domingo 01 2013

Só Marina levaria Dilma ao segundo turno, diz Datafolha

Eleições 2014

Cenário mais difícil para a presidente, que vai tentar a reeleição, é o que inclui Marina e Serra -- 41% das intenções de voto contra 24% e 19%, respectivamente

Presidente Dilma Rousseff espera durante uma cerimônia de boas-vindas ao presidente paraguaio Horacio Cartes no Palácio do Planalto, em Brasília
A presidente Dilma Rousseff, que tenta a reeleição (Ueslei Marcelino/Reuters )
Nova pesquisa Datafolha de intenções de voto para a disputal presidencial mostra um distanciamento entre a presidente Dilma Rousseff, que tentará a reeleição em 2014, e a oposição. Apenas nas simulações que incluem Marina Silva, do Acre, como candidata no lugar do pernambucano Eduardo Campos, seu aliado, Dilma iria a segundo turno. Marina e Campos deixaram para 2014 a decisão sobre quem sairá candidato pelo PSB.
No cenário mais favorável ao PT, Dilma tem 47% das intenções (ante 42% em outubro), contra 19% de Aécio Neves (PSDB) e 11% de Eduardo Campos (PSB). Em outubro, Aécio tinha 21% e Campos, 15%. No pior cenário para a presidente, ela aparece com 41% (ante 37% em outubro), contra 24% de Marina Silva e 19% de José Serra (PSDB) -- empatado com o correligionário Aécio nas intenções de voto. Em outubro, Marina tinha 28% e Serra, 20%.
Em um cenário com Marina e Aécio, Dilma fica com 42%, e Marina, com 26% das intenções de voto, abre uma vantagem de 11 pontos sobre Aécio, que cai a 15%. Na última pesquisa, Dilma tinha 39%, Marina, 29% e Aécio, 17%. Nesse caso, a pesquisa considera a margem de erro (de 2 pontos percentuais para mais ou para menos), para considerar que haveria segundo turno.

Se a disputa incluísse Serra e Campos, em vez de Aécio e Marina, Dilma iria a 45%, contra 22% do tucano e 11% do candidato do PSB. Para esse cenário, os números obtidos em outubro eram: 40% (Dilma), 25% (Serra) e 15% (Campos).

Embora o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) diga que não será candidato, a pesquisa simula um cenário com Joaquim Barbosa na disputa. Nesse cenário, Barbosa é o segundo colocado nas intenções, com 15%, e é seguido de perto por Aécio Neves, com 14%. Campos aparece com 9% e Dilma lidera com 44%.
O Datafolha também simula cenários com Lula no lugar de Dilma como candidato do PT. O ex-presidente se sai melhor que a sucessora. Contra Aécio (com 16%) e Campos (com 8%), Lula vai a 56%. Os menos números se repetem se Aécio é substituído por Serra -- novamente empatado com o seu rival dentro do PSDB --, exceto por Campos, que oscila um ponto para cima. Na disputa com Marina (com 20%) e Aécio (com 13%), Lula recua para 52%. O ex-presidente mantém esse número se Aécio é trocado por Serra, que aqui tem um ponto a mais que o mineiro, 14%. Marina segue com 20%.


O levantamento foi realizado nos dias 28 e 29 de novembro, últimas quinta e sexta-feira, com 4.557 pessoas.  A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos.

Uma voz contra Cristina Kirchner

Entrevista - Jorge Lanata

O apresentador de TV que mais denuncia a corrupção na Argentina revela que empresas são obrigadas a pagar propinas mensais ao governo. Corajoso, não teme represálias

Tatiana Gianini, de Buenos Aires
O apresentador de TV Jorge Lanata
As noites de domingo na Argentina são sempre tensas para a presidente Cristina Kirchner. Em abril de 2012, o canal de televisão aberta El Trece, do Grupo Clarín, estreou o programaPeriodismo para Todos (PPT), conduzido pelo jornalista Jorge Lanata, de 53 anos. O título já é uma provocação ao discurso populista da presidente, que vive prometendo futebol, habitação e leite “para todos”. Com humor na medida e muita investigação, Lanata revela os mais escabrosos casos de corrupção do governo Kirchner. Sua fama está consolidada. No ano passado, uma pesquisa com 3 000 argentinos mostrou que ele tem o dobro de credibilidade da presidente. Por obra do governo, porém, o futuro do programa está ameaçado. Em outubro último, a Suprema Corte declarou constitucional a Lei de Mídia, que, entre outras implicações, pode forçar o Grupo Clarín a se desfazer do canal El Trece. Lanata recebeu VEJA em seu apartamento no bairro Recoleta, acompanhado de Salsa, uma fêmea de buldogue-francês, fumando sem parar.
As gestões de Néstor e Cristina Kirchner foram as mais corruptas da história recente da Argentina?
Há anos me perguntam qual governo foi pior e qual roubou mais. Sempre respondi que isso não interessa. Importa é quem está roubando agora. Estou convencido, porém, de que a corrupção hoje é até maior do que na gestão do presidente Carlos Saúl Menem (1989 a 1999). Os Kirchner criaram um novo tipo de corrupção. No governo Menem, os políticos pediam propinas para autorizar certas obras públicas ou direcionar licitações. O casal Kirchner foi muito além.
A esta altura, o dinheiro não importa tanto, porque já se acumulou muito. A grande questão é permanecer no poder
De que forma? 
Eles participam das empresas como se fossem sócios. A corrupção é muito mais estrutural. Se uma companhia quer vencer um leilão para construir uma ponte, eles concedem. No entanto, passam a cobrar 10% do lucro corporativo daquele momento em diante. Não basta o empresário pagar propina uma única vez. Todo dia 5, para sempre, um burocrata vai passar na recepção das empresas para pegar uma mala com o pagamento. Na lista de quem tem mais dinheiro na Argentina, além dos ricos de sempre, três nomes do sul do país, a região dos Kirchner, entraram para o grupo recentemente. Todos estão vinculados ao governo. São eles Lázaro Báez, empreiteiro, Cristóbal López, dono de empresas de petróleo, e Gerardo Ferreyra, da Electroingeniería, uma construtora de obras públicas.
Qual foi a denúncia mais grave que seu programa já divulgou? 
Foi a série de revelações que chamamos A Rota do Dinheiro K. Em abril, o Periodismo para Todos exibiu uma reportagem mostrando que Lázaro Báez, amigo e sócio do casal Kirchner e dono de uma empreiteira que realizava obras públicas na província de Santa Cruz, tirou do país 55 milhões de euros de forma ilegal. O dinheiro saía de Río Gallegos, na província de Santa Cruz, fazia escala operacional em Buenos Aires e seguia para ser depositado em contas na Suíça e de empresas em paraísos fiscais, como Belize. Mostramos que Báez está envolvido com lavagem de dinheiro, superfaturamento de obras públicas e evasão de divisas. Báez, um ex-funcionário do Banco de Santa Cruz, tor­nou-se nos últimos anos um empresário com investimentos nos setores imobiliário, hoteleiro e de petróleo. Tem 3 bilhões de dólares. Quanto disso é dele, quanto seria de Néstor e quanto é de Cristina? Não tenho ideia, mas estou certo de que uma parte foi para ela.
O enriquecimento pessoal é o principal propósito da corrupção no governo de Cristina Kirchner? 
A esta altura, o dinheiro não importa tanto, porque já se acumulou muito. Não estão nem aí para isso. A grande questão é permanecer no poder. Não duvido que a presidente renunciaria para preservar a mística se encontrasse um jeito de manter influência na Casa Rosada no futuro, já que não pode se reeleger.
O filho da presidente, Máximo Kirchner, pode tentar suceder a ela? 
Máximo é um dos principais conselheiros da presidente. Ele integra a chamada mesa chica, que toma as decisões. Essa cúpula é formada pela mãe, pelo filho, por Carlos Zannini, secretário para assuntos legais, e Héctor Icazuriaga, o secretário de Inteligência. Mas Máximo não tem carisma. É um homem que não fala. Outro dia, por casualidade, ele deu entrevistas sobre a doença da mãe, no aeroporto de Santa Cruz. Era difícil escutar sua voz. Ele não está capacitado para o cargo.
Qual será o legado dos Kirchner para a Argentina? 
Essa foi uma década desperdiçada. Nunca entrou tanto dinheiro na Argentina e nunca se perdeu tanto. O país passou dez anos gastando o que tinha, imaginando que depois alguém virá pagar a conta. Mesmo com os recursos vindos das exportações, a proporção de pobres continua em torno de 30% da população e a de indigentes, em 15%. Há muito clientelismo. A educação não funciona. A política exterior é absurda. Viramos amigos do Irã e brigamos com o Uruguai, nosso vizinho. O controle de câmbio fracassou e as reservas internacionais em dólares estão acabando. Um ajuste é urgente e necessário, mas ninguém quer fazê-lo.
A corrupção é muito mais estrutural. Não basta o empresário pagar propina uma única vez. Todo dia 5, para sempre, um burocrata vai passar na recepção das empresas para pegar uma mala com o pagamento
Qual é o real objetivo da Lei de Mídia, que o governo alega ter sido feita para democratizar os meios de comunicação na Argentina? 
Este governo se sente incomodado com a questão da audiência. Embora seus membros e empresários amigos tenham investido milhões de pesos em veículos de comunicação, nenhum programa chapa-branca consegue mais de 3 pontos de audiência. Eles têm dinheiro, mas não têm talento. O texto da lei limita para os meios privados um máximo de 35% do mercado de televisão aberta. As empresas também não podem alcançar mais de 35% da população em televisão a cabo nem possuir mais de dez licenças de rádio. Mas audiência não é algo que possa ser repartido assim, por decreto. Uma cidade pode ter 400 rádios que ninguém ouve e uma que concentra todo o interesse dos ouvintes. O que determina o público é a qualidade. Meu programa na Rádio Mitre alcança 52% dos ouvintes no seu horário. O que o governo espera que eu faça? Que peça às pessoas que não me escutem? Não posso fazer isso. Se o governo tivesse bons programas, eles teriam 50% da audiência. Não conseguem isso porque o povo não é idiota. O jornalismo oficialista só funciona quando não tem concorrentes. Em Cuba, o Granmavende jornais apenas porque não existem outras opções.
Seu programa dominical Periodismo para Todos vai deixar de existir quando a lei for implementada? 
Não consegui saber ainda quanto a Lei de Mídia vai nos afetar. Num primeiro momento, o governo ameaçou o Clarín com um ultimato. Diziam que as autoridades decidiriam com quais empresas o grupo ficaria. Depois, o Clarín apresentou um plano de adequação, que está sendo analisado. Neste ano, estaremos no ar até 8 de dezembro. A princípio, voltaremos em abril, mas o retorno é uma incógnita. Não sei se o canal continuará existindo ou se vamos sofrer intervenção do governo. Se for assim, eu não ficarei. Espero que eles façam direito as contas, porque neste momento o custo político de nos tirar do ar seria muito grande. Cinco milhões de argentinos nos veem todos os domingos. Temos uma audiência média de 20 pontos, um índice que é um delírio para um dominical jornalístico. Nenhum programa que fala de política na Argentina se compara a isso. O governo até mudou o horário do campeonato argentino de futebol, em maio passado, para que as partidas coincidissem com o início do PPT. Com televisores ligados nos jogos, achavam que perderíamos audiência. Nós levamos a melhor. Das vinte vezes em que competimos com o futebol, o placar foi favorável à nossa equipe em quinze.
O governo argumenta que o Grupo Clarín tem o monopólio das comunicações. Essa acusação faz sentido? 
O Clarín não é um monopólio. Tecnicamente, isso só acontece quando um fornecedor controla o mercado de um produto ou serviço. A Argentina tem vários canais de televisão aberta, centenas de jornais, milhares de rádios. Esses meios de comunicação pertencem a diferentes proprietários e há um cenário plural de opiniões.
Os argentinos concordam com as ações governamentais contra o Clarín?
Pesquisas recentes mostram que apenas uma minoria crê nos propósitos declarados das autoridades (de acordo com a consultoria Management & Fit, 30% creem que a lei busca democratizar os meios). A maior parte dos argentinos acredita que os meios de comunicação devem ter o direito de publicar ou transmitir o conteúdo que quiserem sem o controle do governo. É evidente que a Lei de Mídia foi feita contra um grupo em particular, o Clarín. Essa é a única empresa contra a qual o governo briga atualmente. Se a lei fosse aplicada de forma isenta, outros empresários teriam de se adaptar, mas eles não têm sofrido represálias por causa disso. Uma das cláusulas diz que uma empresa que oferece serviços públicos não pode ter um canal. No entanto, a emissora de televisão Telefé é controlada pela Telefónica da Espanha, que por sua vez provê serviços de telecomunicações. Nenhuma pressão foi feita. A desculpa é que a Telefónica argentina não tem nada a ver com a da Espanha. Outro exemplo: o Canal 9 é de um empresário da América Central, o mexicano Ángel González González, que produz novelas. Esse canal ignora a regra segundo a qual uma porcentagem dos programas deve ser produzida localmente. O governo nada faz. Permite que esse canal viole a Lei de Mídia com um monte de enlatados, contanto que exibam programas pró-governo.
O governo até mudou o horário do campeonato argentino de futebol, em maio passado, para que as partidas coincidissem com o início do meu programa. Achavam que perderíamos audiência. Nós levamos a melhor
Qual foi a pior ameaça pessoal que você já recebeu?
Ultimamente, não tenho recebido tantas. Na época em que eu dirigia o jornalPágina/12, a redação recebeu cinco ameaças de bomba. O clima agora está mais calmo, mas não pacífico. Em outubro do ano passado, quando viajei à Venezuela para cobrir as eleições, fui acusado pelos chavistas de fazer espionagem. Nosso grupo tinha sete pessoas. Fomos presos e forçados a apagar toda a filmagem que tínhamos feito. Um desastre. Liguei para o embaixador argentino na Venezuela, mas o diplomata não nos ajudou em nada. Ele fez tudo o que era possível para agradar a Hugo Chávez. Só nos liberaram duas horas depois.
O governo argentino ataca jornalistas diretamente? 
Eles hostilizam os profissionais de uma maneira incrível. Se um jornalista menos conhecido descobre irregularidades no governo, geralmente decide não publicá-las. Tem medo da reação. Além disso, poucos querem brigar com o chefe, pois oito em cada dez veículos argentinos são fiéis à Casa Rosada. Essa situação obviamente gera muita autocensura.
Seu programa faz bastante uso do humor. Isso incomoda o governo? 
Claro! Mais até do que as denúncias. Os políticos querem ser respeitados. São muito solenes. Se alguém ri deles, ficam desarmados. Os gregos, com a sátira, faziam humor político. No Brasil, o Pasquim brigava com a ditadura usando o humor. Na minha carreira, sempre fiz isso. Quando dirigi o jornal Página/12, o então presidente Menem nos chamou de “imprensa amarela”. No dia seguinte, o jornal chegou às bancas todo impresso em páginas amarelas. O humor é essencial para nos aproximar dos jovens. Eles começam a assistir ao nosso programa para se divertir, mas acabam ficando e escutando a parte política. Rir é bom.
Como as denúncias chegam a seu programa? 
De todos os lados. Às vezes, até de funcionários do governo. Quanto mais briga interna há na máquina estatal, mais dados ficam disponíveis para os jornalistas. Em geral, nenhuma informação é inocente. Quando alguém me conta algo, é por algum interesse pessoal. Para mim, o que importa é investigar se a denúncia é verdadeira. Não tenho de proteger ninguém. Temos ainda mais denúncias esperando a hora para entrar no programa.

sábado 30 2013

Promotoria apura se tênis de má qualidade foram contrabandeados

ANA FLÁVIA OLIVEIRA
DO "AGORA"


O Ministério Público investiga se os tênis entregues para alunos da rede municipal de São Paulo foram contrabandeados da China.
Segundo a Promotoria, o edital da licitação, organizada pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), do governo federal, exige calçados específicos e fabricação nacional.
Municípios de todo o país puderam aderir ao edital e efetivar a compra -foi o que fez a Prefeitura de São Paulo.
Em depoimento à Promotoria, uma testemunha informou que, "provavelmente, os produtos foram importados da China" e que a Vulcasul, que venceu a licitação, não tinha capacidade industrial para produzir mais de 800 mil pares de tênis, no prazo solicitado [90 dias].
"Se a suspeita [de fabricação na China] for confirmada, é contrabando", disse o promotor de Justiça do Patrimônio, José Carlos Blat.
A Vulcasul, de Itanhandu (MG), venceu em maio a licitação para fornecer os tênis para a rede municipal de São Paulo. Os calçados foram distribuídos em setembro. Em dois meses, já estavam estragados. "Solas, tecidos e cadarços são frágeis, há erros de numeração e palmilhas muito finas", afirmou Blat.
O contrato firmado pela gestão Fernando Haddad (PT) é de R$ 15 milhões (a prefeitura já pagou R$ 6 milhões). Segundo a Promotoria, seriam fornecidos 880 mil pares, de R$ 21 cada. O calçado recebido custa R$ 10, diz.
Outra investigação, diz a promotoria, é sobre o laudo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) apresentado pela empresa para atestar a qualidade dos produtos. Segundo a prefeitura, o IPT informou que o documento é falso e que o funcionário que o assinou foi demitido.
A prefeitura solicitou novo laudo ao instituto, que apontou 17 problemas nos tênis entregues. A promotoria investiga também se outras peças do uniforme escolar estão de acordo com o que foi definido nos contratos.
OUTRO LADO
A empresa Vulcasul, de Itanhandu (MG), afirmou, por meio de nota, que as informações divulgadas sobre o assunto "não correspondem com a verdade".
A empresa afirmou que disponibilizará, "até a próxima quarta-feira, os fatos e a verdade, lastreados em documentos, defesas e e-mails".
Questionada, a empresa não se pronunciou sobre o local de fabricação dos tênis que foram distribuídos aos alunos de São Paulo.

Mais Amor em SP: Prefeitura gasta R$ 6 mi com tênis escolar de má qualidade superfaturado


Promotoria ainda investiga se produtos foram contrabandeados da China; contrato da gestão Haddad com empresa do interior de MG chega a R$ 15 milhões

 Mais Amor em SP: Prefeitura gasta R$ 6 mi com tênis escolar de má qualidade superfaturadoMatéria da Folha de S. Paulo:
O Ministério Público investiga se os tênis entregues para alunos da rede municipal de São Paulo foram contrabandeados da China.
Segundo a Promotoria, o edital da licitação, organizada pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), do governo federal, exige calçados específicos e fabricação nacional.
Municípios de todo o país puderam aderir ao edital e efetivar a compra -foi o que fez a Prefeitura de São Paulo.
Em depoimento à Promotoria, uma testemunha informou que, “provavelmente, os produtos foram importados da China” e que a Vulcasul, que venceu a licitação, não tinha capacidade industrial para produzir mais de 800 mil pares de tênis, no prazo solicitado [90 dias].
“Se a suspeita [de fabricação na China] for confirmada, é contrabando”, disse o promotor de Justiça do Patrimônio, José Carlos Blat.
A Vulcasul, de Itanhandu (MG), venceu em maio a licitação para fornecer os tênis para a rede municipal de São Paulo. Os calçados foram distribuídos em setembro. Em dois meses, já estavam estragados. “Solas, tecidos e cadarços são frágeis, há erros de numeração e palmilhas muito finas”, afirmou Blat.
O contrato firmado pela gestão Fernando Haddad (PT) é de R$ 15 milhões (a prefeitura já pagou R$ 6 milhões). Segundo a Promotoria, seriam fornecidos 880 mil pares, de R$ 21 cada. O calçado recebido custa R$ 10, diz.
Outra investigação, diz a promotoria, é sobre o laudo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) apresentado pela empresa para atestar a qualidade dos produtos. Segundo a prefeitura, o IPT informou que o documento é falso e que o funcionário que o assinou foi demitido.
A prefeitura solicitou novo laudo ao instituto, que apontou 17 problemas nos tênis entregues. A promotoria investiga também se outras peças do uniforme escolar estão de acordo com o que foi definido nos contratos.
http://linkis.com/www.implicante.org/n/rcrk 

Morre o produtor musical João Araújo, pai de Cazuza

Datas

Executivo sofreu uma parada cardíaca em casa, no Rio de Janeiro, onde se recuperava de uma fratura recente no fêmur. Ele tinha 78 anos

Cazuza e seu pai João Araújo
Cazuza e seu pai João Araújo (Divulgação)
O produtor musical João Araújo, pai do cantor Cazuza, morreu na manhã de sábado aos 78 anos, no Rio de Janeiro. Ele sofreu uma parada cardíaca em casa, onde se recuperava de uma fratura no fêmur. O executivo era casado havia 56 anos com Lucinha Araúja, mãe de Cazuza e uma das maiores protetoras e promotoras de sua obra.

O velório de João Araújo teve início por volta do meio-dia, na capela 1 do Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio. O enterro será realizado às 17h, no Cemitério São João Batista. O show "Volta Cazuza", com holograma do cantor, marcado para as 19h deste sábado no Parque da Juventude, em São Paulo, será mantido. A entrada é gratuita.

Nome forte da indústria fonográfica nos anos 1980, João Araújo fundou a gravadora das Organizações Globo, a Som Livre, por onde lançou nomes que marcara o rock nacional da época, como Lulu Santos e o próprio filho, Cazuza. No longa Cazuza - O Tempo Não Para(2004), de Walter Carvalho e Sandra Werneck, o executivo foi interpretado pelo ator Reginaldo Faria.
Repercussão -- Lulu usou o Twitter para uma homenagem a Araújo. "Querido João Araújo, pode subir levitando porque aqui tem um coro de vozes cantando baixinho para você. Paz e amor, Big John! Nosso abraço, Lucinha." Gal Costa também escreveu a respeito. "Muita tristeza com a partida do nosso querido João Araújo. Que esteja em paz."

A cantora Fafá de Belém foi outra a usar a rede social para comentar a morte. Ela interrompeu as piadas com o tombo sofrido na quinta-feira, em Minas Gerais, para escrever sobre o executivo. "Acabo de saber da morte de um grande amigo, um homem fundamental para a música deste Brasil: João Araújo. Que Deus te conduza, amigo querido."













sexta-feira 29 2013

Os Normais - "Nosso Já Famoso Episódio Infame" [HQ]



Por que o ministro José Eduardo Cardozo, o Garboso, está tão nervoso, o que rima, sim, mas não é solução? Ou: Pede pra sair, Cardozo!

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Em tese, numa primeira mirada, José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, está acima da carne-seca. É o Fortão do Bairro Peixoto. Leio aqui e ali que recebeu aval da presidente Dilma para “reagir aos tucanos”. Entendo. Estimulado, então, ele decidiu ameaçar Deus e o mundo com ações judiciais. Disse que vai processar todos os que o caluniaram.
Engraçado: até agora não li “calúnia” nenhuma contra o ministro. “Calúnia” é acusar alguém, injustamente — ou sem provas — de um crime. Não me lembro, até agora ao menos, de alguém ter feito isso. Leio na Folha que ele disse o seguinte:“Eu sempre fui muito tolerante no debate político em relação àqueles que me acusaram. [...] No entanto, hoje sou ministro de Estado da Justiça e o ministro da Justiça não pode jamais aceitar, pelo cargo que ocupa, pela função que ocupa, receber injúrias como as que tem acontecido”.
Huuummm…
Eu, por exemplo, acho que Cardozo é um péssimo ministro da Justiça. Avalio que, mais de uma vez, teve uma atuação deletéria contra São Paulo e já expus aqui os motivos. Espero que o ministro não queira me processar porque acho que ele fez muito mal, por exemplo, quando, diante de um ataque do crime organizado ao Estado, no ano passado, elegeu como alvos o governador e a Polícia, não os bandidos. Ou ainda: quando, diante do vandalismo nas ruas, ele, mais uma vez, preferiu atacar o governador e a Polícia a atacar os vândalos.
Isso tudo é muito feio. É coisa que não se faz.
Nesse episódio envolvendo a investigação que o Cade faz sobre a formação de cartel em São Paulo, sua atuação não é menos lamentável. Eu exponho, mais uma vez, os motivos. Não é ataque ao Ministério da Justiça, não! Ao contrário! É uma defesa da Pasta. Penso que Cardozo, o Garboso, não está à altura do cargo. Será que ele me dá esse direito ou tentará me levar aos tribunais? Acusação: “Esse Reinaldo aí me acha incompetente para o cargo; cortem-lhe a língua…”.
Mas volto. No caso do Cade:
- Cardozo não disse uma vírgula, até agora, sobre o fato de o Cade ter se transformado numa central de vazamentos de uma apuração que, em tese, é sigilosa;
- Cardozo assumiu ter sido ele a entregar papelório anônimo à Superintendência da Polícia Federal quando a própria Polícia Federal, em duas manifestações, diz ter recebido o material do próprio Cade;
- Cardozo acha que “só cumpre a sua função” quando se torna, então, segundo a versão assumida, despachante de material acusatório que um deputado petista — Simão Pedro, ex-chefe do atual manda-chuva do Cade — larga em sua casa. Dadas as autoridades que estavam sendo acusadas, quando menos, o material deveria ter sido remetido à Procuradoria-Geral da República.
Diz ainda o ministro:
“Aquele que pede a investigação, na lógica deles, tem que se defender. É a investigação do mensageiro e não da mensagem. É isso? [...] Isso é um vil pretexto para criar uma cortina de fumaça sobre o fato de que o ministro tinha os documentos e os encaminhou para a PF. A PF é que vai apurar. É só isso. Não há mais nada além disso.”
É… Há, sim, muita coisa além disso.
Quem está a dever explicações é o Ministério da Justiça, pasta à qual o Cade é subordinado. Como é possível que, num dos documentos enviados à PF (pouco importa, nesse particular, se por Cardozo ou não), o denunciante — Éverton Rheinheimer — admita ter marcado reuniões prévias com Vinicius Carvalho, o chefe do Cade, para, digamos, organizar a operação? Na mesma carta, diz esperar a proteção “do partido”, deixando claro que os alvos da operação são o PSDB e o DEM. Ora, a Siemens é uma das maiores fornecedoras do governo federal na área de energia. Nesse caso, sua política era outra? Um acordo de leniência só abrange São Paulo e Distrito Federal pré-governo do PT, e Cardozo, o Nervoso, quer que os seres lógicos considerem isso normal?
Encerro
Quando Cardozo resolveu matar a bola no peito para preservar o Cade, perdeu a condição de continuar ministro da Justiça. Melhor do que ficar tão bravo, seria pedir demissão nesta sexta mesmo. Eu acho. Esse nervosismo e essa braveza são incompatíveis com quem se considera tão isento e técnico nesse imbróglio todo.
Um homem público deve ser um fortalecedor de instituições. De dia e de noite. Pede pra sair, Cardozo, pede! Antes que seja sábado — quero dizer, antes que seja tarde.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/por-que-o-ministro-jose-eduardo-cardozo-o-garboso-esta-tao-nervoso-o-que-rima-sim-mas-nao-e-solucao-ou-pede-pra-sair-cadozo/