terça-feira 20 2013

Black Stone Cherry - In My Blood OFFICIAL



The Beatles - Let It Be Legendado em Português BR



Agência de pesquisas do exército americano quer simular cérebro humano

Tecnologia

Em documento, Darpa pede que cientistas ajudem a construir um neocórtex artificial, que simule a capacidade de aprendizado dos seres humanos

Processador Cortical
A agência afirma que pretende usar o novo Processador Cortical em uma série de tecnologias já desenvolvidas por seus pesquisadores, entre eles robôs e drones criados para uso militar (Thinkstock)
A Darpa é uma agência de pesquisas do governo americano voltada exclusivamente ao desenvolvimento de tecnologias para uso militar. Ela é conhecida por financiar pesquisas ainda em estágios iniciais, mas com potencial de incrementar o arsenal americano no futuro. Entre as tecnologias desenvolvidas pela agência, está uma série de robôs desenhados especialmente para os campos de batalha: eles são capazes de carregar enormes quantidades de equipamentos, correr em alta velocidade, disparar armas e voar livremente. Agora, a agência quer dotar seus robôs de um cérebro artificial semelhante ao dos homens.
Um novo documento divulgado pela Darpa exorta os cientistas a contribuir para o desenvolvimento de um computador que simule o neocórtex humano, a região cerebral responsável por uma série de funções cognitivas superiores, como raciocínio lógico, linguagem, percepção e consciência.
O desenvolvimento da inteligência artificial não é novidade, e já levou à construção de computadores capazes de reagir de forma independente a informações do ambiente. Os algoritmos desenvolvidos até agora, no entanto, não dão completa autonomia à máquina, e sua capacidade de aprendizado não chega perto da humana. Por isso, os pesquisadores do Darpa pretendem estudar como um computador pode imitar o funcionamento do cérebro dos mamíferos, analisando, compreendendo e respondendo ao mundo ao seu redor.
No documento, a agência pede a cientistas americanos sugestões de novos conceitos e tecnologias que possam levar ao desenvolvimento do que eles chamam de Processador Cortical. “A Darpa está analisando uma nova abordagem, baseada no neocórtex dos mamíferos, que é capaz de assimilar as estruturas temporais e espaciais de forma eficiente e resolver, rotineiramente, problemas de reconhecimento extraordinariamente difíceis”, afirma o documento.
Os pesquisadores sabem que a compreensão completa do funcionamento do cérebro está além do estado atual da ciência. Eles dizem, no entanto, ser possível identificar e desenvolver uma série de algoritmos que simulem o aprendizado e a atuação das redes de neurônios. “Os algoritmos inspirados pelos modelos neurais, em particular do neocórtex, poderiam reconhecer padrões espaciais e temporais complexos e se adaptar a um ambiente em transformação.”
Segundo o documento, o novo Processador Cortical deverá ser genérico o suficiente para servir a uma grande variedade de tecnologias criadas pela agência, desde sistemas de visão até — é claro — o controle de robôs.

Aparelho que salvou australiana após passar 42 minutos clinicamente morta já existe no Brasil

Medicina

O equipamento, que realiza uma compressão cardíaca de forma automática, evita inconsistência ou pausas no procedimento

A australiana Vanessa Tanasio
A australiana Vanessa Tanasio junto com a sua filha, Ella, seu filho, Max, e o policial Mark Robertson (PHILIP BLACKMAN/AFP)
O aparelho que ajudou a salvar a vida de uma australiana após ela permanecer 42 minutos clinicamente morta — ou seja, sem respirar e com a circulação sanguínea interrompida — é uma novidade na medicina mundial, mas já pode ser encontrado em alguns hospitais do Brasil. O dispositivo, conhecido como compressor mecânico ou automático, como o nome sugere, realiza de forma automática a compressão torácica que é realizada em um paciente que sofreu uma parada cardíaca. No caso da paciente australiana, ele foi fundamental para que a circulação do sangue se normalizasse e o seu coração voltasse a bater normalmente.
Médicos da Austrália relataram o caso de Vanessa Tanasio nesta segunda-feira. A mulher de 41 anos foi levada ao Centro Médico Monash, em Melbourne, após sofrer um ataque cardíaco na última semana. Uma de suas artérias estava completamente bloqueada e, pouco tempo depois de chegar ao hospital, ela foi declarada como clinicamente morta.
Os médicos, então, usaram o compressor automático que, da mesma forma que ocorre em uma manobra de reanimação cardiopulmonar, ajuda a normalizar o fluxo de sangue no coração e no cérebro. Enquanto isso, um stent foi implantado na artéria entupida de Vanessa. Com a artéria livre, o coração da paciente voltou a bater em ritmo normal. Segundo os médicos da Vanessa, ela está bem e prestes a receber alta. “Eu não esperava que ela fosse ficar tão bem”, disse o cardiologista responsável pela cirurgia, Wally Ahmar, em comunicado.
Procedimento — Quando uma pessoa sofre uma parada cardíaca, é preciso realizar uma compressão cardíaca (empurrando o seu tórax) para normalizar a sua circulação sanguínea. Essa compressão pode ser feita com as mãos e, agora, com esses dispositivos automáticos. “O problema da compressão manual é que, depois de um minuto, mesmo o profissional mais treinado e experiente fica cansado”, disse, ao site de VEJA, Sérgio Timerman, diretor do Laboratório de Treinamento em Emergências Cardiovasculares do Instituto do Coração da USP (Incor). “A compressão automática evita fadiga, pausas e inconsistência na compressão. Ela é mais estável e fornece um fluxo melhor ao coração e ao cérebro.”
Timerman coordenou o primeiro estudo de compressores automáticos feito em seres humanos no mundo. Sua pesquisa, publicada em 2003, mostrou que a qualidade da compressão é 33% melhor se ela for feita de forma automática em comparação com a forma manual.
Segundo o cardiologista, apenas alguns hospitais brasileiros possuem equipamentos do tipo. O Incor é um deles, mas também há aparelhos disponíveis no SAMU de Brasília, por exemplo. As novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), divulgadas na última semana, incluem os aparelhos de compressão automática como um importante auxiliar no resgate de pessoas que sofreram uma parada cardíaca. “Isso não quer dizer que o equipamento sempre substituirá a compressão manual, pois esta é importante até a chegada do socorro. Mas é uma ferramenta de grande auxílio”, disse o médico. “O tempo em que essa paciente australiana permaneceu clinicamente morta é muito extenso, não é o normal. Mostra a importância da compressão automática.”

Relator do Código Penal amplia pena mínima para homicídio

Congresso

Pedro Taques defende endurecimento na progressão de pena e se opõe à legalização do aborto; votação na comissão será no dia 30 de setembro

Gabriel Castro, de Brasília
O senador Pedro Taques (PDT-MT)
O senador Pedro Taques (PDT-MT), relator do novo Código Penal (Marcos Oliveira/Agência Senado)
O relator do novo Código Penal no Senado, Pedro Taques (PDT-MT), apresentou nesta terça-feira seu relatório sobre o tema. No texto, o parlamentar aumenta de seis para oito anos a pena mínima em caso de homicídio, endurece a progressão de pena e torna crime a doação para caixa dois de campanha eleitoral. A proposta agora será apreciada pelos senadores da comissão especial que analisa o assunto.
O senador rejeitou boa parte das sugestões apresentadas pela comissão de juristas formada pelo Senado para elaborar um anteprojeto. Ele manteve o aborto ilegal, com as ressalvas já em vigor, vetou a legalização da eutanásia e não modificou o artigo que criminaliza o porte de drogas, mesmo em pequenas quantidades.

Sobre a pena maior para o crime de homicídio, Taques afirmou que há uma desproporção entre a gravidade do crime e a pena prevista atualmente.  

O senador também tornou mais rígido o critério para progressão de regime: como regra geral, será preciso cumprir dois quintos, e não mais um sexto da sentença, para ter direito ao regime semiaberto. A proposta prevê o monitoramento eletrônico de presos beneficiados pela progressão de pena.
Taques manteve a norma atual sobre a posse de drogas para uso próprio: o ato continua sendo crime, diferentemente do que propuseram os juristas. "O Brasil não tem um espaço territorial igual ao da Holanda nem é o Uruguai. Nós fazemos fronteira seca com países produtores de entorpecente", afirmou o senador.
Aborto - Sobre o aborto, o relator rejeitou as alterações propostas pelos juristas, que defendiam a liberação da prática até a décima segunda semana de gravidez. Ficam mantidas as exceções em caso de estupro e de risco de vida para a mãe. O texto de Taques ainda libera o aborto em casos de anencefalia ou quando houver "graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida extrauterina". Apesar de ter sido permitido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o aborto de anencéfalos não é mencionado na atual legislação.
Taques contrariou os juristas e retirou do texto a legalização da eutanásia (tirar a vida de um paciente em situação irreversível), mas manteve a possibilidade de ortotanásia (a suspensão do tratamento a esses pacientes). Diz o texto: "No âmbito dos cuidados paliativos aplicados à pessoa em estado terminal ou com doença grave irreversível, não há crime quando o agente deixar de fazer uso de meios extraordinários, desde que haja consentimento da pessoa ou, em sua impossibilidade, do cônjuge, companheiro, ascendente, descendente ou irmão".
Terrorismo - O texto do relator, assim como o dos juristas, tipifica o crime de terrorismo, com pena de oito a quinze anos de prisão. O delito não é mencionado na lei atual. O substitutivo também inclui na lei o crime de doação eleitoral ilegal, com pena de dois a cinco anos. É uma forma de coibir o caixa dois de campanha, que até hoje só constitui crime eleitoral.
Outras inovações são a imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade e a exclusão do crime de racismo quando houver "livre manifestação do pensamento de natureza crítica, especialmente a decorrente da liberdade de consciência e de crenças religiosas".
Taques corrigiu a desproporção de penas que havia no texto dos juristas. A pesca de baleias, por exemplo, a pena prevista de quatro a dez anos de prisão. Agora, o texto prevê um a três anos de pena para o crime. 
Os integrantes da comissão têm até o dia 13 de setembro para apresentarem novas emendas ao texto do relator. A votação final na comissão está marcada para 30 de setembro. Depois, a proposta seguirá para o plenário do Senado.

Governo consegue adiar votação de 'veto bomba' do FGTS

Congresso

Proposta que pode reduzir receita do Executivo em 3 bilhões de reais por ano não será votada; Ato Médico e mudança no FPE ainda preocupam o governo

Gabriel Castro, de Brasília
O Senador Renan Calheiros (PMDB-AL)
O presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL): trégua após apelo de Dilma (Beto Barata/Estadão Conteúdo )
Após intensa pressão, o Palácio do Planalto conseguiu uma trégua: o Congresso Nacional deixou de fora da pauta de votações desta terça-feira as discussões sobre o fim da multa de 10% do FTGS em caso de demissão sem justa causa. A possibilidade de os parlamentares derrubarem o veto presidencial preocupa o governo porque reduziria a arrecadação federal em cerca de 3 bilhões de reais por ano.
Após reunião dos líderes dos partidos com o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), os parlamentares decidiram votar nesta terça quatro dos seis vetos presidenciais que estão em pauta. Ficou acertado que os parlamentares se reunirão mensalmente para analisar os vetos enviados pelo Executivo - e que, quando algum deles passar a trancar a pauta por causa do prazo de trinta dias para votação, haverá reunião extraordinária. No caso do veto do FGTS, o prazo expira no dia 27 de agosto.
Outro item que preocupava o Planalto também não será apreciado nesta terça: a permissão aos taxistas de transferirem suas licenças aos herdeiros. O argumento é que a Medida Provisória trata de um assunto de competência municipal.
Apesar da trégua, o governo ainda teme pela apreciação dos vetos ao Ato Médico e de um dispositivo que, na prática, pode aumentar os gastos da União com o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Se o veto for derrubado, o governo federal terá de excluir as desonerações do cálculo dos repasses - o que significaria um acréscimo. A proposta que desonerou itens da cesta básica também será analisada.
Articulação - Ao longo do dia, o governo se esforçou para evitar mais uma derrota no Congresso. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fez um périplo pelo Congresso para pedir a manutenção de todos os vetos da presidente Dilma ao projeto do Ato Médico. A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, também conversou com lideranças partidárias. 
O Planalto pressionou para que o veto à proposta sobre a multa no FGTS ficasse de fora da votação até o surgimento de uma proposta intermediária. Uma das possibilidades é a adoção de um sistema gradativo, em que o pagamento só seria totalmente extinto em 2018.


Os vetos em pauta são os primeiros a serem analisados depois que o Congresso adotou uma regra que torna obrigatória a apreciação desses itens em até 30 dias depois da chegada deles ao parlamento. Depois disso, eles passam a trancar a pauta e impedem outras votações. O objetivo é impedir o acúmulo de vetos não apreciados. O total chegou a 1.700 neste ano.

Elmore Leonard (1925-2013) e a glória

A morte do escritor americano Elmore Leonard, hoje, aos 87 anos, me levou a buscar um post de pouco menos de um ano atrás (que vai reproduzido abaixo na íntegra) em que saudei sua chegada a uma certa glória literária oficial, na forma de uma condecoração da National Book Foundation e do lançamento de seus livros pela Library of America. A conclusão era a de que o reconhecimento, merecido, era melhor para o establishment do que para Leonard – embora fosse bom para os dois. Essa impressão é ainda mais forte hoje.
*
Fiquei muito feliz com a notícia (em inglês) de que o escritor americano Elmore Leonard, 86 anos, autor de um punhado dos melhores romances policiais e de faroeste de todos os tempos, vai receber a medalha da National Book Foundation pelo conjunto da obra, uma honraria que costuma ser abiscoitada por escritores mais “sérios” como John Updike, Gore Vidal e Toni Morrison. Além disso, a Library of America reunirá seus policiais em três volumes de capa dura.
Pode ser que esses passos no sentido da canonização não signifiquem muita coisa para o ex-publicitário recluso que vive há décadas de seus livros, produzidos ao ritmo de um por ano e em muitos casos adaptados para o cinema e a TV. (Fala-se muito em “Jackie Brown”, um Tarantino menor, mas meu Leonard cinematográfico preferido é Get Shorty/“O nome do jogo”, de Barry Sonnelfeld.)
Estamos falando de um sujeito avesso a qualquer tipo de pose, que projeta uma imagem de artesão e que nunca precisou reivindicar o título de “intelectual” para se levar a sério. De todo modo, as homenagens de agora não são propriamente uma surpresa. Elmore Leonard virou uma instituição cultural americana, ganhou elogios públicos de ninguém menos que Saul Bellow e certa vez ouviu de Martin Amis que “sua prosa faz Raymond Chandler parecer desajeitado”.
Recebê-lo em suas fileiras com medalha e tudo significa muito mais, com certeza, para omainstream das letras americanas, que desse modo demonstra uma saudável abertura sobre as muitas faces do fazer literário.
O homem é comercial? Muito. É também um baita escritor, um subversivo do maniqueísmo que costuma engessar a literatura de gênero, um estilista do inglês ianque – frequentemente intraduzível, o que prejudica sua apreciação por aqui – e um mestre do ritmo narrativo que dá a impressão de ter em casa como enfeite de aparador a pedra filosofal do pulso da história, aquilo que outros escritores tateiam a vida inteira para encontrar e perder de novo.
Pode-se dizer de Leonard, sem mudar uma vírgula, o que Chandler disse de Dashiell Hammett: “Ele tinha estilo, mas seu público não sabia disso, porque o estilo vinha numa linguagem que não se supunha capaz de tais refinamentos”.
Sim: eu também gosto de literatura “difícil”. Também sei que, às vezes, dificuldades abissais se escondem sob a facilidade aparente. Isso é bem mais difícil de perceber, mas quem gosta de dificuldade não perde nada por tentar.