sábado 09 2013
sexta-feira 08 2013
A bunda de Simone de Beauvoir
http://www.folha.uol.com.br/
Em outubro do ano passado, durante rápido período de férias na Califórnia, resolvemos, eu e minha companheira de viagem e de vida, conhecer Carmel, cidadezinha do litoral ao sul de São Francisco, famosa por conta de sua arquitetura peculiar, seus frequentadores milionários e do "rancho" do ator e ultimamente grande diretor Clint Eastwood, moradia de verão do artista transformada num charmoso hotel --também para abonados, claro.
De fato, Carmel, sobretudo o centro da cidadezinha, é um encanto, com suas ruas tranquilas, antiquários, galerias, construções multicoloridas de teto baixo, floreiras abundantes, gente hospitaleira. Além de algumas Ferraris percorrendo calmamente as ruas estreitas e as muitas lojas de grife ali instaladas para atender à demanda dos que têm o que gastar e gastam o que tem.
Num passeio de fim de tarde por uma calçada de muitas lojas, chamou nossa atenção a atividade de umas moças que reformulavam a vitrine de uma butique de roupas femininas. Quando passamos em frente à vitrine descendo a rua, elas retiravam as roupas das manequins de gesso, certamente para exibir produtos da nova estação que adentrava. Algum tempo depois, quanto subíamos a mesma via com a noite fechada, as moças tinham ido embora, provavelmente deixando para o dia seguinte o fim da tarefa.
Antes disso, porém, tinham "vestido" cada um dos manequins com papel de seda, escondendo assim as "partes pudendas" daquelas mulheres de gesso e tinta. O papel cor-de-rosa estava enrolado gentilmente em torno das bonecas, preso na cintura, de maneira a cobrir seus seios artificiais e sua genitália inexistente.
| Arquivo pessoal | ||
| Manequim em loja de Carmel com suas 'vergonhas" escondidas |
Sim, comentou minha namorada entre risos, é preciso proteger as velhinhas ricas de Carmel de cenas tão chocantes, afinal elas são americanas e exageradamente moralistas...
Claro que esta não foi a primeira nem será a última manifestação de pudicícia explícita do americano médio --sim, porque, como sabemos, os fora da média são capazes de loucuras sensacionais, e aí estão seu cinema, sua literatura e suas outras artes para demonstrar isso.
Mas o episódio veio à lembrança por conta da censura aplicada há pouco pelos administradores da rede social Facebook ao fotógrafo carioca Fernando Rabelo: ele teve sua página de perfil retirada do ar por alguns dias como punição ao fato de ter publicado uma foto da escritora francesa Simone de Beauvoir (1908-1986) nua de costas.
| Art Shay/Divulgação | ||
| Simone de Beauvoir na foto de Art Shay |
Para quem não sabe, esta foto, de 1952, é famosíssima, foi realizada pelo fotógrafo norte-americano (!) Art Shay, em Chicago, durante uma estadia da libertária escritora na cidade. Uma foto roubada, mas posteriormente autorizada, enquanto a escritora estava ao toucador.
Ao que tudo indica, o surto de defesa da moral e dos bons costumes, que grassou aqui pelo Brasil nos tempos da ditadura, teve um espera-se que fortuito retorno pelas mãos dos gestores do Face, aparentemente um território livre para ideias e estéticas, cujos parâmetros deveriam ser apenas o respeito ao próximo, o bom senso e os limites da lei.
Que obviamente não foram transgredidos pelo belo derrière da companheira de Jean Paul Sartre (1905-1980), uma pioneira dentre as mulheres libertárias, defensora tenaz seu gênero como plenamente capaz de dispor de sua vida, de suas ideias e certamente de seu corpo, como deixou claro nesta frase:
"Nenhuma educação pode impedir a menina de tomar consciência de seu corpo e de sonhar com seu destino; quando muito pode impor-lhe estritos recalques que pesarão mais tarde sobre toda a sua vida sexual".
Luiz Caversan é jornalista e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos "Cotidiano", "Ilustrada" e "Dinheiro", entre outras funções. Escreve aos sábados no site da Folha.
Mulheres que seguem a dieta do Mediterrâneo envelhecem melhor
Alimentação
Segundo pesquisa, manter um cardápio saudável aumenta as chances de mulheres chegarem à velhice com mais saúde mental e física

Dieta do Mediterrâneo: além de ser considerada mais fácil de seguir, pode garantir às mulheres uma velhice saudável(Thinkstock)
Seguir a dieta do Mediterrâneo pode ser a chave para uma velhice mais saudável, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira no periódico Annals of Internal Medicine. Os pesquisadores afirmam que mulheres de meia-idade que adicionam a seus cardápios alimentos presentes na dieta, como vegetais, grãos e peixes, têm chances 40% maiores de passar dos 70 anos sem doenças crônicas ou comprometimento das funções mentais, como a memória.
CONHEÇA A PESQUISA
Título original: The Association Between Dietary Patterns at Midlife and Health in Aging: An Observational Study
Onde foi divulgada: periódico Annals of Internal Medicine
Quem fez: Cécilia Samieri, Qi Sun, Mary K. Townsend, Stephanie Chiuve, Olivia I. Okereke, Walter C. Willett, Meir Stampfer e Francine Grodstein
Instituição: Universidade Harvard, Estados Unidos
Dados de amostragem: questionários sobre hábitos alimentares de 10 670 mulheres de meia-idade
Resultado: Os pesquisadores descobriram que mulheres que seguem uma dieta semelhante à do Mediterrâneo têm 40% mais chances de passar dos 70 anos sem doenças crônicas ou comprometimento das funções mentais
Título original: The Association Between Dietary Patterns at Midlife and Health in Aging: An Observational Study
Onde foi divulgada: periódico Annals of Internal Medicine
Quem fez: Cécilia Samieri, Qi Sun, Mary K. Townsend, Stephanie Chiuve, Olivia I. Okereke, Walter C. Willett, Meir Stampfer e Francine Grodstein
Instituição: Universidade Harvard, Estados Unidos
Dados de amostragem: questionários sobre hábitos alimentares de 10 670 mulheres de meia-idade
Resultado: Os pesquisadores descobriram que mulheres que seguem uma dieta semelhante à do Mediterrâneo têm 40% mais chances de passar dos 70 anos sem doenças crônicas ou comprometimento das funções mentais
O estudo foi realizado com mais de 10 000 mulheres de aproximadamente 50 anos de idade. As voluntárias preencheram um questionário sobre seus hábitos alimentares e, quinze anos depois, responderam outras perguntas sobre seu estado de saúde. Segundo os pesquisadores, as adeptas da dieta do Mediterrâneo apresentaram uma vida mais saudável do que as demais.
Estudos anteriores — A dieta do Mediterrâneo é baseada nos alimentos característicos de alguns dos países banhados pelo mar Mediterrâneo. Ela inclui muitas frutas, legumes, peixes, grãos integrais e gordura saudável, como o azeite. Por ser menos restritiva do que outros regimes, é considerada mais fácil de ser seguida a longo prazo, o que potencializa seus efeitos.
Outros estudos já destacaram os benefícios dessa dieta à saúde de idosos. Uma pesquisa divulgada em maio deste ano mostrou que o regime é eficaz para proteger o cérebro dos mais velhos. Outra, publicada em abril, provou a relação entre a dieta e uma menor prevalência de problemas de memória entre seus adeptos. Essa é a primeira vez, porém, em que se analisam os efeitos da dieta do Mediterrâneo especificamente na saúde de mulheres idosas, com um grande número de voluntárias.
Oito benefícios associados à vitamina D
Gera bebês mais saudáveis
Ter baixos níveis de vitamina D durante a gravidez significa transmitir menor quantidade do nutriente ao futuro bebê — o que pode ocasionar uma série de problemas. Um estudo da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, mostrou que a falta de vitamina D faz com que as mulheres deem à luz bebês com baixo peso, já que sem o nutriente a absorção de cálcio pelo organismo é prejudicada, e o crescimento ósseo, reduzido. Outra pesquisa, britânica, provou que filhos de mães com baixos níveis da vitamina têm chances 5% maiores de desenvolver esclerose múltipla na idade adulta.
Previne fraturas em idosos
A vitamina D é especialmente benéfica para idosos. Um estudo suíço mostrou que 20 microgramas diários do nutriente ajudam a evitar fraturas nas pessoas mais velhas, já que a vitamina auxilia na absorção de cálcio pelo organismo, fortalecendo os ossos. De acordo com outro estudo, realizado na Dinamarca, a ingestão de suplementos de cálcio e de vitamina D faz com que os idosos tenham maior expectativa de vida, reduzindo em 9% as chances de mortalidade em um período de três anos.
Combate o diabetes
A vitamina D pode ser aliada na luta contra o diabetes tipo 2. Em uma entrevista no livro ‘The Healing Power of Sunlight & Vitamin D’ (O poder de cura da luz do sol e da vitamina D, em tradução livre), o médico Michael Holick afirma que a falta da substância pode agravar os efeitos do diabetes tipo 2 no organismo. Isso porque a vitamina D regula a secreção de insulina pelo pâncreas e pode aumentar a sensibilidade ao hormônio. Já uma pesquisa alemã afirma que as propriedades anti-inflamatórias da vitamina protegem o organismo contra a doença.
Evita o câncer
Segundo Michael Holick no livro ‘The Healing Power of Sunlight & Vitamin D’, a vitamina D possui a capacidade de regular o crescimento celular. Por isso, pessoas que vivem em países onde a incidência dos raios solares é menor são mais propensas à deficiência de vitamina D e ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer.
Fortalece o sistema imunológico
A vitamina D é capaz de estimular as defesas naturais do corpo, diminuindo o risco de infecções. Reforçando essa ideia, um estudo apresentado nos Estados Unidos provou que a razão pela qual os obesos têm mais alergias do que pessoas de peso normal está justamente na deficiência de vitamina D — a relação entre excesso de peso e a diminuição do nutriente no organismo já foi cientificamente comprovada.
Faz bem para os pulmões
Diversos estudos científicos já comprovaram a contribuição da vitamina D para a saúde pulmonar. Segundo um trabalho publicado no periódico 'American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine', em caso de infecção pulmonar, o nutriente é capaz de acelerar os efeitos do tratamento medicamentoso. Outro estudo, realizado pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que a vitamina D tem um efeito protetor contra os efeitos do tabagismo na função pulmonar. De acordo com os pesquisadores, a falta do nutriente prejudica ainda mais a atividade dos pulmões dos fumantes.
Reduz os efeitos do Alzheimer
Segundo uma revisão de estudos realizada no Canadá, os resultados de testes cognitivos em pessoas com Alzheimer pioram quando a concentração de vitamina D está baixa. Os cientistas não sabem ainda, contudo, que condição dá origem à outra — se é a falta de vitamina D que ocasiona o Alzheimer, ou o contrário.
Afasta doenças cardiovasculares
Cientistas da Universidade da Dinamarca acompanharam mais de 10 000 pessoas por 29 anos e constataram: o risco de infarto e morte aumenta quando há deficiência de vitamina D no organismo. O nutriente participa do controle das contrações do músculo cardíaco. Além disso, quando seus níveis estão baixos, pode haver acúmulo de cálcio nas paredes das artérias, favorecendo a formação de placas que aumentam a probabilidade de infarto e derrame.
Os benefícios da vitamina D à saúde
Nutrição
Pesquisas mostram que o nutriente está relacionado não apenas ao fortalecimento dos ossos, mas também à prevenção de doenças como diabetes e câncer

A luz solar é a principal fonte de obtenção da vitamina D (Thinkstock)
A vitamina D, exaustivamente estudada por cientistas ao redor do mundo, costuma dividir opiniões na comunidade médica. O nutriente pode ser encontrado em alimentos como bacalhau, salmão, leite e gema de ovo, mas sua fonte principal é o sol — o pivô da discordância. Enquanto alguns médicos defendem que a única maneira de garantir quantidades suficientes da vitamina é por meio do banho de sol sem o uso de protetor solar, outros defendem que a cota deve ser obtida com alimentos e suplementos.
Independentemente da fonte, a vitamina D traz diversos benefícios à saúde. O nutriente promove a absorção de cálcio e protege contra males ligados ao sistema ósseo, como fraturas e osteoporose. Mas não é só isso. Saiba o que mais a ciência já provou sobre a vitamina D.
Cientistas descobrem fóssil de mosquito cheio de sangue
Paleontologia
Considerado raro, o fóssil encontrado nos EUA tem 46 milhões de anos

Descoberta: o mosquito tinha se alimentado com sangue pouco antes de morrer (AFP/Smithsonian Institution/Byline)
No filme Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros, lançado há 20 anos, cientistas clonaram dinossauros a partir do sangue encontrado no estômago de um mosquito fossilizado. Nesta segunda-feira, pela primeira vez, pesquisadores anunciaram ter encontrado um fóssil preservado por aproximadamente 46 milhões de anos de um mosquito de meio centímetro com o abdômen cheio de sangue, do qual havia se alimentado.
CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Hemoglobin-derived porphyrins preserved in a Middle Eocene blood-engorged mosquito
Onde foi divulgada: periódico Pnas
Quem fez: Dale E. Greenwalt, Yulia S. Goreva, Sandra M. Siljeström, Tim Rose e Ralph E. Harbach
Instituição: Museu Nacional de História Natural de Washington, nos EUA, e outras
Resultado: Os cientistas encontraram um raro fóssil de um mosquito com o abdômen cheio de sangue, do qual havia se alimentado. A descoberta confirma a existência da hematofagia, o ato de se alimentar de sangue, há 46 milhões de anos
Título original: Hemoglobin-derived porphyrins preserved in a Middle Eocene blood-engorged mosquito
Onde foi divulgada: periódico Pnas
Quem fez: Dale E. Greenwalt, Yulia S. Goreva, Sandra M. Siljeström, Tim Rose e Ralph E. Harbach
Instituição: Museu Nacional de História Natural de Washington, nos EUA, e outras
Resultado: Os cientistas encontraram um raro fóssil de um mosquito com o abdômen cheio de sangue, do qual havia se alimentado. A descoberta confirma a existência da hematofagia, o ato de se alimentar de sangue, há 46 milhões de anos
"Trata-se de um fóssil extremamente raro, o único do tipo no mundo", disse Dale Greenwalt, pesquisador do Museu Nacional de História Natural de Washington, nos Estados Unidos, e principal autor do estudo. A pesquisa foi publicada no periódico Pnas.
Diferentemente da ficção, na vida real nenhum DNA foi encontrado no sangue preservado no abdômen do mosquito – nem de dinossauros (extintos há 65 milhões de anos), nem de qualquer animal. Os pesquisadores explicam que o DNA é uma molécula grande e frágil, e por isso não sobrevive ao processo de fossilização.
Além disso, mesmo que o sangue fosse de um dinossauro, o que é cronologicamente impossível, a clonagem desses répteis pré-históricos continua não sendo possível. Isso porque seria necessário saber como seria o genoma completo dos dinossauros para conseguir reunir os possíveis fragmentos encontrados no sangue - algo que os cientistas não têm como saber. E mesmo assim, para clonar um animal extinto, seria preciso inserir seu DNA no óvulo de uma espécie atual que tivesse algum parentesco ou semelhança com o animal a ser "ressuscitado".
"Como muito do que se vê na ficção científica, o filme de certo modo previu algo com que nós podíamos nos deparar", afirmou Greenwalt. Para o pesquisador, o sangue encontrado no fóssil pode ter sido de uma ave, pois o mosquito ancestral se assemelha a um inseto moderno do gênero Culicidae, que se alimenta do sangue desses animais.
O fóssil foi coletado na década de 1980 por Kurt Constenius, um estudante de geologia, que o deixou em seu sótão junto com outras outros fósseis que ele havia recolhido. O inseto só foi descoberto quando a coleção de Constenius foi doada para o museu onde Greenwalt trabalha como pesquisador.
Pesquisa – A hematofagia, ato de se alimentar de sangue, ocorre em cerca de 14.000 espécies de insetos, como pulgas, carrapatos e mosquitos. Apesar disso, evidências fósseis desse comportamento são dificilmente encontradas. O estudo descreveu um mosquito que havia se alimentado pouco antes de morrer. O fóssil foi encontrado no estado americano de Montana, preservado em xisto betuminoso, um tipo de rocha sedimentar.
Os pesquisadores identificaram níveis elevados de ferro no abdômen do animal e utilizaram uma técnica conhecida como espectrometria de massa não destrutiva para analisar sua fonte. Os resultados mostraram que o ferro identificado vinha da heme, molécula presente no sangue que permite o transporte de oxigênio.
Devido à raridade de fósseis desse tipo, muitos animais ancestrais foram identificados como hematófagos com base em características taxonômicas semelhantes a espécies atuais. Até o momento, evidências diretas desse tipo de dieta se limitavam a fósseis de mosquitos em que foram encontrados parasitas como o tripanossoma e o plasmodium, causador da malária – que chegam ao inseto por meio do sangue.
(Com Agência France-Presse)
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