terça-feira 29 2013

Pais devem limitar tempo de televisão, computador e celular dos filhos

Infância

Para pediatras americanos, crianças não devem passar mais de duas horas por dia em frente a esses aparelhos

Criança no computador e televisão
Era digital: Pediatras dos Estados Unidos estão preocupados com tempo em que crianças passam em frente a televisão, computador e celular (Thinkstock)
Para a Associação Americana de Pediatria (AAP, sigla em inglês), os pais devem limitar o tempo que seus filhos passam em frente à televisão, computador, celular ou tablet para duas horas por dia. Esse tempo não inclui, no entanto, o uso dos aparelhos para fins acadêmicos. A recomendação faz parte das novas diretrizes da entidade, apresentadas nesta segunda-feira durante o encontro anual da AAP, em Orlando, Estados Unidos, e publicadas na revistaPediatrics.
A associação também aconselha que as famílias acompanhem o conteúdo que as crianças acessam na internet e assistem na televisão, e que apresentem a seus filhos programas e ferramentas virtuais que sejam educativos. Ainda segundo as orientações da AAP, crianças menores do que dois anos não devem ter contato com televisão, computadores e outros aparelhos do tipo. “Nessa idade, simplesmente não há benefícios”, diz a recomendação.
Há algum tempo, a associação orienta que os pais evitem que seus filhos tenham televisão no quarto. Um estudo publicado em dezembro de 2012, por exemplo, descobriu que crianças que têm o aparelho no quarto apresentam, no geral, maiores níveis de gordura subcutânea (que geralmente se acumula na barriga, nas pernas e no culote), de gordura visceral (que fica em torno dos órgãos) e maiores medidas de circunferência abdominal do que os outros jovens. Além disso, pesquisas mostraram que muito tempo em frente a alguma tela também pode causar problemas relacionados ao sono e comportamentos agressivos.
Mídias — Agora, a AAP também está preocupada com outros aparelhos que não somente a televisão, como computadores e celulares. De acordo com a associação, atualmente, o tempo médio que as crianças passam em frente a algum desses aparelhos é de oito horas por dia. Pediatras acreditam que uma das consequências desse comportamento é a maior exposição a problemas como o cyberbullying e conteúdos de caráter sexual. Por isso, a associação também recomenda que os pais evitem que seus filhos tenham computadores e usem celulares e tablets em seus quartos.
“Há aproximadamente três décadas, a AAP possui preocupações expressas sobre a quantidade de tempo que crianças e adolescentes gastam em contato com as mídias. A era digital apenas fez com que esse problema se tornasse mais urgente”, disse Victor Strasburger, um dos autores das novas diretrizes.
Os prejuízos de ver muita TV

Aprendizagem

Segundo recomendações lançadas neste ano pela Academia Americana de Pediatria (APP), as crianças aprendem e desenvolvem mais o cérebro brincando do que assistindo TV. Um estudo feito pela Universidade de Montreal, no Canadá, indicou que, a cada hora que uma criança passa em frente à televisão, há um declínio de 6% em seu desempenho matemático e 7% de sua participação em sala de aula.

Comportamento

Hiperatividade, dificuldades nos relacionamentos sociais e problemas emocionais foram alguns dos problemas observados por estudo publicado no periódico Pediatrics em crianças que passavam duas ou mais horas em frente à TV ou ao computador ao dia. Além disso, uma outra pesquisa, esta feita na Universidade de Otago, na Nova Zelândia, e publicada na mesma revista, mostrou que crianças que passam muito tempo em frente à televisão sentem mais emoções negativas e tendem a apresentar uma personalidade agressiva e antissocial ao longo da vida.

Alimentação

Um estudo feito na Universidade de Loughborough, do Reino Unido, concluiu que quanto mais tempo uma pessoa passa em frente à televisão, pior é a qualidade daquilo que come. Assistir TV está associado com o consumo de lanches, bebidas e fast foods com maior quantidade de calorias e baixa ingestão de frutas e legumes.

Controle do peso

De acordo com um estudo feito na Universidade de Montreal, no Canadá, e publicado em 2012, quanto mais tempo uma criança de dois a quatro anos de idade passa em frente à televisão, maior o risco de acúmulo da gordura na cintura. Uma outra pesquisa, feita nos Estados Unidos, mostrou que há outro agravante para a saúde de criança em relação ao hábito: de acordo com o trabalho, ter televisão no quarto aumenta ainda mais o tempo em que uma criança passa em frente ao aparelho e eleva o risco de obesidade infantil

segunda-feira 28 2013

MP investiga estupro dentro da UTI de um hospital no Rio

Cidades

Jovem de 21 anos teria sido violentada por técnico de enfermagem enquanto se recuperava de uma cesariana no Pedro II. Caso foi encaminhado à Polícia Civil

Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro
Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio
Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio (Divulgação)
O Ministério Público Estadual (MP-RJ) e a Polícia Civil do Rio de Janeiro investigam uma suspeita de estupro no Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio. Uma jovem de 21 anos teria sido violentada por um técnico de enfermagem dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela se recuperava de uma série de cirurgias a que foi submetida após complicações em uma cesariana, que obrigaram a retirada de seu útero, das trompas e dos ovários.
O caso só chegou ao conhecimento do MP durante vistoria realizada em maio passado, que deu origem a um relatório obtido com exclusividade pelo site de VEJA. O Grupo de Atuação Integrada da Saúde, composto por médicos e promotores, estranhou ao encontrar a vítima internada na chamada Sala Vermelha - local da emergência, onde devem ser feitos apenas os primeiros atendimentos de pacientes graves. A jovem apresentava quadro de miocardite (inflamação no músculo cardíaco) e deveria estar na UTI.
A primeira providência a ser tomada, portanto, seria a transferência da paciente de volta ao centro intensivo. Ao saber da mudança, porém, uma acompanhante contou à equipe que ela teria sofrido abusos sexuais dias antes na UTI e, portanto, não queria retornar para lá. "A paciente estava visivelmente angustiada", relatam os promotores na denúncia. O grupo de peritos providenciou, então, a transferência da vítima ao Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, na Zona Norte da cidade.
Assim que a história veio à tona, outros parentes da jovem prestaram depoimentos na 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Saúde e confirmaram a história do estupro contada por ela - que não depôs, em um primeiro momento, por estar ainda debilitada. O MP encaminhou, então, o relatório à Promotoria Criminal de Santa Cruz, que pediu abertura de inquérito à 36ª Delegacia de Polícia, no mesmo bairro.
O hospital - Apesar de ser municipal, o Pedro II teve a gestão terceirizada em janeiro de 2012 para a Biotech Humana Organização Social de Saúde, que receberá 275 milhões de reais por dois anos de atuação. Procurada pelo site de VEJA, a empresa admitiu ter tomado conhecimento da suspeita de um crime hediondo dentro da sua UTI, mas preferiu dar apenas encaminhamento interno.
Em vez de comunicar à polícia sobre o caso, o hospital limitou-se a afastar o técnico de enfermagem e instaurar sindicância interna. Em nota, a responsável pelo Pedro II diz que ainda não encontrou "indícios de culpabilidade" e que "enquanto não houver real responsabilidade pela ação, não acionará a polícia". Cinco meses após a denúncia por parte do MP, a administração da unidade de saúde diz aguardar ainda o depoimento final do acusado.
A Secretaria Municipal de Saúde, principal responsável por fiscalizar os atendimentos prestados pela Biotech no Pedro II, afirma que não foi informada sobre o caso e ficou sabendo da suspeita somente ao ser procurada pela reportagem.
Recentemente, outro caso de estupro semelhante chocou a população do Rio. Em maio, um técnico de enfermagem do Hospital Quinta D'Or, em São Cristóvão, na Zona Norte, foi acusado de abusar sexualmente de duas pacientes também na UTI. Imagens do circuito interno mostravam Brivaldo Francisco Xavier Júnior entrando 20 vezes em 12 horas em um dos leitos sem que nenhum procedimento fosse feito. Demitido por justa causa, ele se entregou à Polícia Civil e foi indiciado por estupro de vulnerável.
Mais irregularidades - A vistoria no Pedro II pelo MP ocorreu em dois dias este ano: 9 de maio e 28 de junho. E apesar de o estupro ser de longe o caso mais grave, não é o único que impressionou os promotores. O relatório aponta ainda falta de médicos, superlotação das salas Amarela e Vermelha e pacientes com doenças contagiosas - como tuberculose - internados ao lado de pessoas com outras enfermidades sem qualquer isolamento para evitar o contágio.
A equipe ainda viu um paciente com sinais de traumatismo craniano que esperava atendimento havia duas horas, deitado em uma maca, em frente ao posto de enfermagem. Os médicos disseram estar à espera da avaliação de um neurologista que fazia uma cirurgia naquele momento. A equipe descobriu, contudo, que o especialista sequer havia sido chamado. Exames indicaram que o homem tinha fraturas cervical e no úmero (osso do braço).
O Pedro II é referência para moradores dos bairros de Santa Cruz, Paciência e Sepetiba, que juntos somam 368.000 habitantes, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Destruído durante um incêndio em novembro de 2010, o hospital foi reconstruído e equipado com aparelhos de última geração – o orçamento inicial era de 80,6 milhões de reais.

Operação encontra medicamentos vencidos em depósito da prefeitura do Rio

Saúde

Em 07/10/2013

Centenas de caixas de medicamentos, vacinas, soros e leite especial perderam a validade estocados na Zona Norte. Material deveria ser usado em hospitais e postos de saúde da rede municipal

Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro
Centenas de caixas de remédios e vacinas vencidas perderam a validade no depósito do município
Centenas de caixas de remédios e vacinas vencidas perderam a validade no depósito do município  (Vivian Fernandez/ Ministério Público)
Uma operação do Ministério Público do Estado do Rio, em curso na Zona Norte da cidade, encontrou em um depósito da prefeitura centenas de caixas de medicamentos, vacinas, soros e leites especiais com data de validade vencida. Entre os itens estão substâncias caras, como remédios para soropositivos, material cirúrgico, suplementos para crianças com intolerância alimentar e até fraldas descartáveis. Promotores que estão no local informaram ao site de VEJA que a quantidade exata ainda está sendo aferida.
Os medicamentos, encontrados em um depósito no bairro do Rocha, deveriam ser usados em hospitais e postos de saúde da rede municipal de saúde.
“Encontramos toneladas de remédios vencidos. É um absurdo a falta de controle do município. Além dos produtos comprados pela prefeitura, há vários itens fornecidos pelo Ministério da Saúde que poderiam ter sido devolvidos ao governo federal”, afirma a promotora Denise Vidal.
Os produtos com validade vencida ocupam três salas do depósito e estavam armazenados em uma área com acesso restrito a funcionários. No local, foram encontradas notas fiscais e documentos guardados dentro de caixas, sem qualquer organização.
O material está sendo apreendido e periciado. Os promotores da tutela de Saúde estão prestando depoimento, neste momento, na Delegacia do Consumidor, na Cidade da Polícia. Entre os medicamentos, há produtos fornecidos pelo Ministério da Saúde.
De acordo com Vidal, o galpão da Secretaria Municipal de Saúde foi interditado após a vistoria. O MP vai instaurar inquérito criminal para investigar a existência de crime contra a administração pública. Na esfera civil, outro inquérito verificará os responsáveis pelo desperdício. Os promotores não descartam a instauração de uma ação civil pública de improbidade administrativa contra o gestor responsável pela perda de medicamentos.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde argumentou que o percentual de descarte de medicamentos comprado pelo município é inferior a 1%. Segundo o órgão, a perda ocorre devido à impossibilidade de se prever quantas pessoas necessitarão de cada medicamento. A secretaria afirma que reduzirá o desperdício.

Governo deixa vencer remédios para tratamento de HIV

Rio de Janeiro

Medicamentos que deveriam abastecer a rede pública de saúde estavam sendo levados para serem incinerados. Caminhão foi flagrado pelo Ministério Público

Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) encontrou remédios para o tratamento de HIV e hanseníase fora do prazo de validade na Central de Abastecimento Geral da Secretaria Estadual de Saúde, em Niterói, Região Metropolitana do Rio. Promotores foram ao local nesta segunda-feira após receberem informação de que os medicamentos seriam incinerados. Ao chegar, viram um caminhão já carregado que se preparava para deixar o galpão.
Um dos promotores que acompanhou a operação relatou ao site de VEJA que havia toneladas de remédios vencidos, além de outros materiais como sondas, luvas e gazes. Também havia antibióticos e leite específico para crianças com intolerância ou alergia à proteína - cada unidade custa cerca de 100 reais.
A central foi interditada e policiais reforçaram a segurança para que nenhum medicamento fosse retirado. O Ministério Público vai periciar os medicamentos e instaurar uma ação criminal para verificar de quem é a responsabilidade por seu armazenamento. O caso foi registrado na 77ª DP (São Gonçalo).
Prefeitura - No dia 7 deste mês de outubro, outra operação do Ministério Público, na Zona Norte da cidade, encontrou em um depósito da prefeitura centenas de caixas de medicamentos, vacinas, soros e leites especiais também com a data de validade vencida.
Entre os itens, estavam substâncias caras, como remédios para soropositivos, material cirúrgico, suplementos para crianças com intolerância alimentar e até fraldas descartáveis. Os medicamentos, encontrados em um depósito no bairro do Rocha, deveriam ser usados em hospitais e postos de saúde da rede municipal de saúde.

OS CACHORROS DAS ESTRELAS: Eles fizeram a alegria de Marilyn Monroe, Clark Gable, Elizabeth Taylor ou Rita Hayworth, ou estiveram em cena com astros como Franka Sinatra — e estão todos em livro recém-lançado


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Shirley MacLane e seu boxer (nome não identificado): duplas imbatíveis (Fotos: John Kobal Foundtaion/ACC Editions)
Chega a ser covardia: reunir nos mesmos enquadramentos as mais belas e glamorosas estrelas de Hollywood dos tempos áureos e simpaticíssimos cachorros de estimação. Em suma, dois dos temas que as pessoas em geral mais gostam de ver em fotografias.
A ideia, simples e ótima, acaba de se materializar no livro Hollywood Dogs, da editora inglesa ACC – ainda sem lançamento anunciado no Brasil -, organizado por Gareth Abbot e Catherine Britton e ilustrado com 147 amostras do pelo acervo fotográfico da John Kobal Foundation.
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Clarke Gable e um de seus cães na capa do livro ”Hollywood Dogs”
Os retratos foram feitos entre 1920 e 1960, período considerado a “Era de Ouro” de Hollywood, e captam os normalmente inatingíveis movie stars em momento de pura espontaneidade, estimulados, é claro, por seus fiéis companheiros. Dentro ou fora dos sets de filmagens.
Evidentemente, cães que foram “atores profissionais”, como o inimitável Totó, de O Mágico de Oz (1939), também comparecem. Abaixo, algumas das imagens presentes em Hollywood Dogs.

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Marilyn Monroe e o maltês que ganhou de Frank Sinatra em 1961, e que batizou como… Máfia!
Audrey-Hepburn-Hollywood-dogs
Mr. Famous – assim se chamava o Yorkshire terrier de Audrey Hepburn. Eram tão inseparáveis que o cãozinho chegou a participar de um dos filmes dela, “Cinderela em Paris” (1957)
Elvis-Presley-Hollywood-Dogs
Elvis Presley cai nas graças de amigo canino anônimo

Elizabeth Taylor com a mão na massa, dando banho na sua cocker spaniel Amy
Elizabeth Taylor com a mão na massa, dando banho na sua cocker spaniel Amy

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Bette Davis com dois cachorrinhos em 1934
Natalie-Wood-Hollywood-dogs
Natalie Wood ganhou da mãe o poodle Morning Star, com quem posa nesta foto
Frank-Sinatra-Hollywood-dogs
Frank Sinatra e Snuffy, cairn terrier com quem contracenou em “Meus Dois Carinhos” (1957)
Brigitte-Bardot-Hollywood-dogs
Brigitte Bardot já demonstrava o amor por animais que tanto a identifica hoje caminhando com um black spaniel na Riviera Francesa quando começava a trajetória que a tornaria um mito do cinema

Estudo liga barulho de aviões a doenças cardíacas

Saúde do coração

Conviver com esse tipo de ruído pode provocar stress e elevar a pressão sanguínea, ambos fatores de risco para doenças cardiovasculares

Aviões: Barulho de aeroportos pode provocar doenças cardiovasculares
Aviões: Barulho de aeroportos pode provocar doenças cardiovasculares (Thinkstock)
Dois novos estudos, um americano e um britânico, mostram que pessoas que são expostas com frequência a níveis elevados de barulho de aviões apresentam um risco maior de sofrer alguma doença cardíaca. As pesquisas foram publicadas nesta terça-feira no periódico British Medical Journal. Para os especialistas, conviver com esse tipo de ruído pode provocar stress e elevar a pressão sanguínea — ambos fatores de risco para doenças cardiovasculares.
Segundo o estudo americano, para idosos que vivem em regiões onde o barulho de aeronaves é considerado alto o risco de hospitalização por esse tipo de doença é 3,5% maior do que para o restante das pessoas da mesma faixa etária. Na pesquisa, o ruído de aviões foi considerado elevado quando passava de 55 decibéis (dez acima do teto para zonas residenciais após as 22h, de acordo com a Lei do Psiu da cidade de São Paulo).
“Foi surpreendente descobrir que morar perto de um aeroporto, e assim estar mais exposto ao barulho de aeronaves, pode afetar sua saúde cardíaca, até mais do que a exposição à poluição do ar e ao barulho de tráfego”, afirma Francesca Dominici, professora da Escola de Saúde Pública de Harvard e uma das autoras do estudo.
Análise — A equipe de Dominici analisou a relação entre a poluição sonora de 89 aeroportos nos Estados Unidos e hospitalizações relacionadas a doenças cardiovasculares entre cerca de seis milhões de participantes, com 65 anos ou mais, no ano de 2009. Na análise, os pesquisadores ajustaram os dados para levar em consideração fatores como condição socioeconômica, questões demográficas e poluição do ar. Os resultados também mostraram que níveis mais elevados de barulho de aeronaves foram responsáveis por 2,3% das hospitalizações por doenças cardiovasculares entre as pessoas mais velhas que viviam perto dos aeroportos.
“Nosso estudo enfatiza que intervenções que reduzem a exposição ao barulho podem reduzir os riscos de doenças cardiovasculares entre pessoas que moram perto de aeroportos. Isso pode ser feito por meio da melhoria de tecnologia das aeronaves e otimização dos trajetos de voo, ou até isolando acusticamente casas e prédios”, afirma Jonathan Levy, professor de saúde ambiental da Universidade de Boston e um dos autores do trabalho.
Inglaterra – No segundo estudo, realizado em Londres, os pesquisadores investigaram o risco de derrames e doenças cardíacas entre 3,6 milhões de pessoas que viviam perto do Aeroporto de Londres Heathrow, um dos aeroportos mais movimentados do mundo. Foram usados dados de internação hospitalar e taxas de mortalidade por derrame, doenças coronárias e cardiovasculares de 2001 a 2005.
O estudo também chegou à conclusão de que há um risco maior para pessoas expostas a níveis mais altos de barulho de aeronaves, tanto de dia quanto à noite. Entre os participantes do estudo, cerca de 2% estavam expostos aos níveis mais altos de ruído. Nessas regiões, o risco aumente de 10 a 20% para as doenças mencionadas. Os pesquisadores sugerem que mais estudos sejam realizados para avaliar se o barulho noturno pode ser a principal causa desse resultado, por atrapalhar o sono.

Brasileiras ignoram os cuidados com a saúde do coração

Mulher

Reportagem de VEJA desta semana mostra que mulheres ignoram os fatores de risco das doenças cardíacas, segundo pesquisa, e têm extrema dificuldade para identificar os sintomas de um infarto

Adriana Dias Lopes
Brasileiras ignoram os cuidados com a saúde do coração
Brasileiras ignoram os cuidados com a saúde do coração (iStock)
A percepção da mulher brasileira sobre os cuidados com o coração é equivocada. Esse é o resultado do maior levantamento já realizado no país sobre o tema. A pesquisa Sinta Seu Coração, coordenada pelas revistas SAÚDE e CLAUDIA, publicadas pela Editora Abril, que também edita VEJA, em parceria com a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, ouviu 5 318 voluntárias. O trabalho foi conduzido pelo Departamento de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Abril. “As brasileiras encararam os distúrbios cardíacos como um mal tipicamente masculino”, diz o cardiologista Roberto Kalil, diretor clínico do Instituto do Coração, em São Paulo. “Enquanto elas subestimarem o problema, continuarão sob ameaça.” Atualmente 21 milhões de mulheres brasileiras correm o risco de sofrer um infarto e 39 000 morrem todos os anos em decorrência do mal — o triplo das vítimas fatais de câncer de mama. A seguir, VEJA lista os principais resultados do estudo e, com a colaboração de cinco cardiologistas, descreve as boas práticas para proteger o coração feminino.