quinta-feira 24 2014

CORRUPÇÃO: Após mais de 20 anos, pode estar chegando a hora da justiça para Collor

Fernando Collor ao lado de sua então mulher, Rosane, após assinar o documento de seu afastamento da Presidência da República, na saída do Palácio do Planalto (Foto: Roberto Stuckert Filho/Agência O Globo)
Fernando Collor ao lado de sua então mulher, Rosane, após assinar o documento de seu afastamento da Presidência da República, na saída do Palácio do Planalto (Foto: Roberto Stuckert Filho/Agência O Globo)
SUPREMO JULGA COLLOR POR CORRUPÇÃO NA PRESIDÊNCIA
Após mais de 20 anos, STF pode condenar ex-presidente acusado de comandar e ser o principal beneficiário de esquema de pagamento de propina no Planalto
Por Laryssa Borges, de Brasília, para o site de VEJA
Mais de duas décadas depois de o ex-presidente Fernando Collor o ter sido apeado do poder na histórica votação do impeachment, a Justiça brasileira terá sua última oportunidade de fazer justiça.
O Supremo Tribunal Federal (STF) agendou para a tarde desta quinta-feira o derradeiro processo a que o senador alagoano e ex-presidente da República responde por fatos relacionados aos 930 dias em que exerceu poderes presidenciais.
Estará sob a alçada da mais alta Corte do país a ação penal em que o parlamentar é acusado pelo Ministério Público de liderar uma rede de corrupção e distribuição de benesses com dinheiro público na época em que ocupou a Presidência.
O esquema consistia em cobrar propina de empresários para, por meio de fraudes, permitir que corruptos saíssem vencedores em licitações para a contratação de serviços de publicidade.
Acervo Digita
Mentor do esquema criminoso segundo o MP, Collor utilizava prepostos para extorquir dinheiro dos empresários e dava instruções para que o propinoduto circulasse por meio de contas bancárias de pessoas fictícias ou de “laranjas”.
Os recursos eram então utilizados por ele e seus comparsas para quitar faturas de cartão de crédito, empréstimos bancários, despesas de hotéis e até a pensão que o ex-presidente pagava para o filho fora do casamento que teve em 1980 com a amante Jucineide Braz da Silva.
Em um dos episódios de pagamento de propina, o empresário Chucre Said, sócio da SR Publicidade e Promoções Ltda, declarou ter sido procurado por Osvaldo Sales, então adjunto da Secretaria Particular da Presidência e “testa-de-ferro” de Collor.
Diante dos astronômicos recursos movimentados à margem da lei, ele chegou ao ponto de abrir uma conta corrente específica para gerir os valores oriundos da publicidade do governo.
O titular da conta, aberta no Banco de Boston, era João Carlos Gavilán, um personagem fictício, mas que daria ares de veracidade para que o próprio Said administrasse o dinheiro e fugisse dos órgãos de fiscalização. Adeilton Leodino dos Santos e João Batista Ferreira Filho também figuravam como titulares fantasmas de contas bancárias do esquema.
Os recursos arrecadados com a propina empresarial eram, ao final, utilizados para pagamentos de despesas pessoais de Fernando Collor, Osvaldo Sales e do advogado Claudio Vieira, então secretário particular do presidente.
Diz o Ministério Público: “Os depoimentos e os laudos grafotécnicos e contábeis realizados conferem a certeza da efetiva conduta do réu na prática do ato delituoso, ou seja, que o então Presidente da República, Fernando Collor, comandava as operações por meio do ‘testa-de-ferro’ Osvaldo Mero Sales”.
E continua: “É inadmissível acreditar que um esquema que movimentou vultosas quantias, beneficiando diretamente o denunciado [Collor], não tenha participação do mesmo. Todos os depoimentos creditam a atuação do grupo à figura do ex-presidente”.
Pena – Collor, que se vangloria até hoje de ter sido absolvido, em 1994, pelo STF no processo que o acusava de corrupção no célebre esquema PC Farias, pode receber pena de até vinte anos de prisão pelos crimes de peculato e corrupção passiva se condenado agora pela rede de fraude em licitações de contratos de publicidade.
Mas em seu favor está sentença da juíza Pollyanna Kelly Martins Alves, da 12ª Vara Federal, que absolveu os réus sem foro privilegiado, apontados como partícipes do mesmo esquema, do crime de peculato por falta de provas. A juíza também absolveu Claudio Vieira e companhia das acusações de tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, desta vez por considerar ter havido a prescrição dos crimes, situação em que o Estado, por ter demorado a julgar o processo, não pode mais condenar os réus.
A prescrição, aliás, é o principal trunfo de Fernando Collor no STF. A demora no julgamento do caso já foi responsável pela impossibilidade de punição pelo crime de falsidade ideológica. Se a Corte impuser pena mínima ao senador nos outros dois ilícitos, também haverá prescrição e Collor sairá ileso de mais essa acusação. A denúncia contra o senador foi recebida pela Justiça de primeira instância no ano 2000 e está paralisada no STF desde 2007.
Ato de ofício – Em dezembro de 1992, quando Fernando Collor foi absolvido pelo Supremo no principal processo a que respondeu por participação no esquema PC Farias, a maioria dos ministros considerou que não havia provas de que o ex-presidente tivesse praticado “ato de ofício” que confirmasse os crimes, ou seja, que não havia evidências de que ele tivesse solicitado, aceitado ou recebido benefícios do corruptor e oferecesse algo em troca ao alcance das atribuições do seu cargo, o chamado “ato de ofício”.
Naquela época, foi comprovado, entre outros episódios, que o célebre Fiat Elba de Fernando Collor havia sido comprado com dinheiro levantado do esquema PC Farias, mas o Supremo considerou que faltava registro da retribuição do ex-presidente ao presente recebido. Com o recente julgamento do mensalão, porém, a interpretação da Corte sobre o ato de ofício e o crime de corrupção ficou mais clara, já que o artigo 317 do Código Penal, que descreve o crime de corrupção passiva, não exige que o agente público tenha praticado o ato criminoso em si, prevendo que a corrupção já se caracteriza quando existe a simples solicitação da vantagem indevida.
A exemplo de 1994, a suposta falta de um ato de ofício, porém, é a tese de defesa do senador alagoano para tentar desconstruir a acusação de que ele comandava um esquema de desvio de dinheiro público e fraude em contratos de publicidade. “A denúncia é omissa na descrição da conduta que pretende atribuir ao acusado a fim de ter pretensamente concorrido para a suposta fraude nos procedimentos licitatórios que teria propiciado a alegada prática de peculato. A acusação em momento algum descreve qual foi a atuação do então presidente na realização das referidas licitações ou por que meio teria influenciado seu resultado a fim de propiciar a transferência ilícita de recursos públicos para terceiros”, afirma a defesa.

Especial Nelson Gonçalves





Nelson Gonçalves (Depoimento) O Trágico Resultado Das Drogas





SURPRESA: Ministra Rosa Weber dá ganho de causa à oposição, em medida liminar (provisória), e a CPI da Petrobras vai investigar exclusivamente… a Petrobras


Ministra Rosa Weber: depois de decepcionar no julgamento do mensalão, concede medida para obstar tentativa de "melar" a CPI da Petrobras (Foto: Nelson Jr./Supremo Tribunal Federal)
Ministra Rosa Weber: depois de decepcionar no julgamento do mensalão, concede medida pedida pela oposição para obstar tentativa de “melar” a CPI da Petrobras (Foto: Nelson Jr./Supremo Tribunal Federal)
Como é que diz mesmo a brincadeira? De onde menos se espera…
O fato é que a ministra Rosa Weber, que decepcionou vastos setores da opinião pública com seus votos no julgamento do mensalão por parte do Supremo Tribunal Federal, contrariou expectativas e, sim, concedeu liminar em mandado de segurança impetrado por senadores e deputados do PSDB e do DEM, a que acabaram se associando parlamentares do PDT e o senador Jarbas Vasconcelos do PMDB — estes dois últimos partidos são teoricamente integrantes da base de apoio do governo no Congresso — e mandou o Congresso instalar uma CPI exclusiva para investigar a Petrobras.
Uma malandragem da base governista tentou “ampliar a investigação” para os casos do metrô de São Paulo e da construção do Porto de Suape e da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco – o pretendendo, com isso, não apenas “melar” uma investigação profunda sobre a Petrobras mas também tentar prejudicar os pré-candidatos de oposição à Presidência Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).
A decisão da ministra é liminar, ou seja, ela concedeu provisoriamente o mandado de segurança, até que o plenário se pronuncie. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), já avisou que vai entrar com um recurso específico para tentar apressar a decisão do Supremo (o chamado agravo regimental) mas, felizmente, para quem quer ver a Petrobras efetivamente investigada, o recurso não tem efeito suspensivo, não impede que a CPI possa ser instalada de imediato.
Pode ainda haver manobras dos partidos governistas para retardar a CPI, demorando para designar os senadores que a integrarão, mas a comissão vai se instalar.
ROSA WEBER DETERMINA CPI EXCLUVIDA DA PETROBRAS 
Ministra do Supremo Tribunal Federal atende pedido da oposição e Comissão Parlamentar não será ampliada para outros temas como desejava o governo
Do site de VEJA
A ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber determinou nesta quarta-feira a instalação pelo Senado de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) exclusiva para investigar a Petrobras.
Com a decisão, a ministra atendeu o pedido dos partidos de oposição e ignorou a tentativa do governo federal de empilhar na CPI outros temas.
Além do escândalo da Petrobras, a base governista tentou ampliar a investigação para os contratos de trens do metrô de São Paulo e a construção do Porto de Suape e da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco – uma forma de atingir os adversários políticos e pré-candidatos à Presidência Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).
Durante a queda de braço entre integrantes do governo e da oposição, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) fraudou o conteúdo de um acordão para enterrar a CPI exclusiva, como revelou Reinaldo Azevedo em seu blog no site de VEJA.
A decisão de Rosa Weber tem caráter liminar até que o plenário do STF decida sobre o tema. “Defiro em parte a liminar. A definição, no momento oportuno, será do plenário desta Suprema Corte”, escreveu a ministra.
Supremo – O caso foi levado ao Supremo pela oposição, que exige a instalação imediata da investigação exclusiva sobre a Petrobras. O processo chegou ao gabinete da ministra Rosa Weber há duas semanas. Apesar de analisar apenas as duas CPIs propostas no Senado, pela oposição e pela base governista, a decisão de Rosa Weber deve se refletir sobre as duas CPIs mistas criadas no Congresso, mas que ainda não foram votadas.

Post do Leitor: “Lendo o que os investidores estão escrevendo sobre o Brasil lá fora, a gente fica roxo de vergonha”

Veja.Com

Foram-se os tempos em que o Brasil era o destino dos sonhos para investidores. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)
Post do leitor e amigo do blog Moacir 1
POST DO LEITORNeste país continental e de tantas e tão profundas diferenças, concordam gregos, troianos, petistas e oposicionistas numa questão: o Brasil precisa de investimentos!
Os road-shows do nosso Mantega Adivinho, o megaotimista – e com direito a escala lusitana! – discurso da Dona Dilma em Davos, a ida de Lula em fevereiro à Big Apple e as tentativas mais recentes do Temer de convencer os investidores estrangeiros de que a economia de Banãnia vai muito bem, obrigado, evidenciam tal necessidade.
O problema é que nossos desgovernantes, mesmo desesperados para fazer o país caminhar, mesmo precisando que a presidenta diga na campanha “o que é que vai fazer na economia”, ao fazer tudo que não deveriam parecem delirar por seus malfeitos não estarem sendo vistos, lidos e compreendidos por aqueles que detêm o tão vital capital no planeta azulzinho. Petistas, estou quase convencido, são suicidas a longo prazo.
Petistas fazem uma espécie de leitura seletiva: só leem determinados blogueiros e publicações, e por aí vai. E só acreditam nos aplausos das Bolsas Brasil e dos militontos que já passaram pela lavagem cerebral.
Investidor, porém, prefere leitura mais diversificada e especializada. “Be aware the man of one book!” (Cuidado com o homem de um só livro). Grande Aquino.
E lendo o que os investidores estão escrevendo sobre o coitado do “Brazil”, ultimamente, a gente fica roxo de vergonha de ser brasileiro. Aliás, este é um dado científico. Em recente pesquisa, o assombroso percentual de 75% de brasileiros verbalizaram vergonha de sê-lo. Pudera!
Graça Foster e Dilma: as presidentas do macacão laranja (Foto: Agência Petrobras)
No dia 27 de março, The Economist já tinha explicado ao mundo alienado sobre a presença petista nas páginas policiais tupiniquins. Lava-jato, you know! Apresentaram ao mundo o ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas, e o ex-diretor da Petrossauro Paulo Roberto Costa Preso da Silva, apesar de ser afilhado de Renan Calheiros, o poderosíssimo presidente do Senado brasileiro.
Graças a Deus os britânicos ainda não sabiam do doleiro, do Labogem e da fracassada tentativa de vender o princípio ativo do Viagra para o Ministério da Saúde escravo do candidato petista ao governo de São Paulo, Mr. Padilha.
A mensagem de The Economist foi clara: Hello Earth! A fama da gerentona já era! She has blown it, folks!
Ontem, foi a vez do The New York Times – aquele para quem o Lula é articulista desde que foi alfabetizado em ingrêis. A reportagem capitalista golpista começa lembrando ao vasto mundo que, em 2006, todo lambuzado de petróleo e com as mãos sujas do ouro negro, o então presidente prometeu-nos uma Petrobras maior até mesmo que a Apple, além da nossa independência energética. Viva o pré-sal!
Em vez disso – diz o jornal, e não a oposição – a produção estagnou, a Petrossauro encontra-se mergulhada em investigações de corrupção, a incompetência gerencial tornou-se dona da maior dívida empresarial do mundo e totalmente dependente de fundos de investimento estrangeiros para financiar seus ambiciosos planos de investimento: situação em que quer queira, quer não queira, tem que comparecer com 30%, mesmo para perder dinheiro.
A reportagem nos mostra fotos de uma Dilma vociferante, discursando na refinaria de Abreu e Lima: ”eles querem acabar com a Petrobras”, e esquecendo, no entanto, de explicar por que Abreu e Lima, cujo custo estimado por petistas foi de R$ 2,5 bilhões, já nos custou R$ 18,5 bilhões.
Refinaria de Pasadena: o grande presente da Petrobras para o Brasil (Foto: Agência Petrobras)
Também esqueceu a mandatária de mencionar que a polícia prendeu recentemente um dos mais poderosos ex-executivos da Petrobras, o já mencionado Paulo Roberto Costa, que liderou as operações de refino até 2012. Investigadores dizem que ele estava envolvido em um esquema de lavagem de dinheiro alastrado pela Petrobras do Oiapoque ao Chuí, e que pode ter recebido subornos relacionados com uma miríade de contratos.
Além do Land, mas tal carrinho já é uma praxe petista! Pois é. A saliva e os perdigotos presidenciais nada podem contra números.
“Essa empresa de energia, que já serviu de modelo para outros países em desenvolvimento, agora é o exemplo do que — exatamente — não se deve fazer.”
O The New York Times, depois de passar pelas declarações da Maria das Graças aos senadores (“Pasadena foi mau negócio e o relatório foi falho”), assegura que até agora “os detentores de bônus estrangeiros, que financiam um recorde de 43 por cento do programa de investimentos gigante da Petrobras, foram notavelmente pacientes”.
Ainda alerta o jornalzinho desimportante que, se os problemas da Petrobras continuarem a crescer, a empresa encontrará resistência nos mercados internacionais. “O problema com o Brasil é que os dias de 4 por cento de crescimento já se foram.”
“O problema com o Brasil é que os dias de 4 por cento de crescimento já se foram”, avalia o jornal The New York Times. (Foto: AvidTrader)
Diz ainda o maior jornal americano:
- que despencou o valor da Petrobras administrada pelo PT, aparelhada por afilhados políticos corruptos e sindicalistas, cujos esforços conjuntos fizeram o valor de mercado da empresa encolher de US$ 300 bilhões para os atuais US $ 76 bilhões;
- que, num esforço para segurar a inflação, que insiste em subir num ano eleitoral, o governo da presidente Dilma Rousseff impediu a Petrobras de elevar os preços dos combustíveis para atender ao custo de importação de gasolina refinada e diesel — o resultado é que as perdas da Petrobras em suas operações de refino, transporte e comercialização chegaram a US $ 8 bilhões em 2013;
- que, ao mesmo tempo, o consumo de combustível doméstico aumentou desde  que as autoridades brasileiras ofereceram incentivos para os fabricantes de automóveis aumentarem a produção; que a crise na indústria de etanol, que já foi um orgulho para o Brasil, deve-se ao fato de os produtores não conseguirem competir em preço com a gasolina subsidiada da Petrobras;
- que a Petrobras é sobrecarregada por políticas voltadas para a afirmação de um maior controle estatal sobre a indústria do petróleo, como medidas que obrigam a empresa a comprar equipamentos no mercado interno, sustentando indústrias ineficientes no Brasil, tais quais a construção naval;
- que, enfrentando pressões orçamentais, as autoridades também têm displicentemente parado de fortalecer o fundo soberano do Brasil. Criado em 2008, logo após a Petrobras ter anunciado suas principais descobertas de pré-sal, o fundo era visto como um pilar de esforços para atingir uma maior estabilidade financeira no Brasil, a exemplo do que fizeram exportadoras de commodities como a Noruega, o Chile e o Canadá;
- que, numa tentativa de cumprir a meta do Orçamento para o ano fiscal de 2012, as autoridades retiraram cerca de 80 por cento do dinheiro do fundo soberano, deixando-o com apenas US $ 1,3 bilhão;
- que, em vez de reabastecer o fundo com recursos provenientes das exportações de petróleo, a Petrobras tornou-se mais dependente da importação de combustíveis e da participação em projetos caros, forçando a subida de sua dívida;
- que a Petrobras enfrenta denúncias de que seus funcionários receberam US$ 139 milhões em subornos da SBM Offshore, fornecedora holandesa de plataformas de petróleo;
- que um sell-off de papéis da Petrobras pode iniciar uma retração de mercados emergentes em geral.
- que “ESTAMOS APENAS ESPERANDO A COISA EXPLODIR”
E por aí vai…
afirma que o maior desafio da Petrobras é que ela não é apenas uma empresa de energia . Ela está no centro de uma  FOME FEROZ.
“O USO QUE FAZ O GOVERNO PETISTA DE SUA RIQUEZA PARA ATINGIR SEUS OBJETIVOS POLÍTICOS E ECONÔMICOS”.
Chamou-me especial atenção os dois últimos parágrafos do artigo que transcrevo entre aspas, finalizando:
“A Petrobras continua longe dos níveis de tensão política e relações opacas que agora caracterizam a PVDSA – Petróleos de Venezuela SA, o produtor de petróleo agudamente politizado de propriedade do governo da Venezuela, que já foi considerado um líder da indústria e um bastião do conhecimento técnico.Mas alguns afirmam que a Petrobras também está sendo conduzida por ambições políticas de Brasília” .
”AS DESGRAÇAS DA PETROBRÁS SÃO O RESULTADO DE POLÍTICAS GOVERNAMENTAIS BEM DEFENIDAS.E É AÍ QUE AS COISAS COMPLICAM, POIS ALTERAR TAIS POLÍTICAS É UM DESAFIO DE FATO”.

segunda-feira 21 2014

Família de ex-diretor da Petrobras comprou 13 imóveis nos últimos cinco anos

Lava-Jato

Paulo Roberto Costa, com mulher e filhas, tem transações registradas de pelo menos 5,8 milhões de reais. Imóveis estão avaliados em 14,4 milhões

Daniel Haidar, do Rio de Janeiro
 Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras
 Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras (Folhapress)
Acusado pela Polícia Federal de ser um dos líderes de um esquema de lavagem de cerca de 10 bilhões de reais, o engenheiro mecânico Paulo Roberto Costa teve, na Petrobras, uma carreira invejável. Funcionário de carreira, conseguiu, desde que entrou na estatal, em 1977, chegar ao posto de diretor de Abastecimento, em 2004. A carreira bem-sucedida teve, no entanto, uma fase meteórica de acúmulo de capital nos últimos cinco anos. Nesse período, de acordo com um levantamento feito pelo site de VEJA, Costa, a mulher, duas filhas e dois genros adquiriram nada menos que 13 imóveis no Rio de Janeiro – num período de preços nas alturas. Os valores das transações registrados em cartório chegam a 5,8 milhões de reais. Não estão na soma duas salas comerciais nas quais a família investiu uma parte de seu capital.
Costa está preso por suspeita de ter cometido crimes como lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e participação em organização criminosa – delitos pelos quais foi indiciado na última quarta-feira pela Polícia Federal com a conclusão da primeira etapa da operação Lava-Jato. Ele também é investigado por evasão de divisas e corrupção. Os investigadores suspeitam que o ex-diretor tenha se associado ao doleiro Alberto Youssef para articular negócios e que tenha recebido propina de fornecedores da estatal. Há indícios de que Costa recorria ao doleiro para ocultar recursos de origem ilícita. Já se sabe que Youssef comprou para o ex-diretor um Land Rover Evoque blindado, avaliado em 300.000 reais. A suspeita é que essa compra foi viabilizada por recursos mantidos por Costa no exterior, embora a defesa dele alegue que foi apenas a remuneração por serviço de consultoria prestado ao doleiro. Os policiais analisam se parte desse dinheiro foi utilizado para abastecer políticos e partidos. Vai ser verificado se Costa contava também com a ajuda da esposa (Marici Costa), das duas filhas (Arianna e Shanni Bachmann) e dos genros (Humberto Mesquita e Márcio Lewkowicz) para esconder o patrimônio.
Os registros em cartório mostram que o ex-diretor e a família fizeram uma rodada de compras de imóveis da Península, reduto de luxo na Barra da Tijuca monitorado por seguranças privados. O histórico de negociações inclui também a aquisição de um terreno em situação irregular de 2.800 metros quadrados, por 200.000 reais. A transferência de propriedade, no entanto, não foi concluída, porque a prefeitura do Rio considera o loteamento ilegal desde agosto de 2012.
Em diversas transações, os valores registrados em cartório ficaram abaixo da avaliação de mercado e da avaliação da Prefeitura do Rio de Janeiro na cobrança do Imposto de Transmissão de Bens Imobiliários (ITBI). Apesar de a compra de onze dos imóveis ter sido registrada por um gasto total de 5,8 milhões de reais, essas aquisições valiam 6,5 milhões de reais no momento em que foram feitas, de acordo com dados da Prefeitura do Rio. Uma avaliação feita pelo presidente da imobiliária Patrimóvel, Rubem Vasconcelos, a pedido do site de VEJA, estima valor atual de 14,4 milhões de reais aos imóveis adquiridos pela família de Costa desde 2009, sem considerar o terreno irregular em Vargem Pequena.
De acordo com investigadores ouvidos pelo site de VEJA, transações imobiliárias costumam ser subavaliadas em cartório para que o comprador efetue parte do pagamento com dinheiro de caixa dois, fora do sistema bancário, ou para que economize no gasto com impostos. Um dos indícios de que Costa mantinha uma espécie de “caixa dois” de recursos ilícitos foi a apreensão, na casa dele, de cerca de 1,2 milhão de reais, em notas de dólar, euro e real.
Costa tinha um salário alto como diretor de Abastecimento da Petrobras, cargo que ocupou de maio de 2004 a abril de 2012. Em 2011, a remuneração anual média dos sete diretores da estatal era de 1,7 milhão de reais, entre salário fixo e bônus. A atual residência de Costa, uma casa no condomínio Riomar IX, no Recreio dos Bandeirantes, foi adquirida em setembro de 2003 por 500.000 reais. Na época, ele era diretor-superintendente da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia Brasil. Em abril de 2005, Costa vendeu um apartamento de 214 metros quadrados que tinha no condomínio Villa di Genova pelo valor declarado de 400.000 reais.
Mas foi em 1º abril de 2009 que começou a acumulação de imóveis como investimentos. Nessa data, a mulher de Paulo Roberto Costa, Marici, oficializou a compra de um apartamento do ex-senador Ney Suassuna (PMDB). O partido de Suassuna foi um dos padrinhos da manutenção de Costa como diretor da Petrobras, junto com o PP e o PT. Conforme o registro em cartório, Marici pagou 220.000 reais por um quarto e sala de 50 metros quadrados no flat Barra Royal Plaza, na Avenida Lúcio Costa, de frente para o mar. Foi, por assim dizer, um excelente negócio. Outros compradores tiveram de efetuar desembolso maior por uma unidade no mesmo local nesse período. Em 26 de fevereiro de 2009, um apartamento na mesma coluna do prédio, três andares acima, e do mesmo tamanho, foi vendido por 290.000 reais. Em 4 de maio daquele ano, outra unidade, com a mesma área habitável, foi negociada por 350.000 reais.
Entre março de 2012 e setembro de 2013, a família de Costa comprou quatro salas no condomínio comercial Península Office, na Barra da Tijuca. Paulo Roberto adquiriu uma das unidades com a mulher; a filha Shanni comprou outra; e Arianna, outra filha, com o marido Márcio levaram outras duas. A sala 913 do condomínio era considerada a sede da consultoria Costa Global, mantida pelo ex-diretor desde que deixou a Petrobras, e foi alvo de mandado de apreensão. No local, foram apreendidos documentos e um HD pela Polícia Federal.
Duas dessas salas foram vendidas pelas mesmas pessoas. Curiosamente, foi registrada na escritura a venda exatamente pelo mesmo valor pago por eles à construtora Cyrela, que lançou o empreendimento. Uma sala saiu por 219.095,10 e outra por 218.771,37. Ou seja, é como se os intermediários não tivessem lucrado na revenda, um indício de que a compra foi subfaturada, de acordo com fontes do mercado imobiliário.
Outra transação suspeita foi a aquisição de um apartamento de 107 metros quadrados, com dois quartos e uma vaga de garagem, no condomínio Península Saint Martin. A compra foi registrada em 27 de fevereiro de 2013 com o valor de 680.000 reais, exatamente o mesmo montante desembolsado um ano antes pelos vendedores. Arianna já revendeu o imóvel para a Troika Empreendimentos Imobiliários em 30 de setembro do ano passado, por 1,2 milhão de reais. Vasconcelos, presidente da Patrimóvel, estranhou a expressiva variação de preços em pouco mais de sete meses: “Um imóvel no condomínio Saint Martin não dobrou de preço no ano passado”.
Nesse mesmo condomínio, Arianna e o marido Márcio compraram outros dois apartamentos, um com quatro quartos e outro com dois quartos. A menor unidade saiu por 497.205 reais em março de 2010 e a maior por 1,2 milhão de reais em outubro de 2013. Sem considerar a compra de uma sala comercial, o casal registrou gastos de pelo menos 3,9 milhões em imóveis nos últimos cinco anos. No mesmo período, Shanni, a outra filha de Paulo, e o marido Humberto fizeram aquisições com o valor declarado de 1,18 milhão de reais, sem considerar uma sala comercial no Península Office. Paulo e a esposa Marici aparecem nos documentos de cartórios como responsáveis pelo gasto de 639 mil reais desde 2009, a menor fatia das despesas imobiliárias da família.
Ocultar a propriedade de um Land Rover rendeu um indiciamento por falsidade ideológica a Paulo Roberto Costa. Se os policiais e o Ministério Público Federal constatarem que familiares ajudaram a ocultar outros bens, eles também podem ser acusados por lavagem de dinheiro, de acordo com fontes que acompanham as investigações da Lava-Jato. Em caso de condenação, somente esse crime dá até 10 anos de prisão.