terça-feira 19 2016

Empreiteira pagou R$ 2,5 mi a Erenice Guerra, diz PF

Pagamentos foram feitos pela empreiteira Engevix à ex-ministra do governo Lula em 2013

Erenice Guerra, ex-Ministra chefe da casa civil

A empreiteira Engevix pagou 2,5 milhões de reais ao escritório de advocacia de Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil no governo Luiz Inácio Lula da Silva e ex-secretária executiva da então ministra Dilma Rousseff. A informação consta de laudo da Polícia Federal sobre movimentações financeiras da empresa investigada na Operação Lava Jato por envolvimento no esquema de cartel e corrupção na Petrobras. Os pagamentos foram feitos em 2013, quando Erenice já não era mais ministra.


O documento mapeou os principais órgãos do poder público e empresas estatais que assinaram contratos com a empreiteira nos anos de 2008 e 2013, os repasses da construtora para políticos e partidos e os contratos com consultorias e prestadores de serviços nesse período, no qual há o registro da empresa de Erenice. O laudo é assinado pelo perito Ricardo Andres Reveco Hurtado. Segundo o relatório, é preciso cruzar os pagamentos ao escritório de Erenice com outros dados da investigação. O sócio da empreiteira José Antunes Sobrinho já havia informado, em delação premiada, ter contratado a equipe da ex-ministra.
Os serviços foram requisitados após o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendar que a Eletronorte executasse, em 2013, uma garantia de 10 milhões de reais da Engevix por obras na Usina de Tucuruí, no Pará. No fim daquele ano, a corte de contas reverteu a decisão, beneficiando a empreiteira.
Em nota, o escritório Guerra&Advogados Associados informou que, sobre “um suposto pagamento da empresa Engevix, tem a esclarecer que toda e qualquer relação comercial foram estabelecidas legalmente, por meio de contrato, com todas as comprovações de serviços prestados” à empreiteira.
Não é a primeira vez que o nome da ex-ministra aparece na Lava Jato. Ela já foi apontada em delações de executivos da Andrade Gutierrez como uma das responsáveis por acertar a propina de 1% nas obras da Usina de Belo Monte, no Pará, que teria sido dividida entre PT e PMDB. O leilão da usina durou sete minutos e foi vencido com deságio de 6,02% sobre o preço inicial de 83 reais por MWh, no dia 20 de abril de 2010.
Erenice ficou no comando da Casa Civil de abril a setembro de 2010, quando deixou o cargo em meio a denúncias de que fazia lobby para empresas no ministério. Antes de assumir a pasta na gestão Lula, ela havia sido secretária executiva. Chegou à função em 2005, quando Dilma trocou o Ministério de Minas e Energia pela Casa Civil em substituição a José Dirceu.
Os executivos da Engevix negociam um acordo de delação premiada e colaboram com as investigações.
(Com Estadão Conteúdo)

domingo 17 2016

Tricerátope foi o último dos dinossauros

Tricerátope: último dinossauro sobrevivente


RIO - Um Tricerátope pode ter sido o último dos dinossauros sobreviventes, segundo uma pesquisa da Universidade Yale, dos EUA, publicada esta semana pela revista "Royal Society Biology Letters". De acordo com o estudo, os fósseis do réptil foram descobertos no estado americano de Montana e datam de 65 milhões de anos atrás - mesma época em que um meteorito teria atingido a Península de Yucatan, no México, dando fim à era dos grandes lagartos. 

A camada do solo em que o fóssil foi descoberto está muito próxima à do período posterior à grande extinção, dominado por outros animais - mamíferos e aves, principalmente. Tão próxima que, segundo os pesquisadores, seu estudo poderia derrubar uma teoria há muito conhecida entre paleontólogos: a possibilidade de que os dinossauros já estavam entrando em extinção muito antes da chegada do meteorito. 
- Ainda não é possível saber quando eles começaram a sumir - destaca o paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional, no Rio, que não participou da pesquisa. - O ponto alto deste novo trabalho é encontrar aquele que seria o mais novo dos dinossauros. Não há, no entanto, nada de especial que tenha feito os tricerátopes durar mais do que as outras espécies. Quem continuar com as buscas logo encontrará outros contemporâneos dessa espécie, talvez até tiranossauros. 
Kellner, assim como os autores do novo estudo, concorda que a queda do meteorito atirou bilhões de toneladas de cinzas no ar. A poeira filtrou a luz do Sol, provocando um "inverno nuclear", que esfriou o planeta e secou a vegetação da qual os dinossauros dependiam, direta ou indiretamente. 
- Sabe-se que as mudanças climáticas contribuíram para a extinção das espécies - explica Kellner. - Entre os pterossauros, a diversidade de espécies foi diminuindo muito antes desse impacto final. Se o mesmo vale para os dinossauros, ainda temos um longo caminho para percorrer. Globo.com

sábado 16 2016

Moro defende no STF legalidade dos grampos de Lula


Em resposta a questionamentos de Ricardo Lewandowski, juiz também defendeu continuidade das investigações contra o ex-presidente pela 1ª instância

Em manifestação enviada nesta quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal, o juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba, defendeu a validade dos grampos que flagraram conversas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e políticos com foro privilegiado. O magistrado também afirmou que uma decisão do ministro do STF Teori Zavascki autorizou a continuidade das investigações contra Lula na 13ª Vara Federal, chefiada por Moro. A manifestação foi motivada por um pedido de informações feito pelo presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, que analisa liminar solicitada pela defesa de Lula.
Os advogados do petista pedem que toda a investigação contra o ex-presidente volte a tramitar no STF porque os parlamentares citados em diálogos com Lula têm foro privilegiado e, por isso, só podem ser julgados pela Corte. Alvo da Lava Jato, Lula teve os telefones grampeados por ordem de Moro. Na manifestação, o juiz explicou que está cumprindo determinação de Teori e que o áudio envolvendo Lula e a presidente afastada Dilma Rousseff foi retirado do processo, conforme decisão do ministro. Para o juiz, o restante da investigação continua rígida, e não há motivos para remeter os processos novamente para o Supremo, conforme quer a defesa.
“Com a devolução do processo de interceptação e de todos os demais nos quais figurava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, houve autorização do eminente ministro Teori Zavascki para a continuidade das investigações em relação a ele e de outras pessoas destituídas de foro por prerrogativa de função”, disse Moro. “Quanto aos diálogos interceptados do ex-presidente com autoridades com prerrogativa de função, é evidente que somente serão utilizados se tiverem relevância probatória na investigação ou na eventual imputação em relação ao ex-presidente, mas é evidente que, nesse caso, somente em relação ao ex-presidente e associados sem foro por prerrogativa de função”, acrescentou.
(Com Agência Brasil)

quarta-feira 13 2016

Lula ficou 3 andares mais perto da República de Curitiba


A Lava Jato descobriu que a Odebrecht comprou um prédio em São Paulo para transformá-lo em bunker do camelô de empreiteira

A pilha de patifarias imobiliárias protagonizadas por Lula ficou alguns calhamaços mais alta nesta terça-feira, graças à descoberta da Operação Lava Jato revelada pelo jornal O Globo: em junho de 2010, a Odebrecht usou como intermediária a DAG Construtora, uma ramificação da empreiteira baseada em Salvador, para adquirir um prédio de três andares em São Paulo que, sem que o chefe de governo e parceiro de negócios bilionários gastasse um único e escasso centavo, seria reformado e transformado em sede do Instituto Lula.
Tanto as negociações quanto o planejamento da reforma foram diretamente monitorados por Marcelo Odebrecht. Em setembro de 2010, num email endereçado a Branislav Kontic, braço-direito do ex-ministro Antonio Palocci, o presidente da maior empreiteira do Brasil revelou que tinha boas notícias para o presidente da República: “Preciso mandar uma atualização sobre o novo prédio para o Chefe amanhã. Qual a melhor maneira?” A compra foi efetivada, mas pendências judiciais envolvendo os antigos proprietários do imóvel impediram que a doação se consumasse.
É improvável que a decepção do marido tenha igualado em intensidade o desconsolo de Marisa Letícia. Entre os documentos apreendidos em março deste ano no sítio em Atibaia, a Polícia Federal encontrou, numa pasta rosa guardada pela ex-primeira-dama, a prova de que o bunker permitiria que o casal convivesse 24 horas por dia: o projeto que detalhava a reforma incluía, além do auditório, de salas de reunião e de gabinetes, um apartamento de cobertura com cinco suítes.
O ex-presidente conhece muito bem os diretores da DAG. (Entre outras gentilezas, a sigla bancou em 2013 a viagem de jatinho que levou o camelô de empreiteira aos Estados Unidos, à República Dominicana e a Cuba). Conhece como ninguém o advogado Roberto Teixeira, que participou dos entendimentos que precederam a compra do prédio pela construtora baiana. (Dono de apartamentos que abrigam os filhos do amigo, Teixeira é uma espécie de Minha Casa, Minha Vida da família Lula). Mas o palestrante predileto da Odebrecht dirá, como sempre, que nunca soube de nada. O problema é que a Lava Jato sabe de tudo.
Em 25 de junho de 2010, ao comentar sua assombrosa performance na última pesquisa do Ibope, esta coluna registrou que o então presidente vivia um ano de sonho. Do alto dos mais de 80% de “ótimo” ou “bom”, o maior dos governantes desde Tomé de Souza já vislumbrava a chegada aos 100% (ou 103%, se a margem de erro de 3% oscilasse todinha para cima). Faltava pouco para o recorde mundial de popularidade.
Mais impressionante ainda era o índice de desaprovação: os que achavam “ruim” ou “péssimo” o desempenho de Lula somavam apenas 3% do eleitorado. Esses 4 milhões de brasileiros subiriam para 8 milhões se a margem de erro oscilasse para cima. Caso contrário, o índice despencaria para zero ─ e não haveria um único descontente em todo o território nacional. Nenhum. “Nós somos margem de erro”, constatou o comentarista Renato Vieira.
Naquele fabuloso 2010, o chefão ganhava até prédio com a soberba placidez de um monarca medieval presenteado com joias por outro soberano. Não podia imaginar que, com a descoberta da história do imóvel na Vila Clementino, ficaria três andares mais perto da República de Curitiba.

terça-feira 12 2016

PGR quer acesso às imagens do circuito interno do Palácio do Planalto e perícia no termo de posse de Lula


Conforme VEJA revelou em sua última edição, a Procuradoria-Geral da República apresentou uma lista de investigados por sabotagem contra as apurações do esquema do petrolão. Entre eles estão Dilma, Lula, dois ex-ministros do governo, um ex-senador e o presidente e um ministro do STJ

A presidente Dilma Rousseff e o ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cerimônia de posse dos novos ministros no Palácio do Planalto, em Brasília
A presidente afastada Dilma Rousseff e o ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cerimônia de posse dos novos ministros no Palácio do Planalto, em Brasília(Adriano Machado/Reuters)
Em sua última edição, VEJA revelou que a Procuradoria-Geral da República enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma lista de investigados por obstrução da Lava-Jato. Entre os principais alvos destacados estão: a presidente afastada Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ex-ministros José Eduardo Cardozo e Aloizio Mercadante, além do ex-senador Delcidio do Amaral e do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Francisco Falcão e do ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas (STJ). Todos eles são suspeitos de obstruírem a maior investigação do país com "condutas autônomas e praticadas com a mesma finalidade, embora em distintas circunstâncias de tempo, lugar e modo de execução".
VEJA teve acesso à íntegra do pedido de instauração de inquérito, que está sob sigilo. O material revela, segundo a Procuradoria-Geral, elementos de um complô armado para abafar delações premiadas e esvaziar as investigações da Lava-Jato. Em sua manifestação, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, ainda solicitou ao STF autorização para acessar as imagens do circuito de segurança do Palácio do Planalto. O objetivo é apurar se o ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas e o ex-senador Delcidio do Amaral se reuniram com Dilma para planejar a liberação dos empreiteiros presos na Lava-Jato. Os investigadores também querem analisar o termo de posse de Lula como ministro da Casa Civil para checar se houve algum procedimento atípico na nomeação do ex-presidente.
Leia abaixo o pedido de diligência, a lista dos investigados e quais são as principais suspeitas que pesam sobre eles, de acordo com a Procuradoria-Geral da República.
PGR pede acesso às imagens de segurança do Palácio do Planalto
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(VEJA.com/VEJA)

segunda-feira 11 2016

Quem aplaude a Lava Jato não pode bater palmas para Cunha. Gente decente não tem bandido de estimação


O caminho percorrido pelo ex-chefão da Câmara leva a um Brasil sem vagas, sem paciência e sem estômago para lulas, dilmas , cunhas, renans e outras obscenidades

Os democratas antipetistas que choram a iminente morte política de Eduardo Cunha precisam livrar-se imediatamente desse surto de esquizofrenia ética. Brasileiros decentes não têm bandidos de estimação, reitera esta coluna há mais de sete anos. Inimigos da corrupção não podem ser indulgentes com um oficial condecorado do maior esquema corrupto de todos os tempos. Quem aplaude a Lava Jato não pode bater palmas para um dos mais atrevidos bucaneiros do Petrolão. Como todos os beneficiários da ladroagem institucionalizada pela era da canalhice, Cunha deve ser punido pelos crimes que praticou quando era um bom companheiro de Lula e Dilma.
Quem luta pela dedetização do Congresso não pode ser clemente com um oportunista compulsivo que demorou um ano para enxergar razões jurídicas que justificassem o afastamento de Dilma Rousseff. Na presidência da Câmara, Cunha recusou vários pleitos semelhantes antes de aceitar o pedido de impeachment subscrito por Hélio Bicudo e Janaína Paschoal. Só mudou de ideia quando constatou que lhe seria útil na batalha pela preservação do próprio mandato ─ e do direito de ir e vir ─ endossar abertamente a demissão da governante desgovernada, uma urgência nacional reclamada pela ampla maioria dos brasileiros e exigida nas ruas por milhões de manifestantes.
O Congresso sempre acaba querendo o que o povo quer. Da mesma forma que será chancelado no Senado com ou sem o apoio de Renan Calheiros, o impeachment acabaria obtendo o aval da Câmara fosse quem fosse o presidente. Mas é verdade que, pela primeira vez, os devotos de Lula toparam com um oponente que, a exemplo do chefão da seita, é capaz de tudo (até fazer a coisa certa) para ganhar qualquer disputa em que se mete. “É por isso que digo que o Eduardo é o meu bandido predileto”, disse o ex-deputado Roberto Jefferson na entrevista concedida ao Roda Viva em 11 de abril, às vésperas da votação do impeachment.
“Ele é um desafeto à altura do presidente Lula e desse grupo de poder do PT, que pratica qualquer crime: crime fiscal, de obstrução da Justiça, de tentativa de suborno de testemunha”, explicou o especialista em beligerâncias no Planalto (veja o vídeo abaixo). “O Eduardo é um pistoleiro que saca como o Lula. Saca rápido, atira pelas costas, atira de tocaia, atira com dossiê, trapaceia no jogo de pôquer, faz igualzinho. E se bobear, como a turma do PT faz, assalta o banco da cidade”. Para Jefferson, Cunha era o homem certo no cargo certo na hora certa ─ e sem substitutos visíveis. “O Fernando Henrique, por exemplo, é pessoa de outro nível, não saberia jogar. É briga de foice no escuro. Vale tudo, puxão de cabelo, dedo no olho. O Eduardo sabe jogar esse jogo, e joga muito bem”.
O jogador sem escrúpulos nem limites venceria de novo, previu Jefferson. Mas pela última vez. “Ele vai ser afastado pelo Supremo Tribunal Federal, não tenho dúvida. E a missão dele na Câmara estará exaurida no instante em que o painel der o resultado do impeachment. Todos os partidos que têm compromisso com ele vão dizer: ‘Amigo, viemos até aqui, à beira da sua sepultura, mas nós não podemos pular dentro com você. Agora é o seu caminho’”. A renúncia ao comando da Câmara confirmou que o caminho vai chegando ao fim.
Desmatada pela Lava Jato, essa estrada percorrida pelo ex-chefão da Câmara leva a um Brasil sem vagas, sem paciência e sem estômago para lulas, dilmas , cunhas e outras obscenidades. Esse país é um país ainda nos trabalhos de parto. Mas já parece bem mais agradável que o que vai morrendo neste outono de 2016.

Roberto Jefferson fala sobre Eduardo Cunha no Roda Viva