sábado 13 2015

Pronunciamento de Gilma Rou7: Cortem e compartilhem!

size_590_dilma-rousseff-escurecidaOi, internautas.
Eu sou a Gilma. Ocês tão lembrado de mim?
Devem de estar. Afinal, eu só apareço na internet, né? Aqui, as panelas não fazem barulho. Quero dizer: a menos que ocês aperte o play.
O meu atraso de hoje é culpa do meu marqueteiro, que foi colocar o sono em dia porque em noite estava muito difícil.
Mas eu vim me pronunciar por quê? Porque eu preciso anunciar a ocês um grande corte.
Nos impostos d’ocês? Não.
No sigilo do BNDES? Não.
No trimestre de quatro meses da Petrobras? Também não.
Ocês parem de querer adivinhar as coisas, tá bão?
O corte é de 69,9 bilhões de reais no Orçamento. Isso quer dizer o quê?
Quer dizer que o meu governo bebeu, bebeu, bebeu e, para não cair, mandou a conta pr’ocês.
Ocês veja:
Para calcular essa conta, o ministério da Fazenda estimou que o Brasil terá uma retração de 1,2% do PIB e que a inflação oficial será de 8,26%, quase o dobro do centro da meta, de 4,5%.
Não quero me gambá não, mas a inflação acumulada em 12 meses é a maior dos últimos 11 anos, como anunciou o IBGE.
Isso quer dizer o quê? Que está tudo sob controle.
Do diabo, claro. Aquele da hora da eleição.
Para me eleger, o Lula sempre disse, por exemplo, que eu sou a mãe do PAC.
Como boa mãe, o que foi que eu fiz? Cortei 25,7 bilhões de reais do PAC.
A fase 3 do Minha Casa Minha Vida está atrasada por quê? Porque casa é como festa, gente: o melhor é esperar por ela.
Ocês sabem também que, para lema de governo, nós escolhemos Brasil, Pátria Educadora.
Como boa educadora, o que foi que eu fiz? Cortei 9 bilhões de reais da Educação.
Uma mãe educadora tem de saber cortar os direitos que prometeu aos seus filhos. Pergunte aos trabalhadores se eu não corto!
Falando nisso, nós precisamos de ser sinceros: brasileiro não gosta de trabalhar.
Então eu fiz o quê? Causei uma redução de 97.828 postos de trabalho em abril deste ano, como anunciou o Caged.
Não quero me gambá não, mas é o pior resultado desde 1992, quando se iniciou a série histórica do Ministério do Trabalho e Emprego. Em 1992, o governo era de Fernando Collor de Mello. #ChupaCollor.
Quero acrescentar também que, entre os jovens, o aumento do desemprego foi ainda maior: passou de 12% em 2014 para 16,2% no mês passado. Quem gosta menos de trabalhar do que os jovens? Ninguém, pô.
Jovem gosta é de futebol.
Pensando nisso, eu doei 100.000 réais para a campanha do deputado federal do PT de São Paulo Andrés Sanchez, ex-presidente do time do Lula, o Corinthians.
Agora que as contas da campanha dele foram rejeitadas pelo TRE-SP, ele resolveu revelar o nosso segredinho.
Eu não revelei antes por quê? Ora, porque eu não sou de me gambá.
Por isso é que, depois da eleição, o tesoureiro do partido, Antônio dos Santos, “retificou o doador originário de Dilma Rousseff para a empresa UTC Engenharia” - aquela do Ricardo Pessoa, o líder do cartel das empreiteiras preso pela Operação Lava Jato.
Lavar é com o PT, tá pensando o quê?
Eu me doei muito para o petismo. E o PT ama tanto os pobres que sempre tentou deixar os brasileiros mais pobres.
Eu consegui.
Segundo o FMI, a renda per capita em 2015 no Brasil será de 9.312 dólares. Há 5 anos, quando eu assumi o governo, era de 11.300 dólares.
Sei que muitos d’ocês ganham bem menos que isso, mas é que o pessoal do PT precisa de ganhar mais, então dividindo tudo é o que dá. Quero dizer: dividindo, só no cálculo, tá bão?
Ocês veja o caso dos “consultores” investigados pela Lava Jato.
Durante os nossos governos, eles multiplicaram sua riqueza em até 97 vezes, segundo um levantamento da Receita Federal.
Milton Pascowitch, um pouco mais modesto, ficou em apenas 50 vezes: saiu de 570 mil reais, em 2003, para 28,2 milhões de reais, em 2013.
Coitada da deputada Manuela D’Ávila, do PCdoB, que saiu de 14 mil reais em 2010 para 184 mil reais agora, aumentando seu patrimônio em “apenas” 1.200%. Nem tem como competir com os operadores petistas. Eles movimentaram 311,2 milhões de reais para garantir, claro, os cortes que eu vim anunciar aqui hoje pr’ocês.
No meu governo, ocês têm corte no bolso, no ombro, no abdômen, no dedo…
É por isso que tenho muito orgulho de cada um d’ocês, brasileiros e brasileiras, que dão a poupança e o sangue pelo nosso país.
Não se esqueçam: eu sou a Gilma Rou7 e o Lula sou eu amanhã.
Cortem e compartilhem, ok?
Até a próxima, internautas.
Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

O terrorismo de Dilma Rousseff e a insanidade brasileira

Agora que o terrorista de Boston foi condenado à morte, relembro meu artigo “A verdadeira insanidade”, publicado em abril de 2013, após a reação de Dilma Rousseff ao episódio.
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Dilma condenou as explosões na Maratona de Boston como um “ato insano de violência”. Mas não foi assim que ela começou a carreira? Ou não terá sido um “ato insano de violência” aquele que matou o soldado Mário Kozel Filho, de 18 anos, em junho de 1968? Foi o seu grupo, a Vanguarda Popular Revolucionária, que acelerou um carro-bomba, com vinte 20 quilos de dinamite, para dentro de um Quartel General em São Paulo, despedaçando o corpo do rapaz e ferindo mais seis militares.
Mário foi apenas o primeiro dos oito assassinados pela VPR nos tempos de Dilma, e ainda haveria mais cinco pela VAR-Palmares e três pelo Colina, os outros dois grupos que ela integrou, em total sanidade, quando lutava pela implantação de uma ditadura comunista no Brasil, com instruções e armas vindas do exemplar regime de Fidel Castro em Cuba.
Dilma expressou sua “solidariedade, em nome de todos os brasileiros, às vítimas e suas famílias”? Falou em “trágico incidente”? Não. Ajudou a criar a “Comissão da Verdade” para glorificar seus feitos terroristas como luta pela democracia e demonizar os inimigos da revolução. Tudo com o amparo de professores e jornalistas militantes, que bombardeiam há 40 anos a cabeça dos brasileiros, despedaçando seus neurônios com a falsificação da história.
Se o atentado da Maratona de Boston tivesse ocorrido no Brasil, o autor seria forte candidato a presidente de 2055. Como foi nos EUA, o autor terá de se contentar, se tanto, em ser o padrinho político e intelectual do futuro presidente. O amigo e ghost-writer de Obama, Bill Ayers, responsável por lançar sua carreira em Chicago com uma arrecadação de fundos em sua própria casa, no bairro onde Obama morava, também começou como Dilma.
Co-fundador do grupo revolucionário comunista Weather Underground, Ayers participou da plantação de uma porção de bombas, como na estátua de sua cidade dedicada a baixas policiais, em 1969 (estátua que foi reconstruída no ano seguinte e novamente bombardeada por integrantes de seu grupo); na sede do Departamento de Polícia de Nova York, em 1970; no Capitólio, em 1971; e no Pentágono, em 1972.
Hoje Ayers é uma figura estelar da educação americana, autor de livros, professor aposentado da Universidade de Illinois e agora professor visitante da Minnesota State University Moorhead, onde poderá mais uma vez celebrar a decadência econômica, política e cultural do “império americano”, lamentar o poderio militar do país e falar aos jovens da importância de serem “cidadãos do mundo”, como fez ano passado na Universidade de Oregon. Qualquer semelhança entre suas ideias e os atos de seu afilhado Obama contra a soberania nacional não são mera coincidência.
(A amizade íntima entre eles e a festinha para um na casa do outro foram negadas durante a campanha de 2008, mas admitidas por Ayers na semana passada, porque, com Obama reeleito, já não há mais o que temer.)
Duas ex-integrantes do Weather Underground também são hoje estrelas acadêmicas: a esposa de Ayers, Bernardine Dohrn, é professora de Direito da Northwestern University School of Law; e Kathy Boudin, condenada em 1984 por assassinato, da Columbia University. Todos empenhados em promover a “justiça social”, isto é, em tornar os EUA um grande Brasil socialista.
Se são radicais? Ora, radicais somos nós, que julgamos o terrorismo real e intelectual dos esquerdistas revolucionários tão repugnante quanto o da Maratona de Boston. Radical sou eu que reconheço que aquele terror, pregado abertamente por Karl Marx, tampouco é o que há de mais insano no mundo. O verdadeiro “ato insano” do nosso tempo foi o dos americanos, brasileiros e outros que deixaram essa gente bombástica subir ao poder.
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PESSOAS ASSASSINADAS PELA VPR
– 26/06/68 – Mário Kozel Filho – Soldado do Exército – SP
- 27/06/68 – Noel de Oliveira Ramos – Civil – RJ
- 12/10/68 – Charles Rodney Chandler – Cap. do Exército dos EUA – SP
- 07/11/68 – Estanislau Ignácio Correia – Civil – SP
- 09/05/69 – Orlando Pinto da Silva – Guarda Civil – SP
- 10/11/70 – Garibaldo de Queiroz – Soldado PM – SP
- 10/12/70 – Hélio de Carvalho Araújo – Agente da Polícia Federal – RJ
- 27/09/72 – Sílvio Nunes Alves – Bancário – RJ*
PESSOAS ASSASSINADAS PELA VAR-PALMARES
- 11/07/69 – Cidelino Palmeiras do Nascimento – Motorista de táxi – RJ
- 24/07/69 – Aparecido dos Santos Oliveira – Soldado PM – SP
- 22/10/71 – José do Amaral – Sub-oficial da Reserva da Marinha – RJ
- 05/02/72 – David A. Cuthberg – Marinheiro inglês – Rio de Janeiro
- 27/09/72 – Sílvio Nunes Alves – Bancário – RJ*
PESSOAS ASSASSINADAS PELO COLINA
- 29/01/69 – José Antunes Ferreira – Guarda Civil – BH/MG
- 01/07/68 – Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen – Major do Exército Alemão – RJ
- 25/10/68 – Wenceslau Ramalho Leite – Civil – RJ
* O nome se repete porque Sílvio foi assassinado em assalto ao Banco Novo Mundo, na Penha, pelas organizações terroristas PCBR – ALN – VPR – Var Palmares e MR8. Autor do assassinato: José Selton Ribeiro.
Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

Hamlet 1990 Filmes Completos Dublados





O horário eleitoral de Dilma disfarçado de Programa do Jô


Dilma Jô 3
Feliz Dia dos Namorados!
- Jô Soares tenta se defender da “reputação de petista fanático” por ter saído em defesa de Dilma Rousseff. Acha que defender Dilma é natural.
- Jô Soares diz que Dilma Rousseff é uma leitora compulsiva. E não foi uma piada.
- A única coisa que Dilma conseguiu dizer sobre a Bíblia é que ela tem metáforas.
- João Santana escreveu as perguntas de Jô Soares também?
- Eu vivi para ver Jô questionar Dilma sobre “a pressão dos radicais”. Sim: Dilma, a ex-terrorista “moderada” que sempre lutou pelo comunismo.
- Jô Soares é tão garoto-propaganda de Dilma Rousseff que atribui “machismo” aos seus críticos.
- Dilma em mais um ato-falho: “Vamos fazer o possível para o Brasil voltar a ter uma inflação…”
- Dilma sobre caos em hospitais: “Presidente não pode só se indignar. Tem de fazer.” O que Dilma faz? Culpa o fim da CPMF. Quer mais impostos.
- Dilma: “Pra mim a grande questão do Brasil é educação + educação + educação.” São 12 anos no poder. E Brasil segue na lanterna dos rankings.
- Dilma não disse, mas cortou 9 bilhões de reais da Educação. É mesmo “uma grande questão” para ela.
- Dilma disse que a Petrobras ganhou o Oscar. Só esqueceu de dizer que foi o de Melhor Maquiagem.
- Dilma: “A Petrobras está no caminho certo.” Verdade. O da Justiça americana.
- Dilma não quer que ninguém acabe com o Ministério das Mulheres, “porque ele é simbólico”. O dinheiro dos impostos é “simbólico” para Dilma.
- Jô: “Como você quer ser conhecida pela História?” Dilma: “Como uma pessoa que não abandonou duas coisas: os interesses do seu povo” (a militância do PT) “e a soberania do país” (que seu Foro de São Paulo violou).
- Jô Soares agradece Dilma Rousseff pelo “momento histórico em meus 54 anos de profissão”. Verdade. O marco de um melancólico fim de carreira.
- O melhor momento do horário eleitoral do PT travestido de Programa de Jô foi o intervalo.
Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

sexta-feira 12 2015

Hamlet de Shakespeare e o mundo como palco - Leandro Karnal (íntegra) HD



Adoro este palestrante. Vou continuar admirando o homem que ele é. Mas não concordo quando ele diz que somos BIPOLARES por não querer ouvir mentiras, afirmações de que tudo está sob controle, que esta gravíssima crise que estamos passando, não é culpa da presidente e de seus aliados.... Realmente, pedir para escutar esta gente, é pedir demais!!!

MP pede condenação da cúpula da Mendes Junior


Procuradores pedem também o pagamento de 237,6 milhões de reais. Em uma ação paralela de improbidade administrativa, a Justiça já bloqueou outros 137,5 milhões de reais do grupo

Sérgio Cunha Mendes (ao centro) fica calado em audiência da CPI da Petrobras
Sérgio Cunha Mendes (ao centro) fica calado em audiência da CPI da Petrobras(Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados/VEJA)
Os procuradores que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato apresentaram ao juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, pedido de condenação dos principais executivos da construtora Mendes Junior por crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e uso de documento falso. A denúncia apresentada pelo Ministério Público descreve a atuação criminosa de dirigentes da empreiteira, uma das participantes do chamado Clube do Bilhão, na fraude de contratos e aditivos nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), das refinarias de Paulínia (Replan), Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR), e Gabriel Passos (Regap), entre Betim e Ibirité (MG), e dos terminais aquaviários Barra do Riacho, de Ilha Comprida e Ilha Redonda.
Para o Ministério Público, os executivos da Mendes Junior, incluindo o vice-presidente Sergio Cunha Mendes, o diretor de Óleo e Gás Rogério Cunha de Oliveira e o ex-vice-presidente corporativo Ângelo Alves Mendes, devem ser condenados a penas não inferiores a 30 anos de prisão. E mais: o MP pede o pagamento de 237,64 milhões de reais, sendo 30,34 milhões de reais referentes ao valor projetado de propina pago pela construtora e 207,29 milhões de reais como compensação pelo dano imposto à Petrobras. A Justiça Federal do Paraná já havia determinado o bloqueio de 137,5 milhões de reais do Grupo Mendes Junior na tentativa de reaver, por meio de uma série de ações civis públicas de improbidade administrativa, os cerca de 6 bilhões de reais retirados dos cofres da estatal.
Além da alta cúpula da empreiteira, o MP pediu a condenação, entre outros, do doleiro Alberto Youssef, do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Enivaldo Quadrado, já condenado por lavagem de dinheiro no julgamento do mensalão. Como os dois primeiros fizeram um acordo de delação premiada, aceitando colaborar com as investigações da Justiça, o juiz Sergio Moro deve declará-los culpados, mas não deve aplicar a eles a pena de reclusão.
Nos autos da Operação Lava Jato, a Mendes Junior chegou a admitir que repassou, de 2011 a 2012, cerca de 8 milhões de reais para as contas das empresas de fachada GFD Investimentos e Empreiteira Rigidez, controladas pelo doleiro Alberto Youssef, embora tenha alegado que sofreu "extorsão" e foi "obrigada" a pagar a propina sob pena de ficar fora da disputa por contratos com a Petrobras. Em depoimento à polícia, o diretor de Óleo e Gás da Mendes Júnior, Rogério Oliveira, por sua vez, afirmou que Youssef exigiu um porcentual de 2,2% a 2,4% de propina por três aditivos feitos pela Petrobras em contrato com a Mendes Júnior sobre a obra do Terminal Aquaviário de Barra do Riacho e por um aditivo na Refinaria de Paulínia. A Mendes Júnior também fechou um contrato de 2,7 milhões de reais, pelo consórcio formado por Mendes Júnior, MPE e SOG, com uma empresa do doleiro, para disfarçar o pagamento de suborno, como revelou o site de VEJA.
"Sergio Mendes e Rogério Cunha, na condição de gestores da Mendes Junior, eram responsáveis pela tomada de decisões no seio da empresa, incluindo a promessa e oferta de vantagens indevidas, na qual atuavam diretamente, e a coordenação do branqueamento dos respectivos valores. Como Vice-Presidente Corporativo da Mendes Junior, Ângelo Mendes era responsável por representar a empresa em grande parte dos contratos por ela firmados, seja com a Petrobras, seja com as empresas controladas por Youssef, possibilitando, assim, o oferecimento e a promessa de vantagens indevidas aos funcionários do alto escalão da Petrobras, bem como o branqueamento desses valores", narra o MP ao pedir a condenação dos executivos.
Além de rejeitar a possibilidade de os executivos terem sido extorquidos, a acusação diz que havia uma deliberada intenção da cúpula da construtora de atuar no esquema do petrolão. "Os criminosos agiram com amplo espectro de livre-arbítrio. Não se trata de criminalidade de rua, influenciada pelo abuso de drogas ou pela falta de condições de emprego, ou famélica, decorrente da miséria econômica. São réus abastados que ultrapassaram linhas morais sem qualquer tipo de adulteração de estado psíquico ou pressão, de caráter corporal, social ou psicológica", diz o MP.

Apetite do Amor

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Eles se conheceram na minha frente. Foram apresentados num jantar na casa de amigos em comum. A conexão foi imediata. Não é exagero: olhei uma vez e estavam conversando. Quando olhei de novo, foi por conta do volume das gargalhadas. Se alguém tinha dúvida de que eles logo seriam um casal, quando sentamos para jantar, deixou te ter. Éramos dez pessoas. Oito numa conversa sobre economia e os dois de “tititi” como se estivessem sozinhos. Pareciam ser velhos e queridíssimos amigos. Havia intimidade, alegria, mas não jogo de sedução.
Malu é uma mulher coerente, sabe o valor que tem e não baixa a guarda para qualquer um. Somos amigas há anos e já acompanhei alguns romances dela, mas nunca vi tamanha cumplicidade. Eu estava ao mesmo tempo participando da conversa do grupo e saboreando a festa deles.
Na hora da sobremesa, já se comunicavam com o olhar. Quase caí pra trás quando ela dividiu o brigadeiro com o bonitão. Voluntariamente, partiu metade e colocou no prato do moço. Pode parecer banal, mas quem conhece Malu entende minha surpresa. Ela é uma formiga, chega a qualquer restaurante já pensando na sobremesa. É capaz de tirar os sapatos para dar a um estranho que precise, mas perde o bom humor se alguém se aproxima ao prato de doce dela.
No dia seguinte, marcamos de almoçar juntas. Eu estava pronta para seguir o script. Imaginei que ela fosse chegar dando pulinhos de alegria e batendo palmas de excitação. Imaginei que, em seguida, contaria os detalhes da conversa e a certeza de que nasceram um para o outro. Depois, me caberia cumprir o papel de proteger a amiga que amo.  Ensaiei mentalmente formas de dizer para Malu ir com calma sem parecer “a estraga prazer”. Quando ela chegou, o discurso estava no gatilho.
Mas Malu é surpreendente. Não seguiu o script. Mostrou que é sempre nova. Aprendeu a viver as experiências à medida que aparecem, sem seguir modelos, guiada pelo balanço entre alma e coração. Chegou sorridente, satisfeita e serena, não boba e embriagada de paixão como eu esperava. Fez o relato de um encontro que parece ser bem especial. Aí fui eu quem caiu no papel da adolescente boba. Perguntei quando vai vê-lo novamente, como vai conduzir a história e Malu, mais uma vez, deu um baile de coerência. Não vou nem explicar. Vou transcrever porque a colocação é irretocável.  Ela disse: “Vou com apetite suficiente para me fazer feliz. Não para me fazer enjoar. Vou com parcimônia e amor próprio”.
Acredito mesmo que isso pode virar amor. Pelo tempo que durar – dois meses, três anos, a vida toda - deve ser amor de verdade. Acredito que as relações entre pessoas que conhecem a si mesmas, e se amam antes de amar o outro, têm tudo para dar certo.

*Natália Leite é jornalista, mestre em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília, curiosa e otimista incurável. Escreve quinzenalmente sobre os erros, acertos e dúvidas que nos fazem mulheres.