quinta-feira 04 2014

TCU abre processo para investigar troca de favores entre ministro e Dilma Rousseff

Governo

Mensagens reveladas por VEJA nesta semana mostram que Walton Alencar passava informações do tribunal ao governo. Em troca, ele conseguiu nomear a mulher e o irmão para cargos de ponta no STJ e no TST. Tribunal vai pedir à Polícia Federal que compartilhe documentos sobre a relação do ministro com a Casa Civil da Presidência da República

Robson Bonin
O ministro Walton Alencar: ele dava atenção especial a processos de interesse do governo em troca da nomeação da mulher para uma vaga no STJ
O ministro Walton Alencar: ele dava atenção especial a processos de interesse do governo em troca da nomeação da mulher para uma vaga no STJ (VEJA)
Quatro dias após VEJA ter revelado mensagens que mostram o ministro Walton Alencar atuando a favor do Palácio do Planalto nos bastidores do Tribunal de Contas da União (TCU), o corregedor da corte, ministro Aroldo Cedraz, determinou a abertura de processo para investigar a vida dupla do magistrado. Documentos obtidos por VEJA mostram que, enquanto presidente do tribunal, Walton manteve uma intensa troca de favores com a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e seu braço-direito, Erenice Guerra. Walton antecipava decisões, dava conselhos informais aos advogados do PT e ainda dificultava o trabalho da oposição que, sem saber da sua dupla atividade, procurava o TCU auxiliar em investigações contra o governo federal. Em contrapartida, Walton contou com a ajuda de Dilma e Erenice para emplacar a própria mulher, Isabel Gallotti, no cargo de ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele também teve o irmão, Douglas Alencar, indicado por Dilma para o Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Agora, o ministro terá de provar aos colegas de corte a legitimidade de todas as suas ações. Como primeiro passo dos trabalhos, o TCU irá solicitar à Polícia Federal o compartilhamento das mensagens que mostram a troca de favores entre Walton e o governo. A decisão de investigar a conduta de Walton foi anunciada depois que entidades fiscalizadoras dos gastos públicos cobraram uma posição do tribunal, que se mantinha em silêncio sobre as denúncias.
Diante das denúncias, o TCU optou pelo silêncio. O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Augusto Nardes, emitiu um único pronunciamento em que afirma que “tomou ciência das notícias veiculadas no último final de semana e irá emitir pronunciamento após avaliação”. 
O único que se manifestou sobre o caso, por mais irônico que isso possa parecer, foi o próprio ministro Walton Alencar. A nota enviada por ele ao comando do TCU merece ser lida mais pelo que o ministro omite do que pelo que diz. Ignorando as mensagens reproduzidas em VEJA em que ele escreve a Erenice em diferentes momentos para trocar favores e pedir ajuda para emplacar a sua mulher num cargo de ponta, Walton concentra-se sobre o mais leve dos pecados revelados na reportagem: a parte que Erenice solicita que ele aconselhe o advogado do PT Márcio Silva sobre questões eleitorais: “Na qualidade de ministro do TCU, tenho, por dever de ofício, de manter contato com autoridades de todos os Poderes e escalões. Nesse sentido, a solicitação da então ministra Chefe da Casa Civil de receber certo advogado nada significa, pois todos sabem que todos os advogados que solicitam audiência no meu gabinete são por mim recebidos indiscriminadamente”. Receber um advogado é uma coisa. Dar conselhos eleitorais a ele, outra bem diferente. A resposta seletiva do ministro joga ainda mais responsabilidade sobre o comando do TCU, a quem cabe adotar as devidas providências sobre o caso.

quarta-feira 03 2014

Em ano eleitoral, goveno retém dados sobre qualidade da educação

Planalto

Casa Civil tem em mãos números do Ideb há quinze dias, mas não liberou o indicador, segundo jornal. Em 2012, dados indicaram que a educação vai mal

NO ESCURO - Governo segura divulgação do Ideb
NO ESCURO - Governo segura divulgação do Ideb (Joel Silva/Folhapress/VEJA)
Embora já tenha os dados em mãos há quinze dias, o governo federal retém a divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb, um dos principais indicadores da qualidade do ensino no Brasil. As informações do jornal O Globo. Segundo a reportagem, a Casa Civil recebeu os números há duas semanas. E os dados passaram pelo crivo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) do Ministério da Educação. Ainda assim, optou por não divulgar o indicador.
Divulgado a cada dois anos, o Ideb é calculado com base no desempenho dos estudantes em testes de português e matemática. Se os números deste ano mantiverem o patamar dos de 2012, é possível entender por que o governo optou por segurar a divulgação dos dados: há dois anos as notas de mais de 37% das cidades brasileiras nos anos finais do Ensino Fundamental ficaram abaixo da meta estipulada pelo Ministério da Educação para 2011. Não seria tão mau se não fosse, a tal meta por si só, pífia: em média, o MEC esperava que as redes públicas, ao final da 8ª série, fossem capazes de atingir nota 3,7. Mesmo assim, muitas não conseguiram.
Em oito estados – Amapá, Alagoas, Maranhã, Sergipe, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima e Tocantins - menos de 50% dos municípios atingiram essa nota. No Rio de Janeiro, único estado da região Sudeste nesse grupo, apenas 41,3% das cidades atingiram a meta. Em Roraima, um recorde macabro: nenhum dos 17 municípios foi capaz de chegar aos 3,7. A nota do estado como um todo, 3,6, foi inferior à nota que havia sido registrada pelo Ideb em 2009 – quadro que se repetiu no Amapá, em Alagoas e no Mato Grosso do Sul. Mesmo na região Sul do país, apenas 60% das cidades atingiram a meta.
Do total de municípios do país, 73,5% tiveram notas até 4,4 - que são ruins. Na ponta oposta, a da excelência, apenas 1,5% das cidades conseguiram notas superiores a 5,5. Destas, 53 ficam no Sudeste, 20 no Sul e, apenas uma no Nordeste, o heroico município de Vila Nova do Piauí, no estado homônimo do Piauí. Alagoas conseguiu outro recorde negativo: todas as cidades do estado ficaram com notas abaixo de 3,4. Em 2012 o MEC afirmou que iria substituir a Prova Brasil pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no cálculo do Ideb para alunos do ensino médio. 
Ouvido pelo jornal, o ministro da Educação, Henrique Paim, afirmou que os dados deste ano serão divulgados “logo”, mas não informou uma data. O governo já chegou a informar que liberaria os números no mês passado, o que não ocorreu.

terça-feira 02 2014

My Choice - Paganini/Liszt: La Campanella (The Little Bell)





Nem a favor nem contra: o ‘marinês’ no Jornal da Globo

Política

Questionada sobre temas espinhosos para a sua campanha em entrevista na bancada do programa, candidata do PSB à Presidência deu respostas evasivas

Marina Silva em entrevista ao Jornal da Globo
Marina Silva não assumiu posições em entrevista ao Jornal da Globo (Reprodução/TV Globo/VEJA)
"A senhora é a favor ou contra o casamento gay?"

"Vai reajustar a gasolina?"

"As termelétricas salvaram o Brasil neste ano. Pretende desligá-las se for eleita?"

Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República, mais uma vez abusou do "marinês" na madrugada desta terça-feira – a entrevista foi gravada horas antes nos estúdios da TV Globo – e, falando em rodeios, sem assumir posições assertivas, esquivou-se de perguntas sobre temas espinhosos para sua campanha no Jornal da Globo. Marina abriu a série de entrevistas de 25 minutos com os presidenciáveis – Dilma foi a única que se recusou a participar.

Gays – Logo de cara, os entrevistadores fizeram quatro perguntas para Marina sobre o recuo de sua campanha, que modificou um trecho do programa de governo favorável ao casamento entre homossexuais no final de semana, um dia depois do texto ter sido divulgado. Após o lançamento da cartilha de governo, Marina foi pressionada por pastores evangélicos. A saída foi alterar o documento e atribuir a mudança a um "erro de processo" – os coordenadores, segundo ela, incluíram a proposta "sem mediação". Hoje, não foi diferente: "Foi incluído o documento enviado pelo movimento LGBT tal qual enviaram". Em seguida, o entrevistador questionou a candidata se ela concordava com uma manchete dizendo: "Marina é a favor do casamento gay". Ela não concordou nem discordou. O entrevistador insistiu. E com esta manchete: "Marina é contra o casamento gay". Marina não concordou nem discordou. E terminou dizendo que era a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo, conforme a legislação do país reconhece. "O que a lei assegura é a união civil."

Em seguida, questionada se consultava a Bíblia antes de tomar suas decisões, deu nova volta, afirmou que seus críticos tentam colar nela a pecha de fundamentalista, mas lançou frases direcionadas ao eleitorado evangélico, como "uma pessoa que crê" e "a Bíblia é uma fonte de inspiração".

Marina ainda repisou posições que têm martelado no dia a dia da campanha, como a defesa do tripé econômico – câmbio flutuante, meta de inflação e responsabilidade fiscal – com independência total do Banco Central, críticas à atual condução econômica – "Há uma visão tacanha de se governar pensando nas eleições" – e seu compromisso em acabar com a reeleição, se for eleita.

Já nos minutos finais, os apresentadores do Jornal da Globo questionaram a ambientalista, que carrega a bandeira da energia limpa, se pretende desativar as termelétricas, que salvaram o país neste ano. A pergunta foi direta: sim ou não? Marina começou a resposta: "Falando desse jeito há uma simplificação..." E deixou escapar um breve sorriso. Era o "marinês" mais uma vez em ação.

segunda-feira 01 2014

Segunda dose de vacina contra HPV será oferecida a partir de segunda-feira

Imunização

Poderão ser imunizadas na rede pública meninas de 11 a 13 anos que já receberam a primeira dose da vacina

Geraldo Alckmin, Dilma Rousseff e Arthur Chioro, na cerimonia de lançamento da campanha de vacinação nacional contra o HPV, no Ceu Butantã, Zona Oeste de São Paulo
Geraldo Alckmin, Dilma Rousseff e Arthur Chioro, na cerimonia de lançamento da campanha de vacinação nacional contra o HPV, no Ceu Butantã, Zona Oeste de São Paulo (Jorge Araújo/Folhapress/VEJA)
A partir de 1º de setembro, a rede pública vai oferecer a segunda dose da vacina contra HPV a meninas de 11 a 13 anos que já receberam a primeira imunização. Segundo o Ministério da Saúde, não há proteção contra o vírus sem a segunda dose.
A vacinação contra o HPV para meninas dessa faixa etária começou em março. Desde então, 4,3 milhões adolescentes foram imunizadas, o equivalente a 87,5% do público alvo. Agora, a meta do ministério é que pelo menos 80% das garotas recebam a segunda dose. Além disso, a primeira dose da vacina continuará sendo ofertada até o final do ano para aquelas que ainda não foram imunizadas.
O esquema de vacinação é composto por três doses, sendo a segunda delas aplicada com intervalo de seis meses e garante proteção contra o HPV. A terceira dose, que serve como um reforço para manter a imunização duradoura, deve ser aplicada depois de cinco anos. Em 2015, a previsão da pasta é vacinar adolescentes de 9 a 11 anos e, em 2016, começam a ser imunizadas meninas que completam 9 anos de idade.
A vacina contra o HPV previne a transmissão do vírus causador do câncer do colo do útero, contraído por relações sexuais, contato direto com peles ou mucosas infectadas e no momento do parto. De acordo com o Ministério da Saúde, a vacina protege, em até 98,8%, contra quatro subtipos do HPV, sendo que dois deles são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo de útero em todo o mundo. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) prevê o surgimento de 15 590 novos casos desse tipo de câncer e aproximadamente 4 800 óbitos apenas neste ano.
Segundo o Ministério da Saúde, a vacina contra o HPV não substitui a necessidade de exames ginecológicos preventivos e o uso de camisinha durante a relação sexual.

domingo 31 2014

Os filhos de políticos nas eleições... Não Reeleja Políticos Cassados/Ficha Suja e nem seus Herdeiros

Helder Barbalho - PMDB-PA


Cargo que disputa: Candidato ao governo do Pará
Padrinho político: o pai, o senador, ex-governador e ex-ministro Jader Barbalho
Idade: 35 anos
Profissão: Administrador de empresas e radialista
Experiência política: Foi vereador de Ananindeua, município na região metropolitana de Belém, e aos 25 anos eleito prefeito da cidade – e reeleito em 2008. Em 2002 foi deputado estadual
Patrimônio declarado: 2.337.676,77 reais, incluindo 366,09 reais em uma conta bancária

Renan Filho - PMDB-AL

Cargo que disputa: Candidato ao governo de Alagoas
Padrinho político: o pai, o atual presidente do Senado Renan Calheiros
Idade: 34 anos
Profissão: Economista
Experiência política: É deputado federal de primeiro mandato. Foi por duas vezes prefeito da pequena cidade de Murici, município alagoano em que um terço dos moradores não sabe ler nem escrever e cuja população é fortemente dependente do Bolsa Família
Patrimônio declarado: 784.424,56 reais, sendo cerca de 125.000 reais em cotas de emissoras de rádio

Marco Antônio Cabral - PMDB-RJ

Cargo que disputa: Candidato a deputado federal
Padrinho político: o pai, o ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral
Idade: 23 anos
Profissão: Estudante de Direito
Experiência política: Nunca disputou cargos eletivos. É vice-presidente estadual no PMDB no Rio e presidente nacional da Juventude do PMDB
Patrimônio declarado: 363.319,18 reais, incluindo quase 200.000 reais em contas bancárias 

Expedito Netto - SD-RO

Cargo que disputa: Candidato a deputado federal
Padrinho político: o pai, o ex-senador Expedito Junior, cassado por compra de votos e atual candidato ao governo de Rondônia
Idade: 25 anos
Profissão: Empresário
Experiência política: Vice-presidente estadual do Solidariedade
Patrimônio declarado: 1.775.000 reais, sendo quase 1.200.000 reais em lotes de terras

Irajá Abreu - PSD-TO

Cargo que disputa: Candidato a deputado federal
Padrinho político: a mãe, a senadora ruralista Kátia Abreu
Idade: 31 anos
Profissão: Produtor rural
Experiência política: É deputado federal de primeiro mandato e tenta a reeleição
Patrimônio declarado: 5.750.552,90 reais, incluindo um terço de um apartamento no luxuoso bairro dos Jardins, em São Paulo, que ele declarou valer apenas 23.000 reais e um lote de 350 metros quadrados em Palmas (TO), que diz valer míseros 932 reais

João Ribeiro Jr. - PRTB-TO

Cargo que disputa: Candidato a deputado federal
Padrinho político: o pai, o ex-senador João Ribeiro, morto em 2013
Idade: 31 anos
Profissão: Empresário
Experiência política: Foi presidente estadual do PRTB, mas acabou destituído do cargo por intervenção do presidente nacional da sigla, Levy Fidelix, após ter desobedecido o estatuto do partido e apoiar a candidatura de Sandoval Cardoso (SD) ao governo de Tocantins
Patrimônio declarado: 1.137.314 reais, sendo quase 390.000 reais em quatro carros

Rodrigo Jucá - PMDB-RR

Cargo que disputa: Candidato a vice-governador de Roraima
Padrinho político: o pai, o senador, ex-governador e ex-ministro da Previdência Romero Jucá
Idade: 33 anos
Profissão: Bacharel em Direito e atualmente deputado estadual licenciado
Experiência política: Eleito deputado estadual em 2010, se licenciou para assumir a secretaria municipal de Educação de Boa Vista
Patrimônio declarado: 4.454.828,40 reais, sendo 400.000 reais em espécie e cerca de 2,6 milhões de reais em imóveis

Arthur Virgílio Bisneto - PSDB-AM

Cargo que disputa: Candidato a deputado federal
Padrinho político: o pai, o ex-senador a atual prefeito de Manaus Arthur Virgílio
Idade: 34 anos
Profissão: Deputado estadual – abandonou as faculdades de Publicidade e Direito
Experiência política: Foi vereador e três vezes deputado estadual
Patrimônio declarado: 605.363,05 reais, boa parte em saldos de financiamentos de imóveis e carros

Mário Negromonte Jr. - PP-BA

Cargo que disputa: Candidato a deputado federal
Padrinho político: o pai, o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte

Idade: 34 anos
Profissão: Advogado
Experiência política: Elegeu-se deputado estadual pelo PP em 2010. É presidente nacional da chamada Juventude Progressista, braço do PP
Patrimônio declarado: 1.077.668,74 reais, sendo 1,02 milhão em imóveis na cidade de Salvador

Newton Cardoso Jr - PMDB-MG

Cargo que disputa: Candidato a deputado federal
Padrinho político: o pai, o ex-prefeito, ex-deputado e ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso
Idade: 34 anos
Profissão: Empresário
Experiência política: Em 2012 foi pré-candidato à prefeitura de Contagem, mas nunca disputou um cargo eletivo
Patrimônio declarado: 1.797.026,57, sendo 1.500.000 reais referentes a um apartamento na cidade de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte

Requião Filho - PMDB-PR

Cargo que disputa: Candidato a deputado estadual
Padrinho político: o pai, o senador e ex-governador Roberto Requião
Idade: 34 anos
Profissão: Advogado
Experiência política: Nunca disputou cargos eletivos. Foi chefe de gabinete do ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB) entre 2007 e 2010. Em 2011, trabalhava no gabinete do deputado federal João Arruda (PMDB), sobrinho de Roberto Requião
Patrimônio declarado: 1.222.498,87 reais, sendo a maior parte em imóveis em Brasília

Felipe Francischini - SD-PR

Cargo que disputa: Candidato a deputado estadual
Padrinho político: o pai, o deputado de primeiro mandato Fernando Francischini
Idade: 22 anos
Profissão: Advogado
Experiência política: Nunca disputou cargos eletivos. É vice-presidente do partido Solidariedade no Paraná e presidente estadual do Solidariedade Jovem
Patrimônio declarado: Não declarou bens à Justiça Eleitoral

Pedro Cunha Lima - PSDB-PB

Cargo que disputa: Candidato a deputado federal
Padrinho político: o pai, o senador e governador cassado da Paraíba Cássio Cunha Lima
Idade: 26 anos
Profissão: Advogado
Experiência política: Nunca disputou cargos eletivos
Patrimônio declarado: 125.673,96 reais, sendo 43.000 reais em um clube de investimentos em ações

Filhos de ex-governadores, senadores e deputados tentam usar capital político dos pais para entrar no cenário nacional nas eleições de outubro

Eleições 2014

De pai para filho

Laryssa Borges, de Brasília
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) conversa com o deputado Renan Filho (PMDB-AL) durante  votação da Lei Geral da Copa, no Senado Federal, em Brasília - 09/05/2012
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) conversa com o deputado Renan Filho (PMDB-AL) durante  votação da Lei Geral da Copa, no Senado Federal, em Brasília - 09/05/2012 (Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
Em qualquer carreira, é comum que (bons) profissionais leguem prestígio a seus herdeiros. Na política, contudo, essa lógica causa apreensão.  Políticos têm a missão de zelar pelo bem público. Quando seus laços familiares se sobrepõem ao compromisso com o eleitor, a democracia sai enfraquecida. Mesmo que seja permitido aos caciques transmitir aos filhos seu capital político, a perpetuação dessas "dinastias" pode debilitar a saúde do regime democrático.
“A eleição dos filhos acaba sendo um mecanismo de oligarquização da política com grupos que têm um compartilhamento de interesses políticos, econômicos e sociais e que pensam igual, agem igual e escondem muitas vezes o que se convencionou chamar de malfeitos. Isso colide com o interesse público”, diz o cientista político José Álvaro Moisés, Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP.
“Em países onde as instituições são muito mais sólidas, o poder dos políticos e dos filhos dos políticos estão sempre cerceados pelo poder constitucional. Mas no Brasil, onde 40% do PIB passa pelo Estado e há 27.000 cargos de livre indicação, o poder político é gigantesco e pode desvirtuar o processo democrático”, avalia o cientista político Luiz Felipe D’Ávila, diretor-presidente do Centro de Liderança Política (CLP). “A manutenção de dinastias pode usar a máquina pública como forma de distribuição de favores”, afirma.
A política de parentesco não é exclusividade do Brasil – as famílias Kennedy e Bush nos Estados Unidos são bons exemplos – mas a disputa de outubro deve deixar ainda mais evidente a oligarquização da política brasileira se confirmar a eleição dos filhos de ex-governadores, ex-senadores e até de deputados. Entre 2006 e 2010, 228 dos 513 deputados federais tinham parentes na política, segundo levantamento da ONG Transparência Brasil, sendo que 53% deles eram herdeiros diretos do pai.
“Essa tendência de formar políticos e quadros através da tradição familiar é uma reserva de mercado. As famílias caminham em função dos próprios interesses e se separam de interesses universais dos eleitores”, completa José Álvaro Moisés. “Não é muito republicano que em um país de 200 milhões de habitantes, com a complexidade que tem o Brasil e com um sistema democrático recente, famílias se perpetuem no poder e criem relações nem sempre defensáveis do ponto de vista público e dos interesses da sociedade. É muito provável que esses políticos tenham como objetivo primeiro os seus valores de comportamento a defesa de sua família, de seu grupo, de sua facção”, diz.
Neste ano, no momento em que José Sarney, o maior cacique da política nacional, deixa oficialmente a vida pública, a política de pai para filho não dá sinal de arrefecimento, atinge os mais diversos rincões do país e inclui de cargos mais modestos, como os de deputado estadual ou distrital, até o controle de governos estaduais. Depois de a política ter abrigado filhos de políticos dos mais diversos espectros ideológicos – Roseana e Zequinha Sarney, Luciana Genro, Efraim Filho, Rodrigo Maia, Jaqueline Roriz, Felipe Maia, Duarte Nogueira e Fernando Coelho Filho – concorrem nas eleições deste ano a cargos de deputado federal, por exemplo, Marco Antônio Cabral (PMDB), filho do ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral, Pedro Cunha Lima (PSDB), filho do ex-governador da Paraíba e atual senador Cássio Cunha Lima, e Newton Cardoso Jr (PMDB), filho do ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso. Em comum, além de uma discutível experiência política, a defesa de interesses oligárquicos e a expectativa de receber grande parte dos votos do eleitorado cativo do patriarca.
“Em oligarquias de outras profissões, como advogados ou médicos, o herdeiro é julgado por sua competência. Ninguém vai se operar com o filho de um cirurgião apenas porque o pai era competente. Se o filho de um grande advogado começa a perder causas não será contratado mais. Na iniciativa privada existem critérios mais sólidos do que no mundo público para julgar as dinastias”, afirma D’Ávila.
Na plataforma de campanha do novato Marco Antônio Cabral, por exemplo, há um misto de defesa do legado de Sergio Cabral – que deixou o governo com aprovação de apenas 20% dos eleitores – de elogios ao sucessor Luiz Fernando Pezão (PMDB) e de compromisso como transformar a base militar de Santa Cruz em um aeroporto comercial e criar unidades de educação tecnológica (Cefet). São de Marco Antônio Cabral, por exemplo, promessas de apoio a inclusão de jovens por meio do surfe e de lutas marciais. Com apenas 22 anos, o estudante Felipe Francischini, candidato a deputado estadual, não desgruda sua campanha do nome do pai, o deputado candidato à reeleição e delegado licenciado Fernando Francischini. “Vi meu pai lutar contra a corrupção em Brasília. Agora é a minha vez de defender o que é certo do jeito que meu pai me ensinou”, diz o aspirante a parlamentar no site de sua campanha.
Se na Grécia Antiga a assembleia pública conhecida como Ágora forjava os principais líderes de seu tempo, no Brasil, historicamente, as famílias políticas são responsáveis por boa parte dos criadouros de candidatos. Nas eleições deste ano, a exemplo do que já aconteceu no passado, o pedigree dos filhos de políticos conhecidos é a principal arma para a conquista de votos.
Filho do ex-ministro e ex-líder governista Romero Jucá, Rodrigo Jucá compõe a chapa do PSB como candidato a vice-governador de Roraima. O filho do ex-governador do Pará e atual senador Jader Barbalho, Helder Barbalho (PMDB), briga pela liderança nas pesquisas pelo governo paraense contra o atual governador Simão Jatene (PSDB). Depois do avô Laércio Barbalho e do pai, Jader, Helder é a terceira geração da família na política. Sua candidatura foi acertada sob as bênçãos do ex-presidente Lula em troca do lançamento do ex-deputado Paulo Rocha, inocentado no julgamento do mensalão, para a vaga do Senado. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Helder rejeita pertencer a uma "dinastia" política e minimiza a influência do pai na campanha de 2014. "O papel de Jader nesta campanha é de pai, que torce pelo filho, e que cobra, se eu for eleito, que eu não esqueça do meu compromisso com o povo do meu estado", afirma. "Não há dinastia. Estou em um novo momento da política, diferente da época do meu pai. A renovação na política não se dá apenas por tirar o sobrenome de alguém, e sim pela forma de se fazer política. O mundo mudou, as pessoas mudaram, as necessidades mudaram. Com isso, o ideal do novo político tem que acompanhar estas mudanças", diz.
Em Alagoas, o deputado Renan Filho (PMDB), filho do presidente do Senado Renan Calheiros, que também lidera a corrida pelo governo, não abre mão da influência do pai e diz ser “natural” seguir os passos do patriarca. “O senador Renan Calheiros é uma grande liderança política em Alagoas. O voto livre do povo alagoano tem respondido que é natural seguir a carreira política do meu pai. Assim como ocorre com médicos, advogados, jornalistas, atores e outros profissionais, alguns filhos de políticos seguem a carreira do pai”, afirma.
Na disputa pela preferência do eleitor, quando a associação do candidato com o pai famoso não é imediata, os filhos aspirantes aos cargos eletivos tratam logo de incorporar o sobrenome famoso e deixar claro quem é o padrinho político. Foi o caso, por exemplo, de Maurício Thadeu de Mello e Silva, que se apresenta nas urnas para deputado estadual como Requião Filho em associação ao pai senador e ex-governador do Paraná Roberto Requião. Ou de Irajá Silvestre Filho, candidato à reeleição para deputado federal que estrategicamente recorre ao sobrenome da mãe, a senadora Katia Abreu, para se apresentar ao eleitor como Irajá Abreu.
Na formação de futura Câmara Federal, há ainda herdeiros políticos que vem galgando espaço a cada eleição. O deputado estadual baiano Cacá Leão (PP), filho do deputado e atual candidato a vice-governador João Leão, vai disputar o cargo de deputado federal, assim como o deputado estadual Arthur Bisneto (PSDB), filho do prefeito de Manaus e ex-senador Arthur Virgílio. Mário Negromonte Filho, por sua vez, tenta um naco dos quase 170.000 votos do pai para se eleger deputado federal. Negromonte pai, ex-ministro das Cidades, esteve envolvido em um sem-número de escândalos – desde o pagamento de propina a integrantes de seu partido até a adulteração de projetos bilionários – mas agora ocupa confortavelmente o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia.
Também vão se aventurar nas urnas o empresário Expedito Netto, de 25 anos, filho do senador Expedito Junior, cassado por compra de votos em Rondônia, o empresário tocantinense João Ribeiro Jr, filho do ex-senador João Ribeiro, parlamentar réu por trabalho escravo e morto no ano passado, e a administradora de empresas Lívia Fidelix, filha do eterno candidato do Aerotrem Levy Fidelix.