quarta-feira 20 2012

PERDEU, CARA!



A resposta da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, ao governo brasileiro foi tão dura quanto se pode ser na diplomacia. A proposta do Brasil e da Turquia faz o “mundo mais inseguro, não menos”, disse Hillary. Não há nada pior a dizer sobre um país no ambiente internacional. E isso significa que não se negocia a partir daí. A decisão é de Barack Obama, não de Hillary, é óbvio.
Trata-se de um golpe nas ambições megalonanicas muito maior do que, na média, acusa a imprensa brasileira — que ou demora a reagir ou serve, vergonhosamente, ao lobby do muitas vezes desastrado Itamaraty. Por quê? Sei lá… Está um tanto viciada nos supostos sucessos de Lula. Convencionou-se por aqui, com raras exceções, que, se ele diz que algo vai acontecer, então é porque vai. E a situação pode assumir um aspecto verdadeiramente surrealista a depender do caso.
É impressionante que, contra os fatos, a pregação do Itamaraty e de Lula ainda encontre eco por aqui. O Irã deixou claro que não abre mão de enriquecer o urânio em seu próprio território. A tal troca era só uma firula. Tenta-se, com a gritaria, mudar uma evidência. Lula está acostumado. É assim que age no ambiente interno. Fala o que lhe dá na telha e não é contestado. Conta a história como lhe convém. No caso do Irã, meteu-se num vespeiro certamente maior do que imaginava. Erro de cálculo do Itamaraty.
Há um conjunto de fatores que concorre para isso. O leitor sabe que, nos Estados Unidos, sou republicano, assim como, em Dois Córregos, torço para o Mocoembu, não para o Botafogo local. Mas é fato que, se John McCain tivesse vencido a disputa, talvez o governo americano estivesse mais aberto a uma intermediação como a brasileira ou, sei lá, tivesse sido menos rápido em desmoralizar o acordo com a proposta de sanções. O passivo dos republicanos nessa área seria, sem dúvida, bem maior. Obama, ao contrário, está livre para não responder pelos “erros” (concorde-se ou não com essa avaliação) do antecessor. O Itamaraty certamente não pôs essa questão na balança.
O Brasil também apostava num Obama “fraco”. Escrevi aqui durante a campanha eleitoral americana que boa parte dos que torciam pela eleição do democrata apostava, no fundo, que ele seria um presidente “antiamericano”, o que era uma bobagem. Por mais que não tenha, e não tenho, especial simpatia pelo atual titular da Casa Branca, ele é quem é, e isso significa incorporar todos os que o antecederam. Parte do seu papel nem depende de sua vontade.
“Nova estratégia”?Veio a público justamente ontem o documento com a Estratégia de Segurança Nacional do governo democrata — apresentado justamente por Hillary, que deu um pito no Brasil. Obama tem, sim, um viés, digamos, meio lulesco, especialmente no hábito de oferecer mais do mesmo como se fosse uma revolução. É o caso do documento — e já deixo claro em que ponto essa questão se conecta com o resto do meu texto.
No que um articulista do New York Times interpretou como um dos “tapas” em George W. Bush, Obama afirma que o peso do novo século não pode cair só nos ombros dos americanos e diz que os adversários da América gostariam de ver o país enfraquecido pelo exercício excessivo do poder. O documento afirma a importância da diplomacia etc e tal… Mas atenção!
“Porquanto o uso da força seja às vezes necessário, nós vamos sempre esgotar as outras opções antes da guerra e pesar cuidadosamente o peso e o risco da ação e da inação (…)”. Quando necessário, “vamos buscar um amplo apoio internacional, trabalhando com instituições como a Otan e o Conselho de Segurança da ONU”. Bush dizia que os EUA não precisavam de permissão para agir, Obama escreve que os “EUA se reservam o direito de agir unilateralmente, se necessário, para defender nossa nação e nossos interesses”, mas sempre respeitando regras.
Isso “enterra” a doutrina Bush, como se vai dizer no Brasil? Não! Essa é a doutrina de segurança dos Estados Unidos. O que Obama está dizendo é que ele pode fazer o mesmo, só que com o coração partido e batendo um papinho. Volto ao Brasil.
De volta ao BrasilO Brasil enxergou no governo Obama uma janela de oportunidades — um pouco, assim, como se o galo tivesse saído para dar uma ciscada, e o terreiro tivesse sido confiado aos frangotes. E se meteu na aventura iraniana. De fato, Obama enfrenta um combate acirrado dos republicanos, que ainda duvidam — e levam essa dúvida a milhões de americanos — que ele possa ser o homem certo para defender os EUA de seus inimigos. Por lá,  o confronto é aberto, e ninguém considera sabotagem um partido de oposição fazer… oposição!!!
Isso torna o atual presidente dos EUA um pouco menos Obama do que o Obama que foi eleito? Sim! Mas sempre foi uma tolice supor que uma abordagem como a brasileira, de protagonismo irresponsável, tivesse chance de prosperar. E, agora de acordo com o documento, os EUA podem ser acusados de qualquer coisa no caso do Irã, menos de “unilateralistas”. Na sua ação, conta com o apoio dos cinco membros permanentes e da maioria esmagadora do Conselho de Segurança e com o quase consenso da Europa. Isolado, nessa questão, está o Brasil.
Perdeu, Cara! A bravata foi desmoralizada. Pede pra sair!
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/perdeu-cara/

Anúncio em jornais cobra explicações de Ahmadinejad


Direitos humanos

Peça publicitária pede explicações ao presidente iraniano sobre as constantes violações dos Direitos Humanos em seu país

“Senhor Ahmadinejad, aproveite que o senhor está em um país onde a liberdade de expressão é respeitada para explicar as frequentes violações do seu regime aos Direitos Humanos. Somos todos ouvidos” – Estas são as frases estampadas em um anúncio que circula hoje em diversos jornais brasileiros. A iniciativa é da Confederação Israelita do Brasil (Conib), que, com outras entidades civis, protesta contra a presença do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad na Conferência Rio+20.
Detalhe do anúncio da Confederação Israelita do Brasil que circula hoje nos jornais brasileiros (Reprodução)
Mahmoud Ahmadinejad e os aiatolás governam o Irã com mão de ferro, mantêm centenas de opositores na prisão e sufocam todas as manifestações contrárias ao regime. O governo autoritário iraniano também censura a internet, reprime o trabalho da imprensa (inclusive dificultando o trabalho de jornalistas internacionais) e as universidades do país, além de perseguir o livre-pensamento e as manifestações culturais que julgam "impróprias para a República Islâmica". 
O anúncio divulgado hoje foi criado pelo publicitário Eduardo Fischer e traz uma foto de Ahmadinejad e um questionário de múltipla escolha com o seguinte enunciado: “Escolha um motivo para se preocupar com os atos deste homem”. Entre as alternativas possíveis para os leitores ‘marcarem’, há: “Sou cristão, evangélico ou baha’í e não gostaria de me sentir ameaçado por exercer minha crença”; “Sou judeu e não quero ser perseguido e nem ver o Holocausto apagado da história”; “Sou advogado e não gostaria de ser preso por defender meus clientes”; “Sou jornalista e não gostaria de ser perseguido por divulgar o que acontece em meu país”; entre outras.
De acordo com Mario Fleck, presidente da Federação Israelita do estado de São Paulo, uma das entidades que integram a Conib, o anúncio “expressa o pensamento de uma larga parcela da população brasileira que não compactua com as práticas do governo autoritário iraniano”. Fleck ainda ressalta que o regime atual não deve ser confundindo com o povo iraniano, que também é vítima da opressão. “O Irã não deveria ter sido convidado pela ONU. O governo iraniano defende e pratica ações contrárias aos princípios do mundo civilizado e não tem nada para falar na Rio+20.” 
Ahmadinejad chegou na noite desta terça-feira. Antes de embaracar para o Brasil, ele esteve na Bolívia, onde assinou acordos de cooperação com o colega Evo Morales. Depois da breve estadia em La Paz, Ahmadinejad e Morales viajaram juntos ao Rio de Janeiro.
A presença de Ahmadinejad no Brasil ocorre no mesmo tempo em que o chamado Grupo 5+1 encontra-se reunido com representantes iranianos, em Moscou, para inibir o plano nuclear de Teerã. Segundo os últimos informes de agências internacionais, o chefe dos negociadores iranianos, Said Jalili, argumenta que "o enriquecimento de urânio com um objetivo pacífico em todos os níveis é um direito da República Islâmica". No entanto, a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, considera que ainda existem "divergências significativas" entre o Irã e as grandes potências nas negociações mundiais sobre o programa nuclear de Teerã. Os membros do Grupo 5+1, Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha, pediram ao Irã que reduza consideravelmente o atual nível de sua capacidade de enriquecimento de urânio, atualmente a 20%.
Os presidentes de Estados Unidos e Rússia, Barack Obama e Vladimir Putin, disseram nesta segunda-feira que o Irã "deve empreender sérios esforços para recuperar a confiança internacional sobre a natureza exclusivamente pacífica de seu programa nuclear".
Protesto – No último domingo, defensores dos direitos humanos, ambientalistas e membros da comunidade judaica protestaram no Rio de Janeiro contra a participação de Ahmadinejad na Cúpula da Rio+20. Manifestantes percorreram as ruas de Ipanema com bandeiras de Israel e cartazes com mensagens nas quais se lia "O Rio não dá as boas-vindas a Mahmoud Ahmadinejad" e "Negar o Holocausto é o mesmo que negar a escravidão no Brasil".

Chico Buarque - O Meu Amor

Crystal Silence - Chick Corea

Toots Thielemans - Theme from Midnight Cowboy - European Quartet Live 2010

Patch Adams - Faith in the Heart

Chico Buarque - Linha de Montagem