quarta-feira 11 2013

No Brasil, queda do tabagismo é menor entre pessoas com baixa escolaridade

Cigarro

De 1989 a 2008, redução do fumo entre quem estudou em universidade foi de 57%, e de 36,7% entre indivíduos com menos de sete anos de escolaridade

Tabagismo: Estudo sugere que medidas antifumo sejam revistas
Tabagismo: Estudo sugere que medidas antifumo sejam revistas (Thinkstock)
Um novo estudo mostrou que, embora o porcentual de fumantes tenha diminuído no Brasil nas últimas décadas, essa queda foi muito mais lenta entre pessoas com menores níveis de escolaridade. A pesquisa sugere que as políticas de combate ao fumo no país sejam revistas e passem a considerar a desigualdade social para serem elaboradas. O trabalho, feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) junto à Universidade Federal Fluminense (UFF), foi divulgado nesta terça-feira. 
Os autores do estudo se basearam em duas pesquisas, uma de 1989 e outra de 2008, sobre a prevalência de tabagismo entre brasileiros acima de 15 anos de idade. De acordo com o levantamento, a taxa de fumantes diminuiu de 32% para 17,2% nesse período.
Entre pessoas que completaram ao menos um ano em um curso superior (12 anos ou mais de escolaridade), a queda do tabagismo foi de 57,2% – em 2008, 10,9% desses indivíduos fumavam. A diminuição foi de 49% entre brasileiros com oito a onze anos de escolaridade, alcançando uma prevalência de fumantes de 13,6% em 2008. 
O pior quadro foi observado entre os indivíduos com sete anos ou menos de escolaridade, ou seja, que não chegaram ao ensino médio. A queda da prevalência do tabagismo entre o grupo foi de 36,7% entre 1989 e 2008, chegando a um índice de 22,1% fumantes, o dobro do observado em pessoas que se tornaram universitárias.
A coordenadora do estudo, Vera Luiza da Costa e Silva, acredita que um dos fatores a se repensar em relação às campanhas antifumo são as mensagens de alerta das embalagens dos cigarros. "Elas têm de ser concebidas e testadas entre integrantes de classes econômicas mais pobres." O mesmo, em sua opinião, deve ser feito com populações de áreas rurais, mais refratárias às mensagens.
(Com Estadão Conteúdo)

Número de fumantes cai 20% em seis anos no Brasil

Tabagismo

Segundo levantamento da Unifesp, redução foi maior entre os adolescentes. Na classe A, o índice aumentou

Vivian Carrer Elias
Tabagismo: Metade das pessoas que experimentam cigarro se torna fumante frequente
Tabagismo: Metade das pessoas que experimentam cigarro se torna fumante frequente (Thinkstock)
A prevalência de fumantes no Brasil diminuiu 20% nos últimos seis anos, passando de 19,3% em 2006 para 15,6% em 2012. A queda foi maior entre os adolescentes do que entre adultos e mais acentuada em homens em comparação com mulheres. Apesar disso, o padrão de consumo do tabaco no país piorou – os fumantes estão consumindo mais cigarros por dia e considerando cada vez mais difícil passar um dia sem fumar. 
Esses dados fazem parte do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), feito por pesquisadores da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas (Uniad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O estudo entrevistou no ano passado 4 607 pessoas com mais de 14 anos de 149 municípios brasileiros.

Principais dados do estudo

Informações fazem parte do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), feito na Unifesp, em 2012

  1. • Metade dos brasileiros já experimentou cigarro. A idade média da primeira tragada é de 16 anos.
  2. • A taxa de fumantes no Brasil diminuiu 20% entre 2006 e 2012. Neste ano, 15,6% das pessoas com mais de 14 anos fumavam.
  3.  Entre 2006 e 2012, o tabagismo diminuiu entre ambos os sexos, em todas as regiões brasileiras e entre todas as classes sociais, exceto a classe A.
  4.  Os fumantes consomem, em média, 14,1 cigarros por dia.
  5.  Um em quatro fumantes acende o primeiro cigarro até 5 minutos depois de acordar, e a maioria acha difícil passar um dia inteiro sem fumar.
  6.  Nove em dez fumantes gostaria de deixar o cigarro, mas poucos fazem planos para que isso aconteça.
  7.  A maioria dos fumantes menores de idade não encontra dificuldade para comprar cigarro. A maioria o faz em bares.
Queda — Segundo os resultados, o tabagismo entre adolescentes de 14 a 18 anos passou de 6,2% em 2006 para 3,4% em 2012, uma redução de 45%. Já entre maiores de 18 anos, essa taxa diminuiu de 20,8% para 16,9% no mesmo período, uma queda de 19%. 
Embora a prevalência de fumantes seja maior entre adultos do sexo masculino do que do feminino (21%, ante 13% em 2012), a queda nos últimos seis anos foi mais acentuada entre homens do que mulheres (22% e 13%, respectivamente). Esse dado indica a possibilidade de, no futuro, a taxa de fumantes ser semelhante entre ambos os sexos.
A redução do tabagismo entre adultos ocorreu em todas as regiões brasileiras. O Sul apresentou a maior diminuição, de 23%, mas continua sendo a região com a maior prevalência de fumantes do país (20,2%), à frente do Sudeste (17,7%), Centro-Oeste (17%), Norte (14,4%) e Nordeste (14,2%).
O fumo diminuiu entre pessoas de todas as classes sociais, com exceção da classe A, que dobrou a prevalência de tabagismo (de 5,2% em 2006 para 10,9% em 2012). Uma das possíveis explicações para esse dado pode estar no fato de alguns fumantes deixarem o cigarro por ele pesar no bolso: 6,4% das pessoas alegaram parar de fumar para economizar dinheiro. Outras 79,8% justificaram preocupação com a saúde.
"A diminuição do tabagismo é um tendência mundial, mas o Brasil precisa continuar se mobilizando para combater o problema. Hoje, ao lado do álcool e da pressão alta, o cigarro é um dos principais causadores de doenças no mundo", diz Ana Cecília Marques, psiquiatra da Uniaid. "Até o fim da década de 1980, ninguém achava que o cigarro causava dependência e oferecia danos à saúde. A sociedade está reagindo ao tabagismo apenas agora."
Características do vício — De acordo com o estudo, metade dos brasileiros já experimentou cigarro – em média, isso acontece aos 16 anos de idade. Entre aqueles que já fumaram alguma vez, metade se tornou um fumante frequente, sendo que 21% abandonaram o cigarro.
As características de consumo de cigarros pioraram de 2006 para 2012. Nesse período, os fumantes passaram de 12,9 para 14,1 o número de cigarros que fumam em um dia. Além disso, a taxa de fumantes que consomem o primeiro cigarro até 5 minutos depois de acordar aumentou de 18% para 25%, e dos que acham difícil ou muito difícil passar um dia sem fumar aumentou de 59% para 67,8%. Esses três fatores são considerados como indicares de dependência. 
Longe do cigarro — Segundo a pesquisa, 90% dos fumantes entrevistados gostariam de abandonar o cigarro, mas apenas 17% estão fazendo planos para que isso aconteça. Mais da metade (63%) disse já ter tentado parar de fumar sem sucesso, embora menos de 10% tenham feito algum tratamento com esse objetivo. A maioria buscou ajuda de algum membro da família ou de amigos.
"A política de tratamento contra o tabagismo no Brasil sem dúvida está ultrapassada. Ela não pode mais se basear apenas no número de cigarros que uma pessoa fuma por dia, mas sim ser uma abordagem cada vez mais individualizada", diz Maria Cecília. Segundo ela, o tratamento contra a dependência em cigarro pode incluir psicoterapia, uso de medicamentos que evitam uma recaída, reposição de nicotina com adesivos ou chicletes e até antidepressivos em casos mais graves.

'A vida de Hollywood não é desejável', diz Jennifer Lawrence

Cultura

Vencedora do Oscar de melhor atriz por seu papel em 'O Lado Bom da Vida', Jennifer diz que Hollywood a diverte tanto quanto ver um 'reality' no sofá

Jennifer Lawrence vencedora do Oscar 2013 de Melhor Atriz por 'O Lado Bom da Vida'
Jennifer Lawrence vencedora do Oscar 2013 de Melhor Atriz por 'O Lado Bom da Vida' (Jason Merritt/Getty Images)
Jennifer Lawrence, que recebeu o Oscar de melhor atriz por seu papel em O Lado Bom da Vida, disse que a vida de Hollywood não é 'desejável'. A atriz de 23 anos considera a vida de celebridade a diverte tanto como ver um reality show no sofá de sua casa onde diz tentar, de todas as formas, que suas visitas não se sintam intimidadas por sua esmagadora e repentina fama.
"Isso é a última coisa que eu quero", comenta Jennifer, sentada em uma poltrona em um hotel em Los Angeles. "Coloquei o Oscar no corredor perto do banheiro porque me sentia estranha com ele aqui, em exibição. Depois, deixei na casa dos meus pais. Assim a minha mãe pode se sentir especial e mostrar aos amigos", disse Jennifer, que no dia 22 de novembro estreia o filmeJogos Vorazes: Em Chamas, baseado em uma conhecida saga literária.
No filme, sua personagem, Katniss Everdeen, tem que lidar com o mundo do espetáculo e interpretar o papel que o público espera dela. "Lembro de ter lido o primeiro dos livros quando tinha 19 anos. Na época, o que lia era como me sentia", conta a intérprete. Da mesma forma que Katniss Everdeen, Jennifer Lawrence foi aprendendo com a experiência e agora a indústria do entretenimento já não lhe aterroriza. "Ela (Everdeen) sabe como funciona e sabe como manobrar."
No filme, a protagonista é obrigada a participar de um concurso televisivo de vida ou morte para divertimento de uma sociedade em cujos alicerces vai tomando forma uma revolução que ela está destinada a liderar. Para Jennifer, a sequência mais cômica do longa é quando uma das rivais de Everdeen fica nua em um elevador perante a protagonista. A cena foi também a mais complicada para a atriz. "Estava com uma intoxicação alimentar e ficávamos subindo e descendo no elevador. Foi para mim o pior dia na rodagem."
Jennifer Lawrence estreará em dezembro o drama Trapaça. Em 2014, será vista em Dumb and Dumber ToX-Men: Dias de um Futuro Esquecido e em Jogos Vorazes - A Esperança.
(Com agência EFE)

Financiamento de campanha: viva a divergência, abaixo a picaretagem!

Veja.Com

A divergência de ideias, obviamente, é saudável. Mas a burrice tem de ser chamada de burrice, ou logo a inteligência não será reconhecida como tal, entendem? O Supremo começou a votar a ADI que quer que seja declarada inconstitucional a doação de empresas e de pessoas físicas às campanhas eleitorais. Ora, se a fonte não puder ser essa, isso corresponde a aprovar o financiamento público de campanha. Logo, a OAB quer garantir pela via judicial o que não consegue pela via congressual.
Adivinhem quem está empenhado num projeto para o financiamento publico? O PT, é claro! Logo, OAB e PT estão jogando em dobradinha. Um atua no Judiciário; o outro, no Congresso.
Acabo de ouvir numa das sustentações orais que o custo para eleger um deputado chega a um monte de milhões. Pois é… O que o financiamento privado tem a ver com isso? Se o dinheiro for público, o preço vai cair? ISSO É UMA PICARETAGEM! É UM ARGUMENTO ESTÚPIDO. Resultado: o custo seria o mesmo e isso implicaria o aumento do caixa dois em campanhas.
Mais: se o dinheiro for público, deixo claro num longo texto nesta manhã, os maiores partidos — PT e PMDB — é que serão beneficiados. Seja qual for o critério, tamanho de bancada ou número de votos na eleição anterior, quem está no poder se beneficia.
Querem baratear campanha? Instituam o voto distrital, de modo que cada partido defina quem é o candidato no distrito x e pronto. A campanha será feita ali. Disciplinem ainda o horário eleitoral gratuito — se é que tem de haver: câmera, luz, gogó e nada mais. Quem for mais convincente que se estabeleça. Os marqueteiros vão se preocupar e ganhar menos, mas será melhor para o Brasil.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/financiamento-de-campanha-viva-a-divergencia-abaixo-a-picaretagem/

Fux e Barbosa vetam doações de empresas em eleições

Justiça

Placar parcial deverá ficar em 3 votos a 0 pela proibição das doações de empresas em campanhas eleitorais; ministro Teori Zavascki pediu vista

Laryssa Borges, de Brasília
o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux
O ministro do STF Luiz Fux (Jose Cruz/Agência Brasil )
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou nesta quarta-feira como inconstitucionais as doações que empresas fazem a candidatos em eleições. Para o magistrado, também viola a Constituição fixar percentuais para a doação que pessoas físicas e os próprios candidatos podem fazer em campanhas eleitorais.

De acordo com Fux, a ideia é que o Congresso Nacional tenha 24 meses para fazer novas leis sobre doações feitas por pessoas físicas e pelos próprios candidatos. Caso os parlamentares não cumpram com o prazo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai fixar regras provisórias. Depois de decidir sobre a legalidade ou não das doações, o STF terá de deliberar também sobre quando as regras entrarão em vigor.
Na sequência, o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, adiantou seu voto e também disse que são inconstitucionais as doações feitas por empresas e aquelas que limitam, conforme percentuais de renda, as doações feitas por pessoas físicas e pelos próprios candidatos. Apesar de ter seguido o voto de Fux, Barbosa rejeitou a hipótese de conceder prazo para o Congresso legisle sobre o tema. Em seu voto, o magistrado foi duro com a atuação parlamentar. “Se o Congresso, ao tomar conhecimento do ajuizamento dessa ação, quisesse, poderia muito bem ter regulado essa matéria em tempo hábil. Sabemos que neste ano falou-se na aceleração do debate sobre esse tema da reforma política, mas nada se fez”, criticou. “A permissão dada a empresas de contribuírem as campanhas é manifestamente inconstitucional por elas exercerem influência nefasta e perniciosa no resultado do pleito, apta a comprometer legitimidade do processo eleitoral e a independência dos representantes”, completou o ministro.

O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Toeri Zavascki. Ainda assim, José Antonio Dias Toffoli, que atuou como advogado do PT, anunciou que vai adiantar seu voto na sessão plenária desta quinta-feira. Com isso, o placar parcial deve ficar em três votos a zero pela proibição das doações de empresas. “O que se trata é do financiamento da democracia. É o povo ou são os grandes grupos econômicos? [A discussão] Não é financiamento de campanha ou de partido político, é quem financia a democracia no Brasil, são as corporações ou a cidadania”, afirmou o ministro.
O STF começou a julgar nesta quarta a ação direta de inconstitucionalidade (ADI) que pode colocar a Corte novamente em rota de colisão com o Congresso Nacional. Os ministros analisam recurso em que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contesta a legalidade de doações que empresas fazem para candidatos. 
As empresas são atualmente um dos maiores financiadores das campanhas eleitorais. Por exemplo, quase 98% dos recursos levantados pela então candidata petista Dilma Rousseff nas eleições de 2010. De acordo com a Clínica de Direitos Fundamentais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, nas eleições de 2010, foram arrecadados cerca de 4,6 bilhões de reais, sendo que 1.900 empresas doaram 90% dos recursos recolhidos. Os custos médios para a eleição de um deputado federal naquele pleito foram de 1 milhão de reais; no caso de senadores, mais de 4,5 milhões de reais.

Na ação debatida no Supremo, a OAB propõe que o Congresso Nacional tenha de criar uma lei, no futuro, definindo limites per capita para as doações e para o uso de recursos próprios pelos candidatos em campanha. A legislação atual estabelece que empresas podem doar até 2% do faturamento bruto do ano anterior à eleição. 
Segundo dados apresentados pelo ministro Luiz Fux, os gastos na campanha eleitoral de 2012 foram cerca de 470% maiores do que os recursos arrecadados no pleito de 2002. O magistrado fez uma defesa do direito de o STF deliberar sobre o financiamento privado de campanhas e afirmou que os recursos injetados por empresas nas eleições de políticos representam um “desequilíbrio do processo eleitoral”. “A participação de pessoas jurídicas só encarece o processo eleitoral, sem oferecer como contrapartida a melhora e o aperfeiçoamento do debate. Ao vertiginoso custo não se segue o aperfeiçoamento do processo político”, disse.

Na avaliação do ministro, as doações de empresas a campanhas são um “modelo que desestimula, no momento da competição eleitoral, a igualdade política entre os candidatos, repercutindo na formação do quadro representativo”.

Argumentos – Ao longo do julgamento, a OAB alegou que “o sucesso nas eleições depende, em boa parte, da realização de campanhas que tendem a envolver um custo econômico elevado”. “A excessiva infiltração do poder econômico nas eleições (..) engendra desigualdade política, na medida em que aumenta exponencialmente a influência dos mais ricos sobre o resultado dos pleitos eleitorais”, diz a entidade.
Para a Advocacia-Geral da União (AGU), porém, a discussão sobre a possibilidade ou não de financiamento de campanha por parte de empresas deveria ser travada no Congresso Nacional, e não arbitrada pelo STF. “É um tema que tem que ser equacionado no âmbito do Congresso Nacional, e não no âmbito constitucional. Não acredito que o Congresso esteja imune a esse debate”, disse o ministro Luís Inácio Adams.
Outras entidades, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), também defenderam, no plenário do STF, a proibição de empresas doarem para campanhas políticas.

Vem aí o financiamento público de campanha, como quer o PT, com a ajuda da OAB e do STF

financiamento de campanha

11/12/2013
 às 19:14


O ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF, já anunciou que o ministro Teori Zavascki pretende pedir vista da ADI que trata do financiamento público de campanha. Disse ainda que, nesta quinta, não poderá participar do início da sessão. Então decidiu antecipar o seu voto.
Também ele acolhe a ADI e deixa claro que considera inconstitucional a doação de empresas, a forma como se dá a doação de pessoas físicas e uso de recursos próprios dos candidatos. Mas foi ainda mais radical do que Fux: não quer dar prazo nenhum ao Congresso.
Na sessão desta quinta, Toffoli também antecipará seu voto — acolhendo a ADI. Na sessão desta quarta, fez uma curiosa antecipação da antecipação…  Em seguida, Zavascki pedirá vista. Aí o julgamento estará suspenso até que ele se pronuncie.
Assim, já são três os votos contrários ao atual sistema de financiamento. Faltam outros três. Vem aí o financiamento público de campanha, como quer o PT.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/financiamento-de-campanha/

Marco Civil vai assegurar às teles direito de oferecer acesso à web em velocidades diferentes

Legislação

Alterações no projeto de lei preveem ainda que provedores de aplicações armazenem dados de navegação de usuários por seis meses

Renata Honorato
Deputado Alessandro Molon (PT-RJ)
Deputado Alessandro Molon (PT-RJ) (Antonio Augusto/Câmara dos Deputados)
O Marco da Civil da Internet, projeto de lei que pretende regular a web brasileira, ganhou um novo texto nesta quarta-feira. O objetivo do relator da matéria, o deputado Alessandro Molon (PT-RJ), é chegar a um acordo com os provedores de conexão (Vivo, Oi, Net, GVT), que têm mostrado resistência ao projeto. A nova redação garante a liberdade dos modelos de negócios promovidos na web brasileira. Na prática, isso significa que essas empresas podem continuar oferecendo planos de internet de diferentes velocidades (5 MB, 10 MB, 100 MB), exatamente da forma como ocorre atualmente. O texto antigo não proibia a prática, mas as teles exigiram que a condição estivesse garantida no projeto de lei.
As mudanças agradaram às teles, que haviam tido acesso ao novo texto na semana passada. Eduardo Levy, diretor do Sinditelebrasil, entidade que representa o setor, disse estar de acordo com a nova redação. "O setor de telecomunicações é favorável à votação."
Houve ainda outras alterações. No novo texto, o artigo 9º, que determina a garantia da neutralidade de rede (tratamento isonômico de toda a informação que trafega pela rede, sendo proibidas distinções em razão do tipo, origem ou destino dos pacotes de dados), detalha em que ocasiões podem ocorrer discriminação ou degradação do tráfego: problemas técnicos ou serviços de emergência. Fica claro, no entanto, que a regulamentação das exceções será feita via decreto presidencial.
O outro trecho controverso do Marco Civil, que obrigada provedores de aplicação (Google, Facebook e Netflix) a armazenar dados de usuários brasileiros em data centers locais, via decreto presidencial, continua no projeto do Marco Civil. Já o artigo 15º, que isentava as empresas de internet da obrigação de guardar registros de acesso a aplicações de internet (IP que acessou um site), sofreu uma alteração. Segundo o novo texto, essas companhias deverão armazenar tais dados pelo prazo de seis meses. Essa também era uma reivindicação das teles, que são obrigadas a guardar os registros de acesso de seus usuários pelo prazo de um ano. 
Os provedores de aplicação continuam isentos de responsabilidade sobre o conteúdo publicado por terceiros. A redação foi lapidada, contudo, no que diz respeito à divulgação de imagens, vídeos ou outros materiais que contenham cenas de nudez ou de atos sexuais de caráter privado sem autorização de seus participantes. Nesses casos, se o site se recusar a retirar o conteúdo do ar após notificação do usuário, ele passa a ser responsabilizado pelo material. “Essa é uma resposta aos recentes casos de suicídio”, diz Molon ao site de VEJA.


O Marco Civil tramita em regime de urgência a pedido da presidente Dilma Rousseff desde o fim de outubro e, após ser adiado diversas vezes, pode eventualmente ser votado neste ano. “O projeto está pronto”, afirma o deputado. O líder do PMDB, Eduardo Cunha, resistente à proposta, continua contra a matéria. O relator garante, no entanto, que as mudanças foram feitas com base nas sugestões de partidos de base e oposição. “Agora temos o apoio da ampla maioria”, afirmou o deputado petista.