sábado 18 2012

'Defeito' em cromossomo sexual está ligado ao câncer de intestino, diz estudo


Genética

Variação na região do cromossomo X, presente no DNA de ambos os sexos, diminui níveis de gene que controla desenvolvimento celular e pode elevar risco da doença

Apendicite: a condição é causada pela inflamação da bolsa em forma de verme que sai da primeira porção do intestino grosso (à esq.)
Câncer de intestino: variação no cromossomo X pode estar associada a um maior risco da doença (Thinkstock)
Pela primeira vez, uma pesquisa mostrou que alterações em um dos cromossomos sexuais podem elevar o risco de câncer de intestino. Segundo o estudo, que foi publicado nesta segunda-feira na revista Nature Genetics, pessoas com essa doença são mais propensas a apresentar um defeito no cromossomo X que reduz os níveis de um gene associado ao bom desenvolvimento das células.
De acordo com os autores da pesquisa, essas descobertas podem ajudar a entender o motivo pelo qual o câncer de intestino atinge mais o sexo masculino do que o feminino. Eles explicam que, como as mulheres têm duas cópias do cromossomo X, a que não apresenta o defeito e que, portanto, tem função normal, pode mascarar a outra que leva a mutação. Diferentemente dos homens, que apresentam somente uma cópia do cromossomo e que, portanto, não tem uma 'cópia reserva' para mascarar o defeito.
Esse trabalho foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Pesquisa em Câncer do Reino Unido e das universidades de Oxford e de Edimburgo. Com base em cinco estudos anteriores sobre genética e câncer de intestino, eles buscaram descobrir novas alterações no código genético que pudessem elevar o risco de câncer de intestino. Antes dessa pesquisa, quase 20 variantes no genoma humano já haviam sido associadas à doença.
A equipe descobriu que pessoas com câncer de intestino tendem a ter um defeito na região do cromossomo X que leva a menores níveis de um gene chamado SHROOM2. Esse gene controla o desenvolvimento das células, garantindo que elas cresçam e adquiram forma correta. Alterações nesse mesmo gene já foram associadas a outros cânceres anteriormente.
"Essa é a primeira vez em que um estudo demonstra que defeitos em um dos cromossomos sexuais estão relacionados a um câncer que pode atingir os dois sexos. Essas descobertas podem nos ajudar e entender as diferenças da doença entre homens e mulheres, além de identificar os indivíduos que correm mais risco de terem câncer de intestino", diz Richard Houlston, um dos autores da pesquisa.

Aspirina diminui o risco de desenvolver câncer colorretal


Pesquisa

Consumo diário do medicamento reduziu em 63% o aparecimento de câncer colorretal em pessoas com pré-disposição genética

Aspirina medicamento
Pesquisa mostra que consumir aspirina diariamente pode reduzir a incidência de um tipo genético de câncer no intestino(Dynamic Graphics)
O consumo diário de aspirina é capaz de diminuir o risco de desenvolver um tipo de câncer colorretal que ocorre por conta de pré-disposição genética, segundo pesquisa publicada na edição online da revista Lancet. Os cientistas alertam, no entanto, que ainda é necessário realizar mais estudos para saber a dosagem correta do medicamento.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Long-term effect of aspirin on cancer risk in carriers of hereditary colorectal cancer: an analysis from the CAPP2 randomised controlled trial

Onde foi divulgada: revista Lancet

Quem fez: Dezenas de médicos de 43 centros em 16 países

Instituição: Cancer Research UK, no Reino Unido

Dados de amostragem: 861 participantes foram escolhidos aleatoriamente para receber 600 miligramas de aspirina ou placebo

Resultado: Os resultados mostraram que entre os participantes do grupo que tomava aspirina regularmente houve 63% menos casos de câncer colorretal
O estudo, que durou uma década, envolveu médicos de 43 centros em 16 países. No total, a pesquisa acompanhou 861 pessoas por cerca de dez anos. Os resultados mostraram que entre os participantes do grupo que tomava aspirina regularmente houve 63% menos casos de câncer colorretal, quando comparados com voluntários que não tomavam aspirina.
Os participantes do estudo tinham a síndrome de Lynch, uma anomalia genética que causa câncer por afetar os genes responsáveis por detectar e reparar os danos no DNA. A síndrome aumenta dez vezes o risco de desenvolver tumor de intestino e ocorre em uma a cada dez pessoas.
Um grupo de voluntários recebeu 600 miligramas de aspirina todos os dias — o que equivale a dois comprimidos diários. O outro grupo recebeu placebo. Aqueles que tomaram aspirina continuaram desenvolvendo o mesmo número de pólipos, que é um crescimento anormal que surge na mucosa do intestino grosso. Apesar disso, eles não desenvolveram câncer. O que sugere, segundo os pesquisadores, que a aspirina poderia provocar a destruição dessas células antes que elas se tornassem cancerosa.
"Os resultados deste estudo provam que o uso regular de aspirina durante períodos prolongados diminui o risco de desenvolver câncer hereditário", diz Patrick Morrinson, da Queen University, em Belfast, capital da Irlanda do Norte.
"É uma grande descoberta em termos de prevenção do câncer. Esperamos continuar outras pesquisas para determinar uma dosagem de aspirina ainda mais eficaz e também pretendemos olhar para o uso da aspirina na população geral e o impacto na redução do risco de câncer de intestino", disse Morrinson.

Uma aspirina por dia diminui o risco de mortes por câncer


Prevenção

Um extenso estudo mostrou que efeito protetor ocorre principalmente em relação a doenças do trato gastrointestinal

Aspirina: nova fórmula reduz o tempo de absorção do medicamento pelo organismo
Aspirina: mortalidade por câncer pode ser evitada com um comprimido por dia (Thinkstock)
Mais um estudo identificou os benefícios da aspirina em relação ao câncer. Dessa vez, pesquisadores da Sociedade Americana do Câncer concluíram que o remédio, além de reduzir o risco dessa doença e também de problemas cardiovasculares, como outros trabalhos anteriores sugeriram, pode diminuir o número de mortes provocadas pelo câncer. A pesquisa, feita com mais de 100.000 pessoas, foi publicada na edição deste mês do periódico Journal of the National Cancer Institute.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Daily Aspirin Use and Cancer Mortality in a Large US Cohort

Onde foi divulgada:  periódico Journal of the National Cancer Institute

Quem fez: Eric Jacobs, Christina Newton, Susan Gapstur e Michael Thun

Instituição: Sociedade Americana do Câncer 

Dados de amostragem: 100.139 pessoas com mais de 60 anos

Resultado: Em comparação com pessoas que nunca tomam aspirina, ingerir um remédio por dia reduz o risco de mortes por câncer em 16%, especialmente entre o sexo masculino e em relação a canceres como o de intestino e o de cólon.
Participaram desse estudo homens e mulheres com mais de 60 anos que não eram fumantes. Segundo os resultados, aqueles que disseram tomar uma aspirina ao dia apresentaram um risco 16% menor de morrerem em decorrência de algum câncer em comparação aos participantes que nunca faziam uso do medicamento. O benefício foi maior entre os homens e em relação a cânceres associados ao trato gastrointestinal, como o de cólon e o de estômago.
 
Os pesquisadores explicam que como os resultados não se baseiam em um ensaio clínico, mas sim em questionários feitos entre os participantes, é possível que, além da aspirina, outros fatores tenham contribuído para esses dados. Mesmo assim, o coordenador do estudo, Michael Tun, acredita que os achados podem favorecer as diretrizes em relação ao uso da aspirina. “As conclusões sobre os efeitos da aspirina em relação à doença são muito encorajadoras, mas, embora os estudos estejam avançados, é preciso ressaltar que ainda estão em andamento”, diz o pesquisador.

Novo medicamento para câncer de próstata aumenta sobrevida de pacientes com a doença em estágio avançado


Homem

Testes mostraram que a droga provoca menos efeitos colaterais e estende a expectativa de vida em cinco meses comparada à quimioterapia tradicional

Os testes sanguíneos para detecção do câncer de próstata estão na rotina de exames preventivos feitos por homens idosos
Câncer de próstata: novo medicamento pode ajudar quem tem a doença em estágios avançados (Creatas Images/Thinkstock)
A fase final de testes clínicos feitos com a Enzalutamida, uma nova droga para tratar câncer de próstata, mostrou que o medicamento promove uma maior sobrevida entre pacientes com a doença em estágio avançado em comparação com a quimioterapia tradicional. O tempo médio em que a expectativa de vida desses homens se estendeu foi de cinco meses e a substância surtiu efeitos colaterais 'muito mais baixos' do que as já existentes. Os resultados, publicados nesta quinta-feira no periódico The New England Journal of Medicine, se aplicaram a pacientes que já haviam passado tanto pelos tratamentos hormonais (que são usados como primeira opção) quanto pela quimioterapia.

Saiba mais

PSA
PSA é a sigla em inglês para antígeno prostático específico, uma proteína produzida pelas células da próstata e considerada um importante marcador biológico para determinar quais homens precisam de biópsia e quais deles têm menor risco de desenvolver o câncer de próstata. O exame de PSA sozinho, no entanto, não é capaz de fornecer informações suficientes para determinar se o paciente tem ou não a doença.
"Esse é um grande avanço, pois não somente houve aumento da sobrevivência, mas também a qualidade de vida desses pacientes, com menos efeitos colaterais, foi melhorada", diz Thomas Flaig, diretor do Centro de Investigação Clínica em Câncer da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos. Flaig foi um dos autores desse estudo, que ficou conhecido pela sigla AFFIRM.
A terceira fase dos testes clínicos envolveu 1.199 pacientes que haviam sido diagnosticados com câncer de próstata e cuja doença havia progredido mesmo com tratamentos hormonais e quimioterapia. Dois terços desses homens receberam a droga estudada, a Enzalutamida, e o restante, doses de placebo. A expectativa de vida média dos participantes que tomaram o medicamento foi de 18,4 meses, enquanto a do dos pacientes que receberam placebo foi de 13,6 meses. Além disso, os homens que tomaram a droga apresentaram uma melhora em aspectos como retardamento da progressão da doença e melhores resultados nos exames de PSA.
Mecanismo — De acordo com os autores da pesquisa, quando tomada uma vez ao dia, via oral, essa droga bloqueia a capacidade de as células cancerígenas se ligarem aos andrógenos, hormônios como a testosterona, que ajudam no crescimento do câncer de próstata. Isso acontece pois a própria substância se liga aos receptores de andrógenos das células cancerígenas, tornando-se uma 'concorrente' dos hormônios na disputa por esses receptores. "Estamos em um período de renascimento no tratamento médico de câncer de próstata. Mesmo nessa fase inicial, a Enzalutamida é um divisor de águas”, diz Flaig.
Cesar Câmara, urologista do Hospital Sírio-Libanês, explica que, atualmente, o tratamento que tem como alvo a ação dos hormônios busca bloquear a ação da testosterona. Ou seja, é outro tipo de mecanismo. "No entanto, quando os pacientes passam a ser resistentes a essas drogas, eles recebem a quimioterapia", diz. "Esse medicamento pode, quem sabe, ser uma ferramente aplicada antes da quimioterapia, adiando a adoção desse procedimento que é tão agressivo." Para Câmara, embora uma expectativa de vida cinco meses maior pareça pouco, representa um grande avanço no tratamento da doença, especialmente pelo fato de promover esse aumento com qualidade de vida aos pacientes.

Opinião do especialista

Wilson Bachega Junior
Cirurgião oncologista do Hospital A. C. Camargo

"Nós já estávamos de olho para sabermos os resultados dos testes finais dessa droga. É um grande avanço, pois agora sabemos o quanto ela prolonga a expectativa de vida desses pacientes, os seus efeitos colaterais e a sua dosagem. Além disso, os testes foram feitos com um número considerável de participantes.
Novos estudos devem mostrar as outras formas pelas quais o medicamento poderá ser aplicado. Ou seja, se ele é eficaz antes da quimioterapia ser feita ou até mesmo se ele pode ser utilizado como primeira opção de tratamento, inclusive em casos de cânceres localizados (que não tiveram metástase).
Isso representaria um grande avanço, já que seria possível tratar um tumor em fase inicial com um comprimido, e não com um procedimento cirúrgico, que é invasivo. E sem efeitos colaterais. O doente nem sentiria fisicamente o tratamento. É o tratamento que os médicos estavam esperando.
Novas pesquisas também poderiam mostrar se a droga poderia melhorar os efeitos de outros tratamentos, como a própria quimioterapia ou a radioterapia, garantindo uma maior chance de cura entre pacientes.”

Pesquisa relaciona parasita a tentativas de suicídio


Toxoplasmose

Pacientes infectados com protozoário teriam mais chances de tentar se matar

parasita
O parasita Toxoplasma gondii ataca as células dos hospedeiros e pode levar a inflamações no cérebro(Divulgação/MichiganStateUniversity)
Um parasita muito comum pode estar causando mudanças sutis no cérebro dos infectados, induzindo-os ao suicídio. Na maioria das vezes o protozoário Toxoplasma gondii, responsável pela toxoplasmose, é considerado inofensivo e sua infecção passa despercebida. No entanto, uma nova pesquisa publicada na revista Journal of Clinical Psychiatry mostrou que os pacientes infectados com o parasita têm maior probabilidade de tentar o suicídio.

Saiba mais

TOXOPLASMOSE
Doença causada pela ingestão do Toxoplasma gondii, protozoário encontrado nas fezes de gatos. Nas primeiras semanas de infecção pode causar sintomas parecidos com os da gripe, mas na maioria das vezes a doença passa despercebida. No entanto, em pacientes com o sistema imunológico comprometido, ela pode levar a inflamações no cérebro e a danos neurológicos, além de afetar músculos, coração e olhos. Nos piores casos, pode levar à morte.
DEPRESSÃO
A depressão é a mais comum das doenças psiquiátricas. Ela se manifesta por meio de sintomas como mudança de humor, perda de interesse em atividades do cotidiano, sentimento de culpa e distúrbios do sono e do apetite. O problema nem sempre é crônico, mas pode ser recorrente na vida de uma pessoa. Na pior das hipóteses, a depressão pode levar ao suicídio, que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é responsável por 850.000 mortes por ano.
Cerca de um terço da população mundial está contaminada pelo protozoário, mas na maior parte do tempo ele permanece dormente. Mas segundo a nova pesquisa ele pode causar inflamações que, ao longo do tempo, danificam as células cerebrais. Essa não é a primeira vez que pesquisadores relacionam infecções à depressão. "Pesquisas anteriores já haviam descoberto sinais de inflamação no cérebro de suicidas e pessoas em depressão. Outros estudos também já mostraram a relação entre oToxoplasma gondii e tentativas de suicídio", afirma Lena Brundin, pesquisadora da Universidade Estadual de Michigan e uma das autoras do estudo.
No entanto, esse é o primeiro estudo a medir as chances de uma pessoa infectada com o parasita tentar se matar. Para isso, os pesquisadores analisaram amostras do sangue de 54 adultos que tentaram o suicídio entre 2006 e 2010 e as compararam ao sangue de 30 voluntários escolhidos aleatoriamente.
Como resultado, os pacientes contaminados com o Toxoplasma gondii eram mais propensos a fazer parte do grupo de suicidas. "Nós descobrimos que se a pessoa estiver infectada pelo parasita, ela tem até sete vezes mais chances de tentar o suicídio", diz a pesquisadora.
Os cientistas destacam que, no entanto, a maior parte das pessoas infectadas com o parasita não irá se matar. "Alguns indivíduos podem, por alguma razão, ser mais suscetíveis a desenvolver esses sintomas depois da infecção."

Depressão
 – A equipe de Lena Brundin procura há mais de uma década a relação entre inflamações no cérebro e depressão. Sua teoria é que a inflamação, que pode ser causada por parasitas como o Toxoplasma gondii, cause mudanças na química cerebral, levando à depressão e, em alguns casos, ao suicídio.
Os pesquisadores dizem que ainda são necessários estudos maiores para confirmar  a tese. No entanto, os resultados são promissores. "É muito positivo que estejamos encontrando fatores biológicos que levem os pacientes a se matar. Isso significa que nós podemos desenvolver novos tratamentos para prevenir o suicídio", afirma a pesquisadora.

"Twitter e Facebook estão acabando com os segredos das pessoas", diz historiador britânico


Entrevista

Em entrevista ao site de VEJA, Andrew Keen critica a superexposição dos usuários, ataca a 'doutrina da multidão' e prevê uma 'geração sem mistério'

Rafael Sbarai
Andrew Keen
Andrew Keen: "Temo que a palavra social seja transformada em ideologia". (Divulgação)
"A internet deve sempre preservar a autonomia do indivíduo. Os pensamentos originais só aparecerão quando as pessoas rejeitarem essa doutrina da multidão"
Ex-empresário do Vale do Silício convertido em historiador, Andrew Keen é hoje um dos críticos mais ácidos do mundo digital. Em seu primeiro livro, O Culto do Amador (Jorge Zahar; 208 páginas; 39 reais), de 2009, o britânico de 51 anos denunciou o que chamou de "ditadura da ignorância" na web, difundida por narcisistas ávidos pelos holofotes digitais. Ganhou rapidamente desafetos, foi tachado de apocalíptico e ficou conhecido como o "anticristo da web”. Três anos depois, Keen volta à carga em novo livro. Seu alvo: Facebook, Twitter, Google+ e afins.

Keen desembarca ao Brasil na próxima semana para divulgar Vertigem Digital – Por que as redes sociais estão nos dividindo, diminuindo e desorientando (Jorge Zahar; 253 páginas; 45 reais). Nele, o historiador ataca o carimbo "social" das ferramentas e games on-line, critica a superexposição dos usuários e ironiza os entusiastas da "transparência" das redes citando o filósofo francês Jean Baudrillard: “A transparência é boa demais para ser verdade... o que há por trás deste mundo transparente?”.
O desencanto do britânico passa longe da tecnofobia. Keen está no Twitter, usa iPhone, iPad e MacBook, passa dez horas por dia na internet e checa obsessivamente seu e-mail. Seu alvo nunca foi a tecnologia. É o que chama de "era do exibicionismo", que estaria forjando uma "geração sem mistério". Em entrevista ao site de VEJA, Keen explica por quê.

Biblioteca

Vertigem Digital  

O livro expõe os problemas do uso excessivo das redes sociais, como Facebook, Twitter e Google+. Para Keen, estas plataformas ameaçam forjar uma "geração sem mistério".

Autor: Andrew Keen
Editora: Zahar
O que há de errado com as redes sociais? Temo que a palavra "social" seja transformada em ideologia. Todas as últimas inovações digitais – de recursos musicais a soluções criativas – recebem obrigatoriamente o carimbo de social. Isso é preocupante. A internet deve sempre preservar a autonomia do indivíduo, atributo que não é respeitado por diversas plataformas. Os pensamentos originais só aparecerão quando as pessoas rejeitarem essa doutrina da multidão.
Recentemente, o empresário Biz Stone (um dos fundadores do Twitter) previu que o futuro será "social". Se isso for realmente verdade, é preocupante. Foi por esse motivo que escrevi meu segundo livro. Precisamos conquistar um espaço na web onde possamos nos proteger da multidão e desenvolver nossas próprias ideias. É preciso praticar mais a autocensura e limitar o número de publicações pessoais nas redes.

Em seu livro, o senhor diz que as pessoas estão abrindo mão de suas informações pessoais. Por quê? Vivemos a era do exibicionismo. Estamos desistindo dos nossos segredos. Chegamos ao mundo da transparência radical. Nossos perfis no Facebook, Twitter e Google+ são nossas vitrines. Hoje, riqueza corresponde a conectividade. Com esse comportamento extremamente narcísico, estamos virando marcas. Eu mesmo, por exemplo, sou o "anticristo da web".

O primeiro livro de Keen

O Culto do Amador 

Na obra, o historiador inglês sustenta que blogs, MySpace, YouTube, Orkut e Wikipédia estão criando uma cultura de banalidades e desinformação, uma vez que é possível publicar qualquer assunto, sem questionar a veracidade dos fatos.

Autor: Andrew Keen
Editora: Zahar
Esta "marca" o incomoda? Não. É até agradável. Como um garoto judeu do norte de Londres, sempre cultivei a ambição de me tornar o anticristo de algo historicamente relevante. O que poderia ser mais significativo do que o Vale do Silício?

As redes sociais podem realmente acabar com os segredos das pessoas?Conseguimos saber os gostos e os anseios das pessoas só visitando seus perfis nessas redes. Podemos ter uma geração de pessoas sem mistérios. Meu conselho aos usuários da rede é mentir. Eu mesmo nunca digo a verdade em meu perfil no microblog. Se você me segue no Twitter, confesso: não terá condições de saber muitas coisas sobre mim.

O senhor se considera pessimista? Eu sempre fui uma pessoa otimista, mas não vivo de sonhos. Aponto os problemas das redes sociais. Não significa que eu seja avesso à tecnologia. Uso a internet diariamente por dez horas, tenho iPhone, iPad e Macbook e sou obcecado por e-mail. Tenho mais de 20.000 seguidores e reconheço: o século XXI será a era da internet. Só não tenho Facebook.

O futuro da internet

The Next Web Latin America 

Nos dias 22 e 23 de agosto, o Brasil sedia pela primeira vez uma das maiores conferências sobre internet em todo mundo. Andrew Keen é um dos nomes convidados para discutir os rumos dos negócios, tecnologia e cultura digital. Também participam Werner Vogels, executivo da Amazon, Michell Zappa, estrategista de tecnologias emergentes, entre outros.

Local: Espaço Armazém, Rua Jaguaré-Mirim, 164, São Paulo, SP
Preço: 1.200 reais
Data: 22 e 23 de agosto de 2012
Site oficial
Por quê? Essa rede não é confiável. Ela apresenta um modelo de negócio nada desprezível, com a exposição de dados pessoais, como nome, cidade, idade, gênero, atividades, amigos mais próximos. Seus usuários não são clientes, mas produtos. É uma armadilha compartilhar informações nesse tipo de plataforma. Quanto mais você compartilha, mais a rede sabe sobre você, e mais você se transforma em um produto. O filósofo francês Michel Foucault estava certo: a visibilidade é uma armadilha.

Qual é o futuro do conhecimento na internet? O conhecimento será restrito e estará presente em ambientes fechados com sistemas de pagamento, como o do The New York Times, onde sei que a informação é confiável. Ambientes digitais em que exista livre acesso de distribuição e compartilhamento de conteúdo como a Wikipédia ficarão comprometidos. A elite (pessoas como eu) sempre terá acesso às informações mais confiáveis, mas as massas vão se submeter à 'ditadura da ignorância'. É como voltar à Idade Média – e isso não é uma perspectiva muito atraente.

Facebook terá anúncios baseados em histórico de usuários na web



Por Cris Simon, de EXAME.com
 
• Sábado, 16 de junho de 2012 - 13h54
Getty Images
Rede social vai colocar cookies em outros sites a fim de segmentar ainda mais anúncios
São Paulo - Cada vez que um usuário curte uma banda, um filme, uma marca ou serviço noFacebook, o site usa essa informação para adequar os anúncios que exibe à personalidade e ao comportamento desse usuário. Agora, a companhia quer impactar consumidores com base em seu comportamento em qualquer lugar da internet. A ideia é segmentar mais ainda os anúncios exibidos na rede social.
Isso será feito pelo Facebook Exchange, anunciado hoje, que permitirá que os anunciantes possam atingir tipos específicos de usuários com base no seu histórico de navegação - os cookies -, em tempo real.
Até agora, a publicidade do Facebook era orientada com base nos interesses dos usuários dentro da rede social e não tinha com o histórico fora do site.
"Um site de viagens pode estar interessado em impactar uma pessoa que procurou por um vôo, mas acabou não concluindo a compra. Com o Facebook Exchange, esse site de viagens poderá mostrar à pessoa um anúncio relacionado a viagens no Facebook", exemplificou o site em um comunicado oficial.
"Isso significa que os anunciantes poderão entregar publicidade mais relevante em tempo hábil em uma escala nunca antes possível", completou.
Os computadores já "memorizam" o histórico de navegação dos usuários de internet por meio dos cookies. Pelo novo programa, o Facebook monitorará cookies em sites de terceiros. Após isso, os anúncios que aparecerem para o usuário estarão relacionados àquele determinado cookie.
De acordo com o site, como o Exchange é ativado por meio dos cookies, os usuários terão a possibilidade de desabilitar a opção, se não quiserem ser impactados pelos anúncios gerados pelo programa.
"Nós não compartilhamos quaisquer dados do usuário com os anunciantes", esclareceu o site, "e as pessoas ainda terão o mesmo controle sobre os anúncios que vêem hoje no Facebook".
O Facebook Exchange exibirá apenas banners - aquelas pequenas caixas com texto e foto na lateral direita das páginas - e não se estende a histórias patrocinadas - as sponsored stories - ou anúncios premium.