terça-feira 12 2016

PGR quer acesso às imagens do circuito interno do Palácio do Planalto e perícia no termo de posse de Lula


Conforme VEJA revelou em sua última edição, a Procuradoria-Geral da República apresentou uma lista de investigados por sabotagem contra as apurações do esquema do petrolão. Entre eles estão Dilma, Lula, dois ex-ministros do governo, um ex-senador e o presidente e um ministro do STJ

A presidente Dilma Rousseff e o ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cerimônia de posse dos novos ministros no Palácio do Planalto, em Brasília
A presidente afastada Dilma Rousseff e o ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cerimônia de posse dos novos ministros no Palácio do Planalto, em Brasília(Adriano Machado/Reuters)
Em sua última edição, VEJA revelou que a Procuradoria-Geral da República enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma lista de investigados por obstrução da Lava-Jato. Entre os principais alvos destacados estão: a presidente afastada Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ex-ministros José Eduardo Cardozo e Aloizio Mercadante, além do ex-senador Delcidio do Amaral e do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Francisco Falcão e do ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas (STJ). Todos eles são suspeitos de obstruírem a maior investigação do país com "condutas autônomas e praticadas com a mesma finalidade, embora em distintas circunstâncias de tempo, lugar e modo de execução".
VEJA teve acesso à íntegra do pedido de instauração de inquérito, que está sob sigilo. O material revela, segundo a Procuradoria-Geral, elementos de um complô armado para abafar delações premiadas e esvaziar as investigações da Lava-Jato. Em sua manifestação, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, ainda solicitou ao STF autorização para acessar as imagens do circuito de segurança do Palácio do Planalto. O objetivo é apurar se o ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas e o ex-senador Delcidio do Amaral se reuniram com Dilma para planejar a liberação dos empreiteiros presos na Lava-Jato. Os investigadores também querem analisar o termo de posse de Lula como ministro da Casa Civil para checar se houve algum procedimento atípico na nomeação do ex-presidente.
Leia abaixo o pedido de diligência, a lista dos investigados e quais são as principais suspeitas que pesam sobre eles, de acordo com a Procuradoria-Geral da República.
PGR pede acesso às imagens de segurança do Palácio do Planalto
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(VEJA.com/VEJA)

segunda-feira 11 2016

Quem aplaude a Lava Jato não pode bater palmas para Cunha. Gente decente não tem bandido de estimação


O caminho percorrido pelo ex-chefão da Câmara leva a um Brasil sem vagas, sem paciência e sem estômago para lulas, dilmas , cunhas, renans e outras obscenidades

Os democratas antipetistas que choram a iminente morte política de Eduardo Cunha precisam livrar-se imediatamente desse surto de esquizofrenia ética. Brasileiros decentes não têm bandidos de estimação, reitera esta coluna há mais de sete anos. Inimigos da corrupção não podem ser indulgentes com um oficial condecorado do maior esquema corrupto de todos os tempos. Quem aplaude a Lava Jato não pode bater palmas para um dos mais atrevidos bucaneiros do Petrolão. Como todos os beneficiários da ladroagem institucionalizada pela era da canalhice, Cunha deve ser punido pelos crimes que praticou quando era um bom companheiro de Lula e Dilma.
Quem luta pela dedetização do Congresso não pode ser clemente com um oportunista compulsivo que demorou um ano para enxergar razões jurídicas que justificassem o afastamento de Dilma Rousseff. Na presidência da Câmara, Cunha recusou vários pleitos semelhantes antes de aceitar o pedido de impeachment subscrito por Hélio Bicudo e Janaína Paschoal. Só mudou de ideia quando constatou que lhe seria útil na batalha pela preservação do próprio mandato ─ e do direito de ir e vir ─ endossar abertamente a demissão da governante desgovernada, uma urgência nacional reclamada pela ampla maioria dos brasileiros e exigida nas ruas por milhões de manifestantes.
O Congresso sempre acaba querendo o que o povo quer. Da mesma forma que será chancelado no Senado com ou sem o apoio de Renan Calheiros, o impeachment acabaria obtendo o aval da Câmara fosse quem fosse o presidente. Mas é verdade que, pela primeira vez, os devotos de Lula toparam com um oponente que, a exemplo do chefão da seita, é capaz de tudo (até fazer a coisa certa) para ganhar qualquer disputa em que se mete. “É por isso que digo que o Eduardo é o meu bandido predileto”, disse o ex-deputado Roberto Jefferson na entrevista concedida ao Roda Viva em 11 de abril, às vésperas da votação do impeachment.
“Ele é um desafeto à altura do presidente Lula e desse grupo de poder do PT, que pratica qualquer crime: crime fiscal, de obstrução da Justiça, de tentativa de suborno de testemunha”, explicou o especialista em beligerâncias no Planalto (veja o vídeo abaixo). “O Eduardo é um pistoleiro que saca como o Lula. Saca rápido, atira pelas costas, atira de tocaia, atira com dossiê, trapaceia no jogo de pôquer, faz igualzinho. E se bobear, como a turma do PT faz, assalta o banco da cidade”. Para Jefferson, Cunha era o homem certo no cargo certo na hora certa ─ e sem substitutos visíveis. “O Fernando Henrique, por exemplo, é pessoa de outro nível, não saberia jogar. É briga de foice no escuro. Vale tudo, puxão de cabelo, dedo no olho. O Eduardo sabe jogar esse jogo, e joga muito bem”.
O jogador sem escrúpulos nem limites venceria de novo, previu Jefferson. Mas pela última vez. “Ele vai ser afastado pelo Supremo Tribunal Federal, não tenho dúvida. E a missão dele na Câmara estará exaurida no instante em que o painel der o resultado do impeachment. Todos os partidos que têm compromisso com ele vão dizer: ‘Amigo, viemos até aqui, à beira da sua sepultura, mas nós não podemos pular dentro com você. Agora é o seu caminho’”. A renúncia ao comando da Câmara confirmou que o caminho vai chegando ao fim.
Desmatada pela Lava Jato, essa estrada percorrida pelo ex-chefão da Câmara leva a um Brasil sem vagas, sem paciência e sem estômago para lulas, dilmas , cunhas e outras obscenidades. Esse país é um país ainda nos trabalhos de parto. Mas já parece bem mais agradável que o que vai morrendo neste outono de 2016.

Roberto Jefferson fala sobre Eduardo Cunha no Roda Viva