quinta-feira 19 2013

Exame de sangue pode detectar risco de câncer oral causado pelo HPV

Prevenção

Anticorpos específicos que agem contra o vírus podem ser detectados no sangue mais de dez anos antes do aparecimento de sintomas do câncer oral

HPV-16: a cepa do vírus é a responsável por causar o câncer cervical, segundo tipo mais comum entre as mulheres, e outros tipos de câncer no homem
HPV16: a cepa do vírus, quando transmitida pelo sexo oral, é a principal causadora do câncer de boca (Latinstock)
Pesquisadores acreditam que um simples exame de sangue será capaz de, no futuro, detectar quais pessoas apresentam um risco alto de câncer de boca causado pelo papilomavírus humano, o HPV, quando transmitido por meio do sexo oral. Isso porque um novo estudo da Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (Iarc, sigla em inglês) descobriu que a presença de determinados anticorpos no sangue de uma pessoa pode acusar o câncer anos antes de a doença se instalar.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Evaluation of Human Papillomavirus Antibodies and Risk of Subsequent Head and Neck Cancer

Onde foi divulgada: periódico Journal of Clinical Oncology

Quem fez: KAimée R. Kreimer, Mattias Johansson, Tim Waterboer, Rudolf Kaaks, Jenny Chang-Claude, Dagmar Drogen, Anne Tjønneland, Kim Overvad, J. Ramón Quirós, Paul Brennan e outros

Instituição: Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer e outros

Dados de amostragem: 50.000 pessoas monitoradas desde a década de 1990

Resultado: As pessoas podem apresentar anticorpos E6, que lutam contra o HPV16, a principal cepa do vírus relacionada ao câncer de boca, até 12 anos antes de virem a apresentar sintomas desse câncer. Um exame de sangue que detecta a presença de tais anticorpos pode ser, no futuro, usado para prevenir o avanço da doença.
A pesquisa da Iarc, que é um órgão ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS), será publicada no periódico Journal of Clinical Oncology. “Até agora, não se sabia se esses anticorpos estavam presentes no sangue antes que o câncer se tornasse clinicamente detectável. Se esses resultados se confirmarem, futuras ferramentas de triagem poderão ser desenvolvidas para a detecção precoce da doença”, diz Paul Brennan, coordenador do estudo. “Quanto mais precoce for a detecção, melhor o tratamento e maior a sobrevivência.”
Um vírus, muitas doenças — O HPV é mais conhecido por causar cânceres genitais e de colo do útero, mas ele é também responsável por um número crescente de casos de boca e garganta, especialmente entre homens. Segundo a AIPC, cerca de 30% de todos os cânceres orais estão relacionados ao HPV. Neste mês, o ator norte-americano Michael Douglas revelou que o câncer de garganta que o acometeu foi causado pelo HPV transmitido via sexo oral.
A nova pesquisa da Iarc, que teve participação de especialistas de institutos da Alemanha e dos Estados Unidos, usou dados de 50.000 pessoas de dez países europeus que foram monitoradas desde a década de 1990. Os pesquisadores observaram que, de 135 pessoas do estudo que desenvolveram câncer, 47 (cerca de um terço) apresentavam anticorpos E6 contra o HPV16, a principal cepa do vírus relacionada ao câncer de boca, até 12 anos antes do surgimento de sintomas da doença.
De acordo com Brennan, o exame usado no estudo é relativamente simples e barato, e pode ser desenvolvido como uma ferramenta para uso mais generalizado dentro de cinco anos, caso os resultados se confirmem em novos estudos. O pesquisador alertou, no entanto, que é preciso melhorar a precisão dos testes, já que houve na pesquisa cerca de 1% de “falsos positivos” para o anticorpo do HPV16.

Vacina contra HPV também é indicada para prevenção de câncer anal

HPV

Apesar de ser considero raro, a incidência desse tipo de câncer tem aumentado

Human papilloma virus (HPV)
Papilomavírus humano, causador do câncer de ânus: Estima-se que a incidência dessa doença no Brasil seja de 3 a 5 casos por 100 mil pessoas (SPL/SPL RF/Latinstock)
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação para a vacina contra o HPV (papilomavírus humano). A vacina, que já era utilizada para a proteção contra cânceres da vagina, vulva e colo do útero em mulheres e para verrugas genitais em homens e mulheres, passa a ser indicada para a prevenção do câncer anal, também em ambos os sexos.
De acordo com estimativas no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia das Doenças do Papilomavírus Humano (Instituto do HPV), a incidência do câncer de ânus no Brasil é de 3 a 5 casos por 100.000 pessoas, entre homens e mulheres, anualmente.
Aumento – Apesar de ser considerado um câncer raro, um estudo publicado na revista Femina da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) em 2011 afirma que, nos últimos anos, a incidência do câncer anal aumentou 1,5 vez entre os homens e triplicou nas mulheres.
De acordo com Luisa Villa, coordenadora do Instituto do HPV da Santa Casa de São Paulo, o aumento da incidência de câncer anal tem sido observado em diversos países. Acredita-se que a causa desse aumento seja decorrente de uma maior liberação da atividade sexual que tem ocorrido desde os anos 60, uma vez que o vírus HPV é sexualmente transmissível.
Indicação – A nova indicação para a vacina entrou em vigor no dia 17 de dezembro de 2012. Porém, ela só é válida para uma das vacinas disponíveis atualmente, a vacina quadrivalente, que oferece proteção contra os tipos 6,11, 16 e 18 do vírus HPV. A outra vacina disponível é a bivalente, que protege apenas contra os tipos 16 e 18. A principal diferença entre as duas é que a bivalente protege apenas contra o câncer, não servindo para a prevenção de verrugas genitais.
Antes de chegar ao Brasil, a indicação da vacina de HPV para a prevenção de câncer anal foi aprovada em outros países, como Estados Unidos, Austrália e México, desde 2011.
Mais funções – Para Luisa Villa, é possível que, à medida que novos estudos forem realizados, a vacina para HPV receba novas indicações. "Os tumores da orofaringe (câncer de amígdala e de base de língua) são provocados grande parte das vezes pelo HPV 16, portanto espera-se que no futuro exista o benefício para a redução desses tumores também. Ainda não foi feito um ensaio clinico com esses tipos de câncer, por isso ainda deve demorar um pouco mais para que haja uma indicação formal", afirma.

Vacina contra HPV protege também contra cânceres na região da garganta

Câncer

Estudo da OMS mostra que a vacina reduz em mais de 90% infecções orais causadas pelos tipos 16 e 18 do vírus

HPV-16: a cepa do vírus é a responsável por causar o câncer cervical, segundo tipo mais comum entre as mulheres, e outros tipos de câncer no homem
HPV: o vírus é mais conhecido por causar o câncer cervical, mas também está relacionado a cânceres de orofaringe em homens e mulheres (Latinstock)
Um novo estudo da Organização Mundial da Saúde mostrou pela primeira vez que a vacina contra o Papilomavirus humano (HPV) também oferece proteção contra infecções orais, que estão associadas aos cânceres de orofaringe, popularmente conhecido como câncer de garganta, que inclui as amígdalas, a base da língua, o palato mole e as paredes da cavidade interna da faringe. Os resultados mostraram que a vacina reduz em mais de 90% infecções orais pelos tipos 16 e 18 do HPV, que costumam ser relacionados ao câncer de colo de útero.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Reduced Prevalence of Oral Human Papillomavirus (HPV) 4 Years after Bivalent HPV Vaccination in a Randomized Clinical Trial in Costa Rica

Onde foi divulgada: periódico Plos One

Quem fez: Rolando Herrero, Wim Quint, Allan Hildesheim, Paula Gonzalez, Linda Struijk, Hormuzd A. Katki, Carolina Porras, Mark Schiffman, Ana Cecilia Rodriguez, Diane Solomon e outros

Instituição: Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (IARC, na sigla em inglês), da Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras

Dados de amostragem: 5.840 mulheres entre 18 e 25 anos

Resultado: As análises mostraram que, quatro anos depois, a vacina contra o HPV reduziu em 93% as infeções orais pelo vírus, que podem causar cânceres de orofaringe.
O estudo foi feito na Costa Rica, e é uma parceria entre pesquisadores do país, dos Estados Unidos e da Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (IARC, na sigla em inglês), da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele foi pensado inicialmente para avaliar a eficácia da vacina de HPV contra o câncer de colo do útero, mas passou a incluir também a avaliação dos efeitos da vacina em outras regiões do corpo – entre elas, a cavidade oral.
Os pesquisadores recolheram amostras de células bucais de 5.840 mulheres entre 18 e 25 anos, que receberam a vacina contra o HPV ou contra hepatite A – utilizada no chamado grupo de controle. As análises mostraram que, quatro anos depois, a vacina contra o HPV reduziu em 93% as infeções orais pelo vírus. O artigo que descreve a pesquisa foi publicado nesta quinta-feira, no periódico Plos One.
“A vacina parece promover uma forte proteção contra as infecções orais pelos tipos de HPV que causam a maior parte dos cânceres de orofaringe. Existem muitos aspectos da doença que nós ainda não conhecemos, e precisamos de mais evidências de que a vacina previna esse tipo de câncer, mas os resultados indicam que nós podemos ter uma ferramenta importante para a prevenção desses males cada vez mais comuns”, afirma Rolando Herrero, da IARC, e principal autor do estudo.
Crescimento – A OMS estima que, por ano, surgem 85.000 novos casos de câncer de orofaringe. Apesar de serem tradicionalmente relacionados ao consumo de tabaco e bebidas alcoólicas, mais de 30% dos casos dessas doenças são decorrentes da infecção pelo HPV, em virtude de práticas como o sexo oral. Os homens têm quatro vezes mais chances de serem afetados pela doença do que as mulheres.
Um estudo recente dos Estados Unidos mostrou que, nos últimos 20 anos, a quantidade de tumores de orofaringe nos quais foi detectado o HPV passou de 16% para 70%. Isso levou os autores a estimarem que nas próximas décadas os Estados Unidos podem vir a ter mais casos de câncer de orofaringe relacionado ao HPV do que de câncer de colo do útero causado pelo vírus.
Para Herrero, se resultados similares aos das mulheres forem encontrados nos homens, a vacinação de meninos pode ser uma importante medida de saúde pública em regiões nas quais cânceres relacionados ao HPV são comuns no sexo masculino.

Ministéio da Saúde amplia faixa etária da vacina contra HPV

Imunização

A partir de 2015, meninas de 9 a 13 anos poderão receber as três doses da vacina gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde

Programas de saúde: países com boas taxas de vacinação infantil apresentaram menores índices de leucemia
Vacina contra HPV: o vírus é hoje responsável por 95% dos casos de câncer de colo do útero, a segunda maior taxa de mortalidade entre os cânceres que atingem as mulheres (Brand X Pictures/Thinkstock)
O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira que vai ampliar a faixa etária para a vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV), usada na prevenção de câncer de colo do útero. Em 2014, meninas dos 11 aos 13 anos receberão as duas primeiras doses necessárias à imunização — a segunda dose vem seis meses depois da primeira. A terceira deverá ser aplicada cinco anos após a primeira. Em 2015, outra faixa etária será beneficiada: pré-adolescentes entre 9 e 11 anos de idade, sem custo adicional. As aplicações serão gratuitas.
A previsão inicial, que foi divulgada em julho deste ano, era imunizar, em 2014, meninas de 10 e 11 anos; e, a partir de 2015, apenas as meninas de 10 anos. O esquema programado é de três doses, com a segunda dose sendo dada um mês após a primeira, e a terceira dose aplicada seis meses após a primeira.

Segundo o Ministério, o novo formato de imunização tem respaldo de estudos e práticas internacionais. "A estratégia segue recomendação da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) e foi discutida com especialistas brasileiros que integram o Comitê Técnico Assessor do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Vale ressaltar que o esquema já é utilizado por países como Canadá, México, Colômbia, Chile e Suíça", afirma nota do ministério.

O HPV hoje é responsável por 95% dos casos de câncer de colo do útero, a segunda maior taxa de mortalidade entre os cânceres que atingem as mulheres. O primeiro é o câncer de mama. A vacinação começa em março de 2014.

Bactéria resistente a antibióticos é encontrada em humanos e vacas

Infecção

Novo tipo da <i>Staphylococcus aureus</i> é imune à meticilina

Cultura de Staphylococcus aureus: a nova cepa da bactéria é resistente aos antibióticos do grupo da penicilina
Cultura de Staphylococcus aureus: a nova cepa da bactéria é resistente aos antibióticos do grupo da penicilina(Thinkstock)
Uma nova cepa de bactérias Staphylococcus aureus resistente aos antibióticos do grupo da penicilina foi encontrada em humanos e em vacas. De acordo com os pesquisadores do Imperial College, de Londres, em pacientes com um sistema imunológico debilitado, essas bactérias podem causar desde problemas cutâneos até infecções sanguíneas. O estudo foi publicado no periódico Lancet Infectious Diseases. 
Na nova cepa do S. aureus resistente à meticilina (MRSA, na sigla em inglês), o gene mecA, que provoca a resistência à medicação, tem apenas 60% de nível de semelhança daqueles que compartilham 99% das MRSA conhecidas. “Por isso que a nova cepa passava despercebida nos exames clínicos”, diz Laura García-Álvarez, pesquisadora do Imperial College.
Após identificar 13 amostras da bactéria, denominada LGA251, em leite de vaca, os pesquisadores encontraram 50 casos em humanos na Grã-Bretanha e na Dinamarca em 2010, e atualmente estão desenvolvendo os primeiros testes em outros países europeus como Portugal, Alemanha e Holanda. 
"A primeira bactéria desse tipo procede de uma mostra de 1975, portanto, ela ficou, pelo menos, 36 anos circulando. Não a detectamos até agora porque não tínhamos as ferramentas necessárias", diz Laura. Segundo a pesquisa, a bactéria tem uma ampla distribuição geográfica, mas sua incidência em números absolutos é muito baixa. 
Contágio - Os cientistas ainda não determinaram se a bactéria de origem bovina que foi transmitida para os humanos, ou se aconteceu o contrário. Mas, segundo eles, o consumo de leite de vaca não representa nenhum risco de contágio, dado que o processo de pasteurização elimina totalmente a Staphylococcus aureus. 
Calcula-se que um terço da população tem no organismo bactérias resistentes a antibióticos, principalmente na pele e nas fossas nasais. As cepas S. aureus são as principais responsáveis pelas infecções hospitalares. Em pacientes com um sistema imunológico debilitado, essas bactérias podem causar desde problemas cutâneos até infecções sanguíneas. 
Nos países industrializados, as bactérias estão aumentando sua resistência aos antibióticos nos últimos anos. Calcula-se que entre 40% e 60% deles deixaram de responder aos tratamentos com os antibióticos mais comuns.
(Com agência EFE)

Crianças que tomam muito antibiótico correm maior risco de contrair superbactéria

Superbactéria

As chances de carregar a bactéria resistente podem ser até 18 vezes maiores em casos onde há prescrição de quatro drogas ou mais

Staphylococcus aureus resistente à meticilina: a superbactéria está mais presente em crianças que já tomaram muitos antibióticos
Staphylococcus aureus resistente à meticilina: a superbactéria está mais presente em crianças que já tomaram muitos antibióticos (Thinkstock)
Crianças que tomam muito antibiótico têm até 18 vezes mais chances de contrair a superbactéria MRSA (abreviação em inglês para Staphylococcus aureus resistente à meticilina). Embora a infecção seja rara, uma pesquisa canadense aponta que ela pode ser mais comum quando a criança recebe quatro ou mais prescrições médicas de antibióticos. A pesquisa foi publicada no periódico médico Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine.
A bactéria MRSA chegou aos Estados Unidos na década de 1960. Mas foi apenas no início de 1980, quando ela infectou uma vítima de queimadura em um hospital de Seattle e causou um surto devastador, que os médicos perceberam o quão séria a situação realmente era. Em 2005, estima-se que a bactéria tenha causado infecções severas em 95.000 americanos, matando cerca de 18.500.
O número de infecções contraídas dentro dos hospitais tem decaídos nos últimos anos, mas não há tanta certeza sobre as que acontecem fora deles – batizadas de 'MRSA adquirida na comunidade'. "Isso continua a ser um problema, mas o aumento dramático que vimos na última década parece ter estabilizado em muitas áreas e pode estar diminuindo em algumas", diz Daniel J. Diekema, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Iowa.
De acordo com Diekema, no entanto, a pesquisa não demonstrou a relação de causalidade entre os antibióticos e a MRSA – apenas sua relação direta. Mas, segundo ele, a relação teria um sentido biológico já conhecido. "Isso fornece mais evidências que apoiam nossos esforços para diminuir o uso de antibióticos", diz.
Pesquisa – Estudos anteriores já haviam demonstrado que adultos com diversas prescrições de antibióticos eram mais suscetíveis a abrigar a MRSA. Para checar a relação com as crianças foram analisados dados de diagnósticos feitos em clínicas médicas na Inglaterra entre 1994 e 2007. Eles encontraram, então, 4,5 casos de MRSA para cada 100.000 crianças todos os anos, embora não tenha ficado claro se a criança tinha uma infecção ativa ou apenas carregava a bactéria na pele, onde ela é inofensiva. "Em geral, apenas uma minoria das pessoas que carrega a MRSA se infecta", diz Diekema.
Das 297 crianças que tiveram confirmação para MRSA, mais da metade (53%) receberam prescrição de no mínimo um antibiótico entre 30 e 180 dias antes do diagnóstico (os últimos 30 dias foram excluídos para se ter certeza de que a droga não foi usada para tratar MRSA). Em contrapartida, apenas 14% das mais de 9.000 crianças que visitaram os mesmos médicos, mas não tinham MRSA, haviam tomado recentemente antibióticos.
Depois de contabilizar as diferenças entre os dois grupos de crianças, os riscos se mostraram três vezes maiores de abrigar MRSA para as crianças que haviam tomado muitos antibióticos. E quanto mais antibióticos a criança havia tomando, mais sujeita estava a contrair a bactéria resistente. Aqueles que tiveram quatro ou mais prescrições, por exemplo, tinham 18 vezes mais riscos de MRSA.
Por outro lado, quase metade das crianças que tinham a bactéria não havia recebido antibiótico algum na metade do ano anterior ao diagnóstico. "Essa é uma observação intrigante que esperamos que vá culminar em investigações sobre os mecanismos de desenvolvimento da MRSA", diz Samy Suissa, coordenador da pesquisa.
(Com agência Reuters)

Sabão germicida reduz em 37% infecções por bactéria resistente a antibióticos

Infecção

Conclusão é de estudo feito nos Estados Unidos que testou três formas de prevenção contra a MRSA, bactéria que causa infecção hospitalar

Staphylococcus aureus resistente à meticilina: a superbactéria está mais presente em crianças que já tomaram muitos antibióticos
Imagem da bactéria Staphylococcus aureus em cultura: sabão germicida pode ser a chave para prevenir a infecção(Thinkstock)
Usar sabão germicida em todos os pacientes internados em unidades de cuidados intensivos pode reduzir em até 37% as contaminações por Staphylococcus aureus (ou estafilococo dourado), bactéria resistente à maioria dos antibióticos e uma importante causa de infecções hospitalares. A prática também pode diminuir em 44% o risco de contaminações no sangue por qualquer agente. Essas são as conclusões do maior estudo já feito nos Estados Unidos sobre o tema. A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira no periódico The New England Journal of Medicine.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Targeted versus Universal Decolonization to Prevent ICU Infection

Onde foi divulgada: periódico The New England Journal of Medicine

Quem fez: Susan Huang e equipe

Instituição: Universidade da Califórnia em Irvine, Hospital Corporation of America e CDC

Dados de amostragem: 74.256 pacientes hospitalizados entre 2009 e 2011

Resultado: Usar sabão germicida em todos os pacientes hospitalizados em unidades de tratamento intensivo — e não somente em pacientes já infectados por uma bactéria — pode reduzir em 37% o risco de infecção por MRSA e em 44% o risco de infecção no sangue por qualquer agente.
Essa bactéria também é conhecida por MRSA, sigla em inglês para Staphylococcus aureus resistente à meticilina. De acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), órgão de saúde dos Estados Unidos, três quartos das cepas dessa bactéria são resistentes a vários antibióticos.
No estudo, especialistas testaram três métodos para reduzir as infecções por MRSA: cuidados de rotina; o uso do sabão e do creme germicida apenas em pacientes já infectados; e o uso de produtos germicidas em todos os pacientes de uma unidade de cuidados intensivos. A pesquisa foi feita com 74.256 pacientes hospitalizados entre 2009 e 2011 e conduzida por uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine, do Hospital Corporation of America e do CDC.
Os pesquisadores concluíram que, além de eficaz para deter a propagação do MRSA, o uso de germicidas também ajuda a prevenir outras causas de infecção. "Este estudo poderia modificar a prática clínica neste campo e criar um ambiente mais seguro para os pacientes nos hospitais", disse Carolyn Clancy, diretora da Agência para a Pesquisa sobre a Atenção Médica e Qualidade (AHRQ, sigla em inglês) do governo americano.


(Com agência France-Presse)