quinta-feira 12 2014

Canta, Itaquerão! “Ôôôôôô / A Dilma a-ma-re-lou…” Só a torcida mesmo para fazer oposição de verdade

Dilma amarelou slide
Publiquei as notas abaixo originalmente no Facebook, onde já repercutiram à beça mas não resisto a trazê-las para o blog.
I.http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/
VAMOS COMPARTILHAR? Até a Jennifer Lopez vem se apresentar. Dilma, não. AMARELOU. Fez o discurso na TV para não correr o risco de ser vaiada no estádio, como aconteceu no Mané Garrincha, na Copa das Confederações. Vestiu-se de verde para a amarelada não dar na vista. Ela deverá comparecer ao Itaquerão nesta quinta-feira, mas caladinha, quebrando a tradição recente do evento, que contou com declarações de presidentes e primeiros-ministros nas últimas duas décadas. Dilma preferiu mentir longe do público, que bem ou mal sabe que as obras atrasaram, que praticamente nenhum dos estádios foi entregue conforme o prometido, que a transparência nos gastos é falsa, que a Lei de Licitações foi jogada no lixo, que a maioria das obras de mobilidade ficou no papel. [No dia seguinte ao discurso, ainda teve o cinismo de inaugurar um metrô incompleto em Salvador, que está em obra há 14 anos!]
A seleção brasileira nada tem a ver com isso. O PT não é o Brasil. A Copa não é do PT, apesar de todos os desvios. Torça quem é de torcer. Seque quem é de secar. Não dê a mínima quem é de não dar a mínima. Mas que todos se unam em coro contra a presidente amarelona.
No ritmo de “Vamos virar, Mengo“,  antes ou depois dos tradicionais gritos de guerra mais apimentados, um pouco de deboche:
Canta, Itaquerão!
ÔÔÔÔÔÔ
A DILMA AMA-RE-LOU
A DILMA AMA-RE-LOU
A DILMA AMA-RE-LOU… ÔÔÔÔÔÔ (x 1000)
E termina com a vaia: uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuhhhhhhh!
 Até a Jennifer Lopez vem se apresentar. Dilma, não. AMARELOU. Fez o discurso na TV para não correr o risco de ser vaiada no estádio, como aconteceu no Mané Garrincha, na Copa das Confederações. Vestiu-se de verde para a amarelada não dar na vista. Ela deverá comparecer ao Itaquerão nesta quinta-feira, mas caladinha, quebrando a tradição recente do evento, que contou com declarações de presidentes e primeiros-ministros nas últimas duas décadas. Dilma preferiu mentir longe do público, que bem ou mal sabe que as obras atrasaram, que praticamente nenhum dos estádios foi entregue conforme o prometido, que a transparência nos gastos é falsa, que a Lei de Licitações foi jogada no lixo, que a maioria das obras de mobilidade ficou no papel. [No dia seguinte ao discurso, ainda teve o cinismo de inaugurar um metrô incompleto em Salvador, que está em obra há 14 anos!]
A seleção brasileira nada tem a ver com isso. O PT não é o Brasil. A Copa não é do PT, apesar de todos os desvios. Torça quem é de torcer. Seque quem é de secar. Não dê a mínima quem é de não dar a mínima. Mas que todos se unam em coro contra a presidente amarelona.
No ritmo de “Vamos virar, Mengo“, antes ou depois dos tradicionais gritos de guerra mais apimentados, um pouco de deboche:
Canta, Itaquerão!
ÔÔÔÔÔÔ
A DILMA AMA-RE-LOU
A DILMA AMA-RE-LOU
A DILMA AMA-RE-LOU… ÔÔÔÔÔÔ (x 1000)
E termina com a vaia: uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuhhhhhhh!
Outros vídeos inspiradores:
Lula se chama de idiota (sobre a Copa)
Lula se chama de imbecil e ignorante (sobre Bolsa-Família)
II.
Lula leao manso
Como é mansa essa oposição…
Quando é que a oposição política e intelectual brasileira vai parar de dizer que o PT ou os petistas “não entendem” isso e aquilo?
“Lula não entende a democracia”, diz um monte de colunistas liberais e conservadores; Dilma “não entendeu a mensagem das ruas”, diz a nota do PSDB sobre o pronunciamento da presidente. É evidente que eles entendem o que é democracia. É evidente que eles entendem a mensagem das ruas. Eles simplesmente desprezam, ignoram, falsificam, deturpam, distorcem a seu favor, não dão a mínima para qualquer uma das duas e outras tantas coisas, porque só o que lhes interessa é se perpetuar no poder.
Tratar mentirosos profissionais como incompetentes ou, pior ainda, como pessoas que não captaram determinados sentidos – mas que doravante, como se subentende, podem refletir melhor a respeito – é um sintoma incontestável de cumplicidade, palermice, frouxidão e sede de derrota. O Brasil é um país tão doente culturalmente que desmoralizar adversários é algo que passa longe da moral – mesmo quando esses adversários são verdadeiros assassinos de reputações. Quer-se desmoralizá-los apenas com uma linguagem argumentativa técnica, acadêmica, na verdade NERD, empacotada na boa e velha polidez suicida dos amadores.
Será tão difícil assim entender que demonstrar a imoralidade (criminosa) de alguém é mais eficaz do que apontar o seu despreparo? Despreparo, no Brasil petista, é mérito! Ou você mostra que essa gente não presta, ou vai sempre morrer na praia dela.
III.
Em entrevista a uma rádio, Aécio Neves disse: “Hoje o governo federal é criminosamente omisso em relação à segurança pública.”
É pouco. Um governo parceiro das Farc no Foro de São Paulo na verdade não se omite, e sim fomenta, na prática, a criminalidade. Mas ok. Ao menos Aécio usou a palavra “criminosamente”. Já é alguma coisa.
IV.
Às 20h de terça-feira, iluminaram o Cristo Redentor de azul e branco, as cores da Argentina, ao mesmo tempo que o país vizinho iluminava o seu Obelisco de verde e amarelo, com o objetivo de mostrar para o mundo o clima de paz da América do Sul. Fui olhar o Cristo na hora e ele estava completamente encoberto pelas nuvens. Será que Deus é brasileiro e impediu o Filho de passar vergonha?
obelisco_buenosaires_reu_95
cristo_azul_afp_95
V.
Pobre Nelson Rodrigues.
Depois de morto, ainda tem de receber telefonemas de Arnaldo Jabor.
Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil

quarta-feira 11 2014

Leandro Karnal - Entrevista sobre sexualidade





Ex-diretor da Petrobras é preso novamente no Rio

Lavagem

Justiça Federal decretou prisão a partir da descoberta de 23 milhões de dólares em contas atribuídas a Paulo Roberto Costa em bancos na Suíça

Daniel Haidar, do Rio de Janeiro
Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras
Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras (Daniel Castellano/AGP/Folhapress)
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, apontado como um dos pivôs do esquema de lavagem de 10 bilhões de reais descoberto pela operação Lava-Jato, foi preso por volta das 16h desta quarta-feira, em sua casa, no condomínio Rio Mar IX, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná, decretou a prisão preventiva de Costa para prevenir o risco de fuga em função de ter ocultado da Justiça e da CPI do Senado que possuía 23 milhões de dólares depositados em bancos suíços. O pedido foi feito pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal.
"A manutenção de contas secretas no exterior pelo acusado e até o momento ocultadas deste Juízo - e do próprio Supremo Tribunal Federal, além da Comissão Parlamentar de Inquérito instalada perante o Senado Federal - indica também risco à aplicação da lei penal, com a possibilidade do acusado evadir-se do país e ainda fruir do patrimônio ilícito mantido às ocultas no exterior e longe do alcance das autoridades brasileiras", diz a decisão judicial.
Na ordem, o juiz determinou que "deve ser evitado o uso de algemas". "Não se tratando de acusado perigoso, em sentido físico, deve ser evitado o uso de algemas, salvo se verificada a sua necessidade para fins de garantia dos executores da prisão e condutores do preso", afirmou no despacho.
Além dos recursos na Suíça, Costa possui 1,3 milhão de reais, bloqueados pela Justiça, em contas no Brasil. A Justiça Federal avalia que o patrimônio do ex-diretor é incompatível "com a prévia condição de empregado público, ainda que em cargo de diretoria". Reportagem do site de VEJA mostrou que o ex-diretor e familiares gastaram mais de 10 milhões de reais nos últimos cinco anos com compra de imóveis.
O mandado de prisão contra Costa foi expedido pela Justiça a partir de descoberta de força-tarefa do Ministério Público Federal. Os procuradores da república tiveram a informação de que o ex-diretor tinha 23 milhões de dólares – ou cerca de 51 milhões de reais – em bancos suíços. Isso foi verificado após contato com o Ministério Público da Suíça, que rastreou e identificou as contas bancárias. Houve bloqueio administrativo, até o momento, dos valores depositados nas contas suíças.
Autoridades suíças também descobriram no país cerca de 5 milhões de dólares depositados em contas atribuídas a parentes do ex-diretor. As duas filhas de Costa, Arianna e Shanni Bachmann, e os genros Márcio Lewkowicz e Humberto Mesquita seriam os donos dos recursos. Um dos comparsas do doleiro Alberto Youssef, João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado, também foi identificado como um dos beneficiários de contas na Suíça. 
O trabalho de cooperação internacional do Ministério Público Federal constatou que os valores movimentados pelo ex-diretor e familiares estavam em nome de empresas off-shore, tais como White Candle Invest SA, Quinus Services SA, Omega Partners SA, International Team Enterprise Ltd, entre outras. Os procuradores da república desconfiam que Costa possa ter contas em outros países.
A partir de agora, o Ministério Público Federal pretende pedir à Justiça Federal do Paraná o bloqueio judicial dos valores encontrados no exterior. 
Há cerca de um mês, o ministro Teori Zavascki, do STF, havia determinado, em decisão liminar, a liberdade do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e suspendido todos os inquéritos relacionados à operação policial e às ações penais abertas na Justiça Federal do Paraná contra os investigados, entre eles o doleiro Alberto Youssef, pivô do megaesquema de lavagem de dinheiro.
Um dia depois, no entanto, Zavascki recuou de sua decisão e manteve as prisões de Alberto Youssef e de outros investigados na operação policial. Apenas Paulo Roberto Costa permaneceu em liberdade. Nesta terça-feira, a Segunda Turma do STF -formada por Zavascki, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia- determinou que todos os inquéritos e processos originados pela operação Lava-Jato retomem o andamento na Justiça Federal do Paraná. Apenas o trecho das investigações que cita o ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados André Vargas (ex-PT) continuará na mais alta Corte do país, porque o parlamentar tem foro privilegiado. 

Sete organizações prometem atos no dia da abertura da Copa

São Paulo

Protesto programado para esta quinta, com a participação de sete organizações, terá início às 10 horas na Estação Carrão do metrô e tem como destino o Itaquerão

Protesto contra a Copa do Mundo na Granja Comary
Protesto contra a Copa do Mundo na Granja Comary (AFP)
A dois dias da abertura da Copa do Mundo, promessas de realizar atos contra o evento continuam e, embora o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que mobilizou mais de 10.000 pessoas nos dois últimos atos em São Paulo, tenha descartado protestar na Copa, pelo menos outras sete organizações ou coletivos programam ações justamente para a abertura do Mundial.
O "Grande Ato 12 de Junho Não Vai ter Copa", foi organizado por seis coletivos e está marcado para as 10 horas desta quinta-feira, em frente à estação Carrão da linha 3-Vermelha do metrô, na Zona Leste de São Paulo. Os manifestantes devem traçar um percurso de onze quilômetros, até chegar ao Itaquerão, palco da abertura do Mundial. Caso a passeata ocorra de fato, a principal via de acesso ao estádio, a Radial Leste, sofrerá com o congestionamento no período em que o deslocamento de carros e ônibus para o local promete ser mais intenso.
"Existe a possibilidade de seguirmos para lá, mas isso ainda vai ser decidido", afirmou Paulo Spina, do grupo Fórum Popular de Saúde do Estado de São Paulo, um responsáveis pela organização do ato. "O objetivo é protestar, sem violência, pela pauta de direitos sociais. Pretendemos fazer outros atos durante a Copa, mas ainda não temos mais detalhes", afirmou Spina.
Spina disse ainda que os atos podem também procurar apoio dos metroviários, que suspenderam a greve na noite desta segunda-feira. "Vamos tentar unificar os diversos coletivos, até mesmo ter apoio dos metroviários". Os grupos previstos para integrar o ato desta quinta são os coletivos Contra Copa 2014, Território livre, Anonymous Brasil, Não Vai Ter Copa e Partido Pirata.
Festa junina - O grupo Comitê Popular da Copa de São Paulo, que promoveu o ato "Dia Internacional de Lutas Contra a Copa" na Avenida Paulista em 15 de maio, marcou outro ato para a abertura da Copa, o "Manifesta Junina". Será realizado na Ocupação Mauá, na Luz, Região Central da cidade.
"Zona livre é do povo, outro futebol é possível: sem empresas patrocinadoras, sem estádios com sangue operário, sem zona de exclusão, sem polícia e sem catracas", reivindica o evento no Facebook. De acordo com os organizadores, além da festa junina na rua, haverá narração alternativa do jogo do Brasil, intervenções teatrais, banda de forró, quadrilha e brincadeiras típicas.
(Com Estadão Conteúdo)

Na TV, Dilma usa Copa para atacar adversários

Eleições 2014

Foi mais uma exibição da presidente-candidata, que criticou os "pessimistas". Oposição promete ir ao TSE para pedir punição por propaganda eleitoral antecipada

Gabriel Castro, de Brasília
Dilma Rousseff faz pronunciamento sobre a Copa no Brasil
Dilma Rousseff faz pronunciamento sobre a Copa no Brasil (Reprodução)
Dilma Rousseff, a presidente-candidata, fez nesta terça-feira um discurso em cadeia de rádio e televisão para comemorar a chegada da Copa do Mundo - e, claro, se promover utilizando as prerrogativas do cargo. Dilma falou por dez minutos e fez afirmações que suscitaram críticas imediatas de opositores.
Ignorando as muitas obras que não ficaram prontas a tempo (e as que ficaram às custas de muito dinheiro desperdiçado), ela celebrou o início do torneio esportivo e atacou os críticos, que chamou de "pessimistas". "Os pessimistas diriam que não teríamos Copa porque não tínhamos estádios. Os estádios estão aí, prontos. Diziam que não teríamos Copa porque não teríamos aeroportos. Praticamente dobramos a capacidade dos nossos aeroportos", disse ela.
Dilma também se dirigiu aos insatisfeitos com os elevados gastos do governo com a realização da Copa: "É preciso olhar os dois lados da moeda. A Copa não representa apenas gastos, ela traz receitas para o país", afirmou, antes de dizer que os jogos geram negócios e criam empregos.
A presidente também tentou adaptar seu discurso para agradar o coro preocupado com os casos de corrupção que podem se proliferar diante dos gastos com o torneio mundial. Ela disse que as despesas estão sendo fiscalizadas pelos órgãos de controle, e que eventuais autores de irregularidades serão punidos rigorosamente.
Dilma Rousseff não perdeu a oportunidade de listar alguns de seus programas de governo, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A reação da oposição foi imediata: o PSDB anunciou que vai pedir que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) puna a presidente por propaganda eleitoral antecipada.
Candidata - Dilma passou esta terça-feira em "modo" candidata: de manhã, ela foi à convenção do PDT que referendou o apoio do partido à reeleição da presidente. De tarde, ela esteve em outra convenção, do PMDB, que, apesar de dividido, também assegurou a continuidade da aliança com o PT no plano nacional. Em ambos os casos, Dilma utilizou a retórica de candidata para fazer ataques à oposição e afirmar que só o PT pode manter o Brasil nos trilhos.
(Com Estadão Conteúdo)

terça-feira 10 2014

Problemas do Brasil são manchete no 'New York Times'

EUA

Jornal americano cita alto custo da Copa, economia com lento crescimento, insatisfação popular com o torneio e greve dos metroviários em reportagem

Brasil é manchete no site do New York Times
Brasil é manchete no site do New York Times (Reprodução)
O Brasil foi destaque nesta segunda-feira no site do jornal americano New York Times, que colocou em sua manchete uma reportagem em que citava o clima de insatisfação popular com a Copa do Mundo e outros tantos problemas que têm ocorrido no país a três dias do início do Mundial. O diário americano chama a atenção para a greve dos metroviários em São Paulo, cidade-sede da abertura entre Brasil e Croácia, no dia 12, e os confrontos com policiais em algumas estações.
A reportagem cita as manifestações de junho do ano passado como mostra do descontentamento com o governo e questiona o investimento em estádios em Brasília e Manaus, por exemplo, cidades sem grandes clubes no futebol e com média baixa de público nas partidas. Mesmo com as adversidades, o NYT cita os Jogos Pan-Americanos de 2007 e a Jornada Mundial da Juventude como eventos que mostraram a tradição do país em receber bem os estrangeiros.
Segundo a reportagem, o desfecho da competição pode se tornar fator determinante na disputa das eleições em outubro. O alto custo do torneio, que pode chegar a 30 bilhões de reais e é motivo de diversas manifestações, também é citado como um problema que a presidente Dilma Rousseff terá de contornar na tentativa da reeleição. 

PMDB deve confirmar apoio a Dilma nesta terça – a fatura virá depois

Eleições 2014

Convenção Nacional do partido confirmará apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff, com Michel Temer na vice

Marcela Mattos, de Brasília
 Dilma Rousseff durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no Palácio do Planalto, em Brasília
Dilma Rousseff durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no Palácio do Planalto, em Brasília(Reuters)
Pivô de uma série de rebeliões no Congresso Nacional, o PMDB caminha para confirmar, em Convenção Nacional nesta terça-feira, a reedição da aliança com a presidente Dilma Rousseff na corrida eleitoral deste ano. Mesmo rachado, o partido que comandou a criação de um grupo de dissidentes deve bater o martelo pelo apoio à reeleição de Dilma. Com a dobradinha, a petista terá o tempo de propaganda eleitoral ampliado em cerca de seis minutos. Mas o benefício não sairá de graça: em troca, os peemedebistas devem aumentar a pressão por – mais – cargos influentes no governo.
Nos últimos dias, o vice-presidente da República, Michel Temer, disparou telefonemas para fazer apelos pela manutenção da aliança com Dilma. Nesta segunda-feira, ele compareceu à Câmara dos Deputados para mais uma investida. “Quem for convencional, evidentemente eu peço voto. Quem não for, faça uma boca de urna”, clamou durante convenção do PMDB Afro.
Os mais próximos a Temer, entre eles o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e o presidente em exercício do partido, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), projetam que a coligação com a petista receberá o aval de 70% a 80% dos delegados. No entanto, cálculos feitos pela ala rebelde da sigla estimam que a briga deve ser acirrada: há a expectativa de 340, em um universo de 742, votos de dissidentes. “Deputado, quando é eleito, é até por diferença de dois votos. Para nós, basta a vitória”, rebateu Temer.
Em uma aliança marcada pelo fisiologismo e pela recorrente ameaça de rompimento, o preço pelo apoio dos peemedebistas já está posto. No comando de cinco ministérios, o partido pleiteia uma pasta mais robusta, como Saúde e Integração. Além disso, o PMDB busca maior visibilidade dentro do governo, participando de secretarias prioritárias e ingressando com maior representatividade na campanha eleitoral.
“O sentimento da base partidária não é o da cúpula. A cúpula se moldou ao modelo petista e tem participado do banquete, mas não pode sacrificar a base do partido. Isso vai potencializar ainda mais a dissidência interna. Mais quatro anos de Dilma é a transformação do Brasil em um país sem crédito. Ninguém pode deixar que a pecha do fisiológico e do patrimonialismo de novo venha a macular a imagem do PMDB”, afirmou o deputado Danilo Forte (CE), um dos que defendem o rompimento com o governo petista. Nos bastidores, nem mesmo a promessa de mais espaço no alto escalão tem convencido os parlamentares descontentes: “Por que agora as coisas seriam diferentes? A Dilma precisa da gente agora, mas mesmo assim não cumpre o que promete. Depois ela não vai poder se reeleger e nada vai mudar”, diz um deputado peemedebista.
A crise chegou ao auge neste ano. Com o líder na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), à frente, o partido articulou a união de parlamentares descontentes para pressionar o Planalto sob a ameaça de derrotar projetos prioritários. Mais: Cunha protagonizou um embate virtual com o presidente nacional do PT, Rui Falcão, por meio do Twitter. O parlamentar carioca defendeu que a aliança com o partido deveria ser repensada, e foi chamado de “chantagista” pelo dirigente petista.
Alianças – Além das disputas internas, as alianças estaduais têm grande peso nos votos desta terça. O PMDB planeja consolidar até vinte candidaturas próprias nas eleições deste ano, e eleger pelo menos dez governadores, de acordo com Valdir Raupp. São justamente os votos oriundos de Estados onde o PT também está no páreo que tendem a questionar a aliança com Dilma. Entre eles está o Rio de Janeiro, que teve o apoio informal dos peemedebistas declarado na semana passada. O voto no Estado representa 10% do total na convenção de hoje. Os partidos também estão divididos em pelo menos outros treze Estados, como Bahia e Minas Gerais.
Mesmo gripada, a presidente decidiu fazer um afago nos peemdebistas e confirmou presença na convenção. No entanto, para fugir de possíveis constrangimentos de estar diante de discursos inflamados contra a aliança, Dilma só deve chegar no final do evento, quando o resultado já tiver sido anunciado.