domingo 10 2015
Dilma é vaiada ao deixar casamento em São Paulo
- Atualizado em
A presidente Dilma Rousseff foi alvo de vaias e panelaço na noite deste sábado, quando compareceu ao restaurante Leopolldo, em São Paulo, para o casamento do cardiologista Roberto Kalil. Dilma foi madrinha da união do médico com a endocrinologista Claudia Cozer. No altar, estava acompanhada do secretário da Saúde de São Paulo, David Uip. Também foram padrinhos o ex-presidente Lula, acompanhado de Marisa Letícia, e o senador tucano José Serra. Segundo a reportagem de VEJA São Paulo, que esteve no evento, a presidente foi alvo de panelaço e vaias de alguns manifestantes que esperavam em frente ao Leopolldo. Gritavam "Fora PT" e "Fora Dilma". A reportagem flagrou o momento em que a presidente deixava o evento e era hostilizada por manifestantes.
Vana Lopes, a mulher que foi vítima e algoz de Roger Abdelmassih
O impressionante relato da mulher que ajudou a capturar o médico que estuprava suas pacientes
Por: Robson Bonin
Na tarde de 20 de agosto de 2014, o ex-médico Roger Abdelmassih se assustou com a recepção que o aguardava no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ele fora capturado pela Polícia Federal na véspera, depois de três anos foragido, no Paraguai. Conduzido algemado por policiais, ouviu uma multidão chamá-lo de "monstro estuprador". A cada grito, a cada xingamento, arregalava os olhos. O outrora "médico das estrelas", o "doutor vida", era apresentado ao seu novo status social. Diante de repórteres e câmeras de televisão, o criminoso ficou cara a cara com uma de suas vítimas: "Bem-vindo ao inferno! Fui eu, Vana Lopes, quem te procurou estes anos todos! Você não sai mais daqui!". Terminava ali, nesse acerto de contas pessoal, uma busca incansável por justiça que começara duas décadas antes. Uma história impressionante em que a vítima, depois de superar um trauma violento e uma tentativa de suicídio, descobriu o paradeiro de seu carrasco e o entregou às autoridades. A estilista Vanuzia Lopes tinha 33 anos quando decidiu recorrer aos serviços prestados pela renomada clínica de Abdelmassih. Na época, Vana, como é conhecida, administrava duas empresas, viajava o mundo atrás de novas tendências da moda e morava com o marido numa cobertura confortável. Bem-sucedida nas searas profissional e pessoal, ela decidira que era chegada a hora de ter um filho biológico. O marido concordou, e o casal bateu à porta do especialista que atendia famosos e era considerado uma referência nacional em reprodução assistida. Na clínica, o sonho da gravidez se transformou em pesadelo. Vana foi estuprada e, a partir desse crime, sua vida desmoronou. "Eu acordei e ele estava em cima de mim." Violentada enquanto estava sob o efeito de sedativos, ela contraiu uma bactéria que lhe causou uma grave infecção, provocou a perda de vários órgãos e acabou de vez com as chances de ela ser mãe. Entrou em depressão e tentou se matar. Salva por amigos, decidiu reagir e se vingar do médico. Foi quando se lançou numa caçada sem trégua para encontrar Abdelmassih e levá-lo às barras da Justiça.
Essa saga quixotesca - e de superação - está contada em Bem-vindo ao Inferno - A História de Vana Lopes. A Vítima que Caçou o Médico Estuprador Roger Abdelmassih (Matrix Editora; 424 páginas; 49,90 reais; e-book, 34,90 reais), que será lançado nesta semana. O livro tem prefácio assinado pelo juiz federal Sergio Moro, que comanda as investigações da Operação Lava-Jato, e pela mulher dele, Rosangela. Responsável por desbaratar a quadrilha que roubou pelo menos 6 bilhões de reais da Petrobras, Moro se admirou com a capacidade investigativa da estilista: "Fazer justiça com as próprias mãos é a clássica metáfora de irresignação à lei. Vana é a mãe espiritual de uma nova prática. Trata-se, agora, de fazer justiça com o próprio mouse, em que a cidadania conectada é a maior arma da Justiça vigente: as redes sociais responsivas e responsáveis". Reconstituída pelos jornalistas Cláudio Tognolli e Malu Magalhães a partir de documentos e mais de 300 horas de gravações, a ofensiva deflagrada por Vana para punir Abdelmassih é um daqueles casos clássicos em que uma vitória pessoal se reverte num benefício para a sociedade. Vana não apenas superou um trauma. Ela vingou outras mulheres que tiveram o sonho da maternidade manchado por um "monstro estuprador" considerado insuspeito durante décadas. Não foi uma jornada fácil.
sábado 09 2015
sexta-feira 08 2015
Autores compartilharam notícia sobre confissão de Lula. Entenda o trecho polêmico do livro
Os autores Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz retuitaram, ao meio-dia desta sexta-feira, a notícia do Globo “Mujica, em livro, relata confissão de Lula sobre mensalão”.
Ela estava linkada no tuíte do professor de economia Ignacio Munyo que elogiava o feito como um “golaço” dos dois no Maracanã.
Sim. Com benevolência, pode-se alegar que eles não leram a matéria, não entendem português, estavam apenas divulgando o livro e aproveitando o elogio, e/ou que a matéria do Globo fica em cima do muro ao falar de confissão “sobre mensalão”, não de Lula ter confessado (o crime) do mensalão, o que não lhes seria tão incômodo.
Com muita benevolência, claro.
Por volta das 15 horas, o G1 publicou matéria com o seguinte trecho:
“Questionado se Lula se referia especificamente ao mensalão ou a ‘coisas imorais’ ao falar sobre ‘a única forma de governar o Brasil’, um dos autores do livro respondeu por e-mail ao G1:
‘Não, Lula estava falando sobre as ‘coisas imorais’ e não sobre o mensalão. O que Lula transmitiu ao Mujica foi que é dificil governar o Brasil sem conviver com chantagens e ‘coisas imorais’”, escreveu Andrés Danza.”
Fico imaginando o teor dos telefonemas que Danza recebeu entre meio-dia e a resposta ao G1, mas ok. Fico imaginando que o mensalão também é uma ‘coisa imoral’, mas ok.
“Lula teve que enfrentar um dos maiores escândalos da História recente do Brasil: o mensalão, uma mensalidade paga a alguns parlamentares para que aprovassem os projetos mais importantes do Poder Executivo. Compra de votos, um dos mecanismos mais velhos da política. Até José Dirceu, um dos principais assessores de Lula, acabou sendo processado pelo caso.
‘Lula não é um corrupto como Collor de Mello e outros ex-presidentes brasileiros’, disse-nos Mujica, ao falar do caso. Ele contou, além disso, que Lula viveu todo esse episódio com angústia e com um pouco de culpa. ‘Neste mundo tive que lidar com muitas coisas imorais, chantagens’, disse Lula,aflito, a Mujica e Astori, semanas antes de eles assumirem o governo do Uruguai. ‘Essa era a única forma de governar o Brasil’, se justificou. Os dois tinham ido visitá-lo em Brasília, e Lula sentiu a necessidade de esclarecer a situação.”
Há também o trecho:
“(Mujica) Entendeu perfeitamente essa jogada. Lula preferia ser o poder nas sombras e, depois do mensalão, não ficar exposto demais”.
Pois bem.
Embora a descrição de quem se justifica aflito com um pouco de culpa sobre um crime e prefere não ficar exposto demais depois dele seja, em termos literários, a descrição de um culpado, os trechos talvez mal escritos pelos autores são um tantinho ambíguos, o que só faz reforçar a ambiguidade da confissão de Lula.
Como cobra-criada que é, o petista nunca diz as coisas com todas as letras, mas insinua para bom entendedor.
Danza pode até não querer entender o que ele próprio narrou por escrito, e preferir fornecer munição involuntária aos blogs sujos do PT, que tomam sua opinião como um desmentido oficial.
Mas nós conhecemos e traduzimos Lula bem melhor do que os uruguaios.
Achamos até que ele estava tirando uma onda.
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