terça-feira 06 2012

Por que os cabelos caem



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Dedico este texto aos milhões de fios de cabelo caídos pelo mundo. Aos fios que acabaram no ralo. Aos que ficaram no travesseiro. Aos esquecidos nos incômodos assentos de aviões. Aos perdidos nos ombros de paletós. Aos que tombaram na calçada e aos que voaram pela janela do carro para nunca mais voltar. Mas é hora de pensar nos bravos fios que resistiram e cuidar para que não nos deixem tão cedo.
Caspa causa queda de cabelos?
Caspa sinaliza que o couro cabeludo está com dermatite seborreica, cujos sintomas são – além da própria caspa – excesso de oleosidade, vermelhidão e coceira. A dermatite pode causar queda de cabelo. Ou seja, se a pessoa está com caspa é sinal que pode estar perdendo cabelos por causa de dermatite. Se for este o seu caso, procure seu dermatologista.
Secador e chapinha causam queda de cabelos?
Não. Excesso de calor pode ressecar e danificar o fio, deixando-o sem brilho e quebradiço. Apesar disso, secador e chapinha não atingem o folículo capilar, estrutura que produz o fio e é responsável pelo seu crescimento e queda. Mas use delicadeza porque se você puxar muito seus fios quando faz escova, a tração forte e constante vai acabar arrancando-os.
Tintura causa queda?
Não. O motivo é o mesmo do secador e da chapinha: a tintura age no fio e não na raiz, e por isso não influencia na queda. Mas pode acontecer enfraquecimento das hastes dos cabelos, deixando-os ressecados, com pontas duplas e quebradiços. Uma exceção é quando a pessoa é alérgica à tintura. Aí o dano é maior, e pode ocorrer queda de cabelo após a tintura. Neste caso, a queda é acompanhada de vermelhidão, coceira e descamação do couro cabeludo.
Lavar os cabelos todos os dias causa queda?
Não. Os fios que caem durante o banho iriam cair de qualquer modo, pois estavam na fase de queda, completando o ciclo natural de vida deles. Massagear ou esfregar o couro cabeludo durante o banho também não causa queda de fios. Mas cuidado: o excesso de lavagens pode ressecar o cabelo. E, em pessoas com tendência a dermatite seborreica, água quente e massagem excessiva no couro cabeludo estimulam a oleosidade.
Boné ou capacete causam queda de cabelos?
Não, se o uso for esporádico. Mas usar diariamente um boné apertado  pode causar queda de fios nos pontos onde ele pressiona a pele. Também, ao passar muito tempo de boné, o calor e a umidade podem agravar uma dermatite seborreica, causadora de queda de cabelo. Mas, em geral, boné e capacete costumam ser inofensivos.
Penteado preso causa queda de cabelos?
Sim. Cabelos presos, como rabo de cavalo ou coque apertados, causam queda dos fios mais tracionados. É a chamada alopecia por tração, que é reversível mudando o penteado ou afrouxando o rabo ou coque.
Piscina prejudica o cabelo?
Sim. Cloro, algicidas e outros produtos de manutenção da água da piscina ressecam os fios e os deixam quebradiços. Claro que os benefícios da natação superam esses inconvenientes. E sempre dá para tomar cuidados extras: usar touca de silicone, por exemplo, que é mais impermeável à água. No banho, após a piscina, enxaguar abundantemente o cabelo com água morna ou fria. Usar condicionador regularmente, para hidratar, e fazer periodicamente máscaras capilares hidratantes ou hidratação no cabeleireiro.
Stress causa queda de cabelos?
Sim. Stress é uma causa frequente de queda de cabelos. E em pessoas predispostas a alopecia areata, condição que deixa o couro cabeludo com áreas arredondadas completamente calvas, o stress pode deflagrar uma crise.
Má alimentação causa queda?
Sim. Má alimentação é outra causa frequente de queda de cabelos. Para os cabelos serem saudáveis, a dieta deve ser balanceada. Inclua fontes de ferro, proteínas, vitaminas e gorduras insaturadas na sua alimentação.
Cortar fortalece os cabelos?
Não, infelizmente. Cortar o fio de cabelo não interfere no folículo, estrutura responsável pela produção e crescimento do fio. Nem na lua cheia, desculpe contradizer este mito tão simpático. Mas o corte elimina pontas ressecadas e pontas duplas, contribuindo para a boa aparência dos cabelos.
Queda de cabelos pode sinalizar problema de saúde?
Sim, e por isso é importante procurar orientação médica ao notar que seus cabelos estão caindo mais que o habitual. Alterações da tireoide, alterações hormonais, anemia, uso ou suspensão de alguns medicamentos, entre outras causas, podem afetar o ciclo normal de crescimento dos cabelos.
Por Lucia Mandel
http://veja.abril.com.br/blog/estetica-saude/tratamento/por-que-os-cabelos-caem/

Mercadante doutor pela Unicamp? É mentira!


Em 16/08/2006
 às 19:31

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Se vocês observarem bem, há algo de comum entre Ciro Gomes e Aloizio Mercadante. Os dois são capazes de fazer um elenco de números e dados com uma formidável imprecisão técnica. São, assim, como direi?, chegados a falar o que lhes dá na veneta. Mas sempre com muita convicção. E partilham de um outro hábito. Vocês se lembram de que, logo depois de ser sair da disputa presidencial no primeiro turno, em 2002, prosperou a versão de que Ciro tinha ido para Harvard especializar-se em sei lá o quê? Foi estudar inglês. Tomara que tenha aprendido. No debate da TV Gazeta, aquele que ninguém viu — ou quase, hehe —, o candidato do PT ao governo de São Paulo disse: “Fiz mestrado e doutorado [em economia] na Unicamp”. Ops! Não fez, não. Vai ter de mostrar o canudo. Mas, para mostrar, terá de fabricar um primeiro. Busquem lá as informações na universidade: ele até acompanhou algumas aulas do doutorado, mas, como não apresentou a tese, foi desligado do programa. Vaidoso que é, até pode se considerar um doutor honorário — em economia ou no que quer que seja (ele sempre fala com igual convicção sobre qualquer assunto, especialmente os que desconhece). Mas doutor em economia pela Unicamp, ah, isso ele não é. Esses petistas… Ou fazem a apologia da ignorância, como o Apedeuta-chefe, ou tentam exibir galardões intelectuais que não têm.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/mercadante-doutor-pela-unicamp-mentira/

Mercadante queria que estudantes fizessem o que ele fez em seu “doutorado”: puxar o saco de Lula. Demonstro!


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Não pensem que a prova de redação é o único absurdo patrulheiro do Enem. Não é não! Há coisa que só não é pior porque não tem a mesma importância dessa prova, que representa 50% da nota total do exame. Um candidato pode acertar, sei lá, 90% das questões, mas “desrespeitar os direitos humanos” segundo o juízo do examinador. Já era! Um candidato que seja considerado um humanista exemplar, no entanto, ainda que notavelmente ignorante, pode suplantar o outro… Prova que permite esse tipo de coisa, entregando ao examinador tal poder discricionário, tem viés totalitário, ainda que não se perceba à primeira vista. Mas vamos ao ministro Aloizio Mercadante.
Ele decidiu fazer a sua própria redação, revelando, no fim das contas, qual era a intenção da prova. Leiam o que disse sobre a escolha do tema da redação:
“Temos uma comissão competente que considerou, entre tantas sugestões de tema, este o mais adequado. Ele pressupõe a capacidade de articular informações e refletir sobre o momento que o Brasil está vivendo. O Brasil é um país que teve uma diáspora, mas, com a estabilidade, a democracia, hoje atrai povos. Acho que é um tema bastante contemporâneo, desafiador e não previsto”.
Voltei
Eis aí. O objetivo era cantar as glórias do governo Lula, a exemplo do que fez Mercadante com sua tese mandraque de doutorado, feita no joelho, lá nos corredores da Unicamp. Já falo um pouco mais a respeito. O Brasil nunca viveu diáspora nenhuma! Isso é uma grande bobagem, mero exagero de retórica.
É a “democracia” que atrai os haitianos para o Brasil ou o fato de que o país entrou no radar daquela pobre gente depois da infeliz intervenção que promove por lá? É a estabilidade que atrai os bolivianos ou a miséria a que está condenada boa parte da população daquele país, que vai perdendo chance de futuro, com Evo Morales, o “querido de Lula”, dia após dia?
A realidade não importa. Ao fazer a sua própria redação, Mercadante — sem limites, como sempre — estabelece, inclusive, aquele que deve ser o norte dos corretores, que ele parece querer transformados num batalhão a serviço de uma causa. Já temos o nosso Ministério da Ideologia.
Tudo é históriaNo dia 16 de agosto de 2006. Ele era candidato ao governo de São Paulo. É aquela eleição em que Hamilton Lacerda, seu braço direito, foi flagrado transportando R$ 1,7 milhão para pagar o dossiê dos aloprados. O preclaro contou no ar uma inverdade. Transcrevo trecho ( em azul):
(…)
No debate da TV Gazeta, aquele que ninguém viu — ou quase, hehe —, o candidato do PT ao governo de São Paulo disse: “Fiz mestrado e doutorado [em economia] na Unicamp”. Ops! Não fez, não. Vai ter de mostrar o canudo. Mas, para mostrar, terá de fabricar um primeiro. Busquem lá as informações na universidade: ele até acompanhou algumas aulas do doutorado, mas, como não apresentou a tese, foi desligado do programa. Vaidoso que é, até pode se considerar um doutor honorário — em economia ou no que quer que seja (ele sempre fala com igual convicção sobre qualquer assunto, especialmente os que desconhece). Mas doutor em economia pela Unicamp, ah, isso ele não é. Esses petistas… Ou fazem a apologia da ignorância, como o Apedeuta-chefe, ou tentam exibir galardões intelectuais que não têm.
É isso aí. O “doutor” doutor não era, entenderam? A sua, por assim dizer, tese foi defendida bem mais tarde, só em dezembro de 2010. Redigiu um calhamaço cantando as glórias do governo Lula — o que ele espera que os alunos tenham feito na prova de redação. Convidou para a banca Delfim Netto, João Manoel Cardozo de Mello, Luiz Carlos Bresser Pereira e Ricardo Abramovay. E deitou falação em defesa das conquistas da gestão petista em tom de comício, atacando, claro!, o governo FHC. Até os camaradas ficaram um tanto constrangidos e se viram obrigados a algumas ironias. Destaco, em vermelho, um trecho de uma reportagem, então, da Folha. Vejam que divertido:
Coube ao ex-ministro Delfim Netto, professor titular da USP, a tarefa de dar o primeiro freio à pregação petista. “Esse negócio de que o Fernando Henrique usou o Consenso de Washington… Não usou coisa nenhuma!, disse, arrancando gargalhadas. “Ele sabia era que 30% dos problemas são insolúveis, e 70%, o tempo resolve.” Irônico, Delfim evocou o cenário internacional favorável para sustentar que o bolo lulista não cresceu apenas por vontade do presidente. “Com o Lula você exagera um pouco, mas é a sua função”, disse. “O nível do mar subiu e o navio subiu junto. De vez em quando, o governo pensa que foi ele quem elevou o nível do mar…”
“O Lula teve uma sorte danada. Ele sabe, e isso não tira os seus méritos”, concordou João Manuel Cardoso de Mello (Unicamp), que reclamou de “barbeiragens no câmbio” e definiu o Fome Zero como “um desastre”. À medida que o doutorando rebatia as críticas, a discussão se afastava mais da metodologia da pesquisa, tornando-se um julgamento de prós e contras do governo. Só Luiz Carlos Bresser Pereira (USP) arriscou um reparo à falta de academicismo da tese: “Aloizio, você resolveu não discutir teoria…”. Ricardo Abramovay (USP) observou que o autor “exagera muito” ao comparar Lula aos antecessores. “Não vejo problema em ser um trabalho de combate”, disse. “Mas você acredita que o país estaria melhor se as telecomunicações não tivessem sido privatizadas?”
Entenderam?Esses eram aqueles que o próprio Mercadante chamou para avaliá-lo, hein!? Eram os “de confiança”. O que vai acima é o relato de uma humilhação intelectual para quem tem parâmetros para entendê-la. Mercadante, um homem destemido, comprovadamente sem medo do ridículo, não teve dúvida: respondeu a questão — ou melhor: não respondeu — atacando o preço dos pedágios em São Paulo!!! E saiu de lá com o título de “doutor”, conquistado com uma peroração de caráter puramente político. 
A época, reproduzi trecho de um post do economista Alexandre Schwartsman (em azul). Relembro:
[para um doutorado] Basta colocar no papel uns tantos elogios ao governante de plantão, juntar meia dúzia de compadres dispostos a participar da farsa, achar um departamento que se sujeite a este tipo de coisa e, parabéns, você é o mais novo doutor em Economia do Brasil, sem ter feito qualquer, minúscula, mísera migalha de contribuição para o desenvolvimento da ciência. De quebra, desmoralizou um título que muita gente boa teve que trabalhar duro para conquistar.
Talvez dê para descer um pouco mais, mas, sinceramente, vão ter que se esforçar.
EncerroÉ isso aí. Mercadante arranjou seu doutorado praticamente sem fazer pesquisa, sem lidar com a teoria, sem apelar à ciência. Produziu só ideologia encomiástica.
Assim, que importa que a tese da redação do Enem seja uma bobagem, contestada por 10 entre 10 especialistas com um mínimo de seriedade? De uma tese de doutorado à redação de um aluno do ensino médio numa prova oficial, a ordem é cantar as glórias do regime.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/mercadante-queria-que-estudantes-fizessem-o-que-ele-fez-em-seu-doutorado-puxar-o-saco-de-lula-demonstro/

O tema estúpido da redação do Enem, as mentiras do examinador e as duas exigências absurdas feitas aos estudantes. Ou: Intelectualmente falando, prova de redação deveria ser impugnada!



Não vi no detalhe a prova do Enem. Sei que professores de cursinho divergem sobre a resposta de algumas questões, a maioria relacionada a interpretação de texto, que costuma mesmo ser terra de ninguém. Mas não vou me ater a isso agora. Quero aqui comentar o tema da redação.
Poucas pessoas se deram conta de que o Enem — quem quer tenha elaborado a prova — deu à luz uma teoria e obrigou os pobres estudantes a escrever a respeito, a saber: “O movimento imigratório para o Brasil no século XXI”. Ainda que houvesse efetivamente um fenômeno de dimensão tal que permitisse tal afirmação — não há —, cumpre lembrar que estamos apenas nos 12 primeiros anos do referido século.
“Século”, em ciências humanas, não é só uma referência temporal. É também um tempo histórico. Mais 30 anos podem se passar, sem que tenhamos chegado à metade do século 21, e podem diminuir drasticamente as correntes — que nem são fluxo nem são movimento — de migração para o Brasil. Tratar esse evento como característica de século é burrice. Provo: “O PT é o partido que mais elegeu presidentes no século XXI”. O que lhes parece? Ou ainda: “O PSDB é o maior partido de oposição do século XXI no Brasil”. Ou isto: “O PMDB, no século 21, participa de todos os governos”.
Ao estudante, são apresentados três textos de referência. Um deles trata da imigração para o Brasil no século 19 e começo do século 20 e de sua importância na formação do país. Um segundo aborda a chegada dos haitianos ao Acre, e um terceiro trata dos bolivianos clandestinos que trabalham em oficinas de costura em São Paulo.
Vejam que curioso. O examinador acabou fazendo a redação — e das ruins, misturando alhos com bugalhos. Tenta-se induzir os alunos a relacionar essas duas ocorrências recentes — a chegada de haitianos e de bolivianos — aos fluxos migratórios do passado, quando houve um claro incentivo oficial à entrada de imigrantes. Os fatos de agora não guardam qualquer relação de forma ou conteúdo com o que se viu no passado.
Mas e daí? O Enem não está interessado em rigor intelectual — e bem poucos alunos do ensino médio teriam, com efeito, crítica suficiente para estabelecer as devidas diferenças. A prova não quer saber dessas diferenças — e chego a temer que um aluno mais preparado e ousado, coitado!, possa quebrar a cara. Um ou outro poderiam desmoralizar a “teoria”, com o risco de ser desclassificado.
Na formulação da proposta, pede-se que o aluno trate do tema “formulando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos”. Assim, exige-se do pobre que, além de defender e sustentar com argumentos uma tese estúpida, ainda se comporte como um verdadeiro formulador de políticas públicas ou, sei lá, um especialista em populações.
Essas duas exigências foram já incorporadas às provas de redação do Enem. Muito bem: digamos que um estudante seja contrário a que se concedam vistos a quaisquer pessoas que cheguem clandestinas ao Brasil, defendendo que sejam repatriadas. Esse aluno hipotético estaria apenas cobrando respeito à lei — pela qual deve zelar o Poder Público — o mesmo Poder Púbico que realiza a prova.
Digam-me cá: a repatriação de clandestinos é uma “intervenção aceitável”, ou o estudante está obrigado a concordar com o examinador, como há de ceder que, afinal, dois mais dois são quatro? A repatriação, no caso, seguindo os passos das leis democraticamente instituídas no Brasil, caracteriza um atentado aos direitos humanos? Até agora, o próprio governo federal não sabe o que fazer com os haitianos, e o Ministério Público do Trabalho não consegue coibir a exploração da mão de obra boliviana. Por que os estudantes teriam de ter para isso uma resposta?
Atenção! Eu nem estou aqui a defender isso ou aquilo. Noto apenas que a imigração ilegal divide opiniões no mundo inteiro e que é um absurdo, uma arrogância inaceitável, que se possa, depois de inventar uma tese, estabelecer qual é a opinião correta que se deve ter a respeito, exigindo ainda que os estudantes proponham “intervenções”, porém vigiados pelo “Tribunal dos Direitos Humanos”. Aí o bobinho esperneia: “Mas defender os direitos humanos não é um bem em si, um valor em si?”. Claro que é! Assim como ser favorável ao Bem, ao Belo e ao Justo. A questão é saber que tribunal decide quando “os direitos humanos” estão ou não a ser respeitados. Eu, por exemplo, considero que seguir leis democraticamente instituídas ou referendadas, segundo os fundamentos da dignidade humana (a integridade física e moral), é uma expressão eloquente dos… direitos humanos!
A prova é apenas macumbaria multiculturalista mal digerida — não que possa haver uma forma agradável de digeri-la, é bom deixar claro! As provas de redação do Enem — e de vários vestibulares — têm cobrado que os alunos sejam mais bonzinhos do que propriamente capazes.
Não por acaso, nas escolas e nos cursinhos, as aulas de redação têm-se convertido — sem prejuízo de o bom professor ensinar as técnicas da argumentação — numa coleção de dicas politicamente corretas para o aluno seduzir o examinador. Com mais um pouco de especialização, o pensamento será transformado numa fórmula ou numa variante do “emplastro anti-hipocondríaco”, de Brás Cubas (o de Machado de Assis), destinado “a aliviar a nossa pobre humanidade da melancolia”.
É o que têm feito os professores: um emplastro antipoliticamente incorreto, destinado a “aliviar os nossos pobres alunos da tentação de dizer o que eventualmente pensam”.
Isso, como todo mundo sabe, é o contrário da educação.
A partir de hoje, começo a escarafunchar as teses de especialistas brasileiros em geografia humana e populações em busca do “Movimento Migratório para o Brasil no século 21″ — nada menos. Segundo critérios estritamente intelectuais, essa prova de redação deveria ser simplesmente impugnada.
Sei que não é conforto para os alunos que fizeram a prova, mas escrevo mesmo assim: se vocês não tinham muito o que dizer a respeito, não fiquem preocupados — vocês foram convidados a falar sobre uma falácia, sobre o nada.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-tema-estupido-da-redacao-do-enem-as-mentiras-do-examinador-e-as-duas-exigencias-absurdas-feitas-aos-estudantes-ou-intelectualmente-falando-prova-de-redacao-deveria-ser-impugnada/

Marcos Valério, a redução da pena e o Programa de Proteção à Testemunha


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O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou ontem, num encontro de magistrados, em Aracaju, que o empresário Marcos Valério ainda não precisa de proteção especial e que o eventual benefício de uma delação premiada não se aplica ao processo em curso no STF, que já está na fase da dosimetria, mas somente a outros que estão em curso ou que venham a ser abertos. A segunda parte me parece ok; quanto à primeira, tenho minhas dúvidas.
A esta altura, está claro para muita gente que ele aceita falar desde que obtenha, com isso, benefícios. Valério certamente está interessado no Programa de Proteção à Testemunha. Ainda que sua condenação não fosse anulada, ele não iria para a cadeia. Seria enviado a algum lugar ignorado, sob guarda da Polícia Federal. Ele já esboçou algumas coisas, mas, tudo indica, ainda é pouco. Deu a entender que sabe mais. No depoimento que fez ao Ministério Público, em setembro, tocou no assunto que o PT coloca na categoria do nefando: a morte do prefeito Celso Daniel. Segundo afirmou, foi procurado por emissários para entregar dinheiro a pessoas de Santo André que estariam chantageando Luiz Inácio Lula da Silva e Gilberto Carvalho, ameaçando ligá-los ao imbróglio que teria resultado na morte do prefeito. Ele teria se recusado a participar, mas a operação teria sido deflagrada.
Em Aracaju, Gurgel sugere que Valério não falou o bastante para merecer amparo especial. À primeira vista, parece, de fato, precipitado pensar em incluí-lo no Programa. Tampouco soa razoável a afirmação de que tenha colaborado de forma importante com a investigação a ponto de merecer redução da pena. Falou quando já não havia mais saída. A sua contribuição para a elucidação do esquema não é comparável à de Roberto Jefferson. Mas calma lá!
Se ele ofereceu muito pouco para merecer integrar o Programa de Proteção à Testemunha, é preciso considerar que é um arquivo vivo — por enquanto! — do esquema a que se chamou “mensalão”, de que se conhece só uma fatia. O próprio delegado que investigou a lambança, Luiz Flávio Zampronha, tem essa convicção a partir dos dados que colheu na investigação.
Afirmar que Marcos Valério não está correndo risco de morrer corresponde a ignorar os fatos e a história. Se assim não fosse por tudo o que falou até agora, assim seria por tudo aquilo que certamente silenciou — e deve haver muita gente interessada em que fique com a boca pra sempre fechada. Ele é um jogador? No seu ramo de atividade, tem de ser. Ninguém fala o que sabe em casos assim se não for para obter benefícios. A questão é avaliar a qualidade do que diz.
Ao país, interessa que Valério fale o que sabe. E os esforços devem ser feitos nesse sentido. 
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/marcos-valerio-a-reducao-da-pena-e-o-programa-de-protecao-a-testemunha/

Israel está pronto para um ataque ao Irã, diz Netanyahu


Diplomacia

Premiê ressaltou que não vai permitir que Teerã consiga armas nucleares e descartou a necessidade de apoio internacional para uma ação militar

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusa o Irã de tentar fabricar bomba atômica
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusa o Irã de tentar fabricar bomba atômica (Jack Guez/Reuters)
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, voltou a subir o tom contra as pretensões nucleares do Irã e afirmou que Israel está pronto para, se necessário, lançar um ataque às instalações atômicas do país islâmico. Em entrevista para a rede de televisão Channel 2, na noite desta segunda-feira, o premiê disse que se não houver outro jeito de frear a escalada do programa nuclear de Teerã, ele está preparado para "apertar o botão" autorizando a ofensiva.

"Estamos prontos", garantiu, sem deixar de frisar que não está “ansioso para ir à guerra” e prefere resolver a situação mediante pressões diplomáticas. Netanyahu, no entanto, alertou que Teerã prossegue com a intenção de construir armamentos atômicos e ressaltou que é sua responsabilidade defender a existência de Israel. "Enquanto eu for o premiê, o Irã não terá a arma nuclear. Se não houver outra possibilidade, Israel terá que agir."


As fortes declarações de Netanyahu contrastam com a afirmação de seu ministro de Defesa,Ehud Barak, que disse na semana passada que o Irã deu um passo atrás em sua ambição atômica e, por causa disso, a decisão de atacar ou não o país islâmico ficaria para o ano que vem.

Ação unilateral - Na entrevista desta segunda, Netanyahu insinuou que Israel poderia inclusive atacar o Irã sem esperar qualquer aprovação internacional – nem a dos Estados Unidos. “Quando David Ben-Gurion (o primeiro premiê israelense) declarou a fundação do estado de Israel, ele fez isso com a aprovação americana?”, questionou. Apesar do discurso inflamado, Netanyahu lembrou que Barack Obama já reconheceu formalmente o direito de autodefesa de Israel.

O premiê israelense e o presidente americano têm uma relação fria e discordam sobre a forma mais apropriada de lidar com a questão iraniana. Embora Obama afirme que todas as opções são válidas para impedir que Teerã desenvolva uma bomba atômica, ele defende que ainda há tempo para a diplomacia e que, no momento, as sanções econômicas são as melhores armas. Enquanto isso, Netanyahu acredita que o tempo para impedir o Irã está se esgotando e pede que a comunidade internacional dê um ultimato claro – a famosa “linha vermelha” – para que Teerã interrompa seu programa nuclear.

Revelação - Em uma reportagem especial, o canal de televisão israelense também relatou que o ataque contra o Irã quase aconteceu em 2010. Segundo o Channel 2, Netanyahu e seu ministro da Defesa, Ehud Barak, deram a ordem às Forças Armadas para preparar uma ofensiva contra as instalações nucleares de Teerã, mas a missão acabou sendo cancelada diante da oposição dos chefes do Estado-Maior e do Mossad, o serviço secreto de Israel.

(Com agência France-Presse)

Capital Inicial - Tempo Perdido - Tributo Renato Russo - Legiao Urbana

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