segunda-feira 12 2015

Esquadros - Adriana Calcanhoto



A tabelinha entre Baiano e Lulinha confirma que o pai finge enxergar um Ronaldinho da informática no especialista em gol de mão


“O que mais me impressionou foi o enriquecimento ilícito do Lula”, reiterou na entrevista ao Roda Viva o jurista Hélio Bicudo. “Conheci o Lula numa casa de 40 metros quadrados. Hoje, é uma das grandes fortunas do país. Ele e os seus filhos”. Imediatamente, o que resta da seita que tem num embusteiro seu único deus fez o que sempre fazem os bandidos do faroeste à brasileira: começou a perseguir o xerife.
Desafiado a provar o que disse, Bicudo pode ignorar cobranças farisaicas e seguir concentrado no pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Falarão por ele os envolvidos na roubalheira do Petrolão que aceitaram colaborar com a Justiça. Neste domingo, por exemplo, a manchete do Globo oficializou o mergulho no pântano do primogênito: BAIANO DIZ QUE PAGOU CONTAS DO FILHO DE LULA.
“Baiano” é a alcunha de Fernando Soares, cujo acordo de delação premiada com os condutores da Operação Lava Jato foi homologado na sexta-feira por Teori Zavascki, ministro do Supremo Tribunal Federal. Um dos operadores do PMDB nas catacumbas infectas da Petrobras, o depoente confessou que desviou pelo menos R$ 2 milhões para o pagamento de despesas pessoais de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha.
Sim, ele mesmo: o Lulinha que em 2005 embolsou R$ 5,2 milhões para vender à Telemar parte das ações de uma empresa de fundo de quintal, a Gamecorp, que montara um ano antes em parceria com dois amigos, ainda engatinhava no ramo de jogos eletrônicos e não valia mais que R$ 100 mil. Com as bênçãos do presidente, os sócios improváveis ganharam bastante dinheiro.
A Telemar não parou de engordar até incorporar-se ao que hoje é a Oi. O patrimônio de Lulinha agora rima com a barriga de caipira que acertou a Mega Sena. Segundo o pai, a cara apalermada camufla um Ronaldinho da informática. Faz sentido: desde que entrou em campo, Lulinha vive fazendo golaços — quase sempre muito lucrativos.
A jogada que desembocou na tabelinha em impedimento com Baiano confirma a suspeita de que o ex-monitor de zoológico virou especialista em gol de mão. Como o pai. Se for mantida na mira de bons juízes, boa parte da família vai levar cartão vermelho.

domingo 11 2015

A ascensão dos Picciani


Como o pecuarista Jorge Picciani, patriarca de um clã político do Rio de Janeiro, conseguiu aproximar-se do Planalto, emplacar dois ministérios para o PMDB e alçar o sobrenome da família ao cenário eleitoral nacional

SEMPRE UNIDOS – Jorge, o patriarca, com Leonardo (no meio) e Rafael: ninguém dá um passo sem o consentimento do pai
SEMPRE UNIDOS – Jorge, o patriarca, com Leonardo (no meio) e Rafael: ninguém dá um passo sem o consentimento do pai(VEJA.com/VEJA)
Quando o tabuleiro do poder estremece, peças tombam, embaralham-se e se sobrepõem umas às outras. Nesses momentos, mes­mo peões, desde que estrategicamente posicionados, podem ganhar relevância. Os Picciani sabem disso melhor que ninguém. O notório clã da política do Rio de Janeiro hoje tem como seu representante mais visível o deputado Leonardo Picciani, o atual líder do PMDB na Câmara. Mas o grande articulador da ascensão familiar é seu pai, o deputado estadual e pecuarista Jorge Sayed Picciani. Presidente do PMDB fluminense, ele é considerado há duas décadas um dos mais sagazes caciques políticos do estado. Agora, quer que também o resto do país conheça seus predicados.
Picciani pai fez carreira construindo alianças improváveis e arregimentando fundos para campanhas milionárias, tanto as suas como as de colegas que lhe são eternamente gratos. Foi decisivo na eleição de um sem-fim de vereadores e deputados, além de ter dado sua fundamental contribuição aos governadores Sérgio Cabral Filho e Luiz Fernando Pezão. Nos últimos meses, mudou de patamar. Hábil nas costuras de bastidores, ganhou importância no cenário nacional ao se revelar um dos fiadores do mandato de Dilma Rousseff no Congresso.
O pragmatismo é a marca de Picciani. Herdou a característica, além de Leonardo, de 35 anos, o caçula Rafael, que, aos 29 anos, já é deputado estadual em segundo mandato, atualmente licenciado para tocar a poderosa Secretaria Municipal de Transportes. Um exemplo do estilo de atuação do patriarca se deu em 2014, quando ele amarrou o apoio de uma ala do PMDB à candidatura do tucano Aécio Neves, fato que resultou numa improvável aliança conhecida como Aezão (Aécio + Pezão, então candidato). Seu partido fincava assim os pés em duas canoas, já que, oficialmente, continuou fechado com a candidata Dilma. Vitoriosa, ela passou os oito primeiros meses de mandato mantendo distância dos Picciani - então unha e carne com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, inimigo jurado do Planalto.
A situação mudou em 13 de agosto, em um café da manhã que juntou Jorge e Leonardo Picciani com Dilma. O encontro foi organizado por Pezão e pelo prefeito Eduardo Paes. Na ocasião, já de olho na barca governista, Picciani pai insistiu na importância de construir uma "coalizão de fato" na base de apoio à presidente e fez a análise do momento com uma metáfora bem a seu modo. "É como tirar o burro do atoleiro. É difícil, tem lama, mas é preciso avançar", comparou, arrancando risadas da interlocutora. Dias depois, Leonardo Picciani desligou-se da ala Cunha e bandeou-se para o lado do PMDB pró-governo, com a árdua tarefa de garantir quórum para o governo nas votações decisivas - no que até agora fracassou redondamente. Da sua parte, porém, o clã já está no lucro: um mês depois do café com Dilma, emplacou os ministérios da Ciência e Tecnologia e da Saúde.

“Houve maquiagem nas contas da Presidente Dilma”, afirma ministro do TCU





João Augusto Ribeiro Nardes, ministro do Tribunal de Contas da União e relator das despesas da Presidente Dilma Rousseff em 2015 é taxativo: “2,3 trilhões de reais não estão contabilizados nas contas da presidência”. Segundo Nardes, esse dinheiro é proveniente da previdência atuarial, que soma a previdência dos funcionários públicos. Em uma entrevista exclusiva à Joice Hasselmann, no ‘Direto ao Ponto’, Nardes afirma que “a proposta este ano era não aprovar as contas de Dilma”. E revela que se o país não voltar a crescer entre 3% e 4%, “não há condições de pagar os aposentados”.


Integra:TCU reprova contas de Dilma e abre caminho para o impeachment



TCU - CONTAS DO GOVERNO DILMA 2014 - Sessão de 17 06 2015 - Plenario Extraordinaria







sábado 10 2015

Dilma oferece 5 ministros do STF a Cunha em troca de barrar impeachment? Este blog antecipou há 40 dias




Agora, quarenta dias depois, a VEJA informa que o governador peemedebista do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, duas semanas atrás, levou recados do Palácio do Planalto ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMBD-RJ) – também repetidos nos últimos dias pelo ministro da Casa Civil, Jaques Wagner (PT-BA).
Segundo a revista, Dilma Rousseff – referindo-se a Ricardo Lewandovski, Dias Toffoli, Teori Zavascki, Luís Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin – mandou dizer:
“Eu tenho cinco ministros do Supremo”.