quarta-feira 18 2014
Felipão ficou 'satisfeito' – irritação, apenas com a imprensa
Futebol
Técnico garante que aprovou desempenho do time, mas não o dos jornalistas que questionaram o desempenho de Neymar e o pênalti no jogo com a Croácia
Giancarlo Lepiani, de Fortaleza

O técnico Luiz Felipe Scolari durante o jogo contra o México, em Fortaleza (Ivan Pacheco/VEJA.com)
“Bom, agora sou eu que gostaria de fazer uma pergunta: não tem mais pênalti a favor do Brasil? Hã, falem!”, provocou o técnico da seleção
O técnico Luiz Felipe Scolari disse enxergar motivos para comemorar o desempenho da seleção brasileira nesta terça-feira, em Fortaleza, no empate sem gols com o México – e, fazendo lembrar os tempos em que tinha constantes atritos com a imprensa, o treinador mostrou maior irritação com as perguntas feitas pelos jornalistas do que com as falhas de sua equipe. Ele tentou aparentar tranquilidade na entrevista coletiva concedida depois do jogo, mas a impaciência ficou evidente: Felipão deu algumas respostas secas e quase monossilábicas, não parou de mexer as mãos (que enrolavam e desenrolavam sem parar a fita com que pendura sua credencial da Fifa) e, antes de ir embora, reclamou das notícias sobre o pênalti marcado para o Brasil na estreia do Mundial, contra a Croácia.
Felipão acha que o fato de a imprensa questionar a marcação do árbitro japonês que comandou a partida fez com que o Brasil passasse a ficar visado pelos demais juízes – que, assim, hesitariam em tomar decisões favoráveis à seleção da casa. “Bom, agora sou eu que gostaria de fazer uma pergunta: não tem mais pênalti a favor do Brasil? Hã, falem!”, provocou. O treinador também não gostou dos questionamentos sobre o desempenho de Neymar (“Ele não pode ganhar os jogos sozinho, é parte de um grupo”) e sobre a comparação com o desempenho do time na Copa das Confederações – para Felipão, o Brasil não caiu de produção em relação à performance campeã em 2013. A avaliação de Scolari sobre a partida também chamou atenção: apesar da decepção do torcedor, que esperava uma vitória sobre os mexicanos em casa, ele se disse contente com o futebol mostrado pelo Brasil.
“Na minha opinião – na minha, não na de vocês –, o time jogou pelo menos uns 10% melhor do que contra a Croácia, e ainda temos mais a evoluir. Temos possibilidades de chegar à classificação e ainda atingir o grau de qualidade que somos capazes de atingir. Eu fiquei satisfeito com o que eu vi no campo. Temos no Brasil a mania de achar que os outros não jogam nada, que nós é que jogamos mal, e não que os outros jogaram bem. Não conseguimos o resultado que esperávamos, mas estou satisfeito com o que vi.” Por fim, o técnico avisou que não vai mexer no time por causa das críticas a atletas que estão rendendo menos que o esperado. “Vamos esperar o resultado de Croácia x Camarões para saber qual é o resultado que teremos de buscar no último jogo, mas o que precisamos fazer no próximo jogo é gol, simples assim. Foi o que faltou para nós hoje: criamos as oportunidades, mas do outro lado tinha um goleiro em grande dia, que não nos deixou conseguir a vitória.”
terça-feira 17 2014
TEXTO PRIMOROSO DO ESTADÃO! LEITURA OBRIGATÓRIA!
"Desespero, ódio e baixaria" – Um editorial do Estadão
Estadão - Editorial
Estadão - Editorial
No desespero diante da sólida evidência de que a incompetência de Dilma Rousseff está colocando seriamente em risco o projeto de poder do PT, Luiz Inácio Lula da Silva apela para seu recurso retórico predileto: fazer-se de vítima, acusar "eles" – seus adversários políticos – daquilo que o PT pratica, transformando-os em inimigos do povo e sobre eles jogando a responsabilidade por tudo de ruim e de errado que acontece no País. Lula decidiu de vez "partir para cima" e deixou claro que até outubro estará se atolando no ambiente em que se sente mais confortável: a baixaria.
Uma das mais admiráveis figuras do século 20, Nelson Mandela, reconciliou a África do Sul – que saía do abominável regime do apartheid – consigo mesma promovendo pacificamente o entendimento entre a minoria branca opressora e a ampla maioria negra oprimida. Lula continua fazendo exatamente o contrário: dividiu os brasileiros entre "nós" e "eles", arrogando-se a tutela sobre os desvalidos, que tem procurado seduzir, transformando-os não em cidadãos, mas em consumidores. Um truque que, como se vê hoje nas ruas, está saindo pela culatra.
Pois é exatamente o homem que subiu na vida com um punhal entre os dentes, disseminando a divisão em vez da consciência da cidadania como arma de luta contra as injustiças sociais, que agora, acuado pelo desmascaramento da enorme farsa que tem protagonizado, tem a desfaçatez de prognosticar que "a esperança vai vencer o ódio".
Apesar de alegadamente motivada pela declaração de Aécio Neves, na convenção do PSDB que lançou oficialmente sua candidatura à Presidência da República, de que "um tsunami" vai varrer o PT do poder, foram dois os sinais de alerta que levaram Lula a abrir a caixa de ferramentas: nova queda de sua pupila Dilma nas pesquisas e as vaias e agressões verbais em coro de que ela foi vítima na quinta-feira durante o jogo de estreia do Brasil na Copa do Mundo.
Quanto às pesquisas, não há muito mais a dizer do que aquilo que elas revelam: uma tendência constante de queda do prestígio e das intenções de voto na candidata do lulopetismo à reeleição. A debandada dos membros mais "pragmáticos" da "base aliada" reforça essa evidência.
As vaias e xingamentos no Itaquerão, por sua vez, refletem o que têm afirmado, abertamente, muitos líderes oposicionistas e, intramuros, lideranças do próprio PT: Dilma e, mais do que ela, o lulopetismo estão colhendo o que semearam. Nem por isso manifestações como aquelas podem ser endossadas. A grosseria não é coisa de gente civilizada. Um chefe de Estado merece respeito, no mínimo, pelo que representa.
Mas não há de ser quem sempre, deliberada e calculadamente, se esmerou em atacar e ofender adversários que agora vai assumir posição de superioridade moral para condenar quem manifesta, no calor da multidão, um sentimento espontaneamente compartilhado.
E também não vale o argumento com que Lula procurou desqualificar os manifestantes do Itaquerão, a eles se referindo como "gente bonita", ou seja, a famigerada elite. Afinal, a Copa do Mundo no Brasil, essa vitrine que está expondo o País aos olhos do mundo com efeitos duvidosos, foi apresentada à Nação sete anos atrás como uma fantástica conquista pessoal de Lula, uma dádiva generosa ao povo brasileiro. Foi para a "gente bonita" que Lula trouxe esse espetáculo – do qual agora mantém a boa distância e não porque não possa pagar os caríssimos ingressos que, como ele sempre soube, são cobrados pela Fifa.
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