sábado 04 2014

EVERLY BROTHERS - Wake up little Susie (1957)



Phil, da dupla The Everly Brothers, morre aos 74 anos

Música

Entre as músicas mais conhecidas dos irmãos Phil e Don estão 'Cathy's Clown', 'Wake Up Little Susie', 'Bye Bye Love'

Phil Everly, à esquerda, e o irmão Don, em Las Vegas, em imagem de 1970
Phil Everly, à esquerda, e o irmão Don, em Las Vegas, em imagem de 1970 (EFE)


O músico Phil Everly, da dupla The Everly Brothers, morreu nesta sexta-feira aos 74 anos em Burbank, na Califórnia, em decorrência de uma doença respiratória, informou sua mulher, Patti Everly, ao jornal Los Angeles Times.
Os irmãos Phil e Don, de 76 anos, formaram uma das duplas mais influentes do rock e do country, com enorme sucesso no final dos anos 1950 e no início da década seguinte. Entre seus temas mais conhecidos estão Cathy's Clown, Wake Up Little Susie, Bye Bye Love, When Will I Be Loved e All I Have to Do Is Dream.
O grupo norueguês A-ha fez sucesso na década de 1990 com a regravação de um dos clássicos da dupla, Crying in the Rain. Em 2013, os irmãos Everly voltaram ao noticiário quando o vocalista do Green Day, Billie Joe Armstrong, se juntou à cantora Norah Jones para lançar o álbum Foreverly, uma reinterpretação do disco Songs Our Daddy Taught Us dos Everly Brothers, gravado em 1958.
(com EFE)

A eloquência do silêncio

Veja.Com

silêncioA importância do silêncio numa narrativa de ficção se manifesta de diversas formas, incluindo as óbvias elipses e subentendidos, pois, como disse Erico Verissimo (que cito de memória), “um dos segredos do romancista é nunca explicar demais”. Tudo aquilo que não é dito oferece à imaginação do leitor – coautor pouco comentado de qualquer obra literária – espaço para se espraiar, ligar os pontinhos, produzir e não apenas decifrar sentido. Embora geralmente esquecido, até mesmo o silêncio que vem antes da primeira frase do texto, como os milênios de não-ser que precedem o nascimento de qualquer bebê, é tão fundamental quanto o clímax de uma história. O silêncio que vem depois do fim, então…
Vamos começar pelo começo. Entramos em “Viva o povo brasileiro”, de João Ubaldo Ribeiro, um dos grandes romances de nossa literatura, vendo o herói ser fuzilado. A sugestão de uma longa história passada, mas calada, insinua-se na estranha precedência de uma conjunção adversativa a adversar o ignorado:
Contudo, nunca foi bem estabelecida a primeira encarnação do Alferes José Francisco Brandão Galvão, agora em pé na brisa da Ponta das Baleias, pouco antes de receber contra o peito e a cabeça as bolinhas de pedra ou ferro disparadas pelas bombardetas portuguesas, que daqui a pouco chegarão com o mar.
Se repararmos bem, veremos que o longo futuro da história também já se encontra, cifrado, nessa abertura. Mas por que o relato não começa antes? Como José Francisco foi parar na Ponta das Baleias naquele momento fatal? Que vida teve? Será que sabia tocar rabeca, amou uma ou várias mulheres, contraiu caxumba na infância? Quem são seus pais, seus avós, seus antepassados remotos? Por que começar justamente ali?
Porque o resto – tal é o poder que tem o texto literário de transformar em determinismo as opções autorais mais arbitrárias – é silêncio.
Se o silêncio que antecede a primeira palavra de uma história costuma passar despercebido, aquele que vem depois do ponto final é de uma eloquência ensurdecedora. Dificilmente haverá um escritor que não tenha, em algum momento, se deparado com esta queixa, que por sinal é muitas vezes infundada: “Mas a história não termina…”.
Que o leitor, sobretudo aquele de um tipo mais ingênuo, exija como final de qualquer relato ficcional um arremate claro que junte todas as pontas da trama, de preferência num laçarote vistoso e provido de uma inequívoca moral, é compreensível. O problema é o autor acreditar que deve obrigatoriamente se curvar a tal demanda, deixando de compreender o quanto de reverberação pode acrescentar à sua história, em certos casos, um silêncio brusco, aparentemente prematuro e definitivamente perturbador.
Não me refiro aqui ao simples ato de apontar um futuro em branco, um pós-texto qualquer, deixando ao leitor um convite ao preenchimento do vazio da página, como se vê por exemplo no engenhoso – e famoso – fim de “Uma aprendizagem”, de Clarice Lispector:
… eu penso o seguinte:
Ocorre que, a essa altura, o conflito central do livro de Clarice já se resolveu, Lóri e Ulisses estão na cama, o que torna a indeterminação do futuro uma esperteza estilística – além de um espelho da vida real, claro, comentário irônico sobre a tentação do impossível “felizes para sempre” que insiste em rondar as expectativas daquele nosso leitor ingênuo.
Contudo – como diria João Ubaldo –, o silêncio brusco, aparentemente prematuro e definitivamente perturbador exige mais do que isso. É preciso que o conflito que moveu a narrativa, ou pelo menos uma parte dele, fique sem solução. É preciso obrigar o leitor a apostar num dos desenlaces possíveis e ao mesmo tempo condená-lo à tortura eterna de não saber se ganhou ou perdeu.
Um dos exemplos mais antigos e bem-sucedidos que conheço desse tipo de fim está na novela “A interdição”, de Honoré de Balzac (no volume 4 de “A comédia humana”, na nova edição da Biblioteca Azul), uma de minhas leituras de fim de ano. A história gira em torno do processo de interdição que move uma rica parisiense – uma daquelas mulheres ambiciosas, vaidosas, calculistas e ordinárias que Balzac adorava pintar – contra o ex-marido, de olho em sua fortuna, sob a alegação de que o sujeito enlouqueceu.
Aqui sou obrigado a incluir um spoiler, o que imagino não ser grave no caso de um livro lançado em 1836, mas vale o alerta: o ex-marido é um nobre dotado não apenas de lucidez, mas também de um caráter admirável que o leva a atos de um desprendimento vertiginoso. O juiz encarregado do caso, não menos probo, percebe isso tão claramente que chega a se emocionar. A história se encaminha para um fim previsível e reconfortante: o processo de interdição é ignóbil, será rejeitado, que beleza.
Aí entra o gênio de Balzac. Sob uma desculpa rota, quem sabe um mal-entendido, o juiz honesto é afastado na última hora do caso. Em seu lugar nomeia-se um juizinho novato, arrivista, venal. Fim.
Como assim – fim? E o processo que dá título à narrativa? Qual é o veredito? Não sabemos. Ao condenar moralmente o novo juiz, as últimas linhas nos levam a supor que o nobre homem será lesado pela ex-mulher sem caráter, mas a verdade é que não temos como saber. O silêncio chega primeiro, transformando “A interdição”, que do contrário seria apenas uma boa novela, numa novela memorável.
(Em outro ponto do imenso painel de “A comédia humana”, Balzac, que gostava de voltar a personagens de livros anteriores, nos informará que a litigante de má-fé perdeu o processo, afinal. Isso não diminui em nada a reverberação que o fim de “A interdição” deixa na cabeça do leitor.)

Patricia Kaas &Garou ~ "L'hymne a l'amour" (2006)





Patricia Kaas & Charles Aznavour ~ "Que c'est triste Venise" (22 05 2004)



Doses diárias de gengibre podem evitar dores musculares

Pesquisa

Além do conhecido efeito calmante, a raiz tem propriedades anti-inflamatórias

Gengibre
(Hemera Technologies/Thinkstock)
"O consumo diário do gengibre cru resultou em uma redução de leve a moderada na dor muscular"
Utilizado na medicina chinesa há séculos, o gengibre tem conhecidos efeitos calmantes para o tratamento de náuseas e problemas estomacais. Mas, uma pesquisa recente engrossa a lista de benefícios da raiz e aponta que suas propriedades anti-inflamatórias ajudam a reduzir as dores musculares causadas por exercícios físicos.
Em dois experimentos distintos, os pesquisadores observaram os efeitos de dois gramas de gengibre cru e também do tratado termicamente em 74 adultos saudáveis. Os voluntários tiveram de passar por uma bateria de exercícios que induziam à dor muscular, em um período de 11 dias. Grupos distintos tomaram suplementos da raiz ou pílulas placebo.
“O consumo diário do gengibre cru resultou em uma redução de leve a moderada na dor muscular”, destaca Christopher D. Black, da Geórgia College and State University, nos Estados Unidos. A diminuição da dor foi de 25% para os pacientes que tomaram o gengibre cru e de 23% para o tratado termicamente. O estudo foi publicado no The Journal of Pain.

Planta usada na medicina tradicional chinesa ajuda a aliviar dores crônicas

Dor

Segundo pesquisadores, composto encontrado tem função semelhante à da morfina, mas não perde o efeito ao longo do tempo

Raízes da Corydalis yanhusuo
Raízes da "Corydalis yanhusuo", planta usada na medicina chinesa para tratar dores (Reprodução)
Uma planta utilizada há séculos pela medicina tradicional chinesa para alívio de dores teve sua eficácia comprovada por pesquisadores dos Estados Unidos e da China. Raízes da florCorydalis, da família da papoula, possuem um composto analgésico, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira no periódico Current Biology.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: A Novel Analgesic Isolated from a Traditional Chinese Medicine

Onde foi divulgada: periódico Current Biology

Quem fez: Yan Zhang, Chaoran Wang, Lien Wang, Gregory Scott Parks, Xiuli Zhang, Zhimou Guo, Yanxiong Ke, Kang-Wu Li, Mi Kyeong Kim, Benjamin Vo, Emiliana Borrelli, Guangbo Ge, Ling Yang, Zhiwei Wang, M. Julia Garcia-Fuster, Z. David Luo, Xinmiao Liangsend e Olivier Civelli

Instituição: Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e outras

Resultado: Um composto capaz de aliviar dores crônicas foi encontrado nas raízes de plantas do gênero Corydalis, utilizadas na medicina tradicional chinesa
"Nossa pesquisa descobriu um novo analgésico natural. Este produto atuou, em testes com animais, contra três tipos de dores que afetam o ser humano: aguda, inflamatória e crônica", diz Olivier Civelli, pesquisador da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e integrante da equipe que realizou o estudo.
A revelação faz parte de um projeto de catalogar os componentes químicos da medicina tradicional chinesa. As plantasCorydalis, foco do estudo, têm as raízes colhidas e fervidas em vinagre, segundo a cultura da China, e prescritas para diversos tipos de dor, como a cefaleia e dor nas costas.
Os pesquisadores buscaram compostos naCorydalis que atuam de forma semelhante à morfina, e encontraram o DHCB, uma substância com função analgésica. Ao contrário do esperado, o DHCB não atua no receptor de morfina, mas por meio de outros receptores, inclusive o de dopamina, neurotransmissor associado aos mecanismos de recompensa do cérebro. Para Civelli, esse fato colabora com evidências anteriores de que a dopamina pode estar relacionada à sensação de dor.
Vantagens – A principal vantagem da nova substância em relação à morfina ou outros analgésicos é o fato de que ela não parece perder o efeito com o tempo de consumo. Apesar de ser efetivo também contra outros tipos de dor, o DHCB se destaca por sua ação em dores crônicas, persistentes e de baixa intensidade – para as quais, segundo os pesquisadores, ainda não existe um bom medicamento. Os autores alertam, porém, que alguns testes de toxicidade precisam ser realizados antes que a substância possa ser prescrita aos pacientes.