sábado 03 2016
Saiba como ajudar os moradores de rua de São Paulo
Cruz Vermelha e Pastoral do Povo da Rua são locais que recebem doações.
Serviço de emergência da Prefeitura, o Cape, funciona 24 horas por dia.
Morador de rua se protege do frio com cobertor no centro de São Paulo. (Foto: Marcelo Brandt/G1)
Com a onda de frio em São Paulo, os moradores em
situação de rua são uns dos que mais sofrem com as baixas temperaturas. Desde
sexta-feira, quatro teriam morrido de frio na capital, segundo a Pastoral do
Povo de Rua.
Se encontrar um morador de rua precisando de ajuda,
ligue para o 156 e comunique a Coordenadoria de Atendimento Permanente e de
Emergência (Cape), da Prefeitura. O serviço funciona 24 horas por dia.
Segundo o último censo divulgado pela Secretaria de
Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) da Prefeitura, São Paulo tem
15.905 pessoas na rua, sendo 8.570 nos centros de acolhimento e 7.335 em vias e
espaços públicos.
Veja
onde doar roupas, cobertores e itens de higiene:
Pastoral do Povo de Rua
Rua Taquari, 1100, Mooca
Paróquia São Miguel Arcanjo
Campanha do Agasalho
A Cruz Vermelha promove sua própria Campanha do
Agasalho há cinco anos. São mais de 20 pontos de doação na capital, veja os
endereços aqui.
Missão
Belém
Rua Doutor Clementino 608, São Paulo
Convento São Francisco
Largo São Francisco, 133, São Paulo
Precisa de doações de sabonetes, creme e escova dental,
xampu e gilete de barbear.
ONG
Anjos da Noite
Rua Jose Teixeira da Silva, 15, Parque das Paineiras
(100 metros da estação do Metrô Artur Alvim). Travessa da Avenida Águia de
Haia, em frente ao número 312. Doações podem ser entregues aos sábados.
Telefones: 981608407/ 2280 4587.
Email: anjos@anjosdanoite.org.br
www.anjosdanoite.org.br
Mãos
na Massa
Rua Boa Vista, 75, Centro
Telefone: 99723-4343
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/06/saiba-como-ajudar-os-moradores-de-rua-de-sao-paulo.html
Articulação pró-Dilma foi informada a Lewandowski 9 dias antes da sessão
No último dia 22 de agosto, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, abriu uma fenda na agenda para encaixar uma visita. Recebeu em seu gabinete a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO). Autorizada pela amiga Dilma Rousseff, Kátia foi conversar sobre a sessão de julgamento do impeachment, que ocorreria dali a nove dias, na manhã do dia 31.
Ex-ministra da Agricultura de Dilma, a senadora informou a Lewandowski que os aliados de Dilma apresentariam um requerimento inusitado aos 45 minutos do segundo tempo do julgamento do impeachment. Desejava-se votar separadamente a deposição de Dilma e a punição que poderia bani-la da vida pública por oito anos. Confirmando-se o afastamento da presidente, Kátia tinha a esperança de livrá-la do castigo adicional.
A senadora foi à presença de Lewandowski acompanhada de João Costa Ribeiro Filho, um personagem cujo anonimato não faz jus ao protagonismo que desempenhou no enredo que produziu mais uma jabuticaba brasileira: o impeachment de coalizão, no qual o PMDB, partido do “golpista” Michel Temer, juntou-se ao PT para suavizar a punição imposta à “golpeada” Dilma, preservando-lhe o direito de ocupar funções públicas mesmo depois de deposta.
Partiu de João Costa —um advogado mineiro que cresceu em Brasília e entrou para a política no Tocantins— a ideia de fatiar o julgamento do impeachment. Por ironia, o autor da tese que atenuou o suplício de Dilma já pertenceu aos quadros do tucanato. Em 2010, filiado ao PSDB, tornou-se suplente do senador Vicentinho Alves (PR-TO). Em 2011, trocou o ninho pelo PPL, Partido da Pátria Livre. Chegou a assumir a poltrona de senador por alguns meses, entre outubro de 2012 e janeiro de 2013.
Até ser apresentado à tese de João Costa, Lewandowski não cogitava realizar senão uma votação no julgamento do impeachment. Assim pedia o parágrafo único do artigo 52 da Constituição: “Nos casos previstos nos incisos I e II, funcionará como presidente o do Supremo Tribunal Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.”
Quatro dias antes da visita a Lewandowski, João Costa telefonara para Kátia Abreu. Pedira para ser recebido. Atendido, abrira a conversa afirmando à interlocutora que a defesa de Dilma cometia um erro comum nos tribunais de júri: preocupava-se obsessivamente com o mérito da acusação, sem atentar para a pena. Ele havia estudado a matéria. Apresentou um roteiro que levaria à votação fatiada. Passava, em essência, pelo regimento interno do Senado, que prevê o DVS (destaque para votação em separado) e pela Lei 1.079, que contempla a votação em fatias.
Kátia Abreu, até então mergulhada no esforço para tentar conquistar os 28 votos que enterrariam o pedido de impeachment, impressinou-se com os argumentos de João Costa. “Liguei para a Dilma”, recordou a senadora, numa conversa com o blog. “Preciso ir aí, tenho um assunto seríssimo para falar com a senhora. É particular, sem ninguém por perto.” Kátia rumou para o Palácio da Alvorada. Levou João Costa a tiracolo. Imaginou que a amiga reagiria mal à prosa. Falar sobre dosimetria de pena àquela altura significava admitir que a condenação era mesmo inevitável. “Para minha surpresa, ela entendeu e recebeu muito bem.”
Sabendo-se praticamente cassada, Dilma autorizou Kátia Abreu a dar sequência à articulação. Por sugestão da senadora, organizou-se uma reunião com José Eduardo Cardozo, o advogado petista de Dilma. Que também reagiu com naturalidade. Firmou-se um pacto de sigilo. A notícia de que Dilma já guerreava pela atenuação do castigo seria interpretada como símbolo da rendição. Algo que a confinada do Alvorada preferia não admitir em público.
Informado da articulação por Dilma, Lula comentaria mais tarde, em privado, que enxergou sensatez na estratégia de cuidar também da pena que poderia ser imposta a Dilma. A própria Kátia Abreu cuidou de comunicar os planos ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Apresentado ao roteiro, Renan entusiasmou-se. Disse que considerava “certíssimo” livrar a ex-aliada da proibição de ocupar cargos públicos por oito anos. “A Dilma merece que a gente faça isso por ela.”
Kátia pediu calma a Renan. Esclareceu que o fatiamento ainda era o Plano B. “Não entrego o jogo antes da hora. Vamos até o final.” Sem alarde, um assessor da liderança do PT foi acionado para elaborar o requerimento para desmembrar a votação do impeachment em duas. O documento foi formalmente apresentado pelo líder do PT, Humberto Costa (PE).
Na conversa com Lewandowski, Kátia Abreu testemunhou um telefonema do presidente do Supremo para o secretário-geral da Mesa do Senado, Luiz Fernando Bandeira, um dos principais assessores de Renan nas sessões plenárias. O ministro pediu-lhe que estudasse o tema. A ordem foi cumprida com esmero. No dia da sessão, Lewandowski estava munido de um autêntico tratado. Não havia questão levantada pelos rivais de Dilma que ele não trouxesse a resposta na ponta da língua.
Afora os encaminhamentos de praxe —dois senadores a favor e outros dois contra—Renan Calheiros discursou, ele próprio, em defesa do abrandamento da punição de Dilma. ''No Nordeste, costumamos dizer uma coisa: 'Além da queda, coice'. Não podemos deixar de julgar, mas não podemos ser maus, desumanos.'' Foi nesse diapasão que os senadores livraram Dilma do coice da inabilitação para o exercício de funções públicas depois de tê-la derrubado da Presidência da República. Tudo com o aval de Lewandowski.
sexta-feira 02 2016
Anotações da Odebrecht sugerem depósitos para Cabral e Pezão
Documentos foram apreendidos na residência do executivo que era encarregado de distribuir propina a políticos envolvidos no escândalo na Petrobras

Governador licenciado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (Glaucon Fernandes/Agência O Globo/VEJA)
Papéis encontrados pela Polícia Federal na residência do executivo Benedicto Barbosa Silva Junior, da Odebrecht, podem ajudar a comprovar pagamentos realizados pela empresa a autoridades do Rio de Janeiro. Preso em das das fases da Operação Lava Jato, Benedicto é apontado como o elo financeiro entre a empreiteira e os políticos, principalmente os cariocas. Ele foi responsável pelo acompanhamento das obras da Copa do Mundo e da Olimpíada de 2016.
A PF apreendeu uma infinidade de documentos no apartamento do executivo. Planilhas, extratos e anotações que sugerem pagamentos para o governador licenciado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e para a advogada Adriana Ancelmo, esposa do ex-governador Sérgio Cabral. São valores pequenos, o que chama a atenção — “R$ 3.000,00” na “conta jurídica” de Luiz Fernando Pezão, “R$ 5.800,00” para Adriana Ancelmo, “depósito (física)”. Havia ainda a indicação de um repasse para Maria Lúcia Jardim, que os policiais acreditam ser a esposa de Pezão. A movimentação teria ocorrido no ano de 2012.
Em nota, a advogada Adriana Ancelmo afirma que “jamais recebeu em sua conta pessoal quaisquer quantias do Sr. Benedicto Junior nem tampouco de empresas do Grupo Odebrecht, repudiando veementemente qualquer ilação feita nesse sentido”.

Os bilhetes encontrados com Benedicto Barbosa. (Arquivo VEJA)
O ex-governador Sérgio Cabral é investigado por receber propina na reforma do Maracanã. Executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez já detalharam o pagamento de propinas a vários políticos do Rio. Em delação premiada, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, confessou ter arrecadado 30 milhões de reais para a campanha de Cabral em 2010.
Em março, os investigadores da Lava Jato divulgaram os dados de uma planilha encontrada na casa de Benedito Barbosa. Ela trazia uma lista de 270 nomes de políticos, acompanhados de valores. Cabral e Pezão apareciam na lista.
PSDB vai ao STF contra fatiamento de impeachment
DEM e PPS também vão assinar o recurso. Senado cassou ontem o mandato de Dilma Rousseff, mas manteve os seus direitos políticos

Reunião de senadores na liderança do PSDB (Lula Marques/Folha Imagem/VEJA)
O PSDB voltou atrás e vai entrar nesta sexta-feira com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter a decisão do Senado de permitir que a ex-presidente Dilma Rousseff exerça funções públicas. O recurso será assinado também pelo DEM e PPS. O anúncio foi feito pelo líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), na tarde desta quinta-feira.
O PSDB já havia cogitado ontem acionar o Supremo, mas os advogados da sigla temiam que isso pudesse prejudicar a votação principal. Como Dilma entrou com uma ação questionando a votação inteira, os tucanos avaliaram que o assunto já entraria de qualquer jeito na pauta.
“Ontem, no calor, na emoção, a sensação primeira foi de termos uma postura de serenidade, não transformar uma vitória em uma derrota e dar uma contribuição para uma estabilidade maior no país. Mas, diante dessa ação do PT, acreditamos que seja o caminho correto entrar com a ação para que essa parte da decisão, que está equivocada, possa ser revista”, explicou Cunha Lima.
Após a votação que cassou o mandato da petista, dezesseis dos 61 senadores que defenderam o afastamento definitivo optaram por manter os direitos políticos de Dilma. Os tucanos querem impedir a divisão da votação da pena em duas partes. Na primeira, cassou-se o mandato, mas a segunda garantiu o direito da petista de exercer funções públicas.
O senador Álvaro Dias (PV-PR) já entrou nesta quinta-feira com um mandado no STF. “Abriu-se um precedente perigoso ao se impor a segunda votação. A Constituição não dá base a interpretações. Ela diz: cassação com suspensão dos direitos políticos por oito anos. Não precisa ser jurista, basta saber ler”, disse o senador.
A decisão do Senado de permitir que a ex-presidente Dilma Rousseff assuma cargo público mesmo após cassada causou abalos na base aliada de Michel Temer. Parlamentares do PSDB e do DEM acusaram o PMDB de ter feito um acordo para “livrar” Dilma e amenizar sua pena por crime de responsabilidade.
(Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)
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