sexta-feira 13 2013
Os principais grupos de oposição na Síria
Conselho Nacional Sírio (CNS)
Criação: Outubro de 2011
Chefe: George Sabra
Princípios: lutar contra o regime usando meio legais; rejeitar divisões étnicas; proteger a independência e a soberania nacional, opondo-se à intervenção militar estrangeira.
Fundado na Turquia por exilados políticos, o conselho é dominado por muçulmanos sunitas que lutam contra cristãos e alauítas leais ao regime de Bashar Assad. O grupo é composto por 17 organizações menores e indivíduos que propõem uma administração interina para o período pós-Assad e um projeto de reconciliação nacional, além da criação de uma comissão judicial para investigar crimes contra a humanidade e eleições para formar uma assembleia constituinte.
A Irmandade Muçulmana exerce influência no CNS e o atual presidente, um cristão ortodoxo, representa a maioria de integrantes originários do grupo fundamentalista. Sabra substitui Abdel Baset Sayda, curdo que deixou o cargo em novembro de 2012, logo após a criação da Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução (CNFROS).
Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução (CNFROS)
Criação: Novembro de 2012
Chefes: Ahmed Jarba
Princípios: defender a soberania e independência nacional com um regime civil e democrático; preservar a unidade do povo sírio e do país; não estabelecer nenhum diálogo ou negociação com o regime de Assad
Em resposta à pressão estrangeira por uma nova aliança que substituísse o Conselho Nacional Sírio, visto como ineficiente e consumido por disputas internas, as facções de oposição se reuniram no Catar para assinar o acordo de criação da Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução (CNFROS). Basicamente, o objetivo da CNFROS é o mesmo que o CNS – derrubar por via legal o ditador Bashar Assad e estabelecer um “estado civil democrático e pluralístico”. No entanto, ela tem a pretensão de ser um conselho de liderança mais inclusivo, que assuma o papel de representante legítima do país para receber ajuda financeira e militar de países estrangeiros.
De fato mais abrangente, a coalizão conta com membros de outros 14 grupos opositores, incluindo o próprio Conselho Nacional Sírio. Mas não aceita militantes islâmicos como os da Frente Al-Nusra, classificada como grupo terrorista pelos Estados Unidos.
Assim que foi criada, a CNFROS conseguiu o reconhecimento dos países do Conselho de Cooperação do Golfo, das 21 nações da Liga Árabe, de alguns países europeus e dos Estados Unidos. Mas a aliança enfrenta problemas semelhantes aos do CNS, e não conseguiu formar um governo provisório dentro da Síria para administrar as áreas dominadas pelos rebeldes.
Exército Sírio Livre (ESL)
Criação: Julho de 2011
Chefe: Salim Idriss
Princípios: proteger os cidadãos sírios
O Exército Livre da Síria é considerado o principal braço armado de oposição ao regime de Bashar Assad. O grupo reúne civis, militantes islâmicos e, principalmente, desertores das Forças Armadas. Comandado pelo coronel e ex-integrante da Força Aérea Reyad Musa Al Asaad, o ESL diz não possuir nenhuma pretensão política e ser independente de qualquer etnia e religião. Seu objetivo declarado é proteger a população síria dos abusos do governo.O grupo já teve sede na Turquia, país que ainda é usado como refúgio por membros do braço armado rebelde. A principal reclamação do ESL é a falta de recursos e armamentos.
Inicialmente, as operações do grupo tinham como alvo comboios militares no noroeste do país, mas depois se espalharam para outras partes do território. Em um ataque na capital Damasco, uma célula do grupo matou o cunhado de Assad e o ministro da Defesa Daoud Rajiha. No entanto, o ELS já admitiu que não tem como manter o controle de uma área e realizar um confronto direto com as Forças do governo, estimadas em200.000 soldados. O grupo de oposição afirma ter mais de 40.000 homens, mas analistas dizem que o contingente não deve passar dos 10.000 integrantes.
Frente Nusra
Criação: Janeiro de 2012
Chefe: Abu Mohammed Al-Julani
Princípios: estabelecer um estado islâmico com base nas regras da sharia; o grupo realiza ataques com bombas a alvos do governo e facções muçulmanas contrárias a sua ideologia.
O grupo jihadista, que é classificado como organização terrorista pelos Estados Unidos, recentemente jurou lealdade ao chefe da Al Qaeda, mas disse que quer manter sua identidade, sem se fundir com a rede extremista.
O grupo já reivindicou a responsabilidade por diversos ataques com bombas no país e justifica suas ações como uma reação às atrocidades cometidas pelas forças sírias e milícias pró-Assad. O grupo também já deixou claro que considera Israel e Estados Unidos inimigos do Islã e que combatem muçulmanos de outras facções, como os alauítas.
A existência de grupos ligados a organizações terroristas é um dos principais argumentos que levam os países ocidentais a relutar em relação ao envio de armas aos rebeldes. Em 2012, os Estados Unidos incluiram o grupo na lista de organizações terroristas.
Comitê Nacional de Coordenação por Mudança Democrática (CNC)
Criação: Setembro de 2011
Chefe: Hussein Abdul Azim
Princípios: construir um Estado democrático e civil; rejeitar o sectarismo e a intervenção estrangeira; garantir na Constituição os direitos da etnia curda.
O comitê é um dos poucos a defender o diálogo com o governo de Bashar Assad como saída para a crise no país. A ideia é promover uma transição gradual para a democracia sem que seja necessário derrubar o regime, mas com algumas condições: anistia aos presos políticos, retirada dos militares das ruas e permissão de protestos pacíficos.
Contrários a qualquer intervenção exterior e defensores do aumento das sanções para pressionar Assad, os membros do Comitê criticam a Coalizão Nacional Síria, por acreditar que ela impõe sua legitimidade como representante do povo e enfraquece a relação de outros grupos democráticos com países ocidentais, e também o Conselho Nacional Sírio, que acusa de não ter ideologia, ser fraco e dominado pela influência da Irmandade Muçulmana.
Muitos grupos oposicionistas enxergam o Comitê Nacional como outra face do governo e não o reconhecem como oposição. A organização é formada por partidos políticos esquerdistas, três partidos políticos curdos, políticos independentes e jovens ativistas.
(Com agência Reuters)
ONU: relatório deve confirmar uso de armas químicas
Síria
Ban Ki-moon acusou Assad de cometer “muitos crimes contra a humanidade”
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (Brendan McDermid/Reuters)
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou nesta sexta-feira que o relatório dos inspetores que investigaram os ataques na periferia de Damasco, que provocaram a morte de mais de 1 400 civis em 21 de agosto, deverá apontar o uso de armas químicas. “Eu acredito que o relatório vai apresentar um registro devastador, devastador de que armas químicas foram usadas, embora eu não possa dizer agora, antes da divulgação”, declarou o secretário-geral durante uma reunião.
Ban também acusou o ditador sírio Bashar Assad de ter cometido “diversos crimes contra a humanidade” durante a guerra civil síria, mas não indicou se as forças do regime ou rebeldes foram responsáveis pelos ataques do dia 21 - o que o relatório também não deve fazer, já que a missão dos investigadores liderada por Ake Sellstrom, da Suécia, é apenas comprovar ou não o uso de arsenal químico. O porta-voz da ONU Farhan Haq disse que o documento ainda não foi repassado por Sellstrom ao secretário-geral. Anteriormente, no entanto, Ban Ki-moon afirmou que estava em contato com o líder da equipe e que pediu celeridade nas conclusões. A expectativa é que o secretário receba o documento na próxima segunda-feira.
Se o relatório realmente comprovar o uso de armas químicas, apenas confirmará o que já vem sendo dito por países como os Estados Unidos, que declararam ter provas inclusive de que o regime de Assad foi o responsável pelas mortes. A Casa Branca chegou a minimizar a relevância dos resultados a serem apresentados pelos investigadores. “O trabalho da equipe da ONU é averiguar se armas químicas foram usadas. Mas isso já está provado. Assad bloqueou o acesso dos investigadores aos locais por cinco dias, assim poderia eliminar os indícios”, afirmou o porta-voz Jay Carney no fim de agosto. Por outro lado, a Rússia, aliada da Síria, afirma haver razões para acreditar que o atentado foi obra das forças de oposição a Assad.
Diplomatas ocidentais afirma que é grande a expectativa de que o relatório confirmará a afirmação feita pelos EUA de uso de gás sarin. Além disso, o documento poderia indiretamente implicar o governo sírio no massacre. Entre os detalhes que a análise deve trazer estão os tipos de armas usadas e suas trajetórias. O relatório poderá fazer a balança pesar mais para um ou outro lado nas negociações em curso entre potências ocidentais e a Rússia em relação às condições a serem estabelecidas para que a Síria coloque seu arsenal químico sob controle internacional.
Hospitais como alvo - Uma investigação separada da ONU, cujo relatório foi emitido na quarta-feira por uma Comissão de Investigação de infrações aos direitos humanos atribuiu crimes de guerra e contra a humanidade ao regime de Assad. Nesta quinta-feira, novos detalhes do documento apontaram que forças de segurança leais ao ditador bombardearem hospitais como tática de guerra. A comissão, liderada pelo jurista brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, foi impedida de entrar em território sírio, mas conversou nos últimos dois anos com 2 000 refugiados, dissidentes, antigos pacientes e médicos de países vizinhos. Os inspetores também analisaram fotografias, imagens de satélite e registros médicos e forenses. De acordo com o texto, porém, os vinte peritos da ONU que assinaram o documento não puderam confirmar o uso de armas químicas no país.
O relatório indica que o Exército sírio ocupou hospitais para transformá-los em bases de atiradores, tanques e soldados. Médicos, enfermeiras e motoristas de ambulância foram atacados, presos, torturados e desapareceram em estranhas circunstâncias, configurando claras violações às leis internacionais, diz o documento. Os principais ataques tinham como objetivo impedir que pessoas recebessem tratamento em áreas dominadas por rebeldes. Segundo o texto, pacientes de um hospital militar em Mazé, na capital Damasco, também foram espancados, queimados com cigarros e torturados até a morte.
“A origem dos ataques indica que as forças governistas deliberadamente atacaram hospitais e unidades médicas para ganhar vantagem militar ao privar grupos armados da oposição e seus aliados de receber atendimento médico”, diz o relatório, acrescentando que hospitais nas cidades de Homs, Alepo, Damasco, Deraa e Latakia foram bombardeados. A unidade nacional em Deraa foi ocupada em março por atiradores, que impediam doentes de entrar no local. Em Alepo, o hospital público Tal Rifat foi destruído por ataques aéreos em abril do ano passado, enquanto hospitais de campanha vêm sendo bombardeados desde maio.
Caio Blinder: Motivos para cautela com a Síria
Rebeldes - O documento também apresenta acusações contra os rebeldes, apontando que cometeram "crimes de guerra, assassinatos, execuções sumárias, atos de tortura, sequestros e bombardeio em bairros de civis".
Falta de chuva
veja.com
Segundo dados do próprio governo, os reservatórios do Nordeste atingiram seus níveis mais baixos desde 1931 para um mês de agosto.
Setembro não parece ser auspicioso: a previsão do Operador Nacional do Sistema é que este setembro seja o segundo pior da história.
A temporada de chuvas só começa no final de outubro. Que chova – e muito.
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/brasil/falta-de-chuva-reservatorios-do-nordeste-atingem-os-niveis-mais-baixos-desde-1931/
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