sexta-feira 23 2013

Pesquisa mostra rejeição a projeto

Por Clarissa Thomé / RIO, estadao.com.br
Dois em cada três entrevistados são contra a "importação" de médicos estrangeiros, aponta pesquisa do Instituto...



Dois em cada três entrevistados são contra a "importação" de médicos estrangeiros, aponta pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade Industrial (ICTQ), que faz estudos sobre o setor médico e farmacêutico. Três capitais do Nordeste estão entre as cinco com os maiores índices de entrevistados contrários ao programa do governo federal - justamente uma das regiões com maior carência de profissionais de saúde. Na outra ponta está Porto Alegre, onde 61% da população apoia a contratação de médicos estrangeiros.
Foram entrevistadas 2.650 pessoas de 15 capitais, mais o Distrito Federal, entre 5 e 10 de agosto. Em Aracaju, está a maior resistência à importação de médicos - 91% dos entrevistados. Em seguida estão Rio (87%), Curitiba (84%), João Pessoa (75%) e Maceió (72%).
"Já houve declarações de que as pessoas contrárias seriam as de classe social mais privilegiada. Mas a pesquisa mostra que é o oposto", afirmou a diretora de pesquisa e extensão do ICTQ, Thaís Bueno Oliveira. Segundo ela, os entrevistados demonstraram temores com as dificuldades com o idioma. "Observei que as pessoas falam coisas como 'se nem o médico brasileiro consegue diagnosticar, imagine o estrangeiro'."
Porto Alegre é a única capital em que a maioria apoia a contratação de estrangeiros. As menores resistências estão em Goiânia (47% aprovam a medida), Campo Grande (44%), São Paulo-SP (43%) e Manaus (40%).
Para o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Aloísio Tibiriçá Miranda, a pesquisa mostra que a qualificação dos médicos que serão trazidos do exterior também preocupa os pacientes. O Ministério da Saúde não comentou o resultado da pesquisa.

Doenças inflamatórias do intestino podem se tornar problema de saúde global

Intestino

Levantamento aponta crescimento nos casos da doença pelo mundo, que atinge mais homens e mulheres entre os 20 e 40 anos

A doença inflamatória intestinal, grupo de condições que reúne a colite ulcerativa e a doença de Crohn, causa dores abdominais, diarreias e até sangramento (Thinkstock)
A incidência e a prevalência da doença inflamatória intestinal (DII), grupo de condições que reúne a colite ulcerativa e a doença de Crohn, está em curva crescente em regiões diferentes do globo, emergindo como uma doença de preocupação global. O alerta acaba de ser feito por uma pesquisa publicada no Gastroenterology, o periódico médico oficial da Associação Americana de Gastroenterologia.

Saiba mais

Colite ulcerativa
A doença é uma inflamação do revestimento interno do cólon (intestino grosso) ou do reto. Os sintomas mais comuns são diarreia, cólicas abdominais e sangramento retal.
Doença de Crohn
A condição é um processo de inflamação e ulceração que ocorre nas camadas profundas da parede intestinal. Entre os principais sintomas estão dor no abdome (muitas vezes no lado inferior direito), diarreia, perda de peso e, ocasionalmente, sangramento.
Os dados epidemiológicos da doença inflamatória intestinal coletados entre a população de países em desenvolvimento são esparsos. Para interpretar apropriadamente os dados de incidência (pessoas que se tornaram doentes) ou prevalência (já estavam doentes), os pesquisadores fizeram uma revisão sistemática de estudos anteriores que descreviam a incidência ou prevalência da doença. Eles descobriram, então, que a incidência de DII está crescendo ou permanece estável em virtualmente todas as regiões do mundo estudadas.
A prevalência mais alta de DII foi relatada no Canadá e na Europa, enquanto a Ásia tinha a menor taxa. Em países em desenvolvimento, a DII era praticamente rara, mas, conforme essas nações foram se tornando mais industrializadas, a incidência também foi aumentando. Diferenças de gênero foram inconsistentes, sugerindo que a doença ocorre igualmente entre homens e mulheres.
Universalmente, os índices de incidência tanto para a doença de Crohn quanto para a colite ulcerativa foram mais elevados entre indivíduos que tinham entre 20 e 40 anos. Assim, a DII afeta as pessoas em seu período mais saudável e produtivo da vida, resultando em custos de longo prazo ao paciente, sistema de saúde e sociedade.
“A compreensão da epidemiologia mundial da doença inflamatória intestinal é importante para a identificação dos padrões geográficos e de tendências temporais”, diz Gilaad G. Kaplan, da Universidade de Calgary, no Canadá, e coordenador do levantamento. “Nossas descobertas irão ajudar pesquisadores a estimar o impacto da doença na saúde pública, para que recursos apropriados sejam alocados e pesquisas sejam conduzidas em regiões específicas”, diz Kaplan.

Novo medicamento se mostra eficaz para tratar doenças inflamatórias intestinais

Tratamento

Dois estudos concluíram que nova droga pode ajudar pacientes com doença de Crohn ou colite ulcerativa que não responderam às terapias convencionais

Apendicite: a condição é causada pela inflamação da bolsa em forma de verme que sai da primeira porção do intestino grosso (à esq.)
Doença inflamatória intestinal: Laboratório japonês desenvolveu nova droga que pode ajudar a tratar doença de Crohn e colite ulcerativa (Thinkstock)
Os resultados finais de dois testes clínicos envolvendo um novo medicamento mostraram que ele é eficaz em tratar a doença de Crohn e a colite ulcerativa, as duas principais formas de doenças inflamatórias intestinais. De acordo com os estudos, o tratamento pode ajudar pacientes que não responderam às terapias convencionais sem oferecer efeitos adversos graves. As pesquisas foram publicadas nesta quarta-feira na revista The New England Journal of Medicine.
A doença de Crohn e a colite ulcerativa se caracterizam por um quadro crônico de inflamação no intestino. As causas dessas duas condições, porém, ainda são desconhecidas. Sabe-se que as células do sistema imunológico presentes no intestino de pacientes com esses problemas liberam citocinas, um tipo de proteína responsável por desencadear a inflamação, causando danos nos tecidos dos intestinos grosso e delgado e provocando diarreia.

Saiba mais

COLITE ULCERATIVA
A doença é uma inflamação do revestimento interno do cólon (intestino grosso) ou do reto. Os sintomas mais comuns são diarreia, cólicas abdominais e sangramento retal.
DOENÇA DE CROHN
A condição é um processo de inflamação e ulceração que ocorre nas camadas profundas da parede intestinal. Entre os principais sintomas estão dor no abdome (muitas vezes no lado inferior direito), diarreia, perda de peso e, ocasionalmente, sangramento.
A terapia testada nos dois estudos envolve o vedolizumab, uma molécula desenvolvida pelo laboratório japonês Takeda. A substância, administrada via intravenosa, age atacando justamente essas células do sistema imunológico do intestino. 
As duas pesquisas avaliaram a eficácia do medicamento no tratamento de cada uma dessas duas doenças. Juntos, os estudos envolveram cerca de 3.000 pessoas de 39 países diferentes com idades entre 18 e 80 anos. Parte delas sofria de doença de Crohn e o restante, colite ulcerativa.
Segundo os responsáveis pelos estudos, o tratamento é direcionado, não afetando outras regiões do corpo, o que limita o risco de efeitos adversos mais graves. As terapias convencionais frequentemente provocam perda de peso, náuseas ou dores de cabeça, além de enfraquecerem o sistema imunológico do paciente, aumentando a exposição a infecções. 
“Os dois estudos mostraram resultados altamente encorajadores para pacientes que sofrem de doença de Crohn ou de colite ulcerativa moderadas ou graves que não responderam a tratamentos convencionais, como esteroides e drogas imunossupressoras, por exemplo”, diz William Sandborn, diretor do Centro de Doenças Inflamatórias Intestinais da Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos, que coordenou uma das pesquisas. “Essas novas descobertas potencialmente vão levar a um novo tratamento que melhorará a qualidade de vida dos pacientes.”
O laboratório Takeda informou que vai submeter a droga à aprovação do Food and Drug Administration (FDA) e da European Medicines Agency (EMA), agências reguladoras dos Estados Unidos e da Europa, respectivamente. Por enquanto, ela não está disponível para uso clínico.
(Com agência France-Presse)

Trailer de 'A Menina que Roubava Livros' ressalta o drama de judeu escondido do nazismo

Cinema


Cena do filme 'A Menina que Roubava Livros'
Cena do filme 'A Menina que Roubava Livros' (Divulgação)
A adaptação cinematográfica do best-seller A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak, ganhou o seu primeiro trailer. Ambientada na II Guerra Mundial, a história gira em torno do drama da garota Liesel Meminger (Sophie Nélisse). Ela é enviada pela mãe, perseguida pelo nazismo, para o subúrbio pobre de uma cidade próxima a Munique, onde passa a viver com pais adotivos, Hans e Rosa Hubermann.
Pelo trailer, o filme parece focado na relação de Liesel com o judeu que vive escondido na casa da família Hubermann, outra potencial vítima do nazismo, e com o pai adotivo, que se dá ao trabalho de alfabetizá-la. A proximidade da menina com os dois a estimula a ler e a furtar livros, em uma época em que obras consideradas contrárias aos ideais do regime de Hitler eram queimadas.
Dirigido por Brian Percival, A Menina que Roubava Livros conta com Geoffrey Rush (O Discurso do Rei) e Emily Watson (Ondas do Destino) no papel dos pais adotivos de Liesel. O longa tem estreia prevista para 15 de novembro nos Estados Unidos e chega ao Brasil apenas no ano que vem, em 31 de janeiro. 





ANS diz que operadoras tentavam driblar monitoramento

Saúde suplementar

Afirmação do presidente da agência é uma resposta à liminar que suspendeu a decisão da ANS de proibir temporariamente as vendas de 246 planos de saúde

dinheiro estetoscópio
Saúde suplementar: Segundo ANS, planos que tiveram as vendas suspensas recebem 75% mais reclamações do que as operadoras com o mesmo porte (Thinkstock)
O diretor presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), André Longo, disse nesta quarta-feira que as 26 operadoras que tiveram a comercialização de 246 planos suspensos são reincidentes em número de reclamações e algumas delas vinham tentando driblar o monitoramento da agência. A proibição de vender novos planos passaria a valer na sexta-feira, mas uma liminar concedida à Federação Nacional de Saúde (FenaSaúde), que representa as maiores operadoras, suspendeu a decisão da agência. A ANS vai recorrer.
"A situação dessas 26 operadoras e desses 246 planos com comercialização suspensa se deve à reincidência de comportamento inadequado. Elas estão numa faixa 75% maior do número de reclamações procedentes do que as operadoras com o mesmo porte", afirmou Longo. A decisão judicial vale para as associadas da FenaSaúde, que teriam planos com vendas suspensas: Amil, Amico, Sul America e Excelsior Med.
"A FenaSaúde representa os maiores grupos do setor. O fato de grandes operadoras e a maior operadora no Brasil estarem envolvidas pode ter levado a FenaSaúde a tomar essa atitude. Nós respeitamos, mas lamentamos."
A ANS divulga os resultados do monitoramento dos planos de saúde a cada três meses. Até o ano passado, só se levava em conta o prazo para atendimento de procedimentos, como consultas, exames, cirurgias. Este ano entraram outros fatores, como negativa de cobertura. A mudança ocorreu porque a agência percebeu que operadoras tentavam driblar o monitoramento. Nesta terça-feira, a agência anunciou a suspensão das vendas de 212 planos de saúde de 21 operadoras, totalizando 246 planos de 26 empresas suspensos no momento.
A FenaSaúde questionou os critérios e as metodologias adotados pela ANS. Para a federação, os parâmetros devem ser "transparentes" e "o processo adotado pela agência fere o princípio da ampla defesa". "A ANS já promoveu alterações no monitoramento das operadoras por duas vezes, sem considerar as contribuições da federação. Ainda assim, a agência continua a aplicar sanções, aumentando a insegurança e a instabilidade no setor".
(Estadão Conteúdo)

Quatro perguntas para Mônica Veloso, jornalista, mãe de uma filha do senador Renan Calheiros

Por Andreza Matais e Fábio Fabrini, estadao.com.br
1. O senador Renan Calheiros tem recursos para comprar uma mansão de R$ 2 milhões? Eu já vi esse filme. Eu acho...



1. O senador Renan Calheiros tem recursos para comprar uma mansão de R$ 2 milhões?
Eu já vi esse filme. Eu acho que, provavelmente, talvez ele esteja repetindo porque o cara é empreiteiro, né?
2. A senhora acha que esse dinheiro veio de onde?
Não sei de onde vem o dinheiro dele e isso pouquíssimo me interessa. Eu não tenho noção nenhuma sobre os ganhos. Me interessa, se existe rendimento muito superior, que ele faça jus e pague à filha dele o valor que for correto pela Justiça.
3. Quanto sua filha recebe de pensão?
A pensão da Maria Catarina é R$ 6.800 brutos. Ela não teve nenhuma diferença de pensão após ele assumir a presidência da Casa. Eu tenho um processo na Justiça que é referente a 13.º, 14.º, 15.º (salários) e férias. Eu jamais recebi sobre esses pagamentos ou sobre hora extra. Ela não tem nenhum privilégio por ser filha do presidente da Casa.
4. Ele, agora, diz que tem renda de R$ 51,7 mil...
Não sei de onde vem. Fui muito exposta, talvez, por ter me envolvido com a pessoa errada.

ANÁLISE: Os necessários embargos declaratórios

Por Dimitri Dimoulis, professor de Direito Constitucional, estadao.com.br
Prevaleceram ontem as decisões unânimes. À exceção do debate que encerrou a sessão (sobre a pena de Marcos Valério),...



Prevaleceram ontem as decisões unânimes. À exceção do debate que encerrou a sessão (sobre a pena de Marcos Valério), não houve controvérsias relevantes. Uma vez que o STF rejeitou quase todos os embargos declaratórios, alguém poderia pensar que foi uma sessão sem interesse, um ritual repetitivo sem resultado.
Na verdade, foi nessa sessão que se confirmou a relevância dos embargos declaratórios. Não são inúteis como muitos diziam, pensando que nenhum juiz mudaria sua posição meses após o primeiro julgamento. Acompanhado dos demais ministros, o relator corrigiu sua decisão sobre algumas condenações. Na prática, isso determinou redução de penas de prisão e pecuniárias e permitiu que alguns ministros corrigissem suas interpretações jurídicas.
Isso é relevante para os réus cujas reclamações foram atendidas. Mostra também que os embargos declaratórios, apesar de terem objeto restrito, permitem corrigir erros de cálculo ou de interpretação. Por isso podem satisfazer a necessidade de revisão de qualquer decisão judicial em um Estado de Direito. O debate aberto no recurso de Valério aponta no mesmo sentido (ainda que pendente de decisão).
Essa sessão confirmou também que os ministros, apesar das divergências, concordam em muitos pontos, confirmando a possibilidade de termos decisões com base em critérios objetivos e técnicos.
Outro elemento relevante foi a celeridade. Se em quatro horas podem ser julgados embargos declaratórios sobre condenações de milhares de páginas, isso mostra que os embargos não são "protelatórios" ou "procrastinatórios". São recursos legítimos, que merecem resposta judicial célere e adequada. Se o julgamento demora, é devido à sobrecarga processual do STF, um problema que não deveria prejudicar os direitos dos réus.