segunda-feira 19 2012

Meia hora a mais de sono já melhora o comportamento das crianças


Infância

Estudo canadense concluiu que essa pequena mudança de hábito produz efeitos positivos sobre condutas como distração e impulsividade

Sono: Aumentar a quantidade de sono de uma criança, mesmo que pouco, já desencadeia efeitos positivos em seu comportamento
Sono: Aumentar a quantidade de sono de uma criança, mesmo que pouco, já desencadeia efeitos positivos em seu comportamento (Thinkstock)
Pesquisadores canadenses mostraram como pequenas mudanças na rotina de uma criança podem impactar de forma positiva o seu desempenho escolar e o relacionamento social. Segundo um novo estudo, 27 minutos a mais de sono por noite pode ser o suficiente para que jovens em idade escolar melhorem comportamentos como distração e impulsividade. Por outro lado, dormir uma hora a menos pode piorar de forma significativa essas condutas. Essas conclusões fazem parte de uma pesquisa publicada nesta segunda-feira na revista Pediatrics.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Impact of Sleep Extension and Restriction on Children’s Emotional Lability and Impulsivity

Onde foi divulgada: revista Pediatrics

Quem fez: Reut Gruber e equipe

Instituição: Universidade McGill, Canadá

Dados de amostragem: 34 crianças de sete a 11 anos de idade

Resultado: Crianças que passam a dormir 27 minutos a mais por noite já apresentam melhoras de comportamentos como distração e impulsividade. No entanto, reduzir em uma hora a quantidade diária de sono piora de forma significativa essas condutas
O estudo, desenvolvido na Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, selecionou 34 crianças de sete a 11 anos de idade que não apresentavam distúrbios do sono ou outros problemas médicos, de comportamento ou de desemprenho escolar. Parte das crianças foi orientada a dormir mais do que a quantidade habitual de sono e o restante, a dormir menos. A duração e a atividade do sono foram medidas com um dispositivo inserido em um relógio de pulso, e as mudanças de comportamento dos jovens, relatas por pais e professores.
Segundo os autores, estima-se que 64% das crianças entre seis e 12 anos de idade dormem após às nove horas da noite e que 43% dos meninos de 10 a 11 anos não atingem a quantidade de sono recomendada para a faixa-etária. A Fundação Nacional do Sono do Canadá recomenda que crianças de cinco a 12 anos durmam de 10 a 11 horas por noite. Esses resultados, explica a equipe, acrescentam evidências a outras pesquisas que indicaram os efeitos positivos do aumento, mesmo que pequeno, da duração do sono de uma criança em idade escolar 


Sintomas — Para os pesquisadores, é importante que os pais fiquem atentos aos sinais de que a criança não está dormindo o suficiente. São comportamentos como bocejo, sonolência, hiperatividade, irritabilidade, impulsividade e dificuldades de concentração. Para ajudar a melhorar o sono do filho, os adultos devem estipular horários fixos para que eles se deitem e acordem e devem evitar que a criança coma alimentos pesados antes de dormir e que tire cochilos ao longo do dia. Além disso, afirmam os autores, praticar alguma atividade física e fazer a lição de casa mais cedo também podem ajudar o jovem a ter um sono com mais qualidade.

Dormir mais pode evitar diabetes em jovens


Sono

Segundo estudo americano, passar a dormir de seis para sete horas diárias já promove o benefício entre adolescentes

Sono: Dormir mais pode ser uma das formas de jovens evitarem o surgimento de diabetes no futuro
Sono: Dormir mais pode ser uma das formas de jovens evitarem o surgimento de diabetes no futuro (Thinkstock)
Uma nova pesquisa americana sugere que dormir mais pode ser uma forma de os adolescentes reduzirem a resistência à insulina e, consequentemente, evitarem o aparecimento de diabetes no futuro. Segundo os autores, que são da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, se os jovens que costumam dormir seis horas por dia acrescentassem uma hora de sono todas as noites, eles poderiam melhorar os quadros de resistência à insulina em 9%.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Sleep Duration and Insulin Resistance in Healthy Black and White Adolescents

Onde foi divulgada: periódico Sleep

Quem fez: Karen Matthews, Ronald Dahl, Jane Owens, Laisze Lee e Martica Hall

Instituição: Universidade de Pittsburgh, Estados Unidos

Dados de amostragem: 245 jovens de 15 a 18 anos 

Resultado: Dormir pouco está associado a uma maior resistência à insulina e, portanto, a um maior risco de diabetes no futuro. Se jovens que dormem seis horas por noite passassem a dormir sete horas, a resistência ao hormônio melhoraria em 9%.
A insulina é um hormônio responsável por reduzir a taxa de glicose no sangue. Quando uma pessoa desenvolve resistência à insulina, suas células não conseguem responder ao hormônio, acarretando o acúmulo de glicose na corrente sanguínea e na urina e, consequentemente, o surgimento do diabetes.
O estudo, publicado na edição deste mês do periódico Sleep, observou a duração do sono e os níveis de resistência à insulina de 245 jovens saudáveis entre 15 e 18 anos de idade. Para isso, os pesquisadores coletaram amostras do sangue de cada participante em jejum e pediram que os adolescentes fizessem um diário do sono durante uma semana. Os jovens dormiam, em média, 6,4 horas por dia, sendo que o sono tinha duração significativamente menor em dias de semana.
Segundo os resultados, o sono restrito está associado à resistência à insulina independentemente de gênero, raça, idade ou índice de massa corporal (calcule aqui o seu IMC). Segundo a coordenadora do estudo, Karen Matthews,



 essa é a primeira vez em que uma pesquisa relaciona sono e resistência insulínica tanto para obesos quanto para não obesos, destacando a importância de esforços de saúde pública que melhorem a saúde metabólica dos adolescentes.
Os prejuízos de dormir pouco

Diminui a capacidade de o corpo queimar calorias

De acordo com uma pesquisa apresentada no encontro anual da Sociedade para Estudo de Comportamento Digestivo (SSIB, sigla em inglês), em julho de 2012, na Suíça, a restrição do sono faz com que um indivíduo consuma mais calorias e, além disso, reduz a capacidade do corpo de queimá-las. Isso ocorre porque dormir pouco aumenta os níveis de grelina, o ‘hormônio da fome’, conhecido assim por induzir a vontade de comer, na corrente sanguínea. Além disso, o hábito promove um maior cansaço, reduzindo a prática de atividades físicas e aumentando o tempo de sedentarismo.

Eleva o risco de câncer de mama agressivo

Um estudo publicado em agosto de 2012 no periódico Breast Cancer Research and Treatment sugeriu que dormir menos do que seis horas por dia eleva o risco de mulheres na pós-menopausa terem um tipo agressivo de câncer de mama e uma maior probabilidade de recorrência da doença.

Aumenta as chances de um derrame cerebral

Dormir menos do que seis horas por dia aumenta o risco de um acidente vacular cerebral (AVC) mesmo em pessoas com peso normal e sem histórico de doenças cardiovasculares, segundo ume studo apresentado em junho de 2012 no encontro anual das Sociedades de Sono Associadas (APSS, na sigla em inglês), na cidade americana de Boston.

Aumenta o apetite por comidas gordurosas

Dormir pouco ativa de maneira diferente os centros de recompensa do cérebro com a exposição a alimentos gordurosos em comparação com dormir adequadamente. Isso faz com que esses alimentos pareçam mais salientes e que a pessoa se sinta mais recompensada ao comer esse tipo de alimento. Essas descobertas foram apresentadas em junho deste ano no encontro anual das Sociedades de Sono Associadas (APSS, na sigla em inglês), na cidade americana de Boston. Além disso, uma pesquisa publicada em janeiro deste ano indicou que noites de sono mal dormidas ativam com mais intensidade uma área do cérebro responsável pela sensação de apetite

Pode desencadear sintomas do TDAH

Segundo um estudo apresentado em junho de 2011 durante encontro das sociedades médicas para o sono, nos Estados Unidos, menos horas de sono podem desencadear problemas com hiperatividade e desatenção durante o começo da infância. Esses são sintomas comuns do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Eleva o risco de impotência sexual

A 25ª Reunião Anual da FeSBE (Federação de Sociedades de Biologia Experimental), em agosto de 2010, trouxe uma pesquisa que relacionou a falta de sono e o problema sexual. De acordo com o trabalho, feito na Unifesp, além do maior risco de impotência, homens que dormem pouco têm maiores chances de desenvolver problemas cardiovasculares e de engordar.

Pode levar à obesidade

Um estudo apresentado em outrubro de 2011 no Encontro Anual do American College of Chest Physicians, mostrou que jovens que dormem menos de sete horas por dia têm índice de massa corporal (IMC) maior, e que isso pode estar relacionado diretamente com os hormônios grelina e leptina, que regulam as sensações de fome e saciedade.







Conheça 12 formas de evitar o diabetes


Dia Mundial do Diabetes

Embora não seja possível prevenir completamente o surgimento da doença, há uma série de hábitos e de alimentos que reduzem esse risco

Vivian Carrer Elias
Diabetes: hábitos e alimentos saudáveis podem evitar a doença
Diabetes: hábitos e alimentos saudáveis podem evitar a doença (Thinkstock)
O diabetes tipo 2 é uma doença que pode surgir a partir da combinação de dois fatores: o genético, ou seja, o histórico da doença na família, e o ambiental, que são fatores de risco para o problema, como obesidade e sedentarismo. Isso não quer dizer, porém, que uma pessoa sem histórico familiar não possa desenvolver a doença. No entanto, médicos ouvidos pelo site de VEJA concordam em uma coisa: hábitos saudáveis reduzem de forma significativa o risco do diabetes tipo 2.
A doença — Enquanto o diabetes tipo 1 ocorre pela falta da produção de insulina, hormônio que controla os níveis de glicose no sangue, no do tipo 2 a insulina continua a ser produzida normalmente, mas o organismo desenvolve resistência ao hormônio. Segundo o Ministério da Saúde, essa doença, nas duas modalidades, atinge 5,2% dos homens e 6% das mulheres. Entre as pessoas acima de 65 anos, a incidência é de 21%.
"O diabetes tipo 2 está muito relacionado à obesidade. A gordura que se acumula no abdome promove inflamação e obriga o pâncreas a produzir cada vez mais insulina para que a glicose entre nas células", diz Celso Cukier, médico nutrólogo do Hospital Albert Einstein. Como não há nada que possa ser feito quanto à predisposição genética para uma doença, Cukier explica que a manutenção do peso (ou o emagrecimento) e uma vida fisicamente ativa são essenciais para reduzir o risco do diabetes. Além disso, como atestaram várias pesquisas científicas, há outros hábitos e determinados alimentos que podem ajudar nessa proteção. Veja abaixo quais são eles.

Perca a barriga

Um dos principais fatores de risco para o diabetes tipo 2 é o acúmulo da gordura visceral, ou seja, a gordura acumulada na região abdominal que também se concentra no fígado e entre os intestinos. “Essa gordura obriga o pâncreas a produzir cada vez mais insulina para que a glicose consiga entrar nas células. Esse excesso estimula uma série de mudanças no metabolismo, como aumento da pressão arterial e das taxas de colesterol no sangue”, explica Carlos Alberto Machado, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Portanto, o ganho de peso pode significar o aumento da gordura visceral e, consequentemente, do risco de diabetes tipo 2.
Fontes: Carlos Alberto Machado, diretor de promoção de saúde cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia; Celso Cukier, médico nutrólogo do Hospital Albert Einstein; e Roberto Betti, coordenador do Centro de Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Faça 30 minutos de atividade física diária

Muitos estudos já relacionaram o exercício físico ao menor risco de diabetes tipo 2, assim como outras pesquisas mostraram que o sedentarismo pode levar ao desenvolvimento da doença. Em 2002, um estudo clássico sobre diabetes, o Diabetes Prevention Program (DPP), mostrou que uma mudança no estilo de vida é melhor para evitar a doença do que medicamentos como a metformina, que reduz a resistência à insulina. Essa mudança no estilo de vida significa 150 minutos de atividade física por semana, uma melhora na alimentação e a perda de 7% do peso corporal em seis meses. “Embora a pesquisa tenha sido feita há dez anos, seus resultados foram comprovados pelos estudos que vieram depois”, diz Carlos Alberto Machado, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Cuidado com o sono

Um estudo da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, que foi publicado neste ano mostrou que dormir mal — ou seja, pouco ou de forma inconstante — aumenta o risco tanto de obesidade quanto de diabetes. Isso ocorre porque noites mal dormidas alteram o relógio biológico e retardam o ritmo metabólico. Essa redução pode significar um aumento de 4,5 quilos ao ano sem qualquer alteração da prática de atividade física ou dos hábitos alimentares. Com isso, há o risco do aumento de glicose e resistência à insulina no organismo, fatores que podem levar ao diabetes.

Controle o stress

Por diferentes motivos, o stress pode elevar o risco de uma pessoa desenvolver diabetes tipo 2. Uma pesquisa feita no Canadá com mais de 7.000 mulheres, por exemplo, concluiu que o stress no trabalho chega a dobrar o risco de mulheres terem a doença. Os autores desse estudo mostraram que o problema emocional está ligado a um maior consumo de alimentos gordurosos e calóricos e a um maior sedentarismo, fatores que aumentam as chances de desenvolver a doença. Além disso, o trabalho sugeriu que o diabetes se favorece por perturbações geradas nos sistemas neuroendocrinológico e imunológicos, que provocam maior produção de hormônios como o cortisol e a adrenalina.

Coma pouco e devagar e não faça jejum

Comer muito, especialmente alimentos calóricos e gordurosos, aumenta o acúmulo da gordura abdominal, um fator de risco importante para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. No entanto, não é só a qualidade e a quantidade do que se come que interfere nas chances da doença aparecer. De acordo com uma pesquisa apresentada no Congresso Internacional de Endocrinologia, em maio deste ano, na Itália, a incidência do diabetes é maior em pessoas que comem muito rápido em comparação com quem come mais devagar. O risco, segundo esse estudo, pode chegar a ser 2,5 vezes maior. A frequência com que comemos também interfere nessa probabilidade: uma pesquisa apresentada durante a FeSBE (Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental) de 2011, mostrou que intercalar períodos de jejum e comilança pode causar diabetes, perda de massa muscular e aumentar a produção de radicais livres

Sempre que puder, evite comer gordura

A gordura abdominal favorece a resistência a insulina, quadro que está relacionado ao diabetes tipo 2. Portanto, alimentos gordurosos são fatores de risco para a doença, como provaram diversos estudos sobre o assunto. Pesquisadores da Harvard, por exemplo, concluíram que o risco de desenvolver diabetes tipo 2 aumenta 51% se forem consumidos 50 gramas de carne vermelha processada por dia, e 19% se forem ingeridos 100 gramas diárias de carne vermelha não processada. No entanto, algumas mudanças nos hábitos alimentares podem evitar a doença. No mesmo estudo, esses especialistas mostraram que se uma pessoa que consome 100 gramas de carne vermelha todos os dias substitui o alimento por frutas secas para obter a mesma quantidade de proteínas, o risco diminui em 17%. Este número aumenta para 23% se forem consumidos cereais integrais.

Prefira alimentos integrais

Os alimentos integrais, como pães e arroz, por exemplo, são excelentes alternativas para substituir alimentos que possuem farinha de trigo, como o pão francês. Esse tipo de comida é conhecida por elevar rapidamente as taxas de glicose no sangue, o que pode favorecer o surgimento do diabetes tipo 2, especialmente entre pessoas com maior risco da doença. Açúcar branco, frutas em calda enlatadas e batatas também possuem alta carga glicêmica. "Quanto menor o índice glicêmico, melhor para o paciente evitar a doença. Alimentos ricos em fibra e integrais são ideais para isso", diz o médico Celso Cukier. 

Coma frutas, mas não exagere

Frutas fazem parte de uma alimentação saudável e devem ser ingeridas todos os dias. Porém, há uma grande disparidade na quantidade de frutose, o açúcar das frutas e do mel, que elas contêm. Como ela é metabolizada diretamente pelo fígado, não precisa de insulina para sua quebra primária. Porém, isso não permite o seu consumo em excesso. "A fruta tem muito carboidrato e frutose, mas ela não pode ser eliminada da dieta. Por isso, pessoas predispostas ao diabetes tipo 2 devem evitar as mais adocicadas, como as uvas ou o caqui, ou então consumí-las de forma moderada", diz Roberto Betti, coordenador do Centro de Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Coma queijo e iogurte, mas não exagere

Duas fatias de queijo ou meio pote de iogurte (55 gramas) por dia podem reduzir o risco de diabetes tipo 2 em 12%. O restante dos laticínios, porém, não surtem o mesmo benefício, embora não aumentem o risco da doença. Essas foram as conclusões de um estudo holandês publicado em julho deste ano. Segundo os autores dessa pesquisa, como o queijo, além das gorduras saudáveis, também contenha gordura saturada, o excesso desse tipo de alimento não é recomendado. "Alguns estudos já mostraram que existe uma inteiração entre as células de gordura e o cálcio que ajuda a prevenir a obesidade. No entanto, é preciso tomar cuidado com os excessos", diz Celso Cukier, nutrólogo do Hospital Albert Eistein.

Beba café descafeinado

Por causa do efeito da cafeína, o café nem sempre é recomendado a pessoas que apresentam tendência a ter doenças cardiovasculares. No entanto, um estudo americano publicado no início do ano mostrou que a bebida descafeinada, além de não provocar condições como pressão alta, pode proteger o organismo contra diabetes tipo 2. "Vários estudos mostraram que os antioxidantes presentes em bebidas como café e chá podem, de alguma forma, reduzir o risco do diabetes. O que falta sabermos é qual a quantidade e o tipo ideais da bebida que surtem tal efeito", afirma Celso Cukier, nutrólogo do Hospital Albert Einstein.

Se beber, vá de vinho tinto

Várias pesquisas já provaram os benefícios do vinho tinto à saúde (desde que consumido moderadamente). Por isso é possível considerar uma taça ao dia como um aliado na diminuição do risco de diabetes tipo 2, como confirmaram os resultados de um estudo da Universidade de Recursos Naturais e Ciências da Vida, em Viena, na Áustria. Porém, além do teor alcoólico, o vinho também pode ser extremamente calórico. Portanto, o exagero não só não reduz as chances do diabetes, como também eleva o risco.

Coma amêndoas

Pelo menos de acordo com os resultados de um estudo americano publicado no final de 2010, as amêndoas são armas poderosas contra o diabetes tipo 2, especialmente entre pessoas que têm predisposição à doença — ou seja, com níveis de glicose no sangue acima do normal ou com histórico familiar da condição. Segundo a pesquisa, esses alimentos aumentam a sensibilidade à insulina e, consequentemente, reduzem os níveis de açúcar na corrente sanguínea.











domingo 18 2012

Parada gay lota a orla da praia de Copacabana


Rio de Janeiro

Com o lema 'Coração não tem preconceitos. Tem amor', evento atraiu cerca de um milhão de pessoas para a Avenida Atlântica, segundo a organização

Parada Gay: participantes fantasiados tomam conta da orla de Copacabana
Parada Gay: participantes fantasiados tomam conta da orla de Copacabana (Bia Alves/Fotoarena)
Depois de um feriado de dias nublados e com chuvas, o domingo ensolarado no Rio de Janeiro levou milhares de pessoas para a orla de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, para conferir a 17ª Parada do Orgulho LGBT. Com o lema Coração não tem preconceitos. Tem amor, o evento organizado pelo Grupo Arco Íris e Instituto Arco Íris colocou 13 trios elétricos para agitar a Avenida Atlântica e conscientizar a população sobre a violência e discriminação contra os homossexuais. Segundo os organizadores, um milhão de pessoas acompanharam o desfile.
"Só pode haver política pública efetiva se for para todos, e o público LGBT estava, há décadas, sem apoio", disse o coordenador do programa do governo estadual Rio Sem Homofobia, Cláudio Nascimento, que citou estatísticas recentes do IBGE mostrando que menos de 10% dos municípios brasileiros têm políticas públicas nessa área. A abertura oficial do evento foi feita pelo secretário de estado do Ambiente, Carlos Minc, que ficou durante todo o trajeto aproveitando a festa e dançando no primeiro carro de som.
Participaram também do evento as Mães da Igualdade, organização de mulheres que perderam seus filhos em decorrência da violência homofóbica. Em abril deste ano, um estudo feito pelo Grupo Gay da Bahia identificou que 266 pessoas foram assassinadas em 2011 em virtude de sua orientação sexual.

Renan Calheiros e as 'circunstâncias políticas'


Congresso

NOJO!!!

Cinco anos depois de renunciar à presidência do Senado fustigado por um escândalo político, senador alagoano se prepara para reassumir o cargo

Laryssa Borges, de Brasília
Renan Calheiros, senador (PMDB-AL)
Renan Calheiros, senador (PMDB-AL) (Minervino Junior/Agência BG Press)
"Presidir esta Casa é consequência das circunstâncias políticas”. Era 4 de dezembro de 2007, quando o alagoano Renan Calheiros, um dos principais líderes do PMDB, cedeu e, para usar suas próprias palavras, decidiu “arredar o pé” e renunciar à presidência do Senado Federal. A decisão, lida às 16h no plenário, marcou o desfecho de uma crise que se arrastou por 194 dias e evitou que ele, enxovalhado por denúncias, mais do que a cadeira de presidente, perdesse também o mandato.
Aos 57 anos, 18 deles no Senado, Renan Calheiros se considera um sobrevivente. Aprendeu desde cedo que, nos corredores do Legislativo estadual ou nos carpetes de Brasília, deveria manter sempre o pé em duas canoas. Apontado como um dos mais hábeis políticos em atividade, tem como lema negociar antes de enfrentar, mas também é conhecido pela personalidade vingativa e pelo apetite voraz pelo poder. Depois de passar cinco anos atuando nos bastidores, remendando alianças estremecidas e contemplando aliados, Renan se prepara para sair das sombras e voltar à presidência do Senado em fevereiro - com o aval do Palácio do Planalto.
Diplomático, o peemedebista não bate de frente com candidatos alternativos à sucessão de José Sarney. Para aliados, é propositadamente “dissimulado”. Em campanha velada, distribui afagos – e, como de praxe, promete cargos – para aplacar potenciais opositores. No Senado, amansou peemedebistas: Roberto Requião ficou com a presidência do braço brasileiro do Parlamento do Mercosul; Eduardo Braga virou líder do governo; Romero Jucá foi nomeado relator do Orçamento para 2013; e Vital do Rêgo ganhou notoriedade como presidente da CPI do Cachoeira.
"Ele nasceu para fazer política, tem o dom da articulação. Participa, influencia, decide, ajuda. Renan é um articulador nato, ele sabe fazer", diz o líder do PTB no Senado, Gim Argello.
Atualmente, voltou a cair nas graças do Palácio do Planalto por ter atuado diretamente no controle do ritmo – e da abrangência (restritíssima) - das investigações da comissão de inquérito que apuraria as relações do contraventor goiano Carlinhos Cachoeira com empresas e políticos. Também é relator da prioritária medida provisória que propõe mudanças no setor elétrico, considerada a menina dos olhos da presidente Dilma Rousseff. Reservadamente, diz não acreditar que a relatoria da MP possa sacramentá-lo na presidência do Senado. Mas sabe que qualquer deslize na condução do texto sobre os novos contratos do setor elétrico invariavelmente provocará uma ofensiva direta do Palácio do Planalto contra suas aspirações.
Renan atribui as lições políticas a José Sarney e ao apoio pessoal que recebeu do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no auge da crise de 2007. Hoje, depois de ver o próprio Sarney se safar do escândalo dos atos secretos no Congresso, em 2009, o alagoano afirma nos bastidores que não precisava necessariamente ter renunciado à presidência do Senado. E insiste no discurso de que foi a imprensa quem tentou lhe tomar o mandato.
Entre altos e baixos, aliados e desafetos são unânimes em afirmar que o instinto de sobrevivência de Renan é a sua principal característica. E lembram que, em momentos de tensão na base governista, era Renan quem insuflava as rebeliões e, em seguida, assumia o papel de interlocutor com o Palácio do Planalto para dissipar a crise. Em troca, nunca saiu de mãos vazias.
Em embates pessoais, atribuiu ao usineiro João Lyra parte do escândalo envolvendo a jornalista Mônica Veloso, em 2007. Conforme revelou VEJA, o senador tinha despesas pessoais pagas por Cláudio Gontijo, lobista da construtora Mendes Júnior. Entre os préstimos do empresário estavam a pensão e o aluguel da jornalista, com quem o senador teve uma filha fora do casamento.
Dos cinco processos aos quais respondeu no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar no auge da crise – as denúncias envolviam lobby em favor da Schincariol, cobrança de propina em ministérios controlados pelo PMDB e espionagem de adversários políticos – o que considera ter enfrentado com maior desgaste foi a revelação de sua relação extraconjugal. Acreditava que estava passando por “duas guerras”, uma política, na qual os senadores Arthur Virgílio (PSDB), Demóstenes Torres (DEM) e Pedro Simon (PMDB) pediam sua cabeça em plenário, e outra mais acirrada: em casa. Sua esposa Verônica e os três filhos, incluindo o deputado Renan Filho (PMDB), lhe viraram as costas.
"Tenho muito respeito pelo Renan. Ele tem qualidades. Ajudou a transformar o Collor em presidente da República, e isso apesar de o Collor ter brigado com Renan antes. Mas, taticamente, para ele não é interessante entrar nessa jogada de sucessão no Senado. Em 2007 ele renunciou à presidência antes da votação da cassação dele e agora volta? Não fica bem", diz o rival de outrora Pedro Simon.
As relações dúbias de Renan com aliados e desafetos já envolveram, por exemplo, uma sociedade oculta com João Lyra, que viria a romper com o senador depois, para a compra de veículos de comunicação. Nas eleições municipais de outubro deste ano, no entanto, Renan Calheiros não viu problema em se aliar ao próprio Lyra para apoiar a candidatura do pedetista Ronaldo Lessa à prefeitura de Maceió. Os tentáculos do provável futuro presidente do Senado vão desde sua assinatura na ata de fundação do PSDB, em junho de 1988, até as alianças oscilantes com o senador Fernando Collor e com o atual governador de Alagoas, Teotônio Vilela.
Na relação direta com o Palácio do Planalto, agora revitalizada depois de o PMDB ter emitido sinais de que não aceitaria o nome do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, como candidato à sucessão de Sarney, Renan capitaneou rebeliões para barrar em março no Congresso a recondução de Bernardo Figueiredo ao cargo de diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A grita do PMDB é histórica: sempre está insatisfeito com o ritmo de liberação de emendas parlamentares, com a morosidade na nomeação de apadrinhados, com a falta de autonomia dos ministros não petistas.
Sem Lobão e agora com caminho livre para ser ungido presidente do Senado, Renan Calheiros revelou a interlocutores ter a convicção de que pode sair vitorioso facilmente. Acredita que já não tem de enfrentar as três principais pedras nos seus sapatos dos idos de 2007: a força de oratória do senador Pedro Simon e as línguas afiadas do ex-senador tucano Arthur Virgílio, ex-amigo pessoal, e do senador Demóstenes Torres, cassado após revelações de parceria espúria com Carlinhos Cachoeira. Para o político alagoano,o passado não é capaz de impedir seu retorno à presidência do Senado. Presidir o Senado, diz ele, é mesmo  “consequência das circunstâncias políticas”.

David Bowie - Starman (1972) HD

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José Rubem Fonseca



José Rubem Fonseca
 
Rubem Fonseca nasceu em Juiz de Fora (MG), em 1925, e mora no Rio de Janeiro desde os oito anos. Formado em Direito, exerceu várias profissões antes de se dedicar inteiramente à literatura, como contista, romancista, ensaísta e roteirista. Seus primeiros livros, Os prisioneiros (1963) e A coleira do cão (1965) são de contos. Os dois bastaram para que Rubem Fonseca fosse consagrado como um dos mais originais prosadores brasileiros. O crítico Wilson Martins escreveu, em 1966, no jornal O Estado de São Paulo: “Sr. Rubem Fonseca vence brilhantemente a prova do segundo livro (...) Se figurarmos os nossos autores de hoje em seus lugares respectivos na escada da glória, nada mais fácil do que perceber que, com Sr. Rubem Fonseca, a literatura brasileira ganhou um dos seus escritores mais importantes”. Depois vieram outras obras-primas, entre as quais Lúcia McCartney, A grande arte, Buffo & Spallanzani e Agosto. Rubem Fonseca reinventou entre nós uma literatura noir, ao mesmo tempo clássica e pop, brutalista e sutil. 
 
“É o mais importante livro de ficção brasileira dos últimos anos.” Esta frase de Sérgio Sant’Anna resume o impacto do lançamento de Lúcia McCartney em 1969. Passados mais de quarenta anos, ainda surpreende a inventividade do autor em contos como “Lúcia McCartney”, sobre uma prostituta da Zona Sul. Misturando erudição e modernidade, Rubem produziu um clássico da literatura contemporânea.
 
Seu primeiro romance, O caso Morel, de 1973, é um marco na literatura policial brasileira. Preso por homicídio, o artista plástico Paul Morel escreve um livro para relembrar sua vida e, principalmente, a morte de Joana, uma das mulheres com quem viveu, motivo de sua prisão. Vilela, escritor e ex-policial que Morel chama para ajudá-lo, se envolve na história e tenta provar a inocência do artista. Depois vieram outros livros de contos e, em 1983, Rubem lançou A grande arte, seu segundo romance. O protagonista é o advogado Mandrake, que busca descobrir quem é o assassino de mulheres que marca, com uma faca, a letra P no rosto das vítimas. 
 
Em Agosto (1990), o autor mistura ficção e realidade para dissecar o atentado frustrado contra o jornalista Carlos Lacerda, opositor do presidente Getúlio Vargas, que causou uma das maiores reviravoltas da história do Brasil. O livro foi um sucesso de público e crítica e deu origem à minissérie homônima, da Rede Globo. Várias obras de Rubem Fonseca já foram adaptadas  para o cinema, o teatro e a televisão.
 
Em O seminarista, seu décimo primeiro romance, de 2009, Rubem mais uma vez mostra sua habilidade em levar o leitor para dentro da narrativa. O matador de aluguel José é um ex-seminarista que vive lembrando frases latinas, gosta de poesia e cinema. Ele recebe os “serviços” de um personagem misterioso chamado Despachante. Disposto a iniciar uma vida nova, aposentado e apaixonado, ele começa a receber dicas de que seria alvo de um antigo cliente. Conciso e intenso, o romance tem final surpreendente.
 
Com mais de vinte e cinco grandes livros publicados, entre romances e contos, Rubem Fonseca é um dos escritores mais influentes da atualidade, vencedor do Prêmio Camões (o mais importante da língua portuguesa, pelo conjunto da obra), do Prêmio Juan Rulfo e do Jabuti (cinco vezes), entre vários outros, nacionais e internacionais.
 
 
OBRAS
 
Contos & Crônicas
Os Prisioneiros ( 176 págs.) – 1963, 2009, Agir
Lúcia McCartney (240 págs.) – 1957, 2009, Agir
O Buraco na parede – 1995 (nova edição no prelo), Agir 
Histórias de amor – 1997 (nova edição no prelo), Agir
A Confraria dos espadas – 1998, 2002, Cia. das Letras
64 Contos de Rubem Fonseca (org. Tomás Eloy Martinez) -  2004 (nova edição no prelo), Agir
Mandrake, a Bíblia e a Bengala – 2005 (nova edição no prelo), Agir
O Romance Morreu – 2007 (nova edição no prelo), Agir
Secreções, excreções e desatinos (184 págs.) -  2001, 2010, Agir 
O Cobrador (240 págs.) – 1979, 2010, Agir
Feliz Ano Novo (152 págs.) – 1975, 2010, Agir 
A Coleira do cão (256 págs.) – 1965, 2010, Agir 
Ela e outras mulheres (224 págs.)  – 2006, 2010, Agir
Axilas e Outras Histórias Indecorosas (214 págs.) – 2011, Nova Fronteira
Contos de Amor – (no prelo), Nova Fronteira
Romance negro e outras histórias (248 págs.) – 1992, 2011, Nova Fronteira
Pequenas criaturas (344 págs.) - 2002, 2011, Nova Fronteira
2009 - Os prisioneiros2009 - Lúcia McCartney1992 - Romance negro e outras histórias1995 - O buraco na parede2010 - Secreções, excreções e desatinos2010 - O cobrador2010 - Feliz ano novo2010 - A coleira do cão2010 - Ela e outras mulheres2011 - Axilas e outras histórias indecorosas
2011 - Romance Negro e Outras HIstorias2011 - Pequenas criaturas
 
 
Romances
Diário de um fescenino – 2003 (nova edição no prelo), Agir
Agosto (368 págs.) – 1990, 2010, Agir
O caso Morel (192 págs.) – 1973, 2010, Agir
Vastas emoções e pensamentos imperfeitos (318 págs.) – 1988, 2010, Agir
A grande arte  (531 págs.) – 1983, 2010, Agir
José (168 págs.) – 2011, Nova Fronteira
O selvagem da ópera (332 págs.) – 1994, 2011, Nova Fronteira
Bufo & Spallanzani (352 págs.) – 1985, 2011, Nova Fronteira
2003 - Diário de um fescenino2010 - Agosto2010 - O caso Morel2010 - Vastas emoções e pensamentos imperfeitos2010 - A grande arte2011 - José2011 - O Selvagem da óperaBufo Spallanzani
 
 
Novelas
E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto – 1997 (nova edição no prelo), Agir 
O doente Molière – 2000 (nova edição no prelo), Agir
O Seminarista (184 págs.) - 2009, Agir
1997 - E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto2009 - O seminarista
 
 
Antologias
Romance negro e outras histórias – 1992, 2001, Cia. das Letras
Contos reunidos - 1994, 2000, Cia. das Letras
O homem de fevereiro ou março (395 págs.) – 1973, 2010, Nova Fronteira
2001 - Romande negro e outras histórias2010 - O homem de fevereiro ou março
 
 
Participação em Coletâneas
”O agente”, “O pedido”, “O orgulho” e crônicas inéditas “O 5º suspeito” e “Pipoca”.
In: Literatura em minha casa. Volume 2, Crônica e conto, Companhia das Letras, 2003.
 
“Família é uma merda”.
In: Vinte ficções breves. Unesco, 2002.
 
“O cobrador” e “O exterminador”.
In: Os 100 melhores contos de crime e mistério. Ediouro, 2002.
 
“O caso de F.A.” e “A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro”.
In: Lapa do desterro e do desvario. Casa da Palavra, 2001.
 
'A força humana', 'Passeio noturno I', 'Passeio noturno II','Feliz ano novo', 'A confraria dos espadas'
In: Os cem melhores contos brasileiros do século. Organização de Ítalo Moriconi. Objetiva, 2000.
 
'O agente'
In: Trabalhadores do Brasil. Geração Editorial, 1998.
 
'Abril no Rio, em 1970'
In: Onze em campo e um banco de primeira. Relume-Dumará, 1998.