a tentar mudar o ambiente quando voltarmos à nossa concentração. Agora é trabalhar em cima do que ocorreu para estarmos recuperados para sábado. Precisamos fazer nosso time assimilar essa derrota. Peço desculpas porque não conseguimos chegar à final, mas vamos continuar tentando honrar a nossa camisa na decisão do bronze.” Enquanto Felipão defendia a importância da partida em Brasília, alguns de seus jogadores mostravam desânimo com a perspectiva de entrar em campo no sábado. “Precisamos honrar a camisa, mas sabemos que para o Brasil, uma seleção vitoriosa, sempre muito cobrada, um terceiro lugar é como se fosse nada”, disse Marcelo. O atacante Hulk e o zagueiro Dante também disseram que será difícil encontrar forças para retornar ao gramado no fim de semana. O jogador do Bayern de Munique, no entanto, também falou em “honrar a camisa” na decisão do bronze.

Brasil é goleado pela Alemanha e vê morrer sonho do título em casa



Com cinco gols marcados ainda no primeiro tempo, alemães fizeram 7 a 1 no time de Felipão

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Por pura compaixão da Alemanha, que teve piedade no segundo tempo, não foi oito ou nove. Dez, talvez. Uma Seleção Brasileira faceira, mal escalada pelo seu técnico, deixa a Copa do Mundo assinando o maior vexame de sua história futebolística, levando 7 a 1 em uma semifinal disputada dentro de casa.
Foi constrangedor, do início ao fim. Um suplício. O que se viu foi um time organizado, compactado, capaz de fluir um contra-ataque com meia dúzia de passes rápidos e se fechar em bloco logo em seguida em questão de segundos. Esta era a Alemanha. 

Do outro lado, um Brasil desprotegido no meio-campo, aberto, varzeano, uma baderna tática, errando lances bisonhos e assustado com a superioridade do oponente. Sem Neymar, Luiz Felipe Scolari poderia ter sido humilde e se defendido, reconhecendo o melhor futebol do adversário. Até treinou com Paulinho em seu lugar, formando um tripé de volantes para marcar o setor mais forte dos alemães, que há anos todos sabem ser o meio-campo. Mas Felipão resolveu abandonar suas origens e se abriu, com toques de soberba. Escolheu o pequenino Bernard, escancarando suas entranhas. A Alemanha se serviu.


O primeiro tempo foi humilhante.
Bernard, escalado para ser a surpresa corajosa de Felipão, tornou-se um fracasso. Mal tocou na bola. Sumiu diante do gigante Hoewedes, o lateral-esquerdo que o marcou. Hulk, do outro lado, seguiu igual aos outros jogos. Força, vontade, espaço para avançar mas, quando tinha de tocar na bola, errava. 
Oscar jogou ao lado de Luiz Gustavo, incompreensivelmente. Assim, com a linha de três atrás de Fred em total naufrágio, nem deu para culpar o centroavante, de novo inoperante. Diante deste cenário, em pouco menos de meia hora, o maior fiasco brasileiro em toda a sua história de Copas estava consumado. Depois do primeiro gol, de Müller, logo aos 10 minutos, a Seleção se desintegrou. Ninguém entendia nada no Mineirão. Aos 22, Klose marcou o seu 16º gol em Mundial, superando Ronaldo. Até isso. 
Aos 24, Kroos aumentou. Não perca a conta. 3 a 0. Aos 25, o mesmo Kroos, se aproveitando de uma lambança de Luiz Gustavo e Fernandinho à frente da área, formou o quatrilho. Aos 29, Khedira, um dos volantes que o Brasil não se importou em marcar, se desprendeu lá de trás e fez o quinto gol.
A partir daí, foi treino.
Os alemães cantavam "Rio de Janeiro, ô, ô, ô", trocando o jota por xis. Os torcedores brasileiros se olhavam, atônitos. Outros choravam. Depois, xingaram Fred, quando este atrasou uma bola para o goleiro. Em seguida, repetiram a dose com Oscar. E até Bernard. E quase todos os jogadores brasileiros.
Por compaixão, a Alemanha tirou o pé no segundo tempo. As entradas de Paulinho e Ramires nos lugares de Fernandinho e Hulk, é claro, melhoraram o Brasil na volta do intervalo. Dois volantes, que ajudaram a marcar o forte meio-campo alemão. Paulinho quase assinalou o de honra aos 8 minutos, obrigando Neuer a se aquecer um pouco e fazer ótima defesa.
O jogo escorreu pelo ralo da vergonha, com a Alemanha tendo piedade do Brasil, até o apito final do mexicano Marco Rodríguez. Ainda houve tempo para Schürrle fazer o sexto e o sétimo. E o que se viu no Mineirão foi a história ao contrário. O gol de honra de Oscar foi quase uma galhofa.
Em vez de superar a ausência de Neymar com superação e valentia, a tragédia esportiva. O futebol brasileiro nunca mais esquecerá o seu pior fiasco em todos as Copas.
COPA DO MUNDO, SEMIFINAL, 8/7/2014
BRASIL
Julio César; Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho (Paulinho, int), Bernard, Oscar e Hulk (Ramires, int); Fred (Willian, 25'/2ºT)
Técnico: Luiz Felipe Scolari
ALEMANHA
Neuer; Lahm, Boateng, Hummels (Mertesacker, int) e Höwedes; Schweinsteiger, Khedira (Draxler, 31'/2ºT), Kroos, Özil e Müller; Klose (Schürrle, 12'/2ºT)
Técnico: Joachim Löw
Gols: no primeiro tempo, Thomas Müller, aos 10, Miroslav Klose, aos 22, Toni Kroos, aos 23 e aos 25, e Sami Khedira, aos 28 (A); no segundo tempo, Andre Schürrle (A), aos 23 e aos 33, e Oscar (B), aos 45
Cartão amarelo: Dante (B)
Arbitragem: Marco Rodríguez, auxiliado por Marvin Torrentera e Marcos Quintero
Local: Mineirão, Belo Horizonte, 17h

http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes/copa-2014/noticia/2014/07/brasil-e-goleado-pela-alemanha-e-ve-morrer-sonho-do-titulo-em-casa-4546333.html

Um jogador alemão explica como o Brasil sofreu a maior goleada da história

Per Mertesacker foi um espectador de luxo do maior vexame da história da seleção brasileira. Viu, do banco, a sua Alemanha fazer 7 a 1 no time de Luiz Felipe Scolari, que mal reagiu ao longo dos 90 minutos. Com a propriedade de quem esteve no campo do Mineirão, ainda que não tenha atuado, o zagueiro da seleção germânica explica como foi a goleada.
"Foi impossível de acreditar em um começo daquele. Com cinco gols no primeiro tempo, ter tanta vantagem. A gente não podia acreditar. Estivemos focados o tempo todo, foi uma performance incrível", disse o zagueiro do Arsenal, um dos poucos alemães que conversaram com os repórteres brasileiros.
Preterido por Joachim Low para a dupla Hummels e Boateng, Mertesacker, um veterano que está na terceira Copa, contou que se viu na pele dos brasileiros. "Nós sabemos como é jogar em casa, jogamos assim e perdemos em 2006. Claro que foi diferente, foi na prorrogação em um jogo muito mais apertado, mas é muita pressão de fora, não é fácil de lidar. Você podia ver neles que foram respeitosos demais. E nós melhoramos ao longo do torneio, hoje [terça] foi nosso melhor dia", disse o zagueiro.
Foi o casamento entre a melhor Alemanha e o pior Brasil, que não viu a cor da bola. "Eu não tenho ideia [do que aconteceu]. Fiquei surpreso pela fluência com que jogamos entre as linhas. Nos gols sempre tinha um homem livre. Quando ganhávamos a bola trocávamos passes muito rápido e isso causava problemas para eles. Nós forçamos eles a cometerem erros", explicou Mertesacker, com precisão.
A Alemanha, o time que mais troca passes no torneio, dominou o meio-campo do Brasil com o trio Schweinsteiger, Khedira e Kroos. Dos cinco gols que decidiram o jogo no primeiro tempo, em nenhum o alemão que marcou estava sendo devidamente marcado. O segundo do jogo, o 16º de Klose na história das Copas, mostra bem o que diz Mertesacker.
Depois de uma troca de passes no meio-campo, a Alemanha avançou rumo à área do Brasil e a movimentação na diagonal permitiu que Klose aparecesse livre dentro da área, atrás da linha da zaga verde-amarela. Quando recebeu a marcação, o centroavante teve a chance de passar para Muller ou girar e bater por conta própria. Optou pela segunda opção e fez.
"Quando você marca assim no começo é um choque positivo para nós e negativo para eles. A expectativa [de jogar em casa] é grande e carregar isso não é fácil. Você sente. Foi tão fluente para nós, todas as segundas bolas eram nossas, os passes funcionaram. Você sente pelo seu oponente, não é fácil", disse Mertesacker, acrescentando alguma compaixão na análise. 

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TRF condena ex-dirigentes do Banco Econômico

Justiça

Ângelo Calmon de Sá e José Roberto Davi de Azevedo foram condenados por evasão de divisas e fraude contra o sistema financeiro nacional

Ângelo Calmon de Sá é ex-presidente do Banco Econômico
Ângelo Calmon de Sá é ex-presidente do Banco Econômico (Fernando Vivas)
O ex-proprietário e ex-presidente do Banco Econômico Ângelo Calmon de Sá e o ex-vice-presidente José Roberto Davi de Azevedo foram condenados nesta terça-feira por evasão de divisas e fraude contra o sistema financeiro nacional. A decisão foi tomada por unanimidade pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Cabe recurso ao Superior Tribunal de Justiça.
Ângelo Calmon de Sá deverá cumprir pena de sete anos de reclusão, inicialmente em regime semiaberto, além de pagar multa. José Roberto Davi de Azevedo foi condenado a oito anos e dois meses de reclusão em regime fechado e também deverá pagar multa, informa o TRF.
Processo – O processo teve início em julho de 2002 na Justiça Federal da Bahia. Calmon de Sá e Azevedo foram absolvidos em primeira instância, mas o Ministério Público Federal (MPF) recorreu da decisão. Agora, o TRF-1 acatou o recurso do MPF contra decisão de primeira instância e conclui que ambos praticaram dolosamente manobras fraudulentas na gestão do Banco Econômico, levando a instituição à falência.
Irregularidades - Segundo a denúncia do MPF, uma empresa estrangeira controlada pelo banco teria atuado irregularmente como instituição financeira no Brasil, contraindo empréstimos, firmando contratos de mútuos com empresas nacionais, comprando e vendendo títulos e moeda estrangeira e remetendo lucros para o exterior. Segundo a acusação, a empresa teria sido criada com o objetivo de efetuar operações fraudulentas, registrando movimentações bilionárias a partir de 1994.
Segundo o relator do processo no Tribunal Regional, o desembargador federal Ney Bello, a conduta dos réus "causou desordem à higidez do Sistema Financeiro, com prejuízos para acionistas, correntistas e para o Banco Central do Brasil". Para magistrado, as provas periciais e constantes de relatórios do Banco Central são suficientes para imputar aos réus "o conhecimento das operações fraudulentas, por meio das empresas que dirigiam, bem como pelos resultados ilícitos narrados na peça acusatória".
Segundo o TRF, diante desses dados, Calmon de Sá e Azevedo são penalmente responsáveis pelos crimes na qualidade de gestores do banco, conforme previsto no artigo 25 da Lei 7.492/1986, que define os crimes contra o sistema financeiro nacional.
(com Estadão Conteúdo)