segunda-feira 25 2012
domingo 24 2012
NA VEJA DESTA SEMANA — Aloprados: A montanha que só pariu ratos
Em 23/06
Por Rodrigo Rangel e Otávio Cabral:
Na semana passada, a Justiça Federal abriu processo contra nove envolvidos no escândalo dos aloprados, aquele em que petistas foram presos em São Paulo, às vésperas das eleições de 2006, quando se preparavam para comprar um dossiê fajuto que serviria para enredar políticos do PSDB com a máfia que fraudava licitações no Ministério da Saúde. A decisão sugere que mais uma jogada rasteira de petistas interessados em se perpetuar no poder à base de práticas escusas — entre as quais o mensalão desponta como exemplo mais degradante — será, depois de seis anos, finalmente punida. Ledo engano. Os aloprados levados às barras dos tribunais são militantes de baixo escalão e meros tarefeiros a serviço de próceres do partido. Eles vão responder a um processo manco, que não esclarece duas das principais dúvidas relacionadas ao caso: quem encomendou a trapaça eleitoral e de onde saiu o dinheiro que financiaria a operação. Se essas questões não forem explicadas, restará a certeza de que compensa investir no vergonhoso vale-tudo que impera na política brasileira. Afinal, como castigo, só uma arraia-miúda do PT ficará pelo caminho.
Na semana passada, a Justiça Federal abriu processo contra nove envolvidos no escândalo dos aloprados, aquele em que petistas foram presos em São Paulo, às vésperas das eleições de 2006, quando se preparavam para comprar um dossiê fajuto que serviria para enredar políticos do PSDB com a máfia que fraudava licitações no Ministério da Saúde. A decisão sugere que mais uma jogada rasteira de petistas interessados em se perpetuar no poder à base de práticas escusas — entre as quais o mensalão desponta como exemplo mais degradante — será, depois de seis anos, finalmente punida. Ledo engano. Os aloprados levados às barras dos tribunais são militantes de baixo escalão e meros tarefeiros a serviço de próceres do partido. Eles vão responder a um processo manco, que não esclarece duas das principais dúvidas relacionadas ao caso: quem encomendou a trapaça eleitoral e de onde saiu o dinheiro que financiaria a operação. Se essas questões não forem explicadas, restará a certeza de que compensa investir no vergonhoso vale-tudo que impera na política brasileira. Afinal, como castigo, só uma arraia-miúda do PT ficará pelo caminho.
Os aloprados — como foram batizados pelo ex-presidente Lula depois de descobertos pela Polícia Federal — agiram em setembro de 2006 numa tentativa de implicar o tucano José Serra, ex-ministro da Saúde e então candidato ao governo de São Paulo, com a quadrilha que desviava recursos públicos direcionados para a compra de ambulâncias. Os petistas portavam 1,7 milhão de reais para comprar papéis falsos destinados a macular a imagem do tucano. À frente da ação figuravam assessores próximos de Lula e do atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que à época disputavam, respectivamente, a reeleição presidencial e o governo paulista. Essa operação para atingir os adversários foi um dos muitos tiros no pé disparados pelo partido, talvez o mais exemplar deles. Em vez de ajudar o PT, o caso, ao ser revelado, contribuiu para que Lula fosse obrigado a disputar um segundo turno contra Geraldo Alckmin. Já Mercadante foi derrotado por Serra. As urnas foram as únicas penalidades impostas aos dois petistas. O caso, porém, é mais um a reforçar a suspeita de que órgãos de investigação têm sido usados com fins meramente políticos - principalmente para livrar cardeais do PT de embaraços com a Justiça.
Pressão — O delegado Edmilson Bruno, que prendeu os “aloprados”, disse que o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, telefonou para a delegacia e perguntou se o nome do presidente Lula havia sido citado pelos presos (Tuca Vieira/ Folhapress; Dida Sampaio/ AE)
A PF concluiu o inquérito sobre o escândalo, ainda em 2006, com o indiciamento de sete pessoas. Não conseguiu apontar os mandantes do crime nem a origem do dinheiro que pagaria o dossiê fajuto. Apesar de sobrarem evidências sobre a participação de integrantes do comitê central de campanha de Lula, o personagem mais graúdo entre os indiciados foi Aloizio Mercadante. Os policiais concluíram que Mercadante seria o principal beneficiário do dossiê, que atingia seu rival direto na eleição de 2006. O indiciamento do petista foi derrubado posteriormente pelo Supremo Tribunal Federal. Restaram, então, só os militantes usados pelo partido para transportar a mala com notas de real e dólar e executar o plano. Os cérebros da empreitada ficaram de fora. No auge do episódio, a Polícia Federal foi acusada de montar uma operação limpeza para apagar os indícios que poderiam levar aos petistas graúdos. Coube a um dos delegados que participaram da investigação, Edmilson Bruno, denunciar a trama. Em depoimento ao Ministério Público, ele acusou alguns de seus principais superiores hierárquicos de ter feito pressão para impedir que o caso chegasse ao núcleo da campanha de Lula. Responsável pela apreensão do dinheiro num hotel vizinho ao Aeroporto de Congonhas, o delegado revelou que até o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, tinha se empenhado pessoalmente no caso, indagando se os presos haviam citado o nome do presidente Lula.
A investigação da Polícia Federal deixou mais lacunas que certezas. Seguir o caminho do dinheiro, procedimento básico em investigações desse tipo, foi uma das medidas deixadas de lado. Graças a informações enviadas pelo FBI, a polícia federal americana, os agentes brasileiros souberam que os dólares que faziam parte da dinheirama apreendida foram impressos em Miami, circularam pela Alemanha e foram parar numa casa de câmbio do Rio de Janeiro. Lá, foram comprados por pessoas humildes, os conhecidos laranjas. A investigação parou por aí. Não se conseguiu sequer descobrir a mando de quem estavam esses laranjas. Já a origem dos reais nunca deixou o terreno das hipóteses, embora existissem duas pistas consistentes dentro do próprio inquérito. A primeira é que uma parte do dinheiro foi sacada em três bancos de São Paulo, provavelmente pela mesma pessoa. Essa conclusão foi possível após os agentes perceberem nas planilhas da quebra de sigilo telefônico que um mesmo celular, em nome de Ana Paula Cardoso Vieira, era usado para falar com vários envolvidos no escândalo. Ana Paula, na verdade, era Hamilton Lacerda, um dos aloprados petistas encarregados de executar a operação (o CPF da verdadeira Ana Paula foi usado pelo bando para habilitar o aparelho). No dia da prisão, Hamilton “Ana Paula” Lacerda teria passado por três bancos diferentes. “Tentamos várias formas de identificar a origem do dinheiro e não conseguimos”, justifica-se o delegado federal Diógenes Curado, responsável pela conclusão do inquérito.
A outra suspeita, de que parte do dinheiro tinha origem na Bancoop, cooperativa controlada por grão-petistas e usada em outros rolos financeiros do partido, também foi deixada de lado. Tão logo foi concluído pela PF, o inquérito seguiu para o Ministério Público Federal. Os procuradores poderiam ter solicitado diligências para sanar as deficiências da investigação original, mas os avanços foram pífios. A abertura de processo na semana passada sugere o pleno funcionamento das instituições e alimenta a esperança de punição aos culpados. Na prática, porém, fica a impressão de que, mais uma vez, tudo vai terminar na conta de um bando de inconsequentes — ou aloprados, como preferem alguns.
Colaborou Hugo Marques
Colaborou Hugo Marques
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/
Brasil convoca embaixador em Assunção, condena “rito sumário” do impeachment no Paraguai e avalia permanência do país no Mercosul
Por Laryssa Borges, na VEJA Online:
O Ministério de Relações Exteriores informou na noite deste sábado que chamou de volta a Brasília o embaixador brasileiro em Assunção, Eduardo dos Santos, para “esclarecimentos” sobre o que classificou como “rito sumário” de impeachment do presidente paraguaio, Fernando Lugo.
O Ministério de Relações Exteriores informou na noite deste sábado que chamou de volta a Brasília o embaixador brasileiro em Assunção, Eduardo dos Santos, para “esclarecimentos” sobre o que classificou como “rito sumário” de impeachment do presidente paraguaio, Fernando Lugo.
Também na noite deste sábado o governo de Cristina Kirchner havia anunciado a saída do embaixador argentino na capital paraguaia, Rafael Edgardo Roma, por conta dos “graves acontecimentos institucionais e a ruptura da ordem democrática.” A retirada dos embaixadores do Brasil e da Argentina é um sinal diplomático de que os países acompanham com apreensão e alguma dúvida o desenrolar da situação política do Paraguai.
Em nota, o Itamaraty condenou publicamente a falta do direito à ampla defesa e contraditório na retirada de Fernando Lugo do poder. “O governo brasileiro condena o rito sumário de destituição do mandatário do Paraguai, decidido em 22 de junho último, em que não foi adequadamente assegurado o amplo direito de defesa”, disse o Ministério de Relações Exteriores. Ainda assim, o governo brasileiro disse ainda avaliar a eventual saída do Paraguai de blocos econômicos do cone sul, como o Mercosul e a Unasul (União Sul-Americana de Nações).
“O Brasil considera que o procedimento adotado compromete pilar fundamental da democracia, condição essencial para a integração regional”, disse o governo brasileiro.
Os chanceleres e representantes da União Sul-Americana de Nações (Unasul), grupo formado por Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela, além do próprio Paraguai, analisam como o governo paraguaio poderá se manter nos blocos de cooperação regional sul-americanos. Após a confirmação do impeachment do presidente Fernando Lugo, os países sul-americanos deverão avaliar a possível adoção de medidas como o fechamento de fronteiras ao país, a adoção de sanções econômicas e até um recurso à Organização dos Estados Americanos (OEA).
Em todos os casos, a iniciativa dos países contra a destituição do Lugo do poder terá de ser tomada por consenso. Uma mediação política prévia pode evitar que se chegue ao extremo de punir o Paraguai, embora cláusulas da OEA, da Unasul e do Mercosul estabeleçam a adoção de medidas caso um dos estados-membros sofra atentados à democracia.
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Novo presidente paraguaio tenta se aproximar do Brasil
Na VEJA Online:
O novo presidente do Paraguai, Federico Franco, falou à imprensa neste sábado, na sede do governo paraguaio, um dia depois de assumir o posto devido ao impeachment de Fernando Lugo. Ele revelou a intenção de se aproximar das nações vizinhas para que seu governo seja reconhecido. Sobre o Brasil especificamente, prometeu respeitar os contratos relativos à usina hidrelétrica binacional de Itaipu e tratamento preferencial aos brasileiros que vivem no Paraguai.
O novo presidente do Paraguai, Federico Franco, falou à imprensa neste sábado, na sede do governo paraguaio, um dia depois de assumir o posto devido ao impeachment de Fernando Lugo. Ele revelou a intenção de se aproximar das nações vizinhas para que seu governo seja reconhecido. Sobre o Brasil especificamente, prometeu respeitar os contratos relativos à usina hidrelétrica binacional de Itaipu e tratamento preferencial aos brasileiros que vivem no Paraguai.
“A monumental Itaipu é a mostra mais clara de amizada entre nossos povos. Vamos cumprir todos os compromissos internacionais. Assumiremos dúvidas e trataremos de ainda mais os laços de união entre os povos latino-americanos, em particular entre Brasil e Paraguai”, disse. E emendou, sobre a questão dos brasileiros que vivem na nação vizinha. “Paraguai e Brasil devem ter uma relação harmônica. Os cidadãos brasileiros radicados no país, como sempre, terão trato preferencial”, disse. Questionado sobre a possibilidade de o Brasil aplicar sanções comerciais ao Paraguai, Franco mostrou tranquilidade. “Não há por que forçar uma situação. Os mais afetados seriam os próprios empresários brasileiros.”
O novo mandatário incumbiu seu novo ministro de Relações Exteriores, José José Félix Fernández Estigarribia, de fazer contato com as nações da região para explicar a situação do país. “Ele mostrará não apenas com palavras, mas também com fatos, nossa vocação democrática a favor do respeito ao estado de direito e à liberdade”, disse Franco. Ele prometeu anunciar nomes que irão compor seu gabinete na próxima segunda-feira.
Kirchner, Chávez…Em seu segundo dia de governo, Franco voltou a negar que sua ascensão à Presidência tenha se dado por meio de um golpe de estado. Apesar disso, ele reconheceu que a transição política ocorreu “um pouquinho rápido”. “Aqui, não há militares nas ruas. Até a Igreja, de forma unânime, apoiou minha posse, assim como os partidos políticos”, disse o novo governante.
Ele lembrou ainda que que o processo de impeachment de Lugo, iniciado na Câmara e encerrada no Senado, teve adesão maciça do Congresso. “Estou tranquilo. Vamos organizar a casa e entrar em contato com os países vizinhos no momento oportuno. Tenho certeza de que compreenderão a situação”, disse.
Franco também comentou o fato de a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) não reconhecer o novo governo paraguaio. Disse que só irá se pronunciar formalmente a respeito quando for oficialmente comunicado sobre a posição do órgão internacional. “Somos um país soberano e livre, e os companheiros da Unasul entenderão a situação”, disse.
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