domingo 05 2015

Prisões preventivas: nada a ver com as delações, dizem juristas


Miguel Reale Junior, Carlos Velloso e Fabio Medina Osório consideram as medidas cautelares corretas e bem fundamentadas

Ricardo Pessoa, presidente da construtora UTC
Ricardo Pessoa, presidente da construtora UTC: delação explosiva(Marcos Bezerra/VEJA)
De acordo com a Justiça Federal do Paraná, neste momento da operação Lava Jato há 27 réus presos em regime fechado. Para os críticos da operação, não há motivos para mantê-los atrás das grades. Segundo eles, trata-se apenas de uma forma de coagi-los a colaborar com as investigações. Para usar uma palavra que tira o sono dos acusados, transformá-los em "delatores". A tese, no entanto, não se ampara na prática. O mais bombástico dos delatores recentes, Ricardo Pessoa, firmou o seu acordo apenas duas semanas depois de ter sido liberado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal - ou seja, tomou a decisão no conforto de sua casa.
O histórico das decisões judiciais do caso também desmonta a tese: fossem abusivas as prisões decretadas pelo juiz federal Sérgio Moro, os tribunais superiores já teriam expedido centenas de decisões favoráveis aos réus. Mas, até agora, dos 315 pedidos de habeas corpus registrados (incluindo pedidos de soltura de presos e questionamentos sobre a legalidade de provas e até sobre a quem cabe julgar o processo), apenas três foram acatados pelo ministro do STF Teori Zavascki. Ele expediu três ordens de soltura, dos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque, que voltaram a ser presos em seguida, e de Ricardo Pessoa, no mês passado, quando outros oito réus foram liberados como efeito dessa mesma decisão. Das centenas de outros habeas corpus impetrados com teores variados nenhum foi aceito até o momento.
"As prisões têm sido decretadas motivadamente com base em outros argumentos, passíveis ou não de críticas, mas não como instrumento de pressão para forçar delações", diz o jurista Miguel Reale Junior. E completa: "É preciso lembrar que a maioria das delações foram feitas com réus soltos, a começar a de Ricardo Pessoa, libertado pelo STF e só depois tendo firmado acordo de colaboração". Visão semelhante é compartilhada pelo ex-presidente do STF Carlos Velloso. Diz ele: "A prisão cautelar tem base na lei e sempre cabem recursos, que devem ser utilizados a tempo e modo. Esses recursos têm sido utilizados e as prisões têm sido mantidas pelos tribunais, inclusive pelo STF."
Para o advogado Fabio Medina Osório, presidente do Instituto Internacional de Estudos de Direito de Estado, a prisão preventiva é uma forma eficiente de evitar que os acusados venham a atrapalhar a investigação, dado seu poder e escopo de influência. Em liberdade, eles poderiam atuar para destruir mapas, planilhas, registros e toda variedade de material que pode ser usado para comprovar o esquema. É preciso lembrar que apenas os relatos feitos nas delações não bastam: os réus colaboradores devem apresentar documentos capazes de sustentar o que dizem. Por fim, a prisão preventiva impede que os envolvidos continuem a praticar os delitos pelos quais estão sendo investigados. "Não interpreto arbitrariedade alguma nas decisões e muito menos pressão ou suposta coação para que alguém celebre acordos de colaboração premiada", afirma. Segundo o Medina Osório, o acordo de delação se tornou uma linha de defesa dos envolvidos na Lava Jato. "A colaboração premiada é uma estratégia dos próprios advogados, que chancelam essa postura e cooperam com as autoridades, buscando obter legítimos benefícios aos seus clientes", diz.
A delação premiada está prevista em lei desde os anos 1990, apenas em 2013 foi detalhada, obrigando, por exemplo, o delator a falar somente a verdade, sob pena de ter o acordo anulado, e criando a necessidade de que cada acordo seja homologado na Justiça. Embora seja novidade no Brasil, é um instrumento bastante usado em países de boa prática democrática, como Espanha, Portugal, Chile, Argentina e Colômbia. É a delação que tem permitido à Justiça criar instabilidade nas organizações criminosas do mundo todo, uma vez que os criminosos não sabem em quem confiar. Tal dificuldade faz com que o risco de ser pego é maior, o que faz com que a prática da corrupção se torne cada vez mais cara. "Estamos falando de corrupção, lavagem de capitais, fraudes licitatórias, evasão de divisas e outros crimes em larga escala, com tentáculos institucionais, incluindo o financiamento ilícito de campanhas eleitorais. A resposta do Judiciário tem de ser contundente", afirma Medina Osório.

Em 2010, Pessoa repassou a Mercadante 250 mil reais no 'caixa dois'


Planilha do dono da UTC mostra quem seriam os destinatários do dinheiro que visava a abrir portas no Congresso

A PEDIDOS - Ricardo Pessoa fez doações legais e ilegais para as campanhas políticas de 2010. Na coluna “pedido” ele registrou valores que repassou por fora. Entre os beneficiados, segundo ele, está Mercadante
A PEDIDOS - Ricardo Pessoa fez doações legais e ilegais para as campanhas políticas de 2010. Na coluna “pedido” ele registrou valores que repassou por fora. Entre os beneficiados, segundo ele, está Mercadante(Ed Ferreira/Folhapress)
Em sua delação, Ricardo Pessoa disse que distribuir dinheiro para campanhas políticas fazia parte da estratégia de suas empresas para permitir "que a engrenagem andasse perfeitamente, tirando as pedras do caminho e abrindo portas no Congresso, na Câmara e em todos os órgãos públicos". Em 2010, segundo a planilha de doações apresentada ao Ministério Público pelo empreiteiro, algumas dessas pedras foram removidas com dinheiro do chamado caixa dois. Na lista aparece o nome de quinze candidatos que receberam recursos "por fora", sem registro oficial. O documento é dividido em três colunas: as doações "realizadas pela UTC", as doações "realizadas pela Constran" e "pedido". É justamente nessa última coluna que o delator anotou os repasses ilegais. Nela, constam como beneficiados o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o senador do PSDB, Aloysio Nunes. O ministro, segundo o empreiteiro, recebeu 500 000 reais em doações oficiais (250 000 da UTC e 250 000 da Constran) mais 250 000 reais em dinheiro vivo para a sua campanha ao governo de São Paulo. Já o senador recebeu 300 000 reais da UTC e 200 000 reais em dinheiro vivo.
Tanto o senador quanto o ministro refutaram as acusações. Mercadante admite apenas ter recebido as doações legais. Aloysio Nunes também. Além do senador e do ministro da Casa Civil, destacam-se na relação do caixa dois da UTC o ex-ministro do PMDB Hélio Costa (250 000 reais), que concorria ao governo de Minas Gerais, o ex-tesoureiro petista e atual secretário de Saúde da prefeitura de São Paulo, José de Filippi Júnior (150 000 reais), o ex-deputado do PR e mensaleiro Valdemar Costa Neto (200 000 reais), o líder do PP na Câmara Eduardo da Fonte (100 000 reais) e o deputado do DEM Jorge Tadeu Mudalen (200 000 reais).
Doações 2010 oficiais e não oficiais
(VEJA.com/VEJA)

Hamlet de Shakespeare e o mundo como palco - Leandro Karnal (íntegra) HD



Adoro este palestrante. Vou continuar admirando o homem que ele é. Mas não concordo quando ele diz que somos BIPOLARES por não querer ouvir mentiras, afirmações de que tudo está sob controle, que esta gravíssima crise que estamos passando, não é culpa dela, da presidente e de seus aliados.... Realmente, pedir para escutar esta gente, é pedir demais!!!


Dilma: "Eu tô saudando, a mandioca" (Remix)





sábado 04 2015

Sinal de alerta no Bope


Integrantes do batalhão de elite relatam a VEJA sua preocupação de que os casos isolados de corrupção possam ser a semente do mal na mais bem preparada força policial do Brasil

FORA DO PADRÃO – “Caveira” em ação: quem fere o código de conduta da tropa de elite retratada no cinema - como o sargento flagrado nos grampos abaixo - é transferido na hora para outros batalhões
FORA DO PADRÃO - “Caveira” em ação: quem fere o código de conduta da tropa de elite retratada no cinema - como o sargento flagrado nos grampos abaixo - é transferido na hora para outros batalhões(Guilherme Pinto/Agência o Globo)
Em uma série de grampos e mensagens de texto obtidos durante uma operação da Polícia Civil, o terceiro-sargento Arlen Santos Silva negocia com traficantes da quadrilha que se intitula Terceiro Comando Puro (TCP) do Rio de Janeiro. O sargento vende armas, informação e proteção aos bandidos. Em um único turno ganhava 12 500 reais. Nas conversas, fica evidente que o sargento tem comparsas dentro da corporação a que serve, o Batalhão de Operações Especiais da PM carioca, o Bope. Numa conversa telefônica, o traficante Ronaldinho fala do repasse de propinas ao sargento Arlen e ao "amigo dele". Em uma mensagem de texto, o sargento promete avisar o traficante sobre uma ação policial cujos detalhes lhe seriam passados por um "major". Para milhões de brasileiros que formaram uma imagem do Bope por meio do filme Tropa de Elite, de 2007, é um choque de realidade saber que os vergonhosos fatos narrados acima ocorreram com integrantes da unidade policial impoluta e incorruptível mostrada na ficção.
O Bope continua sendo uma das forças mais bem preparadas da polícia nacional. O que esta reportagem mostra é que a blindagem contra desvios de conduta no Bope está sendo constantemente testada por infratores cada vez mais ousados. Casos como o da promíscua relação do sargento Arlen com o bandido Ronaldinho podem ser um indício de que a semente do mal que germina tão facilmente nos batalhões regulares da PM se infiltrou no Bope? Essa é a preocupação relatada a VEJA por integrantes da tropa de elite. A partir de informações deles, a revista apurou vinte casos de infrações graves no Bope. O comando tem sido rápido em afastar culpados e suspeitos. A cultura da intolerância com os infratores ainda predomina. Mas, para quem vive a realidade cotidiana do batalhão, as irregularidades, longe ainda de serem a regra, podem estar se tornando inaceitavelmente mais frequentes.
O levantamento feito por VEJA abrange casos que aconteceram nos últimos sete anos e foram relatados por integrantes do Bope, investigadores das polícias Civil e Federal e corregedores. São ocorrências graves que demonstram tentativas bem-sucedidas de abrir brechas na blindagem ética do Bope. Em uma delas, revelou-se que Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefão do tráfico da Rocinha preso em 2011, tinha sete policiais do Bope na sua folha de pagamento. Um deles, de quem Nem se tornou compadre, ensinava táticas de patrulha à quadrilha. Descobertos por agentes do próprio Bope, os sete bandidos de farda foram transferidos para outros batalhões - o mesmo destino de um cabo suspeito de fazer parte da escolta do traficante mais procurado do Brasil, Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy.
"Em determinado momento, o bicheiro Alcebíades Paes Garcia decidiu que, para fazer a segurança dele, seria preciso recrutar integrantes do Bope. Criou-se então a 'tropa do Bide'", relata um delegado da Polícia Federal que investigou o grupo. Um vídeo de 2008 obtido por VEJA mostra três policiais da tropa de elite escoltando Bide até um carro. Tudo indica que os militares foram desmascarados e transferidos para outros batalhões, mas o inquérito militar que apurou o caso foi arquivado.
Durante a retomada do Complexo do Alemão, transmitida ao vivo pela TV em novembro de 2010, o comandan­te de uma equipe do Bope que encontrou um paiol de armas ficou com dois dos fuzis apreendidos. Um tenente denunciou o comandante. Os dois fuzis reapareceram e o oficial foi afastado. Na mesma operação, em uma das favelas do complexo, a Vila Cruzeiro, dois policiais do Bope foram flagrados, de folga, em um caminhão de mudanças com o qual esperavam furtar objetos de valor da casa de um traficante. A ação foi frustrada e os dois, transferidos. No fim do ano passado, o então comandante do Bope, tenente-coronel Luís Cláudio Laviano, ligou de madrugada para o batalhão e descobriu que uma turma do plantão havia saído para uma missão sem comunicar a ação a ninguém. No dia seguinte, todos os dez integrantes da misteriosa operação foram sumariamente excluídos da tropa de elite e transferidos para outros batalhões. A ação fulminante cortou o mal pela raiz? Aparentemente sim, mas fica a incerteza de que a melhor conduta foi mesmo a transferência imediata dos suspeitos, sem que se apurasse em detalhes o que fizeram fora do batalhão, fardados e armados, naquela noite.
Comandante do Bope em 2006 e ex-chefe da própria PM fluminense, Mário Sérgio Duarte esmiúça a prática, que vem passando de uma gestão a outra: "O Bope não espera a materialização de uma desconfiança para afastar seus indesejados. Faço até um mea-culpa. Na dúvida, os comandantes transferem seus potenciais problemas". Alguns são efetivamente investigados, outros não. Essa lógica do silêncio faz parte da estratégia de forças de segurança de elite em todo o mundo. A aura de incorruptibilidade tem de ser mantida a qualquer custo. Investigações internas no FBI americano ou na Scotland Yard inglesa ocorrem longe dos olhos do público. Só raramente são reveladas.
Criado como Núcleo de Operações Especiais, em 1978, o Bope reunia apenas vinte homens escolhidos a dedo para compor a elite da polícia. O núcleo virou companhia, que se tornou batalhão. Hoje são 450 "caveiras", apelido dos integrantes do Bope por causa do distintivo com o crânio humano trespassado por um punhal - símbolo quase universal de unidades de elite batizadas de "do or die", ou seja, missão cumprida mesmo que o custo seja a morte. Fundador da tropa e especialista em segurança pública, o coronel Paulo César Amendola acredita que o inchaço do contingente foi fator determinante para o aumento das infrações: "Com pouca gente, é mais fácil manter a disciplina rigorosa". Uma das características das unidades de alto desempenho, como os Seals, da Marinha dos Estados Unidos, é organizar-se em equipes pequenas em que todos os integrantes se respeitam, se conhecem - e, claro, se vigiam.
Em 77 incursões contra traficantes nos últimos dois anos, os policiais do Bope mataram 83 pessoas em combate. Quantas foram mortas depois que se renderam, confundidas com bandidos ou simplesmente atingidas por projéteis disparados contra o alvo errado por criminosos ou policiais? Não se sabe. O Bope faz operações de guerra - e nas guerras matar é a lei. "Desvio de conduta aqui é roubar", diz um sargento com mais de dez anos de experiência na unidade. Para os que seguem esse código inflexível, o elo de colegas com a bandidagem é grave o suficiente para que se rompa o silêncio e se revelem segredos - como os casos trazidos à luz por esta reportagem de VEJA. Procurados pela revista, os comandantes da PM e do Bope preferiram não falar. Fica o alerta.
O então sargento do Bope Arlen Silva oferece fuzis ao traficante Ronaldinho, braço-direito do chefão do Complexo da Maré
Sargento Arlen - Qual é neguinho?! Eu estou com um negocinho pra tu aqui! Como é que faz?
Ronaldinho - Então... É trazer... quanto que é cada um?
Sargento Arlen - Quatro cinco (45 000 reais)
Ronaldinho - É muito, mané!
Sargento Arlen - Vou chegar aí e a gente desenrola.
O sargento promete ao traficante avisar quando o Bope fará uma operação na Maré
Ronaldinho - Passou uns carros da Light (viaturas do Bope) aqui, com um guindaste também, entendeu?
Sargento Arlen - Qualquer parada aí eu vou acionar.
Ronaldinho - Valeu, tamo junto!
O traficante deixa claro a um intermediário que a propina não é paga somente ao sargento
Ronaldinho - Dá um toque lá naquele amigo (o sargento), que foi comprar roupa contigo, que tu tá pegando o negócio (propina) pra ele e do amigo dele. Dá um toque nele aí, cara, que eu tô mandando uma mensagem pra ele, pra ele ver um negócio pra mim, entendeu (se o Bope irá à Maré)? E amanhã é dia do amigo dele (agente de outra equipe do Bope) que tá pegando (propina), entendeu?

o chefão da Andrade Gutierrez guardava nada menos do que dez folhas de planilhas associando partidos políticos a valores em dinheiro.

Otavio Azevedo
Planilhas de Azevedo associam políticos a valores em dinheiro
Eis uma notícia que tem tudo para tirar o sono de muitos políticos e dirigentes partidários: no mesmo dia em que levaram Otavio Azevedo para a carceragem em Curitiba, os agentes da Polícia Federal apreenderam um documento que pode ser explosivo.
No seu apartamento na Vila Nova Conceição, em São Paulo, o chefão da Andrade Gutierrez guardava nada menos do que dez folhas de planilhas associando partidos políticos a valores em dinheiro.
Foi levado também outro material que pode ser revelador: 62 pendrives – um deles com a inscrição ‘e-mails antigos’.
Por Lauro Jardim
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/brasil/politicos-na-berlinda-policia-federal-apreende-planilhas-e-pendrives-na-casa-do-presidente-da-andrade-gutierrez-preso-na-lava-jato/

Ministério Público vai abrir nova apuração sobre a Bancoop


Movimentação bancária com indício de crime de lavagem de dinheiro detectada pelo Bradesco é um dos motivos, diz promotor de São Paulo

Prédio no Guarujá com o triplex do ex-presidente Lula
PRAIA – Edifício Solaris, um projeto da Bancoop, onde o ex-presidente Lula tem um triplex em Guarujá, litoral paulista(Luiz Maximiano/VEJA)
O Ministério Público de São Paulo decidiu abrir uma nova frente de investigação do caso Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo), segundo o promotor de Justiça José Carlos Blat, responsável pelo processo. Um dos elementos é a decisão do Bradesco de encerrar as contas da cooperativa, por ter detectado movimentação bancária com indício de crime de lavagem ou ocultação de dinheiro, conforme noticiado pelo site de VEJA.
"Isso já é o suficiente para determinar uma nova fase de investigação, que pode abranger alguns ex-dirigentes e atuais dirigentes da Bancoop e pessoas ligadas a empreiteiras", disse o promotor.
O novo inquérito vai ampliar o foco e o período das investigações realizadas pelos promotores. Em 2010, o Ministério Público denunciou à Justiça seis dirigentes da cooperativa, inclusive o ex-presidente João Vaccari Neto - também ex-tesoureiro do PT e um dos presos na Operação Lava Jato. Eles respondem por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Vaccari deixou a cooperativa naquele ano e assumiu a secretaria nacional de Finanças do PT.
A primeira denúncia do Ministério Público se restringiu a irregularidades na administração da cooperativa até 2009. Conforme o promotor, a Bancoop deixou de entregar apartamentos para centenas de mutuários e depois repassou obras para construtoras como a OAS. O Ministério Público sustenta que houve desvio de dinheiro do caixa da cooperativa, inclusive, para campanhas do Partido dos Trabalhadores.
O procedimento de investigação criminal deve ser aberto em agosto, após o recesso do Judiciário. O Ministério Público também vai usar dados recebidos da Operação Lava Jato. A força-tarefa da operação suspeita de lavagem de cerca de 200.000 reais na compra de um apartamento da Bancoop pela cunhada de Vaccari, Marice Corrêa de Lima. Ela e Vaccari negam irregularidades. Marice desistiu de ficar com o imóvel e recebeu uma indenização 100% maior da OAS, construtora que finalizou o Edifício Solaris, na Praia das Astúrias, em Guarujá (SP). O ex-presidente Lula possui um tríplex no prédio de praia. Outros petistas como Vaccari e a mulher de Freud Godoy, ex-segurança de Lula, também aparecem na lista de cooperados do Solaris.
"Essa informação do Bradesco e outras que recebemos justificam a continuidade das investigações. Estamos buscando subsídios de 2010 até a presente data", disse Blat. "Aí entram as negociações espúrias e suspeitas da Bancoop com a OAS, outros golpes perpetrados contra cooperados e essas movimentações consideradas suspeitas pelo Bradesco."