sábado 25 2012

Elvis Presley - My Way ( Hawaii Rehearsal Concert 1973 )

ELVIS PRESLEY CLOSING NUMBER INDIANAPOLIS CAN'T HELP FALLING IN LOVE 1977

35 curiosidades nos 35 anos de morte de Elvis Presley


Hoje, Elvis Presley completa 35 anos de morte. A data inspira uma série de homenagens pelo mundo. A cidade de Memphis, no Tennessee (EUA), sedia a Semana de Elvis. Na programação, estão inclusos concursos de sósias, palestras sobre rock, show de talentos, mostra de filmes, gincanas, festas de dança e um concerto especial de tributo ao Rei, programado para esta noite (16).
Aqui no Brasil, a atração mais esperada é “The Elvis Experience”, a maior exposição internacional sobre Elvis já feita no mundo. A atração – sediada no paulistano Shopping Eldorado – abrirá suas portas no dia 5 de setembro. Entre os itens prometidos, há carros do cantor, motocicletas e peças de roupa icônicas.
Confira 35 curiosidades que o Blog do Curioso preparou em homenagem ao Rei do Rock:
1. Elvis Aaron Presley nasceu no dia 8 de janeiro de 1935 na cidade de Tupelo, no estado norte-americano do Mississipi. Seu irmão gêmeo, Jesse Garon Presley, nasceu morto.

Elvis com seus pais
2. Gladys Love Smith Presley era uma mãe-coruja. Até Elvis completar 15 anos de idade, ela o acompanhava na ida e na volta da escola todos os dias e o fazia usar seus próprios utensílios para não se contaminar com os germes de outros alunos. O jovem Elvis era proibido de nadar e fazer qualquer coisa considerada perigosa pela mãe.

Elvis Presley, durante a adolescência
3. O pai de Elvis, Vernon Presley, ficou na cadeia por oito meses quando o cantor tinha três anos. Ele foi acusado de falsificar cheques. Por causa desse transtorno, Vernon Presley acabou perdendo sua casa.
4. Em 1948, quando Elvis tinha 13 anos, a família Presley mudou-se para Memphis, no Tennessee. Foi nessa cidade em que a carreira de Elvis começou.
5. Elvis ganhou seu primeiro violão de presente de sua mãe em seu aniversário de 11 anos, em 1946. O presente teve o objetivo de convencer Elvis a desistir da ideia de comprar uma espingarda. Tupelo Hardware, a loja onde ela comprou o instrumento, ainda existe na cidade natal do cantor.
6. Antes da fama, Elvis foi motorista de caminhão da companhia de energia Crown. Nessa época, quando tentou entrar em uma banda profissional liderada por Eddie Bond, foi rejeitado. O músico disse que “era melhor continuar dirigindo caminhões, porque nunca conseguiria ser cantor”. Meses depois, Elvis gravou “That’s All Right (Mama)”, que se tornou um hit em Memphis. Com o sucesso, Eddie Bond convidou o cantor para sua banda. Elvis recusou educadamente.
7. Em 1953, Elvis gravou as músicas “My Happiness” e “That’s Where Your Heartaches Begin”. A gravação no estúdio custou apenas quatro dólares.
8. A primeira aparição de Elvis Presley na televisão foi no dia 28 de janeiro de 1956. Ele cantou a música “Heartbreak Hotel”. A letra foi inspirada na notícia de um suicídio que ele leu em um jornal. 
9. Para acertar a gravação da música “Hound Dog”, Elvis Presley teve de repeti-la 31 vezes. O resultado ficou assim:
10. A mansão “Graceland” foi adquirida pelo astro em março de 1957, por 100 mil dólares. Antes de ser convertido em uma mansão de 25 quartos, o terreno abrigava uma igreja.
11. Elvis Presley foi convocado pelo Exército dos Estados Unidos no dia 24 de março de 1958. Ele ganhava 78 dólares por mês e era proibido de acessar sua receita artística de cerca de 400 mil dólares mensais. Sua mãe, Gladys, morreu um dia depois da volta do cantor para casa, em 14 de agosto de 1958.
12. Em 1960, o single de Elvis Presley “It’s now or never” fez com que um presidiário percebesse que deveria seguir a carreira musical. Era Barry White, que estava preso havia quatro meses por ter roubado pneus.
13. Priscilla Ann Wagner conheceu Elvis quando o astro estava servindo ao Exército norte-americano na Alemanha. Elvis era 10 anos mais velho que Priscilla, que, na época, tinha 14 anos. Elvis e Priscilla Presley se casaram em 1º de maio de 1967, em Las Vegas, e ficaram juntos até janeiro de 1973, quando Priscilla trocou Elvis por seu professor de karatê.
14. No dia 1º de fevereiro de 1968, nasceu Lisa Marie Presley, a única filha de Elvis. Ela chamava o pai de “Yisa” e “Buttonhead”. Lisa Marie seguiu a carreira do pai, tendo sido apelidada pela imprensa como “a princesa do rock”. Ela já foi casada com Michael Jackson e com o ator Nicolas Cage – fanático por Elvis.
15. Antes de morrer, Elvis Presley consumia cerca de 90 mil calorias por dia – o dobro do que come um elefante asiático. Só o café da manhã dele incluía mais de cinco mil calorias: seis ovos quentes com manteiga, ½ quilo de bacon, 250 gramas de linguiça e 12 biscoitos amanteigados.
16. Nos anos 60, os Beatles fizeram uma visita ao Rei do Rock. Jogaram bilhar e cantaram juntos, mas, para a tristeza dos fãs, não gravaram músicas.
17. Elvis tinha dois jatinhos. Um levava o nome de sua filha, Lisa Marie, e o outro foi batizado com o título da música “Hound Dog”.
18. A música “Almost in Love”, gravada por Elvis nos anos 60, foi composta pelo brasileiro Luiz Bonfá.
19. No dia 15 de agosto de 1977 foi tirada a última foto de Elvis. Ele entrava pelos portões de sua casa vindo do dentista.
20. Elvis Presley morreu no dia 16 de agosto de 1977. Seu corpo foi encontrado pela namorada da época, Ginger Alden, em um dos banheiros da mansão Graceland. Inicialmente, sua morte foi divulgada como resultado de um ataque cardíaco. Depois, descobriu-se que o uso de drogas contribuiu substancialmente para levá-lo à morte. Ele tinha 42 anos.
21. O corpo de Elvis foi sepultado inicialmente no cemitério de Forest Hill, em Memphis. No entanto, uma tentativa de roupo do cadáver fez com que a família mudasse o túmulo para um jardim atrás da mansão Graceland.
22. Seu primeiro Cadilac foi comprado em 1955. O carro era azul, mas Elvis o mandou pintar de rosa. O Cadilac foi um presente para a mãe dele, e custou cinco mil dólares. Aliás, esse era um presente que Elvis gostava de dar. Certa vez, para agradar seus amigos de Memphis, o rei do rock comprou vários Cadilacs e distribuiu para a turma. E como se os presentes não bastassem, quando Elvis queria ir ao cinema com seus amigos de Memphis, ele fechava uma sala só para eles.
23. Os macacões brancos que marcaram a fase final da carreira de Elvis foram criados por ele mesmo, inspirado nos quimonos de caratê. O cantor era faixa preta no esporte.
24. Os únicos shows internacionais de Elvis aconteceram no Canadá. Ele fez uma turnê de três apresentações no país vizinho aos Estados Unidos em 1957.
25. A mansão Graceland é o segundo ponto mais visitado dos Estados Unidos, perdendo apenas para a Casa Branca. Equipados com aparelhos individuais, os turistas que visitam a casa de Elvis podem ouvir uma apresentação em áudio, que oferece opções em alemão, espanhol, francês, holandês, inglês, italiano, japonês e português.
26. Na primeira vez que apareceu na televisão americana em rede nacional, Elvis não foi filmado da cintura para baixo por causa de sua dança “imoral”. Veja se você concorda:
27. Elvis fez apenas um comercial de televisão, para a Southern Maid Doughnuts, que foi ao ar em 1954.
28. A música “Love Me Tender” começou a fazer sucesso em 1956. Por 19 semanas permaneceu nas paradas, sendo cinco semanas como a música número 1. A canção, que foi tema do primeiro filme de Elvis, é uma adaptação da cantiga popular “Aura Lee”, escrita em 1861.
29. Em 1967, Elvis Presley ganhou um prêmio de melhor performance de música gospel. Na ocasião, declarou que não era gostava de ser chamado de rei. “Cristo é o Rei. Eu sou apenas um cantor”, concluiu.
30.  Elvis se apresentou no Havaí em 1973. O show foi o primeiro a ser transmitido via satélite. Cerca de 1,5 bilhão de pessoas em 40 países assistiram ao concerto.
31. No fim da carreira, o cantor distribuía para o público cerca de 30 echarpes em seus shows.
32. O último show de Elvis aconteceu no dia 25 de junho de 1975, em Indianápolis, Estados Unidos. A última música cantada ao vivo foi “I Can’t Help Falling in Love with You”.
33. A última refeição de Elvis Presley foram quatro bolas de sorvete com seis cookies de chocolate. A última música que ele cantou foi “Blue Eyes Crying in the Rain”. Ele a tocou no piano na noite de sua morte.
34. Em 1977, havia 170 sósias de Elvis. Em 2000, eram 85.000. Se o número continuar crescendo na mesma proporção, em 2020 um terço da população mundial será de sósias de Elvis Presley.

Sósia de Elvis Presley
35. Apesar de ter gravado mais de 600 canções, Elvis Presley não escreveu nenhuma delas.
http://guiadoscuriosos.com.br/blog/








Teatro Dulcina reabre com Fernanda Montenegro



O monólogo “Viver sem tempos mortos” faz parte da programação de revitalização do espaço no Rio

Paula Costa, especial para o iG 20/08/2011 00:45

Texto:
Fernanda Montenegro homenageia Dulcina de Moraes, com espetáculo que marca a reabertura do teatro que leva o nome da atriz, falecida em 1996. O espaço é conhecido por valorizar artistas, e formar atores. Inaugurado em 1955, a Fundação Brasileira de Teatro, era uma das grandes alegrias de Dulcina, que se dedicou integralmente ao projeto. “Esse teatro era a casa dela. Retomar esse espaço é muito importante. Essa revitalização é mais que especial. Tenho certeza que a Dulcina está muito feliz”, afirma Fernando Montenegro, que se emociona, ao lembrar da atriz. “Quero deixar viva a memória de Dulcina. Uma mulher brava, que lutou muito pela cultura. Estudou muito para trazer cenários fixos, iluminações modernas. O teatro deve muito a ela”, completa.
O teatro, que fica no Centro do Rio de Janeiro, terá programações especiais, para revitalizar não só o espaço físico, mas também para reavivar a cultura local. “Essa área da Cinelândia tem os melhores espaços de teatro. Temos o Theatro Municipal, o Teatro João Caetano, e o Teatro Dulcina. Um lugar de fermentos de uma vida cultural intensa”, ressalta Fernanda. “Eu acho que o Brasil talvez não saiba o que esse teatro significa. A minha vida inteira eu estive aqui. Não se perdia um espetáculo”, conta ao fazer um pedido para que os jovens freqüentem e desfrute do local. “O público mais novo deve vir não só como espectador, mas com grupos de visitas, aqui tem muita história. Dulcina foi uma mulher muito ligada a esse processo educacional. Sem dúvida, ela queria mais vitalidade ao teatro”, garante Fernanda.
No monólogo “Viver sem tempos mortos”, a atriz interpreta textos criados a partir das correspondências trocadas entre Simone de Beauvoir, escritora, pensadora e ensaísta francesa, e Jean Paul-Sartre, filósofo e artista militante. Desde a ruptura com as tradições familiares até sua ligação afetiva com Sartre. O texto funciona como um depoimento, na primeira pessoa, interpretado de forma excepcional, por Fernanda Montenegro. Verdades, dores e alegrias são expostas ao público, numa montagem minimalista, como ela mesma define. “Gosto muito da história de Simone de Beauvoir. Identifico-me com sua visão do feminino, com a paixão pela vida”, declara.
Com direção de Felipe Hirsch o espetáculo leva a reflexão sobre o cotidiano e as contradições humanas. “Fernanda se aproximou de Simone por meio da emoção”, revela o diretor. Texto denso, cenário limpo e iluminação sóbria. Tudo isso com a sensibilidade da grande Fernanda Montenegro. “Acho que de vez em quando a gente tem que fazer um monólogo para testar o talento. Acho que ainda estou bem, com um texto deste”, brinca. “Sempre sinto um friozão na barriga, com um monólogo. Mas é bom sair satisfeita”, finaliza.
A apresentação aconteceu nesta sexta-feira (19), no Teatro Dulcina, que fica na Cinelândia. Haverá mais duas exibições no sábado, e domingo, às 19h.

Fernanda Montenegro sobre mulheres de sua família: "São danadas"



Atriz volta aos palcos com texto baseado em cartas de Simone de Beauvoir e mostra que força não é característica só do personagem

Marília Neves e Marco Tomazzoni, iG Gente 
Fernanda Montenegro estava afastada dos palcos havia oito anos quando, em 2009, iniciou uma turnê com o espetáculo “Viver Sem Tempos Mortos”, onde resumiu a história e as cartas de Simone de Beauvoir a Jean-Paul Sartre e colocou, sobre o tablado, a consciência da filósofa e feminista francesa. “Foi mais uma revisão da minha vida do que um passeio na obra de Simone”, definiu a atriz.

André Giorgi
Fernanda Montenegro se prepara para reestrear peça em São Paulo
O monólogo traz Fernanda envolvida em seu absoluto talento. Como se fosse Simone narrando a própria vida, ela passa uma hora sentada em uma cadeira e tem como apoio de cenário apenas a luz de um holofote. “Suo muito. Não ando em nenhum momento, mas tem que ter uma concentração enorme”, afirma.
Referência para jovens atores, Fernanda surpreende e mostra modéstia ao afirmar que sente a reestreia do espetáculo diferente das primeiras apresentações da peça. “Senti que algo se fortaleceu. E acho que eu melhorei”, afirma a atriz, que conversou com o iG Gente sobre seu retorno aos palcos.
No bate-papo, ela mostrou que a força feminina não é marca apenas de sua personagem e, sim, de todas as mulheres de sua família: "temos mulheres muito fortes. Mulheres danadas, são umas guerreiras".
iG: Que fala da peça a senhora mais se identifica ou que mais gosta de pronunciar?Fernanda Montenegro: Ah, tem muitas! “É o meu passado que define a minha abertura para o futuro. O meu passado é referência que me projeta e que eu devo sempre ultrapassar”. São coisas assim...
iG: Você comentou que leu o primeiro livro de Simone de Beauvoir aos 19 anos (“O Segundo Sexo”) e que demorou quatro anos na preparação da peça. Como foi o processo de criação?Fernanda Montenegro: Para ler toda a obra dela, acho que levaria 60 anos. Então, li a autobiografia e as correspondências dela para o Sartre. Porque eles se escreviam barbaramente. Já tinha telefone, mas tudo era escrito. Não reli os romances, porque o que me interessava era, justamente, o depoimento direto da vida deles.
André Giorgi
Fernanda Montenegro sobre a morte de Fernando Torres: "Você fica maneta, tem que aprender a viver de novo"
iG: Sartre e Simone tiveram uma relação de cumplicidade muito grande. E a senhora também teve uma relação na vida bastante próxima disso, com seu marido, Fernando Torres. A senhora consegue fazer esse paralelo entre os dois casais?Fernanda Montenegro: Acho que todo casal que permanece depois de atravessar todos os pontos mortos cria uma necessidade mútua inarredável. Na medida que um aprende o caminho do outro, tem uma simbiose aí, seja em que escala for, em que nível social for, que nível cultural for, que se assemelha. Sou de uma família de casamentos de longos anos. Todos têm problemas. Durante a vida, vão se acotovelando, mas tem momento que formam uma unidade inseparável. E quando acontece a perda da pessoa, você fica maneta. Tem que aprender a viver de novo. Porque são anos, ou na glória do encontro ou na tragédia do desencontro, mas vão permanecendo naquele vício um do outro. Fica difícil.
iG: Isso te ajudou a retratar Simone no palco, mergulhar no personagem?Fernanda Montenegro: Você sabe que a morte é um sentimento de perda parecido para todas as pessoas, né?, quando a morte chega perto da sua vida. Outro dia eu li um pensamento muito interessante, que a morte é como um véu. Então, durante a vida você vai vendo a morte através de um véu. Aí, um dia, o véu se levanta e alguém muito perto de você morre. É a hora que o véu se levanta e você vê. Depois, com o tempo, o véu vai baixando de novo e você vai vendo a entidade morte através desse véu. Até a hora que o véu se levanta de novo e você entra no contato direto com a morte. Acho que esse é um pensamento bonito.
André Giorgi
Fernanda Montenegro
iG: Em que nível a senhora concorda que “por trás de uma grande mulher, há sempre um grande homem”? 
Fernanda Montenegro: Bom, eu acho que sem Fernando eu não teria feito a vida que fiz. E não digo isso porque ele já não está mais aqui. Ele sabia disso e eu sempre soube disso. Nós nos juntamos a propósito de uma vocação de nós dois, e viemos juntos pela vida, batalhando. Às vezes, os embates eram violentos, mas sobrevivemos a isso. E em nossa dedicação a esse tipo de arte, de artesanato, de trabalho, ofício, esse ponto de vista comum, nos amparamos muito e não teríamos feito a vida que fizemos se não tivéssemos nos encontrado.
iG: Na entrevista coletiva a senhora falou sobre o feminismo e comentou que o Brasil é um país matriarcal...Fernanda Montenegro: Eu não falei isso, são as estatísticas (risos).
iG: A sua família também tem essas características?Fernanda Montenegro: Sim, temos mulheres muito fortes. Mulheres danadas, são umas guerreiras. Cada uma a seu modo. Basta dizer que são mulheres que sobreviveram à imigração. Então, só sobreviver, mudar de país... Se mudaram, é porque lá não estava bom, então já tinham sobrevivido lá. Sobreviveram a travessia do atlântico em navios negreiros, praticamente. Depois vieram para uma nova terra, uma cultura completamente diferente, uma nova língua, uma nova maneira de viver, de comer. As que sobreviveram, aprenderam a guerrear uma boa batalha.
iG: A senhora está no palco vivendo Simone de Beauvoir, a consciência dela no palco. Se um dia fossem colocar no palco a sua consciência ou fazer uma releitura de uma autobiografia, quem gostaria de ver fazendo seu papel?Fernanda Montenegro: Não tenho a menor ideia. Essa é uma pergunta tão interessante porque ela é absolutamente nova e eu não tive tempo ainda e nem me sinto capaz, com essa dimensão, de alguém, um dia, querer fazer essa triste figura (risos). 
André Giorgi
Fernanda Montenegro

Fernanda Montenegro reestreia "Viver Sem Tempos Mortos" em São Paulo


Marco Tomazzoni, iG São Paulo 

Divulgação
Fernanda Montenegro em "Viver Sem Tempos Mortos": monólogo minimalista
Aos 82 anos, Fernanda Montenegro dá provas de uma disposição de fazer cair o queijo. Se não bastasse a ideia de encabeçar um monólogo, escrito, é bom dizer, por ela mesma, a atriz ainda escolheu como tema a vida da francesa Simone de Beauvoir, filósofa e ensaísta, mulher de Jean-Paul Sartre, defensora do feminismo e aríete do senso comum no século passado. Embuída desse espírito revolucionário, ainda batizou a peça de "Viver Sem Tempos Mortos", palavra de ordem repetida em maio de 68. Inquietação, portanto, é o que move Fernanda na nova temporada do espetáculo, que reestreia em São Paulo neste sábado (08).
O dicionário autoriza o uso da palavra, mas a atriz defende que não é um "espetáculo", não no sentido comumente usado. "De espetáculo não tem nada. Não tem penduricalhos, parangolés. Ele é essencial, muito dentro do que eu esperava", disse, em entrevista na capital paulista, onde se apresentou com a peça por um curto período em 2009.
A ideia surgiu numa conversa com o amigo Sérgio Britto, quando os dos ficaram interessados em adaptar "Tête-à-Tête", história da relação de Sartre e Beauvoir. A parceria não evoluiu e Montenegro decidiu levar o projeto adiante por conta própria. A partir das correspondêncidas e da autobiografia de Simone, escreveu um resumo de 200 páginas, depois diminuído para 30. "É apenas um cheiro, um nada em relação à vida dessa mulher – só de autobiografia são seis volumes."
A atriz tinha, então, um texto estritamente literário, mas não sabia se "dava samba" em cena. Depois de uma conversa com o diretor Felipe Hirsch, não só ficou tranquila como encontrou uma "simbiose maravilhosa". "Hirsch é um minimalista, um dos poucos diretores brasileiros que fogem do barroquismo. Muito criativo, mas sem ser histriônico."
Isso levou a um teatro sem dramaturgia, trilha sonora ou atores coadjuvantes. No palco, apenas Fernanda com um figurino sóbrio, uma cadeira e um facho de luz. "Entro, sento na cadeira e falo como se fosse a memória de Simone sendo contada."
Para a atriz, um monólogo é sempre um desafio do tipo "viver ou morrer", mas que, na sua opinião, acabou se tornando o retrato de um período de recursos parcos para a produção teatral, mais do que um opção meramente estética.

André Giorgi
A atriz durante entrevista em São Paulo: inquietação, feminismo e coragem no palco
"Estamos vivendo a era do monólogo. Teatro é caro. Não é algo que se compra na prateleira ou na calçada. Hoje está acontecendo uma pulverização do orçamento, se distribuindo mais para aqueles que nunca tiveram. Não dá mais para fazer espetáculos como fazíamos antigamente. Hoje em dia ter dois ou três atores em cena já é muita gente."
Liberdade e verdade
Fernanda Montenegro tomou contato com a obra de Simone de Beauvoir pela primeira vez aos 19 anos, ao ler "O Segundo Sexo", divisor de águas do pensamento feminista. "Mudou o mundo. Antes disso, o homem era considerado o centro, o absoluto, e a mulher, o outro. Um ser superior e outro que está ao lado para pegar o que resta da mesa."
"Sem Sartre e Simone, não haveria 68 em Paris. Eram provocadores, contribuíram para a mudança libertária que hoje vemos no mundo. Tinham dois princípios: liberdade e verdade", acrescentou.
Mais do que colocar a plateia para refletir sobre suas certezas, a ideia da atriz de mergulhar na obra de Beauvoir também estava relacionada a um desejo de refletir sobre sua própria vida. "Já estou com a idade que estou, há 65 anos vivendo publicamente. Passei por muitos textos, mudança de vida, cidade, filhos, netos, perdi pai, irmã, família. Experiências duras. Simone tem sempre algo que faz você refletir. E pessoas de idade gostam de contar sobre sua vida, para relembrá-la."
Idade que não parece pesar. Ao ser perguntada sobre a reestreia de "Viver Sem Tempos Mortos", Montenegro tem humildade para assumir e dizer: "sinto que melhorei".
Serviço – "Viver Sem Tempos Mortos" em São Paulo
De 08 de outubro a 27 de novembro de 2011
Teatro Raul Cortez, Fecomércio
Sextas, às 21h30; sábados, às 21h; domingos, às 18h
Ingressos de R$ 80 (sexta e domingo) a R$ 100 (sábado)
Informações: (11) 3254-1700

Candidata em Porto Seguro debocha sobre desvio de verba



Vídeo mostra Cláudia Oliveira discursando ao lado do marido, Robério Oliveira
http://oglobo.globo.com/pais/candidata-em-porto-seguro-debocha-sobre-desvio-de-verba-5871868
 
BRASÍLIA - Conversas descontraídas durante um passeio podem custar a eleição da candidata do PSD à prefeitura de Porto Seguro (BA), Cláudia Oliveira. Um vídeo obtido pelo GLOBO mostra Cláudia e o marido, Robério Oliveira, que é prefeito da vizinha Eunápolis, caminhando em uma região de praia com amigos. Em dado momento, ao passar por uma pequena ponte de madeira, ela, que é deputada estadual, ri e começa a simular um discurso. Ainda que em tom de brincadeira, Cláudia fala em desviar verbas de emendas de parlamentares ao Orçamento.
— Estou visitando aqui meu povo, povo da periferia. Eu colocarei emendas, farei projeto para uma ponte que vai beneficiar aqui toda a comunidade. Uma ponte onde serão investidos dois bilhões. Um bilhão eu fico — diz, em meio a risadas.
Robério, que está filmando, avisa:
— Ó rapaz, tá gravado, viu? Tá gravado tudo aqui. Tá tudo gravado e eu vou botar na Globo. Nessas coisas que sai...
O prefeito de Eunápolis ainda chama uma suposta assessora que acompanha o grupo e pergunta se ela concorda. Ela, também em meio a gargalhadas, complementa:
— Eu tô de acordo. Eu concordo. Dois bilhões para investir, um bilhão para ficar.
A íntegra do vídeo está no site do GLOBO na internet. Cláudia é apontada por pesquisas locais como a favorita na disputa pela prefeitura de Porto Seguro. A conversa, uma zombaria com as emendas parlamentares e com o dinheiro público, poderia não ter maiores consequências. A questão é a biografia do casal. Cláudia foi acusada de compra de votos nas eleições de 2010 em Buerarema, no sul da Bahia.
Já Robério é acusado por diversas irregularidades na prefeitura de Eunápolis. Ele responde a 19 ações de improbidade administrativa na Vara de Fazenda Pública da cidade, oito ações no Tribunal de Justiça e três ações na Justiça Federal.
As ações contra Robério são nas mais diversas áreas. Há acusações de superfaturamento, de obras pagas que nunca saíram do papel, de dispensa irregular de licitações e de contratação irregular de servidores. Em janeiro, ele foi condenado pela Justiça Federal à perda dos direitos políticos por cinco anos por usar a verba do Ministério da Saúde para abastecer veículos da empresa de trios elétricos Axé & Cia, que era administrada pela mulher, agora candidata. O prefeito recorreu da sentença, que está suspensa.
Robério se mantém no cargo
Robério responde ainda a outras duas ações por possível desvio de verba federal. O Ministério Público o acusa de superfaturamento na construção de um pequeno hospital e por utilização irregular de verba do Fundeb.
Em 2010, o Tribunal de Justiça da Bahia chegou a determinar a saída do prefeito e de um secretário municipal dos cargos por outra acusação, a partir de denúncia do Ministério Público de que a prefeitura pagou por obras de infraestrutura que nunca saíram do papel. Para que possa ressarcir os prejuízos, a Justiça também determinou a indisponibilidade de bens de Robério no valor de R$ 1,9 milhão. O prefeito conseguiu se manter no comando do município com um recurso.
Procurada para comentar a gravação, a candidata Cláudia Oliveira afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o vídeo seria montagem. Segundo a assessoria, a candidata estaria se referindo a peixes e diria que iria ficar com o “agulhão”. O GLOBO pediu que enviassem a suposta versão original do vídeo, que eles diziam ter em mãos, mas até o fechamento desta edição as imagens não foram enviadas.