sábado 02 2013

Cafezinho com Marieta


Marina Rossi
Fotos Jorge Bispo
Styling Ale Duprat / abá mgt
Beleza Lu Moraes
Aos 50 anos de carreira e prestes a estrear sua 31ª peça, Marieta Severo conta à Gente sobre sua vida numa grande família, fala de política, casamento e trabalho. Muito trabalho. Exatamente o ponto que separa a doce dona Nenê da atriz que levanta poeira nos palcos
Marieta Severo chega apressada ao Teatro Poeira, no Rio de Janeiro. Passa reto pelo camarim e corre para a cozinha do espaço carioca de propriedade dela e da atriz Andréa Beltrão. “Queria ver se tem um cafezinho para o pessoal”, explica ela à assessora, pouco depois de cumprimentar todos, um a um. Prestes a completar 50 anos de carreira, a atriz se confunde na vida real com um de seus mais populares personagens. Qualquer semelhança com a solícita dona Nenê do seriado A Grande Família, na Globo há 13 anos, não é mera coincidência.
A simpatia e o espírito maternal da personagem também não são mera encenação. Aos 66 anos, Marieta é mãe de três filhas de seu casamento com o cantor Chico Buarque, e avó de seis netas e um neto. A semelhança com dona Nenê, porém, para por aí. Além da agitada vida numa grande família, Marieta tem uma atribulada agenda de trabalho. Está em cartaz no filme  Vendo ou Alugo em que contracena com a filha Silvia Buarque. Grava a próxima temporada de A Grande Família. E estreia nos palcos em 20 de setembro com a peça Incêndios, no Teatro Poeira. A peça, do libanês-canadense Wajdi Mouawad, montada em vários países, virou filme que foi indicado ao Oscar em 2011. Conta o drama de uma mãe que, ao morrer, deixa uma carta para os dois filhos com a incumbência de encontrar no Oriente Médio o pai e um terceiro irmão, até então inexistente. Na montagem, a direção é de Aderbal Freire Filho, que há oito anos namora a atriz.“Ele é um dos melhores diretores do Brasil”, diz.
De família de classe média carioca, Marieta começou a contracenar nos palcos da escola e nunca mais parou. Depois de 30 peças, 10 novelas e 35 filmes, diz ainda sentir frio na barriga antes de subir ao palco. “Tenho insônia matinal. Umas duas horas depois de dormir, acordo e fico agitada.” Marieta dorme tarde e mora sozinha.  A vida da atriz imita a arte, mas só até certo ponto. Enquanto corre o papo, chega o cafezinho:
Gente – Você tem uma grande família, com filhos e netos. É a dona Nenê na vida real?
Marieta Severo – Completamente! Não é à toa que a dona Nenê ficou assim. Adoro esse assunto!  Adoro ter criança, adoro minha família e preservo isso. A gente se fala quase todo dia. Todo domingo a gente gosta de estar junto. De algum jeito me inspirei na minha mãe para fazer a dona Nenê. Minha mãe foi professora de inglês numa certa época, mas ela era uma mulher completamente da família. Agora, minha mãe era muito lida. Eu me lembro da minha mãe sempre lendo, que é um lado que a dona Nenê não tem.
Gente – Nesse papel, você representa milhares de brasileiras, mães, esposas. E você tem três filhas. E seis de seus sete netos são meninas. Como é viver rodeada de mulheres?
Marieta – É muito bom. Queria muito ter uma filha. Quando Silvinha (a primogênita) nasceu, disse: ufa! Já tenho uma. E aconteceu de ter três filhas e seis netas. Gosto do universo feminino.  Me sinto à vontade. Com o Chiquinho (seu neto), mesmo ele sendo pequeno, procurava acompanhá-lo nas brincadeiras, mas acabava fazendo tudo errado! E ele dizia: “Não, vó. Não é assim!”. Aí achava que estava arrasando e dizia : “Aí ele lutou e deu um tiro”. E ele: “Não, vó. Não deu, não!” Só dava furos!
Gente – Você diz que não quer mais casar, que quer continuar namorando.
Marieta –
 É isso. Definitivamente. É assim há oito anos, nove anos.
Gente – Nunca pensou em  se casar novamente?
Marieta –
 Como sou muito “aqui e agora”, o dia de hoje está bom assim. Gosto de morar sozinha. Muito! Adoro. Mas não tenho solidão nenhuma. Se é uma coisa que eu não tenho é solidão. Não dá tempo. E quando fico sozinha, eu adoro. Por isso durmo tarde e gosto tanto da madrugada…
Gente – E na madrugada você  fica produzindo, escreve, lê?
Marieta 
– Sei lá menina, o que tanto eu fico lá enrolando. Até parece que fico produzindo coisas! Eu leio, vejo televisão. Adoro assistir tevê
na madrugada. Sou a rainha da Globo News! Vejo a mesma notícia dez vezes. Aí vejo o Programa do Jô, leio…

Gente – Separações são marcadas por dores que com o passar do tempo vão se assentando. Há histórias difíceis e histórias que são recompostas. Você e Chico Buarque passam a sensação de que souberam transformar a ruptura de um casamento de 30 anos numa relação boa. Hoje, anos depois, o que aprendeu com a experiência de desfazer um casamento longo?

Marieta – Aprendi basicamente que é bom você ter coragem e mudar coisas na sua vida. Que outras coisas se apresentam. É bom. E eu tenho certeza: não conseguir transformar uma história, que é a maior da sua vida – um casamento de 30 anos –, na amizade mais importante da sua vida é uma tristeza muito grande. Uma sensação de perda muito dolorosa. A gente tem um ao outro, só que de outra maneira. Somos uma família. Temos a coisa mais preciosa das nossas vidas que são nossas filhas e netos. Não poder compartilhar isso deve ser muito triste. Tem muita gente que não consegue, e eu agradeço à vida por ter feito a gente conseguir. É muito importante e é uma coisa que prezo demais. Dou muito valor por termos conseguido.
Gente – Essa relação fez diferença na criação das suas filhas?
Marieta –
 Toda diferença! A gente vai comer uma pizza todo mundo junto. Domingo tá todo mundo almoçando.  A gente conversa, fala, é igual. Tem um código que se estabelece quando a família está junto. Um fala de uma coisa que o outro já sabe e já vai adiante e quem não é da família não entende.
Gente – A canção “Beatriz”, de Chico, foi feita para você?
Marieta –
 Olha, isso de dizer que tal música foi feita para tal pessoa é realmente desconhecer completamente um processo de criação. O que entra num processo de criação são coisas tão misteriosas, tão pouco lincadas à realidade direta.  O Chico ri muitas vezes de coisas que são ditas. Não é assim. Acho que tive uma certa sabedoria de perceber que aquela obra é uma obra de ficção. É uma poesia. Está em outro nível. Você querer ler aquilo de acordo com a sua vida, com o seu cotidiano, é loucura. Você enlouquece. É restringir a pobre da pessoa. O que a pessoa está querendo te dizer? É poesia! É um terreno onde vale tudo, onde entram subjetividades, fantasias, tudo… Não gosto de nada ao pé da letra, não.

Gente – Em Incêndios, a direção é do Aderbal. Como é o prazer de exercer o que você mais gosta ao lado da pessoa que ama?
Marieta –
 Esse é o terceiro trabalho que fazemos juntos. Quando estamos Andréa (Beltrão), eu e Aderbal dentro do Teatro Poeira, a emoção é muito maior do que em qualquer outra circunstância de trabalho. Agora estou com Aderbal e um elenco maravilhoso. Estamos o tempo todo criando.
Gente – Você é politizada. Isso é  de família? Seus pais eram?
Marieta –
 Não muito. Meu pai foi líder estudantil na época da faculdade de direito. E esse era um tema na minha casa. A minha mãe era uma mulher muito inteligente, muito informada. Então se falava muito de tudo, mas não era uma família com uma atuação política. Era uma família de classe média, consciente da vida política do País.

Gente – A figura da mulher no poder pode representar uma nova era? Está satisfeita com a Dilma?
Marieta –
 Achei bem bacana ter uma mulher presidenta. É muito simbólico. Acho que se você olhar o Brasil de 20, 30, 40 anos atrás e o Brasil de agora, é impossível não reconhecer muitas conquistas sociais e uma estabilidade econômica. E o mais importante desse momento que estamos vivendo é esse despertar da sociedade.  É impossível eu não achar que temos vitórias muito grandes. E eu gosto de ter um olhar positivo em cima desses governos democráticos. Eu me permito ter. Faço questão de ter.
Gente – Você fez o coro do “Lula Lá”, em 1989. Faria campanha política hoje?
Marieta –
 Se achar necessário, sim.
Gente – Em Vendo ou Alugo, a sua personagem fuma maconha. Já experimentou drogas?
Marieta –
 A minha geração experimentou de tudo. Eu era das menos animadas (risos). Tive filho muito cedo. Com 27 anos , já tinha três filhos e trabalhava como uma louca. Então era complicado ter tempo disponível para desbundar. Desbundar não fez muito parte da minha vida. Faltou um pouquinho do desbunde. E a minha geração é a geração do desbunde. Eu experimentei pouco por excesso de trabalho e de família e de tudo.
Gente – Qual considera ser o papel da sua vida?
Marieta – 
Quando fiz No Natal a Gente Vem te Buscar (1979), do Naum Alves de Souza, foi a primeira vez que eu produzi no teatro. E foi meu primeiro trabalho com o Naum. Ele teve muita influência sobre mim no sentido de eu encontrar a minha entidade como atriz. Sinto que ali foi um ponto de virada. Ganhei prêmio com esse trabalho. Tive reconhecimento maior. Eu me lembro de me descobrir como atriz com ele. A peça tinha humor. E me lembro de começar a aprender a lidar com aquilo, a descobrir que eu podia fazer aquilo. (Marieta mostra no celular uma foto antiga de quando fez a novela O Sheik de Agadir, em 1966, e diz: “Olha como o tempo é cruel”.)
Gente – Falando em tempo, você tem um talento inquestionável, mas também sempre foi bonita…
Marieta –
 Não, não fui. Estou falando sério. Nunca fui considerada uma mulher bonita, gente. O que acho bacana é que eu tenho um tipo de rosto que posso fazer, desde a mulher feia até enfeitar e ficar mais charmosa. Mas nunca fui bonita. As mulheres bonitas da minha geração são outras. Não tenho essa responsabilidade. Posso ficar caquética na boa! Vejo fotos minhas hoje em dia e falo: “Ah, até que eu era engraçadinha”. No máximo! Mas nunca me achei bonita. Eu era uma moreninha jeitosinha.  A Tonia (Carrero), que era uma geração bem acima da minha, era de parar o trânsito. A Leila (Diniz) era uma mulher muito bonita, de traços, tinha um narizinho. A Dina (Sfat) também. Achava a Dina linda.

Gente – Certa vez você contou que jogou fora cartas trocadas com Leila Diniz quando morava em Roma. E você se arrependeu depois. Por isso, hoje guarda tudo. O que você guarda da sua juventude?
Marieta – 
A paixão pela dança. Eu queria ser bailarina. Estudei balé clássico e contemporâneo. Você falou da minha juventude e me lembro que eu dançava nas festas o tempo t-o-d-o. Se eu pensar na minha juventude, acho que o que mais fiz foi dançar. Eu era o maior pé de valsa. Entrava em concurso de rock, adorava dançar.
Gente – Como se prepara para um novo personagem?
Marieta –
 A primeira coisa é o texto te tocar de diversas formas. É um trabalho de entendimento: o que é essa peça? O que o autor quer dizer com isso? Em que lugar se passa? Depois, o que é esse personagem dentro desse contexto? Para esse processo, preciso de imagem (ela mostra o camarim, cheio de fotos na parede)? Vou cortando figuras, à medida que vou lembrando de um pintor que tenha a ver com aquele personagem. E aí entra a música. Procuro descobrir músicas que me alimentem. Se você for ver o meu texto de agora (mostra um calhamaço  encadernado, com uma capa com um desenho do  pintor Lucian Freud), é cheio de imagem. E isso eu faço antes de começar a ensaiar. É um trabalho preliminar.
Gente – E o que você tem ouvido ?
Marieta –
 Ah, um bando de coisas. Música brasileira, clássica. A (diretora francesa de teatro e cinema) Ariane Mnouchkine diz uma coisa maravilhosa: “A cozinha do ator eu não quero saber, eu quero o bolo pronto”. Você tem que estar com o bolo pronto. Da minha cozinha a gente já está falando muito (risos).

Marieta Severo e Filhas

Marieta Severo: "Eu aprendi que o dever de casa é uma obrigação da criança"


A disciplina dos tempos da escola é essencial para a atriz que precisa se dedicar a fazer pesquisas e decorar textos


Eu adorava a escola! Para mim era um castigo se não pudesse ir. Lembro bem dos brinquedos, do jardim e de muitos professores. Gostava da maneira como eles ensinavam, dos métodos. Era como se tudo fosse um grande jogo! Eu fazia as lições de casa sozinha, mas sempre que tinha uma redação como tarefa, meu pai se aproximava, fazia perguntas e lia comigo. Era um momento em que eu estabelecia um elo especial com ele.
Normalmente meus pais não ficavam checando a lição de casa. No máximo, davam uma olhada para ver se estava sendo feita. Aprendi que o dever de casa é uma obrigação da criança e segui isso com os meus filhos. Acho que corrigir a tarefa é um momento importante da relação entre professor e aluno. O professor precisa sentir se a filosofia geral da aula foi passada. Se os pais ajudam sempre, fica difícil detectar o grau de dificuldade daquela criança.
Além disso, a lição de casa cria um senso de responsabilidade no aluno. Eu mantenho essa relação até hoje na minha profissão, já que tenho muito dever de casa. Preciso ter disciplina, dentro de uma medida de bom senso. Nada que se torne um massacre, porque acredito que a hora de lazer e de brincar deve ser respeitada. A lição de casa tem ainda a função de fixar e de reforçar o que foi visto na escola. Não me incomoda a criança se aprofundar fazendo pesquisas e complementar o estudos, mas o ideal é que fazer isso de uma maneira prazerosa e não como um suplício. Até porque hoje se aprende de várias formas.
Na minha infância não havia muitas opções de programas culturais. Eu me lembro que meus pais liam bastante e penso na minha mãe na horizontal, sempre lendo... Esse era o meu estímulo. Comecei a ler com as obras Monteiro Lobato, depois vieram uma coleção de romances chamada Biblioteca das Moças e os Contos da Condessa de Seguir. Mas eu também adorava ir ao cinema e ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro, para ver espetáculos de balé, minha grande paixão.
Hoje há muito mais atrações. Levo os meus netos para teatro, cinema, livrarias... Com sete netos, posso fazer um pouco de tudo! O meu neto mais velho, de 16 anos, até me ensinou a gostar da banda Metallica. Falei que se ele passasse de ano, o levaria ao show. E ele rebolou para passar! Eu fui e não é que gostei? Os meninos adoram jogos e se divertem tocando guitarra. Já as meninas gostam de musicais, peças e exposições. Quando elas ficam sabendo de alguma programação, ligam e me pedem para levá-las. Faço isso com o maior prazer!

Marieta Severo nasceu na cidade do Rio de Janeiro e é uma das mais respeitadas atrizes brasileiras, premiada várias vezes por atuações no teatro, na TV e no cinema.

sexta-feira 01 2013

Independência do Banco Central: não é ignorância, é má-fé!





Muitas vezes, vemos uma proposta de políticos profissionais do pemedebismo e tendemos achá-la que é apenas fruto de ignorância. Raras vezes é. Na maioria das vezes, o oportunismo político é pura má fé!
Analise as questões políticas que estão por trás do anúncio de desengavetar a anacrônica proposta de conceder Independência ao Banco Central do Brasil (BCB), feito pelo presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL). Sem obscurecer sua inesquecível maior façanha, ele e aliados próximos (inclusive regionalmente), como José Sarney (PMDB-AP), Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da CCJ, e Eunício Oliveira (PMDB-CE), líder da bancada, estariam querendo pressionar o governo e o PT a apoiar candidaturas do PMDB a governador, em Estados nos quais os partidos estão em conflito.
Pelo substitutivo de Francisco Dornelles (PP-RJ), nomeado Ministro da Fazenda por seu tio Tancredo Neves, em 1985, a autonomia operacional do BCB ocorreria somente a partir de 2015, início do mandato do presidente a ser eleito em 2014. São duas as condições dessa autonomia operacional:
  1. concessão mandatos com duração determinada para o presidente e os diretores do BCB (seis anos), e
  2. determinação das metas de política monetária e cambial pelas autoridades políticas (Conselho Monetário Nacional).
Caberia ao BCB a atribuição de atingir essas metas e a competência para escolher os instrumentos para seu atingimento, esta última definida como autonomia de instrumentos. Exatamente por isso é equivocado! Os instrumentos de política econômica têm de ser coordenados com um propósito comum, preferencialmente, desenvolvimentista. A política monetária não pode “engessar” (sobredeterminar) os demais instrumentos!
A definição de Sistema Financeiro Nacional seria também alterada, enumerando-se os mercados que o compõem: financeiro, de capitais, de seguros, de capitalização e de previdência complementar (?!). A definição atual é um rol “vago, impreciso e incompleto”, segundo o relator, de instituições componentes. Curiosamente, a recente regulação do  mercado de cartões de pagamentos, finalmente atribuída ao BCB, não é nem citada…
Enfim, é um besteirol inconsequente! Pior, tentaram envolver na trama o Lula, supostamente pautado por Antonio Pallocci e Henriques Meirelles, sugerindo que seria uma “segunda edição da Carta aos Brasileiros”, para dar a confiança de O Mercado para a reeleição da Presidenta Dilma! Parece que minha ex-aluna estrilou, dando um “passa-fora moleques! Lula declarou, simplesmente, que se fosse para ser adotada a Independência do BCB, ele teria feito em seu governo…
De fato, ele manteve a “sabedoria histórica do jeitinho brasileiro”: “todas as vezes que houver no BCB uma direção monetarista, deve haver como contrapartida direção desenvolvimentista nos bancos públicos“. Esta experiência evitou, justamente, o controle monetário geral de caráter recessivo. No primeiro mandato do Governo Lula, continuou o pensamento neoliberal dominante no BCB, com um único instrumento – taxa de juros – e uma única meta – controle da inflação. Na prática, o stop-and-go não foi ainda mais longe devido às “barberagens” da condução dessa política contra o crescimento, em 2004 e 2008, e as reações desenvolvimentistas através dos bancos públicos.
Mas os seguidores do Pensamento Único, o tão aclamado mainstream, não desistem de impor à Nação o Controle Geral da Demanda Agregada através da famigerada Selic, colocada em “mãos confiáveis”, ou seja, nas dos devotos de seu credo.
Dada a oportunidade, vale lembrar algumas velhas observações, que publiquei em meu livro — Economia Monetária e Financeira: Uma Abordagem Pluralista — publicado em 1999.
O poder do Banco Central manipular O Mercado não é ilimitado. Nos extremos da escala, está circunscrito pelas forças fundamentais do custo do funding, do lucro, inclusive a produtividade, da arbitragem, dos fluxos e saldos cambiais, etc. Háfundamentos, entre outros, a paridade das taxa de juros, a paridade dos poder de compra, o nível de atividade econômica, que colocam limites aos movimentos das variáveis controladas pelo banco central.
Entre esses limites, no entanto, permanece certa área de indeterminação, devido à descoordenação do sistema, que provoca seu estado de incerteza. Os fatores especulativos erráticos, derivados do livre jogo das expectativas em curto prazo, dão margem para o Banco Central influir nas ditas expectativas incertas. A sinalização de preços básicos, para o mercado, permite alguma coordenação à medida que arrasta consigo a opinião do mercado e acaba influenciando, indiretamente, ospreços de mercado dos ativos financeiros.
Portanto, apresentar os limites da atuação do banco central é discutir sua capacidade de determinação de preços básicos, como juros e câmbio, e estoques nominais de moeda.
As funções de Banco Central  são:
  1. banco do governo: agente de financiamento do governo, o que coloca certo limite para a taxa de juros;
  2. banco dos bancos: emprestador em última instância, o que é fator expansionista do estoque nominal de moeda;
  3. banco fiscalizador: supervisor do cumprimento da regulamentação do sistema financeiro nacional, visando a estabilidade sistêmica;
  4. banco de câmbio: protetor dos valores de troca entre a moeda nacional e a moeda estrangeira, estabilizando (ou não) a taxa de câmbio;
  5. banco controlador da oferta de moeda interna e dos termos de financiamento: busca cumprir a meta da programação monetária.
Houve, ao longo do tempo, redefinição da função prioritária do Banco Central. Historicamente, predominou seu papel como banco do governo e banco dos bancos. Mas, na era keynesiana, cabia a ele fazer a política monetária acomodar-se à política fiscal, oferecendo maior liquidez e cobrando menores juros, para favorecer o crescimento econômico. Na era monetarista, cabia evitar a política discricionária de ativismo de demanda, seguindo determinada programação monetária. Finalmente, na era contemporânea, a prioridade deixa de ser atingir a meta monetária, para ser, diretamente, alcançar oobjetivo inflacionário prefixado. Dessa forma, subordina a política fiscal à menor expansão de liquidez e à maior taxa de juros, para combater a inflação.
Função prioritária do Banco Central:
Zelar pela confiança
no sistema financeiro?
Zelar pela confiança
no valor da moeda?
  • Em circunstâncias de crise sistêmica, predomina a função de emprestador em última instância.

  • Em condições normais, predomina a função decontrolador da inflação, embora devesse se preocupar também com o crescimento da renda e do emprego.
Polêmica contemporânea ocorre a respeito da tese em defesa de que o Banco Central deve ser independente para cumprir o objetivo em relação à inflação. Adversários dessa posição acham que quem deve definir o objetivo da política econômica não é o Banco Central, mas sim o governo eleito.
Os defensores da tese da independência advogam que o Banco Central deve ter autonomia operacional, ou seja, mandatos para seus diretores que os livrem de pressão política, para conseguirem executar sua tarefa com eficiência.
Na discussão sobre a independência do Banco Central, é comum, por uma lado, entre os políticos, encontrar a crítica à criação de um quarto poder moderador, não eleito, superposto ao executivo, legislativo e judiciário, consagrando o corporativismo de seus funcionários e arriscando a descoordenação entre os vários instrumentos de política econômica. Por outro lado, é comum achar, entre os economistas ortodoxos, a opinião de que essa independência é garantia de se obter taxa de inflação baixa.
Critérios formais da independência do banco central:
Independência orgânica:
Independência funcional:
Refere-se às relações institucionais entre o Estado e o Banco Central, nas condições tanto de nomeação dos dirigentes quanto de exercício de suas funções.Compreende a liberdade de ação do Banco Central, na definição de suas atribuições e objetivos em matéria de política econômica e em termos de obter autonomia financeira própria.
Devemos adotar certa metodologia, para fazer o balanço dos principais argumentos apresentados no debate. No plano da teoria monetária pura, é comum, entre os ortodoxos, partir-se da abstração do postulado da exogeneidade da oferta de moeda para a defesa da necessidade do Banco Central independente, incorrendo no “vício ricardiano” de ir, diretamente, dateoria pura para a ação política, sem nenhuma mediação.
No plano da teoria aplicada, a explicação da criação endógena da moeda incorpora as instituições e a experiência histórica ao esclarecimento do fenômeno tratado antes como puramente econômico. Historicamente, constata-se que nunca perdura a política de controle monetário quando esta provoca risco sistêmico. Neste caso, a política de apoio a substitui. Assim, Banco Central independente também não consegue controlar a quantidade de moeda em circulação efetiva. Esta depende das reações dos agentes econômicos, decidindo ativar a quase-moeda retida ociosamente ou fazer inovações financeiras fora do controle da autoridade monetária.
Cabe a crítica à mitologia do padrão-ouro, pois se não se subordina variáveis prioritárias socialmente, como o nível de renda e de emprego, a influência incontrolável como a disponibilidade de ouro, quanto mais a instituições controláveis, criadas pela ação política. Da mesma forma, merece reparo o mito do Bundesbank, pretensamente tido como o maior Banco Central independente e guardião da doutrina monetarista. Ele é, antes de tudo, pragmático: adota adaptabilidade para sua programação monetária, não seguindo inflexivelmente determinada regra.
Buscar evidências empíricas, calculando, por exemplo, “índices da Independência do Banco Central (IBC)”, não resolve a polêmica de maneira científica. Correlação não é causalidade:  as duas variáveis correlacionadas – o IBC e qualquer outro agregado macroeconômico – podem ser resultantes de terceiro fator, indicando espuriedade.
A questão da independência do Banco Central está mais afeita ao plano da ação da política econômica: não há limitação física, regulamentar ou institucional qualquer que, nas crises inflacionárias graves, coloque obstáculos à ação discricionária. Na realidade, o debate regra versus política discricionária é a respeito de quanto de autoridade deve ser delegada ao formulador de política monetária.
Nesse sentido, Milton Friedman afirma que “a proposta do Banco Central independente não é a proposta monetarista”. Isto é por que ele é contra o arbítrio colocado à disposição da diretoria de Banco Central independente. Os monetaristas reconhecem que o que acontece, nessa realidade, é a endogeneidade da oferta de moeda, devido à prática de fixação dos juros. No caso, o Banco Central pode tomar essa decisão de maneira independente sem, no entanto, atingir a meta monetária.
A experiência brasileira de estabilização inflacionária demonstra que ter Banco Central independente não é nem condição necessária nem suficiente, para combater a inflação. Para o sucesso dessa política, há sim necessidade de adotar política macroeconômica abrangente e coordenada, envolvendo política de abertura comercial, política fiscal, política de rendas, política cambial e política de juros, em condições internacionais propícias ao acúmulo de reservas internacionais e à sobrevalorização da taxa de câmbio.
A independência do Banco Central também não consegue controlar a endogeneidade da oferta de moeda, ou seja, a remonetização determinada pela nova demanda por moeda dos agentes econômicos nas condições de estabilidade inflacionária.
O verdadeiro objetivo dos defensores da independência ao Banco Central do Brasil, é traçar separação institucional ou legal entre:
  1. os que decidem sobre a emissão monetária;
  2. os que executam a decisão sobre o gasto público;
  3. os que decidem sobre os gastos públicos.
Como a reforma fiscal que aumentasse a progressividade da carga tributária e a reforma do mecanismo de financiamento do setor público implicaria em crowding out do setor privado, que os neoliberais brasileiros não aceitam, eles vendem a idéia, para a opinião pública, de que o Banco Central independente impediria o financiamento monetário dos gastos públicos, seja obrigando o governo a cortá-los, seja impedindo o aumento de impostos. Por esta última ser “medida impopular” (sic), conseguem convencer a muitos incautos.
Os cidadãos bem informados devem estar alertas para o risco da independência do Banco Central em relação ao governo levar a sua “privatização”, ou seja, à total subordinação aos interesses privados do mercado.
Post-scriptum:
Sempre acho graça nesse debate imaginando a seguinte situação: qual seria a reação dos economistas neoliberais se os desenvolvimentistas ganhassem mandato de seis anos no comando do Banco Central do Brasil?!
A própósito, leia Eduardo Campos (Valor, 31/10/13) informando sobre o pensamento de um atual Diretor do BCB. Pela primeira vez, desde a era neoliberal, a diretoria do BCB deixou de ser dominada por O Mercado e foi constituída por funcionários do próprio Banco Central.
“O diretor de Assuntos Internacionais e Regulação do Banco Central (BC), Luiz Awazu Pereira, propõe que países emergentes como o Brasil promovam mudanças nos seus regimes de metas de inflação para incorporar explicitamente preocupações com a estabilidade financeira, adotando um sistema que ele chama de regime de “metas integradas de inflação”. Com esse novo regime, além de buscar preços estáveis, o BC também inibiria a formação de bolhas financeiras.
A proposta faz parte de estudo de Awazu em coautoria com o economista Pierre-Richard Agénor, da Universidade de Manchester, publicado como texto para discussão na página do Banco Central (BC). O estudo não necessariamente reflete a visão do BCB.
O que Agénor e Awazu defendem é que os bancos centrais manipulem a taxa de juros não apenas de olho na inflação e na capacidade ociosa da economia, como ocorre hoje com o uso disseminado da chamada de regra de Taylor. Eles defendem uma versão ampliada da regra que inclua um parâmetro que capture o eventual crescimento excessivo do crédito. Há uma ressalva sobre essa variável crédito: ela funciona desde que o país não conviva com distorções causadas pelo crédito direcionado excessivo.
“Esse regime pode ser definido como um regime de metas flexível. Por esse regime, o mandato do Banco Central é explicitamente ampliado para incluir o objetivo de estabilidade financeira. A taxa de juros é determinada para responder diretamente a uma bem definida medida de crescimento excessivamente rápido do crédito. As políticas monetária e macroprudencial são calibradas em conjunto para a estabilidade macroeconômica [preços] e financeira“, diz o estudo.
Adicionalmente, defendem os autores, o BC também pode atuar no mercado de câmbio para mitigar o excesso de volatilidade e seu efeito adverso sobre os setores financeiro e real da economia.
Também é necessária uma sólida posição fiscal do país, que mantenha os prêmios de risco baixos e estáveis.
Desde a crise internacional, cujo marco foi a quebra do banco Lehman Brothers, economistas do mundo todo têm chegado à conclusão de que o sistema de metas de inflação puro, que visa a inflação baixa e constante, não tem sido suficiente para evitar períodos de instabilidade financeira. De forma crescente, especialistas defendem que os bancos centrais tenham como meta explícita a estabilidade financeira.
O consenso que vem se formando é que os bancos centrais usem mais de um instrumento de política monetária para atingir esse objetivo duplo. No caso, medidas macroprudenciais seriam usadas em conjunto com a taxa de juros paragarantir a estabilidade financeira e a variação dos preços sob controle.
Para os autores, o uso dessa “função reação” ampliada de política monetária pode ser benéfica para os países de renda média. Isso porque o BC terá a habilidade de estimar, monitorar, reagir e mitigar alguns catalisadores do mercado de crédito, que, quando deixados de lado, podem levar a um crescimento excessivo dos financiamentos e inflar o preço dos ativos financeiros.
Este não é o primeiro trabalho de Awazu que discute as implicações da crise sobre o Brasil e a política monetária de países emergentes. Um recente trabalho abordou como a política do Federal Reserve (Fed), banco central americano, resultou em ingresso de recursos no país. Awazu é o diretor que representa o presidente do BC, Alexandre Tombini, em fóruns internacionais, como G-20 e FMI, e também foi um dos diretores que votaram contra o aumento da Selic em abril, quando a taxa básica estava em 7,25% ao ano.
Para adotar essa regra de Taylor ampliada, o BC terá de escolher como calcular essa diferença entre o crescimento real e o crescimento potencial do mercado de crédito. Neste ponto, diz o trabalho, o BC tem de decidir qual será a medida de crédito a ser utilizada. Isso passa pela definição de uma variável de crédito real ou nominal e se será utilizada uma medida agregada ou um componente total, como o crédito privado, por exemplo.
Feito isso, há que se definir como o crescimento potencial do mercado de crédito será estimado. Esse potencial pode ser calculado utilizando parâmetros estatísticos e filtros. Mas dado que os países de renda média ainda passam por um processo de amadurecimento financeiro, a melhor saída, sugerem os autores, pode ser a busca de uma relação crédito sobre PIB de equilíbrio, que seria obtida relacionando fatores fundamentais da economia.
Os autores ponderam que, como esses países sofrem com um elevado grau de incerteza em estimar o PIB potencial em tempo real, esse “credit growth gap” pode produzir uma medida mais tempestiva e confiável sobre o excesso de demanda na economia.
Outro ponto que pode ser considerado na composição dessa função reação ampliada é alguma medida de volatilidade da taxa de câmbio, diz o estudo. Movimentos de fluxos de capital, bem como a determinação da taxa de juros, têm implicações sobre o câmbio e, consequentemente, sobre o mercado de crédito. Isso já foi testado aqui, quando o BC adotou medidas para limitar posições vendidas em câmbio que eram utilizadas pelos bancos como forma de se obter reais para irrigar o mercado de crédito.
Finalmente, e talvez o mais importante, na visão dos autores, é que o BC terá de lidar com os temas credibilidade e expectativas, e ambos podem ser afetados pela introdução da nova política.
“A introdução de uma ‘função reação’ modificada pode ter implicações para a credibilidade se seus objetivos não forem comunicados de forma adequada e bem compreendidos pelo público. Não dar a devida atenção para isso pode afetar as expectativas inflacionárias. Esse fato será de máxima importância para o BC que embarcar no regime de metas integradas de inflação”, concluem os autores, apontando que muitos países estão, implícita ou explicitamente, utilizando alguma forma do regime de metas integradas de inflação proposto quando enfrentam os desafios impostos pelo pós-crise.”
Questão-chave: o BCB controlaria as IFPF?! A política de estabilização submeteria a política de desenvolvimento socioeconômico?!
IFPF: Instituições Financeiras Públicas Federais

Chico Buarque e Maria Bethânia - Sem Fantasia


Amo Amo Amo...

Vinhos Italianos do Passado e do Presente

 Revista Junho 2013

A história dos vinhos na Itália remonta da Pré História; sementes de uvas e sedimentos de vinho foram encontrados em sítios arqueológicos datados de 1.200 a.C. Suas ilhas do sul e terras do norte, que na antiguidade clássica receberam visitas de tribos bárbaras e mercadores de todas as partes da Europa e África, absorveram influências culturais de cada um destes povos, mas são, sem dúvida, os romanos que arraigaram o valor do vinho no subconsciente coletivo do país.
Disse o poeta romano Horácio que “poema algum jamais foi escrito por um bebedor de água”, e, independentemente da verdade contida ou não nesta máxima, ela apenas comprova parte do valor que os romanos atribuíam a bebida, creditando ao vinho, inclusive, a qualidade de um presente dos deuses – mais especificamente um presente de Baco, ao qual festejos e celebrações eram dedicados, sempre regados a muito vinho.
A Itália era conhecida pelos gregos, na Antiguidade
como “Enotria:” Terra dos Vinhos.
baco
As inúmeras estátuas e pinturas de do deus Baco espalhadas pela Itália mostram a importância do vinho no Império Romano.
A influência dos romanos sobre a viticultura italiana se inicia com a expansão do Império para a ilhas da Sicilia e Sardenha. Enquanto outras partes do território que, no futuro viria a se transformar na famosa bota, recebiam influências vinícolas de gregos e etruscos, os romanos que se estabeleceram em territórios da Itália desenvolveram muitas das técnicas que são ainda usadas não apenas no país como também ao redor do mundo até os dias de hoje: maturação e envelhecimento, conservação em barris de carvalho e escolha de variedades cultivadas conforme o território em que melhor estas se desenvolviam, são parte do legado deixado pelo Império Romano a Itália, e repassada às demais regiões produtoras de vinho no mundo com o passar dos séculos.
Muito embora a queda do Império tenha desestruturado a cultura do vinho na Itália, ela jamais foi abandonada por completo. Com o alvorecer da Revolução Industrial, a partir do final do século XIX, a vinicultura da Itália passou a desenvolver novas técnicas, desenvolvendo suas castas locais e firmando sua identidade e reputação como dona de alguns dos melhores rótulos do planeta.
Sendo atualmente o maior exportador de vinhos mundial e o segundo país em maior produção, a Itália conta com uma diversidade de rótulos suficiente para entreter um grande apreciador por toda uma vida. São cerca de 18.000 nomes, quer produzidos por grandes ou pequenas vinícolas, cujas vinhas podem se originar tanto de terras nobres ou camponesas; praticamente não há lugar na Itália onde pelo menos uma plantação de videiras não possa ser encontrada.
mapa-italia
Praticamente todas as regões da Itália produzem vinho.
As principais regiões produtoras se dividem, em linhas gerais, em Norte, Centro e Sul. No norte, encontramos a região de Piemonte, com seus vinhos Barolo e Barbaresco, além de inúmeras vinhas dedicadas a produção de espumantes, vinhos tintos e em maior escala, vinhos brancos. A região central concentra a lendária Toscana e seu arredores, ainda hoje na linha de frente entre os vinhos de primeira grandeza italianos. Nas ilhas do sul, as já mencionadas Sicilia e Sardenha, mantendo viva a tradição mediterrânea de vinhos tintos mais potentes e alcoólicos, e também a de especialidades, como o fortificado Marsala.
Em cada uma das grandes regiões, inúmeras micro-regiões produzem seus vinhos a todo o vapor, protegendo seus nomes e marcas sob legislações de qualidade, necessárias em vista da quantidade enorme de produtores do país, que provavelmente alcança a casa dos milhões.
“Vino di Tavola” é como é chamado o vinho de mesa comum,
italiano. Outras denominações, tais como a IGT, DOC e DOCG, trazem vinhos de qualidades mais controladas, mediante legislação dos órgãos vinícolas.
Durante as décadas de 1980 e 1990, a Itália concentrou grande parte de suas energias na valorização das produções de Cabernet Sauvignon e Chardonnay, mas retorna agora ao passado, redescobrindo e explorando as possibilidades de uvas locais e autóctones, tais como a Barbera, a antiga Malvasia, a Montepulciano e a Nebiolo.
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Tradições antigas e modernidade se unem na vinicultura italiana de hoje.
A influência externa, trazida dos vizinhos franceses e também de outras regiões produtoras da Europa e do mundo continua, entretanto, a se fazer presente nas produções atuais, que ao do contrário do que se pode pensar, se configuram numa transformação positiva dos vinhos italianos, misturando as tradições antigas com a modernidade, na elaboração de uma identidade própria, cada vez mais características das terras prediletas de Baco.
https://www.clubedosvinhos.com.br/vinhos-italianos-do-passado-e-do-presente/