sábado 03 2013

Redenção e iluminação espiritual em Tolstoi

Por Luiz Zanin Oricchio, estadao.com.br
Em forma de minissérie, os irmãos Taviani adaptam 'Ressurreição', o último dos grandes romances do escritor russo



Redenção e iluminação espiritual em Tolstoi
"Stefania Rocca vive a infeliz Kátia Máslova"
Freud dizia que era a culpa, e não a fé, que removia montanhas. Sabia do que falava. Assim também sabia Liev Tolstoi, como prova seu último grande romance, Ressurreição, adaptado como minissérie para TV pelos irmãos Paolo e Vittorio Taviani (de Pai Patrão, A Noite de São Lourenço e César Deve Morrer). Na verdade, trata-se de uma microssérie de dois capítulos, totalizando 185 minutos. A atenção do espectador será recompensada em cada um deles.
Como sabem os leitores de Tolstoi, a trama de Ressurreição baseia-se num caso real, relatado ao escritor pelo juiz Koni. O caso é o seguinte: um jovem aristocrata servia como jurado num caso de assassinato quando reconhece na ré a mulher com quem ele próprio havia se relacionado anos atrás. Sentindo-se responsável pela situação, ele se impõe o dever de casar-se com a moça. O desfecho na vida real é triste. Condenada, a mulher morre no cárcere, vítima de tifo.
Nesse pano de fundo, Tolstoi encontra inspiração para escrever um libelo contra a hipocrisia social e a injustiça dos tribunais russos com os acusados pobres. Ele conclui a primeira versão em 1895. O romance saiu em capítulos na revista Niva e conta-se que Tolstoi empregava o dinheiro obtido na ajuda a seguidores da sua doutrina perseguidos pelo czar. Cortada pela censura e mutilada pelos próprios editores, a versão original foi restabelecida apenas em 1933.
Na adaptação, feita em 2001, os Taviani empregam algumas das suas melhores qualidades, conhecidas dos admiradores de seus filmes – um registro fotográfico preciso e caloroso, um rigor de direção que nunca prejudica o afeto em relação aos personagens. Paolo e Vittorio fazem um cinema humanista, o que não significa ser "bonzinho" em relação a todos, mas apenas estar atento à dimensão humana daqueles que são retratados em suas obras. Desse modo, podemos nos reconhecer no príncipe Dimitri Ivanovitch, tanto em seus impulsos de generosidade quanto em suas hesitações. E podemos compreender perfeitamente, embora com espanto, os motivos da acusada Kátia Máslova, que, do fundo da sua desgraça, vê em Dimitri tanto possibilidade de resgate quanto de perdição total.
Esses desvãos de alma, esses saltos abruptos de sentimentos, tão característicos da literatura russa, não são evitados pelos Taviani. Pelo contrário; ao fazer uma adaptação fiel, mas não literal, eles acentuam a trepidação psicológica dos personagens. De tal forma que, se a ideia de sacrifício e expiação da culpa encontram-se presentes em Dimitri, também não estão ausentes em Kátia. A capacidade de renúncia dos personagens produz uma certa dissonância no espectador dos nossos dias, em especial se ele estiver muito contaminado pelo pragmatismo atual. Como entender personagens que não se movem apenas por seu interesse material imediato, e mesmo colocam-se contra eles por seus atos? Pois bem, essa é a contribuição da literatura russa à compreensão da nossa alma paradoxal. Godard dizia que, quando a capacidade de ficção do Ocidente se encontra esgotada, é hora de abastecer-se na Rússia. Em geral, ele sabe do que fala, pois é um raro caso de cineasta que lê.
Na história de Ressurreição, adaptada pelos Taviani, Kátia Máslova é a criada da família de Dimitri que ele, então um estudante, seduz e abandona. A vida de Kátia decai e a leva à prostituição e, em seguida, à acusação de haver envenenado um cliente. É nesse ponto que, passados dez anos, Dimitri a reencontra e resolve purgar seus pecados.
Com ótimas atuações de Stefania Rocca (Kátia) e Timothy Peach (Dimitri), mais a música envolvente de Nicola Piovani, Ressurreição é um drama das consciências culpadas, mas também da redenção e iluminação espiritual.
RESSURREIÇÃO
Direção: Paolo e Vittorio Taviani
Distribuidora: Versátil, R$ 39,90

Senador petista cobra de Campos reconhecimento de avanços no País

 Por ANGELA LACERDA / RECIFE, estadao.com.br
Em discurso na sede do governo pernambucano, Humberto Costa fala de 'momento de dificuldade' e pede compromisso



O senador Humberto Costa (PT-PE) cobrou ontem o reconhecimento do governador Eduardo Campos às ações do governo da presidente Dilma Rousseff em relação à seca e seu enfrentamento. Ele fez a cobrança em discurso, durante anúncio de R$ 700 milhões para financiamento de agricultores do semiárido pernambucano, pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas.
Provável candidato à presidência da República, o governador de Pernambuco, que é presidente nacional do PSB, tem feito críticas ao governo, embora se mantenha na base aliada.
"O governo vive um momento de dificuldade, não podemos deixar de reconhecer", disse o senador, ao lado de Campos, na solenidade na sede provisória do governo estadual. "Mas é no momento de dificuldade que é importante reconhecer o que foi feito para o Brasil se desenvolver." Costa destacou o "tratamento especial" do governo federal com Pernambuco e as "importantes obras estruturadoras" para o semiárido em andamento no Estado, a exemplo das adutoras do Pajeú e do Agreste. "Tenho certeza de que foi por isso que Pernambuco votou maciçamente na presidente Dilma, porque sabia que ela iria dar continuidade à atenção que o presidente Lula sempre teve com o Estado", disse o parlamentar petista. Com dezenas de prefeitos pernambucanos na plateia, o senador disse ter certeza, também, de que "o governo estadual, na pessoa de Eduardo Campos, reconhece esse esforço assim como os movimentos sociais, prefeitos e prefeitas haverão de reconhecer".
Em entrevista após o evento, Campos disse não ter "percebido" a cobrança de Costa. No discurso feito minutos antes da entrevista e momentos depois do discurso do ex-ministro, porém, o governador pontuou o fato de o governo federal ter se inspirado em políticas públicas criadas por Miguel Arraes, seu avô, cujo governo beneficiou os pequenos agricultores.
Campos frisou ainda a necessidade de o Nordeste ser prioridade de um plano estratégico do governo federal visando à redução das disparidades sociais e econômicas. "O Nordeste tem um terço dos agricultores familiares do Brasil, mas detém apenas 10% do crédito, numa reprodução do que acontece na economia brasileira: a região tem 28% da população brasileira e somente 13,5% do PIB."
Campos não deixou, no entanto, de reconhecer as iniciativas do governo federal, que incluem a suspensão da execução das dívidas dos agricultores. Frisou que pela primeira vez existe um Plano Safra voltado para o semiárido, região onde a situação do pequeno agricultor ainda é mais dura e difícil. O plano específico para a região abrange também os pequenos e médios produtores, visando à recuperação das cadeias produtivas na área que foi afetada pela maior seca dos últimos 50 anos. "Se não é o ideal, está se fazendo diferente, na direção de se ter uma política que compreenda as circunstâncias de uma região desértica, que tenha sinais de visão estruturante."
Ajuda. Pepe Vargas também discursou. Ele anunciou R$ 7 bilhões para financiamentos no País, sendo R$ 4 bilhões para agricultores familiares. Distribuiu 29 retroescavadeiras, 25 motoniveladoras, 30 pás carregadeiras e 28 caminhões caçambas para 112 municípios de Pernambuco.
Aproveitou, então, para pedir ajuda aos prefeitos presentes. "Prefeitos e prefeitas, façam adesão ao Mais Médicos", pediu ele, referindo-se ao programa federal que vem encontrando resistência da classe médica. O ministro disse que países como Canadá e Austrália têm grande quantidade de médicos estrangeiros, enquanto o Brasil só tem 1%. Ele assegurou que a prioridade do programa é para brasileiros e observou que há 700 municípios sem médicos no Brasil.

Alckmin rebate críticas de Dilma e cobra investimentos federais em metrô

 Por Ricardo Chapola, estadao.com.br
Governador de São Paulo afirmou que a União tenha participação direta no financiamento de metrôs no País e disse que a capital paulista tem boa rede metroviária



Alckmin rebate críticas de Dilma e cobra investimentos federais em metrô
"Governador de São Paulo, Alckmin diz que não colabora com ineficiência do transporte coletivo"
SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) cobrou nesta quinta-feira, 1º, que a União tenha participação direta nos investimentos de metrôs no País. Ele disse que o governo poderia ter mais financiamento nas obras metroferroviárias após ser questionado se considerava positiva a medida da União de retirar investimentos em mobilidade urbana do cálculo de endividamento dos Estados e municípios.
"É importante a participação do governo federal. Nós poderíamos ter mais financiamento para fazer mais obras. Todos os grandes metrôs do mundo têm grande participação do governo federal", afirmou o tucano, um dia depois de a presidente Dilma Rousseff ter anunciado a liberação de R$ 3,1 bilhões para a construção de corredores de ônibus na capital ao lado do prefeito Fernando Haddad. Na ocasião, Dilma criticou o governo do Estado pelo baixo investimento em metrô.
O governador disse ser positivo o governo federal investir em corredores de ônibus, mas voltou a alfinetar a presidente ao enfatizar que o governo do Estado apresentou à União seis projetos de investimento no metrô e no trem, com verba federal, que totalizariam R$ 10,8 bilhões.
O tucano rebateu ainda as criticas feitas por Dilma à extensão da malha metroviária, durante a sua visita à cidade de São Paulo na quarta-feira, 31. "São Paulo tem uma boa rede." O metrô de São Paulo possui 74 quilômetros de extensão. "Como é possível uma cidade do tamanho de São Paulo sem transporte metroviário?", questionou Dilma na quarta-feira.
Segundo afirmou o governador, a capital conta com 334 km de trilhos - entre metrô e CPTM.

Alckmin cobra de Dilma mais investimentos em metrô

 Por RICARDO CHAPOLA, estadao.com.br
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), cobrou nesta quinta-feira que o governo federal tenha participação...



O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), cobrou nesta quinta-feira que o governo federal tenha participação direta nos investimentos de metrôs no País. "É importante a participação do governo federal. Nós poderíamos ter mais financiamento para fazer mais obras. Todos os grandes metrôs do mundo têm grande participação do governo federal", afirmou, um dia após a presidente Dilma Rousseff ter anunciado a liberação de R$ 3,1 bilhões para a construção de corredores de ônibus na capital paulista, ao lado do prefeito Fernando Haddad (PT). Na ocasião, Dilma criticou o governo de São Paulo pelo baixo investimento em metrô.
Alckmin disse que não colabora para a ineficiência do transporte público da capital. Questionado se considerava positiva a medida da administração federal de retirar os investimentos em mobilidade urbana do cálculo de endividamento dos governos dos Estados e prefeituras, ele insistiu na crítica à gestão federal para revidar a presidente. "Eu não colaboro para isso (ineficiência do transporte coletivo). Nós poderíamos ter mais financiamento para poder fazer mais obras", afirmou.
Alckmin disse ser positivo o Poder Executivo federal investir em corredores de ônibus, mas voltou a alfinetar Dilma, ao afirmar que o governo estadual apresentou à União seis projetos de investimento no metrô, com verba nacional, que totalizariam R$ 10,8 bilhões. O governador de São Paulo rebateu ainda as criticas feitas por ela à extensão da malha metroviária. "São Paulo tem uma boa rede." O metrô da cidade possui 74 quilômetros de extensão. "Como é possível uma cidade do tamanho de São Paulo sem transporte metroviário?", questionou Dilma, nesta quarta-feira, 31.

Dilma estuda alteração fiscal via Senado

Por estadao.com.br
Alternativa para governo federal incentivar investimentos em obras de transporte público sem mexer na LRF seria modificar resoluções



BRASÍLIA - Com o objetivo de emplacar seu projeto de aumentar os investimentos públicos em transportes, o governo federal estuda mudar resoluções do Senado que regulamentaram a aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com isso, não seria necessário mexer diretamente na legislação criada para barrar a farra de gastos sem lastro dos governantes.
Nesta semana, o Estado revelou que a presidente Dilma Rousseff está disposta a retirar do cálculo do teto endividamento dos Estados e municípios os financiamentos para obras de mobilidade. Não há consenso no governo sobre o projeto. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se opõe a ele, justamente por abrir brechas para mudança da lei fiscal, algo mal visto no mercado. Ao alterar apenas as resoluções do Senado, esse temor seria afastado, acreditam técnicos do governo.
Uma das alternativas avaliadas é a inclusão de um artigo na Resolução n.º 43, editada originalmente em 2001. A medida permitiria incluir esses investimentos em mobilidade como exceção aos limites de crédito de prefeituras e governos estaduais.
Outra solução, também em estudo pela equipe técnica e jurídica, é alterar a Resolução nº 40, republicada em 2002, modificando o limite da chamada dívida consolidada líquida. Hoje, Estados podem endividar-se até duas vezes a receita corrente líquida. Municípios tem limite menor, de 1,2 vezes sua receita.
Em reunião com dez ministros nesta semana, Dilma decidiu adotar o projeto pró-mobilidade a fim de lidar com uma das principais reivindicações das manifestações de junho: a melhoria do transporte urbano, com a construção de linhas de metrô, trens urbanos, corredores exclusivos para ônibus, veículos leves sobre trilhos, terminais, centros de controle, ciclovias e pavimentação de ruas em grandes e médias cidades.
Várias prefeituras importantes para deslanchar investimentos em mobilidade, como São Paulo, por exemplo, já estouraram o limite de endividamento ou estão muito próximos do teto. A capital paulista chegou, em 2012, a 199,81% do limite de endividamento, medido pelo indicador da dívida consolidada comparada com a receita corrente líquida, segundo Relatório de Gestão Fiscal entregue ao governo. O teto de endividamento, previsto em lei, é de 120%.
O Estado do Rio Grande do Sul, com 218,13%, estourou o limite máximo de 200% permitido pela resolução do Senado. O Rio de Janeiro, com 165,13% em 2012, está próximo desse teto.
Minas fechou o ano passado com 174,54% do limite ocupado por dívidas. O Estado de São Paulo atingiu 153,87%. Goiás fechou 2012 com 101,96%.
A decisão Dilma é defendida no governo à luz de dificuldades de repasse de recursos a prefeitos e governadores. Sob pressão de suas bases eleitorais, deputados e senadores querem respostas concretas para abastecer seus correligionários às vésperas das eleições de 2014.
O pagamento de emendas parlamentares tem sido dificultado, segundo levantamento do Palácio do Planalto, por questões de inadimplência de prefeituras e governos estaduais.
Mudanças anteriores. A Resolução nº 43 já abriu espaço para elevar o endividamento ao permitir exceções aos limites de crédito contratados para o financiamento de infraestrutura para a realização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. A media foi autorizada pelo Conselho Monetário Nacional em 2010. Também foram incluídas, em 2003, nesse caso as operações no Programa Nacional de Iluminação Pública Eficiente. Em 2009, foi permitido aos Estados e ao Distrito Federal incluir créditos contratados diretamente com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social no programa de empréstimo aos Estados e ao Distrito Federal. Os financiamentos de projetos de investimento para a melhoria da administração das receitas e da gestão fiscal, financeira e patrimonial também estão contemplados.

Nove partidos deixam 'núcleo duro' do governo e expõem fragilidade da base

Por estadao.com.br
Grupo formado por deputados federais que votam de acordo com orientações do Planalto 90% das vezes ou mais amarga quedas desde a posse de Dilma Rousseff em 2011



Em seu terceiro ano como presidente, Dilma Rousseff assistiu ao esfacelamento do "núcleo duro" de apoio a seu governo na Câmara dos Deputados, que já foi formado por 17 partidos e hoje abriga apenas petistas e remanescentes de outras sete legendas.
O núcleo duro - formado pelos parlamentares que votam com o governo 90% das vezes ou mais - era integrado em 2011 por 306 dos 513 deputados. Ou seja, Dilma podia contabilizar como aliados fiéis seis em cada dez dos membros da Câmara. Desde então, esse núcleo vem encolhendo, e atualmente se resume a 101 deputados, segundo revela o Basômetro, ferramenta online do Estadão Dados que mede a taxa de governismo do Congresso.
Dos nove partidos que abandonaram totalmente a linha de frente de apoio ao governo, três são de tamanho médio - PR, PSD e PSB. Os demais se enquadram na categoria dos "nanicos", com bancadas de menos de dez integrantes (PMN, PTC, PRTB, PSL, PT do B e PRB).
O PMDB, principal aliado do PT em termos numéricos, tem hoje apenas quatro representantes no núcleo duro - desde o final de 2011, 63 peemedebistas abandonaram o grupo e agora se concentram na faixa dos que votam com o governo entre 60% e 89% das vezes. No PP, a debandada foi de 32 deputados para apenas 2. No PDT, de 16 para 2. No PTB só sobrou um dos 19 fiéis.
Com uma base cada vez mais inconsistente, Dilma tem enfrentado dificuldades crescentes para aprovar projetos. Na tentativa de agradar à base, acenou com a abertura dos cofres: na semana passada. Determinou a liberação de R$ 6 bilhões em emendas parlamentares até o final do ano, em três parcelas.
Mesmo assim, há temor de que a estratégia não funcione. Para evitar eventuais derrotas, o governo quer adiar a votação de temas polêmicos.
Palanques. O desmanche do grupo fiel a Dilma se acelera no momento em que os partidos se realinham para medir forças em 2014. O PSB, que já promove a candidatura presidencial do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tinha taxa de governismo de 95% em 2011, segundo o Basômetro. Em 2013, o índice está em 77% - com tendência de queda. A taxa dos partidos é calculada com base na média dos votos contra e a favor de seus integrantes.
No primeiro ano de mandato de Dilma, o núcleo duro de apoio ao governo tinha 27 deputados do PSB. Em 2012, esse número se reduziu a menos da metade, e em 2013 todos abandonaram o barco.
No PDT, o afastamento pode ser simbolizado pelo comportamento de um de seus principais líderes, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP). Em 2011, ele apoiou o governo em 89% das votações. Neste ano, em apenas 33%.
Dilma só não pode se queixar de seus correligionários: o número de petistas com taxa de fidelidade superior a 90% subiu de 83 em 2011 para 86 em 2013. A presidente nunca dependeu tanto de seu partido: atualmente, o PT tem 85% dos integrantes do núcleo duro - no primeiro ano de mandato, eles eram 27%. / DANIEL BRAMATTI, JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO, AMANDA ROSSI e DIEGO RABATONE

'Nem de esquerda nem de direita', PSD abriga campeões vira-casaca

Por estadao.com.br
João Lyra, Fábio Farias e Ademir Camilo foram fiéis em 2011, ano de fundação da sigla; agora votam contra o governo




Os três principais "desertores" do núcleo duro de apoio ao governo são do PSD, o partido que seu criador, Gilberto Kassab, definiu como "nem de esquerda, nem de direita, nem de centro".
João Lyra (AL), Fábio Farias (RN) e Ademir Camilo (MG)se comportaram como aliados fidelíssimos em 2011, ano em que o PSD foi fundado, com taxas de apoio de 95%, 96% e 96%, respectivamente. Em 2013, os índices caíram para níveis próximos a 45% - menos da metade.
Lyra, usineiro em Alagoas com patrimônio declarado de R$ 240 milhões, participou de poucas votações neste ano, por motivos de saúde. Mas, quando teve oportunidade, contrariou o governo em nove ocasiões, e se alinhou ao Planalto em apenas sete.
Lyra não é volúvel apenas em relação ao governo Dilma Rousseff: desde 1985, já trocou de partido seis vezes e integrou as bases de apoio do tucano Fernando Henrique Cardoso e do petista Luiz Inácio Lula da Silva.
A atuação política nunca o afastou dos negócios. Produtor de etanol, ele tem interesse direto no setor de biocombustíveis, dominado pela Petrobrás. Já foi acusado de explorar trabalho escravo e até denunciado como mandante de assassinato. Nunca foi condenado.
O Estado procurou o deputado na quinta-feira para entrevistá-lo, mas sua assessoria informou que ele estava viajando. Fábio Farias não respondeu aos pedidos da reportagem, e Camilo não foi localizado - ninguém atendeu aos telefonemas a seus escritórios em Brasília e Belo Horizonte na sexta-feira.
Os três deputados já integravam a base governista antes de aderir ao PSD, no primeiro ano de mandato de Dilma. Outros parlamentares, porém, eram do oposicionista DEM. Ao trocar de legenda, deram uma guinada comportamental e passaram a votar a favor do governo.
Nos últimos meses, porém, o PSD vem se afastando de Dilma. Neste ano, foram 20 as ocasiões em que o partido votou em peso contra a orientação do Executivo. Sua taxa de governismo, segundo o Basômetro, é de 64% - uma queda de 10 pontos porcentuais em relação a 2012.