domingo 08 2013

Mandela nunca teve nada a ver com lulas e dilmas


O “Elogio de Mandela”, assinado por Mario Vargas Llosa, condensa a deslumbrante trajetória de um dos maiores estadistas da história em apenas 13 parágrafos. No sétimo, reproduzido a seguir, resume o que foi provavelmente a etapa mais fascinante da biografia de Nelson Mandela:
Seria preciso recorrer à Bíblia, àquelas histórias exemplares do catecismo que nos contavam quando éramos crianças, para tentar entender o poder de convicção, a paciência, a vontade inquebrantável e o heroísmo que Nelson Mandela deve ter demonstrado durante todos aqueles anos para persuadir, primeiramente seus próprios companheiros de Robben Island, depois seus correligionários do Congresso Nacional Africano e, por último, os próprios governantes e a minoria branca, de que não era impossível que a razão substituísse o medo e o preconceito, que uma transição sem violência era igualmente factível e ela assentaria as bases de uma convivência humana em lugar do sistema cruel e discriminatório imposto à África do Sul por séculos. Creio que Nelson Mandela é ainda mais digno de reconhecimento por esse trabalho extremamente lento, hercúleo, interminável, graças ao qual suas ideias e convicções foram contagiando os seus compatriotas como um todo, do que pelos extraordinários serviços que prestaria depois, já no governo, aos seus concidadãos e à cultura democrática.
Assim é Nelson Mandela aos olhos do extraordinário escritor e democrata. Visto por Lula, o gigante que impediu a sangrenta dissolução da África do Sul  tem semelhanças com Dilma Rousseff. Essa miopia obscena se manifestou pela primeira vez em maio de 2010, quando o PT transformou o horário do partido na TV num comício eletrônico. O duplo insulto à inteligência alheia inspirou o post abaixo transcrito:
O presidente Lula precisou de duas frases e uma comparação infamante para afrontar a Justiça Eleitoral, escancarar a própria indigência intelectual e assassinar a verdade: “Uma parte da história da Dilma me lembra muito a do Mandela”, disse no programa ilegal do PT. “Uma vez o Mandela me disse que só foi para o confronto quando não deram outra saída para ele”. O estupro da História foi chancelado pela candidata que mente como quem respira: “Eu lutei, sim. Pela liberdade, pela democracia”.
A comparação é mais que uma impostura atrevida, é mais que outro estelionato eleitoreiro. É um insulto ao homem que redesenhou o destino da África do Sul. Nelson Mandela lutou pelo fim do apartheid, pela restauração da liberdade e pelo nascimento do regime democrático. Dilma Rousseff serviu a grupos radicais que queriam trocar a ditadura militar pela ditadura comunista. Ele aceitou o confronto depois de propor todas as soluções pacíficas possíveis. Ela aderiu à luta armada em 1967, um ano antes da decretação do AI-5.
Mandela protagonizou combates reais. Dilma não passou de figurante em assaltos a bancos e cofres particulares. Ele ficou preso 27 anos por liderar a imensa maioria negra. Ela ficou três anos na cadeia por obedecer a extremistas ignorados pelo povo. Mandela venceu. Dilma perdeu. A ditadura militar foi derrotada pela resistência democrática de que jamais participou.
Mandela chegou ao poder pela vontade popular. Dilma, que nunca disputou nem eleição de síndico, é fruto da vontade de Lula. Ele negociou com os carcereiros brancos a extinção do apartheid. Ela despreza os democratas que negociaram a anistia de que foi beneficiária e declara guerra a todos os oposicionistas. Mandela é um grande orador, um líder vocacional e um político sedutor. Dilma não diz coisa com coisa, faz tudo o que manda o mestre e tem a simpatia de um poste.
Nelson Mandela é um estadista. Dilma Rousseff é uma farsa.
No penúltimo parágrafo do artigo, Vargas Llosa lembra que Nelson Mandela não foi afetado por “esse tipo de devoção popular mitológica que costuma atordoar quem a recebe e fazer dele – como no caso de Hitler, Stalin, Mao, Fidel Castro – um demagogo e um tirano”. O gênio que acaba de completar 95 anos não se deixou envaidecer: “Ele continuou sendo o homem simples, austero e honesto que sempre foi e, para surpresa do mundo todo, negou-se a permanecer no poder, como seus compatriotas pediam. Aposentou-se e foi passar os seus últimos anos na aldeia indígena de onde se originara sua família”.
Nada a ver com políticos menores. Nada a ver com lulas e dilmas.

Essa Paulista com as caras do Brasil


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Inauguração da Avenida Paulista, em 8 de dezembro de 1891
BRANCA NUNES
“O sol há de brilhar mais uma vez. A luz há de chegar aos corações…”
A música de Nelson Cavaquinho, cantarolada na voz do pedestre anônimo, embalava quem passasse, quase sempre caminhando apressadamente naquela tarde cinzenta de quinta-feira, pela Avenida Paulista. Ninguém parecia prestar muita atenção. Acostumados a cenas surpreendentes, limitavam-se a olhar com o canto dos olhos e seguir em direção a compromissos mais urgentes. Dos poucos que observavam o céu, alguns resmungavam frases incompreensíveis, outros sorriam resignados: outra tempestade se desenhava no horizonte.
Em São Paulo, quando chove, não importa a hora, o dia da semana ou o lugar em que se esteja: o trânsito fica insuportável. E sempre um pouco pior na Avenida Paulista: os carros não andam. Mas existem paulistanos que rezam para que isso aconteça: os vendedores de guarda-chuvas. Com as primeiras gotas, parecem brotar do solo e multiplicar-se, como os Greemlins do filme de Steven Spielberg, pelos 2,8 quilômetros da avenida. Cada um chega a juntar 200 reais.
Eles compõem o multifacetado universo formado por quase 1,5 milhão de personagens que trafegam diariamente pelas calçadas da avenida. A Paulista é um fascinante mosaico do Brasil. E um variadíssimo microcosmo, capaz de retratar os encantos e os infortúnios de sobreviver em São Paulo.
Inaugurada em 8 de dezembro de 1891, foi projetada pelo engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio de Lima, já com o objetivo de tornar-se a principal artéria da capital que logo começaria a ganhar feições de metrópole. O primeiro casarão foi construído em 1895. A partir daí, a Paulista seria o endereço dos maiores barões do café do começo do século XX.
Das antigas mansões, só duas permanecem quase intocadas: a Casa das Rosas, construção de 1935 localizada no número 37, e o chamado Casarão da Paulista, de 1905, que fica no número 1919. A primeira virou centro cultural. A segunda passou alguns anos sendo alugada para bazares e feiras. Hoje está fechada, esperando pacientemente uma restauração que nunca chega.
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Também projetada por Ramos de Azevedo, em 1930, a Casa das Rosas pertencia a Ernesto Dias de Castro
Nas décadas de 20 e 30, a avenida era palco de corsos carnavalescos e corridas de carro. Hoje, ali acontecem as grandes manifestações populares. Trata-se de virtualmente tudo, todos os dias. Celebra-se a paz ou defende-se a instituição da pena de morte. Atos de protesto e passeatas abrangem problemas que vão do direito dos animais à reinvindicações salariais de bancários, do fim da corrupção à liberação da maconha, das carências da educação às aflições da saúde.
A Paulista é agitada tanto pela passeata do Orgulho Gay, que mobiliza mais de 1 milhão de manifestantes, ou pelas multidões envolvidas na tradicionalíssima corrida de São Silvestre, disputada pela primeira vez em 1924.
Só em 1950 foram permitidas construções verticais na Avenida. Hoje, são raros os prédios com menos de 15 andares. É nesses arranha-céus que se abriga o maior centro empresarial financeiro da América Latina, responsável por 30% do mercado financeiro da cidade.
Na Paulista existem mais de 46 agências bancárias, 31 bancas de jornal, 29 estacionamentos, 20 sedes de consulados e nove farmácias. Há dezenas de bares e restaurantes, livrarias e lojas diversas, principalmente de calçados. Existem dois parques, Prefeito Mário Covas, inaugurado em 2010, e o Tenente Siqueira Campos, ou Trianon-Masp. Dentro deste parque, última amostra da mata que cobria São Paulo quando os jesuítas chegaram, há bancos e sombra. Do lado de fora, nada.
Das 280 salas de cinema da cidade, quase 240 se localizam em shoppings centers. A Paulista se orgulha de concentrar nas calçadas e imediações a maioria das 40 restantes. Existem na avenida espaços culturais notáveis: o Conjunto Nacional, a Fiesp, o Itaú Cultural, a Casa das Rosas ou o Masp, museu mais importante da América Latina, projetado em 1968 pela arquiteta Lina Bo Bardi. Seu vão livre tem 80 metros.
Entre tantas construções comercias, há 18 edifícios onde residem 5 mil pessoas. Para elas existem duas Paulistas: a noturna e a diurna. Durante a noite e a madrugada, a avenida dorme. Quem conhece algum desses apartamentos desfruta de um dos lugares mais tranquilos para moradores de São Paulo.
O mundo começa a mudar às 5h30 da manhã, quando desembarcam dos ônibus e metrôs os primeiros trabalhadores. O tráfego de veículos aumenta. Chega ao clímax a partir das 7 horas. Os camelôs anunciam produtos aos berros, os escritórios vizinhos logo estão lotados. Além de carros, ônibus, metrôs e bicicletas, os paulistanos que moram nos andares mais altos convivem com outro meio de transporte: o helicóptero. São Paulo possui a terceira maior frota do mundo, depois de Nova York e Tóquio. Dezesseis arranha-céus da Paulista possuem helipontos na cobertura. Só esses moradores das altitudes sabem também que incontáveis urubus voam sobre a avenida durante o dia, e abrem asas sempre sobre os mesmos edifícios.
A riqueza contrasta com a miséria dos mendigos nos canteiros ou sob os pilares das lojas. Eles vagueiam pela avenida durante o dia, dormem nos mesmos lugares e se tornam conhecidos dos comerciantes e moradores dos arredores.
É nos quarteirões da Paulista que se pode observar uma das cenas cada vez mais raras na maior cidade da América do Sul: gente andando na rua. Talvez esteja aí a explicação para tantas lojas de calçados na Avenida Paulista.
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Em 1898
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Sentido Consolação, em 1902. O gramado à direita pertence à Mansão dos Matarazzo. Ao fundo, é possível ver o Pico do Jaraguá
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Em 1907, sentido Paraíso
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Em 1910
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Esquina com a Rua Bela Cintra, sentido Paraíso, em 1911 (Foto: Guilherme Gaensly)
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Em 1915, a residência de Cardoso de Almeida, projetada por Ramos de Azevedo, era localizada na esquina com a Rua Haddock Lobo
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Vista da avenida sentido Paraíso, em 1916, a partir da esplanada do Trianon, onde hoje é o MASP
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Em 1920
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Vista do do Belvedere (atual Masp) para o Vale do Saracura, onde foi construída Avenida Nove de Julho
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Residência de João Baptista Scurachio, entre as ruas Augusta e Peixoto Gomide, em 1920
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Foto de 1921 da casa de Gabriela Dumont Villares, que ficava na Avenida Paulista, entre as ruas Minas Gerais e Augusta, também projetada por Ramos de Azevedo
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Villa do conde Egídio Pinotti Gamba, italiano dono dos Moinhos Gamba, em 1924. A residência ficava na esquina com o Caminho de Santo Amaro, atual Avenida Brigadeiro Luiz Antônio
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Projetada pelo arquiteto Victor Dubugras, a residência de Horácio Sabino foi demolida nos anos 50 para a construção do Conjunto Nacional
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A suntuosa construção cercada por árvores hoje dá lugar ao Masp e ao Parque Trianon. Abaixo, a Avenida Nove de Julho, em 1940
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Em 1952
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Residência de Alexandre Siciliano, na esquina com a alameda Joaquim Eugênio de Lima
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Esquina com a Alameda Campinas, onde hoje localizam-se o Bicbanco e o Itaú
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O Instituto Pasteur, em 1903, quando foi fundado, e atualmente

DEM quer ouvir Tuma Júnior sobre revelações acerca do mensalão

Política

Em livro, ex-secretário nacional de Justiça afirma ter descoberto a existência de conta nas Ilhas Cayman usada para movimentar recursos do esquema criminoso. Ele também dá detalhes do caso Celso Daniel. Informações foram publicadas em VEJA desta semana

Gabriel Castro, de Brasília
O ex-secretário nacional de Justiça, Tuma Júnior
O ex-secretário nacional de Justiça, Tuma Júnior (Agência Brasil)
O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), quer que Romeu Tuma Júnior, ex-secretário nacional de Justiça, fale à Câmara sobre as revelações feitas por ele em livro que chega às livrarias nesta semana e publicadas em primeira mão pela edição de VEJA que está nas bancas.
Entre outras informações, Tuma Júnior afirma ter descoberto a existência de uma conta, nas Ilhas Cayman, utilizada para movimentar recursos do mensalão. Ele também dá detalhes do caso Celso Daniel e do uso da máquina do governo para a montagem de dossiês contra adversários durante o governo Lula.
Nesta segunda-feira, Caiado vai apresentar um requerimento convidando Tuma Júnior a comparecer à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara para levar os documentos que possui. Como não ocupa mais cargo público, o ex-secretário nacional de Justiça não é obrigado a comparecer. 
"Vou ter de contar com a boa-vontade dele", afirma o líder do DEM. Caiado também cogita levar um grupo de parlamentares para um encontro a portas fechadas com Romeu Tuma Júnior, caso a proposta de uma audiência pública não seja aceita.
O deputado também afirma que uma alternativa seria cobrar informações diretamente das autoridades envolvidas nos episódios. No caso das Ilhas Cayman, Caiado estuda propor a criação de uma comissão para visitar o paraíso fiscal e obter informações sobre a conta revelada pelo ex-secretário.
Mas o líder do DEM reconhece que o depoimento de Tuma Júnior seria essencial: "Esse é o principal, porque ele mostraria o caminho das pedras", diz o parlamentar.

sábado 07 2013

Mandela, uma impecável vida pública marcada por turbulências privadas

 Por EFE Brasil, EFE Multimedia



Marcel Gascón.
Johanesburgo, 6 dez (EFE).- Nelson Mandela, que morreu nesta quinta-feira aos 95 anos, lamentou várias vezes que seu compromisso com seu povo o tenha feito descuidar de certo modo de sua família, cujas polêmicas e disputas internas marcaram os últimos meses de vida do ex-presidente.
Mandela teve devoção por um só partido - o Congresso Nacional Africano (CNA) e, quase desde o princípio, um credo não racial e democrático que seguiu sempre, sem vacilações.
No âmbito privado, por outro lado, os rigores da luta contra o regime de segregação racial do 'apartheid' tornaram mais perigosa sua vida pessoal.
'A luta consumia todo o tempo. Um homem envolvido na luta era um homem sem vida familiar', admitiu Mandela em sua autobiografia 'O longo caminho para a liberdade'.
Além disso, a infelicidade na vida pessoal bateu mais de uma vez na porta do estadista, que viveu dois divórcios e viu três filhos morrerem.
Os destinos de Madiba, como é carinhosamente conhecido em seu país, e sua primeira esposa, Evelyn Mase, se separaram em 1958, devido, em parte, ao ativismo de Mandela.
Evelyn sonhava com uma vida tranquila no Transeki, a região natal deles, na atual província do Cabo Oriental (no sudeste), mas seu marido parecia chamado a mais altas responsabilidades, e seu fervorosa atividade política e sua vontade de permanecer em Johanesburgo precipitaram o rompimento.
Também não teve o casal sorte com filhos: a primeira filha, Makaziwe, morreu em 1948 logo depois de nascer; o primogênito Thembekile perdeu a vida em 1969 em um acidente e seu irmão Magkatho morreu em 2005 como consequência da Aids.
Do casamento só sobreviveu a segunda filha, Makaziwe, batizada em homenagem a sua falecida irmã.
Em 1958 Mandela se voltou a casar, apaixonadíssimo, por Winnie Madikizela, com quem teve duas filhas, Zenani e Zindzi, e compartilharia as penalidades da clandestinidade.
No entanto, a vida em comum dos pombinhos foi interrompida em 1962, quando Mandela foi preso por suas ações contra o 'apartheid'.
Durante seus 27 anos na prisão, Winnie foi seu apoio pessoal e político e o primeiro motivo privado, junto com suas filhas, para resistir em cativeiro.
Ao ser libertado em 1990, o herói público encontrou em casa uma mulher fria e distante, que nem sequer dormia com ele e tinha tido um caso com um guarda-costas, o que desembocou em 1996 em seu segundo divórcio.
Madiba se voltou a casar em 1998, aos 80 anos, com a viúva do presidente moçambicano Samora Machel, Graça Machel, 27 anos mais jovem que ele e a quem Winnie chamou - com algo de rancor - de'essa concubina'.
Nos últimos meses de vida de Mandela, Machel não se separou do homem 'solitário' a quem fez feliz e foi mais louvada por sua discrição, diante das estridências de outros membros da família Mandela.
Em junho, enquanto o ex-presidente estava hospitalizado em estado grave, a divisão de sua família apareceu em público.
Makaziwe e outros quinze integrantes do clã Mandela - entre eles a própria Machel - pediram na Justiça o retorno dos restos dos três filhos já falecidos de Madiba ao lugar de onde tinha desenterrado Mandla, o neto mais velho do ex-presidente, dois anos antes.
A iniciativa do grupo revelava que Mandla tinha exumado os ossos na cidade de Qunu (no sudoeste) sem permissão de seus tias e os tinha enterrado próximo a Mvezo.
Qunu é a cidade onde Mandela cresceu, viveu até adoecer e onde queria ser enterrado.
Em Mvezo nasceu Mandela e ali é Mandla é chefe tradicional e enfrenta Makaziwe pelo controle do clã.
A disputa se resolveu em quatro de julho, quando, aplicando a decisão judicial, os restos dos três filhos de Mandela - entre eles o pai de Mandla, Makgatho - retornaram a Qunu.
Não era, no entanto, a primeira batalha legal que enfrentava à família.
Em abril 17 membros do clã liderados por Makaziwe e Zenani iniciaram uma ação legal para conseguir o controle das duas empresas fundadas por seu pai.
Os litigantes pediram a suspensão como diretores de duas companhias de gestão do patrimônio do ex-presidente de um antigo advogado de Madiba e de dois de seus companheiros políticos.
As filhas questionam que foi seu quem nomeou o ex-ministro Tokyo Sexwale e o advogado George Bizos, ambos ex-ativistas 'antiapartheid', assim como o advogado Bally Chuene, em postos de direção destas empresas.
As companhias administram o dinheiro gerado por uma série de obras que se aproveitam das marcas produzidas pelas mãos de Nelson Mandela.
O processo, ainda aberto, representa um ataque dos Mandela a algumas das pessoas mais próximas a Madiba durante sua vida.
As brigas públicas dos Mandela escandalizaram muitos sul-africanos, entre eles o arcebispo emérito da Cidade do Cabo e prêmio Nobel da Paz, Desmond Tutu, que exigiu com dureza que parassem de 'cuspir na cara' ao ex-presidente. EFE
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Nelson Mandela e as mulheres, uma paixão em sua vida

 Por Joanesburgo (AFP), AFP



Nelson Mandela e Graça Machel durante cerimônia de criação do grupo The Elders, em 18 de julho de 2007 em Johannesburgo
Nelson Mandela e Graça Machel durante cerimônia de criação do grupo The Elders, em 18 de julho de 2007 em Johannesburgo

Com a vida tomada pela política, Nelson Mandela nunca teve realmente tempo para as mulheres, mas, como homem encantador e namorador, sempre buscou sua companhia como mostram seus inúmeros romances e seus três casamentos.
Os dois primeiros matrimônios sucumbiram às pressões e aos sacrifícios da luta contra o regime racista do Apartheid. Ele teve de esperar chegar aos 80 anos, já um homem livre e quase aposentado, para encontrar a moçambicana Graça Machel. Mandela se apaixonou como um adolescente e encontrou paz e serenidade.
A vida política do jovem Nelson Rolihlahla Mandela talvez tenha começado com a fuga de uma mulher: aquela escolhida pelo regente de seu clã, no Transkei (sudeste), para que ele se casasse em 1941, aos 22 anos.
"É certo que minha futura mulher tem tanta vontade de se livrar de mim, quanto eu dela", escreveu.
Uma noite, Mandela e um amigo, Justice, fugiram para Johannesburgo, em busca da riqueza e da emancipação.
Na capital econômica do país, graças ao futuro mentor Walter Sisulu, o aprendiz de advogado Mandela forjou sua educação política e descobriu o amor. Foi na casa dos Sisulu que encontrou Evelyn Mase, "uma bela e tranquila jovem que chegava do campo".
Eles se casaram em 1944 e tiveram dois filhos, Thembi e Makgatho, e duas filhas, Makaziwe (falecida aos nove meses em 1948) e Pumla Makaziwe.
O problema é que Mandela, então um dos jovens líderes do ANC, estava mergulhado na militância e estava sempre ausente. Evelyn, cada vez mais atraída pela religião, acabou abandonando o domicílio conjugal em 1955.
Dois anos e algumas militantes depois, Mandela conheceu Nomzamo Winnifred Madikizela, uma sedutora assistente social de 21 anos. Voltou a se apaixonar.
"Não sei se algo como o amor pode surgir no primeiro olhar, mas sei que, no exato instante em que vi Winnie Nomzamo, soube que seria minha mulher", escreveu em sua autobiografia "O longo caminho para a liberdade".
Ingênua e apaixonada, Winnie deixou que Mandela fizesse "a corte e a politizasse ao mesmo tempo". Eles se casaram em 1958, e Winnie abraçou sua luta e seus amigos.
O casal teve duas filhas, Zenani e Zinzi, durante cinco anos desenfreados de militância, entre detenções e julgamentos.
Os 27 anos de prisão que se seguiram à última detenção de Mandela em 1963 implodiram a união, apesar das emocionantes cartas de amor e de apoio.
De sua cela, Mandela continua se dedicando à ANC. Winnie, uma figura emblemática da resistência popular, enlouquecia com sua própria aura, a ponto de encarnar o terror, nos anos 1980.
A imagem de Winnie de mãos dadas com Mandela no dia de sua libertação, em 11 de fevereiro de 1990, escondia a realidade. Em breve ela seria julgada por sequestro e cumplicidade de homicídio de um jovem ativista do ANC, tornando-se um peso para o partido no poder. O casal se divorciou em 1996.
Durante a presidência, Mandela sempre teve oportunidade de conhecer belas mulheres: misses sul-africanas, modelos internacionais, como Naomi Campbell, ou atrizes, como a sul-africana Charlize Theron.
Em 1990, pouco antes de ser libertado, ele encontrou em Maputo Graça Machel, viúva do presidente moçambicano Samora Machel, morto em um acidente de avião em 1986. Suspeita-se que a queda tenha sido orquestrada pelo regime do Apartheid.
Aos poucos, ele foi ficando cada vez mais envolvido com essa mulher 27 anos mais jovem. Pouco a pouco, os dois começaram a aparecer mais em público, como no casamento do presidente zimbabuano, Robert Mugabe, onde se beijaram, em 1996. Incapaz de esconder sua felicidade, Mandela falou para a imprensa do "maravilhoso sentimento de estar apaixonado". Casaram-se em 18 de julho de 1998, em seu aniversário de 80 anos.

As mulheres que amaram Mandela

Por BBC, BBC Brasil



As mulheres que amaram Mandela
"Nelson Mandela"
Nelson Mandela nunca teve escassez de admiradoras femininas, tamanho era o charme de sua oratória e seu jeito impecável de se vestir.
Seu biógrafo, Anthony Sampson, disse uma vez que ele era 'mulherengo' e orgulhoso disso.
Mandela teve três esposas, que em seis décadas se mostraram parceiras imprescindíveis em diversos momentos de sua carreira política. Elas também mostram um pouco quem foi Nelson Mandela.
Evelyn Mase
Mandela se casou com Evelyn Mase, uma prima de seu mentor político, Walter Sisulu, três anos após desembarcar em Johanesburgo. A união foi uma forma de evitar um casamento arranjado por sua família, na aldeia onde vivia na Província do Cabo Oriental. Ele tinha 26 anos e ela 22.
'Eu o amei à primeira vista', disse Evelyn na biografia Higher Than Hope (Maior que a esperança), de Mandela, publicada em 1990.
'Dias após nosso primeiro encontro, continuamos firmes, e em alguns meses ele me pediu em casamento', disse.
A união durou 13 anos. Em boa parte desse tempo, foi o salário de Evelyn como enfermeira que ajudou a pagar as contas familiares e a financiar os estudos de Mandela.
O casal teve quatro filhos. A morte do segundo bebê, com apenas nove meses, teve um efeito muito forte sobre Evelyn, que se tornou mais religiosa, à medida que Mandela se tornava mais politizado.
Eveylin era Testemunha de Jeová e não tinha interesses políticos, segundo escreveu Mandela em sua autobiografia 'Uma Longa Caminhada Para a Liberdade'.
'Eu não podia desistir da minha luta e ela não podia viver com minha devoção a algo que não era ela mesma ou nossa família', disse Mandela.
A relação teve um fim complicado. Mandela foi preso nos anos 1960 e, quando recebeu fiança, voltou para casa e já não econtrou Evelyn, que tinha deixado o lar.
Cinco anos mais tarde, Mandela foi sentenciado à prisão perpétua, em 1964, mesmo ano em que seu filho mais velho, Thembekile, morreu em um acidente de carro.
Segundo o biógrafo de Mandela, Anthony Sampson, ele mandou uma mensagem de condolências a Evelyn de dentro da prisão. Foi a única comunicação entre os dois durante todo o período em que ele esteve preso.
Evelyin disse a um jornalista, no momento em quem Mandela deixava a prisão, que a libertação do marido estava sendo tratada como a segunda vinda de Cristo. 'É uma grande besteira quando as pessoas dizem essas coisas do Nelson', disse.
'Como um homem que cometeu adultério e deixou sua esposa e seus filhos pode ser Cristo? O mundo cultua Nelson além da conta. Ele é apenas um homem'.
Em uma entrevista logo após a eleição de Mandela como o primeiro líder negro da África do Sul, Evelyn se mostrou mais habituada ao papel do então ex-marido.
'Quando eu vou para a casa das pessoas para falar de Jeová, sempre vejo as fotos de Nelson na parede. Sua força vem de Deus', disse.
'Deus usa as pessoas para fazer seu trabalho, mesmo quando elas não são corretas', disse.
Evelyn voltou a se casar em 1998. Ela morreu em 2004.
Winnie Madikizela-Mandela
O romance de Mandela com Winnie Madikizela começou durante o segundo julgamento de Mandela.
Winnie era uma asssistente social de 22 anos, 16 anos mais jovem que Mandela, e logo se tornaria sua grande aliada.
'Eu estava ao mesmo tempo paquerando ela e a politizando', disse Mandela em sua autobiografia.
No seu livro de memórias 'Part of My Soul Went Him' (Parte de Minha Alma Foi com Ele), de 1984, Winnie conta que Mandela nunca a pediu oficialmente em casamento.
'Um dia Nelson cruzou a rua e me disse: 'Você sabe... tem uma costureira... você precisa encontrá-la. Ela vai fazer seu vestido de noiva. Quantas madrinhas você quer ter?''.
Winnie disse em uma entrevista em 1983 como foi complexo casar-se com um prisioneiro.
'Ele tinha que conseguir permissão para se casar porque não era apenas um prisioneiro. Ele estava banido e o julgamento seria em Pretória. Então, ele ganhou quatro dias para ir a Transkei e se casar', contou.
O casal teve duas filhas, mas passou pouco tempo junto.
Três anos após o casamento, Mandela entrou para a clandestinidade. Ele foi capturado e preso por sabotagem em 1962, por cinco anos.
'Santo?' O julgamento de Mandela recomeçou quando ele estava novamente na prisão. Ele poderia ter pego a pena capital, mas ao fim conseguiu prisão perpétua.
Winnie então entrou para a luta política. Ela enfrentou ordens de prisão e chegou a ser exilada em um vilarejo próximo a Brandfort.
Ela também se envolveu em polêmica. No fim dos anos 1980, ela foi acusada de envolvimento em um caso de sequestro de um adolescente, que teria sido acusado de ser espião pela polícia. O garoto foi morto por um dos guarda-costas de Winnie.
Ela estava ao lado de Mandela durante sua libertação. Em entrevista ao Guardian, Winnie contou que tanto ela quanto Mandela ficaram supresos com a recepção calorosa na saída da prisão.
O casal se separaria logo depois. Ainda assim, Winnie manteve sua posição de apoio a Mandela, apesar de críticas.
Em uma entrevista recente, ela fez elogios ao ex-marido, mas também se mostrou realista.
'Ele não foi nenhum anjo, como a maioria dos humanos. Ele nunca disse que era santo', disse.
Graça Machel
Mandela e Graça Machel
"Mandela e Graça Machel"
Graça Machel já sabia o que era ser casada com um heroi da independência quando se uniu a Mandela.
Moçambicana, ela era a viúva de Samora Machel, primeiro presidente da ex-colônia portuguesa.
O mandatário morreu em um acidente de avião de 1986. Na ocasião, falou-se em uma conspiração por parte do regime do apartheid sul-africano.
'É simplesmente maravilhoso que nós tenhamos nos encontrado e pudemos compartilhar a vida', teria dio Graça, segundo o biógrafo de Mandela, Anthony Sampson.
'Ele pode amar profundamente. Mas ele tenta controlar tudo, no que diz respeito à aparência pública', disse.
'Na vida privada, ele se deixa ser humano'. 'Ele é um homem muito simples, muito gentil, sensato. Mesmo politicamente, se você o observa, você percebe algo de inocência', diz.
Graça relutou em se casar com Mandela, 27 anos mais velho. Ela sentia ter uma obrigação com o povo de Moçambique e temia que o divórcio entre Mandela e Winnie pudesse ter reflexos em sua relação.
Segundo o biógrafo de Mandela, em 1996 Graça passou a ficar duas semanas por mês em Johanesburgo.
Graça contou a Sampson que Mandela poderia ser 'muito impaciente' e 'muito teimoso'. Os adjestivos são os mesmos já usados pelas outras mulheres de Mandela.
'Ele é um símbolo. Isso é certo. Mas não é um santo', disse Graça.
Graça finalmente se casou com Mandela no ano em que ele completou 80 anos.
Ela já tinha dois filhos e seis enteados. Com Mandela, passou a ter uma família ainda maior.
Graça não deixou de lado sua carreira como líder humanitária. Nos últimos anos, ela sempre esteve ao lado de Mandela, tentando filtrar as inúmeras demandas de entrevistas e encontros.
Há quatro anos, ela falou à CNN que 'vê-lo envelhecer é algo que dói'.
'Madiba é muito orgulhoso. Ele é vaidoso. Então, quando ele percebe que já não consegue falar e andar com firmeza como antes, ele não gosta disso'.
'Você entende, sabe que isso vai acontecer. Aquele espírito, aquela faísca, de alguma forma está apagando'.

Fifa altera horário de sete jogos por causa do calor

Copa 2014

Treinadores haviam chamado a atenção para as altas temperaturas e a umidade nos locais das partidas. Terceira fase de venda de ingressos começa no domingo

Brazuca, a bola oficial da Copa do Mundo de 2014
(Divulgação)
A Fifa anunciou neste sábado que sete jogos da Copa do Mundo sofrerão mudanças de horário por causa do calor. As altas temperaturas e a umidade em sedes como Manaus e Recife já haviam sido criticadas por diversos treinadores europeus e até pelo coordenador técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira.
A entidade que organizada o futebol mundial explicou que os horários de três jogos em Manaus e um em Recife foram alterados. Assim, Costa do Marfim x Japão passou das 19h para as 22h (horário local), no dia 14 de junho, na capital pernambucana.

Em Manaus, Camarões x Croácia será disputado às 18h do dia 18 de junho, após ser marcado inicialmente para as 15h. As duas equipes integram o Grupo A, do Brasil. A mesma mudança de horário acontecerá no dia 22 de junho para o duelo entre Estados Unidos e Portugal, também na capital amazonense.


Já o confronto entre Inglaterra e Itália, no dia 14 de junho, terá início mais cedo do que o previsto. Passou das 21h para as 18h. A Fifa alega que as condições climáticas de Manaus serão as mesmas para os dois horários. Neste caso, o jogo foi antecipado em três horas para beneficiar ingleses e italianos. Pela definição inicial, eles assistiriam à partida pela televisão, na Europa, de madrugada.

O mesmo vai acontecer com Espanha x Chile e Bélgica x Rússia. O primeiro, no dia 18 de junho, foi antecipado das 19h para as 16h, no Rio de Janeiro. O duelo entre belgas e russos passou das 19h para as 13h, no dia 22 de junho, também na capital fluminense.

Outro jogo que sofreu mudança de horário é Coreia do Sul x Argélia, em 22 de junho. A partida vai começar mais tarde do que o previsto. Marcado para as 13h, foi transferido para as 16h, em Porto Alegre.
Venda de ingressos - Começa no próximo domingo a terceira fase da venda de ingressos para os jogos da Copa. As entradas serão disponibilizados a partir das 9h, horário de Brasília, a partir de solicitações, como na primeira fase. Ou seja, nos jogos em que a quantidade de pedidos superar o número de assentos disponíveis, será feito sorteio.
Essa fase termina em 30 de janeiro. Mas há uma novidade em relação às etapas anteriores de venda. Alguns estádios não terão toda a carga de bilhetes colocada à disposição do público e, além disso, haverá uma cota (8% do total) destinada exclusivamente a torcedores de cada um dos 32 países classificados.
Dois dos 64 jogos do Mundial não terão bilhetes colocados à venda: a abertura, marcada para o Itaquerão, na Zona Leste de São Paulo, e a final, que será no Maracanã, no Rio de Janeiro. Isso se deve à grande procura para estas duas partidas. Mas é possível que, nas próximas fases, esses bilhetes voltem a ser oferecidos, caso ocorram desistências.
Jogo de abertura - Brasileiros e croatas poderão encomendar bilhetes do jogo de abertura. Isso porque nessa fase começa a venda dos ingressos para torcedores das seleções participantes. 
Cidadãos nascidos nos países que participam da disputa pelo Mundial também poderão concorrer aos ingressos independentemente de onde residam. Apenas bilhetes das categorias 1 e 3 estarão disponíveis para eles. A solicitação deve ser feita no site da Fifa (www.fifa.com/ticketing). Os brasileiros também poderão acessar o site da CBF (www.cbf.com.br). Nesse caso específico de venda para as equipes participantes, a solicitação poderá ser feita até 7 de fevereiro, segundo divulgou a Fifa.
Atraso nas obras - A Fifa não confirma, mas jogos marcados para o Itaquerão, Arena Pantanal e Arena da Baixada devem ter uma carga de ingressos disponível 7% menor do que a capacidade dos estádios. Isso por causa do atraso na colocação das cadeiras, o que impedirá a contagem dos lugares - quando a arena está pronta, técnicos contam um por um os assentos para numerá-los e definir a capacidade real. Assim, a entidade evitaria vender mais bilhetes do que a capacidade real do estádio.