segunda-feira 10 2016

Qual seria o mistério por trás dos apelidos da lista da Odebrecht?

Documentos apreendidos e depoimentos colhidos em duas fases recentes da Operação Lava Jato, a 23ª (Acarajé) e a 26ª (Xepa), revelaram mais do que a sistematização de um suposto "departamento de propina" que funcionava dentro da empreiteira Odebrecht, mas também "nomes de guerra" utilizados para realização de pagamentos. Segundo a PF, esses nomes eram usados para identificar determinadas pessoas ou políticos nas comunicações internas.
Havia de tudo, de Viagra a Lindinho. Ninguém sabe direito o porquê de cada um dos apelidos, mas é possível deduzir alguns deles. 
O ex-senador José Sarney (PMDB-AP) tinha o codinome Escritor, possivelmente por ser poeta e membro da Academia Brasileira de Letras.
Já a mulher do marqueteiro de João Santana, a jornalista Mônica Moura, seria a Feira, talvez porque seja natural de Feira de Santana. 
A bela deputada estadual (PC do B-RS) Manuela D'Ávila seria a Avião, provavelmente por ser considerada uma mulher bonita. Talvez seja a mesma razão para o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) ser chamado de Lindinho, ou seria pelas iniciais do seu nome?
Há alguns codinomes que parece apenas ser um antagonismo ou uma lembrança do nome. Por exemplo, o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (PDT-BA), era chamado de Rio, e possivelmente por causa do rio africano homônimo de seu sobrenome. E o sobrenome do secretário do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Fábio Branco (PMDB-RS), deve ser o motivo para ser apelidado de Colorido.
A tendência política também ajudou a dar codinomes. O deputado federal Daniel Almeida (PC do B-BA), tradicional militante de esquerda, é chamado de Comuna. E o ex-prefeito de Salvador Edvaldo Brito (PDT-BA) é Candomblé, por causa de seu apoio às religiões de raízes africanas.
E o deputado federal Paulo Magalhães (PSC-BA) pode ter o apelido de Goleiro porque foi presidente do Esporte Clube Vitória, de Salvador. Já o prefeito do Rio de Janeiro (PMBD-RJ), Eduardo Paes, é chamado de Nervosinho. Não é possível fazer uma dedução simples para esse apelido, mas Paes pode ser caracterizado com personalidade explosiva como no episódio recente, que chegou a bater boca com servidores em hospital público
Há também o Timão, "nome de guerra" do vice-presidente do Corinthians, André Negão, claramente ligando ao clube . Romero Jucá (PMDB-RR) é o Cacique, e esse é um apelido de relação fácil com a biografia do senador: entre maio de 1986 e setembro de 88, ele foi presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio).
Álvaro Novis, proprietário da Hoya Corretora de Valores e Câmbio, e apontado como o principal operador de dinheiro em espécie da Odebrecht, é o único a ter dois codinomes: Paulistinha e Carioquinha. O motivo: as operações que o envolviam eram endereçadas a dois locais, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro.
São estes os mais fáceis de deduzir, mas existem outros (muitos outros). Por que Jarbas Vasconcelos Filho (PMDB-PE) é o Viagra e Jaques Wagner (PT-BA), o Passivo? Ou qual será o motivo para o Raul Jungmann (PPS-PE), deputado federal, ser o Bruto. E Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (PMDB-RJ), ser o Grego ou Renan Calheiros, presidente do Senado (PMDB-AL); o Atleta? E por que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é chamado de Carangueijo (sic). Não há pistas que tenham se tornado públicas sobre tais apelidos.

Qual seria o seu apelido na Lava Jato

E a internet sempre dinâmica, já tem teste para saber qual seria seu "nome de guerra" na hora de receber pagamentos de empreiteiras. Confira, de acordo com o dia do seu nascimento. 

http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2016/03/23/qual-seria-o-misterio-por-tras-dos-apelidos-da-lista-da-odebrecht.htm

Dias Toffoli, sobre a Lava Jato: ‘Não se pode falar que é golpe’

Em entrevista, o ministro disse que se tornou mais liberal ao entrar para o Supremo

O Supremo Tribunal Federal está mudando, aos poucos, algumas convicções do ministro Dias Toffoli. Uma delas é achar que mais liberdade e menos proibição é melhor para todos. “A proibição leva à corrupção, a liberdade leva ao controle”, disse, em entrevista ao Estado. “Eu penso num Estado menos intervencionista, com uma sociedade mais livre. Quanto mais a sociedade não depender do Estado, melhor.”
Lembrou que era mais de esquerda, mas que se tornou mais liberal ao entrar para a Corte: “Eu tinha uma formação católica social de esquerda – e continuo com ela. Mas me tornei mais liberal. Esse tanto enorme de processos judicializados talvez fosse desnecessário se houvesse menos Estado e mais sociedade civil”.
A Operação Lava Jato, disse, está em ritmo adequado de tramitação no STF, devido a sua complexidade, e enquadrada nas leis. “Jamais existiria a Lava Jato se não houvesse as leis aprovadas nos últimos anos pelo Congresso Nacional, e sancionadas pelos últimos presidentes da República.”
Questionado se algo na Lava Jato o incomoda, Toffoli respondeu que “existem meios jurídicos de tentar combater os excessos que possam ocorrer nessa operação. Não se pode falar que é golpe, exceção, que não é o juiz natural. Isso está tudo dentro do Estado Democrático de Direito.”
Em resposta à crítica feita na terça-feira passada pelo ministro Teori Zavascki de “espetacularização” na apresentação da denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que “aquilo foi uma manifestação dele, que tem mais conhecimento sobre o caso”, e reiterou que é melhor um Estado Democrático de Direito do que um regime de exceção. “Aqueles que se sentirem prejudicados com algum tipo de excesso vão ter a justiça para se socorrer. A mim, não causa espécie.”
O chamado mensalão, ou Ação Penal 470, entrou na conversa quando o ministro observou que, às vezes, as coisas parecem não ter fundamento, mas, vistas de perto, têm. Citou o caso do ex-deputado federal José Genoino, que condenou. “Muita gente achava óbvio absolver o Genoino”, disse. “Eu trabalhei com ele, que foi meu chefe na liderança do PT, era um parlamentar admirado por muita gente, tínhamos uma relação. Eu votei pela condenação, porque tinha provas contra ele.” E no caso do ex-ministro José Dirceu, por ele absolvido? “Para a maioria dos colegas da Corte, o Zé Dirceu era culpado. Mas eu avaliei que não tinha prova.” E acrescentou: “Eu tenho de julgar de acordo com o que está nos autos e nas provas, e não pelo meu desejo”.
(Estadão Conteúdo)

domingo 09 2016

CAMPANHA 10/10 !!! FAMOSOS ENTRAM NA LUTA PELAS 10 MEDIDAS CONTRA CORRUPÇÃO DO MPF



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Doria em São Paulo: o que esperar da prefeitura-vitrine do PSDB

Algumas propostas do tucano já são copiadas no segundo turno, como o 'Corujão da Saúde', e especialistas vêem concessões e privatizações como tendência

Quando as eleições municipais chegarem ao fim, em 30 de outubro, o PSDB terá saído das urnas com seu maior número de prefeitos eleitos desde 2004. Naquele ano, o partido foi vencedor em 870 cidades; neste, teve 793 prefeitos eleitos no primeiro turno e ainda pode ter 19 no segundo. Tanto em 2004 quanto em 2016, a joia da coroa tucana é a mesma: São Paulo. Doze anos após a vitória de José Serra na capital paulista, João Doria Jr. foi eleito em primeiro turno, um feito inédito. Apadrinhado pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o empresário martelou ao longo de toda a campanha que não é um político, mas um “gestor”. Entre suas promessas, elevar a velocidade das marginais, congelar impostos e passagens de ônibus em 2017, contratar 800 médicos e promover atendimento em hospitais particulares durante a madrugada, no inusitado “Corujão da Saúde”.
Menos de uma semana após a vitória do tucano, algumas de suas propostas já pipocam em outras cidades importantes. O candidato do PSDB à prefeitura de Cuiabá no segundo turno, Wilson Santos, por exemplo, incorporou às suas promessas de campanha na semana passada o “Corujão” e o congelamento de tarifas de ônibus. Graças à crise fiscal nos municípios e ao tamanho da vitrine paulistana, as concessões e privatizações de espaços públicos, outro pilar da futura administração de Doria, também devem virar assuntos nacionais, segundo especialistas.
“Estas medidas (privatizações e concessões) devem tomar uma dimensão nacional, porque a prefeitura de São Paulo é a de maior dimensão econômica. Há uma dificuldade financeira generalizada, então os prefeitos, sobretudo os novos, vão olhar algumas administrações como guias, e a de São Paulo é uma delas”, diz o consultor econômico Raul Velloso, ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento. “João Leite e Marcelo Crivella, os favoritos em Belo Horizonte e Rio de Janeiro, duas prefeituras que poderiam sinalizar modelos, não têm nenhuma expressão em matéria de gestão”, completa.
O cientista político Rui Tavares Maluf concorda que a crise fiscal nos municípios tende a colocar definitivamente na agenda dos prefeitos pacotes de concessões e privatizações. “Pelo menos nos grandes municípios, além das cidades que têm ativos mais relevantes a oferecer, é possível que isso se dissemine, porque, afinal de contas, a situação é difícil e já há muito tempo isso vem sendo colocado na agenda, mesmo nos governos do PT”, lembra Maluf.
A atual “dificuldade financeira generalizada” dos municípios a que Raul Velloso se refere, e que favoreceria parcerias com o setor privado, é a pior desde 2006, segundo o Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que sintetiza dados públicos sobre receitas, gastos com pessoal, capacidade de investimento e qualidade de gestão do caixa das prefeituras. De acordo com os cálculos do estudo, divulgado em julho, as prefeituras fecharam suas contas em 2015 com 45,8 bilhões de reais de déficit nominal (saldo negativo entre receitas e despesas, incluindo gastos com juros).
No cardápio do eufemístico “programa de desestatização” que Doria levará ao mercado estão, a princípio, os parques do Ibirapuera, do Carmo e do Anhembi, incluindo o Sambódromo e os centros de convenção e exposições, além do autódromo de Interlagos. Conforme a estimativa do tucano, cujo trânsito entre o empresariado levou adversários a chamá-lo de “lobista” durante a campanha, as privatizações de Interlagos e do Anhembi devem render ao menos sete bilhões de reais à prefeitura.
Coordenador da campanha de João Doria, o ex-deputado federal Júlio Semeghini afirma que as parcerias com o setor privado são necessárias à medida que a “ges-tão”, palavra mágica utilizada por Doria sempre que confrontado com o cobertor curto do orçamento, resolve “parte das coisas, mas não tudo”. “São necessários recursos para investimento, que se faz com Parcerias Público-privadas e realocação de recursos de secretarias que não são prioritárias a saúde e educação, que são prioridade”, diz Semeghini.  “Ele (Doria) tem claro que o caminho é esse, e não tem outra forma, precisamos parar de colocar dinheiro público em algumas coisas”, afirma.
Para Sergio Andrade, diretor-executivo da Escola de Políticas Públicas, a crise econômica por que passa o governo federal deve levar a nova fornada de prefeitos, João Doria incluído, a “inovações”. “Sem dúvida haverá um experimentalismo e São Paulo tem oportunidade de realizar isso de uma forma não estereotipada, sem intensificar o modelo de privatização deixando de levar em conta processos mais inteligentes em que o serviço pode ser concedido ou abrindo mão do tripé oferta, acesso e qualidade”, enumera.

O gestor e o político

João Doria passou a campanha batendo na tecla de que é um “gestor” e utilizou o sucesso como empresário, atestado por um patrimônio de 180 milhões de reais, para catapultar seu discurso. Para Rui Tavares Maluf, “é como se ele dissesse que os políticos tradicionais podem até ter o discurso certo do que deveria ser feito, mas que quando colocam a mão na massa acabam sendo desastrosos, ou, no máximo, regulares, porque não prezam a gestão”.
Sergio Andrade adverte, no entanto, que o discurso, aprovado com folga nas urnas, não lhe dá carta branca na administração. “Nós estamos, desde julho de 2013, num contexto de cidade que aprendeu a reivindicar. Caso o prefeito faça as medidas sem processo de diálogo, dificilmente estas medidas serão percebidas como medidas favoráveis e serão contestadas”, alerta o especialista em políticas públicas.

sábado 08 2016

Lava Jato: Hotel de Brasília vira QG de delação da Odebrecht

O empresário Emílio Odebrecht se reuniu ao longo da semana no Windsor Plaza Brasília com os advogados que participam das negociações da delação do grupo

O empresário Emílio Odebrecht, patriarca do grupo Odebrecht, se reuniu ao longo da semana na cobertura do Windsor Plaza Brasília com os advogados que participam das negociações daquela que pode se tornar a mais explosiva delação premiada da Operação Lava Jato, segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo. Da janela, em reuniões que entram madrugada adentro, regadas a água, café e vinho branco, os participantes podiam avistar o lugar onde tudo começou, dois anos e sete meses atrás: o Posto da Torre, que deu nome à operação e levou a Polícia Federal até a contabilidade secreta do doleiro Alberto Youssef.
No Windsor, Emílio permanecia o tempo todo com a filha Mônica e o marido dela, Maurício Ferro – responsável pela área jurídica do conglomerado -, e Newton de Souza, atual presidente do grupo. São eles que ditam os rumos da tentativa de acordo com a Procuradoria-Geral da República, para que Marcelo, filho de Emílio, e cerca de 50 executivos confessem seus crimes em troca de punições menores.
A cena se repetiu várias vezes ao longo da semana e foi acompanhada pela equipe do jornal, hospedada no Windsor. A Odebrecht alugou espaços para reuniões e quartos para as cerca de 20 pessoas que participaram das negociações na sede da PGR. Além do local para as conversas internas, o grupo ocupava um lounge anexo, onde permaneciam duas secretárias prontas para resolver qualquer problema de logística dos presentes, e um refeitório com TV e buffet variado. O acesso ao buffet está disponível a qualquer hóspede mediante o pagamento de uma taxa extra.

O Windsor Plaza transformou-se em um “bunker” da empreiteira número 1 da América Latina, que tenta fechar um dos maiores acordos judiciais já assinado no mundo – o Ministério Público quer impor uma multa de ao menos R$ 6 bilhões. Marcelo, que era presidente do grupo até sua prisão, um ano e quatro meses atrás, e os executivos estão dispostos a contar os bastidores da distribuição de milhões de reais em propina para “conquistar” obras e apoio político nos governos federal, estaduais e municipais e outros ilícitos cometidos em diversos outros países.
Em contrapartida, além de terem as penas de seus executivos diminuídas, a empresa tenta virar a página dessa história que a arrastou para um dos maiores escândalos de corrupção do mundo. Os advogados são orientados a manter sigilo sobre a negociação e, principalmente, o conteúdo dos depoimentos.

Seleção

As negociações não têm sido fáceis e o clima de tensão domina a cobertura do hotel. Descontração apenas em alguns momentos, como o da quinta-feira à noite, quando os advogados e Emílio esqueceram o trabalho por minutos para acompanhar a goleada da seleção brasileira sobre a Bolívia pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018.
“Nunca na minha vida achei que ia ter que negociar assim”, comentava uma advogada com os colegas, enquanto o Brasil marcava seu segundo gol e iniciava a primeira goleada da era Tite. Nesse mesmo dia, Emílio ficou das 18 horas até perto de meia-noite entre uma conversa e outra. Parou só para pedir uma salada caprese – sem folhas, mas com reforço na muçarela de búfala – e conferir o placar do jogo do Brasil.
Segundo o jornal, uma das negociações mais duras envolve Marcelo Odebrecht. Investigadores consideram que o caso do mais poderoso e rico dos executivos presos na Lava Jato deve servir de exemplo contra a impunidade. Exigem mais quatro anos de regime fechado para o ex-presidente da empresa, à frente da companhia entre 2009 e 2015, e responsável pela criação do setor de operações estruturadas – popularmente conhecido como departamento da propina. A meta dos advogados coordenados pelo criminalista Theodomiro Dias Neto, o Theo Dias, é convencer os investigadores de que o executivo já passou muito tempo na prisão e tentar reduzir a pena de reclusão para dois anos e meio – já descontado o ano e quatro meses cumprido na carceragem da PF de Curitiba.
A delação de Marcelo, mais do que qualquer outra, provoca terror no meio político com potencial para derrubar líderes que ainda se sustentam após dois anos e sete meses de investigação ininterrupta. Enquanto bebia um vinho, um dos advogados previa muitas operações após o acordo. Os executivos têm sido divididos em faixas pela PGR, por características comuns dos crimes. Marcelo tem uma faixa única. E seu pai concentra todos os esforços em Brasília para diminuir o tempo do filho atrás das grades. “Minha mãe pediu para nós dois, eu e meu pai, não viajarmos no mesmo avião. Mas meu pai não vai embora antes, ele não vai embora deixando a gente aqui”, dizia Mônica aos advogados, na manhã de ontem, quando todos fizeram as malas para deixar Brasília, ainda sem conseguir assinar o acordo de Marcelo.
“Na manhã foi ruim. Mas à tarde, dado o contexto, foi bom”, comentava um advogado recém-chegado das conversas com procuradores aos colegas, no início da noite de anteontem. Nem todos sentam à mesa de negociação com o grupo de trabalho do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Um dos que encararam negociações de madrugada chegou faminto para o café da manhã do hotel. “Eu não jantei.” Depois explicou: “Se você negocia só um é fácil. Se você negocia 50, cada um tem um caso. ‘Olha, minha mãe está doente’, ‘meu filho é menor de idade’…”, disse ao dar as justificativas dos executivos aos investigadores para terem suas penas reduzidas.
No total, 53 executivos negociam a colaboração. Anteontem, pelo menos 15 casos teriam sido fechados segundo as conversas dos presentes no último andar do hotel. Entre eles, o do ex-diretor financeiro da empresa César Ramos Rocha. Com seu acordo fechado e com um envelope pardo com logo oficial em mãos, o executivo se preparava para chegar a um acordo com uma pena de oito meses.

Tempo

Embora estivesse prevista para ontem, a assinatura de todos os acordos ainda deve levar ao menos mais uma semana. Há casos considerados mais simples, como o de Benedicto Barbosa Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, e outros, emperrados. Uma das negociações travadas é a de Alexandrino Alencar. Ele foi diretor de Relações Institucionais da empresa e vice-presidente da Braskem. Alencar tinha contato direto com líderes políticos, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem foi flagrado em conversas interceptadas pela Polícia Federal. Por isso, é pressionado a entregar mais informações.
As conversas refletem a quantidade de advogados atuantes na negociação, vindos de bancas criminalistas de São Paulo, Rio, Paraná, Brasília e do corpo jurídico da própria empreiteira, que tem sede na Bahia. Apesar da diversidade de advogados, o objetivo é um só e transparece na frase mais ouvida nas conversas travadas na cobertura do Windsor Plaza: “Virar a página da empresa”. Para isso, Emílio negocia, advogados estendem reuniões na Procuradoria-Geral da República e a irmã de Marcelo pede a uma das integrantes da equipe: “Não vamos desistir agora”
(Com Estadão Conteúdo)

sábado 01 2016

Propineiro do PMDB decide falar, e Lava Jato chega a Renan


Felipe Parente, o homem da mala, fez acordo de delação para contar como levava dinheiro da Transpetro a Renan Calheiros e outros caciques peemedebistas

Em sua caçada montante, a Operação Lava-Jato nunca esteve tão perto de capturar o terceiro homem na linha de sucessão da República: o senador Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas, que preside o Senado Federal. VEJA teve acesso a um despacho sigiloso do ministro Teori Zavascki, cuja leitura traz quatro revelações:
• O homem da mala do PMDB, o empresário e advogado Felipe Rocha Parente, fez um acordo de delação premiada e apresentou cinco anexos, como são chamados os itens que compõem a lista do que o delator pretende detalhar.
 Em um dos cinco anexos, Parente conta que entregava propinas para a cúpula do PMDB. Eram fruto de dinheiro desviado da Transpetro, subsidiária da Petrobras.
 Entre os beneficiários das propinas saídas da Transpetro, estão Renan Calheiros e seu colega de Senado Jader Barbalho, do PMDB do Pará.
 O anexo de Parente ainda precisa ser comprovado no curso da delação, mas já foi confirmado por pelo menos três delatores.
As revelações do despacho de Teori jogam luz sobre um dos momentos mais barulhentos da Lava-Jato, ocorrido entre maio e junho passado. Nessa ocasião, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de uma só tacada, pediu ao Supremo Tribunal Federal que decretasse a prisão de Renan Calheiros, do senador e então ministro do Planejamento Romero Jucá e do ex-presidente da República José Sarney. Os três peixões graúdos do PMDB haviam sido gravados por Sérgio Machado, que comandou a Transpetro durante doze anos por indicação da cúpula peemedebista. Machado negociava um acordo de delação premiada e tentava reunir evidências que sustentassem a estrondosa revelação que faria tão logo assinasse o acordo: como foram distribuídas propinas de 100 milhões de reais ao partido que hoje governa o país.
As prisões pedidas por Janot foram rejeitadas pelo Supremo, mas, em segredo, os investigadores fecharam um acordo de colaboração com Felipe Parente, o entregador de propinas. Do seu depoimento, surgiram os laços que comprometem o PMDB com a Transpetro. O lado visível desses laços já era conhecido. Renan Calheiros era um dos principais fiadores da permanência de Sérgio Machado no comando da Transpetro. O lado invisível apareceu com a delação do próprio Sérgio Machado, que contou que Renan era bem remunerado pela fiança. No início do esquema, recebia um porcentual sobre cada contrato assinado com a estatal. Depois, optou por um mensalão de 300 000 reais, que eram repassados pelo próprio Sérgio Machado, segundo ele mesmo. Em anos eleitorais, o numerário se multiplicava. De 2004 a 2014, Renan embolsou 32 milhões de reais, ainda segundo Machado. Desse total, pelos cálculos do delator, empreiteiras do petrolão simularam ter doado 8 milhões de reais ao diretório nacional do PMDB. Os outros 24 milhões foram entregues em dinheiro vivo. É nessa etapa — na entrega em dinheiro vivo — que entra Felipe Parente. Ao menos até 2007, era ele quem fazia entregas a Renan, conforme contou Sérgio Machado.
Em seus depoimentos, mantidos em sigilo, Felipe Parente confirmou ter distribuído propina da Transpetro a pedido de Sérgio Machado. Citou nomes, lugares e circunstâncias em que o dinheiro foi entregue. Para oferecer provas concretas, deu informações sobre hotéis onde se hospedou para finalizar o trabalho. Contou que, numa ocasião, foi orientado a deixar a “encomenda” destinada ao senador Jader Barbalho com uma tal de “Iara”. Os investigadores chegaram a Iara Jonas, senhora de pouco mais de 60 anos, assessora de confiança de Jader Barbalho. Lotada no gabinete do senador, com salário de quase 20 000 reais, ela trabalha para a família Barbalho há 22 anos. Apresentado à fotografia de Iara, Parente reconheceu-a como a destinatária do dinheiro.