domingo 09 2014

Clint Eastwood salva um homem e se torna herói aos 82

Gente

O ator e cineasta impediu a asfixia de um executivo em um torneio de golfe

Clint Eastwood
Clint Eastwood aplicou manobra de Heimlich, que consiste em agarrar a pessoa engasgada pelas costas e puxá-la contra o corpo (Fred Prouser/Reuters)
O ator e cineasta americano Clint Eastwood, famoso por seus papéis de justiceiro no cinema, tornou-se um herói na vida real nesta semana, ao salvar um homem de asfixia em Carmel, na Califórnia, cidade onde foi prefeito.
Eastwood, 83 anos, participava de uma festa em homenagem aos voluntários do torneio de golfe AT&T Peeble Beach National Pro-Am, quando notou que o organizador do evento, Steve John, engasgou com um pedaço de queijo. O protagonista de Os Imperdoáveis aplicou a chamada manobra de Heimlich, um método de desobstrução das vias aéreas que consiste em agarrar a pessoa engasgada pelas costas, deixando os punhos entre o abdome e as costelas, e puxá-la contra o corpo.
"Clint salvou a minha vida", disse Steve John ao jornal Carmel Pine Cone. "Não conseguia respirar. Clint veio por trás de mim e sabia perfeitamente o que fazer." O ator e diretor disse à publicação que percebeu nos olhos de John "o pânico daqueles que sabem que estão morrendo. Pressionei três vezes, e o queijo saiu. Depois, fiz ele beber um copo grande de água, com um pouco de limão espremido." Eastwood afirmou que nunca havia colocado manobra em prática, apenas treinado. 
(Com agência France-Presse)

Os longas que devem sacudir a Berlinale 2014

Veja.Com


'O Grande Hotel Budapeste'


A assinatura de Wes Anderson, diretor de Moonrise Kingdom (2012) e Os Excêntricos Tennenbaums(2001), explica o elenco invejável reunido para seu oitavo longa-metragem: Ralph Fiennes, Mathieu Amalric, Adrien Brody, Willem Dafoe, Jude Law, Harvey Keitel, Edward Norton, além de figuras frequentes em sua obra, como Owen Wilson, Tilda Swinton e Bill Murray. Na trama, as aventuras de Gustave H (Ralph Fiennes), concierge de um hotel europeu no período entre guerras. O Grande Hotel Budapeste está em competição.


'Yves Saint Laurent'

O filme dirigido por Jalil Lespert, que participa da seção não-competitiva Panorama, começa em 1957, quando o estilista (interpretado por Pierre Niney) consegue a posição de assistente de Christian Dior, aos 21 anos. Com a morte de Dior, ele assume a direção criativa da grife. Algum tempo depois, conhece Pierre Bergé (Guillaume Gallienne), seu grande amor, com quem funda a marca Yves Saint Laurent. O longa mostra a sua evolução como estilista, mas também seus conflitos e suas crises. 

'Expresso do Amanhã'

O diretor sul-coreano Boon Joon-ho, de O Hospedeiro (2006) e Mother – A Busca pela Verdade (2009), faz sua estreia em inglês com esta produção baseada nos quadrinhos do francês Jean-Marc Rochette. A história se passa em uma Terra pós-apocalíptica, onde os sobreviventes são condenados a passar seus dias em um trem que anda em círculos. No elenco, estão Chris Evans (o Capitão América), Ed Harris, Jamie Bell, Tilda Swinton e John Hurt. Fora de competição, o longa será exibido na seção Fórum.

'Caçadores de Obras-Primas'

George Clooney pode tudo, inclusive reunir um elenco de estrelas (Matt Damon, Cate Blanchett, Bill Murray, Jean Dujardin, John Goodman, Bob Balaban) para seu quinto longa-metragem. Eles contam uma história pouco conhecida sobre a Segunda Guerra Mundial: como um grupo de especialistas recrutados pelos Aliados percorreu a Europa atrás de obras de arte roubadas pelos nazistas, um assunto que provoca muita disputa ainda hoje. O longa é baseado no livro Caçadores de Obras-Primas - Salvando a Arte Ocidental da Pilhagem Nazista, de Robert M. Edsel, lançado aqui pela Rocco. Apesar de estar na seleção principal do festival, o filme não compete pelo Urso de Ouro.

'O Homem das Multidões'

O filme dirigido em parceria pelo pernambucano Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus e Era uma Vez Eu, Verônica) e o mineiro Cao Guimarães (A Alma do OssoAndarilho) é exibido na seção Panorama. O Homem das Multidões mostra o relacionamento entre dois solitários: Juvenal (Paulo André), um condutor do metrô Belo Horizonte que vive sozinho mesmo quando cercado de gente, e sua supervisora, Margô (Silvia Lourenço), viciada em redes sociais. 

'Ninfomaníaca Vol. 1'

Quem foi assistir ao filme de Lars Von Trier em cartaz no Brasil sabe: há um aviso do diretor dinamarquês dizendo que aquela não é a sua versão. Com 122 minutos de duração, ela tem 23 minutos a menos do que a “versão do diretor”, que vai ser exibida, fora de competição no Festival de Berlim. Na produção, Joe (Charlotte Gainsbourg, em seu terceiro trabalho com o cineasta, depois de Anticristo eMelancolia) conta a um homem (Stellan Skarsgard, outro ator frequente dos longas de Von Trier) suas aventuras sexuais. 

'A Long Way Down'

Nesta adaptação de Pascal Chaumeil para o romance Uma Longa Queda, do inglês Nick Hornby, quatro suicidas se encontram no topo de um prédio em Londres, dispostos a se jogar dali por razões diferentes: Martin (Pierce Brosnan) é um apresentador de talk-show alcoólatra, Maureen (Toni Collette), uma dona de casa cansada de cuidar do filho com problemas, JJ (Aaron Paul, de Breaking Bad) é um roqueiro fracassado, e a jovem Jess (Imogen Poots) é uma rebelde. Depois de alguma conversa, os quatro firmam um pacto de não se matar por outras seis semanas. Fora de competição, o filme será exibido em uma sessão de gala especial. 

'Aimer, Boire et Chanter'

O veterano Alain Resnais, autor de obras-primas do cinema mundial como Hiroshima Mon Amour(1959) e o vencedor do Leão de Ouro em Veneza O Ano Passado em Marienbad (1961), volta a adaptar uma peça do inglês Alan Ayckbourn, depois de Smoking/No Smoking (1993) e Medos Privados em Lugares Públicos (2006). Agora, a ação se passa nos ensaios de um espetáculo teatral, em que os atores recebem a notícia de que um velho amigo está muito doente. O longa disputa o Urso de Ouro.

'Hoje eu Quero Voltar Sozinho'

Vencedor do prêmio Urso de Cristal, dado aos melhores da mostra Geração no Festival de Berlim, com o curta-metragem Café com Leite, o paulistano Daniel Ribeiro volta ao evento na seção Panorama, com seu primeiro longa-metragem, Eu Não Quero Voltar Sozinhouma expansão de seu curta. O protagonista é Leo (Guilherme Lobo), um adolescente cego, inseparável de Giovana (Tess Amorim) – até a chegada de Gabriel (Fabio Audi), um novo aluno que desperta emoções confusas nele e o ciúme da melhor amiga.

'Praia do Futuro'

O cearense Karim Aïnouz é o responsável por colocar o Brasil novamente na disputa pelo cobiçado Urso de Ouro com essa coprodução com a Alemanha. Donato (Wagner Moura) é um salva-vidas da Praia do Futuro, em Fortaleza, que se apaixona pelo turista alemão Konrad (Clemens Schick) ao resgatá-lo do mar. Ele se muda para Berlim, onde consegue se reinventar, até ser confrontado por Ayrton (Jesuita Barbosa), seu irmão mais novo, alguns anos mais tarde. 

'Boyhood'

Diretor da trilogia Antes do Amanhecer (1995), Antes do Pôr do Sol (2004) e Antes da Meia-Noite (2013), Richard Linklater juntou um mesmo elenco desde 2002 para filmar este projeto, que está em competição. Ele segue o crescimento do menino Mason (Ellar Coltrane) desde seus primeiros anos de escola até sua entrada na universidade, enquanto ele lida com os pais divorciados (Ethan Hawke e Patricia Arquette) e com uma irmã irritante. O longa disputa o Urso de Ouro.

'Untitled The New York Review of Books Documentary'

Apresentado como trabalho em progresso, o documentário de Martin Scorsese e David Tedeschi fala da publicação The New York Review of Books, fundada durante a greve do jornal The New York Times em 1963. A publicação acompanhou as grandes discussões das últimas décadas, como os direitos humanos, a discriminação racial, as guerras do Vietnã e do Iraque, a queda do comunismo, os movimentos feministas. Além de fotos e imagens raras, há entrevistas com gente como Norman Mailer e Susan Sontag, entre outros. 

Festival de Berlim começa com tom político

Cinema

Início do evento reúne filmes bons, com destaque para 'O Grande Hotel Budapeste', um dos melhores de Wes Anderson

Mariane Morisawa, de Berlim
Diretor Wes Anderson durante a apresentação do filme ‘O Grande Hotel Budapeste’, no festival de Berlim, na Alemanha
Diretor Wes Anderson durante a apresentação do filme ‘O Grande Hotel Budapeste’, no festival de Berlim, na Alemanha(Andreas Rentz/Getty Images)
Se até o filme de Wes Anderson na competição tem conotações políticas, imagine o resto. Mas no Festival de Berlim é assim mesmo: as produções de cunho político ou social dominam a briga pelo Urso de Ouro. Pelo menos, os primeiros concorrentes desta edição foram dignos e, alguns, bem interessantes mesmo – O Grande Hotel Budapeste é um dos melhores trabalhos de Anderson, o que quer dizer bastante. Mas ainda não surgiu nada que se possa chamar de arrebatador.

Tirando Wes Anderson, o melhor da primeira leva é o inglês ‘71, do estreante em longas Yann Demange. O filme volta ao auge do conflito entre católicos e protestantes em Belfast. O protagonista é Gary Hook (Jack O’Connell, uma das promessas deste ano), um garoto que, mal terminado seu treinamento como soldado, é mandado para a capital da Irlanda do Norte. Em uma batida em residências católicas, o que era para ser fácil se torna impossível diante da revolta dos moradores. Gary fica perdido em território inimigo. Demange cria uma atmosfera de terror, em que o protagonista nunca sabe de onde vem o perigo. Nas cenas da revolta popular, ele usa a câmera na mão, balançando mesmo – chega a dar náuseas, mas coloca o espectador ao lado de Gary. Também toma cuidado para não transformar nenhum dos lados em mocinho ou vilão. São ambos nebulosos. Há cenas que beiram o inverossímil (seria difícil acontecer tudo com uma mesma pessoa em uma única noite), mas o carisma do ator e a tensão sustentada por todo o filme compensam a falha.

O terceiro longa-metragem da competição foi o alemão Jack, de Edward Berger. O personagem-título é um garoto de dez anos (o ótimo Ivo Pietzcker) responsável por cuidar de si mesmo e do irmão menor, Manuel (George Arms, que parece o Pequeno Príncipe). A mãe, Sanna (Luise Heyer), é solteira e quer mais saber dos namorados do que dos filhos. Quando está com os meninos, é ótima. Mas frequentemente os deixa sozinhos. Um dia, Manuel se queima na água quente da banheira. Jack é culpado e levado para uma espécie de reformatório. Triste, solitário, ele acaba fazendo uma besteira e foge. Mas sua mãe não está em casa, e os dois meninos passam dias perambulando pelas ruas. Jack bebe na fonte dos irmãos Dardenne (O Garoto de Bicicleta e A Criança). É econômico e bem resolvido, mas não conta nada exatamente novo.

Já o francês Rachid Bouchareb apresentou La Voie de L’Ennemi (ou, em inglês, Two Men in Town, “Dois homens na cidade”, na tradução livre), uma coprodução entre França, Argélia, Estados Unidos e Bélgica baseada num thriller de 1973 do roteirista e diretor francês José Giovanni. A história foi transposta para os EUA, mais precisamente para o Novo México. William Garnett (Forest Whitaker) acaba de sair em condicional, depois de 18 anos preso pelo assassinato de um policial. Na cidadezinha em que se passa o filme, ele recebe ajuda de uma nova agente que acompanha a sua condicional (Brenda Blethyn). Mas a sua segunda chance vai ser atrapalhada pelo xerife (Harvey Keitel), incapaz de perdoá-lo pela morte do colega, embora sinta compaixão pelos mexicanos que atravessam a fronteira, e ainda vai ser pressionado pelo amigo Terence (Luis Guzmán) a voltar para o crime.

Bouchareb captura o clima tenso na região de fronteira dos Estados Unidos com o México e discute com competência o sistema prisional americano e a real possibilidade de um criminoso se regenerar, mas também não é “o” filme da competição.

O segundo concorrente da casa, Die Geliebten Schwestern (As irmãs amadas, em tradução literal), volta de Dominik Graf à direção de longas após oito anos, conta uma história de amor entre as irmãs Charlotte von Lengefeld (Henriette Confurius) e Caroline von Beulwitz (Hannah Herzprung) e entre as duas e o poeta Friedrich Schiller (Florian Stetter), um dos maiores da língua alemã no século XVIII. As duas faziam parte da aristocracia turíngia (com capital em Weimar), mas ficaram sem dinheiro após a morte do pai. Caroline se casou pela fortuna do marido, mas era infeliz. As duas, que juraram dividir tudo, dividiram inclusive Schiller, que se casou com Charlotte para disfarçar o triângulo. Claro que as coisas foram azedando com o tempo. Em vez de seguir o caminho mais óbvio, de fazer uma biografia do poeta, o longa se detém nos complicados relacionamentos entre as mulheres (além das irmãs, também há a mãe das duas, Louise). E tem o mérito de mostrar um mundo em transformação, em que a aristocracia perdia força sob os ventos das revoltas pré-Revolução Francesa.

Die Geliebten Schwestern apresenta uma história bastante curiosa, mas nem sempre aseu uso aparentemente irônico dos clichês do melodrama cai bem aos olhos de quem vive no século XXI. Em alguns momentos, o espectador fica na dúvida se é uma brincadeira com o gênero ou se tudo não passa mesmo de uma novela ruim.  

Sob pressão, João Paulo Cunha renuncia a mandato

Por Eduardo Bresciani e Daiene Cardoso, estadao.com.br
Preso na Papuda, deputado poderia enfrentar processo de cassação; em carta, ele afirma que toma a decisão 'com a consciência do dever cumprido'





BRASÍLIA - (atualizado às 22h21) O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), preso desde terça-feira por sua condenação no processo do mensalão, renunciou ao mandato na noite desta sexta-feira, 7. Em uma carta curta encaminhada à Câmara, o parlamentar diz que deixa a função "com a consciência do dever cumprido".
"É com a consciência do dever cumprido e baseado nos preceitos da Constituição Federal e no Regimento Interno da Câmara dos Deputados que eu renuncio ao meu mandato de deputado federal", diz João Paulo.
A carta tem ainda uma citação do escritor e jornalista cubano Leonardo Padura: "...pois a dor e a miséria figuram entre aquelas poucas coisas que, quando repartidas, tornam-se sempre maiores".
João Paulo foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 9 anos e 4 meses de prisão durante o julgamento do mensalão pelos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Ele foi acusado de receber dinheiro do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, o operador do mensalão, e de participar de um esquema de desvio de verba pública quando era presidente da Câmara dos Deputados, no início do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O petista ainda poderá reverter a condenação por lavagem de dinheiro, pois a condenação aconteceu numa votação apertada entre os ministros do Supremo. Com isso, ele terá um embargo infringente julgado pelo plenário da Corte. Agora, ele está na prisão da Papuda, em Brasília, cumprindo 6 anos e 4 meses referentes aos dois outros crimes para os quais não cabe mais recurso. Como a pena total não chega a oito anos, ele poderá ser transferido para o regime semiaberto, em que é possível trabalhar durante o dia após autorização judicial.
Parte dos condenados do mensalão já presos conseguiu o benefício. Anteontem, João Paulo chegou a pedir à Justiça para cumprir o mandato, trabalhando como deputado na Câmara. O pedido não chegou a ser avaliado pela Justiça.
Com a renúncia do petista, os quatro deputados condenados no mensalão agora são ex-parlamentares. Tão logo tiveram suas prisões anunciadas, Pedro Henry (PP-MT), José Genoino (PT-SP) e Valdemar Costa Neto (PR-SP) renunciaram ao cargo, todos temendo o processo de cassação na Câmara.
João Paulo também estava ameaçado de ser cassado. Os deputados estudavam a possibilidade de abrir o processo interno já na semana que vem.
A oposição, temendo que os aliados do petista tentassem retardar o processo, chegou a ameaçar obstruir as sessões da Casa a fim de pressionar os colegas a cassarem o petista. "Vamos endurecer, obstruir tudo", avisou ontem o novo líder da minoria, deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), antes da renúncia de João Paulo ser anunciada.
A renúncia de João Paulo encerra a polêmica sobre a cassação de mandatos após condenação, pelo menos no caso do mensalão. O Supremo tinha a tese de que a perda de mandato era automática, sem que fosse necessária uma avaliação do plenário. A Câmara, porém, insistia em colocar os casos em votação. Com as renúncias, não foi necessário.

Pizzolato fez testamento para garantir morte secreta

 Por ANDREZA MATAIS, estadao.com.br
Enquanto produzia documentos falsos para assumir a identidade do irmão morto, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique...





Enquanto produzia documentos falsos para assumir a identidade do irmão morto, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato registrou em cartório orientação para que sua morte, quando ocorrer, seja mantida em sigilo. No documento, de 24 de abril de 2009, Pizzolato informa não querer "velório, homenagem, celebração nem missa de sétimo dia". Pede, ainda, que seu corpo "seja cremado o mais rápido possível e que suas cinzas sejam jogadas no mar."
Pizzolato justifica no testamento que "não deseja que pessoas fiquem tristes e enlutadas" com sua morte. Com esse procedimento, o atestado de óbito seria a única comprovação de uma suposta morte de Pizzolato. A existência do testamento, registrado em cartório no Rio de Janeiro, foi revelada na edição de sexta-feira do jornal Correio Braziliense.
Pizzolato fugiu do Brasil no dia 11 de setembro de 2013 rumo à cidade de Maranello, na Itália, cerca de dois meses antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) decretar sua prisão pela condenação no processo do mensalão. Uma ação conjunta das polícias brasileira, italiana, espanhola e argentina revelou que ele viajou usando a identidade de Celso Pizzolato, seu irmão morto há quase três décadas.
O ex-executivo deu todos os passos que lhe possibilitariam assumir a identidade do irmão. Reativou RG, CPF, passaporte, declaração de imposto de renda e título de eleitor. Pizzolato, conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), chegou a votar em nome do irmão morto nas eleições municipais de 2008.
Ao fazer o testamento, Pizzolato atestou que se encontrava "em seu perfeito juízo e no uso pleno de suas faculdades mentais e inteligência". Informou que vive há 29 anos com Andréa Eunice Haas (a união não foi oficializada) e que deixa para a mulher em caso de morte um apartamento no Rio de Janeiro, sua aposentadoria do fundo de pensão dos servidorores do Banco do Brasil e, em caso de falecimento do seu pai, a totalidade de seus bens não listados no testamento.
As testemunhas do testamento são um casal que tem ajudado Pizzolato a apresentar sua defesa, mesmo após a fuga. Alexandre Cesar Costa Teixeira e Marta Alfonço Teixeira não foram localizados pelo Grupo Estado.
Investigação
A Polícia Federal informou que vai investigar se houve anuência de seus servidores na emissão de um passaporte brasileiro em nome de um morto, Celso Pizzolato, apenas se forem encontrados indícios de envolvimento dos agentes. A investigação, conforme a PF, tem como foco o uso de documentos falsos por Pizzolato, incluindo o passaporte brasileiro.
Contudo, se essa análise levar ao entendimento de que policiais federais ajudaram na farsa será instaurado um processo administrativo. A direção da PF em Brasília ficou insatisfeita com a divulgação para a imprensa de que Pizzolato conseguiu emitir um passaporte em nome do irmão morto, o que expôs fragilidade de um sistema de responsabilidade da Polícia Federal.

Removida delegada que apura ligação de Lula com mensalão

Por ANDREZA MATAIS, estadao.com.br

Responsável pelo inquérito que investiga a suposta participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquema...





Responsável pelo inquérito que investiga a suposta participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquema do mensalão, a delegada Andrea Pinho foi removida do cargo nesta sexta-feira, 7. O inquérito que tem Lula como alvo será tocado por outro delegado, ainda não designado que pode pedir novas diligências ou o arquivamento do caso.
Pinho, que era delegada substituta da delegacia de crimes financeiros, foi transferida para a divisão de desvio de recursos públicos. Ela passará a despachar na sede da Polícia Federal em Brasília, mesmo prédio onde trabalha o diretor-geral, Leandro Daiello, que assina sua remoção, e não mais na superintendência da Polícia Federal no DF.
A delegada foi responsável pela Operação Miqueias que desarticulou um esquema de desvio de recursos de fundos de previdência municipais em vários Estados. Novata, Pinho foi escalada para tocar a operação de maior visibilidade no segundo semestre do ano passado, o que foi interpretado por colegas na PF como uma forma de lhe dar atribuições em meio às investigações sobre o ex-presidente Lula.
O inquérito sobre Lula foi aberto a partir de um novo depoimento prestado pelo operador financeiro do mensalão, o publicitário Marcos Valério, que implicou o ex-presidente e outros petistas. Revelado com exclusividade pelo jornal O Estado de S.Paulo, no depoimento Valério afirmou que Lula tinha conhecimento do esquema que resultou na condenação de 25 pessoas, entre elas José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, José Genoíno, ex-presidente do PT e João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara pelo PT. O inquérito tramite sob sigilo.

Lula ataca ministros do STF - Em Ribeirão Preto, ex-presidente fez defesa veemente do PT e de filiados condenados

Por GUSTAVO PORTO E RICARDO GALHARDO, estadao.com.br
Em Ribeirão Preto, ex-presidente fez defesa veemente do PT e de filiados condenados





O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez em Ribeirão Preto (SP), uma defesa veemente do PT e dos filiados que foram presos após serem condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no escândalo do mensalão. "O nosso partido está sofrendo; temos companheiros presos, somos solidários e queremos justiça." Lula ainda atacou, sem citá-los nominalmente, os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, do STF, por eles terem feitos declarações públicas sobre o processo após a condenação dos réus.
Em relação a Mendes, que declarou que doações feitas para o pagamento de multas de petistas condenados e presos poderiam ser fruto de lavagem de dinheiro, Lula disse que "o grande papel do ministro da Suprema Corte é falar nos autos do processo e não falar para a televisão o que ele pensa", disse. "Se quer fazer política, que entre para um partido", completou Lula, que participa do lançamento da "Caravana Horizonte Paulista", marco do início da pré-campanha do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha ao governo de São Paulo.
Para Barbosa, indicado por Lula ao STF, o petista comentou: "Quando você indica alguém, você está dando um emprego vitalício e o cidadão, quando quer fazer política, diga (...) não aceito ser ministro, vou ser deputado, entrar para um partido político e mostrar a cara".
Lula cobrou julgamento justo, pediu que os eventuais culpados pagassem, "desde que haja provas", e garantiu que "foi nosso partido que não deixou sujeira embaixo do tapete". Lembrou até mesmo do ex-presidente da República e ex-prefeito de São Paulo Jânio Quadros, que tinha como símbolo uma vassoura. "São Paulo já teve candidato que andava com vassourinha para jogar sujeira embaixo do tapete, mas nós escancaramos a transparência no País".
O ex-presidente classificou o PT como "um dos maiores partidos de esquerda do mundo, sem dogmas", cujo compromisso, segundo ele, é ser ético e querer lutar para que as pessoas mais humildes conquistem cidadania. "Não fizemos tudo que poderíamos ter feito, mas vamos fazer ainda mais. Entendemos mais de povo que os tucanos e ninguém fez mais por esse País do que o Partido dos Trabalhadores".
Após comentar que se empenhará para reeleger a presidente Dilma Rousseff e dizer que dedicará mais tempo à política e às eleições, Lula rebateu as críticas da oposição e de analistas à política econômica e ao crescimento da dívida bruta do País.
"Querem o aumento do desemprego para baixar a inflação e agora falam em dívida bruta, que nunca foi utilizada no discurso. Estão incomodados porque o governo colocou dinheiro do tesouro do BNDES na Caixa Econômica e no Banco do Brasil", afirmou. "O dia que o PT governar o Brasil e o Estado de São Paulo, a gente vai fazer muito mais que a gente já fez", concluiu Lula, antes de elogiar Padilha e considerá-lo o mais bem preparado do partido para a disputa eleitoral no Estado.