sexta-feira 16 2013

'Queria falar da perda', diz Bruno Barreto de 'Flores Raras'

Cinema

Diretor se interessou pelo projeto de filmar a relação de amor entre a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires) e a poeta americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto) depois de se divorciar da mulher, a atriz Amy Irving

Mariane Morisawa, de Berlim
'Flores Raras', de Bruno Barreto, tem Glória Pires no elenco. O filme está na seção Panorama, a principal mostra paralela da Berlinale
'Flores Raras', de Bruno Barreto, tem Glória Pires no elenco. O filme está na seção Panorama, a principal mostra paralela da Berlinale (Divulgação)
"Queria emocionar de uma maneira não manipuladora. Foi o filme em que tive mais dificuldade de encontrar o tom, embora seja o meu 19º. Isso é que é interessante, a gente sempre está aprendendo"
Bruno Barreto não lançava um longa-metragem no cinema desde 2008, quando estreou Última Parada 174.Você Nunca Disse Eu te Amo, que se chamava Flores Raras antes do 63º Festival de Berlim e volta agora a usar o primeiro nome, conta a história de amor entre a poeta americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto) e a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires). O filme foi bem recebido na sessão oficial na mostra Panorama, circuito não competitivo da Berlinale, o que deixou Barreto animado. O diretor estava empolgado quando falou ao site de VEJA, na última segunda-feira:
O que a exibição no Festival de Berlim representa para a carreira do filme? É a melhor coisa que poderia acontecer, porque o longa foi feito para o mundo. É legal o filme ficar pronto e você exibir em outro país. A sessão de gala foi muito legal. Nunca na minha carreira tive um momento tão... Eu não contei, mas, brincando, foram oito minutos de aplausos. Tive de falar "obrigado" umas quatro vezes para eles pararem. Aí, pude agradecer e pedir desculpas pelas logomarcas do início do filme (dos produtores e patrocinadores, que fizeram o público rir). Disse: "Desculpe, mas sem eles nós não estaríamos aqui". Foi uma complicação para conseguir patrocínio, porque a gente acha que o Brasil é liberal e não é. O Brasil é conservador.
Esse projeto começou anos atrás, quando a sua mãe, Lucy, comprou os direitos do livro Flores Raras e Banalíssimas, de Carmem Lúcia de Oliveira. Mas como você se interessou pela história? Minha mãe comprou os direitos em meados da década de 1990 e propôs o filme a mim e ao Hector Babenco. Mas nenhum dos dois se interessou na época, eu nem li o livro. Em 2004, minha ex-mulher (a atriz Amy Irving), fez Um Porto para Elizabeth Bishop, monólogo da Marta Góes, nos Estados Unidos. Comecei a achar interessante, fiquei ruminando aquela ideia. Não sabia ainda para que contar a história. Em 2008, depois de Última Parada 174 e de ter me divorciado da Amy – nada acontece por acaso –, vi que queria contar a história porque falava da perda. Não é uma biografia. Lota e Elizabeth são personagens dessa história de amor. Uma história em que a forte fica fraca porque não sabe lidar com a perda, e a fraca, perdedora, vai ficando forte porque lida melhor com isso. Grandes momentos de suas vidas ocorrem quando elas estão juntas. Elizabeth ganha o Pulitzer, desabrocha como escritora, porque teve estabilidade emocional e material. Não é por causa do Brasil. E a Lota tem a ideia do parque do Flamengo (talvez a sua maior obra).
 Você chegou a pensar em fazer com a Amy? Inicialmente, sim. Não depois que achei o ângulo da história, mas quando a gente ainda estava casado, e eu comecei a me interessar pelo projeto.

E como foi escolher o elenco? A Glória já estava selecionada para fazer. Eu podia mudar a atriz, mas acho que não tinha ninguém melhor que ela. Além de tudo, eu nunca havia trabalhado com a Glória. A única vez em que escrevi uma carta como fã foi para ela, quando fez A Partilha. Ela fez tão bem aquela cena em que aparecia bêbada... Ela ainda falava bem inglês e tal. E, depois que ela fez os dois Se Eu Fosse Você, eu falava brincando que o laboratório para a o filme estava feito.

Como foi a procura pela atriz que faria a Elizabeth Bishop? Por questões de mercado, em princípio era uma coprodução internacional, quiseram que buscássemos nomes maiores. E apareceram duas ou três atrizes desse porte interessadas em fazer o filme, mas aí aconteceu um problema de agenda. O dinheiro saiu em fevereiro de 2012 e eu tinha de rodar tudo até o começo de agosto, quando a Glória ia começar a fazer a novela Guerra dos Sexos. Com os dois meses de preparação necessários, só restava filmar em maio e junho ou junho e julho. Para a atriz que faria a Elizabeth, o fato de ser uma personagem gay não era a dificuldade. O complicado era vir ao Brasil com armas e bagagens. O homem viaja e não precisa levar a família toda, a mulher quando viaja precisa levar todo mundo. Então, esse era o problema. E eu não podia achar outra Lota. Assim acabei ficando com a Miranda para o papel da Bishop.

Como foi encontrar o tom delicado do filme? Foi o aspecto mais difícil. Eu não queria cair na chamada rede de segurança do minimalismo – quando, na dúvida, menos é mais. E, claro, não podia chegar no excesso. Queria contar essa história com toda a sua complexidade, todas as suas nuances. Ao mesmo tempo, queria contar com emoção, não queria fazer um filme intelectual. Foi difícil. Na coisa sexual, eu disse que não queria ser sensacionalista, queria tratar da relação com a maior espontaneidade, mas também não queria ser pudico, como se estivesse evitando o assunto. Era uma relação homossexual, e isso tem um peso na história e na época.

É difícil fazer cenas de poesia, porque podem ficar chatas e cafonas. Como foi o trabalho com a Miranda? Tive uma preocupação grande com essas cenas. Mas teve um elemento da realidade que ajudou muito: a Bishop gostava de ouvir o poema ao escrever. Ela lia alto. Então, isso facilitou. Mas procurei manter ao mínimo, porque o filme não é sobre isso, não é sobre o processo criativo dela. A minha maior preocupação era a emoção, porque se não emocionasse não funcionaria. E queria emocionar de uma maneira não manipuladora. Foi o filme em que tive mais dificuldade de encontrar o tom, embora seja o meu 19º. Isso que é interessante, a gente sempre está aprendendo.

Alguns brasileiros disseram que a Glória foi corajosa. Em 2013, é preciso ter coragem para fazer cenas de beijo com outra mulher? Precisa. E ela é corajosa. Fizemos uma projeção-teste em novembro, até para ajudar a encontrar esse tom. E os espectadores ficaram chocados. No primeiro beijo, teve um: “Opa!”. Isso vai ser um elemento que vai atrair gente e que vai também espantar.

Elizabeth Bishop, a poetisa americana que adotou o Brasil


Meire Kusumoto
Quando o nascimento da poetisa americana Elizabeth Bishop (1911-79) completou 100 anos, em fevereiro de 2011, as comemorações no Brasil foram tímidas, sem grandes eventos ou relançamentos. Uma injustiça com um dos maiores nomes da poesia americana do século XX, que viveu por cerca de 20 anos, entre idas e vindas, em terras brasileiras, de onde saiu boa parte de sua produção. Uma injustiça que o filme Flores Raras, do cineasta Bruno Barreto, que entra em cartaz nesta sexta-feira, ajuda a desfazer.
Foi no Brasil que Elizabeth viveu dois momentos cruciais, costumeiramente os mais lembrados quando se trata da biografia da poetisa: o anúncio de que ela tinha ganhado o Prêmio Pulitzer, em 1956, e o seu intenso relacionamento amoroso com a arquiteta carioca, embora nascida em Paris, Lota de Macedo Soares (1910-67), entre 1951 e 1967, quando Lota cometeu suicídio. O romance deu origem ao livro Flores Raras e Banalíssimas (Rocco, 248 páginas, 34,50 reais), da escritora Carmen Oliveira, que acaba de ganhar nova edição de carona no filme de Barreto, ao qual serviu de base.
Biografia - Quando embarcou no navio SS Bow Plate em Nova York rumo ao Brasil, em 1951, Elizabeth Bishop tinha 40 anos e planos de viajar pela América do Sul em busca de um sentido para a vida, até então marcada por perdas. Seu pai, William Thomas Bishop, morreu de insuficiência renal crônica quando ela tinha apenas oito meses e, a mãe, Gertrude, abalada, foi aos poucos perdendo o equilíbrio mental. Em 1915, mãe e filha se mudaram para Nova Escócia, no Canadá, onde residia a família de Gertrude e onde ela se internou no ano seguinte em uma clínica psiquiátrica. Elizabeth nunca mais veria a mãe, que em 18 anos morreria no mesmo hospital.
Sem os pais, a futura poetisa ficou sob os cuidados dos avós maternos até 1917, quando foi assumida pelos paternos e levada de volta para a sua cidade natal, Worcester, em Massachusetts. Ainda que tivesse conforto no lar dos abastados Bishop, Elizabeth se sentia só e abandonada, situação que piorou quando desenvolveu asma e uma série de alergias, que a impediram de frequentar a escola regular. A solidão era um mal que ela custou a superar: em 1948, escreveria para o amigo e poeta Robert Lowell, dizendo que era a pessoa mais solitária que já havia existido. Ao chegar ao Brasil, contudo, se sentiria em casa.
No ano seguinte, foi morar com uma tia e seu marido, Maude e George Shepherdson, que eram pagos para cuidar da menina, mas davam afeto e a deixavam visitar a família nas férias. Educada em casa, Elizabeth teve professores particulares e amplo acesso à biblioteca da tia, onde havia volumes de poetas como Robert Browning, Alfred Tennyson e Henry David Thoreau. Ela chegou a frequentar a escola por um ano, entre 1926 e 27, mas a sua educação formal só começou de fato em 1928, quando foi enviada para um internato na cidade de Natick. Em 1930, ela iniciou o ensino superior na Vassar College, em Poughkeepsie, estado de Nova York, onde se formou em Literatura Inglesa. Sem necessidade de trabalhar graças à herança que o pai, dono de uma construtora, havia deixado, após a formatura se dedicou a viajar e a escrever o primeiro livro,Norte e Sul, publicado em 1946, poucos anos antes de deixar os Estados Unidos.

Atividade física não ajuda a combater insônia de forma imediata

Sono

Segundo nova pesquisa, exercícios ajudam a melhorar a qualidade do sono somente se forem feitos de forma regular e a longo prazo

Insônia e apneia do sono
Insônia: Atividade física ajuda a melhorar a qualidade do sono, mas o efeito é obtido somente a longo prazo (Thinkstock)
Embora a atividade física seja recomendada para pessoas que sofrem de insônia, o vínculo entre exercícios e uma boa noite de sono só é estabelecido longo prazo - e com a prática regular da atividade. É o que indica estudo publicado nesta quinta-feira no periódico Journal of Clinical Sleep Medicine. Ainda segundo o estudo, não só o exercício interfere no sono, como o sono afeta a atividade física.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Exercise to Improve Sleep in Insomnia: Exploration of the Bidirectional Effects​

Onde foi divulgada: periódico Journal of Clinical Sleep Medicine​

Quem fez: Kelly Baron, Kathryn Reid e Phyllis Zee

Instituição: Universidade Northwestern, Estados Unidos

Dados de amostragem: 11 mulheres com idade média de 61 anos que sofriam de insônia

Resultado: A prática de 30 minutos de atividade aeróbica não melhorou o sono no mesmo dia do exercício. Porém, fazer esse exercício três vezes por semana e durante quatro meses surtiu efeitos positivos sobre o sono das participantes
“Dormir mal não altera a capacidade aeróbica de uma pessoa, mas muda a sua percepção de esforço. Ou seja, ela se sente mais exausta”, diz Kelly Baron, diretora do programa de comportamento do sono da Universidade Northwestern, Estados Unidos, e coordenadora da pesquisa.
De acordo com Baron, ela iniciou o estudo depois de ouvir de seus pacientes que a atividade física recomendada para tratar a insônia não surtiu efeitos imediatos. “Existe o conceito de que exercícios melhoram o sono, mas eu pensei que provavelmente isso não fosse tão simples para pessoas com insônia”, disse a pesquisadora em comunicado divulgado pela universidade.
O estudo foi feito com 11 mulheres com uma média de 61 anos e que sofriam de insônia. Elas foram orientadas a praticar 30 minutos de exercícios aeróbicos diários, três vezes por semana, durante quatro meses.

Efeito a longo prazo — Segundo os resultados, a prática de determinado exercício físico não melhorou o sono dessas mulheresno curto prazo. No entanto, depois desses quatro meses, as participantes relataram uma melhora no tempo de duração do sono a cada noite e também na avaliação que faziam sobre a qualidade do próprio sono.
“Pacientes com insônia têm um nível elevado de atividade cerebral. Leva-se um tempo para que esses níveis voltem ao normal de uma maneira que facilite o sono”, diz Phyllis Zee, coautor do estudo. Segundo o pesquisador, é importante saber que os exercícios físicos ajudam a resolver, embora somente a longo prazo, a insônia — mesmo em mulheres acima dos 60 anos. Isso porque muitos medicamentos usados para tratar o problema acabam prejudicando habilidades como a memória em pessoas dessa idade.
Os pesquisadores acreditam que esses resultados também sejam válidos para homens, uma vez que não há evidências de que existam diferenças significativas no tratamento de insônia entre os gêneros. “Os indivíduos precisam entender que precisam se exercitar e persistir nessas atividades para melhorar o sono”, diz Baron.

Justiça proíbe prazo de validade para créditos pré-pagos

Telefonia móvel

Decisão é válida para todo o território nacional, mas empresas podem recorrer

Nono dígito: números Vivo, Claro, Oi e TIM sofrem alteração
Tribunal determinou multa diária de R$ 50 mil para as operadoras que descumprirem a norma (Thinkstock)
A Justiça proibiu nesta quinta-feira que as operadoras de telefonia móvel estabeleçam prazo de validade para créditos de celulares pré-pagos. A decisão, unânime, foi tomada pela 5.ª Turma do TRF da 1.ª Região e é válida para todo o território nacional. As empresas de telefonia móvel ainda podem recorrer.

O processo teve início em uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a Anatel e as operadoras Vivo, Oi, Amazônia Celular e Tim. O MPF busca invalidar os contratos de telefonia móvel que preveem a perda de créditos pré-pagos após um determinado período de tempo ou que condicionam a continuidade do serviço à aquisição de novos créditos. Para o Ministério Público, essas cláusulas são abusivas e "manifestam afronta ao direito de propriedade e caracterização de enriquecimento ilícito por parte das operadoras".

Multa - A decisão desta quinta resulta da apreciação de um recurso do MPF contra uma sentença da 5.ª Vara Federal do Pará que não considerava irregular o prazo de validade para créditos pré-pagos. Para o relator do processo, o desembargador Souza Prudente, o estabelecimento de prazos de validade para os créditos pré-pagos de celular caracterizam um "confisco antecipado dos valores pagos pelo serviço público de telefonia". O magistrado frisou também que essa prática esbarra no Código de Defesa do Consumidor. Agora, as operadoras terão 30 dias para reativar o serviço de usuários que tiveram a conta interrompida e restituir o saldo existente à época da suspensão. O tribunal prevê ainda uma multa de 50 mil reais por dia para o não cumprimento da decisão.

Histórico – Uma resolução de 2007 da Anatel sobre o assunto estabelecia que os créditos pré-pagos poderiam estar sujeitos a prazo de validade desde que a prestadora oferecesse, no mínimo, opções de 90 a 180 dias de duração. No caso da inserção de novos créditos antes do período previsto para a rescisão do contrato, os créditos não utilizados seriam revalidados pelo mesmo prazo dos novos créditos adquiridos.

(Com Estadão Conteúdo)

Inalador de insulina pode substituir injeções a partir de 2014

Diabetes

Produto deve chegar ao mercado americano no 2º trimestre do ano que vem

O "Dreamboat", inalador desenvolvido pela Mannkind
O "Dreamboat", inalador desenvolvido pela Mannkind (Divulgação/Mannkind Corporation)
Nesta quarta-feira, a empresa farmacêutica americana Mannkind deu uma boa notícia aos diabéticos: seu inalador de insulina, o Afrezza, pode passar a ser comercializado nos Estados Unidos no segundo trimestre de 2014. Segundo os fabricantes, os testes realizados até agora com o medicamento apresentaram resultados positivos e, para o Afrezza chegar ao mercado americano, falta apenas a aprovação da FDA (agência que controla remédios e alimentos nos EUA), que deverá ser anunciada entre abril e junho de 2014.   

Saiba mais

DIABETES TIPO 1
Neste tipo da doença, a produção de insulina no pâncreas é insuficiente . Os pacientes precisam, então, de doses extras diárias (injeções) de insulina para conseguir manter a glicose em níveis normais. A doença é mais comum em crianças, adolescentes e jovens adultos. O aumento da doença pode ser explicado por sua etiologia multifatorial: ela pode ser desencadeada por infecções virais e aumento de peso, por exemplo.
DIABETES TIPO 2
Enquanto a diabetes tipo 1 ocorre pela falta da produção de insulina, na do tipo 2 a insulina continua a ser produzida normalmente, mas o organismo desenvolve resistência ao hormônio. É causada por uma mistura de fatores genéticos e pelo estilo de vida: 80% a 90% das pessoas que têm o tipo 2 da diabetes são obesas.
O objetivo do Afrezza é substituir as canetas injetoras de insulina usadas pelos diabéticos para regular os níveis do hormônio no organismo — a expectativa dos fabricantes é que os portadores da doença prefiram inalar a substância a aplicar injeções. 
De acordo com as orientações da Mannkind, o Afrezza deve ser inalado por meio do "Dreamboat", um pequeno inalador desenvolvido pela empresa, de 12 a 14 minutos antes das refeições, para que a insulina atinja seus níveis de pico no organismo e, assim, se iguale à liberação do hormônio que acontece em indivíduos não diabéticos durante as refeições. A Mannkind também afirma que o produto será capaz de ajudar portadores dos diabetes tipo 1 e 2. 
Preço — Outra empresa farmacêutica, a Pfizer, já havia elaborado e comercializado um produto semelhante ao Afrezza, o Exubera. Com a mesma proposta de oferecer um tipo de insulina que pudesse ser inalada em vez de aplicada, a Pfizer retirou o medicamento de circulação mundial em 2007, dois anos após seu lançamento, por falta de aceitação do público. No Brasil, o Exubera foi comercializado por menos de um ano: chegou às prateleiras apenas em maio de 2007. 
Segundo informações da Bloomberg Businessweek, as razões que levaram a essa falta de aceitação foram o alto preço cobrado pelo medicamento, se comparado ao das tradicionais canetas injetoras de insulina, além da falta de praticidade do produto, que não podia ser usado de forma discreta por conta de seu tamanho, igual ao de um tubo de bolas de tênis. O medicamento produzido pela Mannkind, porém, deve chegar ao mercado americano custando o mesmo preço que as injeções — aproximadamente 2 000 dólares anuais — e em um tamanho menor, cabendo na palma da mão. 

Estudo identifica mutações que dão origem a câncer


Pesquisa pode ajudar a desenvolver novos tratamentos contra o câncer.
Pesquisa pode ajudar a desenvolver novos tratamentos contra o câncer.
Cientistas anunciaram o que dizem ser um novo marco na pesquisa do câncer, após identificarem 21 mutações que estariam por trás da maioria dos tumores.
O estudo, que foi divulgado na revista Nature, afirma que estas modificações do código genético são responsáveis por 97% dos 30 tipos mais comuns de câncer.
Descobrir o que causa as mutações pode levar à criação de novos tratamentos.
Algumas dessas causas, como o hábito de fumar, já são conhecidas, mas mais da metade delas ainda são um mistério.
Durante o período de uma vida, células desenvolvem uma série de mutações que podem vir a transformá-las em tumores letais que crescem incontrolavelmente.

Origens do câncer

A equipe internacional de pesquisadores estava procurando as causas das mutações como parte da maior análise já feita sobre o genoma do câncer.
As causas mais conhecidas de mudanças no DNA, como a superexposição aos raios UV e o hábito de fumar, aumentam as chances de desenvolver a doença.
Mas cada uma delas deixa também uma marca única ─ um a espécie de assinatura ─ que mostra se foi o fumo ou a radiação UV, por exemplo, o responsável pela mutação.
Os pesquisadores, liderados pelo Instituto Sanger, do Reino Unido, procuraram por mais exemplos destas “assinaturas” em 7.042 amostras tiradas dos 30 tipos mais comuns de câncer.
Eles descobriram que 21 marcas diferentes eram responsáveis por 97% das mutações que causavam os tumores.
“Estou muito animado. Esses padrões, essas assinaturas, estão escondidos no genoma do câncer e nos dizem o que está realmente causando o câncer em primeiro lugar ─ é uma compreensão muito importante”, disse Sir Mike Stratton, diretor do Instituto Sanger, à BBC.
“É uma conquista significativa para a pesquisa sobre câncer, é bastante profundo. Está nos levando a áreas do desconhecido que não sabíamos que existiam. Acho que este é um grande marco.”

Mistérios

Outras marcas encontradas no genoma do câncer estavam relacionadas com o processo de envelhecimento e com o sistema imunológico do corpo.
As células respondem a infecções virais ativando uma classe se enzimas que modificam os vírus até que eles não funcionem mais.
“Acreditamos que quando ela (a célula) faz isso, há efeitos colaterais ─ seu próprio genoma se modifica também e ela fica muito mais propensa a se tornar uma célula cancerígena, já que tem uma série de mutações ─ é uma espada de dois gumes”, diz Stratton.
No entanto, doze dessas marcas genéticas encontradas no genoma do câncer ainda estão sem explicação.
Espera-se que se algumas delas puderem ser atribuídas a fatores ambientais, novas formas de prevenir a doença possam ser desenvolvidas.
As dúvidas também podem fomentar novas pesquisas. Uma das causas desconhecidas das mutações cancerígenas acontece no neuroblastoma, um câncer em células nervosas que normalmente afeta crianças.
“Sabemos que fatores ambientais como o fumo e a superexposição aos raios UV podem causar modificações no DNA que podem levar ao câncer, mas em muitos casos nós não sabemos o que provoca as falhas no DNA”, afirmou o professor Nic Jones, da instituição britânica voltada para pesquisa do câncer Cancer Research UK.
“As marcas genéticas encontradas nesse estudo fascinante e importante identificam muitos processos novos por trás do desenvolvimento do câncer.”
De acordo com Jones, entender o que causa esses processos pode levar a novas maneiras de prevenir e tratar a doença.
Matéria de James Gallagher, Repórter de Ciência e Saúde da BBC News.

Créditos de celular pré-pago não poderão ter data de validade, decide Justiça



Boa notícia para quem utiliza celular pré-pago: uma decisão da 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região proíbe que as operadoras estabeleçam prazo de validade para créditos de celular. Dessa forma, qualquer consumidor poderia permanecer com a linha ativa por tempo indeterminado sem precisar recarregar o telefone, enquanto possuísse créditos.
A decisão foi unânime entre os juízes, que anularam a resolução 477 da Anatel, que permite que as operadoras de telefonia possam oferecer créditos com qualquer prazo de validade, desde que viabilizem ao consumidor comprar uma quantidade razoável de créditos que vençam entre 90 e 180 dias.
O desembargador federal Souza Prudente, relator do processo, afirma que o prazo de validade em créditos de celular é uma maneira de confisco antecipado dos valores pagos pelo serviço de telefonia móvel. Atualmente, as operadoras podem congelar os créditos de celular quando vencidos. A partir do momento em que uma recarga nova é realizada, os créditos vencidos passam a valer com a mesma validade dos novos créditos adicionados.
Além dessa decisão, as operadoras Claro, Oi e TIM foram impedidas de “confiscarem” créditos de consumidores que tivessem créditos fora do prazo de validade. As empresas serão obrigadas a reativar o serviço dos clientes com o mesmo crédito em que as linhas possuíam no momento em que foram cortadas.
A decisão vale em todo o território nacional a partir do momento em que as operadoras e demais entidades, como a Anatel, forem notificadas. Essa notificação pode ser feita por meio de Oficial de Justiça ou mesmo através de uma publicação através do Diário Oficial da União. A operadora que não acatar a decisão será punida com multa diária de R$ 50 mil. Cabe recurso.
Isso poderá ser um problema para o número de linhas presentes no Brasil, uma vez que a decisão afirma que todas as linhas com créditos se tornam ativas. Como as linhas não se tornarão inativas automaticamente, não haverá limpeza de base e, assim, o número de linhas telefônicas desnecessárias só irá aumentar.
À Folha, o SindiTelebrasil, sindicato das operadoras de telefonia, afirmou que aguarda a comunicação oficial para avaliar as medidas cabíveis.
Com informações: O Globo