sexta-feira 05 2013

Retirar poder de investigação do Ministério Público é golpe na sociedade, diz Gurgel



MATHEUS LEITÃO
DE BRASÍLIA
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou, na tarde desta segunda-feira (11), que a retirada do poder de investigação do Ministério Público é um "golpe mortal" na sociedade brasileira.


"A tentativa de tirar o poder do Ministério Público, em curso, é extremamente grave por atingir um dos nossos pontos essenciais, mutilando a instituição. Quem perde não é o Ministério Público somente, mas a sociedade desgastada com a impunidade. Seria como um golpe mortal", afirmou.
Sérgio Lima - 7.jan.2013/Folhapress
Roberto Gurgel, procurador-geral da República
Roberto Gurgel, procurador-geral da República
Em novembro, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou proposta que altera a Constituição e exclui o poder de investigação do Ministério Público.
A comissão que aprovou a proposta é composta por sua maioria de deputados ligados a setores da polícia. A emenda apresentada pelo deputado Bernardo de Vasconcellos Moreira (PR-MG) atribuiu exclusivamente às polícias Federal e Civil a competência para a investigação criminal.
Na opinião de Gurgel, não haveria o julgamento do mensalão no ano passado sem o poder de investigação do Ministério Público, "tal a importância do órgão no caso".
O procurador-geral disse que a Policia Federal teve papel importante na investigação do mensalão, mas a maior parte da investigação do caso foi conduzido pela Procuradoria. "A espinha dorsal foi fruto do trabalho do Ministério Público".
"O Ministério Público jamais pretendeu a exclusividade, já que a polícia faz um trabalho importantíssimo. Na verdade, o que temos é que estimular um trabalho conjunto --todos os organismos do Estado", disse.
Ao abordar o tema, o procurador-geral cobrou novamente a efetividade do julgamento do mensalão. "É preciso que as pessoas condenadas a penas privativas de liberdade sejam recolhidas à prisão, a exemplo do que acontece com as pessoas pobres".
"Tivemos um resultado magnífico, que deu esperança à sociedade de que os tempos de impunidade terminaram. O julgamento deixou a esperança, mas é preciso que essa esperança se concretize. E vai se concretizar apenas com a execução das penas", disse Gurgel.
As declarações foram dadas em coletiva realizada antes do início de seminário internacional sobre o papel do Ministério Público na Investigação criminal, que começa na noite desta segunda-feira.
O seminário, organizado pela procuradoria-geral da República, defenderá a manutenção do poder de investigação do Ministério Público com palestrantes da América Latina e Europa.
Na época em que a proposta foi aprovada na Câmara, Gurgel chamou de "atentado" ao Estado democrático a aprovação da anulação do poder de investigação do Ministério Público por parte do Congresso.
Entidades como a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) saíram em defesa do Ministério Público classificando-a proposta como "danosa". "A importância do Ministério Público em diversas investigações é fundamental para o combate eficaz da impunidade que grassa no país", disse, em fevereiro.
A proposta ainda aguarda votação no plenário da Câmara.
CASO CHALITA
Gurgel afirmou que ainda "está analisando" o material enviado pelo Ministério Público Estadual de São Paulo envolvendo o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) por suspeita de corrupção, enriquecimento ilícito e superfaturamento de contratos públicos.
"É um material volumoso", disse, sem dar detalhes.
Folha revelou no mês passado que Ministério Público Estadual abriu 11 inquéritos para investigar o deputado com base nas acusações do analista de sistemas Roberto Grobman, que afirma ter sido assessor do peemedebista na época em que foi secretário de Educação de São Paulo. Chalita nega as acusações.
Por ser parlamentar, Chalita tem foro privilegiado. Após analisar os dados, Gurgel vai decidir se pede abertura de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o deputado.

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Barbosa critica proposta de restringir poder de investigação do Ministério Público


FELIPE SELIGMAN
DE BRASÍLIA



O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, criticou nesta sexta-feira (5) a proposta de emenda constitucional que pretende limitar os poderes de investigação do Ministério Público.

"Acho péssimo. A sociedade brasileira não merece uma coisa dessas", disse o ministro, ao sair da Universidade de Brasília, onde proferiu a aula inaugural do primeiro semestre de 2013.
Retirar poder de investigação do Ministério Público é golpe na sociedade, diz Gurgel
Comissão aprova projeto que exclui poder de investigar do Ministério Público
CNBB se posiciona contra tirar poder de investigação do Ministério Público
Promotores lançam abaixo-assinado contra projeto que restringe investigações
Sergio Lima/Folhapress
Joaquim Barbosa, presidente do STF
Joaquim Barbosa, presidente do STF
Antes de ser ministro do STF, Barbosa fez carreira no Ministério Público e sua posição favorável aos poderes investigativos de procuradores e promotores já havia sido apresentada durante julgamentos do tribunal.
Sua crítica à PEC que tramita no Congresso se soma à do procurador-geral da República que, há meses, tenta convencer os parlamentares a não aprovar o texto.
USURPAÇÃO DE PODERES
Durante sua aula inaugural, o presidente do Supremo foi saudado com aplausos e gritos de mais de mil estudantes que foram ao Centro Comunitário da Universidade para ver o seu pronunciamento.
Ele respondeu a três perguntas feitas por estudantes, uma delas relacionada à constante crítica, principalmente elaborada por integrantes do Congresso, de que o Supremo Tribunal Federal, nos últimos tempos, tem usurpado os poderes do Legislativo e do Executivo e editando regras para a sociedade.
Para Barbosa, no entanto, os ministros do tribunal não estão preocupados com tais críticas. "Eu poderia responder de maneira evasiva, mas vou direto ao ponto. Ninguém, nenhum ministro, está preocupado com o que dizem sobre o STF estar usurpando funções de outros poderes", afirmou. "Vocês sabem que o Supremo não sai à caça de problemas. Os problemas chegam a ele e chegam da maneira em que a Constituição brasileira previu".
PASTOR FELICIANO
O ministro também se deparou com o que chamou de "saia justa", quando questionado por uma estudante de Ciências Sociais qual é a sua opinião sobre o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) ocupar a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
Dessa vez, no entanto, ele preferiu a resposta evasiva: "A minha resposta é de quem viveu, durante anos e anos nesse ambiente de liberdade. É simples. O deputado Marco Feliciano foi eleito pelos seus pares para assumir um determinado cargo dentro do Congresso Nacional, perfeito. Os deputados fizeram porque está previsto regimentalmente. Agora, a sociedade tem o direito de se exprimir, como tem feito, contrariamente à presença dele neste cargo. Isso é democracia", afirmou Barbosa, muito aplaudido.
MENSALÃO
Joaquim Barbosa também disse que o acórdão do mensalão, resultado oficial do julgamento, deverá ser publicado "nos próximos dias". Para isso, no entanto, ele depende do colega Celso de Mello, que termina a revisão de seu voto e deve liberar sua contribuição "o mais rápido possível", segundo diz a assessoria do tribunal desde o início desta semana.
Assim que Mello liberar o voto, Barbosa deverá publicar o acórdão no Diário de Justiça. A partir de então, será aberto um prazo de cinco dias para que os advogados contestem a decisão do tribunal que condenou 25 réus pelos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e formação de quadrilha.

Blowing In The Wind (Live On TV, March 1963)



Tempo muito especial!!

Desembargador pedia dinheiro por 'torpedos'


Por estadao.com.br
Afastado sob suspeita de corrupção usava mensagens de celular para solicitar 'empréstimos' de até R$ 35 mil a advogadas

Uma sequência de 23 torpedos enviados para os celulares de duas advogadas de Campinas é indício contra o desembargador Arthur Del Guércio Filho, afastado cautelarmente da 15.ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo por suspeita de corrupção. As mensagens foram redigidas no celular do próprio magistrado e endereçadas às advogadas Maria Odette Ferrari Pregnolatto e Giovanna Gândara Gai, de um escritório de Campinas (SP).
"Do TJ foram suspensos alguns pagamentos de férias atrasadas a que tenho direito e isso me deixou numa situação aflitiva", escreveu o desembargador Del Guércio, a 9 de maio de 2012, às 14h34. "Por isso me atrevo a perguntar se a sra poderia me emprestar R$ 35 mil por 60 dias, com o inconveniente que precisaria ser para amanhã."
Depois, insistiu. "Qualquer que seja sua resposta tenho certeza que nenhum de nós misturará as coisas, pois o pedido é pessoal, nada mais. Me desculpando pelo incômodo aguardo ansioso sua resposta. Abs."
Maria Odette, de 65 anos, integra o Tribunal de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil em Campinas. Acumula 40 anos de experiência, como procuradora municipal e advogada. Por cautela, gravou as correspondências. "Fiquei muito indignada. Não emprestei dinheiro e não respondi", conta.
Dúvida. Ela defende uma pessoa jurídica em mandado de segurança relativo a questão de ordem tributária. No último dia 21 de março, Del Guércio ligou para o escritório de Maria Odette e pediu a ela que fosse ao seu gabinete, no prédio do TJ da Avenida Ipiranga, centro da Capital. "Ele disse que estava com dúvida sobre a perícia contábil", relata a advogada. "Fui à sala dele, mas ali não falou sobre dinheiro. Mal deixei o tribunal e veio torpedo."
"Dra, bom dia (eram 11h50)", iniciou o magistrado. "Depois que a sra saiu tive uma péssima notícia e constrangido gostaria de saber se poderia me ajudar. Amanhã entraria um pagamento do tribunal mas ele só será feito no dia 5 de abril. O valor é 19 mil e 800 reais. A sra poderia me emprestar esse valor até aquela data? Me desculpe pela amolação. Me dê um retorno, por favor."
Ao fim do texto, às 11h53, ele anotou. "Ah, já localizei o feito e o julgamento será simultâneo, mas sem qualquer relação com o meu pedido, creia." Às 17h52 ele cobrou. "Dra, alguma posição?"
"Tenho medo do que possa ocorrer com meu cliente, mas como não podia tomar providências?", argumenta Maria Odette, que segunda-feira foi à Presidência do TJ, denunciou o desembargador e entregou cópia da sucessão de torpedos.
Além de seu relato e do depoimento de Giovanna, confirmam a ação de Del Guércio outros três advogados a quem ele teria solicitado dinheiro.
Maria Odette disse que "nunca deu essa abertura" para que Del Guércio fizesse tal pedido. "Nunca vi uma coisa dessas e tem um agravante porque ele até assediou a Giovanna, uma advogada jovem e bonita."
Frustração. O assédio está em duas mensagens a Giovanna, de 31 anos. A primeira, a 9 de maio de 2012, às 12h12. "Gostei muito de falar com você. Seu jeito meigo me cativou. Sei das grandes diferenças que existem em nossas vidas, mas posso lhe perguntar se não podemos almoçar juntos um dia desses? O que acha da ideia? Estou aguardando sua visita. Beijos."
No dia seguinte, às 9h40: "Giovanna, bom dia. Você não me respondeu ontem. Te assustei?"
"É uma frustração grande", diz Giovanna. "A gente estuda, vai atrás de jurisprudências e aí você vê todo esse trabalho jogado no ralo. Ainda assim existem os bons e a gente acredita na Justiça. Talvez tenha acontecido com mais pessoas."
O criminalista José Luís Oliveira Lima, que ontem assumiu a defesa de Del Guércio, não comentou as acusações.

Dilma edita MP com novas desonerações


Por Reuters, Reuters


Dilma edita MP com novas desonerações
REUTERS
BRASÍLIA, 5 Abr (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff editou medida provisória ampliando os setores beneficiados pela desoneração da folha de pagamento e zerando a alíquota do PIS/Cofins para as indenizações do setor elétrico pela renovação antecipada de concessões.
A MP foi publicada em edição extra de quinta-feira do Diário Oficial da União.
A desoneração da folha já beneficia 42 setores da economia e tem como objetivo reduzir o custo de produção no Brasil. Além disso, o governo tem dito que espera que essa redução do custo se transforme em expansão do investimento.
Entre os novos setores que serão beneficiados pela desoneração da folha estão empresas de construção de obras de infraestrutura e empresas de engenharia, de equipamentos militares e aeroespaciais e de serviços de manutenção de veículos.
Esses setores vão pagar uma alíquota de 2 por cento sobre o faturamento bruto e deixarão de recolher 20 por cento da contribuição previdenciária incidente sobre a folha.
Outros setores beneficiados são carga e descarga de conteiners em portos, infraestrutura aeroportuária e empresas jornalísticas e de radiodifusão, armas e munições. O percentual que incide sobre o faturamento bruto, neste caso, é de 1 por cento.
Os novos setores desonerados desta nova MP são similares aos vetados pela presidente na última quarta-feira. Eles foram incluídos por emendas dos parlamentares em medida provisória que tratava do tema.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, dará uma entrevista para explicar os detalhes dessa MP na manhã desta sexta-feira.
Veja o link para a MP 612 no Diário Oficial da União:
http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?data=04/04/2013&jornal=1000&pagina=2&totalArquivos=8
(Por Tiago Pariz)

Coreia do Norte diz a embaixadas para considerarem retirada do país


Por Redação*


Tensões aumentam na Península Coreana (© EFE)
A Coreia do Norte disse a embaixadas estrangeiras para considerarem a possibilidade de retirada de pessoal caso as tensões aumentem, informou a agência de notícias oficial da China, Xinhua, citando fontes diplomáticas, nesta sexta-feira (5). A agência não detalhou seu breve relato.
O país carregou em plataformas de lançamento móveis dois mísseis de alcance intermediário e os escondeu em algum ponto no litoral leste do país, informou mais cedo uma fonte militar sul-coreana, o que pode ser o indício de um iminente teste de mísseis de Pyongyang.
'No início desta semana, a Coreia do Norte transferiu de trem dois mísseis Musudan e os colocou em plataformas de lançamento móveis' no litoral do Mar do Leste (Mar do Japão), indicou um alto oficial do Exército sul-coreano à agência local Yonhap.
O movimento de Pyongyang, detalhou a fonte, é visto como uma tentativa de lançar mísseis de surpresa, uma vez que não está claro se os projéteis serão utilizados em um teste de disparo ou em manobras militares.
Analistas sul-coreanos enxergam uma alta probabilidade de Pyongyang realizar um teste de lançamento do míssil em meados de abril para celebrar o aniversário do nascimento de Kim Il-sung, fundador do país e avô do atual dirigente, Kim Jong-un, em uma tentativa de reforçar sua liderança.
A Coreia do Sul, por sua vez, desdobrou hoje em sua costa no Mar Amarelo (Mar Ocidental) e no Mar do Leste (Mar do Japão) dois navios com sistemas de intercepção de mísseis, perante a possibilidade de a Coreia do Norte preparar um lançamento nos próximos dias.
No início desta semana, Pyongyang movimentou o que pareciam ser dois projéteis Musudan rumo a sua costa oriental após ameaçar produzir um ataque nuclear contra os EUA, o que levou Washington a enviar seu avançado sistema de defesa de mísseis para sua base na ilha de Guam, no Pacífico.
*Com informações das agências Reuters e EFE