terça-feira 22 2014

O último quadriênio foi incrível para o deputado petista Vicente Cândido, um dos representantes da bancada da bola, como são conhecidas as excelências da Câmara ligadas à alta cartolagem.

Negócios de sucesso

Patrimônio quatro vezes maior
Patrimônio quatro vezes maior
O último quadriênio foi incrível para o deputado petista Vicente Cândido, um dos representantes da bancada da bola, como são conhecidas as excelências da Câmara ligadas à alta cartolagem.
Em 2010, Cândido declarou à Justiça Eleitoral bens que somavam 522 987 reais. Agora candidato à reeleição, Cândido informou ao TSE um patrimônio quatro vezes maior: 2,1 milhões de reais.
Os negócios de Vicente Cândido, que é sócio do futuro presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, num escritório de advocacia, viveram tempos de prosperidade no período.
De acordo com o próprio, seu enriquecimento é resultado dos lucros de suas empresas e da valorização de um apartamento, que valia cerca 120 000 reais e hoje estaria cotado a 520 000 reais.
Por Lauro Jardim
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/eleicoes-2014/negocios-de-sucesso/

Deputada dá carona a advogada ligada a black bloc; Assembleia analisa cassação

Rio de Janeiro

Corregedoria e Conselho de Ética da Alerj analisam conduta de Janira Rocha (PSOL), que ajudou a advogada Eloisa Samy a fugir da polícia

Daniel Haidar, do Rio de Janeiro
Janira Rocha, deputada estadual pelo PSOL
LAÇOS – Janira Rocha, deputada estadual pelo PSOL: carona para uma foragida da Justiça, ligada a black blocs, em carro oficial da Assembleia (Carlo Wrede/Ag. O Dia)
A carona oferecida pela deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ) para uma advogada ligada a black blocs – e foragida da Justiça – poderá custar caro para a parlamentar. Usando um carro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Janira transportou na noite desta segunda-feira a advogada Eloisa Samy, que tentava asilo no Consulado do Uruguai, em Botafogo, para evitar ser presa. Quando soube que o pedido fora negado pela representação uruguaia, Eloisa tramou uma fuga até um supermercado em São Conrado, na Zona Sul, escondida no carro da deputada do PSOL. De lá, a advogada desapareceu.
"Não tenho dúvida de que isso quebra o decoro parlamentar. Há possibilidade de suspensão e até perda de mandato. Vamos levar isso ao conselho ao fim do recesso", afirmou o presidente do Conselho de Ética da Alerj, deputado Janio Mendes (PDT). Segundo ele, a conduta de Janira será analisada pelo colegiado após o recesso parlamentar, em agosto. Se configurada quebra de decoro, a punição poderá ser a cassação do mandato.
Nesta terça-feira, o deputado Comte Bittencourt (PPS), corregedor da Alerj, enviou ofício à deputada cobrando uma justificativa oficial para a carona.
Confirmado o processo, será a quarta ação pela cassação do mandato de Janira por quebra de decoro. Dois processos foram arquivados, mas ela ainda responde à acusação de reter parte dos salários de servidores do seu gabinete e de ter utilizado os recursos para fins eleitorais. O corregedor da Alerj recomendou a aplicação da pena máxima: perda do mandato. Mas Janira apresentou recurso à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e o caso foi paralisado. Em outro caso já arquivado, Janira foi flagrada dando instruções a um líder do movimento grevista dos bombeiros em fevereiro de 2012. "Se por acaso quebrei regimento da Alerj, não tem nenhum problema. Só quero que todos os outros que também quebraram sejam julgados", afirmou.
As complicações para Janira não se restringem ao Legislativo: ela também poderá ter problemas com a Justiça por sua atitude. Ajudar na fuga de um foragido da Justiça é considerado crime de favorecimento pessoal – punido com um a seis meses de detenção e multa. Com um mandado de prisão preventiva expedido desde a noite de sexta-feira, Eloisa Samy era procurada há mais de dois dias e deixou de ser presa pela polícia na segunda-feira porque agentes foram impedidos de entrar no espaço diplomático do Uruguai.
Questionada pelo site de VEJA, a deputada admitiu a carona, mas minimizou o caso. "Não foi feito nada escondido. Se a Justiça achar que é ilegal, que se abra processo e que eu possa ser julgada. Se eu quebrei o Regimento da Assembleia, que se abra mais um processo", afirmou.

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Polícia detecta indícios de que sindicatos financiaram black blocs

Rio de Janeiro

Inquérito aponta que Sindpetro teria fornecido, além de dinheiro, transporte e alimentação a baderneiros, informa reportagem de 'O Globo'

Sininho embarca para o Rio após ser presa em Porto Alegre
Sininho embarca para o Rio após ser presa em Porto Alegre (TV RBS/Reprodução)
A Polícia Civil do Rio de Janeiro detectou indícios de que sindicatos tenham financiado protestos organizados pelo grupo de 23 pessoas cuja prisão preventiva foi decretada na sexta-feira. As informações foram publicadas na edição desta terça-feira do jornal O Globo. Escutas telefônicas feitas com autorização da Justiça e depoimentos colhidos pelas autoridades da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática forneceram à polícia indícios de que o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), o Sindprev e o Sindpetro foram procurados pelos black blocs em busca de dinheiro.
De acordo com o jornal, a polícia acredita que o Sindpetro, Sindicato Unificado dos Petroleiros, tenha fornecido não só dinheiro como transporte, carros de som e alimentação a baderneiros que integraram manifestações com episódios de vandalismo, além de ocupações. A entidade teria cobrado em troca assinaturas contra o leilão do Campo de Libra. Ocorrido em outubro do ano passado, o primeiro leilão do pré-sal foi marcado por um confronto travado entre black blocs e agentes da Força Nacional de Segurança, na Barra da Tijuca, ao longo de mais de quatro horas.
As investigações apontam que Jair Seixas Rodrigues, o Baiano, seria o elo entre o sindicato e os manifestantes. Ele teria recebido dinheiro da entidade para mobilizar baderneiros para ocupar prédios, além de ter fornecido transporte ao grupo que realizou o protesto violento contra o leilão na Barra da Tijuca. “Financiado pela Fist (Frente Internacionalista dos Sem Teto) e pelo Sindpetro, Baiano teria pago a pessoas para praticar vandalismo durante o protesto contra o leilão de Libra”, diz trecho do inquérito publicado pelo Globo. “O mesmo teria acontecido nos atos Ocupa Cabral e Ocupa Câmara. Além das refeições, os financiadores teriam fornecido os materiais para confecção de cartazes e as passagens dos ativistas”, prossegue o documento.
Apontada como líder do grupo, Elisa Quadros, a Sininho, também foi flagrada em telefonemas buscando ajuda de sindicatos. Em uma das escutas, pede a um membro do Sepe marmitas para fornecer a manifestantes que integravam um protesto. Segundo o jornal, não é possível saber pelo áudio se ela conseguiu. O contato de Sininho no Sepe é Filipe Proença de Carvalho Moraes, conhecido como Ratão, um dos 23 com prisão preventiva decretada e que está foragido. Durante a greve dos professores no Rio, em outubro passado, o sindicato declarou “apoio incondicional” aos black blocs, que passaram a integrar os protestos da categoria promovendo lamentáveis cenas de vandalismo. Sininho ainda procurou o Sindpetro e o Sindprev (Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência do Serviço Público Federal) em busca de marmitas para índios que participavam de uma assembleia organizada por ela referente à Aldeia Maracanã.
São Paulo - Integrantes do Black Bloc destruíram caixas eletrônicos durante manifestação no Dia dos Professores - (15/10/2013)
São Paulo - Integrantes do Black Bloc destruíram caixas eletrônicos durante manifestação no Dia dos Professores - (15/10/2013) - Gabriela Batista
Do grupo formalmente acusado neste processo, apenas cinco estão presos: três desde o último sábado (Elisa Quadros, Camila Jourdan e Igor D'Icarahy) e dois desde fevereiro (Fábio Raposo e Caio Silva). Outros 18 são considerados foragidos. Eles são acusados de participar da organização e realização de crimes durante protestos nos últimos meses e de planejar atos violentos para a final da Copa do Mundo no Brasil.

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Uruguai nega asilo a advogada ligada a black blocs

Rio de Janeiro

Eloisa Samy, 45 anos, pretendia passar a noite no Consulado do Uruguai no Rio de Janeiro acompanhada de black bloc, mas fugiu do prédio após a negativa

Daniel Haidar, do Rio de Janeiro
Manifestantes protestam em favor da concessão de asilo político à advogada Eloisa Samy, acusada de incitar atos violentos com black blocs
Manifestantes protestam na entrada do Consulado do Uruguai no Rio de Janeiro (Daniel Haidar/Veja.com)
(Atualizado às 23h10)
O pedido de asilo político feito ao Uruguai pela advogada Eloisa Samy, acusada de ter ligação com black blocs, foi negado na noite desta segunda-feira, segundo a assessoria da deputada estadual Janira Rocha (Psol), que acompanhou a advogada e outros dois foragidos no Consulado do Uruguai no Rio de Janeiro.  
Os advogados Rodrigo Mondego e Rogério Borba, que auxiliavam Eloisa Samy no pedido, já haviam admitido que a solicitação dificilmente serria atendida. Nesta segunda-feira, eles visitaram Eloisa, de 45 anos, no prédio do consulado uruguaio no Rio. "É difícil sair o asilo porque o Uruguai teria de reconhecer que foi quebrada a ordem democrática no Brasil. Entendo a dificuldade. Mas o Rio de Janeiro está sofrendo uma crise institucional no que tange às liberdades democráticas", afirmou Mondego.
Mondego e Borba levaram alimentos e bebidas para que Eloisa passasse a noite no interior do consulado. Após a negativa, no entanto, a advogada deixou o prédio em um carro da deputada Janira Rocha. Ela estava acompanhada do black bloc David Paixão, de 18 anos, e da namorada do rapaz, menor de idade. Paixão e a adolescente, que também buscavam asilo no Uruguai, também foram detidos durante a Operação Firewall da Polícia Civil, que efetuou a prisão de quadrilhas acusadas de planejar depredações. Eloisa é apontada pela polícia como responsável por incentivar e oferecer apoio a black blocs. A advogada teve a prisão preventiva decretada junto com outras 22 pessoas pela 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, mas apenas cinco deles estão presos até o momento. 
Além de ter feito o pedido de asilo ao Uruguai, Eloisa também tenta na Justiça o direito de responder ao processo em liberdade. "Eloisa nega todas as acusações. Diz que nenhuma reunião política ocorreu na casa dela", afirmou Mondego.
A Polícia Militar e a Polícia Civil chegaram a procurar por ela no local, mas foram orientados a deixar o consulado. Com prisão preventiva decretada, a advogada é considerada foragida. 
Eloisa costuma defender manifestantes presos em protestos no Rio. Na denúncia encaminhada à Justiça, o promotor Luís Otávio Lopes diz que ela se aproximou dos outros ativistas como advogada, mas que depois teria participado dos atos violentos, "inclusive passando instruções aos ocasionais participantes, tendo sido vista ordenando o início de atos de violência". Ela também é acusada de prestar "apoio logístico" ao grupo, "inclusive cedendo sua residência para reuniões".
Segundo Mondego, o Uruguai foi escolhido pelo "histórico de ser um país libertário e pelo presidente (José Mujica) ter sido preso político por mais de uma década". 
Em vídeo de pouco mais de dois minutos divulgado na internet, Eloisa afirma que é "perseguida" e criminalizada por sua "atuação na defesa por direito de manifestação". "Jamais cometi qualquer ato que infringisse a lei, mas estou sendo vítima das forças coercivas do Estado exatamente por defender pessoas que se ergueram e foram às ruas para protestar contra as ilegalidades cometidas por ele próprio. Quem atua na ilegalidade é o Estado. A democracia é regra e nos pertence".
Bombas - Relatório final do inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro que baseou denúncia aponta que os baderneiros planejavam ações com bombas para o dia 13 de julho, data da final da Copa do Mundo no Maracanã. Trechos do documento foram divulgados na edição desta segunda-feira do jornal O Globo.
O inquérito se baseia em informações obtidas a partir do monitoramento de e-mails e telefonemas trocados pelos integrantes do grupo – e revela como os black blocs se organizavam e distribuíam bombas e outros artefatos com o objetivo de ferir policiais. De acordo com o documento publicado pelo jornal O Globo, baderneiros escondiam bombas nos locais onde protestos estavam agendados.
A investigação serviu de base para a denúncia apresentada ao juiz Flávio Itabaiana e resultou na determinação da prisão preventiva dos 23 investigados. O promotor Luís Otávio Figueira Lopes escreveu que Sininho incitou manifestantes a incendiar o prédio da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, durante a ocupação do local por baderneiros no ano passado – o ato foi impedido por outros participantes do protesto.
Do grupo formalmente acusado, apenas cinco estão presos: três desde o último sábado (Elisa Quadros, Camila Jourdan e Igor D'Icarahy) e dois desde fevereiro (Fábio Raposo e Caio Silva). Outros dezoito são considerados foragidos.