quinta-feira 11 2014

O HOMEM BOMBA - TERROR TAMBÉM DOS EMPREITEIROS

Depoimento na CPI de compadres
O homem-bomba
A expectativa de Alberto Youssef ceder à uma proposta de delação premiada é só um dos pavores das empreiteiras.Mais do que entre os políticos, entre as empreiteiras e prestadoras de serviços da Petrobras, em geral, instalou-se o pânico: um medo tremendo que o doleiro Alberto Youssef siga pelo mesmo caminho de Paulo Roberto Costa e opte pela delação premiada.
Se depender do seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, Youssef nunca topará uma delação premiada. Kakay é contra.
Mas Nélio Machado, ex-advogado de Paulo Roberto, também era contra. PRC decidiu falar e Machado deixou o cliente. Ou seja, o advogado ser contra não necessariamente impede a delação.
O medo dos empreiteiros é justificado: Youssef na década passada já fez uma delação premiada. 
Corre entre o empresariado que as informações passadas por Paulo Roberto Costa já seriam suficientes para a Polícia Federal voltar à rua em busca dos elos que faltam para concluir o enredo das maracutaias nos contratos da Petrobras.
A sexta-feira será tensa entre a turma que fez negócios com a companhia por meio de PRC.
Por Lauro Jardim
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/brasil/empreiteiros-andam-apavorados-com-possibilidade-de-nova-investida-da-pf-a-partir-das-informacoes-passadas-por-prc/

Governistas correm para esfriar o 'petrolão' no Congresso

Congresso

Base teme alcance político das informações de Paulo Roberto Costa, delator do megaesquema de corrupção na Petrobras. Ele foi convocado a depor na quarta

Sessão da CPI Petrobras
Sessão da CPI Petrobras (Reprodução/Twitter PSDB/VEJA)
A amplitude e ramificações políticas contidas nos depoimentos do ex-diretor Paulo Roberto Costa, delator do megaescândalo de corrupção na Petrobras, desencadearam no governo e entre integrantes da base aliada na CPI mista da Petrobras uma operação de "contenção de danos". Como revelou VEJA nesta semana, Costa entregou à Polícia Federal nomes de uma verdadeira constelação de políticos: três dezenas de parlamentares - entre deputados e senadores -, além de governadores, ex-governadores e um ministro de Estado.
Parte da base aliada ao governo tentou dissuadir nesta quarta-feira o presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), de pedir ao Supremo Tribunal Federal cópia das declarações de Costa - que cumpre prisão preventiva no Paraná - no acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal em troca de uma eventual redução de pena ou até mesmo do perdão judicial.
A lista de Costa inclui os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). Do Senado,  citou Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, e Romero Jucá (PMDB-RR). Já no grupo de deputados figuram o petista Cândido Vaccarezza (SP) e João Pizzolatti (PP-SC). O ex-ministro das Cidades e ex-deputado Mario Negromonte, também do PP, é outro citado por ele como destinatário da propina. Da lista de três “governadores” citados pelo ex-diretor, todos os políticos são de estados onde a Petrobras tem grandes projetos em curso: Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio, Roseana Sarney (PMDB), atual governadora do Maranhão, e Eduardo Campos (PSB), ex-governador de Pernambuco e ex-candidato à Presidência da República morto no mês passado em um acidente aéreo.
Em reunião da comissão a portas fechadas, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), argumentou que a lei do crime organizado impede a divulgação dos depoimentos de delação. O líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), também reforçou essa posição contrária, segundo relatos de presentes, acompanhado do relator da CPI, Marco Maia (PT-RS). Esse grupo também tentou adiar o novo depoimento do ex-diretor, que foi agendado ontem para a próxima quarta-feira. O argumento é que Costa poderia se recusar a responder às perguntas por causa da delação premiada. A oposição não aceitou acordo e o senador Vital do Rêgo manteve o depoimento marcado e seu pedido ao Supremo. Sem o apoio do PT para sua campanha ao governo da Paraíba, Vital tem sido um braço da oposição quando o assunto é incômodo ao Planalto.
Na reunião, fechada à imprensa, o senador Gim Argello (PTB-DF) teria afirmado que o ex-diretor delatou aos policiais corrupção em contratos da Petrobras na África. O senador, contudo, não deu mais detalhes. No seu mandato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou a empresa a investir em países africanos. Lula tinha canal direto com Costa quando era presidente. Ele se referia ao executivo como "Paulinho" e, segundo ex-dirigentes da Petrobras, tratava diretamente com o ex-diretor sobre investimentos da estatal. Segundo fontes, na Costa Global, empresa do ex-diretor, há um macacão emoldurado na parede com uma dedicatória de Lula no lado esquerdo do uniforme dos funcionários da empresa. Na delação premiada, Costa citou o ex-presidente Lula, mas não se sabe em que contexto.
Na reunião reservada, o presidente da CPI afirmou que será necessário "refundar a República" ao se referir à delação de Costa. Humberto Costa, em seguida, sugeriu o clima de apreensão entre empresas citadas por envolvimento com o esquema ao dizer que vários diretores estariam a caminho do aeroporto. Sobre sua posição em relação ao novo depoimento do ex-diretor, disse: "Eu não fui contra. Só ponderei que acho que não vai acontecer é nada".
Acesso - Na linha de frente do governo, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que pediria pessoalmente ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acesso à delação premiada feita por Costa. Cardozo disse que ainda não sabe quando poderá ter acesso às informações prestadas pelo ex-diretor da Petrobras. "Não posso pressionar o procurador da República. Ele tem todo o tempo que achar necessário, mas ele disse que responderá de forma célere", ressaltou, ao deixar a posse de Ricardo Lewandowski como presidente do Supremo.
Segundo ele, os documentos poderão possibilitar que sejam tomadas "medidas corretivas" pelo Executivo. "É tudo muito novo. É a primeira vez que nós temos uma delação premiada nessas características de foro privilegiado, que sai para vir para o Supremo", afirmou.
(Com Estadão Conteúdo)

Presidente de CPI diz que STF vai compartilhar delação do petrolão

Eleições 2014

Procurador-geral da República, entretanto, afirma que delação de Paulo Roberto Costa não pode ser compartilhada porque corre em segredo de justiça

Marcela Mattos, de Brasília
O senador Vital do Rêgo, presidente da CPI do Cachoeira
O senador Vital do Rêgo, presidente da CPI do Cachoeira (Agência Senado/VEJA)
O presidente da CPI mista da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), disse na noite desta quarta-feira que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o compartilhamento integral de todos os documentos da Operação Lava Jato da Polícia Federal. No rol do material que o colegiado vai receber, segundo o senador, está a delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que detalhou o balcão de negócios instalado na estatal e citou nomes de uma constelação de políticos, conforme revelou VEJA desta semana.
“Acabamos de receber ofício do STF no qual o ministro Teori Zavascki encaminha cópia integral dos autos e da petição que tramitam naquela corte. As informações referentes aos depoimentos de Paulo Roberto Costa a título de delação premiada não constam dos autos dos processos encaminhados porque o STF ainda não tem esses autos. O ministro Teori decidiu compartilhar todo o material, inclusive a delação, assim que chegar ao gabinete”, disse o presidente da CPI. 
A CPI havia solicitado os novos documentos da Operação Lava Jato na última segunda-feira, mas ainda não é certo que a delação de Costa possa ser encaminhada à comissão porque o caso corre em segredo de Justiça. Nesta quarta, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse a senadores que o depoimento do ex-diretor não poderia ser liberado justamente por causa do sigilo.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e a presidente Dilma Rousseff também querem acesso à delação do ex-diretor da Petrobras.

quarta-feira 10 2014

PATCH ADAMS - POEMA DE PABLO NERUDA (SONETO XVII)



Eddie Vedder - Just Breathe


Youssef bancou viagem para assessores de senadores

Lava Jato

Segundo jornal, doleiro pagou bilhetes aéreos de Brasília para São Paulo. Investigadores creem que viagem tenha se dado para tratar de fundo de pensão

O doleiro Alberto Youssef
O doleiro Alberto Youssef (Folhapress/VEJA)
O doleiro Alberto Youssef, pivô do bilionário esquema de corrupção desarticulado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, bancou passagens aéreas de Brasília a São Paulo para assessores dos senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Cícero Lucena (PSDB-PB), informa reportagem desta terça-feira do jornal O Estado de S. Paulo. O nome de Ciro Nogueira foi um dos políticos citados pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa em depoimento à Polícia Federal. A lista foi revelada em edição de VEJA desta semana.
Em acordo de delação premiada, Costa acusou uma verdadeira constelação de participar do esquema de corrupção. Entre eles estão os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). Do Senado,  Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, e Romero Jucá (PMDB-RR). Já no grupo de deputados figuram o petista Cândido Vaccarezza (SP) e João Pizzolatti (SC), um dos mais ativos integrantes da bancada do PP na Casa. O ex-ministro das Cidades e ex-deputado Mario Negromonte, também do PP, é outro citado como destinatário da propina. Da lista de três “governadores” citados pelo ex-diretor, todos os políticos são de Estados onde a Petrobras tem grandes projetos em curso: Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio, Roseana Sarney (PMDB), atual governadora do Maranhão, e Eduardo Campos (PSB), ex-governador de Pernambuco e ex-candidato à Presidência da República morto no mês passado em um acidente aéreo.
Segundo o jornal, que afirma ter obtido acesso ao recibo de compra dos bilhetes aéreos, Mauro Conde Soares, que assessora Nogueira desde o início do mandato do parlamentar, e Luiz Paulo Gonçalves de Oliveira, que trabalha com Lucena há oito anos, voaram da capital federal rumo a São Paulo em 4 de janeiro de 2012, tendo voltado no mesmo dia. O boleto foi faturado pela Arbor Contábil, empresa da contadora do doleiro, Meire Poza, que ajuda a PF nas investigações sobre o caso.
Soares e Oliveira assessoram os parlamentares justamente na área de Orçamento. Dessa maneira, acompanham a destinação e a liberação de recursos destinados pelos parlamentares a obras e projetos. Procurado pelo jornal, Ciro Nogueira se disse "chocado" com a revelação - e prometeu demitir o funcionário. Soares alegou que viajou sem o conhecimento do senador. Já Lucena não foi localizado pela reportagem.
O assessor de Ciro Nogueira afirma que o grupo de Yousseff tinha interesse no fundo de pensão do Tocantins. Já os investigadores acreditam que os assessores tenham ido a São Paulo para tratar de um fundo de investimentos criado pelo doleiro.

terça-feira 09 2014

Em MG, Marina enfrenta vaias e convoca militantes para 'guerra virtual'

Eleições 2014

Candidata do PSB afirmou que presidente Dilma Rousseff tem "11 minutos na televisão em troca de cargos para destruir a Petrobras"

Talita Fernandes, de Belo Horizonte
Marina durante ato político em Belo Horizonte, nesta terça
Marina durante ato político em Belo Horizonte, nesta terça (Willian Augusto/Futura Press/Folhapress)
Em seu primeiro ato de campanha em Minas Gerais, a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, manteve o tom duro em relação ao megaescândalo de corrupção na Petrobras delatado à Polícia Federal pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. Ao convocar a militância do PSB nesta terça-feira  a aderir à campanha nas redes sociais para "rebater mentiras", a ex-senadora afirmou: "Dilma tem 11 minutos na televisão em troca de cargos para destruir a Petrobras".
Marina ouviu vaias enquanto discursava na Praça da Estação, no centro de Belo Horizonte. Ao falar a militantes que assistiam ao evento, Marina era chamada de “fundamentalista” por um grupo de pessoas que estava no local, mas para retirar ingressos para um show musical que ocorre neste domingo. Ao ouvirem suas propostas, os manifestantes reagiam aos gritos de “Só se o [pastor] Silas Malafaia deixar”, em referência ao recuo de Marina em relação ao primeiro programa de governo divulgado pelo PSB, que trazia a defesa do casamento do gay e do PLC 122, projeto de lei que criminaliza a homofobia. 
Em seu discurso, Marina fez críticas ao candidato do PSDB Aécio Neves, que governou Minas Gerais por dois mandatos, e à presidente Dilma Rousseff, natural do Estado. Do alto de um caminhão de som, Marina e seu vice, Beto Albuquerque, voltaram a pedir que a militância do partido, que formava exclusivamente o público que foi para o ato, dedique tempo à internet "para combater ataques". Eles reforçaram ainda a importância de projetos como o pré-sal e o Bolsa Família – a presidente Dilma tem afirmado que as propostas de Marina defendem o fim da prioridade ao pré-sal.
Albuquerque reforçou o compromisso da chapa com os investimentos no pré-sal e alfinetou Dilma pelas críticas. "Eu nunca vi tanta mentira ao mesmo tempo quanto estou vendo no programa oficial do governo." Já Marina, última a falar, pediu apoio da militância para responder nas redes sociais aos ataques e disse que o país vai ver uma "pororoca da democracia" de combate às mentiras.
A dentista Denise Limeira da Rocha, de 29 anos, estava entre os que vaiaram a candidata do PSB. "Não acho que ela vai mudar nada. Ela é um fantoche do partido", disse. Denise afirmou ainda que está em dúvida sobre em quem vai votar, mas que provavelmente será em Dilma. "Não que eu seja petista", apressou-se em dizer. Outros que criticavam Marina afirmaram ser eleitores de Luciana Genro, que concorre ao Palácio do Planalto pelo PSOL. "Sei que ela não vai ganhar, mas nessa aí (Marina) eu não voto", afirmou uma mulher.
O evento organizado pelo PSB foi bastante tímido e desajeitado, com o som bastante falho e com público restrito aos militantes. Nem mesmo os que estavam presentes na enorme fila para retirada de ingressos se locomoveram para participar do ato político ao lado.
Também participaram do evento o deputado federal pelo PSB, Júlio Delgado, o candidato ao governo de Minas e pai de Júlio, Tarcísio Delgado, e a aspirante ao Senado pelo PSB, Margarida Vieira. O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, não compareceu ao evento. Embora seja do PSB, Lacerda faz parte da ala que defendia apoio da sigla a Pimenta da Veiga, candidato ao Palácio Tiradentes pelo PSDB.