sábado 05 2014

Globo Repórter - Experiências de Quase Morte





Não se Acomode a uma Depressão



A depressão tornou-se numa doença tão comum nas sociedades modernas que perigosamente poderá ser rotulada como uma doença vulgar. Há quem a considere uma espécie de gripe das doenças mentais. Provavelmente, neste momento, cerca de 25% de pessoas atravessam um episódio, pelo menos, na sua forma mais branda. O que não deixa de ser preocupante, antes pelo contrário e, tal como uma gripe, a depressão deve ser vigiada de modo a que não evolua para uma “pneumonia” ou algo mais grave.

A maneira de pensar, sentir e agir e, consequentemente, o modo como o corpo responde, são alterados, uma vez que os seus sintomas são psicossomáticos. Usualmente, as pessoas deprimidas pensam nos próprios problemas como algo permanente e insolúvel, inclusive a própria vida pode vir a parecer-lhes inútil e sem qualquer sentido. É cada vez mais frequente, depararmo-nos com pessoas que se sentem deste modo. Porém, esta doença mental é um fenómeno recente.

Um Fenómeno Recente…

Estudos do Instituto Nacional de Saúde Mental, do estado de Washington nos Estados Unidos, revelaram que no início do século passado a depressão era um problema muito menos comum e que a cada geração se tem vindo a agravar, em quantidade e qualidade. Pessoas nascidas no final do século XX são dez vezes mais propensas a sofrer de depressão do que as nascidas anteriormente.

Há também diferenças relativamente à idade em que se manifesta a primeira depressão. Segundo os dados apresentados pelo mesmo instituto, esta baixou dos 35 para os 25 anos. Parece que apesar dos nossos avós não terem tido a possibilidade de tomar Prozac, aparentemente, eram muito menos propensos a precisar dele ou de qualquer outro antidepressivo.


Causas
As causas diferem muito de pessoa para pessoa. Porém, é possível afirmar-se que há factores influentes no aparecimento e permanência de episódios depressivos. Por exemplo, condições de vida adversas, o divórcio, a perda de um ente querido, a competitividade no mercado de trabalho, o desemprego, a incapacidade de lidar com determinadas situações ou de ultrapassar certos obstáculos, etc.

Determinar qual o ou os factores que desencadearam a crise depressiva pode ser importante, pois para o doente poderá ser vantajoso aprender a evitar ou a lidar com esse factor durante a recuperação ou mesmo durante o tratamento.

Sintomas

Uma avaliação real da depressão leva em conta muitos factores. Por exemplo, um profissional de saúde mental desenvolverá um diagnóstico durante um período significativo de tempo, considerando cinco ou mais dos seguintes sintomas:

1. O humor depressivo
2. Perda de interesse em actividades usuais
3. Perda de apetite
4. Insónia
5. Lentidão psicomotora (pensamento e/ou movimentos lentos)
6. Perda de energia
7. Sentimentos de inutilidade e culpa
8. Diminuição da capacidade de raciocínio e falta de concentração
9. Pensamentos ou atitudes suicidas

Prevenção

O importante será não descurar uma depressão por mais leve que seja. Mas como em todas as doenças, a prevenção é sempre a melhor abordagem, particularmente para pessoas em situação de risco, pois permite que se tomem providências ou mesmo a intervenção precoce de profissionais especializados, impedindo assim o agravamento dos sintomas.

Sugestões para combater a depressão


Exercício Físico
No entanto, e caso seja possível, com algumas mudanças de atitude e alterações nas rotinas diárias, costumam obter-se bons resultados, nomeadamente com exercício físico que contribui para o desenvolvimento da neurogénese, ou seja, desenvolve o processo de formação de novos neurónios e aumenta a produção se serotonina e endorfinas, tal como os antidepressivos, mas de um modo mais saudável, uma vez que não há ingestão de químicos no organismo.

Se dedicar 20 minutos diários do seu tempo ao exercício físico, durante o qual controla a respiração, inspirando e expirando calma e compassadamente, de imediato irá notar alterações positivas.


Meditação

Mas para quem não é grande apreciador da actividade física, a meditação também pode ser uma excelente alternativa. Dr. Andrew Mcculloch, diretor geral da Fundação de Saúde Mental do Reino Unido, ressaltando a evidência de que esvaziar a mente ajuda a sair dos ciclos de depressões recorrentes, defende que uma terapia baseada na meditação ajuda a prevenir milhares de novas depressões todos os anos e que os resultados em pessoas deprimidas são igualmente impressionantes.

Existem várias formas de meditar, umas mais complexas e demoradas do que outras e caso pretenda praticar meditação, mas não esteja familiarizado/a com esta actividade, deixo-lhe aqui um método simples:

Técnica Simples de Meditação


Primeiro, escolha um local tranquilo e sente-se confortavelmente, apoiando as costas das mãos sobre os joelhos. De seguida, escolha algo agradável para se concentrar. Pode ser uma palavra, uma frase curta, uma imagem, por exemplo, de uma paisagem, ou mesmo uma oração se preferir. Pode também escolher uma palavra neutra como “calma” ou “paz”, ou ainda optar apenas por se focar na sua respiração. Depois feche os olhos, relaxe os músculos, inspire e expire calmamente e de forma natural. A cada vez que expira pense ou visualize o que escolheu para se concentrar.

No início, a sua mente irá vaguear mas não se preocupe. Verifique até onde a mente vai e traga-a de volta para a sua respiração e palavra, frase ou imagem de concentração. Assuma uma atitude passiva durante a meditação. Nesta fase é muito importante que não seja crítico para consigo mesmo. Não faz mal se a sua mente vaguear. Acontece, principalmente no início e sempre que acontecer, passivamente volte à sua respiração e concentração.

Continue a meditação por 10 minutos. Se quiser pode ir vendo o relógio de vez em quando. À medida que os pensamentos vão entrando na sua mente, deixe-os sair e volte a concentrar-se.

Para obter melhores resultados, pratique esta técnica entre uma a duas vezes por dia. Conforme vai praticando este método simples de meditação, vai sendo mais fácil conseguir concentrar-se e afastar os pensamentos não relacionados com a palavra ou imagem de concentração.

Este exercício mental não só o/a retira de estados depressivos como também contribui para melhorar a sua atenção e concentração no dia-a-dia.


Alimentação

A alimentação é um factor muito importante na prevenção e combate à depressão, a qual deve ser sempre variada e colorida. Segue-se uma lista de alguns dos alimentos que potenciam positivamente o seu estado de humor:

- Frutos: amêndoa, melancia, banana, laranja, uvas.
- Vegetais: brócolos, salsa, espinafres.
- Cereais Integrais: aveia, arroz, pão.


O exercício físico, a meditação e uma alimentação cuidada, são modos eficazes para combater a depressão, contudo, qualquer outro método que opte por incluir no seu plano será válido, desde que lhe proporcione a sensação de que está a fazer algo em benefício da própria saúde e bem-estar. Não posso, no entanto, deixar de salientar que quando os estados depressivos são profundos, dever-se-á, impreterivelmente, consultar um especialista.


http://cafesemacucar-vantacich.blogspot.com.br/2011/06/nao-se-acomode-uma-depressao.html

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quinta-feira 03 2014

Câmara reage à decisão do STF contra doações eleitorais de empresas

Eleições

Supremo Tribunal Federal já formou maioria contra doações de pessoas jurídicas para campanhas eleitorais e partidos políticos

Laryssa Borges, de Brasília
Abertura da Sessão de eleição da nova Mesa Diretora da Câmara dos Deputados
Deputados do PMDB, PSDB, DEM, PSD e SDD querem votar até maio PEC que autoriza empresas de injetarem dinheiro em campanhas políticas (Layzer Tomaz/Agência Câmara)
Um dia depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para barrar doações de empresas a campanhas e partidos políticos, um grupo de deputados de cinco partidos – PSDB, DEM, PMDB, PSD e SDD – começou a articular uma reação ao que classificou de "interferência e ativismo" do Judiciário em prerrogativas do Legislativo. Os parlamentares pretendem levar à votação em maio uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permita a participação de empresas no financiamento de campanhas eleitorais.
Outros partidos, como o PSB, também serão procurados para endossar a proposta, embora os socialistas defendam que os repasses de empresas sejam autorizados apenas para as legendas, e não diretamente aos candidatos.
O plano para tentar apresentar a PEC foi traçado na noite de segunda-feira, em uma reunião de lideranças dos partidos interessados, antes do julgamento no STF – paralisado por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Em maio, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pretende tentar votar outros pontos relacionados a mudanças no sistema eleitoral, como o fim da reeleição, o voto facultativo e a alteração nas regras de eleição de deputados e vereadores. 
A resistência no Congresso à votação da PEC é capitaneada pelo PT, franco defensor do financiamento público de campanha, modelo que favoreceria nas eleições deste ano a maior bancada da Câmara – não por caso, a do próprio PT. Por esse modelo, quanto maior a bancada de deputados da sigla nas eleições anteriores, maior será a fatia de dinheiro que ela receberá.
“Vamos tentar votar em maio essa emenda sobre o financiamento privado porque essa decisão do STF só beneficia o PT. É uma forma de criar uma hegemonia a partir de uma interpretação constitucional”, afirma o líder do PMDB, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
No Congresso, ganhou força o entendimento de que o STF não agiu para suprir um vácuo legislativo, mas sim para derrubar trechos de leis aprovadas por deputados e senadores, como a Lei Eleitoral (9.504/1997) e da Lei dos Partidos Políticos (9.096/1995).
“É preciso arquivar a cretinice. A proibição de doações de empresas está na contramão do que acontece no mundo. É mentira falar que campanhas não têm custo alto. Precisamos ter cuidado com essa utopia de financiamento público”, diz o líder do PR, Bernardo Santana (PR-MG).
“O STF invadiu a área de competência do Congresso Nacional. Pelos nossos cálculos, 80% dos parlamentares não aceitam a tese do financiamento público exclusivo”, afirma o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (DEM-PE).
Os deputados têm repetido os argumentos do ministro Teori Zavascki, que no STF votou por manter as doações de pessoas jurídicas. “A abertura que permitiu doações por parte de pessoas jurídicas em níveis limitados e acompanhados por um sistema de controle resultou de uma opção legislativa explicitamente concebida como resposta a descaminhos”, disse Zavascki na tarde de ontem. “Não se pode sucumbir a interpretações voluntaristas que impõe gessos artificiais”, completou o ministro.
O grupo de deputados também argumenta que, quando o julgamento for concluído, partidos com maior inserção no mundo sindical e ONGs, como o PT, conseguirão mecanismos, ainda que vedados por lei, para arrecadar contribuições. “O PT tem quase o monopólio da máquina sindical e ‘ongueira’ e deverá receber delas dinheiro para a campanha”, afirma Mendonça Filho. “A decisão do Supremo é mais que uma intromissão, é uma agressão. Se até na Papuda, com os presos do mensalão, o PT conseguiu arrecadar 1 milhão de reais em menos de uma semana, imagina com essa decisão [que favorece a perpetuação no poder]”, completa Eduardo Cunha.

Petrobras: finanças vão mal, mas diretores nunca ganharam tanto

Petróleo

Estatal pagou 13,5 milhões de reais à diretoria no ano passado; desde 2006, remuneração (fixa e variável) subiu 120%

 Graça Foster
Graça Foster, presidente da Petrobras: salários de 2013 foram os maiores já pagos pela estatal (Wilton Junior/AE)
As contas da Petrobras viraram motivo de preocupação nacional. Com um endividamento de 270 bilhões de reais e as finanças ameaçadas pelos subsídios ao preço da gasolina impostos pelo governo, a companhia viu seu valor de mercado encolher 50% em quatro anos. A diretoria da estatal, por sua vez, vê a crise passar bem longe de suas finanças pessoais. Nunca os diretores ganharam tanto. Em 2013, sua remuneração total foi de 13,5 milhões de reais, alta de mais de 10% em relação ao ano anterior. Segundo dados apresentados pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em março, cada diretor recebeu, no ano passado, 1,76 milhão de reais, em média — entre salário fixo e bônus. Na assembleia realizada na noite de quarta-feira, a estatal afirmou que, em 2014, pagará mais de 18 milhões de reais a seus administradores, incluindo diretoria, conselho e comitê fiscal. Como os dois últimos correspondem, em média, a 8% da remuneração global, constata-se que os diretores ganharão pouco mais de 16 milhões de reais este ano.
Entre 2006 e 2013, houve apenas um ano em que a empresa reduziu a remuneração total de sua diretoria — em 2009, durante o período agudo da crise financeira iniciada com a quebra do banco Lehman Brothers, nos Estados Unidos, em 2008. Naqueles tempos, os sete diretores receberam ‘apenas’ 6,61 milhões de reais — ante os 8,5 milhões pagos no ano anterior. Em 2006, ano da assinatura do inacreditável contrato de compra da refinaria de Pasadena, no Texas, a diretoria (composta por José Sérgio Gabrielli e os enrolados Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró) recebeu 6,2 milhões de reais. Naquele mesmo ano, ainda segundo a CVM, a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra fazia parte do comitê fiscal da estatal, incumbido de avaliar, entre outras coisas, a saúde financeira e os deveres tributários da empresa.
Desde a compra de Pasadena até o ano passado, os salários oscilaram 120%, num movimento descolado da variação da inflação no período — de 50,5%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2011, ano em que a estatal teve de desembolsar 820 milhões de dólares para concluir o acordo com a belga Astra Oil e encerrar o litígio sobre a compra da refinaria no Texas (que resultou num rombo de 1,18 bilhão de dólares), os diretores tinham inúmeras razões para sorrir. Ganharam 12,222 milhões de reais, o equivalente a 1,74 milhão por executivo — uma alta de 50% em relação ao ano anterior.
Os salários apresentados pela companhia à CVM não estão fora dos padrões de mercado para empresas de capital aberto. A Ambev, maior empresa da Bolsa de Valores e amplamente renomada por sua política de meritocracia, pagou o dobro que a Petrobras à sua diretoria no ano passado (incluindo remuneração fixa e variável). A diferença entre ambas é que, no caso da Petrobras, a evolução salarial dos diretores que, em muitos casos, atuaram como artífices de negócios malsucedidos, nem sempre é resultado do mérito. 

quarta-feira 02 2014

Renan rejeita questionamentos e mantém CPIs

Petrobras

Presidente do Senado afirmou que tanto a CPI da Petrobras quanto a comissão proposta pela base para atingir PSDB e PSB têm legitimidade

Gabriel Castro, de Brasília
Senador Renan Calheiros fala perante o Senado Federal no Congresso Nacional depois de ser reeleito como presidente do Senado, em Brasília
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) (Pedro Ladeira/AFP)
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), decidiu manter as duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) criadas para investigar a Petrobras: uma encampada pela oposição e a outra pela base governista, que ampliou o foco da comissão para tentar atingir administrações estaduais do PSDB e do PSB. Renan rejeitou todas as questões de ordem que aventavam irregularidades na constituição das comissões.

"Creio que a prudência e a razão recomendam que investiguemos todos os fatos narrados; afinal, a impunidade que pode brotar tanto da omissão quanto da leniência não deve se transformar absolutamente em cumplicidade", disse.
Apesar do discurso a favor das CPIs, Renan submeteu sua decisão contrária às questões de ordem ao aval da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), composta por maioria de senadores aliados ao governo, que poderá referendar ou reverter sua posição. 
Os petistas argumentavam que não havia conexão entre os objetos citados no requerimento da oposição. Paralelamente, propuseram uma CPI com a intenção de investigar não só o caso da refinaria de Pasadena, como o cartel do metrô paulista e a construção do Porto de Suape, em Pernambuco. Desta vez, a oposição foi quem reclamou.


Agora, com a perspectiva de que as duas CPIs ganhem vida, governistas afirmam que, como parte do objeto de investigação das CPIs é o mesmo – a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras –, deveria prevalecer aquela que tem o requerimento mais abrangente: ou seja, a CPI governista.

Enquanto isso, a oposição concentra esforços para levar adiante uma Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI), que reuniria senadores e deputados e teria, portanto, mais força. Mas, como o requerimento é idêntico ao da CPI que motivou a disputa no Senado, nada impede que o governo repita a estratégia de ampliar o foco com investigações sobre o cartel do metrô paulista e o Porto de Suape (PE) para jogar PSDB e PSB contra a parede.