sexta-feira 12 2013

Chico Buarque - Medo de amar (Vinícius de Moraes)



Brasília adere ao inglês de hospício e transfere o norte para o sul. Imagina na Copa


A sinalização instalada em Brasília nesta segunda-feira, a cinco dias do início da Copa das Confederações, reforçou a suspeita de que o país do futebol resolveu deixar atarantado qualquer turista estrangeiro. Depois do Rio Grande do Norte, do Rio de Janeiro, da Bahia e de Pernambuco, chegou a vez de o Distrito Federal aderir ao inglês de hospício. Como comprova a foto acima, a inscrição em português garante que ficam ao norte o setor hoteleiro que, em inglês, foi transferido para o sul.O “Northern Hotel Sector”, esse ninguém sabe onde está. Talvez não exista. Talvez esteja em obras.
A coluna convida o timaço de comentaristas a ampliar a galeria de imagens que conduzem à associação inevitável: imagina na Copa.
Em Recife, nem os brasileiros conseguiram decifrar a placa instalada no Terminal Integrado Tancredo Neves. É impossível saber se as placas tentam informar quais são os ônibus que partem do terminal (nesse e caso, a tradução correta seria 'Lines that depart from this terminal') ou quais são as linhas que integram o terminal (nessa hipótese, o correto seria 'Lines that are part of this terminal’).
A Arena Fonte Nova, em Salvador, inaugurou o inglês de Copa do Mundo ao mandar os visitantes estrangeiros entrarem pela saída e expulsar a letra "n" da palavra "entrance" (entrada, em português)
A prefeitura do Rio de Janeiro encampou o inglês de Copa do Mundo, lançado na Bahia, ao eliminar a letra "r" de "airports". Além da grafia incorreta em inglês, a placa que que indica a localização dos "aeroportos" leva apenas ao Santos Dumont
Os redatores das placas de Natal decidiram que "desembarque", em inglês, é "departure", que para os britânicos continua significando "embarque". Os súditos de Sua Majestade também se preparam para desembarcar quando topam com a inscrição "arrival". As placas de Natal resolveram que a palavra significa o contrário.

As manifestações aos olhos do mundo

veja.com

Veja como os protestos que tomaram as ruas de 12 capitais do país nesta segunda-feira foram vistos pela imprensa internacional:
A agência italiana Ansa atribuiu ao aumento das tarifas dos transportes os protestos que mobilizaram multidões nas ruas de várias cidades
A britânica BBC destacou as manifestações no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília. O noticiário sobre o tema esteve entre os mais lidos do site nesta segunda-feira
O argentino Clarín acompanhou as manifestações em tempo real e enfatizou os espasmos de violência no Rio de Janeiro
Tuttacronata, blog italiano: "Mais protestos no Brasil, entre confronto e samba".
O inglês Financial Times, especializado em assuntos econômicos, ressaltou a participação dos estudantes nos atos de protesto
O francês Le Monde informou que a alta da inflação é uma das causas da onda de descontentamento no Brasil
O também francês Libération deu destaque ao prosseguimento da mobilização no Brasil nesta terça-feira
The New York Times: "Milhares se reúnem para protestos nas maiores cidades do Brasil"
O jornal português Público informou na manchete de seu site que as manifestações no Brasil foram as maiores dos últimos 20 anos
O britânico The Guardian classificou as manifestações como as maiores da história e pediu aos manifestantes que enviassem fotos e vídeos

A gastança com a Copa da Ladroagem já chegou a 467 mil casas populares


JÚLIA RODRIGUES
Ao alcançar a marca dos R$ 28 bilhões, a Copa de 2014 já entrou para a história como a mais cara de todos os tempos. A cifra recordista supera a soma dos gastos com a Copa da Alemanha em 2006 (R$ 10,7 bilhões) e com a Copa da África do Sul em 2010 (R$ 7,3 bilhões). A gastança não vai parar por aí. Em junho, Luis Manoel Rebelo Fernandes, secretário-executivo do Ministério dos Esportes e coordenador do Grupo Executivo da Copa do Mundo (Gecopa), avisou que, até o apito inicial do jogo de abertura, a conta deverá subir para R$ 33 bilhões.
Em 2007, Lula garantiu que não seria aplicado um único centavo de dinheiro público na festa do futebol explorada pela Fifa. Há duas semanas, acuada pela onda de manifestações de rua, que não pouparam o desperdício colossal, Dilma Rousseff repetiu uma das fantasias desfiadas pelo padrinho. “Quero esclarecer que o dinheiro dos estádios é fruto de financiamento e será devidamente pago pelos futuros gestores dessas arenas”, recitou a presidente. A recuperação das boladas que o BNDES bancou é tão improvável quanto o resgate da dinheirama emprestada pelo banco a Eike Batista.
“Jamais permitiria que esse dinheiro saísse do orçamento federal, que é usado para a educação e a saúde”, afirmou Dilma. O discurso tropeça em dados oficiais: 85% das obras serão custeadas pelos governos federal, estaduais e municipais. Segundo o Ministério do Esporte, R$ 9 bilhões serão investidos em “mobilidade urbana e transporte público”. Até agora, ninguém viu o que Aldo Rebelo considera “o grande legado do evento”.
A pouco mais de 300 dias do início da Copa da Ladroagem, o que se viu foi uma procissão de contratos superfaturados, projetos reformulados, licitações espertas e aditivos que engordam de modo obsceno os orçamentos originais. O preço dos novos estádios é de assustar príncipe saudita. A Arena Mané Garrincha, por exemplo, consumiu nada menos que R$ 1,7 bilhão. Como Brasília não tem nenhum time na série A do Campeonato Brasileira, vai abrigar o elefante branco mais caro do mundo.
Além de superar em 28% o valor destinado ao programa Bolsa Família em 2013, os R$ 28 bilhões investidos na Copa de 2014 seriam suficientes para construir:
─ 467 mil casas populares
─ 43 mil Unidades Básicas de Saúde
─ 31.748 escolas de Ensino Fundamental
─ 123 quilômetros de metrô
─ 5,6 mil quilômetros de ferrovia
─ 11,2 mil quilômetros de rodovia
─ 233 aeroportos
Também daria para comprar 13,2 milhões de passagens aéreas (ida e volta) na rota Natal-Rio de Janeiro. Ou 541 unidades de um dos modelos de avião usados pela FABTur.  Se fosse doados à Câmara presidida por Henrique Alves, todo deputado teria um jatinho para chamar de seu.

No dia das manifestações organizadas por quem se apresenta como representante do povo, povo foi o que menos se viu


ATUALIZADO ÀS 14:29
BRANCA NUNES
Em vez dos cartazes de cartolina com dizeres manuscritos – NÃO SÃO SÓ 20 CENTAVOS, QUEREMOS HOSPITAIS PADRÃO FIFA, TOLERÂNCIA ZERO PARA A CORRUPÇÃO e várias reivindicações bem humoradas –, banners, a grande maioria vermelhos, com slogans como “O petróleo é nosso”, “Não à terceirização”, e “Pela taxação das grandes fortunas”. Em vez das bandeiras do Brasil e das caras pintadas de verde e amarelo, estandartes da CUT, da Força Sindical, do Sindicato dos Comerciários, do PSOL, da UNE, do PSTU, do MST e de dezenas de partidos e movimentos sociais. Em vez de palavras de ordem cantadas em coro, berros individuais vindos do carro de som.
Nesta quinta-feira, todas as bandeiras que haviam desaparecido – ou sido expulsas – das ruas nas manifestações que tomaram conta do país desde 6 de junho reapareceram na Avenida Paulista atendendo à convocação das centrais sindicais engajadas no Dia Nacional de Luta com Greves e Mobilizações. Em compensação, a população apartidária sumiu – e o 11 de julho foi marcado por mais do mesmo: os mesmos discursos inflamados contra o capitalismo, a direita golpista, a Rede Globo e outros inimigos de sempre.
Ao contrário do que se via nas manifestações anteriores a pretendida greve geral desta quinta-feira teve mais bandeiras de centrais sindicais e partidos do que manifestantes. Os discursos no carro de som não provocavam nem aplausos nem vaias. E gritos de guerra como “eu, sou brasileiro, com muito orgulho”, que os dirigentes tentaram puxar mais de uma vez, morriam antes da segunda frase – nada a ver com os hinos entoados durante os protestos do Movimento Passe Livre, que contagiavam multidões.
O acordo intersindical que excluiu o “Fora Dilma” da pauta de reivindicações parece ter dado certo. Ainda assim, as bandeiras do PT eram as mais envergonhadas – e tanto Dilma quanto Lula não escaparam de críticas no asfalto e no palanque. Enquanto Ana Luiza, que disputou a prefeitura de São Paulo pelo PSTU clamava “contra a política econômica do governo Dilma, contra Alckmin e contra Haddad”, um representante do recém nascido Partido Pátria Livre (PPL) fez questão de “saudar o PT e saudar o Lula” nos três minutos a que teve direito no serviço de som. Algumas faixas chamavam José Eduardo Cardozo de Ministro da Injustiça e exigiam o mesmo reajuste salarial concedido aos ministros.
Se o objetivo das centrais era pegar carona na revolta da rua, elas podem considerar-se derrotadas. O contraste entre as duas manifestações foi tão gritante que apenas escancarou o abismo entre o que quer a população e o que lhes oferece quem está no poder (seja nos governos, nos partidos ou nos sindicatos), entre uma forma nova de expressar-se e outra completamente ultrapassada, entre o autêntico e o artificial. Embora se apresentem como representantes do povo, povo era o que menos se via entre as pouco mais de cinco mil pessoas que ocuparam duas quadras da avenida mais emblemática de São Paulo.

‘A terapia do susto’, por Nelson Motta


Publicado no Globo desta sexta-feira
NELSON MOTTA
Estamos vivendo dias de espanto, com Renan Calheiros se tornando o paladino das forças do bem, ávidas para atender prontamente as reivindicações populares, mesmo cortando na carne do Senado, e com o apoio de Sarney! Estamos dependendo da independência, da grandeza, da integridade e do espírito público do PMDB de Henrique Alves e Eduardo Cunha para evitar desastres armados pelos estrategistas do Planalto e apoiados pelo PT e o PCdoB, como o plebiscito de araque. Que fase!
Seguindo orientação de Lula, 25 governadores, 37 ministros, a base parlamentar aliada e os movimentos sociais foram recebidos pela presidente, filmados e fotografados, mas não falaram nada e nem foram consultados nas propostas e decisões do governo, só ouviram em silêncio, remoendo sua raiva, frustração e impotência. Os prefeitos pelo menos vaiaram.
Pela primeira vez na história deste país, prefeitos recebem dinheiro de um governo e vaiam. Mas todo mundo entendeu que eles não querem um jabá, mas negociar democraticamente a distribuição do Fundo de Participação dos Municípios e depender menos do poder imperial de Brasília. Com o povo de suas cidades bufando nos seus cangotes, os prefeitos querem mostrar serviço, como nunca na história deste país.
Quando 81% dos brasileiros avaliam os políticos como “corruptos ou muito corruptos”, para conter sua voracidade, associada a empresários inescrupulosos e funcionários venais, são criados incontáveis mecanismos de controle, e de controle do controle, aumentando o poder da burocracia e atrasando os projetos e investimentos públicos. Criando mais dificuldades para vender novas facilidades, aumentam a corrupção. São mais mãos a serem molhadas, mas o custo é sempre repassado aos consumidores finais: nós.
Mas o presidente do PT atribui as dificuldades do governo a falhas de comunicação, como se o governo não gastasse mais de um bilhão de reais por ano em triunfais campanhas publicitárias de João Santana vendendo o Brasil Maravilha de Lula e Dilma. Pelo contrário, o governo é vítima de seu excesso de comunicação, contrastado fragorosamente pela realidade das ruas.

Do Papa para Cabral: ‘Gosto mais de ônibus, porque vejo a rua’


Papa Francisco, antes de se tornar pontífice, no metrô da Argentina. Foto: EFE
No clima da Jornada Mundial da Juventude, que acontece no Rio entre os dias 23 e 28 de julho, será lançado, na semana que vem, um livro com citações do Papa Francisco (Papa Francisco em suas Próprias Palavras, Editora Record, 19,90 reais). Conhecido como o ‘Papa da humildade’, algumas das citações são o que se poderia chamar de inspiradoras– especialmente para algumas figuras que dominam o cenário político brasileiro.
Diz Francisco, sobre o transporte público: “Uso o metrô quase sempre pela rapidez, mas gosto mais de ônibus, porque vejo a rua”. (Papa Francisco, 2013)