quarta-feira 22 2017

'RJ dobrou o joelho', diz Janot durante devolução de dinheiro repatriado pela Lava Jato ao RJ

'RJ dobrou o joelho', diz Janot durante devolução de dinheiro repatriado pela Lava Jato ao RJ
Referindo-se a corrupção, procurador-geral de Justiça afirma que 'quando o Rio dobra o joelho, o Brasil dobra'. Ele lembrou que recursos recuperados pagaram 13º de aposentados.

Procurador-geral da República Rodrigo Janot participou nesta terça-feira (21) da cerimônia de devolução ao estado do Rio de R$ 250 milhões repatriados nas investigações sobre o esquema de desvio de recursos que, segundo o Ministério Público, era liderado pelo ex-governador Sérgio Cabral. O encontro foi aberto por um discurso de Janot apontando os malefícios que os esquemas de corrupção causam no Rio e no Brasil.
A cerimônia começou por volta das 15h na sede do Tribunal Regional Federal, no Centro do Rio. Além de Janot, parciciparam a superintendente da Receita Denise Esteves Fernandes; o desembargador Paul Erik; o procurador-geral do Estado Leonardo Espindola e o superintendente da Polícia Federal no Rio, Jairo Santos.
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Superintendente da Receita Denise Esteves Fernandes assina o termo de devolução de recursos para o estado do Rio, observada por Rodrigo Janot, o desembargador Paul Erik; Leonardo Espindola e Jairo Santos (Foto: Marco Antônio Martins/G1)

O valor foi utilizado esta semana para o pagamento do 13º salário de 2016 de cerca de 146 mil aposentados e pensionistas do estado. O contingente representa 57% dos aposentados e pensionistas do estado com 13º atrasado, todos com vencimento até R$ 3,2 mil.
"A vida é feita de sinais. Esse dinheiro (R$ 250 milhões) para 147 mil famílias. A sociedade não suporta mais este tipo de atuação. O Estado do Rio atravessa uma crise política e ética. Estado que é símbolo do país. Esse estado dobrou o joelho. E quando o Estado do Rio dobra o joelho, o Brasil dobra", diz Rodrigo Janot.
"Esse ato hoje é um sinal para mostrar que as instituições funcionam. Através de um trabalho cooperado fazem frente a uma deslavada corrupção. Um sinal para a população é que a institucionalidade reage de forma legal. Esse dinheiro volta para onde nunca devia ter saído. Para os cofres públicos", completou Rodrigo Janot.
Para o procurador-geral do Estado do Rio, Leonardo Espindola "os recursos viabilizados pela Força-tarefa da Lava-Jato servirão para superar os tempos difíceis que vivemos".
Um acordo de colaboração premiada realizado com dois dos réus permitiu a repatriação de US$ 85.383.233,61 provenientes das contas Winchester Development SA, Prosperity Fund SPC Obo Globum, Andrews Development SA, Bendigo Enterprises Limited e Fundo FreeFly, valor devolvido aos cofres do Estado. As investigações revelaram até o momento que mais de R$ 400 milhões foram movimentados no exterior pela organização criminosa.
Segundo o MPF, dos valores já encontrados, 80 milhões de dólares pertenceriam a Cabral, R$ 15 milhões a Wilson Carlos e R$ 7 milhões a Carlos Miranda. Os três foram presos em novembro, durante a Operação Calicute.


O advogado de Carlos Miranda disse ao RJTV que o dinheiro não pertence a seu cliente. A defesa de Wilson Carlos informou que só vai se manifestar nos autos do processo. A produção não conseguimos falar com a defesa de Sérgio Cabral.


http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/rj-dobrou-o-joelho-diz-janot-durante-devolucao-de-dinheiro-repatriado-pela-lava-jato-ao-rj.ghtml

Fantástico entrevista Fiscal que denunciou esquema de Carnes Estragadas em FRIGORÍFICOS 19/03/2017






Gilmar Mendes disse ontem que é preciso ANULAR a LAVA JATO, PODE???


Em 2016, Juízes afirmaram que Gilmar Mendes age contra a Lava Jato

Irritados com ministro do Supremo, para quem os holerites da toga são o'seu pequeno assalto', magistrados alegam, por meio de entidade de classe, que 'intenção' é decretar o fim das investigações

Os juízes estão em pé de guerra com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota divulgada nesta quarta-feira, 24, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), principal entidade da toga, atacou o ministro por declarações que ele fez sobre os holerites da categoria.
Os juízes afirmam que Gilmar Mendes ‘milita contra as investigações da Operação Lava Jato, com a intenção de decretar o seu fim, e utiliza como pauta a remuneração da magistratura’.
Nesta quarta-feira, um dos colegas de Gilmar Mendes, o ministro Marco Aurélio Mello defendeu a continuidade das investigações da Operação Lava Jato e afirmou que é preciso apurar o vazamento de informações sobre a delação do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. Questionado sobre o que achava da avaliação do colega Gilmar Mendes, que disse que era preciso colocar freios nos procuradores que conduzem as apurações, Marco Aurélio discordou e afirmou que esse é papel da Procuradoria-Geral da República.
“Há o sistema nacional de freios e contrapesos. O Ministério Público vem atuando e reafirmo o que venho dizendo: mil vezes o excesso do que a acomodação. E temos o Judiciário para corrigir possíveis erros de procedimentos”, afirmou.
Em entrevista ao jornal O Globo, Gilmar Mendes cobrou o Conselho Nacional de Justiça para ‘tomar providências’ e frear o que classificou de abusos do contracheque dos juízes.
Gilmar Mendes declarou que os subsídios da magistratura nos Estados chegam a R$ 100 mil mensais. “Como isso é legal, se ninguém pode ultrapassar o teto dos ministros do Supremo, que é de trinta e poucos mil?”, questiona o ministro da Corte máxima.
Para Gilmar, ‘o País virou uma república corporativa em que cada qual, se aproveitando da autonomia administrativa e financeira, faz seu pequeno assalto’. Nesta terça-feira, 23, o ministro já havia chamado para o embate os procuradores da Lava Jato. Ele desferiu o mais contundente ataque à força-tarefa que desvendou o esquema de corrupção na Petrobrás.
“O cemitério está cheio desses heróis”, disse Gilmar, irritado com a citação a seu colega na Corte, Dias Toffoli, em suposta delação do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS.
Gilmar está convencido que ‘o vazamento ocorreu na Procuradoria’.
Em nota, a AMB repudiou suas afirmações. “É lamentável que um ministro do STF, em período de grave crise no País, milite contra as investigações da Operação Lava Jato, com a intenção de decretar o seu fim, e utilize como pauta a remuneração da magistratura. O ministro defende financiamento empresarial de campanha e busca descredibilizar as propostas anticorrupção que tramitam no Congresso Nacional, ao invés de colaborar para o seu aprimoramento.”
“O Judiciário vem sendo atacado e desrespeitado por uma série de iniciativas que visam a enfraquecer a magistratura”, diz o texto. “O questionamento sobre seus vencimentos é uma consequência desse movimento, uma vez que coloca em dúvida a recomposição parcial dos subsídios, já prevista na Lei Orçamentária de 2016, cuja aprovação se arrasta desde julho de 2015, quando o STF enviou a proposta ao Congresso Nacional.”
A entidade dos juízes ressalta que ‘considera inadmissível qualquer ataque vindo de autoridades e instituições ligadas ou não ao Poder Judiciário’.
A nota lembra que Gilmar não é juiz de carreira – antes de chegar ao Supremo, foi procurador da República e chefe da Advocacia-Geral da União no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB)
“Não serão aceitas manifestações deselegantes e afrontosas, ainda mais feitas por integrantes do Judiciário que não iniciaram carreira na primeira instância, em comarcas de difícil acesso e sujeitas a toda série de limitações, inclusive a terem seus foros incendiados, como ocorreu há poucos dias em Goiatuba, no interior de Goiás.”
A nota é subscrita pelo presidente da AMB, João Ricardo Costa. “O ministro esqueceu de dizer que os magistrados possuem limitações legais e constitucionais a que não estão sujeitas outras carreiras do Estado, estando impedidos de ter outras fontes de renda além da remuneração pelo exercício dos seus cargos, que somente pode ser complementada com a dedicação dentro das salas de aula.”
Os juízes dizem que sustentam ‘outro conceito de magistratura, que não antecipa julgamento de processo, que não adota orientação partidária, que não exerce atividades empresariais, que respeita as instituições e, principalmente, que recebe somente remuneração oriunda do Estado, acrescida da única exceção legal da função do magistério’.
O PROTESTO DOS MAGISTRADOS CONTRA GILMAR MENDES
‘A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) repudia as declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, de que as instituições do Poder Judiciário se aproveitam da autonomia administrativa e financeira para fazer “seu pequeno assalto”.
O Judiciário vem sendo atacado e desrespeitado por uma série de iniciativas que visam a enfraquecer a magistratura. O questionamento sobre seus vencimentos é uma consequência desse movimento, uma vez que coloca em dúvida a recomposição parcial dos subsídios, já prevista na Lei Orçamentária de 2016, cuja aprovação se arrasta desde julho de 2015, quando o STF enviou a proposta ao Congresso Nacional.
A AMB considera inadmissível qualquer ataque vindo de autoridades e instituições ligadas ou não ao Poder Judiciário. Não serão aceitas manifestações deselegantes e afrontosas, ainda mais feitas por integrantes do Judiciário que não iniciaram carreira na primeira instância, em comarcas de difícil acesso e sujeitas a toda série de limitações, inclusive a terem seus foros incendiados, como ocorreu há poucos dias em Goiatuba, no interior de Goiás.
Além disso, o ministro esqueceu de dizer que os magistrados possuem limitações legais e constitucionais a que não estão sujeitas outras carreiras do Estado, estando impedidos de ter outras fontes de renda além da remuneração pelo exercício dos seus cargos, que somente pode ser complementada com a dedicação dentro das salas de aula.
É lamentável que um ministro do STF, em período de grave crise no País, milite contra as investigações da Operação Lava Jato, com a intenção de decretar o seu fim, e utilize como pauta a remuneração da magistratura. O ministro defende financiamento empresarial de campanha e busca descredibilizar as propostas anticorrupção que tramitam no Congresso Nacional, ao invés de colaborar para o seu aprimoramento.
Sustentamos outro conceito de magistratura, que não antecipa julgamento de processo, que não adota orientação partidária, que não exerce atividades empresariais, que respeita as instituições e, principalmente, que recebe somente remuneração oriunda do Estado, acrescida da única exceção legal da função do magistério.
Dessa forma, a AMB repudia que autoridades se aproveitem de um momento tão fundamental para a democracia para buscar espaço midiático, desrespeitando as instituições. A entidade reforça que é fundamental, cada vez mais, fortalecer o Judiciário como um órgão que tem atuado fortemente a favor do cidadão brasileiro, prezando sua autonomia e independência funcional.
João Ricardo Costa
Presidente da AMB


http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/juizes-afirmam-que-gilmar-mendes-age-contra-a-lava-jato/

terça-feira 21 2017

Reforma política vira alvo de manifestação de Rua


Movimentos que promovem novos atos no domingo, 26, em defesa da Lava Jato incluem na pauta dos protestos a lista partidária fechada e novo fundo público
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BRASÍLIA - A investida do Congresso e de representantes do Judiciário pela aprovação de uma reforma política que inclua a adoção de um sistema de lista partidária fechada e de um fundo público eleitoral entrou na pauta dos protestos de rua marcados para o próximo domingo, 26, em dezenas de cidades do País. Os grupos que lideraram as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff voltam a promover um ato nacional em defesa da Lava Jato.
As mudanças propostas no sistema eleitoral são consideradas uma reação ao avanço da operação, na iminência da divulgação da delação a Odebrecht.
Foto: ADRIANO MACHADO/REUTERS
Maia e Eunício
Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE)
A discussão encabeçada pelos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) – que tem a simpatia do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes –, prevê que o eleitor passe a votar no partido, cuja cúpula definirá uma lista dos candidatos que serão eleitos. A sigla que tiver mais votos conseguirá o maior número de cadeiras, que serão ocupadas pelos primeiros da lista.
Hoje, o eleitor vota diretamente no candidato. Para valer nas eleições de 2018, novas regras teriam de ser aprovadas no Congresso até setembro deste ano, pelo princípio da anualidade. A ideia também é criar um fundo eleitoral com recursos públicos para bancar campanhas. No caso da lista fechada, a crítica é de que a mudança visa a garantir foro privilegiado a deputados.
‘Copiar e colar’. “A lista fechada é antidemocrática e serve para preservar os caciques. Eles estão alinhados com isso, mas as bases não”, disse ao Estado o líder do Vem Pra Rua, Rogério Chequer. Segundo ele, o repúdio ao aumento do financiamento público a partidos é ponto convergente entre os grupos que se reunirão na Avenida Paulista, em São Paulo, e em outras cidades.
A líder do NasRuas, Carla Zambelli, segue na mesma linha. “A população não entendeu que vai deixar de votar no parlamentar para votar na legenda. Isso é uma tentativa de copiar e colar os mesmos políticos. Vão deixar na lista apenas os que precisam do foro.”
Foto: Nilton Fukuda|Estadão
O líder do Movimento Brasil Livre, Kim Kataguiri
O líder do Movimento Brasil Livre, Kim Kataguiri
Apesar de ser ligado ao DEM, o Movimento Brasil Livre (MBL) está em campanha contra a lista fechada proposta por Rodrigo Maia. “Com a lista fechada não conseguimos escolher nossos candidatos. Ela centraliza poder nos caciques partidários. É retornar ao coronelismo. A proposta é esdrúxula”, disse, em vídeo na internet, Kim Kataguiri, um dos líderes do grupo.
A última manifestação dos grupos pró-impeachment aconteceu em 4 de dezembro do ano passado. O número de participantes foi menor que nas edições anteriores, que chegaram a reunir 2 milhões de pessoas. Atos em São Paulo, Brasília, Rio e outras capitais defenderam a Lava Jato e protestaram contra mudanças no pacote anticorrupção.
‘Falido’. Nesta segunda-feira, 20, em Brasília, em um seminário sobre sistemas eleitorais, líderes políticos e do Judiciário voltaram a defender mudanças. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal e ex-presidente do TSE, disse que o sistema brasileiro “está falido”. Ele defendeu o modelo de lista fechada como um “teste provisório”.
“Esse (atual) sistema está falido. Ele leva à possibilidade de compra de votos, a uma fragmentação política cada vez maior no sentido de um maior número de partidos sendo criados, isso leva a um governo de cooptação, e não de coalização. Temos de repensar e mudar esse sistema o quanto antes.”
O relator da comissão da reforma política na Câmara, Vicente Cândido (PT-SP), disse que deve apresentar relatório em 4 de abril, propondo lista fechada nas eleições de 2018 e 2022, para uma transição. “É fortalecer os partidos e acreditar que não há democracia sem partido político”, disse.
Maia e Eunício, alvos da Lava Jato, reafirmaram ser a favor de mudanças. “Estamos abertos e com disposição de alterar, se possível, as leis até setembro, um ano antes (das próximas eleições), como determina a lei”, disse o presidente do Senado no evento.
“Espero que a gente possa ter um novo sistema eleitoral para o Brasil em 2018”, afirmou Maia durante agenda em São Paulo. “Defendo e tenho defendido o da lista pré-ordenada pelo financiamento público.” / COLABOROU DANIEL WETERMAN

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,reforma-politica-vira-alvo-de-manifestacao-de-rua,70001707574

sexta-feira 17 2017

Lava Jato completa 3 anos expandindo tentáculos na América Latina


Nove países da região já registram escândalos com a Odebrecht

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Considerada a maior operação contra a corrupção no Brasil, a Lava Jato completa três anos nesta sexta-feira (17) com fôlego para impactar não somente o futuro político do país, mas também de alguns vizinhos na América Latina.
Apesar de ter sido iniciada em 17 de março de 2014 como investigação de uma rede de postos de combustível e lava jato que movimentava recursos ilícitos, a operação varreu dezenas de empresas além da Petrobras, provocando uma avalanche de desdobramentos e chegando a nomes de alto escalão da política brasileira, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já é réu em cinco processos.
O conjunto de operações realizadas pela Polícia Federal está em sua 38ª fase, acumulando 730 mandados de busca e apreensão, 101 de prisão temporária, 91 de preventiva e 202 de condução coercitiva. Até o fim de fevereiro, a PF contabilizada 125 condenações, totalizando 1.317 anos e 21 dias de pena. Os crimes denunciados envolvem o pagamento de propina de R$ 6,4 bilhões, número que pode aumentar com os novos desdobramentos.
Além das ações no Brasil, a PF também fez 131 pedidos de cooperação internacional, o que expôs mundialmente um esquema de corrupção praticado por empreiteiras, doleiros e partidos políticos no Brasil. No ano passado, um dos alvos da Lava Jato, a Odebrecht, admitiu à Justiça dos Estados Unidos ter pago propina em ao menos 11 países além do Brasil, sendo que 9 ficam na América Latina: Argentina, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Panamá, Peru e Venezuela.
Na Argentina, a Odebrecht fez pagamentos ilícitos no valor de US$ 35 milhões a intermediários ligados a ao menos três projetos de infraestrutura entre os anos de 2007 e 2014, passando pelo governo de Cristina Kirchner.
Na Colômbia, a empreiteira gastou cerca de US$ 11 milhões com intermediários entre os anos de 2009 a 2014, envolvendo até o nome do presidente Juan Manuel Santos, que venceu o Nobel da Paz em 2016. De acordo com a Justiça dos EUA, na República Dominicana os subornos foram praticados ao longo de 13 anos, de 2001 a 2014.
No Equador, os subornos teriam sido pagos ao longo de uma década, entre 2007 e 2016, em troca de benefícios em obras no país.
A atuação da Odebrecht na Guatemala ocorreu entre 2013 e 2015, com gastos estimados em US$ 18 milhões em propinas. Entre 2010 e 2014, a empreiteira brasileira pagou um total de US$ 10,5 milhões a intermediários no México. Já no Panamá, o valor seria de US$ 59 milhões em subornos. Na Venezuela, a acusação é de pagamento de propinas a funcionários do governo de Hugo Chávez e de Nicolás Maduro, que ainda está no poder.
E no Peru, onde as investigações estão mais avançadas, a Odebrecht teria desembolsado verbas milionárias em propinas entre 2005 e 2014, sendo US$ 20 milhões para a construção da estrada interoceânica que liga o país ao Brasil. A promotoria peruana pediu a prisão do ex-presidente Alejandro Toledo e a empreiteira brasileira está proibida de operar no país.
No entanto, somente após os EUA divulgarem a lista dos países envolvidos que cada nação latino-americana resolveu investigar as denúncias, o que evidencia um atraso na consolidação e independência das instituições de governo. Para o representante da ONG Transparência Internacional no Brasil, Bruno Brandão, a situação na América Latina é inédita, mas ainda é cedo para dizer se será um "divisor de águas" no combate à corrupção na região. "É inédito o modo como se revelou um esquema de corrupção envolvendo um grupo de empresas brasileiras e colocando em xeque todo o sistema na América Latina. Mas dependerá da maturidade e do fortalecimento das instituições de cada país para colher os frutos desse combate à corrupção", comentou.
Segundo Brandão, quatro pilares permitiram que os esquemas de corrupção se alastrassem pelo mundo: privilégios concedidos a empresas no Brasil; diplomacia presidencial do governo Lula que facilitou a atuação destas empresas no exterior; concessão de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as obras das empreiteiras brasileiras fora do país; e a atuação de marqueteiros como intermediários.
No entanto, mesmo com a Lava Jato ultrapassando as fronteiras, o Brasil melhorou seu rendimento em 2016 no ranking de percepção da corrupção, estabilizando no 79º lugar, de um total de 176 países. Na avaliação geral, o Brasil ficou com 40 pontos, dois a mais que em 2015, em uma escala que vai de 0 a 100 entre "extremamente corrupto" e "muito transparente".
"São duas imagens contraditórias que, ao fim, acabam se anulando: o Brasil como grande exportador de corrupção, devido à atuação das empreiteiras brasileiras na América Latina, e o Brasil como grande exportador de combate à corrupção, graças à força-tarefa da Lava Jato", disse o representante da ONG, ressaltando que a opinião pública se divide nesses dois sentidos.
Para o professor de relações internacionais da FGV e especialista em corrupção, Marcos Tourinho, a imagem do Brasil como "exportador de corrupção" pode ser facilmente consertada através de um trabalho diplomático e político no exterior. "Com esforço e com o tempo, é possível reverter essa imagem de país da corrupção, e não é difícil fazer isso. Se, por um lado, a Lava Jato está expondo o lado negativo do país, por outro, mostra que o Brasil está sendo limpo. Esse é justamente o argumento que o Ministério Público está tentando usar internacionalmente", disse

Hoje a Lava Jato completa 3 anos de bons resultados para o BRASIL!!!

Alberto Yousseff, José Dirceu, Paulo Roberto Costa, Sérgio Moro, Marcelo Odebrecht, Edson Fachin e Rodrigo Janot Foto: Editoria de Arte

TRÊS ANOS DE LAVA-JATO

 

Alberto Yousseff, José Dirceu, Paulo Roberto Costa, Sérgio Moro, Marcelo Odebrecht, Edson Fachin e Rodrigo Janot - Editoria de Arte
POR 
Maior operação contra a lavagem de dinheiro do país, a Lava-Jato sobrevive há três anos desde que iniciou as revelações sobre o cartel de empresas que desviou dinheiro da Petrobras. Ampliando seu escopo para a relação entre empreiteiros e políticos de todas as partes do Brasil e com acordos de cooperação com 37 países, a operação rastreou, até o momento, R$ 4,1 bilhões pagos em propina a autoridades e condenou 89 pessoas envolvidas no escândalo.

Operação recupera R$ 10 bilhões

SÃO PAULO - A Operação Lava-Jato completa três anos na próxima sexta-feira com números que falam por si: R$ 10 bilhões recuperados aos cofres públicos e 89 condenados a penas que somam pelo menos 1.383 anos de prisão, considerando apenas ações de irregularidades na Petrobras. Há, no entanto, um caminho longo pela frente, segundo os investigadores.

" É surpreendente que, depois de três anos de investigações intensas, ainda haja tantas linhas de investigação para seguir "
DELTAN DALLAGNOLL
Procurador da Lava-Jato
— É surpreendente que, depois de três anos de apurações intensas, ainda haja tantas linhas de investigação para seguir. Há muito tempo descobrimos que, em tema de corrupção brasileira, o buraco é mais embaixo. Contudo, uma coisa é descobrir isso uma vez, outra é seguir redescobrindo isso repetidamente por três anos — afirma o coordenador da força-tarefa em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol.

Sem prazo para acabar


Lobistas Jorge Luz saindo do IML após chegar ao Brasil - Ailton de Freitas / Agência O Globo
A prisão de Jorge Luz, apontado como operador de caciques do PMDB, mostrou, no mês passado, que a Lava-Jato mantém o fôlego para revelar novos personagens e desvendar esquemas de corrupção.
Na avaliação de Dallagnol, o maior risco vem da atuação de políticos que articulam manobras para abrandar as punições, a exemplo da proposta que anistia o caixa 2.
— A investigação desenterrou o monstro da corrupção. Alguns políticos estão insistindo para enterrá-lo. Varrer a sujeira para debaixo do tapete e fazer de conta que nada aconteceu — diz o procurador.
  • O ex-ministro José Dirceu 31/08/2015 Foto: Geraldo Bubniak / Agência O Globo

    José Dirceu: 34 anos e 6 meses

    Condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, o ex-ministro José Dirceu recebeu, até o momento, a maior pena toda a Operação Lava-Jato somadas todas as condenações.
Para o juiz Sérgio Moro, a corrupção envergonha, e é preciso seguir em frente nas investigações. Ele afirma que os esquemas viraram regra na política brasileira.
— Os casos já julgados revelaram um quadro de corrupção sistêmica, no qual a propina virou a regra e não a exceção. Isso nos causa vergonha. Mas é motivo de orgulho o fato de que o Brasil está tomando passos sérios e firmes para enfrentá-la. É importante ir adiante, especialmente no momento em que países vizinhos, inspirados pelo exemplo, buscam também adotar medidas contra o mesmo tipo de problema — afirmou Moro ao GLOBO.

Lava-Jato se espalha pelo país

A Lava-Jato não se restringe mais ao Paraná. Ganhou novas praças e está presente também no Rio e em Brasília. Também ultrapassou fronteiras: foram firmados mais de 150 acordos internacionais para troca de provas sobre corrupção e lavagem de dinheiro.

Policais federais levam oex-governador Sérgio Cabral para realizar exame corpo de delito - Geraldo Bubniak / Agência O Globo
Coordenador da força tarefa da operação Calicute, o procurador da república Leonardo Cardoso de Freitas, diz que, no Rio, a investigação sinaliza que velhas práticas não são mais aceitas sem receio algum:
—Hoje, aquele que pretende praticar atos de corrupção ou lavagem de dinheiro tem de pesar o risco real de ser preso — afirma Freitas.

Também da força-tarefa do Rio, o procurador Eduardo El Hage diz que a população precisa ficar alerta para que os políticos que estão sendo responsabilizados por corrupção não adotem medidas de autoproteção.
  • O iate “Manhattan”, que, para investigadores, pertence a Cabral Foto: Reprodução

    Apego à riqueza

    Antes acostumados a mansões e viagens internacionais, os presos da Lava-Jato precisam se acostumar a uma rotina mais humilde: a comida não é mais francesa e a roupa não é mais sob medida. Segundo o médico psiquiatra Ercy José Soar Filho, o impacto da mudança no status pode ser grande e, em alguns casos, levar à depressão.
— O risco de retrocesso é real e só não ocorreu antes porque a população tem se mantido constantemente vigilante — ressalta El Hage.

Delações foram alvo de críticas


Marcelo Odebrecht é conduzido pela Polícia Federal - Geraldo Bubniak / Agência O Globo
Uma das principais críticas à Lava-Jato é o uso recorrente de delações premiadas. Dentre os 89 condenados pela Lava-Jato na Justiça Federal de Curitiba, 32 assinaram acordo de delação premiada e reduziram em muito o tempo de permanência na prisão dos delatores. Na maioria dos casos, foram para prisão domiciliar logo após o acerto.
Outra modalidade é o “regime aberto diferenciado", onde o delator fica obrigado a permanecer em casa apenas à noite e nos fins de semana. O controle é feito com o uso de tornozeleira eletrônica.
  • Sede da Justiça Federal em Curitiba Foto: Parceiro / Agência O Globo

    Delatar ou não?

    A Lava-Jato entra no quarto ano de investigações com pelo menos 148 delatores - 77 deles vinculados à Odebrecht. A colaboração premiada tem sido uma saída para envolvidos reduzirem as penas impostas pelos crimes como corrupção e lavagem de dinheiro. Veja a situação dos principais envolvidos no esquema que delataram e dos que não delataram.
Apenas dois condenados continuaram presos depois do acordo — o doleiro Alberto Youssef e o empresário Marcelo Odebrecht.
— A delação é hoje um mecanismo de defesa do acusado. Além disso, temos no Brasil uma criminalidade de Estado. São crimes coletivos e transnacionais e é impossível chegar ao “núcleo duro" sem que alguém de dentro diga como funciona — diz o advogado Antonio Figueiredo Basto, responsável pelo acordo de Youssef e de outros cinco fechados na Lava-Jato.

Defesa de Lula critica a Lava-Jato

Apesar do apoio da opinião pública, há no meio jurídico também quem aponte excessos nos métodos da investigação. É o caso do advogado José Roberto Batochio, responsável pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
— É perigoso e difícil definir o que é a Lava-Jato, tal é a sua excepcionalidade dentro do ordenamento jurídico — diz Batochio.

Após condução coercitiva, Lula discursa para militantes em São Paulo - Eduardo Anizelli / Agência O Globo
A defesa de Lula tem dito que ele é vítima de perseguição política com o uso das leis, o chamado “lawfare", um jargão jurídico para descrever uma situação em que a lei é utilizada para fins políticos, como uma “arma de guerra contra um inimigo”.
este é um video:
Dono de umas delações mais abrangentes da Lava-Jato, o doleiro Alberto Youssef tem motivos de sobra para comemorar o aniversário da operação. Na sexta-feira chega ao fim também seu período de reclusão. Youssef voltará a ser um cidadão sem restrição.
Somada, a pena de Youssef chegou a 112 anos. Ao revelar a divisão de propina da Petrobras, ele havia acordado com a Procuradoria Geral da República ficar entre três e cinco anos preso. Em 2015, renegociou e antecipou em quatro meses o fim do período atrás das grades. Em novembro passado, deixou a cela e passou a cumprir prisão domiciliar em São Paulo.
http://oglobo.globo.com/brasil/tres-anos-de-lava-jato-21043383