domingo 21 2013

Aparato estatal de notícias custa R$ 900 mi


Por estadao.com.br
Estrutura de imprensa emprega mais de 3.600 profissionais e se divide em três eixos que incluem TV Brasil, NBR e assessorias terceirizadas

Os gastos crescentes com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e o uso cada vez mais comum de serviços terceirizados de assessoria de imprensa nos órgãos públicos criaram nos últimos anos uma máquina estatal de informações que emprega mais de 3.600 profissionais e cujos gastos anuais giram em torno de R$ 900 milhões.
A estrutura de comunicação federal se divide em três eixos.
O primeiro se propõe a ser uma espécie de "BBC brasileira", com um serviço público de informações envolvendo a TV Brasil, a TV Brasil Internacional, oito emissoras de rádio e a Agência Brasil, que produz notícias com acesso livre.
O segundo envolve a NBR, que integra a estrutura da EBC. O canal institucional transmite ao vivo todas as cerimônias da Presidência e tem programas de rádio reproduzidos em todo o País: a Voz do Brasil - diário, obrigatório para todas as emissoras, de segunda a sexta-feira, das 19 h às 20 h -, Café com a Presidenta, Bom Dia Ministro e Brasil em Pauta.
Esses dois eixos sob o chapéu da EBC contam com orçamento de R$ 533 milhões este ano - 21% superior ao de 2012. A estrutura dispõe de 1.926 profissionais.
O terceiro eixo é o de assessorias de imprensa. Os gastos anuais do governo federal com esse serviço - incluindo Presidência e ministérios - são de R$ 97 milhões. Cerca de 500 profissionais cuidam da imagem da administração, repassando informações oficiais a jornais, TVs, rádios e canais de internet privados. Nas empresas estatais, como Petrobrás e Correios, a estimativa - elas não divulgam números - é a de que o gasto chegue a R$ 250 milhões ao ano, com 1.200 profissionais envolvidos.
Boa parte dos serviço é terceirizada. Duas empresas privadas dominam o mercado da informação pública na Esplanada dos Ministérios: a FSB Comunicações e a Companhia de Notícias (CDN).
A FSB tem, por exemplo, 84 profissionais à disposição do Ministério da Saúde e do Ministério do Turismo. Na pasta da Saúde, são atendidos 800 pedidos da imprensa por mês e produzidos 200 textos de divulgação. A empresa produz ainda 100 peças jornalísticas - com viés pró-governo - ao mês. Elas ficam à disposição de 2 mil rádios espalhadas pelo País. Há ainda a atuação nas redes sociais, que recebem cerca de 4 mil intervenções mensais da assessoria.
Audiência. O projeto mais ousado do governo refere-se ao primeiro eixo da estrutura de comunicação estatal: a criação de uma rede pública de informações.
A EBC foi criada há seis anos, na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a fusão das antigas Radiobrás e TVE-Brasil - esta com sede no Rio. Ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) à época, Franklin Martins dizia que a rede serviria para se contrapor à "grande mídia".
Nessa meia década, o sinal da TV Brasil, que emprega 479 funcionários, chega a 61% da população, com 7 emissoras próprias e 45 afiliadas. A audiência, porém, é baixa. Em 2012, a preferência pelo canal na Grande São Paulo variou de 0,06 a 0,11 ponto no Ibope.
O SBT, por exemplo, tem uma estrutura que conta com 3.876 funcionários, 5 emissoras e 103 afiliadas, com abrangência de 97% do País. Sua audiência média na Grande São Paulo no ano passado foi de 5 pontos no Ibope. A Globo, maior rede de TV brasileira, tem uma estrutura de 9.600 funcionários, 5 emissoras e 117 afiliadas, com abrangência de 98% do País. Sua audiência média na Grande São Paulo em 2012 foi de 12 pontos. As redes privadas não divulgam seus orçamentos anuais por considerar os dados estratégicos.
Contradição. Ex-presidente da extinta Radiobrás, estatal que deu origem à EBC, o jornalista e colunista do Estado Eugenio Bucci ressalta que a função central de uma TV pública não é dar audiência, e sim desenvolver programas educativos, culturais e jornalísticos com viés diferente da grande mídia. O fato de a audiência da TV Brasil não sair do traço, porém, preocupa. "Tem muita coisa muito ruim que dá audiência. Não podemos viver a tirania da audiência, mas alguma audiência precisa existir", afirma.
Bucci também questiona o fato de a EBC ser responsável tanto por coordenar uma TV pública, aos moldes da BBC britânica, como prestar serviços de interesse governamental, com a produção de programas como o Café com a Presidenta. Para ele, essas são duas vocações contraditórias. "Eu não acho que seja o formato ideal uma emissora pública prestar serviços de comunicação ao governo. O ideal é que fossem duas estruturas separadas."
Outra característica contraditória da EBC, segundo o jornalista, é o fato de a presidente da República nomear o diretor da estatal, sem que o escolhido passe, nem sequer, por uma sabatina no Congresso, como acontece com os indicados a outros órgãos. Numa emissora pública, defende Bucci, o presidente deveria ser escolhido por um conselho de representantes da sociedade - isso garantiria menor nível de interferência dos interesses do governo na programação.
Professor de Ciência Política da Universidade Federal do ABC, Sérgio Praça afirma que a EBC teria mais autonomia se não fosse vinculada à Secom. "Isso é muito esquisito. O desejável é que a Secom fizesse esse papel mais institucional e uma outra empresa, no caso a EBC, faria a TV pública." Ele também questiona o fato de o presidente da EBC ser nomeado pela Presidência. / JOÃO DOMINGOS, WILSON TOSTA e ISADORA PERON

sexta-feira 19 2013

Zé Carioca - Criação


Criação:  No início dos anos de1940, o governo americano - mais especificadamente o assessor de Washington para assuntos da América Latina, Nelson Rockfeller - estava preocupado com o interesse crescente dos governos latinoamericanos sobre o nazismo e o fascismo e pediu a Walt Disney que fizesse uma viagem de “boa vizinhança” aos principais países do continente.

Disney e uma equipe de desenhistas vieram ao Brasil (visitaram Manaus, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul) e desta viagem surgiu o simpático “embaixador” Joe Carioca, ou melhor, José Carioca.
O personagem, cujas características principais eram arrumar comida grátis, evitar o trabalho, fugir de cobradores e conquistar garotas, fez sua estréia em alto estilo nas páginas dominicais dos jornais americanos, em outubro de 42.
A página inicial mostrava uma panorâmica do Rio de Janeiro, fechando lentamente no barrado que era “a moradia de um jovem alegre e folgazão papagaio chamado José Carioca”.
O personagem durou dois anos nas páginas dominicais antes de ser substituído por outro latino de Disney, o galo Panchito. Os dois por sinal, contracenaram em dois desenhos animados com o Pato Donald - Saludos Amigos (1943) e The Three Cabaleros (1945) - Donald e o Papagaio também se encontraram no desenho Você já foi à Bahia, de 1944.
Com o fim da Segunda Guerra, José Carioca sumiu dos jornais americanos, mas em julho de 1950 a Editora Abril lançou no Brasil o número 1 do Pato Donald, trazendo na capa o personagem brasileiro. A Abril contratou desenhistas e roteiristas locais para criarem histórias do papagaio que até hoje tem publicação própria no Brasil, ainda na mesma editora.
Zé, Panchito e Donald no desenho de 1945: política de boa vizinhança contra o nazismo
Quando o prazo apertado exigia mais HQs e não havia tempo para elaborar argumentos, o personagem chegava a ser desenhado sobre o Mickey ou o Pato Donald em histórias menores estreladas por eles.
Mas os quadrinhistas brasileiros também criaram outros papagaios de sucesso, primos de Zé Carioca, que representam outros Estados e constantemente entram em cena com o personagem - Zé Paulista, Zé Jandaia, Zé Queijinho, Zé dos Pampas, etc.
Também aprimoraram o núcleo do Papagaio – personagens como o simpático Afonsinho e os cobradores da Anacozeca são obra nacional.
Nos anos de 1990 os estúdios da Abril reformularam o papagaio e sua turma para os tempos atuais, trocando o tradicional terno e chapéu de palha por camisetas, tênis e boné. O novo visual foi bem aceito, mas nem sempre é usado - mesmo porque grande parte das histórias de antigamente são reeditadas entre as novas HQs nas revistas.
Com a namorada Rosinha, no visual mais moderno: sai o chapéu, entra o boné
Em abril de 2000, Zé Carioca protagonizou uma HQ excelente sobre a descoberta do Brasil, em homenagem aos 500 anos. Na revista, a história, feita com muito bom humor, é intercalada com relatos científicos e históricos sobre a descoberta do Brasil e a navegação portuguesa.
Enredo: Zé Carioca é um típico malandro brasileiro. Odeia trabalho, vive correndo de cobradores e mora em uma vila quase que favelada, a Vila Xurupita. O papagaio também sonha em ganhar na loteria (o que já ocorreu em uma das melhores séries já criadas pelos artistas nacionais, na revista O Zé Cutivo), não perde a chance de roubar uma jaca do vizinho e de filar uma boa feijoada e, principalmente, não pode ver um rabo-de-saia (para o azar da eterna prometida Rosinha Vaz). Zé também se mete em encrencas como detetive, na sua agência Moleza (que não é exatamente um - argh - trabalho) e tem uma identidade secreta, a de Morcego Verde - inspirado pelo Morcego Vermelho, de Patópolis (por sua vez, uma alegoria bem-humorada ao herói Batman na pele do atrapalhado Peninha). Nas histórias mais novas, o politicamente correto dá as caras e Zé é mostrado de maneira menos caricata, em especial menos malandro e vagabundo.
Personagens:

Além do próprio Zé, aparecem no núcleo de Vila Xurupita, entre outros: Rosinha, a namorada, e o “sogrão” ricaço Rocha Vaz; Nestor, Pedrão e Afonsinho, os melhores amigos; os cobradores da ANACOZECA (Associação Nacional dos Cobradores do Zé Carioca); Zé Galo, o rival malandro e atrapalhado; Luís Carlos, outro rival no amor de Rosinha; Glória, rival de Rosinha no amor pelo Zé; Zico e Zeca, os sobrinhos travessos.

Curiosidade: José Carioca foi criado por um brasileiro? - O grande ilustrador brasileiro J. Carlos participou da escolha e da criação de um papagaio para o grupo de desenhistas de Walt Disney. Em um jantar com os americanos, o próprio Walt teria convidado J. Carlos para trabalhar nos EUA. O artista chegou a fazer um cartoon em cores, onde um papagaio de charuto na boca (vale lembrar, Zé Carioca aparecia fumando charuto nos primeiros números) fazia as malas observado por outros animais. Mas J. Carlos desistiu da viagem. Disney, no entanto, foi embora levando o papagaio na mala. E mandou de volta José Carioca.

Papagaio! De canalha charmoso a malandro jovial, Zé Carioca chegou aos 70!




Ele surgiu como um canalha charmoso e sedutor, usando chapéu palha, paletó e muita lábia, mas definitivamente um canalha: vivia de golpes, enganava os amigos, era um mulherengo sem par. Os golpes foram aos poucos deixado de lado, substituídos por uma preguiça imensa e uma capacidade incrível de não emprestar dinheiro sem pagar de volta e dar calotes inúmeros. Muita gente reclamou do estereótipo antiético que ele dava ao brasileiro (mais especificamente o nascido no Rio) e nos anos de 1990 ele se submeteu ao politicamente correto, trocou chapéu e terno por boné e camiseta, e até arruma trabalho de vez em quando, mas continua usando a esperteza e não deixa de olhar para as moças, apesar de ser eternamente apaixonado por sua Rosinha.  Com 70 anos de vida completados em 2012, Zé Carioca ganhou de presente duas belas edições de aniversário pela Abril, que merecem lugar na gibiteca de qualquer leitor Disney que se preze.


Criado em 1942 como resultado de uma ação para reforçar a amizade entre EUA e Brasil em tempos de guerra – e com “inspiração” de desenho do cartunista brasileiro J.Carlos – Zé, ou melhor, Joe Carioca teve tiras publicadas nos jornais americanos de 1942 a 1944. As tiras, por sinal, são um dos atrativos do primeiro volume de Zé Carioca 70 anos (304 páginas, R$ 16,00). Elas foram especialmente coloridas digitalmente para a edição, que também traz histórias dos anos 40, 50 e 60.

Freddie Mercury and Montserrat Caballe - How can I go on


Super Super...