quarta-feira 19 2012
Diagnóstico precoce de cânceres de mama e próstata cresce no Brasil
Câncer
Com a identificação do câncer cada vez mais cedo, melhoram as condições de tratamento e a sobrevida dos pacientes
Câncer de mama: entre 2000 e 2007, quase 80% dos pacientes diagnosticaram a doença em estágio inicial (Thinkstock)
O diagnóstico dos cânceres de mama e de próstata é feito de maneira cada vez mais precoce no Brasil. É o que aponta um levantamento inédito feito pelo hospital A. C. Camargo, em São Paulo. De acordo com os dados do estudo, de 1970 para 2007 as taxas do diagnóstico precoce do câncer de mama pularam de 20% para 80%. O câncer de próstata, que tinha um índice de diagnóstico tardio de 80% no começo da década de 1980, agora é diagnosticado em fase inicial em 77% dos pacientes com a doença. A descoberta do câncer em fases iniciais resultou em melhores condições de tratamento e no aumento na sobrevida dos pacientes. No câncer de mama, por exemplo, a cura, que era de apenas 40% em meados de 1970, pulou para os 90%.
Segundo o AC Camargo, o aumento do diagnóstico precoce dos cânceres se deve a dois fatores: avanços da medicina e informações sobre prevenção e tratamento. Com a descoberta da doença em fases iniciais, o tratamento é feito com terapias menos complexas, há menor necessidade de intervenções cirúrgicas e menores riscos de metástases (quando o câncer se espalha para outros órgãos).
Mama e próstata — Para o levantamento sobre o câncer de mama, o hospital usou dados de 2.657 mulheres e 14 homens atendidos entre 2000 e 2007. Do total, 79,18% diagnosticaram a doença ainda em estágio inicial — o que resultou em uma sobrevida de 80% a 97%. Por outro lado, quando diagnosticado em um estágio já mais agressivo (5,28% dos casos), com metástase para órgãos como fígado, pulmão e pele, a sobrevida do paciente dentro de cinco anos caiu para 6%. “Quando o diagnóstico é precoce, geralmente o tratamento é menos agressivo, menos complexo e tem menos efeitos colaterais”, diz Maria do Socorro, diretora de Mastologia do A.C. Camargo.
De acordo om o levantamento do hospital, o câncer de próstata segue a mesma tendência: com o diagnóstico precoce, a sobrevida também aumenta. Dos 2.738 pacientes analisados, 77,06% descobriam o câncer em fases mais iniciais — desses, 98% estavam vivos depois de cinco anos do diagnóstico. O diagnóstico tardio, por sua vez, feito em 22,94% dos pacientes, resultou em sobrevida de 44% dentro dos cinco anos. Para o câncer de pênis a sobrevida cai de 80% no diagnóstico precoce para 33% quando ele é feito em fases tardias da doença.
Outro câncer que vem seguindo a mesma tendência é o melanoma (câncer de pele). Dos 1.064 pacientes atendidos pelo A.C. Camargo entre 2000 e 2007, 883 foram diagnosticados em fases iniciais da doença. Para esses pacientes, a taxa de sobrevida em cinco anos foi de 87%. Nos 29 casos em que o câncer foi identificado na fase avançada, a sobrevida despencou para 8%. Já o câncer de tireoide vem atingindo uma taxa de diagnóstico precoce de 90%, com chance de cura próxima de 100% para esses pacientes.
Na contramão — No caminho inverso, os cânceres de estômago, fígado e pâncreas continuam a ser diagnosticados em fases mais tardias da doença. No levantamento do hospital, 66,4% dos casos de câncer de estômago foram identificados em fases avançadas da doença, com sobrevida de apenas 14% nos casos mais severos. Para o câncer de esôfago, os números são de 69,1%, com sobrevida no pior caso de apenas 3%. Nos cânceres de fígado e pâncreas, os diagnósticos precoces são de 76,3% e 80,0%, com sobrevidas de 9% e de 3%, respectivamente.
Congresso usa questão dos royalties para abrir guerra com STF
Mensalão
Recurso dos advogados do Senado para tentar reverter uma liminar do ministro Luiz Fux cita diretamente a decisão sobre cassação de mandatos parlamentares
Laryssa Borges, de Brasília
Marco Maia: porta-voz dos interesses dos mensaleiros (Elza Fiúza/Agência Brasil)
Com um texto de teor político, que extrapola questões jurídicas, o Congresso Nacional utilizou oimpasse sobre a votação do veto da presidente Dilma Rousseff a artigos da "Lei dos Royalties" do petróleo para ampliar o embate institucional deflagrado com o Supremo Tribunal Federal (STF). O pano de fundo do confronto é a resistência das bancadas dos partidos governistas em cumprir a decisão da corte pela perda de mandato de deputados condenados por participar do escândalo do mensalão - Valdemar Costa Neto (PR-SP), Pedro Henry (PP-MT) e João Paulo Cunha (PT-SP).
A crise entre Legislativo e Judiciário começou há semanas quando o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), sugeriu, pela primeira vez, que a Casa poderia se valer do tradicional corporativismo e deixar de cumprir uma decisão da Suprema Corte do país. Nesta segunda, Marco Maia não só retomou a carga, como foi além, ameaçando retaliações ao STF. “Tem uma lista de projetos na Câmara dos Deputados que estão tramitando há algum tempo que tratam das prerrogativas do STF. Não tenha dúvida de que, nessa linha que vai, esses projetos andarão certamente dentro da Câmara com mais rapidez”, disse.
Ao agir como porta-voz dos interesses de mensaleiros, Marco Maia ignora que cabe ao próprio Supremo a palavra final como intérprete da Constituição. O petista diz querer debater o veredicto do tribunal e já pediu até estudos à Advocacia-Geral da União (AGU) para tentar conseguir embasamento jurídico que garanta o não cumprimento da decisão sobre a perda dos mandatos dos mensaleiros.
Acirramento - Hoje, ao apresentar recurso na questão dos royalties, os congressistas evidenciaram o clima de acirramento e desconforto com a decisão do STF. “A interpretação do regimento interno das Casas legislativas, aí evidentemente incluído o normativo que trata do procedimento para cassação de mandato parlamentar, configura matéria interna corporis, insuscetível de escrutínio judicial”, diz trecho do recurso assinado pela Advocacia-Geral do Senado.
Advogados do Senado usaram decisões anteriores da própria corte para defender a tese de que questões interna corporis, como a ordem de votação de matérias em plenário ou o próprio destino de congressistas, cabem exclusivamente ao parlamento. “(Essa interpretação) É a única que bem se coaduna com a independência e harmonia dos poderes constituídos, pois preserva o núcleo essencial da independência política das Casas legislativas para decidirem acerca da violação ética de seus membros”, afirma outra parte do recurso.
O Senado direciona sua artilharia ao ministro Luiz Fux, cuja decisão individual condicionou a votação do veto a artigos da nova Lei de Royalties à apreciação preliminar de todos os vetos pendentes de apreciação no Congresso. Para os advogados, a determinação de Fux em relação aos royalties é mais um capítulo da interferência do Poder Judiciário em decisões soberanas do Congresso. “A interpretação do regimento interno das Casas legislativas configura matéria interna corporis, insuscetível de escrutínio judicial. A judicialização e a ingerência do Judiciário em questões eminentemente políticas causa o apequenamento do Legislativo e o enfraquecimento da democracia representativa."
Em dura argumentação enviada ao STF, o Congresso ataca decisões judiciais sobre temas do parlamento, como a do veto dos royalties, e diz considerar que há uma clara interferência dos ministros do tribunal constitucional nas funções parlamentares. “O Senado Federal e a Câmara Federal não necessitam do beneplácito do Poder Judiciário”, argumentam os advogados no recurso sobre royalties enviado nesta terça-feira ao STF. Em outro momento, explicam que decisões da corte “usurpam prerrogativa do Poder Legislativo e o deixa de joelhos frente a outro poder”.
Congresso desiste da insanidade de votar vetos
Congresso
No total, mais de 3.000 vetos presidenciais estão acumulados há 12 anos
Laryssa Borges e Marcela Mattos, de Brasília
Plenário da Câmara Federal em Brasília (Saulo Cruz/Agência Câmara)
Uma sucessão de articulações desastradas para montar um insano cronograma de votação dos 3.059 vetos presidenciais em uma sessão conjunta do Congresso Nacional impediu a apreciação, neste ano, do veto que a presidente Dilma Rousseff fez à nova "Lei de Royalties". A derrubada da decisão presidencial, articulada por parlamentares eleitos por estados não produtores de petróleo, permitiria a distribuição dos royalties de campos novos e daqueles já licitados e garantiria a divisão dos benefícios não só a estados como Rio de Janeiro e Espírito Santo, mas também aos que não têm o insumo em seu território.
Após reuniões, os líderes dos partidos interpretaram que a liminar do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impediu a votação do veto dos royalties em regime de urgência, bloqueia votações no plenário do Congresso, incluindo o Orçamento da União, antes da apreciação dos vetos. Na prática, a análise desses vetos a toque de caixa é impossível já que alguns estão pendentes há mais de uma década: o primeiro da fila, do ano 2000, ainda do governo Fernando Henrique Cardoso, dispensa instituições religiosas de recolher a contribuição previdenciária incidente sobre o salário pago a parte de seus funcionários. Além disso, há vetos sobre temas complexos e controversos, como o Código Florestal e o fator previdenciário.
Reuniões - Uma reunião de líderes foi marcada para o início da tarde desta quarta-feira e nela, segundo relato de participantes, deputados e senadores do Rio de Janeiro e do Espírito Santo traçaram estratégia que pudesse inviabilizar a votação, numa espécie de mutirão para analisar os mais de 3.000 vetos presidenciais. A ideia era postergar indefinidamente a apreciação do veto dos royalties.
“Para a gente é muito melhor organizar um cronograma, cancelar essa sessão e jogar para fevereiro. Eu acho que é isso que vai acontecer. Isso para nós dá a certeza de que se formos discutir cada veto, vamos ter muito tempo para que se chegue no veto dos royalties do petróleo”, afirmou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).
“(Se vingar a proposta de votar os vetos em sequência) Vamos passar o ano, começar o ano seguinte dormindo aqui no Congresso sem conseguir a chegar ao final dessa pauta. Temos que votar os vetos de uma forma racional, e não dizer que vamos acampar aqui na Casa, dormir aqui na Casa. Isso é surreal”, disse a vice-presidente do Congresso, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES). “Queremos um calendário para votar pausadamente cada veto, com conhecimento de causa”, completou ela.
Para evitar o desgaste, nem o presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), nem a vice-presidente, Rose de Freitas, nem o terceiro-secretário da Mesa, Inocêncio Oliveira (PR-PE), queriam assumir a presidência da sessão plenária marcada para as 12h. Ao final, coube a Rose de Freitas abrir uma sessão pouco depois das 13h, suspendê-la em seguida para uma reunião de líderes, e encerrar na sequência a sessão plenária do Congresso.
Correr para a academia apenas perto do verão funciona?
19/12/2012
às 12:42 \
Com a proximidade do verão, cresce o número de pessoas que se matriculam em academias para exibir um corpo sarado nas praias e piscinas. Ainda que a atividade física tenha sido deixada de lado durante boa parte do ano, muitos desses novos “ratos de academia” acabam praticando exercícios físicos por horas a fio para compensar o tempo perdido. Será que isso funciona?
Como já abordei em texto anterior, os efeitos estéticos da prática regular e orientada de exercícios levam pelo menos trinta dias para serem sentidos. Ou seja, praticar atividade física num esquema “intensivão” apenas para aparentar um corpo mais esbelto pode resultar em frustração. Além do ganho de massa muscular ser lento, a queima da gordura é um processo ainda mais difícil. Quando ouve-se dizer que alguém perdeu mais de três quilos em duas semanas é preciso ter em mente: o que houve, na verdade, foi apenas perda de líquido e de massa muscular – situações nada saudáveis.
Outra questão ainda mais importante: sobrecarregar o corpo com sessões extenuantes e por vários dias sem descanso para obter resultados mais rápidos acentuam consideravelmente o risco de aparecimento de lesões.
Mas nem tudo está perdido – ao menos para os que têm paciência. Matricular-se numa academia no verão pode trazer, sim, bons resultados. Os professores provavelmente orientarão os alunos mais afoitos para que o programa se mantenha ao longo do ano, visando o verão do ano que vem. Ainda que um pouco fora do prazo esperado, o mais importante será o resultado: um estilo de vida mais saudável.
http://veja.abril.com.br/blog/saude-chegada/nutricao/correr-para-a-academia-apenas-perto-do-verao-funciona/
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