sexta-feira 29 2012
TSE libera candidaturas de políticos com contas de campanha reprovadas
Eleições 2012
Ministros voltaram atrás em decisão tomada em março depois de um pedido de reconsideração apresentado por catorze partidos
Julgamento foi concluído com voto-vita do minitros Dias Toffoli (Dorivan Marinho/AE)
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) voltou atrás e decidiu autorizar a candidatura dos políticos 'contas-sujas'. Em março, por 4 a 3, a corte havia determinado que só poderia disputar uma eleição o candidato cuja prestação de contas de campanhas passadas tivesse sido aprovada pela Justiça Eleitoral. Nesta quinta-feira, pelo mesmo placar, o tribunal decidiu que basta apresentar a prestação para entrar na corrida eleitoral.
Segundo o TSE, 21 000 candidatos tiveram suas contas reprovadas em eleições até 2010. A nova resolução garante a todos eles o direito de buscar uma cadeira de prefeito ou vereador nas eleições de outubro. Eles precisarão apenas apresentar suas contas para a obter certidão de quitação eleitoral, documento necessário para requerer o registro de candidatura.
O pedido de reconsideração da decisão tomada em março foi apresentado pelo PT e, mais tarde, assinado por outros 13 partidos: PMDB, PSDB, DEM, PTB, PR, PSB, PP, PSD, PRTB, PV, PCdoB, PRP e PPS. As legendas argumentaram que a necessidade de ter as contas aprovadas não estava prevista em lei e que sua eventual adoção deve respeitar o prazo da anualidade – ou seja, deve ser estabelecida pelo menos um ano antes do pleito.
Na terça-feira, a questão foi retomada pelo plenário do TSE. Com o placar empatado em três a três, a sessão foi interrompida com o pedido de vista do ministro Dias Toffoli. Nesta quinta, ele decidiu acompanhar o voto dos ministros favoráveis ao pedido dos partidos, Gilson Dipp, Arnaldo Versiani e Henrique Neves. Para eles, quandos as contas de um candidato são rejeitadas, cabe ao Ministério Público verificar se é ou não caso de gasto ilícito e apresentar denúncia perante a Justiça Eleitoral, que aí sim pode decidir barrar uma candidatura.
Segundo Toffoli, a legislação eleitoral não exige a aprovação das contas como condição para disputar eleições. No entanto, ele ressalvou que contas apresentadas 'de maneira fajuta' devem ser consideradas não prestadas e, portanto, razão para impedir uma candidatura.
Foram votos vencidos: Marco Aurélio, Cármen Lúcia e Nancy Andrighi, a relatora do processo. “O candidato que foi negligente e não observou os ditames legais não pode ter o mesmo tratamento daquele zeloso que cumpriu com seus deveres", argumentou a ministra Nancy, na sessão de março.
Pílula que concentra quatro drogas diferentes anti-HIV se mostra eficaz e segura em testes clínicos
Aids
Comprimido pode melhorar adesão dos pacientes ao tratamento da aids, reduzindo as chances de o vírus se tornar resistente aos antirretrovirais
Vírus HIV: tratamento que concentra quadro drogas que tratam a aids em uma se mostra seguro e eficaz nos testes clínicos (Thinkstock)
Testes clínicos envolvendo um comprimido que combina quatro drogas para o tratamento da aids mostraram que essa é uma alternativa segura e eficaz para pacientes recém diagnosticados com a doença. Segundo a pesquisa, publicada na edição desta semana da revista The Lancet, a pílula 'quatro em um', chamada Quad, tem uma atuação mais rápida, não apresenta efeitos colaterais neuropsiquiátricos e pode melhorar a adesão das pessoas ao tratamento.
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ANTIRRETROVIRAIS
Esse grupo de medicamentos surgiu na década de 1980 e atua no organismo impedindo a multiplicação do vírus. Eles não matam o HIV, mas ajudam a evitar que ele se reproduza e enfraqueça o sistema imunológico da pessoa infectada. Por isso, seu uso é fundamental para prolongar o tempo e a qualidade de vida do portador de Aids. Desde 1996 o Brasil distribui gratuitamente o coquetel antiaids para todos que necessitam de tratamento. Atualmente, existem 19 medicamentos, divididos em cinco classes diferentes. Para combater o HIV é necessário utilizar pelo menos três antirretrovirais combinados, sendo dois medicamentos de classes diferentes.
Esse grupo de medicamentos surgiu na década de 1980 e atua no organismo impedindo a multiplicação do vírus. Eles não matam o HIV, mas ajudam a evitar que ele se reproduza e enfraqueça o sistema imunológico da pessoa infectada. Por isso, seu uso é fundamental para prolongar o tempo e a qualidade de vida do portador de Aids. Desde 1996 o Brasil distribui gratuitamente o coquetel antiaids para todos que necessitam de tratamento. Atualmente, existem 19 medicamentos, divididos em cinco classes diferentes. Para combater o HIV é necessário utilizar pelo menos três antirretrovirais combinados, sendo dois medicamentos de classes diferentes.
O pilar do tratamento destinado a um paciente infectado pelo vírus HIV é a combinação de ao menos trêsantirretrovirais. Essas drogas, embora reduzam drasticamente a presença do vírus no sangue, não conseguem agir nos vírus que estão inativos no organismo, e, portanto, não são capazes de curar a doença.
Os autores do estudo, que são do Hospital Brigham and Women, ligado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, explicam que a adesão do paciente à terapia contra a aids é vital, e que deixar de tomar algum medicamento pode fazer com que o vírus HIV passe a ser resistente às drogas. “Trabalhos têm demonstrado que tratamentos com uma única pílula melhoram a adesão e a satisfação do paciente, além de ajudar a evitar erros de prescrição e reduzir a probabilidade de falha do tratamento e a resistência à droga”, diz o coordenador da pesquisa, Paul Sax.
Eficácia e segurança — Nos testes, os cientistas compararam, em 700 pacientes infectados pelo vírus HIV, o efeito do tratamento com a pílula Quad ao do melhor tratamento contra aids que está disponível atualmente. Após 48 semanas, os pesquisadores concluíram que o comprimido é tão eficaz e seguro quanto as opções disponíveis, com a vantagem de concentrar em apenas uma cápsula quatro drogas. No entanto, os pacientes que fizeram uso da cápsula apresentaram um maior índice de problemas renais.
“Se a pílula for aprovada pelas agências reguladoras dos países, essa seria a primeira vez em todos os medicamentos utilizados no tratamento da aids se concentrariam em apenas um comprimido, o que é um grande avanço. Seria mais uma opção de tratamento para pacientes com essa doença”, diz Brian Kearney, que também participou da pesquisa.
Nasa: tempestade solar não é capaz de destruir a Terra
Ciência
Apocalipse
Agência espacial desmente o achado pretensamente científico de que o aumento da atividade solar vai acabar com o planeta em 2012, conforme interpretação mirabolante de uma relíquia maia
Imagem divulgada pela Nasa em junho mostra erupção solar que desencadeou uma tempestade de radiação em um nível sem precedentes desde 2006 (NASA/AFP)
Profetas do apocalipse têm um 'fato' a menos para tentar convencer o mundo de que a Terra acabará em 2012. Um artigo assinado pela cientista espacial Susan Hendrix, da agência espacial americana, a Nasa, explica que é impossível qualquer tempestade solar acabar com o nosso planeta. O texto desautoriza a popular paranoia, baseada numa mirabolante leitura do calendário maia, de que o aumento da atividade solar, que ocorre em ciclos de 11 anos, levaria ao fim do mundo em 2012.
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TEMPESTADES SOLARES
As tempestades solares, ou erupções solares, são explosões na superfície do Sol. Elas são causadas por mudanças repentinas no campo magnético do astro e têm um ciclo de intensidade de 11 anos. A atividade faz com que radiação eletromagnética atinja o planeta. Nos casos em que a energia é mais alta, as tempestades podem afetar sistemas da Terra, como satélites ou redes de energia.
As tempestades solares, ou erupções solares, são explosões na superfície do Sol. Elas são causadas por mudanças repentinas no campo magnético do astro e têm um ciclo de intensidade de 11 anos. A atividade faz com que radiação eletromagnética atinja o planeta. Nos casos em que a energia é mais alta, as tempestades podem afetar sistemas da Terra, como satélites ou redes de energia.
De acordo com Hendrix, qualquer pessoa com mais de 11 anos já 'sobreviveu' a um máximo na atividade solar. Além disso, o próximo pico na atividade do Sol deve acontecer apenas em 2013 ou 2014, não em 2012. Acima de tudo, afirma o artigo, "não existe energia suficiente no Sol para enviar uma bola de fogo por 150 milhões de quilômetros (a distância entre a Terra e o astro) capaz de destruir o planeta".
Isso não quer dizer, contudo, que o 'clima espacial' não é capaz de afetar o planeta. O calor explosivo das tempestades solares não chega ao planeta, mas a radiação eletromagnética e partículas energizadas, sim. Essas rajadas podem alterar temporariamente a alta atmosfera criando distorções em, por exemplo, sistemas de GPS.
Outro fenômeno produzido pelo Sol pode ser ainda mais problemático. Algumas explosões solares, conhecidas como Ejeção de Massa Coronal (EMC), são capazes de induzir flutuações elétricas na superfície do planeta que podem destruir transformadores da rede de eletricidade. As EMC também podem danificar satélites que orbitam a Terra.
Contudo, "o homem podem tomar medidas para minimizar os danos", diz o artigo. A Nasa e várias agências espaciais no mundo alertam as empresas de energia, as linhas aéreas e pilotos de aviões antes que uma EMC atinja o planeta, de modo que possam tomar providências. "A atividade solar não deve ser negligenciada e podemos tomar medidas para nos proteger", conclui o artigo.
Isso não quer dizer, contudo, que o 'clima espacial' não é capaz de afetar o planeta. O calor explosivo das tempestades solares não chega ao planeta, mas a radiação eletromagnética e partículas energizadas, sim. Essas rajadas podem alterar temporariamente a alta atmosfera criando distorções em, por exemplo, sistemas de GPS.
Outro fenômeno produzido pelo Sol pode ser ainda mais problemático. Algumas explosões solares, conhecidas como Ejeção de Massa Coronal (EMC), são capazes de induzir flutuações elétricas na superfície do planeta que podem destruir transformadores da rede de eletricidade. As EMC também podem danificar satélites que orbitam a Terra.
Contudo, "o homem podem tomar medidas para minimizar os danos", diz o artigo. A Nasa e várias agências espaciais no mundo alertam as empresas de energia, as linhas aéreas e pilotos de aviões antes que uma EMC atinja o planeta, de modo que possam tomar providências. "A atividade solar não deve ser negligenciada e podemos tomar medidas para nos proteger", conclui o artigo.
Descoberta escadaria maia com mensagem sobre 2012
Arqueologia
Hieróglifos fazem menção ao “último dia”, 21 de dezembro de 2012. Segundo arqueólogos, mensagem tem caráter político, não profético
Descoberta: Detalhe de um dos hieróglifos encontrados no sítio arqueológico La Corona, com referências a 2012 (Tulane University/Divulgação)
Uma escadaria com mensagens hieroglíficas de mais de 1.300 anos da civilização maia, com menção ao “último dia”, 21 de dezembro de 2012, foi encontrada no sítio arqueológico de La Corona, na Guatemala.
O texto, escrito em 56 hieróglifos nos degraus de uma escadaria, é considerado a descoberta mais importante das últimas décadas de pesquisas sobre a civilização pré-colombiana. Em maio, arqueólogos já haviam anunciado a descoberta do mais antigo calendário maia, encontrado no mesmo local.
"A mensagem tem caráter mais político do que profético", afirma Marcello Canuto, diretor do Instituto de Pesquisas da América Central da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, e codiretor do Projeto Arqueológico La Corona. De acordo com ele, os maias usaram o calendário para promover a continuidade e a estabilidade dos reinados, mais do que prever o apocalipse. Descrevendo ciclos de poder, estabeleceram que ele fosse se encerrar em 21 de dezembro de 2012.
Ciclo de poder — David Stuart, da Universidade do Texas, que esteve na primeira expedição a La Corona em 1997, identificou a referência a 2012 em um bloco de uma escadaria descoberto recentemente.
A mensagem comemorava a visita a La Corona do rei maia mais poderoso da época, em 696 antes de Cristo. Yuknoom Yich'aak K'ahk', de Calakmul, esteve na cidade alguns meses depois de ser derrotado em uma batalha pelo seu maior rival, Tikail, no ano 695. Ele visitava aliados para recuperar o apoio e evitar sua queda. Segundo Stuart, a mensagem sobre 2012 tentava retomar a ordem estabelecendo um grande ciclo de poder.
Tulane University/Divulgação
Pesquisadores trabalham no sítio arqueológico de La Corona
Saqueadores — Desde 2008, Canuto e Tomás Barrientos, da Universidade da Guatemala, comandam as escavações no sítio La Corona, que já foi alvo de saqueadores no passado.
Segundo Barrientos, foram justamente as pedras saqueadas da escadaria que ajudaram pesquisadores a encontrar os hieróglifos. Algumas dessas peças foram abandonadas pelos saqueadores porque estavam muito danificadas. Ao serem encontradas no ano passado, despertaram a atenção dos pesquisadores.
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